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RESENDE E ITATIAIA - DEZEMBRO DE 2011 Nº 188 . ANO 16 - JORNAL MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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O Ponte Velha e seus anunciantes desejam boas festas aos leitores e amigos. E viva o povo do Pará!

Chamada de Fim de Ano - Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo! - Presente. - Presépio dentro da igreja! - Presente. - Campo de Futebol! - Presente. - Chuteira que um menino ganhou no Natal! - Presente. - Venda com pinga, queijo mineiro e sanfona! - Presente. - Cavalo baio amarrado na porta da venda! - Presente. - Moças que passeiam olhando os jogadores! A Prefeitura de Itatiaia não está nem aí para a falta de água em Penedo. Puro desleixo com a manutenção

A professora tira os óculos: - Cerne,você está presente hoje nessa aula aqui em Mauá, mas tem faltado muito. - É que estou fazendo cursos de Logística e de Operador de Empilhadeira lá na beira da via Dutra. - Huumm...

E uma água tão generosa, que vem por gravidade. Daqui a pouco eles privatizam pra uma empresa “parceira”, porque assim que é “moderno”...

Ana Lúcia, do Beira Rio, e sua metralhadora giratória

ão diç aE Ne st

- Presentes. Pracinha que congrega tudo ! - Presente. -Cerne do povo brasileiro! -Presente


2 - O Ponte Velha - Dezembro de 2011 1 - O DOMÍNIO DO PODER EXECUTIVO EM RESENDE DE 1947 A 2011 1.1 - O RODRIGUISMO 1947 a 1966 - O foco de nossa coluna é a política no pós-revolução, em Resende. Desta vez, para evidenciar o domínio do Poder Executivo, de 1964 para cá. Todavia, para buscar a origem de duas famílias (Oliveira e Carvalho), temos que voltar a 1947, início do “rodriguismo”, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB. O “rodriguismo”, como adiante se demonstrará, foi o berço do “carvalhismo” e do “oliveirismo”, que já caminharam de mãos dadas, muitos anos. No jocoso dizer do Professor Silva, são “embiras do mesmo pau”. O “rodriguismo” começou com Geraldo da Cunha Rodrigues, Prefeito de 1947 a 1950, pelo Partido Trabalhista Brasileiro - PTB. De 1951 a 1954, João Mauricio de Macedo Costa, ex-Vereador do PTB, foi o sucessor de Geraldo, na mesma legenda. Geraldo Rodrigues retomou o comando da cidade, sendo o Prefeito de 1955 a 1958, com Augusto Pinheiro de Carvalho, de vice. Augusto de Carvalho foi o sucessor de Geraldo Rodrigues, de 1959 a 1962 e foi sucedido por Oswaldo da Cunha Rodrigues (irmão do Geraldo), Prefeito de 1963 a 1966. A Revolução de 1964 encontrou Oswaldo Rodrigues no exercício do mandato de Prefeito, no qual ficou até o início de 1967, quando Aarão Soares da Rocha, eleito no final de 1966, tomou posse. Todo esse domínio “rodriguista” foi pelo PTB, exceto nos dois últimos anos do Oswaldo Rodrigues (1965 e 1966), quando ele se bandeou para a Aliança Renovadora Nacional - Arena, partido criado em 1965 para dar sustentação política para a Revolução. Observe-se que o “carvalhismo” nasceu dentro do “rodriguismo”, pois Augusto de Carvalho foi vice do Geraldo Rodrigues (1955 a 1958) e Prefeito de 1959 a 1962. O “oliveirismo” também nasceu dentro do “rodriguismo”,

Cabo Euclides e Professor Silva

POLITICÁLYA ocasião em que Noel de Oliveira foi vereador pelo PTB, na gestão de Geraldo Rodrigues (1955-1958) e no governo de Augusto de Carvalho - 1959 a 1962. Os principais executivos durante o “rodriguismo” foram: os irmãos Geraldo Rodrigues (1913 a 1988+) e Oswaldo Rodrigues (1926-2000+), advogados, competentes administradores, hábeis conciliadores, pessoas de fino trato. Como dizia Geraldo, os Rodrigues não tinham inimigos, tinham apenas adversários políticos; - João Maurício de Macedo Costa (1899-1983+) - poeta, fazendeiro e comerciante. Personalidade marcante, de estilo direto, pouco comum aos políticos. - Augusto Pinheiro de Carvalho (19101992+), o precursor do “carvalhismo”. Fazendeiro e hoteleiro. Excelente orador, poeta e músico. Dotado de invulgar coragem, fazia uma política de defesa dos menos favorecidos e ousou, desde logo, declarar-se contrário à Revolução de 1964. Além destes, destacamos outros rodriguistas famosos: - Manoel Teixeira Ramos (19221999+) - fazendeiro e líder rural. Vereador de 1955 a 1958, presidiu a Câmara Municipal em 1958. Foi o vice de Augusto de Carvalho, de 1959 a 1962. - Aníbal Rocha Pontes - servidor público e radialista aposentado, além de premiado compositor de sambas-enredo. Cinco mandatos de Vereador, em Resende, começou com seu primo Oswaldo Rodrigues, de 1963 a 1966, quando se elegeu com 307 votos, pelo PTB. Aníbal é uma das reservas morais da política resendense; - Noel de Oliveira, precursor do “oliveirismo”, conquistou o Executivo resendense, no final de 1982, sendo o Prefeito de 1983 a 1988. Antes, integrou o “rodriguismo”, como atuante vereador de 1955 a 1962, pelo PTB. É nosso atual vice-Prefeito (PDT - mandato 2009 a 2012), agora como coadju-

