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por exemplo [Revista Laboratório] Ano IV - Número 6 - Junho de 2009

CAULIM

Exploração dos trabalhadores pelas mineradoras e a impune agressão ao meio ambiente

VOLUNTARIADO

As dificuldades de conciliar as atividades do trabalho com ações voluntárias

personagens comunicação

documentário tudo que deus criou longa metragem

encomenda

direção

ficção bicho medonho monick

travestis cinema força de vontade

curtas amanda desafios prêmios rapadura

André Costa e seu presente promissor O que levaria as pessoas a iniciar uma revolução?

O jovem diretor paraibano fala sobre sua curta e premiada carreira como cineasta


editorial

expediente

nossos temas

A

falta de emprego nas diversas regiões do Estado da Paraíba tem forçado muitas pessoas a aceitar qualquer tipo de trabalho, mesmo sabendo dos riscos que correm e da completa falta de condições para o desempenho de suas atividades. É o caso dos operários que trabalham nas minas de extração do Caulim, nos municípios de Junco do Seridó, Juazeirinho, Assunção, Tenório e Salgadinho, no Curimataú paraibano, cujo perigo está sendo mostrado através de reportagem especial que trazemos nesta edição. Esperamos que as autoridades competentes tomem as providências para que se evitem problemas mais graves. Nesses tempos de acomodação dos movimentos sociais, onde trabalhadores continuam sendo explorados pelo capital, nossos repórteres buscaram saber o que levaria as pessoas a fazer uma revolução. Aliás, revolução mesmo é a que o jovem cineasta André da Costa Pinto vem fazendo no cinema paraibano, através de suas produções. Ele é capa desta edição de Por Exemplo. Outros temas interessantes também fazem parte desta revista, como é o caso da matéria sobre o projeto de arboriza-

Revista Laboratório do Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba

ção “Adote uma árvore”, desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba. Nossos repórteres também alertam para o fato de que muitas pessoas desejosas de aprender a falar em público se matriculam em cursos de baixa qualidade, perdem tempo e dinheiro e o que é pior: saem de lá com o mesmo problema. Na seção comportamento, mesmo que a Canção da América, diga que “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração”, os especialistas alertam os jovens sobre o cuidado que devem ter com as amizades e afirmam que os pais devem ficar de olhos abertos. Vamos mostrar, também, a importância do voluntariado e como dona Maria José Amado, há mais de 20 anos, divide seu tempo entre suas atividades de enfermeira e as ações voluntárias. Por Exemplo apresenta, ainda, os perfis de duas personalidades do cotidiano campinense: o famoso cantor e compositor Biliu de Campina e o gari Martins da Cachoeira. Some-se a esse conteúdo, o artigo de Marcos Moraes, onde ele afirma corretamente que o movimento cultural de Campina Grande não se resume apenas ao período junino. Boa leitura!

[Reitora] Profa. Marlene Alves [Vice-reitor] Prof. Aldo Maciel [Pró-Reitora de Administração] Profa. Célia Regina [Diretora do CCSA] Profa. Fátima Araújo [Chefe de Departamento] Prof. Rômulo Azevedo [Chefe Adjunto] Prof. Orlando Ângelo [Coordenador do Curso] Prof. Luiz Barbosa de Aguiar [Coordenador Adjunto] Profa. Cássia Lobão [Editor Chefe] Prof. Orlando Ângelo [Editores] Eliézer Aguiar José Marcos Moraes Monicky Araújo [Professores orientadores] Prof. Orlando Ângelo Prof. Levy Soares Prof. Arão de Azevedo [Repórteres] Ana Luiza Alencar Ana Paula Oliveira André Brasil Daniel Motta Danielle Sobral David Veiga Edckson Félix Eliézer Aguiar Geovanne Santos Heron Barreto Idelânia Flávia Ilanildo Moreira José Marcos Moraes Juliane Almeida Ligia Coeli Marcelo Andrade Marcos Souza Miriam Souza Monicky Araújo Railani Gomes Renata Rodrigues Vanessa Lima Yuri Guedes Zuila David

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REPRODUÇÃO

ARTIGO Mais de um mês de cultura ENTREVISTA André Costa Pinto PERFIL Biliu de Campina VIDA Retalhos da memória TRABALHO Extração do caulim POLÍTICA Revolução para que te quero? SOLIDARIEDADE Trabalho voluntário MÚSICA REGIONAL Na embolada do Baixinho COMPORTAMENTO Quem é ele? COMUNICAÇÃO Medo de falar em público PORTUGUÊS Rapariga é moça MEIO AMBIENTE Adote essa idéia

[Projeto gráfico] David Veiga Edckson Félix Ligia Coeli [Diagramação] Edckson Félix

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[Fotos da capa] Almir Martins Tiragem: 1.000 exemplares Impressão: Gráfica UEPB Rua D. Pedro II, S/N - São José Campina Grande - PB e-mail: revistaporexemplo@gmail.com Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista. É proibida a reprodução total ou parcial de textos e fotos sem a prévia autorização.


por JOSÉ MARCOS MORAES

artigo

Mais de um mês de cultura

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ecebi o convite para escrever estas linhas, mas fiquei receoso em aceitar o encargo, pois o tema sugerido para o artigo é muito amplo. Falar de cultura, principalmente em Campina Grande, é uma tarefa, no mínimo, difícil. Mas resolvi partilhar com vocês algumas observações a respeito do tratamento dado a essa temática em nossa cidade. Campina tem um cenário cultural rico. Temos representantes nos mais diversos setores: das Artes Plásticas à Literatura de Cordel, do Cinema a Música, sem esquecer as atividades teatrais, que tantas alegrias e orgulho nos proporcionam. Mesmo com tanta efervescência cultural, temos uma estranha sensação de que nada acontece na cidade. Acredito que isso ocorre em virtude da falta de espaços de “escoamento” da nossa produção cultural. Os artistas dispõem de poucos locais para mostrarem seus trabalhos e quase nenhum incentivo para produzir. Nem mesmo uma Secretaria de Cultura nós temos. Os assuntos culturais ficam a cargo de uma Coordenadoria, que se dedica apenas a realização de um único evento. A sensação de vazio cultural fica mais gritante quando lemos jornais ou assistimos TV, já que a grande mídia tem o entendimento de que Cultura, aqui, só acontece durante o mês de junho. Quando afirmo isso, digo embasado no espaço dedicado a cobertura do “Maior São João do Mun-

rápidas

Diploma Depois do lamentável desfecho sobre a extinção da obrigatoriedade do diploma como requisito básico para o exercício da profissão de jornalista, a sociedade brasileira precisa estar atenta para que possa continuar recebendo informação técnica, ética e socialmente correta. É de domínio público que o STF agradou somente aos grandes empresários da comunicação.

Lançamento “Extensão Universitária: espaço de inclusão, formação e socialização do conhecimento” é o título do livro lançado, recentemente, pela PróReitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UEPB. A edição mostra à comunidade acadêmica que a extensão também é lugar de produção, formação e socialização do conhecimento.

Católicos Mesmo com tanta efervescência cultural, temos uma estranha sensação de que nada acontece na cidade

do”, evento que não valoriza os artistas locais, espremendo-os em pequenas palhoças em dias de pouca movimentação, enquanto os “ídolos” da cultura massificada ocupam o palco principal. Apesar da força da indústria cultural, ainda temos alguns programas que se dedicam à cobertura cultural de qualidade e que dão espaço aos artistas locais, com muita diversidade. A cidade precisa desenvolver políticas de valorização da Cultura como um todo. É preciso criar espaços e oportunidades para que os artistas possam mostrar a sua arte, potencializar o uso de alguns locais dedicados as atividades artísticas, dando-lhes mais atenção. O Teatro Municipal Severino Cabral precisa ser reformado, urgentemente. Os vários grupos de teatro da cidade não têm onde ensaiar nem se apresentar. O Projeto Seis e Meia foi transferido para o Centro de Convenções, em uma decisão que desvirtuou e elitizou ainda mais o evento, impossibilitando a participação de grande parte da sociedade. É preciso dar condições aos que pensam e tentam divulgar a cultura na cidade. É importante perceber que a cultura de Campina Grande não dura apenas um mês e que o incentivo cultural pode contribuir muito para o desenvolvimento de uma cidade.

A Diocese de Campina Grande comemorou 60 anos de fundação, mas parece que não despertou para um fato que vem incomodando a Igreja Católica no país inteiro: a fuga em massa de fiéis. Muitos padres precisam se fazer presente no seio da sociedade e participar não só dos seus problemas, mas de suas carências espirituais.

Evento Destacados profissionais paraibanos da área de Comunicação participaram do 2º Encontro de História da Comunicação, promovido pelo Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba. Importantes temas foram apresentados por Marcos Tavares, Fred Ozanan, Gilson Souto Maior, Carlos Azevedo, Horácio de Almeida Lima, Henrique França, Roberto Faustino e Land Seixas. O evento foi coordenado pela professora Fátima Luna.

