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RESENDE E ITATIAIA - NOVEMBRO DE 2012 Nº 199 . ANO 17 - JORNAL MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

“Meu cortinado é o vasto céu de anil, e o meu despertador é o guarda civil, que o salário ainda não viu. O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu...” (Noel Rosa)

contato@pontevelha.com www.pontevelha.com

A arte vai namorar com a cidade este mês Nesta edição, encarte sobre a II Mostra de Arte Urbana de Resende marcela antunes

Três crônicas do novo livro de Gustavo Praça Poema de Manuel Bandeira / Memória de Arcílio Guimarães Maconha e Espiritualidade / A nova força política que começa a nascer em Resende O Parque da Pedra Selada deve incorporar os saberes da roça / Quem matou a Lagoa da Turfeira? Vagas para classificados do ENEM em Harvard / Homeopatia e Futebol / É possível o ônibus a um real


2 - O Ponte Velha - Novembro de 2012 1) E AGORA, JOSÉ? Consta que, há muitos anos, na corte do rei Dionísio, em Siracusa, Sicília, existiu um cortesão chamado Dâmocles que era louco para experimentar o lugar do rei. Cansado do invejoso, Dionísio resolveu lhe dar uma lição, e o convidou para passar um dia em seu lugar, em uma maravilhosa festança. Dâmocles, após se divertir muito, percebeu que, acima do trono, bem em direção à sua cabeça, existia uma afiada espada presa apenas por um delgado fio. Desesperado, saiu dali na primeira oportunidade, e foi devolver o trono a Dionísio, que se divertiu com o apavoramento do súdito e lhe explicou que o poder é assim mesmo: há sempre uma espada de Dâmocles sobre a cabeça de quem governa. O perigo pode vir dos tribunais, dos conselheiros, dos partidários, dos adversários etc. A espada de Dâmocles do Rechuan é a Justiça. Tramitam vários processos contra ele. Como são muitos, é grande o risco de ele ser condenado em algum, o que poderá implicar na perda de seus direitos políticos. Nada obsta, porém, que ele seja absolvido e prossiga em sua vitoriosa carreira. Nada impede, também, que seus advogados, em caso de condenação, apresentem os devidos recursos e consigam prorrogar o desfecho da questão para além de 2016. De qualquer modo, por questões de prudência e inteligência, Rechuan certamente irá preparar um sucessor (ou sucessora) e o (a) manterá no bolso do colete, para uma eventual necessidade, ou, melhor ainda, tentará enviar seu curinga para a Assembléia Legislativa, onde poderá permanecer ou voltar, na tentativa de recuperar o mandato eventualmente ceifado do rechuanismo. Enquanto isto, Rechuan continuará nadando de braçada: maioria na Câmara; novo/velho secretariado, já com os expurgos devidos; candidata imbatível para a Assembléia Legislativa, em 2014; cidade com boa arrecadação. Quem sairá e quem entrará no CICC (Conselho

Cabo Euclides e Professor Silva

POLITICÁLYA Informal da Cozinha do Chefe)? Como não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe, em 2016 Rechuan não poderá candidatar-se a reeleição. Porém, se a reforma política abrigar mesmo a coincidência de mandatos, talvez seu mandato seja prorrogado até 2018. O homem joga bem ... e dá sorte! 2) COMO FICARÁ A OPOSIÇÃO, EM RESENDE? NOEL DE CARVALHO - o líder maior do carvalhismo, ainda o político resendense com o melhor currículo, está juntando os cacos, mantendo a serenidade de quem sabe ter prestado um marcante serviço à sua terra, com suas grandes realizações. Na hipótese de o Rechuan perder o mandato, Noel sairá fortalecido e poderá reassumir a preferência dos eleitores resendenses. De moto próprio, Noel também poderá reconquistar sua posição política, desde que redirecione seu Marketing, pois realizações ele as tem, de sobra. Apenas a título de raciocínio, se Noel tivesse os marketeiros do Rechuan, poderia ter concorrido com o Obama. CÉLIO CALOCA - o único vereador que ainda teve peito de ser oposição, no último governo, e isso quase lhe custou o mandato. Ganhou a eleição, na rabeira, com apenas 659 votos, votação muito inferior aos 1.251 votos conquistados no penúltimo pleito. É possível que agora ele queira descansar um pouco, pois brigar sozinho contra muitos, cansa o lombo. Afinal, Caloca precisará usar bem esses novos quatro anos para recompor sua base eleitoral. Só votando requerimentos e analisando contas, nenhum Vereador consegue fazer carreira. O filet mignon do Vereador é emplacar indicações no interesse de sua comunidade, mas para isto tem que ser amigo do Rei. JOAQUIM ROMÉRIO, com

seus 1.062 votos, foi o mais votado da oposição. Mesmo com o naufrágio de seu grupo, Romério bateu, de novo, a casa dos mil votos. Só que, mineiramente, nunca fez oposição sistemática ao Rechuan. Sabe que o Vereador limitando-se às funções de legislar e de fiscalizar não se reelege. A população espera mais de seus vereadores. As indicações para a comunidade, para os bairros, talvez sejam vistas com maior importância pelo eleitorado. Romério é habilidoso, acostumado com a lides rurais, de onde se extrai leite de vacas... e de pedras. Terminou sua formação extra-acadêmica atrás de um balcão de açougue, no difícil dia-a-dia do comércio. Depois, cursou alguns anos de Economia, fechando seus conhecimentos de como a sociedade funciona. Tem até vontade de ser Prefeito, mas o momento não é propício para ele tentar a liderança da oposição, em Resende. DR. ALUÍZIO BALIEIRO, com seus notáveis 990 votos, também se credencia a administrador da massa falida da oposição. Foi Vereador em duas oportunidades (1989/92 e 1983/96) e Presidente da Câmara, em 1993. Opera um requisitado consultório, além de ser fazendeiro e comerciante com evidentes sucessos. Seus filhos estão muito bem: um é Juiz de Direito; o outro, requisitado oftalmologista. Aluízio não precisa de política para viver, e nunca viveu correndo atrás de cargos. Mas, é sabido que adora a atividade e tem um razoável relacionamento com o Rechuan. Se conhecemos bem o José, ele trabalhará no sentido de atrair o Aluízio (e o PSD) para a sua base eleitoral, o que seria muito bom para a cidade. JULIANELLI - Também não se pode deslembrar esse

médico, que acabou sendo o mais anti-rechuan dos rechuanistas. Não que sua vontade fosse ser oposicionista, mas porque é intransigente. Especialmente nos assuntos programáticos e de ambientalismo, foi uma pedra no sapato do Prefeito. Por causa dele, consta que José incluiu, em suas orações, uma prece árabe: “Senhor, me defenda dos amigos, que dos inimigos eu mesmo me defendo!”. Julianelli é militar reformado (Coronel do Exército), médico concursado do INSS e com requisitado consultório particular. Em política, reúne 3 grandes bolsões de votos: 1- a comunidade acadêmica, onde desfruta de excelente conceito junto aos seus ex-companheiros de armas e seus familiares; 2- agradecidos pacientes e seus familiares, embora Julianelli não trate de política em seus consultórios, não há como impedir que os clientes o sigam, politicamente; 3 - eleitores mais politizados - sendo uma referência ética para muitos, O Dr. atrai o voto dessas pessoas que costumam dissecar a conduta de cada candidato. Partidariamente, sua atitude, na última eleição, deixou muito a desejar. Após registrar sua candidatura, renunciou a ela e deixou todo mundo falando sozinho no partido (PSB). Reabilitou-se com uma parte dos pessebistas, na medida em que deu uma mãozinha para o Dr. Irani. Fora do partido, no entanto, Julianelli continua na crista da onda. Porém, quem se propuser a liderar a oposição em Resende terá que aproveitar a chamada solidariedade ocasional: “você não admira o fulano, mas o aceita na oposição ao sicrano - seu adversário maior”. Ou seja, o sujeito pegou um fuzil e não o virou para o seu lado, é amigo! Julianelli jamais aceitará isto, o que o afasta como líder de oposição. 3) UMA NOVA FORÇA POLÍTICA EM RESENDE:

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“Para vencer eleição é preciso estar sintonizado com os interesses imediatos do eleitor, mas não vale a pena vencer se não estiver sintonizado com os anseios e as possibilidades do futuro do país”. Esta bela filosofia é do Senador Professor Cristovam Buarque, publicada em sua coluna no Jornal O Globo, de 03/11/12. Adaptada ao municipalismo, resume o pensamento político do Dr. Julianelli, candidato natural a uma das lideranças da Nova Força Política de Resende. Que não se fale em “terceira via”, pois terceira é a que vem depois da segunda e da primeira. A Nova Força quer ser a primeira, desde que alicerçada em objetivo de desenvolvimento sustentável e ético, com ênfase nos princípios estampados no artigo 37 da Constituição Federal, quais sejam: a Legalidade, a Impessoalidade, a Moralidade, a Publicidade e a Eficiência. Não por acaso, esses 5 princípios formam a sigla LIMPE. A Nova Força não pretende ser de oposição a ninguém, nem de aceitação cega. Será a favor da ética e contra qualquer medida que a afronte. Por princípio, não almeja ser um aglomerado de políticos, em solidariedade ocasional, o que, já dissemos, não se encaixa no perfil do Julianelli. Aqui, as alianças poderão se processar em torno de ideias, não de pessoas. Se o Dr. Aluízio também se incorporar à Nova Força, será mais um líder de respeito, pois comunga de princípios éticos e desfruta de excelente conceito. Enfim, tem muita gente boa em Resende esperando uma oportunidade como essa ...

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Novembro de 2012 - O Ponte Velha - 3 Manuel Bandeira

Maconha e Espiritualidade

NA BOCA

Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval Paixão Ciúme Dor daquilo que não se pode dizer

Gustavo Praça

Um dia desses, no Beira Rio, a Ana Lúcia escreveu um texto crítico sobre uma reportagem em que a revista Veja demonizava a maconha. Ana Lúcia questionava os dados “científicos” e levantava a hipótese da reportagem ser parte de uma campanha para barrar a descriminalização e justificar a limpeza social das nosssas cidades durante os mega-eventos que vêm aí (eventos, por sinal, que devem ser de grande importância como investimento social, uma vez que são produzidos por gente que supostamente não fuma maconha e não tem, portanto, os neurônios prejudicados). Aos questionamentos da Ana sobre o valor científico dos dados da revista, quero agregar um depoimento empírico. Nunca fui um maconheiro exemplar, porque sempre tive problemas com a cannabis. Ela me provoca uma divisão mental, como se meu eu ficasse perdido. É preciso relaxar e trabalhar a questão para me centrar novamente. A medicina chama isso de tendência esquizofrênica. E eu desconfio que esse rótulo indique um forte efeito colateral de uma erva medicinal sobre almas mais adoentadas - ou, talvez, sobre almas já contemplativas por natureza e precisando de equilíbrio para outro lado. Porque o valor da cannabis para a alma parece ser o encaminhamento a estados meditativos, contemplativos. A contemplação não se coaduna com a sociedade produtivista, e pode ser esse o motivo inicial da estigmatização. Não se discrimina o vegetal que atua no fígado ou no controle da pressão arterial. Mas o que atua na mente é subversivo. Durante toda a vida nós introjetamos a produção permanente, até os idosos são pressionados a isso, e os nossos egos reagem quando estimulados ao abandono. Embora eu tenha conhecido pessoas com o meu problema (como outros têm problemas

com o alcool), tive e tenho muitos amigos fumantes contumazes de maconha que nunca passaram por essa minha questão meio esquizofrênica, e que eram e são até hoje pessoas bem resolvidas, que equilibram seu trabalho e seu ócio, a meu ver com um nível de sensatez e tranquilidade maior do que o dos “homens gravemente sãos” - para usar uma imagem do meu querido Marcos Cotrim. E — para voltar aos dados científicos da revista Veja — se é que a cannabis destrói alguns neurônios, quem sabe isso seja um aperfeiçoamento dessa nossa mente “inteligente”? A humanidade dirigida por essa inteligência “saudável” padrão, cheia de tantos neurônios, orgulhosa desse imenso número de neurônios, está dando com os burros nágua. Talvez alguns neurônios mais medíocres - responsáveis pelo esquecimento do Ser, pela doentia sede de poder - devam mesmo perecer, num processo de seleção natural. Outro dia, O Globo publicou: “Em

Washington, a aprovação do uso recreativo da maconha, em referendo realizado junto com a eleição americana, estabelece um sistema por meio do qual o Estado concede autorizações para o cultivo, o processamento e a comercialização da droga. Adultos maiores de 21 anos poderão comprar até 28 gramas de maconha. A lei aprovada em plebiscito também estabelece um limite para a presença da droga no organismo de motoristas flagrados sob efeito da substância. As informações são da Associated Press”. O FH já falou. E o Bezerra cantava: “ Presta atenção, essa erva é que faz garrafada no norte/ Manga rosa controla a pressão, agrião e saião deixam o pulmão forte/ O progresso vai se alastrando e o vegetal vai sumindo da praça / Com a natureza estão acabando, a cada dia que passa”. E esse papo de caô caô, seu dotô, me dá um nó na garganta / O Gabeira lutando sozinho em Brasília pra liberar nossa planta”

Rei das Trutas (Direção Irineu N. Coelho)

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Felizmente existe o álcool na vida e nos três dias de carnaval éter de lança-perfume Quem me dera ser como o rapaz desvairado! O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas e gritava pedindo o esguicho de cloretilo: - Na boca! Na boca! Umas davam-lhe as costas com repugnância outras porém faziam-lhe a vontade. Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados Dorinha meu amor... Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro: - Na boca! Na boca!

expediente: Jornalista responsável: Gustavo Praça de Carvalho Reg.: 12 . 923

Arte gráfica: Afonso Praça 24 . 3351 . 1145 // 9301 . 5687 contato@pontevelha.com www.pontevelha.com

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4 - O Ponte Velha - Novembro de 2012

Sustentabilidade e o ônibus a um real

Curtas * O Studio Pilates Daniela Soria, em Penedo, completou cinco anos. Parabens à Dani, que além de ótima professora é grande amiga de seus clientes. No estúdio da fisioterapeuta escuta-se música da melhor qualidade. O vasto acervo musical incluí standards do jazz e boa MPB.

marcela antunes

Jose Roberto de Paiva

José Roberto De Paiva Na revista Planeta de outubro há uma reportagem sobre a cidade de Viena, a capital austríaca, onde vivi por cinco anos. É destacada a vontade política e social que o vienense tem de tornar sua cidade uma cidade sustentável. Coleta seletiva, Rio Danúbio limpo usado para o lazer, compostagem com o lixo orgânico gerando toneladas de adubo, passeios na natureza preservada e ... transporte público. Sustentabilidade: um termo que vem sendo abordado à exaustão, que se torna até um saco quando se repete. E pouca gente sabe o que realmente é, repete por modismo. Em Viena o termo não é muito usado, mas o conceito é buscado ao extremo. Não se pode falar numa sociedade sustentável que tenha o carro particular como paradigma do transporte. Cidade sustentável tem de ter seu sistema de transporte centrado no transporte público e na bicicleta. Na revista fiquei sabendo que o ticket com passagem anual para o metrô baixou de preço, agora a 365 euros. A passagem agora custa um euro por dia, para o vienense. E vale para qualquer modalidade; metrô, trem, ônibus ou bonde, à vontade, a um euro por dia. Na verdade cada viagem custa três euros; um turista desavisado terá que pagar esse valor. Mas há opções para comprar passagens para uma semana, um mês ou para o ano, sempre com reduções significativas. Tenho amigos em Viena que não têm carro por opção. E ainda, as bicicletas andam em vias próprias ou, quando estas vias não existem, elas têm a preferência no trânsito.

