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RESENDE E ITATIAIA - AGOSTO DE 2010 Nº 174 . ANO 15 - JORNAL MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA contato@pontevelha.com www.pontevelha.com

A igreja, o cinema e o botequim sempre alimentam uma esperança de salvação

Uma cultura de onde foi tirado o critério de apreciação do belo, bom e verdadeiro, uma cultura do consumo pleno, não permite discernir as diferenças mais importantes. O produto é sempre algo violentamente neutro. Soberano em sua aparência cândida. Assim todos podem exercer seus infinitos direitos culturais, desde que não pensem. E escolher seus representantes, desde que nada representem. A gente se levanta para ser insultada. O sol nem raiou e já lhe roubaram a alma em troca de segurança passageira, abundância estéril, e direitos abstratos. Pensar exige sair do plano das imagens e entrar no plano das idéias, que ainda hoje – pasmem! –, são universais. (Marcos Cotrim, pg 4)

ainda nessa edição: U m a p i n c e l a d a s o b r e n o s s o s p r i n ci p a i s c a n di d a t o s A importância do segundo turno O adeus a Ronaldo Quirino e a Arísio Maciel A s b r u x a s d o Po n t e Ve l h a / D e s e n v o l v e r é D e s e m b a r a ç a r A m o d e r ni d a d e t e r á a di g ni d a d e d e s e t o r n a r a n t i g a ? M e m ó r i a s d a r u a C u n h a Fe r r e i r a Homenagem a Luiz Pist arini / poemas / entre outras coisas

Entrevista: Darcília Guimarães e as terapias alternativas


2 - O Ponte Velha - Setembro de 2010 Cabo Euclides (interino) O Cabo Euclides, interino da coluna, recorreu ao Professor Silva, assumido discípulo do Zezinho Major e conhecido analista político resendense, para juntos construírem uma radiografia dos candidatos a deputado que imaginam ter maior penetração em Resende. A coluna tributa o maior respeito a todos aqueles que deixaram seus afazeres e se ofereceram para servir à região. Para não magoar ninguém, o profícuo professor e seu diligente colega Cabo Euclides trabalham apenas com as hipóteses de os candidatos serem bem votados. Até porque se forem mal votados, o resultado é sabido, desde a célebre frase do General gaulês, Breno: Ai dos vencidos! DEPUTADOS ESTADUAIS:

POLITICÁLYA como se diz lá em Barreiro, porrete que dá em Chico, dá em Francisco! Deixou sua marca de administrador competente, ao realizar, em dupla com Hélio Moura, a belíssima Exposição Agropecuária de Resende, em 2009. Ainda que não

se eleja, poderá ter muitos votos. Assim, escolherá seu futuro político aqui em Resende ou em Porto Real, sendo este seu destino mais provável.

NOEL DE CARVALHO - Está diante de um grande desafio de aumentar ou repetir seus 50.542 votos da última eleição, sendo 24.126 aqui em Resende. Porém, seu instinto de sobrevivência político tem falado alto: arregaçou as mangas e partiu para cima. Já foi Deputado Estadual e Federal Constituinte, além de Secretário do Governo do Estado do Rio, com importantes atuações em prol de muitas cidades. Assim, poderá ter muitos votos também fora de Resende. Ainda que não se eleja, sendo bem votado, se credenciará para um cargo no provável futuro governo do Sergio Cabral. Fortíssimo candidato a Prefeito de Resende em 2012, onde já foi Prefeito por duas vezes.

DR. JULIANELLI - Vereador mais votado na história de Resende (2.216 votos), com uma campanha apenas de boca a boca. Fenômeno com possibilidade de se repetir na eleição ora em disputa. Tem inúmeros cabos eleitorais leais e sem nenhum custo, em Resende e em várias cidades do Estado do Rio. Militar e médico, tem ampla aceitação nas duas categorias. Não conseguindo se eleger deputado, certamente sairá como um aliado indispensável para quem desejar ganhar as próximas eleições em Resende.

NORIVAL DA SILVEIRA DINIZ (VAL) - Sério, trabalhador e habilidoso, é um competente Secretário do Governo e sócio na aceitação do Prefeito Rechuan. Seu desconforto é competir com um elenco de fortes candidatos, mas,

JOÃO BOSCO AZEVEDO Desportista famoso e destacado membro da sociedade resendense, é admirado por seus amigos e respeitado por seus adversários. Um de seus maiores feitos políticos foi ajudar na eleição de Noel

de Oliveira, de quem foi Vice-Prefeito. Teve muita coragem de lançar carreira solo, justo agora, competindo com as feras anteriormente citadas. Todavia, coragem é um dos atributos do bom político. Prestigiado líder da Associação

dos Fiscais, tem potencial para arregimentar votos de fora para somar aos aqui obtidos. Sendo bem votado, ainda que não se eleja, continuará a ser respeitado na política resendense. DEPUTADOS FEDERAIS: NOEL DE OLIVEIRA - É o rei do corpo-a-corpo da política de Resende. Campanha com pouco aparato e muita conversa de pé de orelha. Já foi tudo na política local: Vereador, Deputado Estadual, Prefeito, Deputado Federal, Vice-Prefeito. Decano dos políticos resendenses, a campanha o rejuvenesce. Mesmo que não consiga se eleger, poderá manter sua posição, se conquistar um bom número de votos. PEDRA - Segundo vereador mais votado na última eleição de Resende (1.930 votos), já no quarto mandato. É o príncipe do corpo-a-corpo resendense e presta grande orientação ao seu eleitorado mais simples, especialmente no

trato com as repartições públicas. Sendo atleta, caminhante de 10 km diários, tem fôlego para a especialidade de sua campanha. Se não se eleger, mas for bem votado, poderá escolher de quem será candidato a vice, ou, até mesmo, liderar ou co-liderar uma nova facção política em Resende. HÉLIO MOURA - Foi o vereador mais jovem da história de Resende, de 1988 a 1992. Empresário bem conceituado, tendo sido Presidente da Associação Comercial de Resende, nascedouro de vários bons políticos resendenses. Deixou sua marca de administrador competente, ao realizar, em dupla com o Val, a belíssima Exposição Agropecuária de Resende, em 2009. O líder de seu partido - Antony Garotinho - é apontado pelas pesquisas como capaz de se eleger e levar junto vários companheiros, dentre os quais poderá estar o HM, se tiver uma boa votação. Mesmo se não subir junto com Garotinho, sendo bem votado, estará na mesa das articulações para a próxima eleição municipal. ALCIDES DE CARLI - Conceituado ex Vereador, por dois mandatos, conta também com precioso apoio de seus irmãos de fé e com a vinculação de sua imagem à do Bispo e Senador Marcelo Crivela, apontado pelas pesquisas como um dos campeões de voto ao Senado. Muito habilidoso, Alcides, que já foi gerente de supermercado, adquiriu traquejo para lidar com coisas difíceis. Obtendo expressiva votação e não se elegendo, terá como quase garantida a sua vaga de vereador, se decidir retornar à Câmara Municipal de Resende. Ou, quem sabe, tentar um vôo mais alto.

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JAIR BOLSONARO - Respeitado e atuante Deputado Federal, intransigente e competente defensor dos direitos dos militares, Bolsonaro tem sempre uma presença marcante nas eleições resendenses. Costuma ter votos em todo o Estado do Rio e sua reeleição não seria surpresa para nenhum analista. Trabalhador incansável, não criou fama e deitou na cama. Está sempre trabalhando e antenado na defesa de suas bandeiras. ALEXANDRE SERFIOTIS Médico, ex-Secretário de Saúde de Porto Real, com reconhecida boa atuação. Jovem, simpático e com fama de bom administrador, estréia na política com um respeitável currículo, além de ser do mesmo partido dos Prefeitos de Porto Real e de Resende, dos quais pega uma carona na popularidade. Mesmo que não consiga se eleger, terá um grande futuro na política da região, se tiver expressiva votação. Em Porto Real, não pode se candidatar a Prefeito, nas próximas eleições, porque seu pai é o atual Prefeito, em segundo mandato.

PS: Zezinho Major avisa telepaticamente que foi abduzido mas em breve estará de volta. Diz que em Marte se comenta que Noel de Carvalho já está tentando conversar com Julianelli no sentido de uma dupla para a Prefeitura. Quem viver verá.