vante do “rechuanismo”. 2) POLÍTICOS INFLUENTES DE RESENDE, JÁ TESTADOS NAS URNAS:Continuamos apresentando políticos que já concorreram a cargos eletivos, atualmente sem mandato, mas que terão alguma influência nas próximas eleições. ADALBERTO DA SILVA (ADALBERTO CONTADOR) Candidato a vereador, obteve: 172 votos, pelo PPS, em 2000 e 179 votos, pelo DEM, em 2008. Além de contar com seus fiéis eleitores, Adalberto é especialista em Orçamento Público, Finanças e prestações de contas eleitorais. Grande parceiro! ADILSON SOARES - Candidato a vereador, obteve: 278 votos pelo MDB, em 15/11/76; 121 votos, pelo PDT, em 1996. O popular Lica (ou Capetinha), ex funcionário do Banco Nacional e líder do Sindicato dos Bancários, é o atual Presidente da Guarda Mirim, admirável entidade que se dedica a fornecer estágios remunerados aos adolescentes. AÉCIO DA FONSECA RIBEIRO - Comerciante no Bairro São Caetano, onde possui um supermercado. Candidato a vereador, em 2004, obteve 678 votos, pelo PT do B, demonstrando grande liderança. CARLOS HENRIQUE REEVE - Ex-bancário, leitor voraz e reconhecido intelectual de Resende. Candidato a vereador, pelo MDB, em 15/11/76, obteve 153 votos. Atualmente é influente no PDT. DELTON LUIZ DA COSTA - Tradicional dirigente da Associação de Moradores do Paraíso. Candidato a vereador,

obteve: 204 votos, pelo PDT, em 1988; 183 votos, pelo PT, em 2004. GEORGINA AZEVEDO VALIM Conceituada hoteleira, no Penedo. Eleita Vereadora em 15/11/82, pelo PMDB, com 641 votos. Foi casada com o saudoso advogado Walmir Rodrigues, Ex-Vereador e Ex-Prefeito de Resende e Vice-Prefeito de Itatiaia. JOÃO MENDES DA CUNHA FILHO - Candidato a Vereador pela Arena, em 15/11/76, obteve 355 votos. Pelo PMDB, em 15/11/82, alcançou 490 votos. Foi eleito Vereador, pelo PDT, em 15/11/82, com 614 votos. Em 1988, foi reeleito pelo PDT, com 613 votos . Presidiu a Câmara em 1991.Novamente candidato em 1992, conseguiu apenas 340 votos pelo PDT. 3) NOTÍCIAS ATUAIS COM REFLEXOS NAS ELEIÇÕES DE 2012: RESENDE SURPREENDE - A Prefeitura colocou um belo outdoor, na Graal, falando sobre a UPA da Alegria. Não custava nada dar um crédito para o Governo do Estado, não é? Guimarães Rosa já dizia que a esperteza, quando é demais, engole o dono. O RESGATE DA IMAGEM DE AUGUSTO LEIVAS - A Câmara prestou uma bela homenagem aos responsáveis pela vinda da Volkswagen, comemorando os 15 anos da instalação da fábrica. Além do Ex- Presidente Fernando Henrique, do Ex-Governador Marcelo Alencar, foram homenageados: o empresário Luiz Eduardo Tarquínio Monteiro da Costa, o Lula, doador do terreno de

Trutas

da

Serrinha

2 milhões de metros quadrados; O Ex Secretário Estadual de Indústria e Comércio, Ronaldo César Coelho (PSDB); Pedro Paulo Florenzano, então Presidente da Câmara, e Augusto Leivas Nordskog, Prefeito de Resende, de 1993 a 1996, que envidou todos os esforços para a vinda da Volkswagen, disputando com 42 cidades. Aos poucos, a História vem fazendo justiça a um dos bons Prefeitos que Resende já teve. Por questões políticas, a imagem de seu governo foi destruída pelos seus adversários e por alguns aliados que não o defenderam. Segundo o divulgado pela TV Rio Sul, o Sindicato Regional estima em 15.000 os empregos criados na região após a vinda da Volkswagen. Acrescentamos que isto só foi possível graças ao engajamento total do sexteto FHC, Marcelo Alencar, Luiz Eduardo Tarquínio Monteiro da Costa (Lula), Ronaldo César Coelho, Pedro Paulo Florenzano e Augusto Leivas. RECHUAN E A TERCEIRA IDADE - O Governo Rechuan está de parabéns. Os Centros de Referência do Paraíso, do Tobogã e da Cidade Alegria têm constantes atividades físicas e recreativas. O Parque das Águas tem regulares programas de ginástica. A Saúde dedica especial atenção aos mais experientes, até mesmo com visitas domiciliares. Além da importância humanística de cuidar daqueles que já cuidaram de nós, o Prefeito certamente terá o merecido retorno. Atrás dos votos dos vovós vêm os dos netinhos. PS: Tem gente falando na candidatura de Ana Maria Schneider. Seria um rebuliço no atual quadro.