* Um almoço bem em conta e muito bem feito é o do Crepes e Sabores, pequeno bistrô da simpática Evian, na Avenida Brasil, em Penedo, paralela à avenida principal

E mesmo para ônibus e bondes que circulam na superfície, não há engarrafamentos, pois trafegam em pistas exclusivas ou também têm a preferência no transito. Durante a recente campanha política para prefeito, alguns candidatos apresentaram a proposta do transporte público a um real a passagem (Noel de Carvalho e Zoinho). A proposta foi tomada como demagógica; não é, e se quiserem pensar em sustentabilidade sem a hipocrisia atual, ela deve ser tomada em conta. A passagem do ônibus em Buenos Aires é menos do que cinquenta centavos de real. O mesmo vale para o metrô; custa no máximo um peso argentino, que ainda vale menos do que o real. É inexplicável que se fale em sustentabilidade e se dê facilidades

para a compra de carros, que abarrotam as cidades e não conseguem andar. O governo faz renúncia fiscal de milhões de reais nas compras de automóveis. Subsidiar o transporte público custaria muito menos e teria efeito bem melhor, até na cultura do povo. Facilitar o trânsito do ônibus, encurtando os tempos de viagem, seria uma medida salutar. Uma viagem do Rio para Resende, normalmente feita em duas horas e meia, está sendo feita em até 4 horas. Se querem falar de sustentabilidade deixem a hipocrisia de lado e discutam alternativas de transporte publico que incentivem seu uso. No futuro o automóvel será utilizado da mesma forma que as bicicletas do Rio e que existem em Viena desde o começo do século. Pega-se num ponto, devolve-se em outro e

serão utilizados somente quando não houver transporte publico; em viagens de férias, por exemplo.

* E dizem os amigos do Ponte que são uma beleza as pizzas que o Raizinho faz na nova Deck Pizzaria, no Penedo. A Deck fica na sobre loja do Le Café, no Shopping Via Láctea. Do terraço, saboreia-se as massas e observa-se o movimento da balada.

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Novembro de 2012 - O Ponte Velha - 5

Seriam os japoneses trapalhões?

Eliel de Assis Queiroz Claro que não. Os japoneses são sérios, trabalhadores, competentes, minuciosos, e profissionais ao extremo. Então, por que uma empresa japonesa, como a Nissan, uma das grandes jogadoras do mercado mundial, tem se metido em tantas trapalhadas na implantação da sua montadora de automóveis em Resende? O mais novo capítulo desta novela envolve uma das empreiteiras contratadas para preparar o terreno da futura montadora. Parece comédia de erros, mas sem a mínima graça. Tem horas que parece novela da Globo, recheada de Carminhas e Tufões, principalmente Tufões, que nada viram, nada sabem e que são os últimos a saber. Se no desfecho da novela da Globo o tema principal era “quem matou o Max?”, na novela da Nissan a pergunta que não quer calar é: “quem matou a Lagoa da Turfeira?”. Estamos chegando ao final deste primeiro ano de instalação da fábrica e tudo continua nebuloso, sem transparência, sem culpados. Vários fatos causam espanto e perplexidade. Por exemplo: por que uma empresa como a Nissan não se preocupou em saber como funciona a legislação ambiental brasileira, que exige etapas que não foram cumpridas por ela? Quem assessorou a Nissan no seu processo de licenciamento? Citei acima o caso de uma empreiteira contratada pela Nissan. Este é um caso exemplar para comprovar o que estou aqui afirmando. A Nissan contratou uma empreiteira para fazer a extração de terra (minério) para ser utilizada na preparação do terreno. Esta empresa é a Lopes Moço Construtora e Comércio Ltda. Esta empresa começou a operar com uma licença ambiental concedida pela Agência do Meio Ambiente de Resende (AMAR), que

não tem prerrogativas legais para dar este tipo de licença. Extração mineral, como é o caso da extração da terra, só pode ser concedida pelo órgão competente do Ministério de Minas e Energia. Ao saber da ilegalidade da sua contratada, a Nissan rescindiu o contrato com a

Vigésima Vara Cível, ação ordinária num. 0037126-46.2012.8.16.0001. Segundo informações obtidas no canteiro de obras, a Lopes Moço voltou a realizar a extração de terra no local e a estocar este material no terreno da Nissan. A Lopes Moço foi legalmente licenciada

então, tem que ser assim aqui neste nosso país que um dia pretende ser justo? Já vi muita gente boa e honesta, principalmente da zona rural, sendo aniquilada por fiscais do meio ambiente por uma simples poda de um galho sem licenciamento prévio. Por que o Seu João não pode e a

Lopes Moço. Ponto para a Nissan. Eu estava junto com os membros do Conselho do Meio Ambiente de Resende na visita promovida pela AMAR ao canteiro de obras da Nissan, e fui um dos que questionaram a legalidade da licença dada pelo município. A Lopes Moço recorreu à Justiça para reverter a rescisão contratual. A ação foi ajuizada no Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba,

para poder voltar a extrair esta terra? A Nissan voltou atrás na rescisão contratual? E a denúncia do INEA contra a Lopes Moço, que fim levou? É muito mistério, é muita nebulosidade e total falta de transparência. Por que não cumpriram o Estatuto da Cidade, que é uma lei federal que obriga a realização de audiências públicas para este tipo de empreendimento? Por que não cumpriram a Lei Orgânica Municipal que também tem um rito para este tipo de atividade? No Japão é assim? E na Alemanha, França, USA, e demais países ricos, também é assim? Por que,

Nissan pode? Dois pesos e duas medidas? Se a Lopes Moço não está legalizada, a obra tem que ser paralisada. Nada justifica o atropelo da lei, nem o pobre do Seu João, muito menos a rica Nissan. Se de um lado nos animamos com a atuação recente do STF, no caso do mensalão, por outro, como neste caso da Nissan, ficamos decepcionados imaginado que o julgamento do mensalão é um ponto fora da curva, e que a nossa realidade é essa mesma, onde só pobres, pretos e prostitutas vão para a cadeia, como dizia Ulysses Guimarães.