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Setembro de 2010 - O Ponte Velha - 3

Desembaraçar as Teias

1 - Uma vez comprei o voto de um camarada na fila da seção eleitoral. Dei meu chapéu de feltro para ele sob a promessa do seu voto no Lula. Votei e fiz campanha para Lula e PT desde a primeira disputa para a presidência. Chorei de raiva quando desliguei a televisão percebendo que ele tinha perdido o debate para o Collor, e chorei de emoção na sua posse, quando ele disse “que ninguém mais duvide que um operário possa ser o presidente do Brasil”. Mas agora a minha sensação é de que o Lula cumpriu o seu ciclo, fez seu papel, e não faz sentido perpetuá-lo eternamente com o mandato laranja da Dilma. Estou nessa questão: por um lado acho boa a tendência estatizante das coisas essenciais, acho bom as cotas, as bolsas (se o rico mama, que o pobre também mame), mas, por outro, não aguento ver essas propagandas da Dilma na TV soando como as do Brasil Grande, o Brasil do Milagre, o Gigante Inquestionável (o big brother que vê a Nação como objeto de domínio?); não aguento aquelas crises histérico-histriônicas do Lula andando para lá e para cá no palco, berrando que o adversário está se afogando, se debatendo, tentando se agarrar na “questão menor” da violação de sigilo na receita. A atuação cênica do Lula está cada vez mais lembrando a do genial Chaplin em O Grande Ditador, controlando aquele globo terrestre como um

Robinho em êxtase com sua bola de futebol. Estou fora de rolo compressor. Não tenho convicção sobre meu voto — cheguei a pensar no Serra, mas acho que vai ser a Marina, pelo menos como sinalização. No mínimo quero segundo turno. Outro dia, num bonito artigo no Globo, o irmão do Bussunda, que é economista, lembrava que a palavra desenvolvimento tem o sentido de des-envolver, sair do que está nos envolvendo, desembaraçar-se de algo que impede o prosseguimento de um caminho (em francês é development — desenvelopar, abrir, livrar para o ar livre). Esse desembaraçar-se é contínuo, um movimento que não cessa, que não convive com a cristalização de qualquer estado determinado. É o princípio natural da dialética. Há oito anos nos desembaraçamos do neo-liberalismo acentuado e promovemos um estado de maior justiça social. Chega uma hora em que, sem abrir mão das conquistas, é preciso se desembaraçar dos vícios da hegemonia política, que é ruim como qualquer monopólio. O caminho é o do mundo como obra de arte. 2 - Ainda no mote “desenvolvimento”, melhorou bastante o encontro de motociclistas em Penedo. Os empresários, a população em geral e o poder público de Itatiaia consideraram que a transferência do local do evento, do centro de Penedo para uma área à margem da Av. Rubens Mader, foi perfeita tanto para o conforto de motociclistas e do público quanto para os moradores de Penedo, que não ficaram com as ruas de seu povoado estranguladas por engarrafamentos. E sem nenhum prejuízo para o faturamento de hotéis e restaurantes. Houve um “desembaraçamento” do que era problema (o atravancamento), e o evento pode crescer, por novos caminhos. Por outro lado, o encontro arrecadou cerca de 10 toneladas de alimentos não perecíveis que agora serão transformados em cestas básicas e encaminhados às familias necessitadas. Tudo isso é reflexo do trabalho do Conselho Municipal de Turismo de Itatiaia. 3 - A Grandiflora, empresa de consultoria ambiental de Resende, está propondo parceria à Prefeitura e a empresas privadas para implantar na cidade o projeto “Árvore Eletrônica”, desenvolvido pela ONG PC Vida, do Rio, que recicla lixo eletro-eletrônico. A idéia é começar com um ponto de coleta na Exapicor deste mês, estabelecendo em seguida alguns pontos fixos. O envio do material ao Rio fica por conta da Grandiflora. Lá é feita uma seleção. O que pode ser reusado é enviado a projetos de inclusão digital; o resto é enviado a empresas recicladoras e transformado em matéria prima. Vamos apoiar. Tudo o que diminui os lixões é uma benção; com aproveitamento social, dupla benção. 4 - Proponho aos colaboradores e anunciantes do Ponte Velha que dediquemos esta edição à memória de Arísio Maciel, um de nossos mestres. Professor, advogado e cronista de grande lirismo, durante muito tempo ele encantou o resendense com suas crônicas no rádio e na imprensa locais. Era mineiro, com as qualidades espirituais que essa condição propicia. Estava doente há muito, mas mantinha aquele sorriso luminoso por detrás dos óculos.

Tópicos Utópicos XVII 1 - Um dos elementos mais desequilibrantes das eleições brasileiras é a disparidade no tempo que cada partido ou coligação dispõe para apresentar sua campanha. A lógica estabelecida fomenta uma permanente vantagem para os mais fortes, tornando a disputa desigual. Debates e reportagens não têm o peso necessário para compensar a diferença e permitir uma decisão bem fundamentada por parte do eleitor. Daí a importância do segundo turno, quando os dois candidatos mais votados disporão do mesmo tempo para suas manifestações. 2 - A capacidade da lagartixa em andar pelas paredes e teto é um exemplo do quanto a biodiversidade pode gerar tecnologia de alto interesse para a sociedade humana, o que vai gerar a possibilidade de caminharmos contra a gravidade também. O dedo do pé de uma lagartixa contém centenas de saliências chamadas lamelas. No cume de cada lamela há milhões de pêlos, ou cerdas, que são 10 vezes mais finos do que um cabelo de um ser humano. Cada pêlo, por sua vez, divide-se em linhas menores, chamadas espátulas. Essas extremidades bipartidas são tão pequenas (algumas centenas de nanômetros) que elas interagem com as moléculas da superfície por onde o animal está andando. A interação entre as moléculas dos pêlos do dedo do pé da lagartixa e as moléculas das paredes dá-se por meio de uma atração molecular chamada força de van der Waals. Essa força é tão significativa que uma lagartixa pode pendurar e suportar todo o seu peso em um único dedo do pé. Para se libertar, basta que o animal puxe seu pé na direção correta, e o pé se solta sem nenhum esforço – seu adesivo natural é uma espécie de adesivo direcional, que gruda fortemente em um sentido, e solta-se facilmente no outro. (Ambiente Brasil) 3 - Falta verde na reforma do trânsito de Resende. O ipê amarelo da esquina do Centro Empresarial com a ponte foi retirado. Na falta de canteiros, grandes vasos com árvores de pequeno porte ficariam muito bem no calçadão em frente à rodoviária e no triângulo do Shopping. 4 - Seca e incêndios persistem. Calor aumenta. Alguns incendiários presos em Itamonte. Quais motivos levam pessoas a provocarem incêndios florestais? Fogo bom é no fogão! Áudio de campanha em http://www.mosaicomantiqueira.org.br/ site/previna-incendios/ 5 - O site informativo Amigos de Mauá publica sua nova Súmula n# 008, contendo documentos, reportagens, artigos e comentários sobre os principais temas da região. Para acessar: http://amigosdemaua.net/ 6 - Breve: Crônica sobre poder, manipulação social e cinismo.

Luis Felipe Cesar

Gustavo Praça


4 - O Ponte Velha - Setembro de 2010

A Revolução das Massas: Todos nós... Ninguém Flores do Mal - Baudelaire tinha a pachorra de acreditar em flores do mal. Dizia: “Que toda modernidade seja digna de se tornar antiguidade.” Seu ensaio sobre a impossibilidade foi confirmado por Ortega y Gasset, num século XX indigno do augúrio baudelairiano: “Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral.” N’ A Revolução das Massas, de onde tirei a frase de efeito, Ortega mostrava o que Heidegger chamou de impessoalidade constitutiva de uma sociedade de informação: o “a gente”, “todos nós... ninguém”, que Marcuse analisa no Homem Unidimensional, e Elliot pranteia n’A Terra Desolada. Vivemos no mundo dos significados, que dão acesso às coisas. Pensamos, decidimos, amamos e odiamos as coisas e as pessoas mediante as representações que se fazem delas. Nossa comunidade de linguagens é tão fundamental, que nos vemos pertencendo ou não a um grupo, uma família, uma torcida de futebol, um mundo ou uma sociedade, só quando dominamos minimamente seu universo simbólico. Aí se decide nossa identidade, nossa submissão, voluntária ou não. Por isso dominar a opinião pública pela manipulação das imagens é a escola dos totalitarismos, que pauta a escolha dos que não têm escolha. A bula da despersonalização recomenda abusar das imagens e reduzir as idéias. Com a inteligência consumida em imagens, derrota-se de saída a fibra da indignação. O eleitor – ao menos o que reparte comigo o pão no supermercado, o cheiro dos jornais e o rumo nas ruas –, assim violado por um partido que fomenta o Estado policial, prepara-se para votar e exercer