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entrevista

André da Costa Pinto 23 anos. Diretor de cinema

André versus André por EDCKSON FÉLIX, DAVID VEIGA e MARCOS MORAES

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ALMIR MARTINS

Por Exemplo - Apesar de você ainda ser jovem, sua estante de prêmios já tem vários lugares ocupados. É possível explicar tamanho sucesso? André Costa - Quando você quer alguma coisa, vai atrás. Eu acho que talento várias pessoas têm. Fazer de qualidade várias pessoas fazem. Depende muito da forma como você vê as coisas, a forma de sentir a arte. Muitos fazem arte, mas ela tem que ser feita para ser compreendida. Se as outras pessoas não entendem meu filme, para quem eu estou comunicando? Cinema é comunicação. Arte é comunicação. Parte um pouco dis-

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le nasceu em Barra de São Miguel, uma pequena cidade do interior da Paraíba, e cresceu numa família onde as pessoas debatiam literatura, música e arte quase o tempo todo. Diferentemente das outras crianças, quando tinha 9 anos escutava não o que estava na mídia, mas Lupicínio Rodrigues, Cartola, Pixinguinha e outros artistas do gênero. Estava dentro do universo Chico Buarque de Holanda, de quem seu pai era fã. Como se pode perceber, a base cultural do jovem cineasta André da Costa Pinto começou em casa. Não é para menos. Ele foi criado ao lado da avó, que é teatróloga e atriz, e do pai, que durante a vida inteira trabalhou com Educação. André é dessas pessoas que acreditam em si mesmas e nos que estão ao seu redor e que não têm medo de “quebrar a cara”. “Quando eu quero vou atrás”, diz. O autor de “Amanda e Monick” se descreve muito determinado e com iniciativa para aquilo que quer. Procura administrar muito bem o que está fazendo. Como diretor, é chato e exigente: grita quando tem que gritar. Nesta entrevista, ele fala da sua produção cinematográfica, os desafios enfrentados, do sucesso alcançado e dos prêmios conquistados, bem como do apoio recebido da reitora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Marlene Alves.

so. Essa questão das pessoas entenderem aquilo que eu quero passar. PE - Quais as dificuldades que você enfrentou no início da carreira como cineasta? AC - Dificuldades se encontram em tudo na vida. A primeira coisa é fazer as pessoas acreditarem em você e te dar apoio. Para ganhar esse apoio, você precisa mostrar que merece. E sofre preconceito lá fora? Sofre, pelo fato de ser nordestino, um guri de 23 anos. Mas se baixar a cabeça porque está sofrendo... Dificuldade encontra, mas a maior dela é a gente mesmo. Não é sempre ver o lado bom da coi-

sa, mas transformar o lado ruim. PE - De onde veio a inspiração para fazer cinema? AC - Eu tenho uma formação de casa. Fui criado respirando cultura. Tenho uma avó que é teatróloga e atriz, um pai que durante a vida inteira trabalhou com educação, jogou muita coisa para o alto por causa disso. Eu cresci num meio onde as pessoas debatiam literatura, música, arte. Na época em que eu tinha nove ou dez anos, enquanto outros guris escutavam aquilo que estava na mídia, eu escutava Lupicínio Rodrigues, Cartola, Pixinguinha. Estava dentro do

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André e seus personagens da vida real: o escultor David Ferreira, do documentário “A Encomenda do Bicho Medonho”, e os dois travestis que dão título à “Amanda e Monick”

universo Chico Buarque de Holanda, de quem meu pai era fã. Eu tive essa cultura desde cedo. Quando chegou a hora de dizer que iria fazer Comunicação, eu já tinha o contato com o audiovisual, pois já conhecia o cinema, já assistia bastante. E comecei a fazer cinema com elementos da minha infância. O mérito maior de meu trabalho é poder reconhecer aquilo que está ao meu redor. O problema é que muita gente não valoriza. No caso da Amanda, por exemplo, foi preciso fazer um filme para as pessoas saberem do valor que ela tinha. É importante saber transformar o que está em sua volta, pois é no cotidiano que se descobre coisas interessantes. PE - Dois dos seus curtas-metragens enfocam personagens marcantes de sua cidade natal, Barra de São Miguel: o escultor David Ferreira, em “A Encomenda do Bicho Medonho”, e os dois travestis que protagonizam o documentário “Amanda e Monick”. Qual a importância de registrar a realidade de cada um deles?

AC - A primeira coisa é por eu registrar minha própria realidade. Eles fizeram parte do meu cotidiano, da minha vida. Seu Davi é uma parte fantástica da minha infância. Eu passei muito tempo imaginando o Bicho Medonho. E Amanda foi Artur, que era meu amigo de infância. De certa forma, eu estou registrando parte da minha história, da minha família, das pessoas que eu gosto, que estão ao meu redor, e parte da história do meu lugar, que é Barra de São Miguel. É bom também poder levar o nome da cidade para fora. PE - Como você pode descrever sua atuação como diretor no processo de produção dos filmes? AC - É muito difícil descrever o André diretor. Uma coisa que eu gosto de dizer é que não sou muito humilde quando quero as coisas, eu sou ousado. Quando eu quero algo não adianta dizer para mim ‘não’. Eu tenho que quebrar a cara e descobrir que é ‘não’. Quando eu quero, vou atrás. O André é uma pessoa chata no set de filma-

gem. Ele grita quando tem que gritar. Eu sou muito determinado e tenho iniciativa para aquilo que quero, procuro administrar muito bem o que estou fazendo. Eu digo que todo mundo tem dois olhos e eu tenho vários. Olho tudo o que está ao meu redor. Nada passa despercebido. Fiscalizo a arte, o figurino e até coisas mínimas que fazem a diferença em tudo. Também acredito nas pessoas. Se eu quero fulano de tal para ser meu personagem, eu vou até ele convencê-lo de que ele tem capacidade de fazer isso para mim. O André tem muito disso: acreditar em si e acreditar nas pessoas que estão ao seu redor. A pessoa pode nunca ter trabalhado naquilo, mas, se eu puder dar responsabilidade para ela, eu vou dar. Também sou um cara empreendedor, que vê o que tem aqui e vê o que pode ter futuramente. PE - Depois de começar produzindo documentários, como é fazer um filme de ficção? AC - Eu já trabalho com ficção há algum tempo. Nunca dirigi um filme

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de ficção, mas dirigi pessoas, é tanto que eu tenho um curso de formação de atores para cinema. Eu tenho minhas formas de trabalhar com atores. Acho que o ator precisa se entregar por inteiro ao personagem, sem conceito nem preconceito. Ele deve se construir a partir do que o personagem pede. Então, para mim, não vai ser muito diferente mudar do documentário para a ficção por já ter trabalhado com isso. A ficção envolve a arte, os cenários, uma série de coisas que eu já tenho contato. É um desafio maior por ser um longa e por ser meu, pois eu só tinha participado na produção de filmes de outras pessoas. Mas não tenho medo não.

Se eu souber de tudo na vida, não vou querer mais viver. Eu me mato. Só quero viver enquanto tiver muita coisa para aprender. Eu digo que é preciso ter coragem para mostrar seu trabalho. Você não tem como saber se o que faz é bom ou ruim se as pessoas não o veem. Eu já fiz um documentário horrível. Não tem coisa pior do que ‘Da rapadura ao berço da cultura’. É cansativo, a linguagem é errada, tem um monte de erros que hoje eu vejo. Mas, fiz e não tenho vergonha de dizer e apontar minhas falhas. Eu acho que é isso, saber ouvir críticas positivas e negativas. PE - No trabalho com cinema, o que você considera ser uma boa dose de motivação?

PE - Por participar ativamente do cenário cultural de Campina Grande, muitas pessoas já citam seu nome quando o assunto é força de vontade. Como você avalia as oportunidades para quem produz arte na cidade? AC - Hoje nós temos uma “mão na roda” que é a UEPB, com o apoio da reitora Marlene Alves. É maravilhoso o investimento da Universidade em cultura. Fazer isso também é investir em educação, pois a arte educa as pessoas. A arte pode até parar uma guerra, quanto mais educar. Nós temos artistas maravilhosos em todos os segmentos da arte. Posso citar vários, inclusive os que estão começando agora. No teatro e na direção de arte, por exemplo, temos ótimos profissionais em Campina. O potencial é muito grande, o que falta é educar as pessoas para investir em cultura. Já para conseguir dinheiro com arte, é preciso ter criatividade. Faz parte do trabalho do produtor cultural arranjar esses tipos de soluções. PE - As produções independentes no audiovisual crescem cada vez mais, embora alguns diretores iniciantes ainda escondam suas obras, por timidez ou insegurança. Que conselho você dá para quem está engatinhando na profissão? AC - Eu também estou engatinhando na profissão. Ainda não sei de nada e quero chegar aos 90 anos sem saber.