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6 - O Ponte Velha - Novembro de 2012

Trem Parador

Gustavo Praça

um trem de histórias entre Rio e Mantiqueira

Nas páginas centrais desta edição publico três textos do novo livro de bolso que vou lançar em dezembro -Trem Parador. São memórias em forma de crônicas. Vivi entre Rio e Mantiqueira desde garoto, e fiz parte da geração que em meio aos anos 70 deixou a grande cidade em busca do campo. Isso foi o movimento determinante do rumo da minha vida e não poderia deixar de marcar o livro, mas não se trata de historiografia nem de tese; é mais arte e sonho, como são, aliás, as nossas vidas. Muitas das narrativas, inclusive, não têm a ver especificamente com o tema. Espero que seja leitura agradável. Na foto da capa estou eu (de braços muito finos), meu irmão agachado e três meninos de Mauá, em 1955. No fundo, a casa onde passávamos as férias, que ficava onde é hoje o Shopping dos Imigrantes e o Centro Cultural. Quero fazer lançamentos em Penedo, Mauá e Resende. Divulgarei na edição de dezembro. Sou muito grato aos empresários que, como sempre, me apoiam, nos livros e no jornal. A eles, de coração, dedico o livro.

Viagem na Federação das Indústrias Estou com uma calça muito esquisita, que vai só até ao tornozelo, e por cima dela ainda tem uma bermuda de outra cor. Reparo também que minhas sandálias de couro estão bem gastas, uma delas abrindo uma boca entre as solas, no bico do pé. Levanto o olhar e vejo no espelho do guarda-roupa que meu cabelo está horroroso, grande e armado igual a um capacete. Como é que eu vou trabalhar assim?! A meu lado, minha filha arruma suas coisinhas numa mochila, tudo muito organizado. Ajudo-a, mostrando que esquecera de guardar dois brinquedos — e nessa hora acordo, e a angústia vira alívio. Não “trabalho” mais, não “estudo” mais; já estou no meio do segundo tempo do jogo da vida, sei que ele foi ganho e ao mesmo tempo está perdido; já tenho paz. Levanto, visto uma calça puída e calço minhas havaianas, que hoje vou fazer uns reparos elétricos aqui no Pé da Serra, nossa espécie de aldeia de quatro casinhas além da minha. Numa delas mora minha ex-mulher, em outra minha irmã, e nas duas restantes pessoas que sempre se tornam amigas. Fico sem camisa porque está calor. E lá venho eu descendo a ladeira Mundo Novo, em Botafogo, de terno e gravata, em direção à sucursal carioca de O Estado de São Paulo. Com alguma goma para abaixar o cabelo e ansioso por não ter certeza se a onda do ácido já tinha mesmo passado. Eu e o Bruno, que morava comigo, tínhamos tomado no meio da madrugada e faláramos sem parar até o dia amanhecer. O Bruno nesse tempo não fazia nada; em geral eu pagava o café com pão pra ele de manhã, na padaria da esquina da Marquês de Olinda. Pra rachar o aluguel acho que arrumava com a família — a familia tinha grana, o pai tinha sido deputado, e embora naquela época tivesse proscrito o Bruno a mãe devia lhe dar algum. O que eu invejava nele era a despreocupação. Eu era uma pilha de ansiedade e acho que se estivesse desempregado ia ser pior ainda. Invejava também a facilidade que o Bruno tinha com mulher. Arranjava a toda hora, porque era bonito, tinha charme, estava sempre relaxado. De uma curva da ladeira dá pra ver a Casa de Saúde Dr.Eiras. Hospício. Uns internos estão no jardim a essa hora. Um deles, ainda de pijama, desembrulha um pacotinho que deve ter sido mandado pela família. Naquele momento, o invejo. Jornal é uma coisa que foi feita pra gente pegar sem que ninguém tenha ainda amarrotado e ficar lendo no banheiro de manhã, não para ser jornalista.

(continua na página 7, após o encarte)


Novembro de 2012 - O Ponte Velha - 7 (continuação da página 6) Subo no elevador cabreiro, olhando pra cima, porque o ácido voltou a bater. Entro na redação, vou direto até uma coluna de alvenaria onde eles penduravam uma prancheta com as matérias que cada repórter tinha que fazer no dia (tinha um engraçado lá que gostava de se encostar nessa coluna e falar assim: “minha coluna aqui no jornal”). Vejo a minha pauta e saio rápido, digo no máximo um “ e aí?”. Por sorte a pauta não precisava de fotógrafo, era só eu. Era a cobertura de uma palestra que um economista da Fundação Getúlio Vargas ia fazer para um grupo de empresários franceses na Federação das Indústrias. A Federação das Indústrias ficava (ou fica) num dos últimos andares de um dos prédios mais altos do centro do Rio, e eu comecei a me sentir mal já no começo da palestra. Aqueles ternos muito bem cortados estavam todos me olhando, a visão do centro do Rio muito lá em baixo dava vertigem, o cara fazendo a palestra em francês. Era evidente que eu viera de outro planeta e que eles já haviam detectado; cochichavam sobre mim, começavam a me cercar, eu tinha que sair dali. Consegui ir embora, apesar de ser muito responsável e cumpridor do dever - um grave defeito quando o dever não é aquele. Andei o dia inteiro sem parar pelo centro do Rio. Só no fim da tarde o efeito do ácido passou. Entrei na redação direto para uma máquina, botei a lauda nela e escrevi o que eu achava que o sujeito tinha falado sobre as vantagens de se investir no Brasil naquele momento. Saiu na edição do dia seguinte e ninguém nunca reclamou de nada. Se bem que um dia o diretor da redação falou comigo assim: “o que acontece com você, ô Praça? O pessoal lá de São Paulo diz que tem matérias tuas que são uma beleza, que parece até o Carlos Drummond (ele quis me bajular, mas ele falou isso), e outras que são uma porcaria”. Aí me chamou para almoçarmos juntos. Que merda. Ficou o tempo todo dizendo que eu escrevia bem mas a minha falha era que eu pensava pouco no jornal. “ Você tem que tomar o café já pensando no jornal, vir pra cidade pensando no jornal”. Eu ouvia quieto, e sabia que aquilo era a voz de “Deus” me dizendo para achar o meu lugar certo no mundo.

Alma Esticada O avião a jato passava todo dia e, na hora, eu e o Seu Ditinho Merenciano parávamos de capinar o milho. Apoiávamos nos cabos das enxadas e ficávamos olhando para cima, mas nunca o víamos, era sempre só o barulho agudo. Nem os do avião podiam ver nós dois enfiados num colinho escondido da Mantiqueira. Durava uns instantes, e depois reinava outra vez o regatinho, os pios no mato, o vento no milho. E minha alma ficava esticada entre a idade média e a pós moderna, numa passagem maior na aventura humana, como a gente experimenta também ao ver filmes de época ou ao voltar, já velhos, a lugares da infância e ver as camadas arqueológicas. O tempo é um roteiro melhor do que o espaço, ainda mais quando o espaço se padroniza. E o Merenciano prepara o cigarro de fumo de rolo ensejado com a extemporaneidade. E me conta que havia um fazendeiro para os lados de Itatiaia que quando um caboclo ia lhe pedir serviço perguntava assim: — Você fuma? — Sim senhor. — Cigarro feito na mão ou comprado pronto?