Marcos Cotrim o direito inalienável de escolher a cor com que se há de pintar sua gaiola. Nessa democracia formal, tudo conspira para dourar a pílula da mentira. Não a mentira das coisas, dos fatos, mas a corrupção do

seu sentido. Que é onde mora o poder efetivo. Onde mora o perigo iminente.   Os escravos de Jó - A melhor maneira de excluir a todos dos processos de decisão e representação é incluir a todos. O que só se faz trocando idéias por imagens. Uma cultura de onde foi tirado o critério de apreciação do belo, bom e verdadeiro, uma cultura do consumo pleno, não permite discernir as diferenças mais importantes. O produto é sempre algo violentamente neutro. Soberano em sua aparência

cândida. Assim todos podem exercer seus infinitos direitos culturais, desde que não pensem. E escolher seus representantes, desde que nada representem. A gente se levanta para ser insultada. O sol nem raiou e já lhe roubaram a alma em troca de segurança passageira, abundância estéril, e direitos abstratos. Pensar exige sair do plano das imagens e entrar no plano das idéias, que ainda hoje – pasmem! –, são universais. Não conseguimos nos comunicar sem que as palavras tenham algum sentido universal, mas “frases” feitas só de imagens podem dar a impressão de que estamos pensando. A empulhação das massas criou assim uma representação demagógica da participação no poder. Todos nós votamos, mas ninguém elege. Falar em ética aí seria piada, se não estivesse para ser proibido. Portanto, “ó leitor hipócrita!, meu irmão, meu semelhante”, cultivemos o ócio antes que se “apague o mundo com o bocejo de nosso tédio.”   Onde quer que tenha surgido o homem-massa, um tipo de homem feito de pressa, montado tão somente numas quantas e pobres abstrações e que, por isso mesmo, é idêntico em qualquer parte [...] é o homem previamente despojado de sua própria história, sem entranhas de passado. Mais do que um homem, é apenas uma carcaça de homem constituído por meros idola fori; carece de um “dentro”, de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um eu que não se possa revogar. Daí estar sempre em disponibilidade para fingir ser qualquer coisa. Tem só apetites, crê que só tem direitos e não crê que tem obrigações.: é o homem sem nobreza que obriga - sine nobilitate - snob. (Ortega, A Rebelião das Massas)

Poema de héber Cunha

Deus é, o que não é ele não existe Então eu sou Deus e a pulga também então eu sou a pulga E a pulga é a galáxia, as galáxias e as galáxias são a mente do cientista que não crê n‘Ele Então o cientista é Deus e sua tese materialista também é Ele E se existe o Nada ele é Deus Existe o Nada? Tudo que pode ser cogitado especulado ou imaginado existe e é Deus Como a dúvida também existe igualmente à certeza e ambas são Deus E o diabo existe? existe e é Deus E o mal? O mal seria se Deus não existisse

poema dedicado a Marcos Cotrim detalhe de tela de Roberto Magalhães


Setembro de 2010 - O Ponte Velha - 5 Eliel de Assis Queiroz

As Bruxas do Ponte Velha

Não sei você, mas eu não acredito em bruxas, exceto naquelas que aparecem aqui nas páginas do Ponte Velha. Até o final deste texto você irá saber porque. São escritoras, artistas plásticas, poetisas, cantoras, donas de casa. Elas escrevem artigos ou aparecem nas “páginas amarelas” do jornal, na parte nobre, dando longas entrevistas. Não espere encontrar essas bruxas com aqueles chapéus pretos pontiagudos e narizes com verrugas cobertas de pêlos. Esqueça também as vassouras. Eu poderia chamá-las de fadas, mas fadas têm um aspecto de fragilidade que essas mulheres do Ponte Velha não demonstram ter. Não faz muito tempo, apareceu uma delas dando uma longa entrevista aqui neste jornal. Não a conhecia pessoalmente. Mesmo sendo uma bela mulher, e a foto da página central confirmava isso, fiquei encantado mais pelo conteúdo das suas respostas aos entrevistadores. Pode acreditar. Fiquei tão encantado que resolvi telefonar e lhe dar os parabéns pela entrevista. Apesar de não me conhecer, ela foi muito gentil ao telefone. Menos de uma semana depois deste contato, fui acometido por um mal físico que os médicos atualmente resolveram classificar como “virose”. Tudo hoje em dia é virose. No primeiro dia, mal conseguia sair da cama. No segundo, a situação foi piorando a ponto de me impedir de levantar da cama. Os telefones tocavam e eu não tinha forças para atender; dois dias sem qualquer tipo de alimentação; a pressão sanguínea cada vez mais baixa; o

suor e o os calafrios me enfraqueciam cada vez mais. Num esforço extremo, tentei levantar para pedir ajuda pelo telefone. Estava tão fraco que caí e bati com a cabeça na borda de um móvel e desmaiei.

Não sei quanto tempo fiquei caído no chão. A cabeça vagava, em delírio. Lá fora, uma chuva fria e a névoa intensa davam um ar fantasmagórico ao ambiente. Moro em uma cabana no meio da mata. Minhas vizinhas mais próximas, as corujas, ajudavam compor o ambiente. Perto da meia noite, comecei a ouvir vozes. Depois de dois dias tentando falar comigo, pelo telefone, duas pessoas resolve-

Bom senso, por favor...

ram ir ao meu encontro. Uma delas era a bruxa que eu havia elogiado pela entrevista ao Ponte Velha. A outra era um pajé, provavelmente descendente dos índios puris, amigo de longa data da bruxa do Ponte Velha. Os dois, isoladamente, estavam tentando falar comigo, pelo telefone, fazia dois dias. Como não conseguiam, resolveram entrar em contato, um com o outro, a cata de notícias a meu respeito. A intuição dos dois dizia que eles tinham que partir imediatamente em meu socorro. Tiveram que pular o portão e entrar na minha cabana, onde me encontraram mais pra lá do que pra cá. A convicção de que me encontrariam mal era tanta, que eles levaram tudo que tinham direito: tigelas tibetanas, incenso, chás, florais e, por vias das dúvidas, tudo que é tipo de comprimido. A pajelança durou até o dia amanhecer. Lá pelas quatro da manhã é que eu me dei conta do que estava acontecendo. Do mesmo jeito que chegaram, eles foram embora, levando consigo o mal que me acometia. Depois que o dia raiou, deu para ver melhor o estrago: pilhas de roupas encharcadas pelo meu suor, que foram trocadas de hora em hora. Consegui levantar normalmente e chegar até Resende, onde a primeira coisa que fiz foi agradecer pessoalmente aos meus benfeitores. A única seqüela disso tudo é o risco de ficar apaixonado pela bruxa do Ponte Velha.

A Associação dos Amigos do Itatiaia é constituída pelos moradores do Núcleo Colonial Itatiaya e freqüentadores da região, que sempre se destacaram pela preocupação com a preservação ambiental. A origem do Núcleo vem de uma colonização europeia promovida pelo governo federal, a partir de 1908, e que nesses pouco mais de cem anos, contribuiu de forma decisiva para transformar as terras que encontraram devastadas, numa exuberante mata secundária. Tratar esses moradores como invasores, predadores, ou ameaças ao meio ambiente, além de injustiça, é uma falta de respeito. Se o governo federal quer anexar essas terras ao Parque, que o faça dentro da lei, e com a dignidade que o cidadão merece. E inclusive ouvindo suas contrapropostas, que visam a preservação da área, sem ônus para a União. (trecho de artigo de Célia Borges para o site oeco.com.br)

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6 - O Ponte Velha - Setembro de 2010