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Se eu souber de tudo na vida, não vou querer mais viver. Eu me mato. Só quero viver enquanto tiver muita coisa para aprender

AC - Quando eu vejo no rosto dos meus amigos ou das pessoas que nem me conhecem que meu trabalho deixa alguém feliz. Primeiramente, eu sou muito feliz com o que faço. Se conseguir fazer outras pessoas serem também eu me sentirei motivado. No período de divulgação do Amanda e Monick, por exemplo, eu estava caminhando na rua e fui abordado por um senhor que me pediu um abraço. Como justificativa, ele disse que no dia anterior tinha acompanhado uma entrevista minha em que eu falava sobre o filme. Ele foi assistir o filme, meio que escondido, e logo após, de madrugada, foi bater na porta do filho, que é homossexual. Há três meses o homem não falava com ele, pois tinha colocado o próprio filho para fora de casa. Quando eu vi o depoimento daquele pai, já valeu o filme para mim. É maravilhoso ver que as pessoas encontram algo de bom no que eu faço. Fico muito feliz com isso. PE - Daqui para frente, quais os principais desafios que você acha que enfrentará? AC - Eu não sei como vai ser daqui para frente. Talvez eu enfrente muitos desafios. Mas eu acho que o maior desafio é André com André mesmo. É chegar, a cada dia, e dizer que eu posso fazer isso, sempre quebrando os meus próprios limites. g


perfil

Biliu de Campina [

Patrimônio vivo da música nordestina

]

por IDELÂNIA FLÁVIA DIVULGAÇÃO

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ascido no meio de violeiros e aboiadores, em 1º de março de 1949, o “piolho de forró” sempre teve sua vida voltada para a música. Nem o curso de Direito foi o suficiente para tirar dele a essência da música nordestina. “Eu entrei na faculdade de Direito, mas Direito não entrou na minha faculdade, e isso não me faz falta”, diz, espontâneo, Severino Xavier de Souza, ao retratar sua história, sempre falando o que pensa e revivendo lembranças de um passado saudoso. Irreverência e bom-humor, com seu lado “felaputariado” de ser, são adjetivos muito bem colocados para Biliu de Campina, apelido caseiro, vindo do ditado popular segundo o qual “todo Severino é Biu”, mas para não ser chamado de Biu, amigos começaram a chamá-lo de Biliu e ele mesmo acrescentou o Campina, por ser apaixonado pela cidade, surgindo daí o cantor e defensor da cultura nordestina, oriundo da Zona Rural, especificamente do sítio Volta de Paus Brancos, na ponta da Serra de Tarapitáia. “Aliás eu chamo aquilo ‘nem’, porque ali nem é Queimadas, nem é Caturité, nem é Boqueirão, nem é Campina, nem é Catolé”, brinca ele. Durante sua vida de artista, Biliu fez de tudo um pouco: compôs, foi puxador de samba, participando dos carnavais de Campina Grande com grande empolgação. No entanto, sempre teve sua personalidade formada com uma inclinação afetuosa pela música popular nordestina. Nunca se apegou com nada, não tem besteiras. “Sou uma cara espontâneo. Para mim tanto faz ter internet como não ter, para mim isso não influiu em nada na minha vida. Teoricamente evolui, mas

eu nunca me preocupei com isso”. Casado com a música e tendo essa vocação cigana de viajar para fazer shows em diversos estados, não teve tempo para outros casamentos, porém sempre se aventura em suas viagens. Bem humorado, Biliu comenta que não engana ninguém e seus relacionamentos são amistosos. Sendo assim, não se preocupa com feira, pensão... Por onde passa sempre deixa vestígios, com sua originalidade e com suas brincadeiras. Por esse Brasil afora já vivenciou vários casos e acasos engraçados que ainda hoje são lembrados com muita estima, deixando sua marca e levando o forró autêntico para desconhecidos do gênero. Um desses casos ocorridos acabou em música como ele mesmo relata. “Estava tomando um cafezinho no centro da cidade e tinha feito a barba. Havia sobrado alguns pelos na camisa. Nessa hora chega Toinho do Possidônio (personagem aqui de Campina Grande). Meio gago, ele me perguntou: e isso que tá aí sobrando é caspa? Eu disse: não, isso é pó de chifre e daí eu fiz a música Pó de Chifre”. Polêmico e sem medo, opõe às pessoas que fazem o “forró de plástico” ou “forró descartável”, mas sem massacrar, até porque não é contra esse povo, é a favor daquilo que nos pertence, da nossa raíz. Temos como exemplo um trecho da música Cantando Forró à Força de sua autoria. “Há muita gente cantando forró à força/Mas anda dizendo que dá força pro forró/Pra cantar forró é preciso definição/Muito molho e vocação e a língua não embolar/Por isso eu gosto de um côco sincopado/Num rojão bem ritmado, gostoso pra se dançar”.

Sem tempo a perder, hoje não liga nem para o futebol, sempre faz o que gosta, não tem hora para comer, dormir, gosta de sair, mas se irrita quando lhe dão ordens. Sem muito preocuparse com a saúde, leva uma vida melhor que muitos jovens por aí, pois ama o que faz e sabe viver dando valor a cada detalhe da vida. Objetivo em suas declarações, principalmente quando se refere a política, para ele democracia é uma farsa, não existe democracia, não existe política. Sua política é em favor da natureza. “Muita gente tá enganada. Eu não canto em palanque, eu canto em palco, minha política é o forró, muita gente confunde, estigmatiza que eu tenho meu lado. Eu trabalho para aqueles que me contratam, se alguém me contrata mais do que os outros então eu faço para alguém que não precisa citar. Eu tenho identidade”. A idéia de envelhecer não lhe incomoda, nem tampouco da morte. Em tempo algum se preocupou com esses fatos. Crer em uma força superior é a sua religião. Não é perceptível que esteja comemorando seu sexagésimo aniversário, pois o seu alto astral é semelhante a de um jovem, que tem a sede de pesquisar, de ouvir de tudo, rock, forró, baião e o mais importante: ter a criatividade de aprender vivendo. Hoje, sua vida é dividida em zona rural e urbana, reside em uma granja em Açude de Dentro, na Serra do Conde, porém não deixa de respirar o ar da “cidade grande”. Enfim, são 60 anos de muitos “causos” ocorridos em uma vida sem arrependimentos, cheia de aventuras e com uma característica bastante marcante: não ter medo de ser feliz. g

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vida

Retalhos da memória [

Contrastes da vida do gari mais politizado da Paraíba

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o dia 11 de janeiro de 1972, num barraco da maior favela da cidade, a Cachoeira, nascia José Martins de Paiva, o Gari. Sentindo-se um predestinado à miséria, com ar de tristeza e desolamento, contou-me sua história, definindo suas lembranças de criança como “infância do pesadelo”. A fome, maior bandida de sua vida, o devorava e enfraquecia. Sua refeição diária era um prato preparado com um bocado de farinha, cebolas cortadas em pequenos pedaços e uma pitada de sal. O banquete descia goela abaixo acompanhado por três ou quatro copos de água. Em dias que nada tinha para preencher os buracos do estômago espetado pela dor que roncava, o menino dormia anestesiando a fome que atormentava e que, apunhalando forte, por vezes o fez desmaiar. As lágrimas presas no semblante escurecido ficaram nítidas ao falar sobre o sonho de criança: ir à escola. Mas seu desejo foi roubado pelos ratos que, além de mordê-lo durante à noite, roeram seu registro de nascimento, documento que na época custava caro e era imprescindível para a matrícula na escola. Angustiado, lembrou-se ainda do diálogo com a mãe: - Mãe, me bote na escola! Que às tapas lhe respondia: - Pra que que tu quer estudar mi-

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serável? Caderno de pobre é o roçado e a caneta a enxada. Vai trabalhar vagabundo! Já que filho de pobre não ia à escola, sua rotina se alternava entre as esmolas que pedia nas ruas e as vísceras de galinha procuradas entre as penas nas sarjetas das granjas. Entre as lembranças remoídas, falou com olhos distantes sobre a história da galinha preta, morta, abandonada em um córrego sujo. Obrigado a descer à margem, a mãe o apedrejou por ele não ter forças de trazer o jantar do dia para cima. Um engenheiro que trabalhava em uma obra observou a cena chocado e, aos prantos, o ajudou a subir. Passando as mãos carinhosamente pelos cabelos do menino que chorava disse: - Minha senhora, não faça isso com seu filho... Tome esse dinheiro e jogue isso fora, que isso não é comida de gente. Agradecidos, mãe e filho se despediram do homem generoso e, enfim, quando já não havia mais ninguém à vista, voltaram ao córrego, apanharam a galinha e comeram. Crescendo dentro da favela, recebeu os beijos de rejeito e se viu em um dilema: a revolta ou a conformação. Entre lutar para crescer ou roubar para viver, trilhou os dois caminhos, mas não sem medo. Afinal sua mãe o repreendia com palavras duras, ditas sempre com um facão em punho: - Olha desgraçado, no dia que

por ANA PAULA OLIVEIRA

você roubar, eu meto essa faca no teu bucho e corto seu pescoço, seu infeliz miserável. As palavras secas e cruas ecoaram por muito tempo em sua cabeça perturbada pelo destino difícil. Quando adolescente, apesar das ameaças da mãe, passou a viver como menino de rua. Sem trabalho e oportunidade de estudar, acompanhado por uma tropa de meninos, quebrou vidros de carros, pegou morcego em ônibus e derrubou muitos tambores de lixo, onde o proibiam de catar os restos. Aos 15 anos, mesmo sem registro de nascimento, começou a freqüentar clandestinamente a escola. Porém a hostil bagagem das ruas o tornou agressivo ao ponto de, em uma briga na escola, furar com um lápis um colega de classe. Mais uma vez o sonho de aprender escapou de suas mãos. Com o tempo, muitos amigos morreram tragados pela criminalidade das ruas ou assassinados pela polícia. Polícia essa que, na favela da Cachoeira, entrava batendo nos “ciladrões”, porque ali todos eram culpados até que provassem o contrário. Aos poucos, com ajuda de amigos, aprendeu a ler e aos 18 anos passou no concurso para gari, onde foi batizado com o nome que o tornou conhecido - Gari da Cachoeira. Durante as coletas do lixo, os livros que para uns não tinham mais utilidade eram levados para casa como peças valiosas. As obras eram lidas entre os


intervalos do trabalho e as folgas no fim de semana. Ao longo dos anos tornou-se sindicalista atuante na categoria. Através de programas sociais de alfabetização de adultos, concluiu o ensino fundamental e, posteriormente, o ensino médio por meio de supletivo. Sua participação na luta por condições dignas de moradia aos moradores da favela da Cachoeira, foi determinante nas ações sociais que foram aplicadas na habitação e saneamento básico da comunidade. Hoje a favela já não existe mais, A Cachoeira mudou de lugar, virou bairro da Glória e, embora as paredes sejam de concreto e não de taipa, o desemprego, a fome e o sofrimento causado pelas diversas faltas, permanecem ainda ali impregnados nas pessoas que continuam sem efetivas oportunidades de mudança. O Gari da Cachoeira, casado, pai de quatro filhos, sindicalista, político atuante, candidato por duas vezes a cargos públicos, estudante de Direito, continua engajado em ações sociais que contribuam para mudanças no quadro infeliz de miséria sentido na pele, onde carrega ainda muitas cicatrizes. g