— Feito na mão. — Então, me desculpe mas você não me serve. É que o cara ia fumar pelo menos uns cinco cigarros por dia; em cada cigarro ia parar uns cinco minutos para pegar o fumo, desemberlotar, esticar o papel, preparar; e ia parar também para acender o palheiro um monte de vezes. O fazendeiro já contabilizava um prejuízo de meia hora a quarenta minutos por dia. Se fosse cigarro comprado pronto era só meter a mão no bolso, botar na boca e acender. E não apaga sozinho. Os pilotos de avião a jato não podem fumar nem comprado pronto. Aquela roça, num suave micro vale do alto Penedo, invisível de qualquer ponto da estrada, era de nós dois — mais dele, cujo trabalho rendia o dobro do meu. À noite, eu passava os dedos nos calos da outra mão, aquelas novidades, e apreciava os instrumentos de trabalho enfiados no caibramento de pau do mato da cobertura dos fundos da minha casa — um machado, uma enxada, um enxadão, uma foice: obras primas do design em ferro, extensões do corpo mas ainda muito dependentes do corpo, sem a quase autosuficiência do botão do comando digital. Quanto mais a técnica se emancipa do corpo mais a ética se dilui, mais a moral depende só da consciência — e fica difícil, porque o corpo é importante para regular o todo. Por isso é que a enxada e suas companheiras são mais chegadas à saúde, do homem e da terra, e ao balé. Dois ou três camaradas girando os corpos e jogando as foices nos pés dos paus da capoeira compõem cena mais bonita do que os movimentos nas academias e a marcha dos tratores da agroindústria. E eu sou romântico. Um dia, um dos meus filhos, ainda pequeno, me disse assim: “ô pai, é romântico almoçar vendo TV, não é?”. E uns instantes depois perguntou: “ô pai, romântico é o quê?” O trabalho em geral não é romântico, não dá para ficar olhando avião passar, nem acendendo cigarro de fumo de rolo. Tem que saber lidar com os chefes, ou tem que querer ser o chefe. Tem que cumprir os horários. Tem que se interessar pelos negócios dos outros. É assim, o que é que você quer? Era a tese que o psicanalista desenvolvia comigo no Rio. Foi um cara legal, me ajudou; mais do que um outro, de uma análise de grupo de que eu fizera parte antes. Um dia eu disse a ele que ia parar porque se juntasse aquele dinheiro eu compraria uma terra. Ele ponderou em silêncio mas não teve como não me dar razão. Anos depois o encontrei, passeando em Penedo, e ele foi ver a pequena pousada alternativa onde eu me refugiava em meio a aldeões da roça mineira. Eu lhe disse que ele tinha me ajudado a encontrar meu caminho, mas ele não resistiu ao comentário de que tinha muito mato no entorno da minha casa e do meu empreendimento — como certa vez também não resistiu uma tia que, juntando as mãos no peito num enlevo, com o único intuito de me agradar, suspirou e disse: “um dia ainda vou fazer uma casa bem vagabundinha assim pra eu morar...” E vem Seu Ditinho Merenciano entrando pelo meu quintal, me chamando. E eu corro para cortar o seu percurso antes dele chegar próximo ao rio, porque no rio minha mulher está tomando banho pelada com algumas amigas. E ainda por cima tinha sido na casa dele, Merenciano, no começo daquele mês, a última reza para a Santa, a qual minha

família comparecera. — Entra aqui, Seu Ditinho, deixa eu te mostrar uma fotos que nós fizemos lá em Mauá. Consigo trazê-lo para dentro de casa, abro o albinho de fotos — ainda não havia as digitais - e a primeira foto que nos aparece é da minha mulher pelada no rio de Mauá, brincando com os filhos pequenos.

O gambá e o General Dormi com um olho desperto. Daquela noite o gambá não passava. O filha da puta vinha comendo as minhas galinhas. Eu tinha feito um galinheiro mas mesmo assim as galinhas amanheciam mortas, encostadas na tela, com o sangue chupado pelo pescoço. Agora eu tinha arranjado uma armadilha com o Jorge Boi, uma gaiolona de madeira com uma ceva dentro; quando o gambá entrasse e metesse a boca na ceva a porta caía e prendia ele. E foi assim. Quando ouvi o barulho e pulei pra fora de casa tinha um preso, e ainda vi um outro entrando no mato. Era um tipo de gambá pequeno, que o pessoal da roça aqui chama de guaquica. Eu tinha de matar aquele e deixar a armadilha para o outro. Mas como matar aquele? Dar um tiro ou uma coronhada com a espingarda cartucheira? Podia quebrar a armadilha do Jorge, e eu não tinha coragem de meter o cano ali e fuzilar o bicho a queima roupa, preso. Levei a armadilha para o rio, deixei ela escorregar para dentro de um pocinho e o gambá se debateu até a morte. Custei a pegar no sono e sonhei com a cara assustada do General Dilermando Monteiro falando comigo por uma fresta da porta do seu apartamento do Leme. Ele tinha acabado de ser exonerado do comando do II Exército, após o assassinato do Wladimir Herzog, e me disse apenas que não tinha nada a declarar, sem tirar aquela correntinha que prende a porta. Eu fui embora aliviado por ele não me ter feito entrar, e ele deve ter ficado aliviado porque aquele repórter barbudo podia ser um terrorista. Desisti de criar galinha, não ia ficar torturando gambá. Mas o Merenciano, seu João Silva e os outros aldeões tinham galinha, e nem galinheiro tinham. Havia sempre uma árvore de galhos esparramados, próxima às casas, com um bom trecho de terreiro limpo em volta; as galinhas em cima e três ou quatro cachorros muito espertos, treinados em caçada de tatu e paca, dormindo em baixo. A área limpa em torno da árvore — meu analista tinha certa razão — e os cachorros mateiros mantinham os gambás longe. Não é da noite para o dia que se chega da cidade e se adquire os conhecimentos práticos da roça, e a perícia de fazer as coisas com a mão que só sabe pegar caneta e apertar botão. No primeiro telheirinho que construí, ao lado de casa, para guardar lenha, esquadrejei, finquei os esteios, caibrei com pau do mato, medi a galga das telhas para pregar as ripas na distância certa e comecei a colocar a primeira carreira de velhas telhas francesas, feliz em manusear aqueles objetos de barro cozido, tão bonitos, tão bem engenhados, quase perfeitos ainda depois de tanto tempo de uso por aí, um deles tendo até a inscrição “Marseille” por baixo, atravessou o oceano num navio, cobriu a casa de algum nobre, chegou às minhas mãos sabe-se lá como, e intacta. Pois nessa hora vejo que o Mário do Medeira está rindo de mim lá na estrada. Eu estava começando a primeira fileira com as bicas das telhas viradas para cima. Encaixava-as perfeitamente, namorava cada uma, mas do jeito que estava a água da chuva ia ter de subir ao bater nelas.


8 - O Ponte Velha - Novembro de 2012 Por que a seleção olímpica não consegue resultado? Quando vemos o brasileiro se gabar de seu jeitinho, de sua ginga, mas não conseguir uma formação olímpica vencedora, vem à mente o Gilberto Freyre quando fala da sifilização do povo brasileiro. Casa Grande & Senzala, nossa bíblia antropológica, revela que o brasileiro se decompõe pela sífilis. “Costuma dizer-se que a civilização e a sifilização andam juntas. O Brasil, entretanto, parece ter-se sifilizado antes de se haver civilizado.” A ideia de civilização – principalmente no Trópico – exige uma leitura bastante larga do que seja razão. Afinal, o termo indica um domínio racional sobre a natureza e uma ordenação inteligente da sociedade. A ciência, a arte, a política e a religião costumam ser apontadas como as construções por excelência da civilização. Mas o futebol, obviamente, é o lugar onde a civilização impera do modo mais excelente. Os campeonatos devem ser vistos como a transfiguração da tragédia brasileira. Como órfão da seleção de 1982, colecionador de “vitórias morais” e heróicas derrotas, crítico contumaz dos Dungas e dos Zagalos, não tenho porque aturar a transformação do futebol em técnica de resultados, aviltado por empresários e torcidas organizadas. Não chego ao ponto de exigir que a Providência nos alegre a cada safra com Garrinchas dionisíacos, mas também transformar nosso futebol em rude esporte bretão, não dá. Basta a pasteurização olímpica