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Dezembro de 2011 - O Ponte Velha - 3

Lixo Urbano

É inaceitável que um assunto tão polêmico e importante como a destinação de lixo urbano seja decidido com uma visita do Prefeito e do Presidente da Câmara à Europa Três pontos têm que ser considerados: I) Qual é a melhor tecnologia? Sem ser especialista no assunto, identifico outros modelos além deste europeu, que certamente não foi idealizado para um país que tem: • Existência de Catadores de lixo (que sustentam suas famílias); • Abundância de espaços livres ; • Realidade cultural diferente, já que aqui não temos difundida a prática de separação do lixo domiciliar (onde entra a grande importância dos catadores). Além disso, no Brasil existem tecnologias mais simples que conseguem resultados semelhantes como a do modelo em funcionamento no município de Porto Real, que poderia também ser avaliada por técnicos como uma opção para Resende. Outro exemplo brasileiro também merece ser considerado: a Usina Verde da COPPE- UFRJ, que trata, com incineração, o lixo. II) Qual é o modelo jurídico a ser adotado? A polêmica é ainda maior por pretender uma concessão cujo prazo é de 25 anos, embasado apenas em uma visita de duas pessoas que entendem do assunto tanto quanto eu.

Glaucio Julianelli

Acredito que a melhor opção seria a licitação com prazo máximo de 5 anos (prorrogável por igual período), conforme prevê a lei 8.666 (que regulamenta as licitações no Brasil). Tal solução me parece muito mais lógica, considerando que a tecnologia avança rapidamente, ao mesmo tempo em que reduz custos. Com certeza, o município não deve ficar com um serviço essencial como este, sendo realizado por uma mesma empresa durante longos 25 anos. III) Quanto custará aos cofres públicos? Essa questão, juntamente com a ambiental, é a que mais me preocupa. Considerando o que foi falado na Audiência Pública (estando gravada e à disposição de qualquer cidadão), duas afirmações me chamaram a atenção: 1) Quando o Vereador Kiko Besouchet declarou que após aquela audiência o Prefeito poderia lançar edital de concorrência. Sendo o Vereador do mesmo partido do Prefeito e tendo visitado com ele a mesma empresa européia, não me parece excessivo concluir que esta seria a opção já escolhida. 2) Quando o Presidente da AMAR, representante do governo, se dirigiu aos repórteres presentes e disse: “Anotem aí: não haverá taxa de lixo”. Também me causa grande preocupação esta afirmação, considerando que tal serviço é cobrado dentro do IPTU e este sim é que seria aumentado. Pessoalmente entendo que tratamos de um tema difícil, que carece de mais discussões com a população, com a presença de técnicos especializados, abordando inclusive a questão ambiental, o que não aconteceu na Audiência Pública do dia 16 de novembro quando a grande ênfase se limitou a: “Vocês querem uma usina de alta tecnologia ou continuar no lixão?” Minha opinião já foi detalhada acima e cada um dos senhores também pode contribuir, ou clicando no ícone “Contatos” deste site (para onde pode enviar suas opiniões e sugestões) ou comparecendo às sessões da Câmara Municipal. Este é o segundo artigo de Julianelli sobre o tema, publicado no site da Câmara

Crack, Não. Craque, Sim O jogo contra as drogas ficou mais difícil para a sociedade depois que o crack entrou em campo. Difícil, mas não impossível. Para ganhar este jogo, nós, cidadãos e gestores públicos, vamos precisar de estratégia, tática, preparo físico e muito espírito de equipe. Pesquisa recente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) realizada em 4.400 das 5.563 prefeituras do país, concluiu que em 63% delas o crack já causa um preocupante impacto sobre os serviços de saúde pública. As áreas de segurança e assistência social também já sofrem os efeitos danosos desta poderosa droga. Um dos maiores problemas decorrentes do uso do crack está no aumento da violência, expressa no crescente número de homicídios, principalmente na faixa de jovens de 15 a 24 anos. Outro indicativo é o aumento da incidência de alunos armados no interior das escolas. As ações de combate às drogas são atribuições dos estados e da união. Mas isso não pode servir de pretexto para que as prefeituras cruzem os braços e esperem que as soluções venham dos céus. Projetos preventivos, nas áreas de educação, assistência social e esportes, por exemplo, sempre são bem vindos. Em Resende, particularmente, a situação é bastante preocupante. Resende tem uma localização geográfica que favorece o tráfico de drogas. O tráfico de drogas obedece às leis do mercado: se há mais dinheiro circulando, é para lá que ele vai. As notícias do crescimento econômico regional são mais

Ô Rechuan, se quiser escreva também os seus argumentos

Noel de

Carvalh

o

um atrativo para o aumento do comércio de drogas em Resende e cidades próximas. Mas nossos motivos de preocupações são ainda maiores. Com a ocupação territorial das áreas antes dominadas pelos traficantes, na capital do nosso estado, o tráfico de drogas está procurando outros territórios. Resende, e toda a região das Agulhas Negras, por estar próxima a cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de oferecer várias opções de rotas de fuga, aparece como opção preferencial para a instalação de um novo pólo das drogas no estado. Esta é mais uma das conseqüências do crescimento econômico não planejado. Tem solução? É possível evitar a degradação de Resende e da região? Sim, desde que sejam formuladas políticas públicas municipais para o enfrentamento do problema. Programas ocupacionais de jovens nas áreas de esporte, cultura, ciências, turismo, educação ambiental, por exemplo, são alternativas. Aumentar a carga horária nas escolas também ajuda. Convênios entre igrejas, prefeituras e associação de moradores, para apoio do dependente e sua família, também é fundamental. Precisamos dar mais atenção aos nossos jovens, dentro de casa e nas ruas. Precisamos oferecer a eles aquilo que eles gostam de fazer, as coisas para as quais eles tenham aptidão. Precisamos criar craques nas escolas: de futebol, de vôlei, da música, dos palcos... Onde há craques em formação, o crack não entra.