Conversa com Darcília Guimarães sobre outra medicina

Filha dessa grande família que desceu da serra para ajudar a formar Resende, em que se misturam Paiva, Diniz, Carvalho e outras, Darcília Guimarães de Carvalho e Castro é uma das maiores estudiosas de terapias alternativas da nossa região. Há 30 anos fechou seu consultório de odontologia, onde, junto com o marido Wellington, tinha uma grande clientela, e passou a trabalhar só com acupuntura. Nessa entrevista ao Ponte Velha, com participação de Martha e Kíria Carvalho, ela conta um pouco da sua história de menina da roça e defende práticas como a auto-hemoterapia e a urinoterapia. Lembramos ao leitor que tais terapias não são reconhecidas pela instituição médica legal. Mas lembramos também que esta mesma instituição médica já receitou por muito tempo drogas como a talidomida, e continua a receitar tantas outras que constantemente são dadas como gravemente nocivas. MARTHA: A gente se sente honrado em conversar com uma pessoa como a Darcília, com uma história de vida tão bonita, de tanta fibra, e que hoje ajuda tanta gente com o seu conhecimento de medicina alternativa. GUSTAVO: Você é de uma dessas famílias da serra que desceram para formar Resende, certo? DARCÍLIA: Sim, de tanta gente que desceu de Bocaina, Mirantão, Alagoa, Aiuruoca. Eu fui criada numa fazenda às margens do rio Preto, perto do Mirantão. Meu pai mesmo desceu muitas vezes com a tropa dele, trazendo queijo da sua fábrica. Essa fábrica foi da minha avó paterna, Palmira Guimarães, que era portuguêsa, ficou para o meu pai, e depois para minha irmã mais velha, Pautilha. GUSTAVO: Pautilha...Eu não esqueceria nunca esse nome. Então a Pautilha era sua irmã... DARCÍLIA: Era não, é. Ela está viva, com 90 anos. GUSTAVO: Em 1955, meu pai alugou uma casa na vila de Mauá e nós passamos o verão ali, e um dos programas era ir até a fábrica da Pautilha. A gente passava de carro dentro de um rio. DARCÍLIA: Passava-se de carro por dentro de vários rios. A Pautilha se formou em química industrial no Rio e depois fez pós-graduação e doutorado nos Estados Unidos. Mas, antes dela, quem fazia os laticínios era meu pai, Alípio Guimarães de Carvalho; fazia a manteiga e o queijo parmezon, e vinha até Resende com a tropa, arranchava atrás da Casa Gulhot, no famoso Rancho dos Mineiros. Depois a Pautilha modernizou a fábrica, passou a fabricar o tipo prato, tipo suíço, e outros. Foi a primeira fábrica da região que fabricou outras variedades de queijo. E está lá ainda, no mesmo lugar, abaixo da fazenda, chama-se Estrela do Norte. MARTHA: E qual é a relação que sua família tem com os Diniz? DARCÍLIA: A minha mãe é Diniz. A minha avó materna era Diniz, que era uma mistura de português e espanhol. MARTHA: Darcília, conte a história do casamento de sua mãe, em que sua avó teve uma atitude incrível para a época. DARCÍLIA: Pois é. Foi em 1917. A minha mãe tinha 16 anos. O meu pai tinha 22, era apaixonado por ela mas tinha

ido trabalhar fora. E aí arranjaram lá um noivado da minha mãe com outro pretendente. Mas o meu pai soube e voltou voado para o Rio Preto. Foi direto para a fazenda dos pais da minha mãe e ficou plantado lá. Faltava uma semana para o casamento. Meu pai foi recebido pelos pais da minha mãe na sala, minha mãe meio recolhida no seu quarto. Mas chegou a noite e meu pai não ia embora, dizia que só sairia dali depois de falar com minha mãe. Aí minha avó mandou ele esperar,

um diploma. E naquela escolinha da fazenda ele alfabetizava também os filhos dos empregados. GUSTAVO: Algum irmão ficou na roça? Você não ficou tentada a ficar na roça? DARCÍLIA: Ficou o Antônio Carlos, que toca o laticínio hoje, e o Waldir. Quanto a mim, a vida me tirou de lá. KÍRIA: Mas ela adorava a roça, as vacas, o pai chamava era ela para cuidar da criação... DARCÍLIA: Eu sempre gostei muito da roça. O nosso meio de transporte era o cavalo. Nós vínhamos a cavalo até Resende para ir ao colégio. Debaixo de sol ou de chuva. Nós vínhamos e ficávamos internas, as meninas no Santa Ângela e os meninos no Dom Bosco, com a Dona Zenaide e o Dr. João Vilela. Os cavalos ficavam no Hotel Valim, ali tinha um pasto. Nós só voltávamos à fazenda nas férias. Essa mordomia de passar fim de semana com os pais é coisa de hoje, naquele tempo nós gastávamos um dia inteirinho para chegar ao Rio Preto, e tínhamos que sair de madrugada. E depois fomos todos estudar no Instituto Grambery, em Juiz de Fora, que é um colégio metodista que tem internato masculino e feminino. Papai era muito família e queria que nós ficássemos próximos. E nós nos encontrávamos, almoçávamos juntos nos domingos. E também fizemos nossas faculdades lá. GUSTAVO: E aquela família de dentistas do Dr. Sebastião, que é pai da Dra. Romana, eles são de Santo Antônio, têm ligação com vocês. DARCÍLIA: Sim, são do lado da mamãe, Diniz Moreira, e Carvalho também. A mãe do Dr. Sebastião é sobrinha do meu pai, e o pai do Sebastião é sobrinho da minha mãe. Muito médico, dentista e advogado. GUSTAVO: Todos descendente de tropeiros. DARCÍLIA: E eram lindas aquelas tropas... Você não calcula... As mulas e os burros com aqueles peitorais todos ajaezados, as cabeçadas de prata, a mula madrinha na frente com

Essas terapias só vão ganhar espaço quando acabar esse monopólio da indústria dos remédios, dos planos de saúde... São fortunas, corre tanto dinheiro... Veja que perseguiram o Dr. Luis Moura, um homem da estatura dele, um médico daquele porte, que se preocupa com o povo... foi lá no quarto e disse à minha mãe: “minha filha, de quem é que você gosta? É do Alípio ou é do outro? Você que vai resolver isso.” E minha mãe escolheu o meu pai. Para a época, deixar essa escolha nas mãos de uma moça de 16 anos era extraordinário. GUSTAVO: Coitado do outro... A uma semana do casamento... E como era a sua vida de criança lá? DARCÍLIA: Olha, a fazenda era muito grande e a minha avó Palmira era a única pessoa que sabia ler na região. Ela era toda voltada para a cultura, mantinha uma correspondência com Carlos Gomes, cantava as músicas do Carlos Gomes. E passou isso para os filhos. O meu pai tocava acordeon, todo mundo era voltado para a música. O caçula dela estudou no São Joaquim, em Lorena; nós tínhamos biblioteca na fazenda, livros que ela mandava vir. E na fazenda antiga, onde a gente morava, meu pai contratava professores particulares para dar aula para os filhos dele e de outros fazendeiros. Fundaram uma escola, com os professores morando na fazenda conosco. E estudávamos lá até completar o curso primário, até uns 10 anos, depois prestávamos exame de admissão em Resende, para o Santa Ângela, e depois íamos estudar em Juiz de Fora. Éramos 11 irmãos, e meu pai dizia que todos tinham que ter