Burrice do Saber Nada muda na vida De quem não quer mudar, Nascer burro e morrer cavalo É mera utopia, Pois a pior fantasia É não querer aprender José Martins de Paiva Gari da Cachoeira

FOTO: DIVULGAÇÃO

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trabalho

Extração do

caulim O

caulim é um mineral argiloso encontrado com grande expressividade na natureza. O Brasil é o terceiro maior produtor de caulim do mundo, com uma produção equivalente a 8,3% da produção mundial. A maior parte do caulim produzido no Brasil vem do Norte do país, principalmente do Estado do Amazonas. Apesar de ser fonte de renda para muitos paraibanos, a produção no Estado corresponde a menos de 1% da produção nacional. Todo o caulim beneficiado na Paraíba é destinado a pólos industriais de outros estados, principalmente, de São Paulo. O mineral pode ser utilizado na fabricação de borracha, plásticos, pesticidas, produtos alimentícios e farmacêuticos, fertilizantes, na indústria de papel, na produção de artigos de cerâmicas, gessos, cosméticos e produtos químicos variados. A extração do caulim possibilita a geração de uma renda que é responsável pela sobrevivência de muitas famílias de cidades do interior da Paraíba, como Junco do Seridó, Juazeirinho, Assunção, Tenório e Salgadinho. Estimativas revelam que o preço relativo a uma carrada de caulim em estado bruto, cujo peso é de 10 toneladas, equivale a R$ 80. Depois de beneficiado nas empresas, sai a um valor estimado em entre R$ 6 e R$ 7 mil. Os mineradores que trabalham na extração do mineral dizem que saem no prejuízo por trabalharem muito, correndo riscos de vida, para depois venderem a baixo custo. Já as empresas que trabalham com o beneficiamento do caulim alegam que o valor pago por uma carrada do produto bruto é o ade-

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Fonte de renda, agressão ao meio ambiente e situação de risco para trabalhadores no interior da Paraíba

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por DANIEL MOTTA, HERON BARRETO e JULIANE ALMEIDA

quado, uma vez que, de uma carrada, somente 30%, no máximo, é aproveitado, sendo o restante refutado. As empresas beneficiadoras do caulim afirmam que são necessárias várias carradas de caulim bruto para poder produzir uma carrada beneficiada, pronta para o comércio. O beneficiamento do caulim emprega mais de 100 pessoas, sendo considerada a principal atividade econômica e único meio de sobrevivência para várias famílias paraibanas.

Questão ambiental Embora a extração e o beneficiamento do caulim contribuam para o crescimento da economia, a atividade também provoca problemas ao meio ambiente. Durante o processo de beneficiamento, ocorre um acúmulo de rejeito sólido, que é descuidadamente jogado em lugares inapropriados, que alteram as condições ambientais, causando inúmeros impactos que modificam o meio físico e biológico. De acordo com a coordenadora do meio ambiente, Patrícia Alves, algumas empresas já estão conscientes de seu papel e se preocupam em minimizar os efeitos causados pela extração do produto. É o que confirma Denise Ferreira, gerente de uma empresa de comércio e beneficiamento de caulim, localizada na Barra de Juazeirinho. Segundo ela, na empresa, todo o rejeito que resulta do processo de decantação do caulim é destinado para um local reservado, que não compromete o meio ambiente, para evitar o assoreamento dos açudes que existem na região, não prejudicar o crescimento

natural das espécies vegetais, nem contribuir para a infertilidade do solo. No entanto, a realidade que se vê na região é bastante diferente. Durante as chuvas, as águas escorrem e levam consigo os rejeitos depositados sob forma de montantes, tendo como destino as margens de vias estaduais e federais, obstruindo o trânsito, causando transtornos à população e criando condições para possíveis acidentes, já que o material quando está molhado fica deslizante. Os empresários da região acham que esse material não tem nenhuma serventia e para não prejudicar a produção das empresas, não se preocupam em buscar fazer um planejamento de como não degradar o meio ambiente. De acordo com moradores da região, outro destino comum para o rejeito, são as margens dos açudes, comprometendo a capacidade de armazenamento de água, quando o ideal seria criar alternativas para que, de alguma forma, se utilizasse o rejeito do caulim. Alguns pesquisadores estão buscando encontrar recursos para provar que o rejeito deste mineral pode sim ser útil. É o que afirma a pesquisadora Verônica Coelho, que está estudando o produto e suas possíveis aplicações. Na sua opinião, o resíduo pode ser utilizado na fabricação de materiais usados na construção civil, como cimento e argamassa. Provavelmente, o que falta são iniciativas, por parte das empresas que beneficiam o caulim, para aproveitar o produto em todas as suas fases de beneficiamento. Entretanto, parece que o que vem prevalecendo nas beneficiadoras são o foco no lucro e a


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1 - Antônio Martins Neto (Seu Tota) em seu local de trabalho 2 - Escavação no subsolo feita pelos garimpeiros cria enormes galerias 3 - Garimpeiro descendo na banqueta, através de equipamentos rústicos

pouca preocupação ambiental. “Se houvesse uma reflexão maior, eles seriam obrigados a reconhecer que danificar o meio ambiente é uma forma um tanto irracional e covarde, visto que o caulim, que lhes gera fonte de renda, é um produto natural, encontrado no meio ambiente, aquele que os mesmos exploram grotescamente”, explica Verônica.

Riscos nas minas de Caulim Antônio Martins Neto, o Tota, levanta todos os dias às 4 horas da manhã. Ele, um irmão e mais dois filhos se preparam para mais um dia de trabalho nas minas de caulim da cidade de Assunção (PB). A rotina de acordar cedo para trabalhar já virou um hábito para este homem que, há 23 anos, arrisca sua vida em busca desse mineral que é a sua única fonte de renda. Assim como ele, a maioria dos trabalhadores dessa região, conhecida pelos geólogos como província pegmatítica da Borborema, que abrange outras cidades como Junco do Seridó, Salgadinho, Tenório e Equador, tem o caulim como único meio de sobrevivência, já que não podem contar com a agricultura, devido à falta de chuvas, condições climáticas e ausência de solos férteis. Todos esses fatores levam os trabalhadores a encontrar na extração do caulim a única alternativa viável para garantir o seu sustento e da famí-

lia. O trabalho da extração do mineral exige muito esforço. Grupos de quatro a seis trabalhadores cavam buracos que podem chegar a 40 metros de profundidade e abrem enormes salões subterrâneos a golpes de ferramentas rústicas. Eles precisam retirar, de dentro desses buracos, também chamados de “banquetas”, no mínimo 10 toneladas do material por dia, quantidade necessária para encher uma carrada. O trabalho é quase sempre clandestino. Os donos das propriedades de onde é extraído o caulim, não se arriscam na extração do material, mas recebem um valor superior a 10% da produção dos garimpeiros. Seu Tota recebe, por carrada, um valor equivalente a R$ 80. Desse valor, R$ 10 é destinado ao dono da terra onde ele trabalha. O restante é dividido entre os outros que trabalham com ele. Devido às precárias condições de trabalho, a produção diária é de, no máximo, duas carradas por dia. Para aumentar a produtividade, ele e seus companheiros, com muito custo, compraram um guincho, espécie de máquina de tecnologia pouco avançada, que vem permitindo um aprofundamento maior e um leve crescimento na produção, porém, não minimiza em nada o risco de acidente, nem o esforço físico. O guincho custou mais do que eles conseguem com a extração, uma vez que levou 700 metros de fio para instalar, consome 12 ou mais horas

de energia elétrica, além de acarretar despesas com a manutenção que, por ser usado em um trabalho tão pesado, vem constantemente precisando de reparos. Seu Tota diz que durante todo esse tempo que trabalha nas minas de caulim, nunca sofreu nenhum tipo de acidente, mas nem todos tiveram a mesma sorte. Muitos casos de desmoronamento, já ocorreram nessa região. Um dos casos mais famosos ocorreu no ano de 2000, quando uma dessas banquetas desmoronou sobre o maquinista Marcelo Torres Alves, de 28 anos, levando-o a morte. Foram três dias de agonia para a família e todos que acompanharam a tragédia, em busca do corpo que ficou soterrado. Somente após cerca de 72 horas o resgate conseguiu abrir os escombros e retirar o corpo. Marcelo deixou a mulher, Jaquelina, e quatro filhos. “Foi uma agonia, mas em um trabalho daqueles é só o que se pode esperar. Não tem condições de se trabalhar confiante num lugar daquele”. desabafa a viúva. Seu Tota encara o trabalho de forma realista. “Não é bom, não é fácil, nem dá para ganhar dinheiro, mas é o que eu aprendi a fazer”, declara. Com os traços de um típico homem nordestino, ele transmite a imagem de um herói, um guerreiro, que não desiste de lutar pela sobrevivência de sua família. Não tem estudos. Mas tem uma bela lição que a vida lhe ensinou. g