Se não vão achar que a gente é carvalhista desde criancinha


4 - O Ponte Velha - Dezembro de 2011

O RIP, O PRIQ e o Dia que Resende Faliu e Ninguém Viu

Eliel de Assis Queiróz

Leo

n

Numa noite bastante agradável mas uma situação que nunca existiu, errou na que foi para poucos, aconteceu a homedata e colocou na conta de um de seus nagem aos 15 anos da Volkswagen/Man padrinhos, o Eduardo, que era o prefeito Latina em Resende. de 98. Estavam lá todos que ralaram muiSabe o que tá acontecendo com o to para implantar no Estado do Rio de prefeito? Ele tá muito mal assessorado. Ou Janeiro/Resende, a primeira unidade do então tá governando com o fígado, como que viria a ser o nosso polo metal mecânidiria o velho Ulisses Guimarães. Ele tem co. De Augusto Leivas a Márcio Fortes, de que tomar cuidado se, a continuar assim, Nelson de Assis a Jorge Serfiótis. ele virar uma versão Eduardo Mehoas/ Vários discursos bacanas mas eu queria Noel de Oliveira com teto solar, vidro elédestacar 3: o primeiro foi do Cortês, trico e air bag, mas sem abs. Ele me lempresidente da MAN Latina América, que bra dois bordões da Escolinha do Professor comparando nossa região com o ABC Raimundo: o primeiro do Brandão Filho: paulista disse que estava se formando o “Tava indo tão bem...” e o segundo do RIP (Resende, Itatiaia e Porto Real). O ex próprio professor pro seu Ptolomeu: “Você deputado Ronaldo César Coelho, emennão é mau aluno, seu problema é dar pitadou lançando o RIPQ, incluindo Quatis. co nas respostinhas de certas alunas”. Pra acabar com essa discordância de Sabe o que está acontecendo com o prefeito? Ele tá siglas, sugiro PRIQ, muito mal assessorado. Ou então tá governando com soa melhor e não o fígado, como diria o velho Ulisses Guimarães. Ele abandona nossa querida e simpática tem que tomar cuidado se, a continuar assim, ele Quatis. virar uma versão Eduardo Mehoas/Noel de Oliveira O segundo discom teto solar, vidro elétrico e air bag, mas sem abs curso foi do Ronaldo César Coelho, que mostrou que não perdeu a forma e continua sendo um grande orador, defendendo *** a educação como pilar principal para Nosso burgo mestre deveria se qualquer projeto desenvolvimentista. preocupar com questões mais reIa tudo bem até que chegou a hora do levantes, como por exemplo: essa nosso prefeito mais uma vez improvisar. mudança no transito, se facilitou a Tava indo tudo tão bem.... e ele lança a vida dos “Cavalcantes” arrebentou seguinte pérola: que Resende estava praticom a vida dos “cavalgados”. Um camente falida quando, em 1998, a MAN simples caminhão quebrado na ponte começou a operar. do Royal provocou um nó em metade São tantas bobagens. Primeiro a MAN da cidade. O Cine Vitória está na se instalou em 96, e não em 98, e nunca posse dele desde o dia 1 de janeiro ninguém soube que Resende estava quase de 2009, e três anos depois o teto cai. falida, e se assim o fosse, a gente tava Acho que a única obra relevante que f$%#@&dido. Os impostos da Volks/MAN esse governo fez por lá foi arrancar só começaram a pingar nos nossos cofres a placa com o meu nome. Mas eles em 2006. Ele quis colocar na conta dos compraram o Vitória. Legal. Quando prefeitos Noel de Carvalho/Augusto Leivas cair tudo eles constroem um novo.