Marcos Cotrim

O Saci de chuteira

(Homenagem a Tia Nastácia, a virgem dos lábios de mel)

do volibol, do basquete etc. Para mim, só a homeopatia salva o futebol brasileiro. Como o futebol, medicina também é arte. Embora só os homeopatas e alguns outros terapeutas admitam. Os demais gostam de ser “cientistas”. Forma de controle totalitário mais indecente ainda do que a educação “pública”, com sua ridícula

missão messiânica, a cultura médica de hoje tem ainda, por trás da manipulação do sofrimento e terrorismo psicológico, o imenso poder dos lobisomens; quer dizer, laboratórios. Essas empresas e$timulam “doutores” a receitar suas drogas. Há inclusive “meta$” a bater! Em tempo, reagem os homeopatas: Para maus efeitos do

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luar, dai Thuja. Não é raro encontrarmos pharmácias homeopáticas legadas nos inventários do século XIX no Vale e Sul de Minas. Nossas avós curavam gripe com Aconitum e Belladona. Angina com Mercurius, e depressão ia embora com Ignatia. Nesses tempos, as ventosas e as sangrias purificavam as intimidades. O cristel era chamado de “chá de bico” para acomodar o pudor na salutar inciência da sociedade de artistas. Neste mundo pré-positivista, a arte de curar começava pela bem-humorada informalidade que admitia o corpo ao convívio das almas. Sem tanta assepsia. Talvez por isso, ao lado de pinicos e escarradeiras, houvesse maior responsabilidade sobre a dor, a lua e o lixo. Havia menos cosmético e mais cosmos. Hahnemann, o sistematizador da homeopatia, percebeu que a coceira (“psora”) do artista e do pensador era uma tentativa constante de achar o equilíbrio, dançando em torno do centro de toda ordem, do umbigo do mundo. Espécie de Aristóteles da medicina, o alemão definia saúde como um processo virtuoso de reeditar sempre o meio termo; uma dinâmica de se centrar, e não um estado definitivo a ser perenizado numa redoma química.

Vida é flexibilidade, drible, lançamento preciso. A morte traz primeiro a rigidez, depois a decomposição. Dois extremos “viciosos”, por excesso ou por falta. O doente desiste de buscar o centro, e sai da “psora”: ora acumulando coisas, terras, poder, gordura, palavras, dinheiro, e cai na “sicose”; ora se desestrutura marginalizando-se, decompondo-se, embebedando-se, entorpecendo-se e vira um andarilho em fuga da própria sombra. É a “sífilis”. Psicopatas emergentes da civilização industrial de um lado, e suicidas minorias ressentidas, de outro. Caretas e fariseus de um lado; malucos e terroristas de outro. Banqueiros e burgueses pela sicose versus revolucionários e hippies pela sífilis. Civilização da máquina versus barbárie psicodélica no mundo que esqueceu a virtude. Pela saúde de nossas crianças, bem podíamos voltar a chamar de futebol somente aquela arte circense, onde a vitória é saudável quando vai além do placar e não se remunera com dinheiro. O virtuose devia receber honorários, tamanha é a desproporção entre o espírito que o anima e o dinheiro que mede salários. Senão, a reação patológica continuará a ser o desempenho de vira-latas sifilíticos, acostumados a ganhar milhões sem fazer muita força e jogar fazendo força demais.


Novembro de 2012 - O Ponte Velha - 9

Conservar o quê e para quem?

Um Parque Chamado Inconsequência

A partir da entrevista com o Tonhão há duas edições, pensei nos inúmeros pontos-de-vista necessários para empreender ações mais justas em contextos sociais específicos. E é esta a demanda do Parque da Pedra Selada, onde uma decisão superior pode incidir no cotidiano de habitantes e trabalhadores da região. Como Tonhão defende, são diversas as problemáticas de uma análise mais acurada da questão, que se relaciona à sobrevivência de modos de vida ligados ao uso da terra e da natureza e à manutenção adequada dessa última, em paralelo com a atividade turística regional. De fato, conservar o meio-ambiente, como em geral concebemos, remete à manutenção da natureza mesma - intocada e esplêndida - evitando o toque destruidor do ser humano, e preferivelmente o removendo do local, como acontece em diversas áreas de proteção integral. Nesse ímpeto compreensivel, herdado de teorias importadas sobre como se preservar o meio-ambiente, acabamos nos esquecendo das inúmeras populações que vivem em contato mais próximo à terra do que nós; sobrevivem a partir dela, e, por isso mesmo, são elas as maiores protetoras de seus recursos. O meio-ambiente compreenderia, nesse sentido, as sociedades em sua relação com a natureza - nessa interação primordial -, algumas mais destruidoras que outras, o que nos leva à busca por formas menos depredadoras de trocas com o mundo natural.

Lila Almendra

José Alberto Somavilla

Olhando das serranias até onde alcançam visões utópicas parece que nem tudo está perdido porque as gentes da montanha souberam preservar seus legados. Mas a verdade é que não é dado ao mortal comum divisar algo que se resumira lá adiante em infortúnios para os pequenos proprietários que descendem, talvez a maioria, dos antigos colonos que praticavam ancestral posse voltada para a sobrevivência das famílias. Aqueles que souberam respeitar costumes e a paisagem, evitando ações predatórias ao meio ambiente. Aqueles que sempre respeitaram a natureza e que hoje perdem o sono ante a possibilidade de ser implantada nova área dominial do estado, o Parque Estadual da Pedra Selada, silenciada momentaneamente pelo ano eleitoral. Se a razão estivesse calcada somente na preservação ambiental, tudo bem, mas já pontifica na região o Parque Nacional Do Itatiaia. Alem do mais, preocupa a desconfiança de se acenderem velas para deus e para o diabo. À margem ficam os que vão sofrer nas carnes as consequências, atores menores relegados a audiências públicas que quando ocorrem são incapazes de se contrapor aos detentores da multifacetada verdade ambiental. No vale, somos terráqueos anestesiados à fimbria da mais fascinante montanha do planeta, mas a pergunta não cala:

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Rua Alfredo Whatelly, 136 Resende - RJ

Querem ensaiar aqui um novo ABC? Parece que a estratégia é nítida: Montadoras, siderúrgica, empresas satélites... Ora, façam o que lhes aprouver com esta geografia predestinada ao deslumbramento, conduzida agora para um tipo de desenvolvimento que privilegia falácias políticas e modelos que se exaurem; completem o serviço, mas deixem o passado em paz. Permitam que algum sonho sobreviva... Será que pensam compensar equívocos e malefícios dos carros a serem produzirão aos milhares criando um novo parque? Se assim for, mostra-se nítida a inconsequência. Ora, condenem o vale aos infortúnios do progresso a qualquer preço, mas não mexam com os bíblicos sitiantes que se agarram às encostas dos morros azuis com mãos calejadas pelas adversidades, semblantes sofridos pela incompreensão e dentes rangentes de muda indignação. Essa gente que preserva seu chão e seus horizontes pelo instinto do amor à terra, esses que respiram ventos bravios nas cumeadas e sorvem as águas com veneração ritualística, os poucos que têm a alma sem culpas.