Setembro de 2010 - O Ponte Velha - 7 em casa, liguei para a Rosinha e disse: “olha, me consultório de odontologia vai ser fechado amanhã; e vou abrir o de acupuntura”. E Deus já me deu 10 vezes mais tempo, 30 anos... GUSTAVO: Bem, hoje a acupuntura já está reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, certo? DARCÍLIA: Infelizmente.... Porque no Brasil há um desconhecimento total dessa medicina natural, dessa medicina preventiva, e a acupuntura é uma medicina preventiva, embora “também” seja curativa. E o que aconteceu? Eles colocaram a acupuntura como sendo uma “especialidade médica”. Só no Brasil... a acupuntura é uma medicina. A acupuntura tem 5 mil anos. O Ne Y Ching, que é o livro básico da acupuntura, foi escrito há 5 mil anos... KÍRIA: Como que essa medicina moderna vai se arvorar a “reconhecer” a outra, muito mais antiga? DARCÍLIA: E colocá-la como especialidade médica. Hoje tem pós-graduação para os médicos em acupuntura. Que pós-graduação é essa? Estão encarando errado. MARTHA: Com a homeopatia é assim também? DARCÍLIA: Não, a homeopatia tem só 200 anos. Foi criada por um médico alemão, o Haneman, que se desiludiu com essa medicina e passou a ser tradutor. E ao traduzir um livro médico falando sobre a quina viu que os sintomas da quina eram os mesmos da malária, e daí teve a intuição e desenvolveu os princípios da homeopatia — semelhante curando semelhante. MARTHA: Mas você não acha que tem um lado bom de pelo menos eles não proibirem a acupuntura, já que eles reconhecem? DARCÍLIA: Eles não proibiam a acupunturam; eles atacavam a acupuntura. Proibir como?, uma medicina que era atender as pessoas que me pediam, em casa mesmo, princireconhecida pela Organização Mundial da Saúde há muitos palmente a Rosinha Cotrim, que melhorava das dores com anos? Entao eles faziam terror. Diziam que se podia pwegar as agulhas e sempre insistia para eu abrir um consultório de Aids. Ora, a pele no local dos pontos da acupuntura tem uma acupuntura. Mas eu achava que não tinha conhecimento suficapacidade elétrica diferente, e ali não se transmite bactéria, ciente para cuidar da saúde dos outros. E também, como eu virus, nada. E nós usamos agulhas de ouro, prata e aço. já estava com 49 anos, achava que já era tarde para começar. GUSTAVO: Você também tem feito uso, em si própria, Bom, um dia eu peço para uma cliente da odontologia voltar da auto-hemoterapia, que é a mais nova polêmica na área no dia seguinte por causa do horário da minha missa, vou da medicina, inclusive com a ameaça de se prender, como correndo para a igreja Santa Cecília e quando entro o padre charlatão, quem a ministra. Fale um pouco disso. Paulo estava dizendo assim: “hoje eu vou tirar uma lição DARCÍLIA: É, eu uso quando eu necessito dela — e, do evangelho para vocês: há muita gente que deixa de fazer aliás, eu necessito muito devido a minha idade. Todo idoso as coisas porque não há mais tempo. Vamos lembrar que deveria fazer uso da auto-hemoterapia, porque o sistema o Cristo precisou só de três anos para implantar a doutrina imunológico no idoso já está bem deficiente. O idoso hoje dá dele”. Eu estava entrando pela nave central da igreja. Cheguei uma despesa muito grande para o governo. A deficiência orgânica do idoso é muito grande, começam a surgir as doenças, e a hemoterapia é uma terapia preventiva. Não só contra as infecções, mas também atua nas proteínas, nos hormônios... MARTHA: Na depressão... DARCÍLIA: Porque melhorando o sistema imunológico melhora a auto-estima, e aí melhora o humor, melhora tudo. Buffet especial nos fins de semana GUSTAVO: De que forma o teu próprio sangue fortalece o teu e feriados sistema imunológico? :: O mais completo DARCÍLIA: Você vai tirar o 25 Anos sangue de um sistema, o circularodízio de fondues da região tório, e vai injetar esse sangue em outro sistema, que é o muscular. Rua das Velas - Penedo E aí o organismo não reconhece Penedo - Tel: (24) 3351.1757

aqueles sinos chocalhando... As crianças ouviam aquilo e vinham correndo para ver o espetáculo. E traziam presentes, sombrinhas... MARTHA: Num tempo mais remoto essas tropas foram chamadas de “mensageiros da civilização”. Iam até a corte e traziam notícias frescas. Quer dizer... Frescas de meses... GUSTAVO: Era um twiter mais moderno. Hoje na roça se está substituindo a mula e o cavalo pelas motinhos 125. Os caras ajuntam os bezerros, tocam o gado, tudo de moto. Vão de moto por aqueles trilhinhos de vaca. DARCÍLIA: Estão acabando os cavalos. É tanta moto e carro que não tem mais nem onde amarrar o cavalo. Dá tristeza. E eu que ia nas férias no meu cavalinho, com a seringa no meu embornalzinho (naquele tempo a gente fervia a seringa na chapa), e um monte de ampolas e remédios, e era eu quem aplicava as injeções e tratava de todos os colonos do meu pai; menina ainda, lá ia eu a cavalo para a Trabanda — o rio Preto corta a fazenda do meu pai, e a gente chamava o lado do estado do Rio de “Trabanda”, a outra banda da fazenda. Meu pai vinha a Resende com a turma, consultava com o Dr. Balieiro, e era eu quem acompanhava os tratamentos lá em cima. Com 12 anos, eu dava injeção na veia e tudo. Quem me ensinou foi meu pai. O povo da roça sabia e fazia muita coisa. A minha mãe era uma raizeira; o que eu conheço de ervas medicinais, de plantas, eu aprendi com ela. A gente saía com ela pelo mato catando as ervas para os chás, nas épocas das cataporas, dos sarampos, das doenças infantis. Hoje se a pessoa tem uma dor de barriga já vai para o médico, em vez de tomar um chá de isope, de erva de mamangava, que vai curar. A nossa flora medicinal é riquíssima. Eu uso a artemísia que eu colho para fazer mosha na acupuntura. E a gente está comprando artemísia da China, do Japão, quando aqui dá até no meio-fio. GUSTAVO: Você se formou como dentista mas sua vocação mesmo é a medicina naturalista, certo? DARCÍLIA: Sim, é o que eu gosto. A prevenção da doença, não é? É melhor você tratar prevenindo do que tratar do doente. Comer uma boa comida, respirar um bom ar. MARTHA: Como foi a troca da odontologia pela acupuntura? DARCÍLIA: Foi há 30 anos. Eu estava no auge da minha profissão na odontologia. Eu e o Wellington tínhamos uma clientela muito boa na cidade. E aí eu tive uma hepatite B muito séria, muito grave mesmo. E fiquei dois anos no Rio me tratando com acupuntura, com o Dr. Frederico. Só me

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tratei com acupuntura, não tomei remédio. E quando eu estava já me recuperando, o Dr. Frederico montou um curso de acupuntura no Rio a pedido do diretor da UNIRIO, que era o Guilherme Figueiredo. E eu fiz o curso por insistência do Dr. Frederico. E quando voltei para Resende eu comecei a

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8 - O Ponte Velha - Setembro de 2010 aquele sangue como seu, e o sistema imunológico vai entrar num trabalho extra para a produção das chamadas células macrófagas, que são as células faxineiras do organismo. GUSTAVO: Ô Darcília, não haveria um risco pelo fato de se estar interferindo no equilíbrio natural do organismo? A longo prazo. DARCÍLIA: Não tem nenhum risco. Há um repouso do organismo depois do quinto dia em que se fez a aplicação; aí você dá um descanso a ele de dois dias e reaplica. Numa questão só de prevenção, você pode fazer uma aplicação por semana durante um mês e parar durante um ou alguns meses, de acordo com cada caso. Nos casos graves, uma pneumonia por exemplo, você pode fazer até de cinco em cinco dias. O idoso que faz a hemoterapia não precisa tomar vacina contra gripe, porque o sistema imunológico está em dia. E não tem perigo nenhum porque você vai trabalhar com seus próprios sistemas. GUSTAVO: E quanto ao local da injeção, que se argumenta que pode se tornar um edema que leve a uma infecção generalizada e até à morte? DARCÍLIA: Só se se usar uma seringa que esteja contaminada. GUSTAVO: Mas o fato de ser sangue a ser injetado não traz maior risco de edema? DARCÍLIA: Não, basta haver alguém que saiba tirar o sangue e injetar corretamente. KÍRIA: Você usa há 20 anos. DARCÍLIA: Não, uso há 10 anos, mas conheço há 20, na época em que o Dr. Luis

Moura veio para Mauá, na década de 90. Foi ele quem difundiu a hemoterapia na região. Eu falei com ele há pouco, por telefone. Ele disse: “a mim, me processaram duas vezes. Me livrei desses processos. E não sei porque

acha que também faz sentido? DARCÍLIA: Fantástico! Aí já é o princípio da vacina. É uma auto-vacina. Digamos que a pessoa esteja com uma infecção renal por um streptococus violento. Aí ele toma sua urina com esse streptococus e a urina vai entrar como vacina. Essa auto-vacina a gente faz em homeopatia também. KÍRIA: Os chineses faziam há mais de mil anos. DARCÍLIA: O Ghandi. O Ghandi tomava um copo de urina todas as manhãs. KÍRIA: E é rica em sais minerais. GUSTAVO: A urinoterapia também é proibida pela instituição médica? DARCÍLIA: Não. Sabe o que acontece? É que a divulgação da hemoterapia foi muito grande. E a da urina, não. O Gordo chegou ao conhecimento da urinoterapia através de um programa do Jô Soares. Ele ia entrar na hemodialise no dia seguinte, os rins dele não estavam funcionando, e se curou com a urina. KÍRIA: Para feridas também é bom passar urina no local. DARCÍLIA: Queimadura... GUSTAVO: Você acha que há indicações específicas para auto-hemoterapia e outras para urinoterapia, ou a pessoa escolhendo uma delas já faz uma boa limpeza no organismo? DARCÍLIA: Com qualquer uma delas já vai fazer. Só acho que não se deveria usar as duas. Faz uma ou faz a outra, para não sobrecarregar. A urinoterapia tem vários livros publicados. Em São Paulo tem uma clínica que trata só com urinoterapia. Nos Estados Unidos é muito divulgada, principalmente em Miami. GUSTAVO: E qualquer um pode fazer sem nenhuma restrição? DARCÍLIA: Tem alguma restrição, sim, com relação aos remédios que toma. Se estiver tomando muito medicamento, aí não deve. Porque o excesso dos medicamentos normalmente é eliminado pela urina. Na auto-hemoterapia não há esse problema. GUSTAVO: O problema também é as pessoas vencerem a aversão a tomar a urina. DARCÍLIA: Porque todo mundo pensa que urina é excremento, e não é. Você pega uma exame de sangue e um de urina e vai ver que as propriedades são as mesmas. E você pode tomar da seguinte maneira: você pode botar gelo... GUSTAVO: Um limãozinho... DARCÍLIA: Pode botar algum gelo, umas gotinhas de própolis... A criança, que ainda não tem o paladar bem definido, ela toma a urina dela que é uma beleza! GUSTAVO: E toma um copo inteiro? Em jejum? DARCÍLIA: Pode tomar meio copo,