A Cassação do Prefeito de Resende criou, na reta final do seu governo, duas novas secretarias municipais. Por que foram criadas, com quais objetivos, com quais metas, onde funcionam, quantos servidores de carreira compõem seus quadros? E vejam que coincidência. Ele nomeou como titular de uma dessas secretarias um vereador do mesmo partido da sua irmã, que era suplente. Com isso, ele “nomeou” sua irmã à vereadora. Isso é um caso típico de democracia Foi com pensamento populista e pautado por interesses eleitoreiros e pessoais que Rechuan criou, “à brasileira”, onde o na reta final do seu governo, duas novas secretarias. poder executivo deita e rola sobre o legisPor que foram criadas, com quais objetivos, com lativo. E o eleitor, o quais metas, onde funcionam, quantos servidores que é que pensa desta deprimente manobra? de carreira compõem seus quadros? E vejam que Por esta manobra, coincidência. Ele nomeou como titular de uma o prefeito Rechuan dessas secretarias um vereador do mesmo partido também corre o risco da sua irmã, que era suplente. Com isso, ele de perder o mandato. “nomeou” sua irmã à vereadora O uso político e pessoal dos recursos públicos também é crime. Se isso ocorrer, Rechuan mudou de partido para só espero que o prefeito não diga que isso é ficar, “oficialmente”, na base aliada do coisa de adversários políticos. governador e da presidente. O sonho de Muitos eleitores, quando votam, agem quase todo político é este: ficar na base como quem compra um apartamento aliada. Sonho deles, pesadelo nosso. apenas pela aparência da portaria, sem se Sem oposição, não há democracia. Mas preocupar com o conteúdo. A propaganda quem é que está preocupado com isso? política atingiu um nível de sofisticação O eleitor? Será? que faz com que o eleitor compre gato por Ao mudar de partido, Rechuan pensou, lebre. São utilizadas técnicas de introjeção em primeiro lugar, nele. Em segundo lugar, que levam o eleitor a acreditar piamente nele. E em terceiro lugar, nele também. Tanto naquilo que ele ouve e naquilo que ele o governo estadual quanto o federal, têm vê, em locais dispersos, ou em rápidas ajudado bastante Resende, independenteimagens na televisão, dando a sensação mente desta balela de base aliada. São raros de volume de realizações, que não são os prefeitos que colocam a administração tão significativas ao ponto de justificar o das cidades em primeiro lugar. A maioria uso da mídia, paga com o nosso dinheiro. passa o tempo todo “articulando”, cooptando A maquiagem das cidades também opera ex-adversários, fazendo politicagem, e não verdadeira ilusão de ótica na cabeça das política de alto nível, de interesse do cidadão. pessoas “A coisa tá preta? Manda pintar Com três anos de mandato, alguém conhece o meio fio de branco”. Palavras de um uma grande obra do governo Rechuan, ex-prefeito de Resende e um dos mentodaquelas que mudam a paisagem da cidade, res do atual prefeito. Para as próximas no bom sentido, é claro? Eu não conheço. eleições, sugiro que o eleitor de Resende Foi com este pensamento populista, e use óculos 3D. A nossa realidade não é tão pautado por interesses meramente eleitocolorida como estão pintando. reiros e de caráter pessoal, que Rechuan Tramita no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, um processo de cassação do mandato do prefeito José Rechuan. Motivo: crime eleitoral. A lei é clara: político não pode mudar de partido sem justa causa. Mesmo com esta, e outras leis que regem a política nacional, o quadro é de total desrespeito. É todo mundo acreditando na propaganda da Pizzaria Brasil.


Dezembro de 2011 - O Ponte Velha - 5 José Roberto de Paiva

A Importância da Agência Internacional de Energia Atômica O poder de destruição da bomba atômica, revelada nos ataques norte-americanos a Hiroshima e Nagasaki e nas centenas de testes realizados no Oceano Pacífico e no Ártico, provocou nos Homens uma reflexão sobre o futuro das guerras. A humanidade passou a possuir a capacidade de se auto-destruir e em pouco tempo. Na década de 50 os paises e os povos estavam preocupados com a proliferação de armas nucleares e o desenvolvimento da energia nuclear. A época era bem diferente da atual;a guerra fria dividia o mundo e cegava as mentes; e EUA, URSS, Franca e Inglaterra já possuíam armas. A China se juntou ao grupo na década de 60. Índia e Paquistão chegaram bem depois. Israel e União Sul Africana tinham programas “secretos” de desenvolvimento. Com o fim do aparthaide o governo da África do Sul, com a liderança de Mandela, abandonou o programa, e Israel possivelmente tem a bomba. Em 1986, a AIEA foi chamada para prestar ajuda à União Soviética, quando ocorreu o desastre com a Usina Nuclear de Chernobyl. Ainda hoje a agência é responsável pela desativação desta usina. Além de controlar o uso energético e bélico da tecnologia nuclear, a AIEA ainda tem a função de fazer pesquisas para a utilização da tecnologia nuclear em medicamentos, na agricultura e na indústria. Voltamos a década de 50. Em 1957 foi fundada em Viena, na Áustria, a Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA – www.iaea.org), que visa basicamente desenvolver a energia atômica para fins pacíficos. Exemplo disso são os programas realizados no Laboratório de Seibersdorf, cidade austríaca próximo a Viena, em associação com a FAO para melhorar e desenvolver técnicas nucleares na agricultura, controle da poluição, medicina, etc. A FAO é o organismo das Nações Unidas voltada para o desenvolvimento de alimentos e a agricultura, tem sede em Genebra, na Suíça, e atua no mundo inteiro. Acompanhei pesquisas muito interessantes; numa, a semente de uma planta ou o broto da bananeira por ex., é irradiada; a irradiação produz mutações; as mutações que apresentarem plantas mais resistentes ou com

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alguma qualidade extra são então desenvolvidas e raças novas são produzidas. Como as pesquisas são feitas para o desenvolvimento da agricultura em paises pobres, a maioria das plantas estudadas são tropicais e por isso seus desenvolvimentos são feitos em estufas

especiais que garantem condições controladas de temperatura e umidade. Há também pesquisas e trabalhos na área de entomologia, como o controle de pragas, com o uso da esterilização por irradiação. O mais clássico é o caso de controle de mosquitos. Primeiramente é feita uma coleta na área infestada. As fêmeas são mortas e os machos irradiados para esterilização; em seguida os Desde 1985 machos esterilizados são soltos na área infestada. Eles competem com os outros machos para copularem com as fêmeas, mas eles não têm descendentes. O processo