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comportamento

Revolução Para que te quero? [ ] [Revolução] 1. Ato ou efeito de revolver (se) ou revolucionar (se). 2. Rebelião armada; revolta, sublevação. 3. Transformação radical de estrutura política, econômica e social, dos conceitos artísticos ou científicos, etc. 4. Astr. Movimento de um astro em redor de outro.

por LIGIA COELI, ANA LUIZA ALENCAR e MARCOS SOUZA

J

á foram feitas revoluções por tudo. Ou quase tudo. “Os tempos mudaram”, anunciam as frases feitas e um tanto quanto desgostosas de nossos avós. Muitos movimentos já foram realizados, passeatas já reuniram milhões de pessoas nas ruas, mulheres já queimaram sutiãs em praça pública e os jovens já viveram um momento de sexo, drogas e Rock and Roll na grama. Mas o que faria você ir agora a um protesto? Qual motivo merece a sua participação em uma revolução? Aumento de preço nas passagens, injustiças sociais, po-

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lítica, religião e sexualidade são as razões que saltam como flashes em nossa mente. Mas antes de arregaçar as mangas, você saberia definir o que é revolução? De acordo com Lemuel Guerra, professor doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atual diretor do Centro de Humanidades da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), toda revolução tem a ver com quebra de sistema, ou de um determinado ordenamento, que se caracteriza pela radicalidade. A revolução estaria, deste modo, em oposição ao conceito

de evolução, que é uma mudança que acontece gradualmente. “A revolução é um rompimento que implica em imediaticidade, não é algo que está planejado, não obedece a um curso natural das coisas”, explica. E tem mais: ela deve integrar categorias como raça, idade e classe social, unidas em torno de um ideal que atravesse todas elas. Com a definição em mãos, fomos às ruas procurar os nossos candidatos a revolucionários. E lá estava Marcos Moraes Junior, estudante do 3º ano do ensino médio, do Colégio Estadual da Prata. Com um cabelo


bem diferente, tatuagem no braço e assumidamente fã de bandas no estilo hard rock, ele diz que somente iniciaria uma revolução se tivesse um propósito concreto e bem idealizado, que fosse de grande interesse para o lado humano. “Não faria uma revolução apenas para meus interesses. Seria por algo que mobilizasse as pessoas nessa campanha seja ela qual fosse”, diz. Clóvis Brasileiro, estudante de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba (com passagens em cursos como Ciências Sociais e Direito) é mais direto e fala de cara numa revolução social. “Neste momento em especial, faria pela redução das injustiças sociais”, diz. “As pessoas colocam isso (a desigualdade com a classe de trabalhadores e a burguesia) como fato do passado, mas hoje seria necessária uma revolução para ao menos minimizar a divisão social no Brasil”, explica. Para a professora Fátima Araújo, diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UEPB e também Coordenadora da Cooperativa de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Campina Grande (CATAMAIS), uma revolução que merecia ser feita seria a luta pela natureza. “Se a gente considerar, hoje, a questão ambiental, uma coisa que pra mim é vital, e a gente não percebe, eu diria o seguinte: nós temos que pensar em algo, porque estamos acomodados,

estamos parados, perdemos o referencial de luta”. E quando perguntada sobre o que considera como o maior exemplo já ocorrido de coragem na tentativa de modificar a realidade, Fátima não hesita em responder: a Revolução Russa, de 1917. “É um grande referencial de luta, de mudança, que trouxe um novo paradigma de sociedade, uma proposta de encaminhamento socialista”, explica. Ela diz, ainda, que esse referencial de luta não caiu. A voz experiente de Geraldo Sarmento de Sousa, 58 anos, já não especifica um motivo de revolução, mas deixa um recado. “Quando temos um alvo a ser atingido, quando esse alvo vai mudar o nosso futuro ou o de outras pessoas, quando isso pode ser realmente bom, aí então é motivo para se fazer uma revolução”. Ele fala, num tom amargurado, que as revoluções tomaram conta do mundo em sua juventude, “mas não vejo os jovens de hoje fazerem nada”. Mas, espera aí. Se hoje temos razões de sobra para fazer revoluções, quais os possíveis motivos para que elas não estejam acontecendo? Lemuel Guerra explica que, no nosso tempo, as pessoas não conseguem pensar em algo que não esteja desligado da realidade. “Não é que não haja motivos. As tragédias, indignidades, situações trágicas continuam, mas elas estão cada vez mais naturalizadas”, diz. Talvez esteja aí uma dica

para entender porque as revoluções estão recebendo muito menos espaço atualmente. Clóvis associa esse aparente desânimo a outra nuance. Ele acredita que a apatia dos jovens diante dos possíveis motivos para fazer revolução está na individualidade, atitude comum nos dias de hoje. “Você é educado desde o começo a ser o melhor da classe, o primeiro lugar do vestibular. São sempre metas muito individuais, que se afastam cada vez mais do senso de coletividade”, ressalta. Ao que parece, o ponto comum para uma discussão como essa fica atrelada a outro conceito intimamente presente quando se fala em revolucionar: as utopias. “Esse desejo fazia com que as pessoas se identificassem uma com as outras e canalizava isso para movimentos de massa”, defende Clóvis. Lemuel nos lembra que, entre o século XIX e a metade do século XX, no imaginário das culturas ocidentais e orientais, havia um questionamento a respeito da realidade. Isso significa que, (adivinhe!) “havia a possibilidade de construir e realizar utopias”. Mas, e hoje? Onde foi parar o nosso desconforto com o real? Talvez em algumas estampas com o famigerado barbudo Che-Guevara, que acabou virando um ícone pop imprescindível nas blusas dos universitários, pero no mucho, que se prezem. g

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solidariedade

Trabalho voluntário

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Um caso em que as desculpas se minimizam para dar espaço à solidariedade

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Faça sua parte!


É bom mesmo que o povo cobre das organizações, assim o espaço para pessoas descomprometidas fica cada vez menor, e quem precisa pode ser ajudado de verdade FOTOS: ACERVO PARTICULAR

por ANDRÉ BRASIL, DANIELLE SOBRAL e MONICKY ARAÚJO

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aria José Amado, tia Tita para os íntimos, coordenadora de uma ONG de apoio à crianças e adolescentes no bairro da Ramadinha, em Campina Grande, explica a sua motivação para o trabalho voluntário: “Onde eu estiver e pelo tempo que estiver, quero fazer a diferença”. Além dessa atividade, tia Tita é enfermeira, mãe, e há mais de 20 anos divide o seu tempo entre a rotina de suas atividades pessoais e voluntárias. Conciliar tantas atividades não é a parte mais difícil. Sua maior preocupação está em ajudar às crianças e adolescentes carentes da ONG que coordena, em “estimulá-los a serem cidadãos responsáveis em sua cidade, igreja, país, para que eles possam contribuir em diversos ambientes durante suas vidas, além de fazer com que eles também percebam em si os seus próprios valores”, afirma. Este é o exemplo de uma geração de voluntários que tem ido além das doações de roupas, brinquedos ou dinheiro aos mais necessitados. Envolvendo-se de forma direta com projetos sociais, eles têm compartilhado parte de seu tempo promovendo atividades culturais, ministrando aulas de reforço escolar, oferecendo apoio psicológico aos jovens e famílias, esportes, lazer, clubes de incentivo à leitura, trabalhos de reintegração social, entre outras atividades. Jovens, em sua maioria, os voluntários de hoje participam mais ativamente das ações sociais nas comunidades

onde vivem, dividindo as preocupações do seu dia-a-dia de escola, universidade e trabalho com as diferenças sociais e problemas comunitários da sua cidade. O estudante do 2º ano do ensino médio, Jonathas Almeida, 18 anos, afirma que se sente realizado em ajudar. “É muito bom saber que posso ajudar outras pessoas, e não é difícil, porque só estudo de manhã”. Na equipe da tia Tita, grande parte dos voluntários tem o mesmo perfil do Jonathas, mas todos precisam ter bom desempenho na escola para poder continuar ajudando. “Precisam ser exemplos”, diz tia Tita. A preocupação com a crise econômica mundial divide espaço com a constante pressa e ocupação de cada indivíduo em busca de seus objetivos e metas pessoais. Nossa sociedade, mais do que moderna e tão veloz quanto o avanço das tecnologias, convive com diferentes realidades sociais compondo nossos cenários urbanos. São crianças pedintes em sinal, catadores de lixo e jovens prostitutas, tornando-se por vezes comuns aos olhos de quem os veem. Felizmente, esta não é uma situação considerada comum por todos. Diferente de alguns anos atrás, hoje há uma grande disseminação de ONGs, empresas levantando a bandeira da responsabilidade social, grandes campanhas na mídia e um número cada vez mais crescente de voluntários dispondo-se a ajudar ao próximo. As grandes empresas também já dispõem de programas internos que incentivam os funcionários a se envolver em projetos sociais e compartilhar suas experiências.