Fica evidente a partir dessa reflexão que tão importante quanto a manuntenção da biodiversidade da fauna e da flora, é a manuntenção de modos de vida tradicionais, ainda não totalmente permeados pela lógica de acúmulo e de consumo globalizado advogada

ocorre, tanto por intenção quanto por ignorância dos que o impõe. O saber tradicional tem muito a contribuir na luta em que todos estamos, e precisa, mais do que nunca, ser valorizado, após anos de deslegitimação em favor de uma revolução agrícola já identificada

O Parque deveria conter a cultura tradicional da roça e uma política de nela investir com saberes da agricultura orgânica e agroflorestal. pela civilização ocidental. Talvez ainda durante nosso caminhar pela Terra, nos daremos conta de que é para lá que se deve retornar: à vida simples que se nutre do alimento produzido e coletado na natureza. Sabemos que tais práticas tradicionais podem também ser nocivas ao meio-ambiente, no entanto o que chamamos de consciência ambiental, para o caipira, ribeirinho ou quilombola não tem paralelo; eles se utilizam de práticas históricas ligadas ao instinto de manutenção dos recursos de seus antepassados, o que não necessariamente (ou quase nunca) implica nos mesmos princípios que os nossos. Nesse caso, uma troca de saberes entre o conhecimento tradicional e os estudos contemporâneos pode estimular no sentido de manter o que ainda existe, tanto em termos de mundo natural, quanto em relação aos saberes sócio-culturais que vêm sendo apagados no processo de modernidade tardia. Reitero a importância de que seja uma “troca” esse processo, e não uma imposição, como tantas vezes

como não solucionadora nem de questões ambientais, nem de sócio-culturais - vide o trio “transgênico, agrotóxico, monocultura”, nocivo a diversas dimensões da sociedade. Vale dizer que saber tradicional não é somente aquele carimbado pelo Estado, mas o de nossos homens e mulheres da Mantiqueira; roceiros, vaqueiros e pequenos agricultores, merecedores de defesa frente ao trator do turismo e da homogeneização cultural, menos por negar as contribuições desses últimos, mais pela busca de justiça e igualdade aos que têm sido há tanto tempo desvalorizados pelo processo intensivo de modernização e concentração de renda e saberes. O Parque da Pedra Selada seria uma beleza se pudesse conter nossa cultura tradicional da roça e uma política de nela investir com saberes da agricultura orgânica e agroflorestal. Há “modernidade” e “modernidade”. Aqui rogamos por aquela referente às diferentes formas mais simples de vida - e por isso, tão complexas! - na terra.


10 - O Ponte Velha - Novembro de 2012 Krishna Simpson

Está confirmada a visita do cineasta Steven Spilberg no Brasil, até o fim do ano, para discutir os detalhes daquele que tem sido aguardado como um de seus maiores trabalhos de direção: Mensalão, O Filme. Spilberg disse que precisará, entre outros compromissos, agendar uma visita ao Supremo Tribunal Federal, bem como entrevistas com os principais ministros envolvidos no julgamento. A película, por questões de segurança, não deverá ser rodada em Brasília, mas provavelmente em alguma cidade próxima. De acordo com especialistas, Mensalão, O Filme, pode vir a ser o primeiro filme brasileiro a realmente ganhar um Oscar de melhor filme estrangeiro. Joaquim Barbosa, indicado ao Nobel da Paz, recebe ligação do rei da Suécia O ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão, e que agora em novembro assumirá a presidência do STF, foi indicado ontem ao Prêmio Nobel da Paz. O próprio rei da Suécia, Carl Gustaf 16, ligou para Barbosa convidando-o para, no caso de premiação, que é realizada na Suécia, não deixar de lhe

a mentira com responsabilidade

Mensalão, O Filme, Será Gravado Ano Que Vem fazer uma visita para um chá em sua residência oficial. Na página da Monarquia Sueca há links para sites sobre Barbosa, com fotos, vida e atuação jurídica. O ministro comentou com jornalistas que aceitará tomar o chá com o rei, mas que, como bom mineiro, prefere mesmo um café extraforte acompanhado de pãezinhos de queijo. Nota do ENEM será usada para Harvard Em uma decisão histórica, a direção de Harvard disse que irá aceitar a melhor nota do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) para ingresso na Universidade. No último encontro entre o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o conselho pedagógico universitário de Harvard, ficou acordado que o número 1 do Enem terá garantida uma vaga com bolsa de estudos, alojamento, alimentação, transporte e apoio com passagens aéreas para visitar a família no Brasil duas vezes por ano. Caso desista do prêmio, este será dado ao segundo colocado, e sucessivamente em casos de

no nosso

Vidente prevê heptacampeonato para o Fluminense antes de 2020

Vai dar sombra

A baiana Maria Florentina das Dores Santana, mais conhecida como Maria Sasá, vidente renomada internacionalmente, previu essa semana que o Fluminense chegará, antes de 2020, ao Heptacampeonato Brasileiro, à frente, portanto, de todos os outros times nacionais. E ainda conseguirá um bicampeonato pela Libertadores e um campeonato mundial. Ela, que tem a credibilidade de já ter acertado 98,7% de suas previsões publicadas, e que na verdade torce pelo Vasco, gostaria de estar errada, mas disse que suas previsões foram confirmadas pelas sete principais maneiras com que adivinha o

e-mail

Como Resende é uma cidade cujos governantes, atuais e anteriores, sempre ignoraram as vantagens da arborização, será ótimo atravessar por debaixo da passarela. Assim... teremos um pouco de sombra, oferenda rara em Resende. (Lydio Alberto)

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a passarela,

desistência até a décima colocação. Alguns deputados em Brasília protestaram, dizendo que é importante definir também as cotas para filhos de parlamentares.

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Para mais da questão paisagística levantada pelo sr. Lydio, duas questões poderiam ser levantadas: 1. Antes de gastar dinheiro com uma passarela elevada (acesso via rampa e escadaria), Prefeito e arquiteto deveriam verificar o grau de sucesso dessas experiências em outras cidades. Parecendo que eles não o fizeram, eu o faço, pois conheço algo do assunto: passarelas elevadas são um completo fracasso em todas nossas cidades nas quais foram implantadas; a relação número de usuários/ custo da obra é absurdamente alto. Por que isso? Porque subir rampas é cansativo, demorado e desconfortável; os pedestres preferem atravessar as ruas do jeito tradicional. A obra fica quase às moscas. Para obrigar as pessoas a usar a passarela a Prefeitura será obrigada a instalar cercas (um horror paisagístico). 2. É questão mais subjetiva: o projeto é muito caipira; uma cópia mal feita dos viadutos estaiados do Santiago Calatrava (dos quais os viadutos de São Paulo já são cópia ruinzinha). Se fazer uma passarela elevada fosse uma boa solução (o que como já disse, não é) o tratamento arquitetônico poderia ser mais elegante, mais contextualizado, menos pretensioso. Mas quem é que contem vaidades...? (Maria Paula Adelaide M. Becato)


Novembro de 2012 - O Ponte Velha - 11

Nossa História, Nossa Gente

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ARCILIO GUIMARÃES

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Neste mês, homenageamos ARCILIO GUIMARÃES, que dá nome a uma rua situada na Vila Santa Izabel, perpendicular à Avenida Juscelino Kubsticheck. Seu CEP é 27522-050. ARCILIO nasceu em Resende, em 15 de julho de 1888, e aqui morreu, no dia 12 de março de 1945. Casado duas vezes deixou 8 filhos e 3 netos. Formou-se em Odontologia, em 1907, e viveu dessa profissão durante toda a vida. Atuou fortemente na política de Resende. Por ter idéias socialistas, teve que se esconder com a família na Pedra do Sino, na Serrinha, na fazenda de um amigo, por ocasião da ditadura de Vargas, dada a perseguição dos integralistas resendenses. Escreveu nos jornais Opinião e no Timburibá, e, esporadicamente, em A