prossegue e com isso a população diminui e é controlada. Essa técnica é muito conhecida, tem tecnologia dominada e foi usada no controle da mosca tse-tsé na África. Li outro dia que uma universidade daqui estaria planejando usar a técnica para o controle do mosquito da dengue. Os laboratórios da AIEA em Seibersdorf e Mônaco mantém convenio com varias instituições de pesquisa no mundo, inclusive com o Instituto de Pesquisas Nucleares na Agricultura, de Piracicaba. Cerca de uma centena de pesquisadores do mundo receberam treinamento aqui. Nos anos 50, o pais que fizesse um acordo para desenvolvimento de tecnologia com a AIEA, tinha de garantir que só iria utilizar os conhecimentos para aplicações pacificas da energia nuclear, e aceitar se submeter às salvaguardas internacionais, que são medidas de fiscalização feitas pela AIEA. Com o tempo essas medidas se estenderam, foi estabelecido o Tratado de Não Proliferação Nuclear - TNP, que ampliava as salvaguardas. Os paises foram então induzidos a assinarem e ratificar o TNP. O Brasil assinou acordos de salvaguardas no tempo do Geisel, do acordo com a Alemanha e depois veio assinar o TNP (Color e ratificado pelo FHC). O que são as salvaguardas? São como medidas de fiscalização. Mal comparando com o sistema bancário, seria uma auditoria externa para verificar a contabilidade de material nuclear e garantir que não há aplicação daquele material para fins de construção de armas. Diferentemente do sistema bancário, usa técnicas nucleares e técnicas contábeis. O trabalho da AIEA visa basicamente 3 coisas: garantir o emprego da energia nuclear para fins exclusivamente pacificos, dar assistência técnica aos paises mais pobres e promover o desarmamento nuclear das potencias que já possuem a bomba. Vem tendo êxito nas duas primeiras metas, mas desarmar as potencias tem sido a grande lacuna ainda precariamente executada. Com relação aos dois primeiros objetivos, a ação da AIEA tem sido tão positiva que em 2005 ela e seu Diretor Geral Mohamed El-Baradei ganharam o Premio Nobel da Paz. A AIEA, em Viena, congrega cerca de 2300 funcionários com nacionalidades do mundo todo. O dia do anúncio foi de júbilo e confraternização entre os empregados. A AIEA sofre muita pressão por parte dos EUA e Israel na questão do Irã e vem tendo destacada atuação na avaliação e minimização dos impactos do acidente nuclear em Fukushima, no Japão. Hoje vejo nosso Diretor Geral à época em que trabalhava lá, agraciado com o Premio de 2005, como o político que pode liderar e transformar o Egito, levando-o a um regime democrático ansiado pelos que ocuparam a Praça Tahir, no Cairo. (Jose Roberto De Paiva é físico e trabalhou 5 anos na AIEA.)

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6 - O Ponte Velha - Dezembro de 2011

Conversa Com a Alma de um Jornal Daqui a três meses o semanário Beira Rio completa 15 anos. É o jornal informativo de maior crédito na cidade, ocupando o lugar que no passado foi da Lira. Sua alma é a carioca Ana Lúcia, de 48 anos, um espírito guerreiro que segundo o Luis Fontes encarna a Joana Darc. Ainda que petista militante, ela coloca em primeiro lugar a busca da informação isenta; e ainda que tenha a política no sangue resiste a uma candidatura porque acha que fazer o jornal é a sua melhor contribuição. Nessa conversa na sua casa (que se funde ao jornal, como não poderia deixar de ser) Ana contou um pouco da sua vida e comentou o atual quadro político de Resende, enquanto nos servia um chá. Ela fala no ritmo de uma metralhadora e com o entusiasmo de um profeta. Tentamos passar aqui o essencial. ANA: Sim, logo que a TV chegou, quando se chamava GUSTAVO: Você é carioca, certo Ana? ainda TV Vale do Paraíba. Fui chefe de reportagem. Mas eu ANA: Eu fui criada no Rio, em Brás de Pina. Minha casa e Globo não combina muito. Chegou a Tereza Garcia, como tinha cachorro, galinha, pato, muita árvore, cajá manga, que é minha chefe, e a gente começou a se bicar um pouco porque uma fruta que a gente quase não vê e que é uma delícia, tinha eu sempre fiz matéria política, sempre ouvi todo mundo, e um barracão mágico do meu pai... Meu pai era soldador, traisso estava incomodando porque o Arnaldo queria a política balhou na Petrobrás, foi também taxista muitos anos, e minha da boa vizinhança. Um dia ele me chamou e disse assim: mãe era dona de casa. E eu só tenho um irmão, mais novo, o “Ô Ana, nós vamos entrar ainda em tantos municípios, com João Carlos, que trabalha aqui no jornal comigo. áreas rurais que vão suscitar tantas matérias bacanas...” E eu GUSTAVO: Conta um pouco a tua trajetória até ter esse disse a ele: “Ô Arnaldo, se você me chamou aqui para que eu interesse tão grande pelo jornalismo. deixe de fazer o que eu faço para fazer matériazinhas de vaca ANA: Olha, o meu primeiro emprego foi como secretária pastando você pode me mandar num curso preparatório para as embora”. E ele disse: “Então Forças Armadas. Eu passei no Em alguns cargos o Rechuan está bom, você está demitida” exame mas não fui classificada colocou os amigos da Maçonaria. (dá gargalhadas). E foi uma das por falta de vagas, e hoje eu melhores coisas que me aconteceu. acho que foi a melhor coisa Ora, não é isso... Você tem que Voltei para a rádio e fiz o programa porque eu não ia ficar lá muito ter um corpo técnico, pessoas “Comando da Cidade”, que foi o tempo, por conta de uma indiscipreparadas. É um erro achar que que me lançou mesmo em Resende. plina natural minha. Esse meu primeiro emprego já era como no seu grêmio, no seu grupo, você Agora estou querendo de novo fazer um programa lá sobre drogas, mas o digitadora. Eu digitei a vida vai resolver tudo. Luis Fontes está me enrolando. inteira, tanto que tenho LER JOEL: Eu quero dizer que sou (lesão por esforço repetitivo) um admirador da sua independênnas duas mãos, tenho todos os tendões inflamados, e ainda cia, porque você até pode ter simpatia por um grupo político assim continuo digitando muito. Bem, depois eu fui trabalhar mas não fica numa posição de apoio cego. no JB, como secretária mas já fazendo o curso de jornalismo. ANA: Obrigada. Eu fui filiada do PT, milito bastante E teve uma hora que me estressei com o Rio de Janeiro: fui ainda quando posso, mas o jornal se mantém independente. assaltada com certa violência (embora tenha também acertado No jornal a gente tem que ser um observador dos fatos; tem uma cotovelada em cada ladrão, porque lutei judô até a faixa que ficar sempre com um pé atrás. Por exemplo: essas piadas laranja); via meus amigos jornalistas partindo para droga, ou com o ex-presidente Lula, que deveria tratar o câncer no SUS, bebendo muito e resolvendo todos os problemas do Brasil no me irritam, mas isso não me coloca como uma pessoa cega, copo de chopp... Aí eu disse: não quero isso para mim; quero que vá fazer uma defesa do sistema sem crítica. mais para mim. E acabei tendo a oportunidade de vir para cá GUSTAVO: Você sente decepção com o PT? porque era colega da filha do Leonardo, do Hotel Cabanas, ANA: Eu me decepcionei, sim, mas hoje já absorvi um em Itatiaia. Ele me convidou para vir ser gerente do hotel pouco. A gente sempre acha que vai deslanchar mais o lado dele. No hotel eu conheci o meu primeiro marido, que era social. É inegável que avançamos em alguns sentidos. Alguns garçon, e dali eu fui ficando, fazendo várias coisas, tive pizzacríticos dizem que isso era uma tendência natural. Tudo bem, ria, arrendei pousada... Meu primeiro trabalho jornalístico foi era uma tendência, mas para acontecer você precisa trabalhar. com o professor Arízio Maciel, depois fiz programa na rádio e Agora, a gente se decepciona, sim. acabei fazendo o meu jornal. GUSTAVO: A corrupção demais é que pega, não é não? GUSTAVO: Você também teve uma passagem pela TV Rio Sul.