Todo idoso deveria fazer uso da auto-hemoterapia, porque o sistema imunológico no idoso já está bem deficiente. O idoso hoje dá uma despesa muito grande para o governo eles me deram permissão para eu continuar receitando e fazendo a hemoterapia. Só não posso divulgar”. Ele faz hemoterapia desde 1930, quando era estudante; fazia nos pacientes do pai dele, que era professor da Escola Nacional de Medicina e era cirurgião da Casa São José. Ele hoje deve estar com uns 83, 84 anos. GUSTAVO: É ele também que faz a caixa orgônica, onde a pessoa entra para se energizar, certo? DARCÍLIA: Sim, é ele, é uma pessoa muito inteligente. KÍRIA: Essa caixa é uma criação do Wilhem Reich, que o Luis Moura adotou aqui. Passa a energia através de metais para as pessoas. GUSTAVO:Você tem visto muitas pessoas se dando bem com a auto-hemoterapia? DARCÍLIA: Sim. Curadas. Várias pessoas. De problemas de pele, de vista, de colesterol. A auto-hemoterapia previne o câncer porque as macrófagas devoram as células desorganizadas. E o câncer o que é? É uma desorganização celular. E quem faz quimioterapia deve fazer junto auto-hemo, porque a químio destrói a pessoa e a auto-hemo ajuda a refazer. A auto-hemo também previne as doenças circulatórias. GUSTAVO: Um que sempre diz que para ele foi um milagre é o Gordo, o Antonelli. DARCÍLIA: O caso dele foi diferente, ele se tratou com urinoterapia. A pessoa toma sua própria urina. GUSTAVO: E você

pode tomar dois dedinhos. Tudo já vai fazendo efeito. A urina é diurética, você vai ver a sua urina como é que melhora. Pode também pingar umas gotinhas no nariz, gargarejar. KÍRIA: Quentinha mesmo é que é bom... GUSTAVO: E pode tomar direto, a vida toda? DARCÍLIA: Pode, mas pode dar umas pausas quando você está se sentindo bem. Olha, tem um engenheiro da Petrobrás nascido aqui em Resende, hoje ele mora no Leme. Pois bem, eu emprestei um livro sobre urinoterapia para a esposa dele curar um problema de pele, ele leu, se encantou, começou a se tratar com urina. Pois bem: curou a pressão, acabou com a barriga, até cabelo nasceu... (todo mundo ri). Só não vou dizer o nome dele. KÍRIA: Era para esse que você levava a sacola de creolina? GUSTAVO: Como é essa história da

Esta invocação é uma Prece Mundial. Expressa verdades essenciais. Não pertence a nenhuma religião, seita ou grupo em especial. Pertence a toda humanidade como forma de ajudar a trazer a Luz Amor e a Boa Vontade para a Terra. Deve ser usada frequentemente de maneira altruísta, atitude dedicada, amor puro e pensamento concentrado.

A Grande Invocação Desde o ponto de Luz na Mente de Deus, que aflua Luz às mentes dos homens. Que a Luz desça à Terra. Desde o ponto de Amor no Coração de Deus, que aflua Amor aos corações dos homens. Que o Cristo volte à Terra. Desde o Centro, onde a Vontade de Deus é conhecida, que o propósito guie as pequenas vontades dos homens. O propósito que os Mestres conhecem e a que servem. Desde o centro a que chamamos raça dos homens, que se cumpra o plano de Amor e Luz. E que se feche a porta onde mora o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano Divino na Terra. Unidade de Serviço para Educação Integral Av. Nova Resende, 320 – sala 204 CEP: 27542-130 – Resende RJ – Brasil Tels(0xx24) 3351 1850 / 3354 6065 Email: triangulosdobrazil@yahoo.com


Setembro de 2010 - O Ponte Velha - 9 sacola de creolina? DARCÍLIA: Creolina é fantástico, é o melhor vermífugo que tem. Acaba com qualquer verme: ameba, giardia, oxiurus, esses vermes lá do nordeste que matam tanta gente. E é facílimo de tomar. Duas gotinhas no primeiro dia, duas no segundo e três no terceiro, diluidas em água. Não pode ser com o estômago vazio porque é enjoativo. E a minha clientela no Rio é de executivos, oficiais do Exército, e então eu levava para lá minha sacolinha de creolina. Mas atenção, não pode ser qualquer creolina.Tem que ser creolina Pearsun, que vende nas casas de ração. O melhor é tomar na lua minguante. E que ninguém vá tomar um copo inteiro, pelo amor de Deus... O nosso povo devia ter acesso a essas informações, nosso povo que gasta fortunas com remédios... Mas essas terapias só vão ganhar espaço quando acabar esse monopólio da indústria dos remédios, dos planos de saúde... São fortunas, corre tanto dinheiro... Veja que perseguiram o Dr. Luis Moura, um homem da estatura dele, um médico daquele porte, que se preocupa com o povo... GUSTAVO: A instituição médica o aponta como um charlatão, que quer ganhar dinheiro vendendo o seu DVD sobre a terapia. DARCÍLIA: Pelo contrário! Ele não é

assim. Ele é um homem caridoso. Quando ele veio para Mauá, veio com uma proposta de dar consultas de graça no posto de saúde. Foi proibido. O enfermeiro do posto foi ameaçado de ser posto na rua se fizesse alguma

GUSTAVO: Você é favorável ao vegetarianismo? DARCÍLIA: Eu acho que a carne é necessária. Ela tem uma proteína muito importante para o cérebro. Uma pessoa que tem um problema hepático, por exemplo, ela precisa da proteína da carne.. O que a gente deve evitar é a alimentação industrializada, embutidos, enlatados... E hoje a gente está comendo uma verdura, tomando um copo de leite, e não sabe bem a origem daquilo, a forma como foi tratado aquilo. O que a gente pode é procurar por alimentos orgânicos e fazer uma alimentação equilibrada, em vitaminas, proteínas. É isso... ------------------------------------------------------------

A urinoterapia é fantástica. Aí já é o princípio da vacina. É uma auto-vacina. Digamos que a pessoa esteja com uma infecção renal por um streptococus violento. Aí ele toma sua urina com esse streptococus e a urina vai entrar como vacina aplicação. O posto estava interessado em cuidar do povo? O Dr. Luis Moura estava. GUSTAVO: Os planos de saúde gostam do sujeito que rende no hospital. DARCÍLIA: Esse é que é o problema. Ninguém quer fazer uma medicina preventiva. KÍRIA: E o mais triste é você ver o sujeito pobre pensando que se ganhasse mais dinheiro teria um plano e estaria “garantido”. DARCÍLIA: E hoje já me disseram que os planos de saúde são filas do INSS de luxo. Você entra numa fila para conseguir uma consulta, e quando vai o médico fica 10 minutinhos com você.

Lila Almendra

agruras um arfar pesado, um andar pesado, que cansa na luta do dia a busca por um respiro, uma paz os ruídos da cidade e suas demandas tampouco me pertencem há uma leve ironia em resistir, aqui, assim o consumo e o estímulo, a nota, a luz, o som, o show onde estará o eu? pelo menos vem aí a copa e tudo isso se esvai salve a seleção!