Lira, cujo redator era o seu ferrenho adversário político, Alfredo Sodré, de quem mereceu uma marcante homenagem no Jornal A Lira, de 22 de março de 1945, da qual transcrevemos o seguinte texto: “O morto de há dias foi figura singular no cenário político-social de sua terra. Inteligente e culto, palavra fluente e pena amestrada, por vezes floreteada com mordacidade, cedo ganhou esporas doiro. Apaixonava-se pelos

casos que esposava e não fugia à peleja, por mais árdua e agreste. As arrancadas da impulsividade que lhe inflamava o espírito fazia-o impetuoso na contenda e raro o adversário lograva vencê-lo. Desse feitio logicamente teve desafetos e ganhou prosélitos. Era leonino no ataque. Tão cedo, porém, apagados os fogos do combate transmudava-se. Fazia-se dócil e acolhedor. Não sobrerestavam ódios nem recalques. Esquecia ressentimentos. Foi lutador da melhor estirpe. Resende perdeu, assim, um de seus aplaudidos intelectuais - figura que perdurará na vida histórica do município como marcante expressão de valor”. Arcílio foi Administrador da Santa da Casa de Misericórdia de Resende, onde organizou um lactário que salvou a vida de muitas crianças. Presidiu o Grêmio Luiz Pistarini, além de dirigir o Centro Cultural Resendense - CCRR. Colaborou na fundação da APMIR. Também dirigiu o Aero Clube, uma de suas muitas paixões. É o patrono da cadeira nº 14 da Academia Resendense de História ARDHIS.

REFERÊNCIAS: www.genealogiafreire.com.br; anotações da neta Suzana Garcia; Jornal A Lira, de 12/03/45.

Esta invocação é uma Prece Mundial Expressa verdades essenciais. Não pertence a nenhuma religião, seita ou grupo em especial. Pertence a toda humanidade como forma de ajudar a trazer a Luz Amor e a Boa Vontade para a Terra. Deve ser usada frequentemente de maneira altruísta, atitude dedicada, amor puro e pensamento concentrado.

A Grande Invocação Desde o ponto de Luz na Mente de Deus, que aflua Luz às mentes dos homens. Que a Luz desça à Terra. Desde o ponto de Amor no Coração de Deus, que aflua Amor aos corações dos homens. Que aquele que vem volte à Terra. Desde o Centro, onde a Vontade de Deus é conhecida, que o propósito guie as pequenas vontades dos homens. O propósito que os Mestres conhecem e a que servem. Desde o centro a que chamamos raça humana, que se cumpra o plano de Amor e Luz. E que se feche a porta onde mora o mal.

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12 - O Ponte Velha - Novembro de 2012 Retomando a minha saga de 30 anos em Rezende, no capítulo anterior terminamos o segundo mandato do prefeito Noel de Carvalho. 1992, ano eleitoral, ano da morte de Augusto Carvalho, primeira eleição municipal com TV – a TV Vale do Paraíba surgia, rebatizada depois como TV Rio Sul. Noel deixava o município, naquele ano, ainda com expectativas de trazer a UERJ para Rezende, aparelhar o Hospital de Emergência e conseguir a vinda da fábrica de caminhões para o município. Seu candidato era o vice prefeito Augusto Leivas, que competiria com o Noel de Oliveira e o Eduardo Mehoas. Foi uma campanha bastante interessante. O Noel de Oliveira era o adversário a ser enfrentado. O programa do Augusto falava na vinda da Volks e o do Oliveira contrapunha com caminhões de brinquedo, mostrando na TV e debochando, dizendo que era esse tipo de caminhão que o Augusto ia trazer. Toda Resende acompanhava a disputa polarizada. O que os dois grupos políticos não perceberam é que, correndo por fora, comendo pelas beiradas, vinha o Eduardo Mehoras e sua

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Antes que me esqueça (ou que me esqueçam) (VIII)

A Luta do Leivas pela Volks

de intenções, promessas de subfala mansa e sibilada. Acabada a sídios, mudança de governador, eleição, ele ficaria em segundo enfim, depois de dois anos de lugar, deixando o “velhinho” especulação Rezende era anunpara trás. ciada como a sede da fábrica O governo do Augusto Leivas mergulhou nas principais promessas de campanha e aparelhou o Hospital de EmergênEsse negócio de pólo metal mecânico cia, implantou a UERJ ainda vai acabar com a nossa relação e trouxe a Volkswagen, amorosa personalizada confirmando a capacidade de articulação do prefeito. Para o hospital, ele teve a ajuda do João Alberto Stagi, que era de outro partido político, mas que fez a costura com o Ministro da Saúde, Adib Jatene, do PSB. A UERJ foi mais fácil, afinal ele e o mundial de caminhões e ônibus governador Leonel Brizola eram da Volkswagen, começando ali a do mesmo partido, o PDT. grande transformação de nosso Já a Volks... Meus poucos município, de produtor rural mas fieis leitores, quem pode (Xérox e Michelin já pertenciam acompanhar a luta que o Leivas à Itatiaia, recém emancipada) ao enfrentou contra sete estados, maior pelo metal mecânico do 11 cidades e um país... Eram centenas de reuniões, protocolos

Estado do Rio de Janeiro. Essa é uma longa história, com fatos pitorescos que eu vou retomar na coluna do mês que vem, como a matéria que a Veja

Isso ainda vai é trazer de volta essa relação, com vínculos renovados...

Rio fez sobre o município. Mas o governo do Augusto também foi o responsável pela Lei de Incentivo à Cultura existente até hoje e também dos últimos momentos do grande carnaval de rua que Rezende realizava,

e como também ficou marcado pelo dia que o Martinho desafiou São Pedro. Fica pro mês que vem. *** Cassandra, que fora amada por Apolo, recebeu dele o dom da premonição. Porém, depois, irritando-se com ela, tornara inútil aquele dom, determinando que ninguém acreditasse em suas previsões. Pois bem, eu não quero aqui dar uma de Cassandra amaldiçoada por Apolo, mas não se surpreendam se o governo que começa a partir de janeiro de 2013 ganhe de presente mais dois anos de vida. Explico: as derrotas que o governo federal amargou no norte e no nordeste do país deixaram claro que eleições municipais sofrem quase nenhuma influência do Presidente do Brasil e dos Governadores. O que pode pensar o PT e seu plano de governar o Brasil pelos próximos 40 anos? Juntar as eleições num dia só, numa carreirinha só. Se o governo federal estiver bem avaliado, se o povão continuar com seus carnês da Casa Bahia, eles votam com nós, de Presidente a Vereador. Claro que existe a hipótese de se unificar as eleições em 2022, e só os sucessores dos atuais eleitos teriam um mandato de seis anos, mas, como uma Cassandra tupiniquim eu aposto na prorrogação dos atuais mandatos até 2018. o Krishna, que escreve nesse jornal uma coluna sobre Rezende daqui a muitos anos, podia ver na sua bola de cristal se eu estou certo ou errado.

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Jornal Ponte Velha - Novembro 2012