ANA: Sim, mas hoje eu ando menos nervosa com isso porque vou vendo que a grande maioria das pessoas é assim, independente de estarem em partidos políticos. A gente vê isso no dia a dia, nas novelas... Eu, que faço muita cobertura policial, vejo o pai que criticava o filho traficante passar a administrar os bens do filho quando ele vai preso, os carros importados, etc. Eu digo aos meus alunos: quantos aqui já não deram dinheiro à polícia, ou já disseram que eram filhos de não sei quem? E, por outro lado, quem está reclamando do aumento dos salários dos vereadores e do prefeito, e do aumento do número de vagas para 17? Quase ninguém. Alguns porque estão de alguma forma ligados ao político, outros porque têm esperança de se eleger. JOEL: O que está mais errado nessa questão a meu ver é a Câmara receber um percentual tão grande do orçamento da cidade. O percentual da Câmara chega a 7%. O da saúde é 15%! É metade do que vai para a saúde! Para uma casa com 11 - vamos lá, 17 - vereadores! É muito dinheiro! Então tem que inventar onde gastar. Tem um limite para salário, mas ele sempre vão estipular no máximo. E se alguém se


Dezembro de 2011 - O Ponte Velha - 7 opuser lá dentro fica igual ao Julianelli. Outro dia eu falei pra ele: “sou um grande admirador seu, mas se você não der uma mudada, tipo o Lula mudou, você vai ficar igual a um cachorro latindo pra lua”. ANA: Eu até admiro muito a posição dele, mas fica a coisa meio do maluco mesmo. Isolado. O Dr. Mário Sérgio foi um pouco isso também. Ele se indignou tanto com as coisas que ele viu que depois ele não queria nem falar mais em política. Enfim, isso está tão incorporado... É claro que não são todas as pessoas. Mas, voltando ao PT, eu ainda acho que o PT é o menos pior. Não é o partido dos meus sonhos. GUSTAVO: A imprensa está sempre denunciando e a impressão que dá é que isso não vai significar grande coisa. Como você vê essa ineficácia? ANA: Acho que é ineficaz porque não é independente. Então,vai criticar só até o ponto da sua conveniência, do seu interesse, depois não critica mais. E a imprensa brasileira... GUSTAVO: Mas a imprensa tem denunciado sem parar... ANA: A imprensa brasileira, o escrachado dela seria o CQC da vida. Vão lá, escracham o politico, botam todos os podres pra fora, e dái? Em que resulta aquilo? O Ministério Público pega alguma coisa pra ver? A imprensa pega alguma coisa pra ver? GUSTAVO: Mas Ana, a grande mídia está denunciando sem parar. E aí cai o ministro, mas parece que o governo não tem como ir mais fundo e mudar os processos viciados, os loteamentos. ANA: Muda, alguma coisa muda, sim. A bola da vez agora foi o Lupi, que era uma pedra que já estava cantada há uns oito meses, quando eu participei de um seminário internacional de jornalismo investigativo e o Lupi era tema de um dos grupos de trabalho. Quando essas denúncias chegam na Veja, no Globo, já é um reflexo do trabalho de outros jornalistas, muitos até oriundos da grande imprensa, que hoje mantém estruturas muito interessantes de jornalismo investigativo na internet, tipo o “Contas Abertas”. Eu vibrei agora com a regulamentação da lei de acesso à informação, porque os governos negam as informações, ou criam estruturas burocráticas que dificultam o acesso a elas. E a grande imprensa aborda o assunto de um jeito que parece que a lei de acesso diz respeito só ao sigilo, só aos tais 50 anos que o Collor não quer abrir, e não é, está se falando da negação da informação no dia a dia. GUSTAVO: Você enfrenta esse problema com os poderes municipais? ANA: Isso é cíclico, mas com o Beira Rio sempre tem, porque o Beira Rio tem uma posição sempre crítica com relação aos governos. Agora, por exemplo, estou tendo