Alguns Dados sobre a Polêmica Auto-Hemo É grande a polêmica sobre a auto-hemoterapia, como ocorre com toda a forma de medicina alternativa. De um lado, a instituição médica afirma que a técnica não tem embasamento científico, que o local da picada pode se transformar num hematoma e levar a uma infecção generalizada, e que o paciente pode abandonar medicamentos que seriam importantes para a sua cura. A técnica está oficialmente proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que alertou que enfermeiros que fizerem o procedimento serão processados por exercício ilegal da medicina. Por outro lado, os defensores da auto-hemoterapia defendem que o organismo enxerga o sangue reinjetado em outro sistema do organismo (foi tirado do venal e reinjetado no muscular) como um corpo estranho, o que estimularia nosso sistema imunológico, nossa defesa contra as doenças, notadamente contra algum elemento no sangue que não vinha encontrando defesa antes. Dizem que pode prevenir e até curar doenças graves, e que a resistência da medicina dominante se deve à força da indústria de remédios. A auto-hemoterapia surgiu no início do século passado, na França, e foi estudada na década de 30 nos Estados Unidos e no Brasil. Foi trazida para Resende pelo Dr. Luis Moura, clínico que já foi presidente do INSS na década de 70 (ocasião em que começou a implantar a produção e distribuição de medicamentos gratuitos na rede pública), e que mora atualmente em Visconde de Mauá. Há depoimentos aqui na região — como o do fazendeiro e médico Aluizio Balieiro — sobre uma tradição de se curar o gado de algumas doenças com o uso da auto-hemoterapia. Aluizio diz que acredita na possibilidade de fundamentação científica da auto-hemo (quanto à urinoterapia, no entanto, ele se diz descrente, com o argumento de que ela pode sobrecarregar o sistema renal com substâncias que estavam em excesso no organismo e por isso estavam sendo eliminadas).

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10 - O Ponte Velha - Setembro de 2010

Homenagem a Ronaldo Quirino

Regina Guerra

Ninguém acreditou. Ninguém entendeu. “Quem???... O Ro-nal-do?”. A indagação percorreu as montanhas de Visconde de Mauá e de todo o Alto Rio Preto, de boca em boca, de coração em coração, em cada vila, em cada vale. Desceu a serra, se espalhou pelo Penedo e por Resende, Itatiaia. Deu um susto em todo mundo a notícia do súbito falecimento, em 23 de agosto, por enfarte agudo miocárdio, e com apenas 50 anos de idade, de Ronaldo Moreira Diniz, o Ronaldo do seu Chico, o Ronaldo do Mercado. O Ronaldo Quirino, o Ronaldo “Quirido”, tão querido - como mostrou a fila de mais de 300 automóveis que subiram da igreja de Mauá e inundaram com mais de mil pessoas o cemitério campestre no alto da estrada, onde há quase exatos seis meses, ele enterrara o pai, Francisco Quirino. E como mostraram os olhos marejados de tantos, o choro sentido de muitos, a comoção geral palpável em cada abraço, em cada palavra, em cada olhar. É que Ronaldo, em mais de 20 anos de labuta no “Mini-Mercado Dois Irmãos”, em Maringá, antes em

sociedade, como diz o nome, com Fernando Quirino e, mais recentemente, ao lado da esposa Maria José (com

Ronaldo na foto acima), conquistou a estima dos clientes

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e funcionários e, da mesma maneira que o pai Chico, e a mãe, dona Neta, o carinho de toda a grande e unida comunidade local pela bondade, simplicidade e espírito fraterno. Conforme noticiaram os jornais de Resende daquela semana, ele honrou as tradições familiares: o comércio e a política. Como saiu no semanário “Beira-Rio”, era “descendente de uma família de grande vivência política no Sul Fluminense”. O avô Antonio Quirino foi vereador por seis

mandatos e o pai por outros quatro. Ronaldo exerceu dois mandatos seguidos de vereador em Itatiaia, a partir de 1998, tendo sido presidente da Câmara Municipal entre 2003 e 2004. Na eleição passada, Maria José, igualmente popular, saiu candidata e quase entrou, alcançando a suplência e o cargo atual, de administradora da região itatiaiense de Maringá e Maromba. Zezé pertence, pelo lado do pai, o finado Elói, a uma das tradicionais famílias de migrantes mineiros fundadoras de Mauá – os Barbosa, donos de terras no Vale do Pavão. Pelo lado materno, vem dos também mineiros Paiva, uma estirpe de mulheres corajosas, que tudo construíram do nada, trabalhando ao lado dos pais e maridos, nas árduas condições da região em meados do século 20, sem luz, água encanada, transporte nem qualquer tipo de recurso: é filha de Dona Maria do Pavão e sobrinha de Helena Buhller, Eurídice e Laura, além de Marieta que, mais jovem, sofreu menos. Não é à toa que a vimos, nos momentos difíceis do velório e do funeral, mais preocupada com a dor dos filhos Ronaldo e Rafaela do que com a própria, e, no quarto dia seguinte à partida do marido, já à frente do negócio familiar, com doçura e pulso firme. Absolutamente devotado à família e ao trabalho, o meu querido amigo, onde se encontra, só pode estar orgulhoso dela – como sempre, aliás. Assim como posso imaginá-lo com um jeito meio sem-graça que fazia às vezes, disfarçando o encantamento com um “ora, que é isso? ... não precisava...” diante de um dos instantes mais emocionantes dessa despedida, que foi a “Ave-Maria” entoada em sua homenagem pelo Coral do Visconde ao fim da missa de sétimo dia na bela igreja de São Sebastião, construída por seu avô no hoje famoso vilarejo onde nasceu e cresceu.

Joel Pereira

Advogado - OAB.RJ - 141147

joelpereiraadvogado@joelpereira.adv.br

Expediente:

Av. Ten. Cel. Adalberto Mendes, 21/201 CEP: 27520-300 - Resende - RJ Fones: (24) 3360.3156 / 3354.6379

Jornalista responsável: Gustavo Praça de Carvalho Reg.: 12 . 923 Arte gráfica: Afonso Praça

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Setembro de 2010 - O Ponte Velha - 11 Joel Pereira

Salão da Primavera

Nossa História, Nossa Gente

Luiz Pistarini Esta coluna procura mostrar que foram as pessoas que dão nome a logradouros de Resende. No mês do aniversário da cidade, homenageamos Luiz Pistarini, autor da belíssima letra do Hino de Resende. Para ouvir, acessar www.resende.rj.gov.br. A Rua Luiz Pistarini começa na Praça Esperanto, confluência da Av. Albino de Almeida com a Rua Alfredo Whately, e termina na linha férrea. O CEP dessa rua é 27542-090. Existe também, na Fazenda Boa Vista, em Bulhões, a Escola Municipal Luiz Pistarini. Nosso homenageado nasceu aqui em Resende, no dia 25 de julho de 1877, e aqui faleceu em fevereiro de 1918. Filho do maestro italiano Luiz Pistarino e de Dona Deolinda da Cruz Pistarini. Casou-se com Carlota Pinto Ribeiro Pistarini, com quem teve uma filhinha de nome Lhais. Além de jornalista, Pistarini foi um grande poeta. Ficou conhecido como o poeta do amor. Publicou dois livros de poesia: Bandolim e Sombrinhas Postais. Após a sua morte, já em 1924, foi publicado outro livro seu, Agonias e Ressurreições. Hino de Resende Música: Maestro Lucas Ferraz Letra: Luiz Pistarini

Resendenses, entoemos um hino Que fulgure qual mundo de sóis A esta terra que é um berço divino De poetas, de artistas, de heróis! Eia, pois, fervorosos saudemos De Resende, a cidade gentil Onde o berço, entre flores, tivemos Sob um céu todo azul, todo anil! (estribilho) Chovam bênçãos de luz sobre o dia Em que o seu centenário ela faz! Que nos enche de doce alegria Que ventura tão doce nos traz! De outro século o sol majestoso Surge agora imponente brandão Deste vale, dourando amoroso Toda a nova e aromal floração! O Itatiaia emergindo das brumas Ei-lo, o século novo a saudar! E o Paraíba o seu manto de espumas Vai contente e cantante, a arrastar. Que este dia, da Pátria, na História Fulja sempre com mago esplendor! E que viva na nossa memória Todo luz, todo paz, todo amor!

Vem aí, para nosso deleite, o Salão da Primavera, com abertura no dia 11 e se estendendo até 29 de outubro, com entrada franca, de segunda a sexta, das 9 às 17 horas. Na abertura vai ter apresentação dos alunos da Escola de Música Aniceto Senna.