Tia Tita

Foi o caso de Verônica Ceres, administradora e funcionária de uma grande empresa que mantêm um programa de voluntários. “No começo foi muito difícil usar meu tempo livre para me envolver nos projetos, mas, com o tempo, fui aprendendo a organizar minhas prioridades e, hoje, o trabalho é gratificante. Não conseguiria mais deixar de participar”, afirma. Em outros casos, a instituição oferece suporte financeiro para entidades que desempenhem esta tarefa. A sociedade tem respondido a esta onda de solidariedade com olhos atentos, envolvendo o Ministério Público na fiscalização destas organizações, solicitando informações do uso de dinheiro doado em grandes campanhas e cobrando resultados concretos de projetos divulgados. A tia Tita, da Ramadinha, vê esta cobrança de forma muito positiva, ressaltando que “é bom mesmo que o povo cobre das organizações, assim o espaço para pessoas descomprometidas fica cada vez menor, e quem precisa pode ser ajudado de verdade”. Doar tempo, hoje, na sociedade em que vivemos, parece ser um desafio tão grande quanto tentar mudar, de alguma forma, as grandes discrepâncias sociais e econômicas que temos no nosso país. Mas é possível, se houver motivação suficiente e consciência que trabalhos como estes têm resultados em longo prazo. Seguindo assim, muito em breve teremos uma nova geração muito mais preocupada com o próximo que, por vezes, está bem perto, no próximo sinal. g

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música regional

Na embolada do

Baixinho [

A história de amor e fidelidade à música do pipoqueiro pandeirista

N

]

por LIGIA COELI

asceu no Brejo paraibano o pandeirista contemporâneo mais conhecido pelos músicos da cidade e paradoxalmente invisível a uma população que passa por ele todos os dias sem o notar. O lugar é Alagoa de Remígio e a data 15 de maio de 1940. Mudou-se para a cidade de Esperança e parece que o nome do lugar lhe deu forças. “Segui minha carreira de pandeirista lá”, vai dizendo enquanto conversa com os olhos miúdos e pretos, fixos no pessoal que passa. Uma lata de doce e tampinhas de garrafas amassadas foi matéria-prima para José Pedro Fernandes confeccionar


seu primeiro pandeiro. Tinha 13 anos de idade e foi aprendendo sozinho a tocar o instrumento improvisado, cortando os dedos e fazendo zoada com os amigos no meio da rua. Escutou muita gente perguntar “Para que essa lata de doce, menino?”. Ao que respondia convicto: “para tocar”. Só carregou um pandeiro de verdade aos 17 anos. “Era um Paulista, de uma fábrica que já fechou”, relembra. Com um chapéu preto enfeitado de pequenos pedaços metálicos, em forma de círculos e estrelas, a aba aparada por ele mesmo, o homem caminha com um sobretudo negro e botas. O estojo preto que carrega, cuidadosamente, debaixo do braço guarda o seu melhor amigo: um pandeiro. Lá está ele. Pernas cruzadas numa postura imponente e pequenas cuspidelas para pontuar a sua fala. Não é difícil encontrá-lo sentado num dos bancos da Praça da Bandeira. Fez muitos amigos por lá, gente que gosta de escutar suas conversas, histórias engraçadas ou, simplesmente, ouvir o barulhinho bom que o seu pandeiro faz. De longe enxerga-se o nome feito com tecido dourado, colados por ele na napa preta que envolve o seu tesouro. O José Pedro de hoje é diferente, chama-se Baixinho do Pandeiro. Desde cedo carregava a ansiedade em ser músico. “Outro instrumento não, mas o pandeiro foi minha namorada, minha noiva”. Tanto que ele discute a relação sem maiores esforços. Coloca um CD, “às vezes CD de Rock mesmo”, e vai escutando a pancada, acompanhando o ritmo. “Eu estudo o pandeiro todo dia em casa”. Está explicada a paixão. Foi pipoqueiro por 35 anos, mas não tinha jeito. “Era a pipoqueira funcionando e eu tocando o samba”, comenta. De vez em quando tirava sua “noiva” para dançar enquanto os clientes se deliciavam com a pipoca. Ele jura que não era por vaidade. “Eu toco porque gosto, é para todo mundo saber que o Baixinho não está esquecido”. Quando sai com suas roupas elegantes do dia - calça branca e camisa xadrez – as pessoas perguntam se vai fazer exame. “Eu digo que sim. Vou fazer exame de Pandeiro”. Com a resposta na ponta da língua vai dando o diagnóstico como ninguém. - Se a sua vida fosse um livro, quantas páginas ela teria? “Ah, minha filha, era uma Bíblia”. De fato, vendo as pontas dos dedos esbranquiçadas de tanto segurar com força o pandeiro, tamanha a sua devoção por ele, fica difícil não acreditar na quantidade de “Ave-Marias” inspiradas por aqueles batuques. E ficou fácil constatar que, desse Baixinho, eu só escrevi uma linha. g FOTOS: LIGIA COELI

O meu pandeiro é meu melhor amigo, minha namorada, minha noiva


amizade

Quem é ele? Ele é você!

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“Amigo é que nem parafuso, a gente só conhece os bons na hora do aperto” (provérbio popular)

C

antado em músicas, lembrado em poesias, falado em versos, tema de filmes, presença indispensável em rodas de conversas. Com quem brincar? Com quem desabafar? Em quem confiar? Com quem ir? Com quem conversar? A quem contar aquela “fofoca” ou aquele “babado”? Onde quer que vá, sempre sentirás a presença dele. Pela natureza social do ser humano, ele é extremamente importante na vida de todos nós. Às vezes o descobrimos na infância, fazendo parte do nosso crescimento, mas isso não impede de o encontrarmos, também, na idade adulta. Talvez por nossa família deixar algumas lacunas incompletas, utilizamolo para preenchê-las. E é aí onde mora

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o perigo. Tornamo-lo deveras importante para nós. Será que ele é benévolo ou malévolo? A partir de quando sua presença deixa de ser benéfica e passa a ser maléfica? Amigo pai, pai amigo, amiga mãe, mãe amiga, amiga irmã, irmã amiga, amigo irmão, irmão amigo. Essa troca de personalidades é algo dilemático. Tanto para os pais que não admitem contestações relacionadas à sua autoridade, quanto para os filhos que se sentem no direito de fazer suas próprias escolhas. Os pais veem, muitas vezes, o amigo como intruso, enquanto os filhos, por se sentirem não compreendidos pelos pais, veem o amigo como aliado, afinal, segundo a Canção da América, “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração”.

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por ELIÉZER AGUIAR e ILANILDO MOREIRA

Essa aliança preocupa os pais, pelo fato de o adolescente ser bastante influenciável, se deixar levar pelos outros e, muitas vezes, colocar em prática os desafios, os conhecimentos de mundo, de forma negativa. Segundo a psicopedagoga Iolanda Moreira quando o adolescente vem de um lar bem estruturado, torna-se mais fácil vencer essas influências, como, por exemplo, o uso do álcool, de drogas e outras coisas que permeiam seu cotidiano. Iolanda acrescenta que “a influência dos amigos é benéfica até o ponto onde o jovem não pratica o proposto das amizades negativas. Conseqüentemente, ao entrar no mundo das drogas, do crime e do ‘pode tudo’ – por ser menor – está indo para um campo minado, a explosão negativa virá à tona em segui-


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amizade x drogadição Ao analisar os fatores que contribuem para os jovens iniciar o consumo de drogas, segundo estudantes, o de maior importância foi a curiosidade e o de menor importância foram os amigos próximos, para os alunos de escola pública, e pessoas estranhas, para os alunos de escolas particulares. No tocante à continuidade do consumo de drogas, o fator de maior importância foi a dependência química, o fator menos relevante, para alunos de escola pública, foi a influência de amigos, enquanto que para os alunos de escolas particulares foi a fuga de problemas pessoais. Também se perguntou sobre o que leva os jovens a parar de consumir drogas. O apoio da família foi considerado fundamental pelos alunos de escolas particulares enquanto que o prejuízo à saúde foi unanimidade entre os alunos de escolas públicas. O fator

da”. Ela complementa que, quando a índole não é permissiva, o jovem não se deixa enfraquecer e toca seu caminho de forma influenciada totalmente no aspecto positivo. Quando se refere à criança, a preocupação se acentua pela falta de discernimento, tanto em diferenciar o certo do errado quanto nas escolhas das amizades. Por não saber o que é certo e errado, a prática dos mesmos não influenciará nem contribuirá em suas decisões. Isso gera uma enorme responsabilidade por parte dos pais no intuito de, desde cedo, colocar para a criança os princípios morais, os valores da vida, discernir o “certo” do “errado”, mostrar que a dignidade está acima do “bem” e do “mal” e, também, conquistar a confiança da criança para que quando ela crescer não prefira a opinião das amizades à revelia dos pais. A autoridade dos pais deve se consolidar ainda na infância, por que quando a adolescência chega, as coisas se agravam. Os grupinhos são formados e a influência dos amigos no comportamento do jovem passa a ser maior até que a dos pais. Neste caso, Iolanda Moreira, aconselha a buscar o diálogo, saber quem são os amigos dos filhos, onde andam, ficar mais próximo do filho. Faz-se necessário ter conhecimento sobre as ações deles, porque os adolescentes passam mais tempo com os amigos do que com os pais. “Os pais não têm tempo para os filhos”, reclama Nezinho Paulino, 58, advogado aposentado.

perda de amizades foi apontado como o de menor importância. Em resumo, na opinião dos adolescentes, o grupo influencia o início e a continuidade do uso de drogas, entretanto, para largar o vício, a influência familiar é fundamental. A curiosidade, característica da adolescência, tem certa relevância com relação ao início do consumo de drogas. Isso acentua a vulnerabilidade dos adolescentes, além de suas incessantes buscas por experiências novas. A pesquisa teve como objetivo verificar como o fator “relacionamento” pode interferir com o uso e o deixar de utilizar drogas, segundo a visão dos adolescentes. O estudo foi conduzido com 56 adolescentes estudantes de primeiro colegial de escolas públicas e particulares, da cidade de São Carlos (SP).