Grande Festival Como sempre acontece, foi ótimo o Festival de Teatro de Resende, movimentando a Praça da Matriz, acalentando a idéia de vermos o Centro Histórico de nossa cidade revigorado e com manutenção, o que acontece em tantas outras cidades do vale e para nós é um problema. Muito boas as montagens, tanto infantil quanto adulto, nos trazendo novidades tais como a literatura africana de Mia Couto.

A arte de Mauá O Centro Cultural Visconde de Mauá e o MAM de Resende estão promovendo uma exposição dos artistas de Mauá que têm obras no acervo do Museu. A exposição faz parte das comemorações dos 60 anos do MAM. As obras estão expostas no Centro Cultural e ficarão abertas à visitação aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 18 horas. São os seguintes os expositores: Antônio Barbosa, Cássia Freitas, Cecília Portugal, Claudia Simões, Fernando Fleury, Ivan TV, Luiza Ramagem e Marcius Lima.

Andando no Verde

REFERÊNCIAS: + Site oficial da cidade de Resende: www.resende.rj.gov.br; + Torres, Artur de Almeida. Poetas de Resende. Editora Imprensa Estadual: Niterói, 1949; + Acervo Itamar Bopp, gentilmente cedido pelo Dr. José Eduardo de Oliveira + Bruno, Engenheiro, Administrador e Historiador.

A Anda Brasil – Confederação Brasileira de Caminhadas (www.andabrasil.com.br) está organizando a IV Caminhada na Natureza – Circuito Penedo, pelas trilhas, atrativos naturais e culturais de Penedo, que acontecerá no dia18 de setembro. A ideia é reunir munícipes e turistas no exercício da caminhada. A saída será da Praça Finlândia, no centro de Penedo, das 8 às 10h, terminando no mesmo local; totalizando um percurso de 10 km. A coordenação é de Moacir Rodrigues, grande amante de Penedo.

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12 - O Ponte Velha - Setembro de 2010

Rua Cunha Ferreira... Memórias Falar de ruas, esquinas e memórias parece melhor para o espírito que vociferar contra omissões de empresas e governos poderosos pondo em risco o meio ambiente, este cenário de batalha do ser pela sobrevivência planetária. Senhor das galáxias, não abandone a pequenina nau aprisionada pelo sol varando infinitos. Apascenta minha alma eis que posso ainda crer que outros gritarão por mim contra as ameaças do petróleo arrancado dos mares e siderúrgicas afrontando a paisagem, à fimbria de deslumbramentos, ares e águas. Nestas noites de agosto fico reverentemente com jornais amarelecidos que falam de outra Resende. Concentro atenções em textos ingênuos, prosaicos. São relatos de “causos” e fatos, idos, mas densos para quem não perdeu de todo a sensibilidade. Na verdade, o mais das vezes, são diletantes contando histórias. Triste seria constatar que não teriam vez hoje, caso procurassem as mídias. Gritariam em ermos onde imperam descasos, deboches e inconseqüências, a maior das quais o esquecimento Muitas vezes os motes para tais manifestações eram as ruas da cidade. Os poetas antigos não cansavam de alertar que todas tinham alma. Outrora eram denominadas de direita, de cima, de baixo, da fonte ou lembravam nossa historia. No século passado passaram a receber nomes de profissionais liberais, militares,

religiosos, políticos e cidadãos que contribuíram para que chegássemos até aqui com alguma liberdade e dignidade. Felizmente, por mais que se escarafunchem os arquivos, estes próceres ostentavam invariavelmente fichas limpas, diferentemente de muitos que ousam apresentar seus nomes para nos representar no processo político eleitoral em curso. Também tenho algo a dizer neste rumo de ruas, aos ventos leves da prosa. Como sabem, houve um tempo mais gentil, mais humano e nossas vias centrais recebiam e devolviam eflúvios de vida à população. As caudatárias da Praça, Eduardo Cotrim, Padre Manuel Marques, 15 de Novembro, Luiz Barreto e a Dr. Cunha Ferreira eram espécies de artérias vitais para os negócios, empreitadas e demandas. Lá palpitavam um banco, lojas, cartórios, bares, restaurantes, vendas, o hotel e escritórios advocatícios, etc. e bota etc. nisto. Em um destes escritórios, o do Dr. Badger, futuro Governador do Estado, genro do Dr. Ferraiolo, ex-prefeito da cidade e detentor do mais importante cartório, vivi momentos interessantes que se relacionam com os propósitos delineados na introdução. Ocupávamos, eu e minha irmã, uma mesa cedida pelo Dr.

Badger. Ela era a “correspondente” do antigo IAPC e eu, ainda criança, seu fiel escudeiro, menino de recados, cobrador, etc. e tal. Moleque do Alto dos Passos, sabia de cor o nome do juiz, promotor, prefeito, advogados e do delegado, o pequenino

Dr. Galvão, o terror dos “pingaidas” de fim de semana que eram na época os únicos infratores na ainda pacífica cidade. Getulio Vargas, então Presidente, na investidura dos cinqüentas, sempre que vinha a Resende para as solenidades militares de praxe hospedava-se na mansão do Ferraiolo. Um dia, vi o já encanecido dono do cartório afixar sobre o amplo sofá da recepção o emblemático cartaz ostentando a sorridente figura do velho Presidente com os célebres dizeres “O PERTRÓLEO É NOSSO”. Creio que recebera na véspera, em casa

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e em primeira mão, o “poster” informando a iminente criação da Petrobras. Minha genitora, devota irrestrita e eleitora fiel do caudilho gaucho(e porque não dizer grande político) quando soube do fato, vaticinou:Será a nossa redenção!Pobre mãe... Ainda bem que já não pode ver o preço da gasolina no posto da esquina. Neste mesmo sofá, sob o cartaz, de outra feita conversavam, em inglês, o Ferraiolo, um gringo e aquele que é considerado nosso escritor maior (em prosa) Macedo Miranda. Não sei o que este último fazia ali e juro que não pratico ficção. Quanto a mim, com um livro didático do primeiro ginasial em mãos mastigava as primeiras palavras do idioma de Willian. Conheci então a palavra AGAINST, que um dia me servirá de epitáfio, a prevalecer o estado de coisas no pais. Compreendendo o real significado do vocábulo, num ímpeto infantil fui em direção aos três querendo mostrar minha descoberta erudita.Levei um tremendo pito do Ferraiolo, quem sabe preste a realizar alguma incipiente, para época, consultoria petrolífera que muito provavelmente prejudiquei, assustando o gringo na condição de criança pretensamente radical e contra a estatal em fase final de gestação. Interessante seria frisar que na adolescência fui apaixonado defensor da empresa, coisa que com o tempo desvanece-se. Só quero mostrar que a Cunha Ferreira era demais, isto sem falar do bar da Dodô (foto), que veio depois... De minha mesa, olhando em frente estava o

José Alberto Somavilla escritório contábil do “Santinho”, que embora cego, era responsável pelas mais importantes escritas da cidade. Na esquina,em frente aos prédios, um de 1909 e o outro de 1930, ficava o cartório dos carvalhos, onde pontificava um outro Noel, gentleman, e onde as moças lindas da casa enfeitavam as janelas nas amoráveis noites de maio e de setembro. Por perto, a venda do Bia e irmãos. Depois se instalou a telefônica e em frente o Banco do Brasil ocupou o prédio onde fora o banco rural, hoje sede do poder legislativo. Mais para baixo, a venda do seu Gonçalves e uma leiteria (!). Perdoem-me os remanescentes e estudiosos se omito nomes e memórias, tantas eram as efervescências da Cunha Ferreira... Não posso esquecer também o dia em que assoviava a valsa opus 64 de Chopin quando alguém, entrando na sala, fez coro, ou assovio comigo. Era o inesquecível Robert Donatti, ex-proprietário da Casa Guarani, no Rio, que exercera um dos mais antigos comércios fonográficos do país. Posteriormente foi criador da pousada e hotel que tem seu nome em Itatiaia. Presenteou-me, pelo simples fato de ver um menino pobre apreciar música clássica, com duas coletâneas editadas em 1920, relíquias que conservo com muito apreço e respeito ainda hoje. Como conclusão, teria o indeclinável dever de falar sobre o insigne Dr. Cunha Ferreira, mas não o farei. Deixarei a prerrogativa para tantos que recebem dos cofres públicos com o fito de preservar a memória de nossa terra e vivificar a cultura. Tenho certeza de que o pleito está em boas mãos.Saudações.


Jornal Ponte Velha - Setembro de 2010