É preciso que os pais passem mais tempo com os filhos, se entrosem com os adolescentes, mostrem interesse, para que eles se sintam seguros e, assim, sejam cativados. É preciso uma atitude dos pais em relação à divisão do tempo dos filhos para que eles não fiquem em desvantagem em relação às amizades. Tempo para os estudos, tempo para os amigos e tempo para a família. Mesmo passando pouco tempo com os filhos e tendo suas opiniões renegadas à revelia dos amigos, os pais têm uma carta na manga: a importância dada à família pelos jovens. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada em julho de 2008, diz que praticamente 99% dos jovens consideram a família como o fator mais importante em suas vidas. Em terceiro lugar estão os amigos. Então, o ponto é saber usar essa vantagem para exercer influência de forma positiva. O mais importante é avaliar a forma como vai lidar com essa troca de valores entre o filho seus amigos. “A família é a célula estruturante de nossas vidas, o papel dela é mais relevante e, desta foma, devemos conduzir os valores, éticos, morais, sociais, espirituais, sabendo que o amigo é passageiro e a família é para toda a vida”, diz Yolanda. Para o aposentado Nezinho Paulino, “os pais devem partir do princípio de que as amizades são passageiras e a família duradoura, os pais podem fazer uso da confiança adquirida junto aos filhos e da importância dada pelos filhos à família para, de uma forma

diplomática, impor sua autoridade”. Ele acrescenta que no momento de se impor deve-se ter o cuidado para não cruzar a linha tênue entre autoridade e autoritarismo, evitando a criação de conflitos que tornariam a relação pai e filho algo desagradável. O mais importante é orientar os filhos e atentar-se aos comportamentos não como forma de controle, mas como orientação, porque mais vale uma conversa franca, revelando medos e preocupações por parte dos pais e dos filhos, do que um simples castigo ou proibição. Para Iolanda, “uma boa conversa, uma orientação centrada nas coisas boas, permissivas e nas coisas más, proibidas, induzindo-lhes os fatores do medo e da preocupação, levandoos ao conhecimento da experiência, para um seguimento satisfatório e lucrativo na vida do jovem, e, não deixá-lo de castigo ou puni-lo, sabendo que irá revoltá-lo, poderá modificar qualquer comportamento impróprio”. O uso do bom senso é fundamental numa conversa de pai e filho. Saber negociar é uma ótima solução. A psicopedagoga aconselha: “desenvolva a auto-estima do seu filho, faça com que ele acredite mais em si mesmo e precise menos das opiniões dos outros. Mostre a ele o seu potencial valoroso, suas capacidades e que ele precisa, tão somente, acreditar que é capaz de se conduzir na busca dos seus sonhos, e fazê-los realizar, mostrar que os outros são os outros e que apenas você é você”. g

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comunicação

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Cursos profissionalizantes podem ser uma ótima saída para quem tem problemas com oratória

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Medo de falar em público

por MIRIAM SOUZA e YURI GUEDES

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áreas afins da comunicação. O mesmo problema é corriqueiro no Brasil. Ao pesquisar sobre cursos de oratória pelo país, se percebe, em primeiro lugar, que as opções são tentadoras para o bolso do aluno, os preços são imbatíveis e a garantia de um ensino de qualidade são a máxima transmitida nas propagandas. Desejosas de aprender a falar em público, muitas pessoas se matriculam nesses cursos de baixa qualidade, perdem tempo e dinheiro e, o pior: saem de lá com o mesmo problema com o qual entraram. Para se defender dessas armadilhas é preciso fazer uma pesquisa minuciosa à respeito da credibilidade do curso. Uma iniciativa da turma de concluintes 2009.1, do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), tem se destacado nesse

FOTOS: REPRODUÇÃO

alar bem em público é uma das qualidades imprescindíveis para o profissional de comunicação. Entretanto, salvo algumas exceções, está não é uma habilidade nata, mas sim, um aprendizado constante e possível para pessoas disciplinadas e interessadas em melhorar sua retórica. No Brasil, existem diversos profissionais renomados no ensino da oratória. Nomes como Osvaldo Melantonio e Reinaldo Polito são sempre lembrados quando se fala no ensino da expressão verbal. Em Campina Grande, algumas empresas oferecem cursos profissionalizantes, porém específicos em oratória não são muito comuns de se ver. Quando aparece um curso dessa envergadura, na maioria das vezes, são ministrados por especialistas em


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sentido. Para pagar as despesas com a festa de formatura, os concluintes organizaram duas edições do curso “Falando sem complicação”, um curso de oratória aberto a toda a comunidade campinense. Nas duas edições realizadas, o curso foi um sucesso. O ministrante do curso, o bacharelando Geovanne Santos conta que a ideia foi fruto de uma necessidade antiga percebida pela turma concluinte: a falta de habilidade para falar em público dos iniciantes no curso de jornalismo. “Não foi só a necessidade de conseguir fundos para a nossa festa que nos motivou, mas a oportunidade de fazer um trabalho que trouxesse visitantes para conhecer nosso curso”, diz Geovanne. Os alunos que participaram do curso disseram sair satisfeitos com o trabalho realizado pela comissão. O estudante Ícaro Guedes disse que deseja participar de outras edições do curso. Ele afirma que “aperfeiçoar a comunicação é algo que requer esforço e dedicação”. Os cursos foram ministrados em salas de aula da própria Universidade e as inscrições custaram 10 reais. O preço, segundo o estudante Akyles Mykeias, fez com que ele e seus colegas, da UNESC Faculdades, participassem do curso. “Como iniciantes no curso de Direito, temos que ir nos habituando com a plateia” afirma ele. Outras iniciativas para o ensino da expressão verbal são encontradas no curso de Arte e Mídia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O Departamento abriu cur-

Aperfeiçoar a comunicação é algo que requer esforço e dedicação Ícaro Guedes

Trata-se de método de discurso. Arte de como falar em público. Conjunto de regras e técnicas que permitem apurar as qualidades pessoais de quem se destina a falar em público.

estudante

Na Grécia Antiga, e mesmo em Roma, a oratória era estudada como componente da retórica (ou seja, composição e apresentação de discursos), e era considerada uma importante habilidade na vida pública e privada. Aristóteles e Quintiliano estão entre os mais conhecidos autores sobre o tema na antiguidade.

sos de extensão voltados para a área da oratória. “Técnica Vocal” e “Conhecendo a Voz” são exemplos, nos quais diversas pessoas se inscrevem para aprimorar e superar o medo de falar em público, além de se relacionar com as pessoas. A fonoaudióloga Waldelice Pinho, formada pela Faculdade Estácio de Sá e pós-graduada pela Universidade Federal de Ciências da Filosofia, confirma essa tendência. Ela ministra o curso “Conhecendo a Voz” e assegura ser vital o uso da fala no cotidiano. “Ela identifica você, expressa os sentimentos, a vontade de se comunicar e conclui o momento da relação”, afirma Waldelice. O curso da professora de Arte e Mídia é voltado para pessoas que desejam conhecer e utilizar melhor a voz, além de aprimorar sua utilização e ajudar a vencer a timidez. Para tanto, é necessário superar o obstáculo mais visível: o medo de falar em público. Esta barreira, “interfere com o processo de comunicação, funciona como bloqueio mental e expressivo, onde a pessoa vê limites quando se quer expressar, para isso é necessário o equilíbrio”, observa Waldelice.Diante de sua experiência de 21 anos na fonoaudiologia, ela aconselha a quem tem alguma dificuldade de se expressar em público, o acompanhamento de um especialista na área, mas é necessário ter vontade de superação, ressalta. “Procurar ajuda profissional especializada é necessário. Mas isso também deve ser acompanhado da disposição da pessoa que deseja vencer, superar este sofrimento”, conclui. g

oratória Com o passar dos tempos, a oratória se aprimorou como curso, que hoje é oferecido em todo o Brasil, como forma de driblar a timidez e/ou aprimorar o falar em público, tão exigido dos profissionais, em especial na área de humanidades. Uma boa oratória também auxilia na lida diária do relacionamento interpessoal.

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português

[ Reforma Ortográfica: quem já se adaptou? ]

Rapariga é moça apenas em Portugal por MARCELO HENRIQUE ANDRADE e ZUILA DAVID

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uita coisa não será como antes. Nada de usar os acentos circunflexos nos hiatos enjoo e voo. Se antes você escrevia os ditongos ideia e assembleia com acento agudo, agora não precisa mais usá-los. Nada de utilizar hífen em infra estrutura, que agora, além de tudo, são duas palavrinhas separadas. Enfim, nossos avós tinham um pouco de razão quando pronunciavam o verbete tranquilo sem a pronúncia da vogal u, afinal o trema foi abolido, exceto nas palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros como Müller. Complicadas ou fáceis, essas e outras mudanças fazem parte da Reforma Ortográfica, série de novas regras na Língua Portuguesa proposta pela ABL, Academia Brasileira de Letras e discutida desde 1990, quando os oito países de Língua Portuguesa se reuniram para discutir a igualdade do idioma. Em setembro do ano passado, o presidente Lula tornou oficial a introdução da Reforma no Brasil para ter início a partir de janeiro desse ano com prazo de adaptação de livros, concursos e vestibulares até 2012. A ideia [sem acento agudo] do Ministério da Educação é uniformizar a Língua, dar homogeneidade ao idioma vigente não só aqui, mas em Portugal, São Tomé e Príncipe, Angola, Timor Leste, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. Não é a primeira vez que uma reforma é feita na Língua Portuguesa. No século XX, durante o Estado Novo, no Regime de Getúlio Vagas em 1943, e depois em 1971, durante o governo do presidente Médici. Mas a proposta na época não foi bem aceita e causou uma confusão geral para não acentuar as palavras paroxítonas abertas e fechadas. O que aconteceu é que professores e alunos deixaram de acentuar todas. Em 2009, a intenção de unir o que é falado e escrito aqui com o desses outros países não ganhou apoio de quem entende do assunto, como discorda o dicionarista e escritor Fernando Jorge. Na sua coluna Língua Portuguesa, da Revista Imprensa (nº 238, de setembro

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de 2008, páginas 92 e 93), o jornalista afirma: “Sou contra a Reforma Ortográfica”. Para Jorge, “a Reforma é um caminho para complicar o que é fácil”. “A mudança pretendida pela ABL não uniformiza a Língua. As diferenças linguísticas vão muito visíveis. A pronúncia de numerosas palavras jamais será igual. Em Portugal, por exemplo, comboio é trem, elétrico é bonde, peão é pedestre, bicha é fila e hospedeira de bordo é aeromoça”, rebate. Segundo ele, retirar os acentos de certas palavras é uma medida que só complica a pronúncia. “Enjoo sem acento parece soar enjooo; em jiboia e plateia, os ditongos parecem ser fechados. É o mesmo que pronunciar jibôia e platêia”, explica. Em contrapartida, alguns professores gostaram da ideia de unificar o Português. Com três livros publicados, a professora Samelly Xavier, que trabalha com redação e produção textual há cinco anos lembra da importância da unificação. “Isso será útil para uma questão de globalização, de língua-nação, de união”, diz. Alguns alunos estão encontrando muitas dificuldades na hora de escrever as redações, como é o caso do estudante Mário Júnior, que há dois meses se prepara para um concurso público. Para ele, a maior dificuldade da mudança está nas palavras compostas, separadas por hífen, a exemplo de antisséptico, que até há pouco, era antiséptico, a tal comum ultra-sonografia grafa-se ultrassonografia, e microônibus, que não possuía hífen, agora é micro-ônibus. Os concursos e os vestibulares aceitarão até 31 de dezembro de 2012, as duas formas, a antiga e a nova, tanto para as questões de múltipla escolha, quanto para redações e questões discursivas. O plano faz parte do período de transição estabelecido pelo Congresso Nacional Brasileiro. A Fundação Cesgranrio, uma das mais importantes organizadoras de concursos do país, já implantará a Reforma este ano, mas irá considerar as normas antigas. Em caso de dúvida, a

organização da instituição divulgará as exigências nos editais dos concursos. A gerente do Departamento Acadêmico, Maria Vitória Teixeira recomenda que para não ter problemas o ideal é começar a estudar as novas palavras a partir de agora. A professora Cláudia Beltrão da Central de Concursos recomenda aos alunos de cursinhos e pré-vestibulares que não comentam o erro de misturar o atual com o novo se ele não estiver dominando as novidades. Segundo ela, nas provas dissertativas por exemplo, o candidato deve escolher uma das duas formas e não misturá-las em hipótese alguma. Já para facilitar a dúvida da maioria dos alunos quanto ao hífen, mudança mais preocupante, ela afirma radicalmente: “Tem que ser na ‘decoreba’ mesmo, pelo menos por enquanto”. Os livros e dicionários estão sendo substituídos por novas edições que vêm com um selo do acordo ortográfico nas capas. Mas se esse fosse todo o problema de quem estuda a gramática há muito tempo seria bom. A professora Samelly Xavier tranquiliza os desesperados. “Toda mudança de início choca. Eu me pego acentuando a palavra ideia inúmeras vezes. Mas com o tempo quem realmente estuda e pratica terá facilidade em escrever com as novas formas”, explica, e acrescenta: “haverá estranhamento em ver algumas palavras escritas de forma diferente. Na dúvida, recorram ao dicionário, ao novo dicionário”. No entanto, quando a pergunta é o prazo de adaptação até 2012, estipulado pelo Ministro Fernando Haddad, ela rebate: “nem daqui a três anos, nem em 3015, as pessoas estarão dominando as peculiaridades ortográficas. Antes disso, as pessoas também não se adaptaram a muitas outras regras já existentes na Língua. Ou seja, o prazo será útil apenas para apaziguar as diversas opiniões sobre Reforma, mas de aprendizado, ainda haverá demora”, diz. Portanto, além de muito estudo para entender as novas regras, tudo está tranqüilo, aliás, tranquilo, sem trema. g


meio ambiente

FOTOS: RAILANI GOMES

Adote [ Maria de Lourdes, 73 anos: “Tenho 24 netos e adotei uma árvore pensando no futuro deles”

M

uito tem se falado sobre aquecimento global e seus efeitos sobre o planeta. No último século, a temperatura terrestre foi se elevando graças ao considerável aumento da quantidade de gás carbônico (CO2) jogado na atmosfera. Esse aumento afetou os sistemas físicos, biológicos e humanos da Terra. A emissão de CO2 pode levar à redução das áreas glaciais, perda da biodiversidade, problemas climáticos como secas, inundações e ondas de calor e, ainda, aumento de enfermidades. De acordo com o último relatório (Painel Vivo 2006) do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em fevereiro de 2007, os efeitos do aquecimento da Terra se tornarão irreversíveis nos próximos cem anos e o ser humano é o grande responsável pelo efeito estufa. Por esses motivos, toda população deve se preocupar com o aquecimento e nutrir consciência ambiental, porque zelar pelo meio ambiente não é responsabilidade, apenas, das grandes corporações e governos. Com o pensar coletivo, algumas instituições de Campina Grande incentivam a sociedade a colaborar com o meio ambiente. Exemplo disso

essa ideia

Em tempos de aquecimento global, algumas instituições se preocupam em ajudar o planeta a respirar melhor

]

por RENATA RODRIGUES, RAILANI GOMES e VANESSA LIMA

é a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que desde maio de 2007 desenvolve a campanha “Adote uma árvore”, que consiste na arborização da cidade através da distribuição e plantio de mudas de várias espécies. Coordenado pelo servidor Arnaldo Bezerra, a iniciativa da UEPB possibilita suprir um déficit de cerca de 1 milhão de árvores na cidade, amenizando os efeitos emitidos pelos gases lançados na atmosfera. “Muito se fala no aquecimento global provocado pelas queimadas, pelo desmatamento das florestas, mas a maioria esquece das cidades que poluem constantemente”, lembra Arnaldo Bezerra. Através do “Adote uma árvore”, cerca de oito mil mudas já foram plantadas em diversos bairros de Campina e em outras cidades parceiras do projeto. Várias espécies, como pau-brasil, acácia, aroeira, ingazeira, jatobá e sabiá são distribuídas entre moradores que, ao optar por ter uma árvore plantada em seu quintal ou terreno, assinam um termo de responsabilidade se comprometendo em fornecer os cuidados necessários ao desenvolvimento da planta. Foi o que fez a aposentada Maria de Lourdes, 73 anos, quando adotou uma árvore, não só por uma questão ornamental,

mas com o intuito de ajudar o meio ambiente. “Tenho 24 netos e adotei essa árvore pensando no futuro deles”, afirma a aposentada. Outra iniciativa importante realizada pela UEPB é o “Trote Ecológico”, uma maneira diferente de recepcionar os novos alunos que estão entrando na Universidade. O Trote Ecológico, que acontece desde 2008, tem por objetivo estabelecer uma nova cultura, com ações de conscientização, através de iniciativas de desenvolvimento social. Essa idéia surgiu dos próprios alunos que buscavam algo para evitar a violência e os constrangimentos que muitos passavam durante os trotes. Os estudantes participam de atividades que envolvem plantio de mudas no Campus, participam de palestras e atividades culturais. Mais de 400 mudas foram plantadas somente no trote desse ano. Mas para ajudar o mundo e atenuar o aquecimento global, plantar árvores não é a única solução, existem várias ações que podemos fazer no dia-a-dia, como economizar energia, reciclar resíduos sólidos, diminuir o desmatamento e usar, de forma moderada, carros e motos. Essas são algumas das ações que podem melhorar o nosso meio ambiente e tornar o planeta mais saudável. g

Quem tiver interesse em adquirir mudas para plantio ou material informativo é só ligar para o número (83) 8620-7186 e falar com Arnaldo Bezerra. Socialize essa ideia!


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Revista Por Exemplo #6  

Revista Laboratório do Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba.

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