dificuldade em obter do Executivo os contratos da limpeza urbana; eles tinham inclusive que ter publicado isso e não publicaram. É muito dinheiro envolvido e as pessoas têm o direito de saber dos detalhes do contrato. Eu pedi e eles enrolaram, dizendo que era muita papelada; eu insisti e eles me mandaram fazer um ofício; fiz o ofício e estou esperando. Na Câmara eu pedi a relação dos salários de todos os servidores e me negaram dizendo que isso não era questão pública, o que não é verdade. Existe uma jurisprudência para não revelar nomes, mas pelas funções eles têm que informar. Quanto ganha o assessor disso ou daquilo? Negaram também. Eu vou fazer mais uma tentativa nos dois casos, e se não conseguir entro no Ministério Público. Não é uma sangria desatada, não é que eu precise disso amanhã, mas isso tem que estar explicitado para a população. Com a regulamentação dessa lei de acesso, as Camaras e os Executivos vão ter que colocar todos os editais, todos os contratos, tudo na internet. Não sei se a Dilma já sancionou. E os servidores públicos vão ter que

Por que é que o moleque tem que fazer curso de operador de empilhadeira?! (...) Não. Qual é o talento desse menino? Ele não tem que ser buchão de indústria. parar de tratar a informação pública como se fosse propriedade deles. Ainda sobre essa questão, eu tenho dificuldades hoje mas tinha muito mais no governo anterior, do Silvio, que de 2006 a 2008 colocou mais de 20 processos contra mim, para calar o Beira Rio. Antes, os vereadores entravam às vezes contra mim e eu mesmo me defendia, mas com o bombardeio do Silvio eu tive que contratar um advogado, sem poder. Mas enfim, a gente está na chuva para se molhar. JOEL: De onde você tira essa coragem para brigar tanto? ANA: Quanto mais processo mais eu gosto. Não sei... É porque eu gosto do jornalismo investigativo, gosto do compromisso de informar à população, tive bons professores, boas leituras... E acho também que herdei uma coisa do meu pai que é não ter muita ambição materialista. O Aluizio Balieiro até brinca comigo dizendo assim: “olha que todo mundo tem seu preço...”. Até hoje eu penso nisso. Qual seria o meu preço? Monetário eu sei que não é. Eu não tenho nenhum encantamento de estar próxima ao poder, nenhum glamour disso ou daquilo outro... GUSTAVO: Em contraponto a esse provérbio de que

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todos têm seu preço há o verso de um poeta, acho que o Walt Whitman, que tira onda dizendo assim: “um homem como eu, não há dinheiro que pague”. JOEL: A pessoa que se sente com uma missão na vida, é difícil de se combater. GUSTAVO: Você teve que pagar uma dinheirão à Iaci num processo, não foi? ANA: Dinheirão, também, não. Foram cinco mil num dos processos e no outro a justiça reverteu para “transação penal”, em que tanto eu quanto o Laís ficamos proibidos durante dois anos de viajar para fora do país sem autorização e também de ficar em bares ou festas de rua depois de meia noite. Quer dizer, para mim não foi tão ruim, mas para o Laís foi um horror. GUSTAVO: Agora eu entendi a bronca do Laís! ANA: No dia eu ria muito, assinava o negócio e ria, e o Laís ali do meu lado dizendo “como é que pode isso, Ana?!” GUSTAVO: Você tem escrito sobre o loteamento no governo municipal, principalmente nas áreas de saúde e educação em Resende. ANA: A gente sabe como são os compromissos de campanha, mas eu acho que Rechuan ampliou muito isso, sem tanta necessidade. Porque ele foi eleito praticamente sem muita gente acreditar, e então ele não tinha tantos compromissos de campanha, não tinha tanta gente já querendo o troco ali adiante. E aí ele vai e amplia esse leque de uma tal maneira que hoje eu acho difícil ele sair disso. E acho que isso pode ser a própria forca dele. Porque todo mundo quer é “o poder” e não “estar ao lado do poder”. Então, aquele partido que estiver um pouco mais forte vai jogar pesado, e isso pode desestruturar o governo. Em alguns cargos o Rechuan colocou os amigos da Maçonaria. Ora, não é isso... Você tem que ter um corpo técnico, pessoas preparadas. É um erro achar que no seu grêmio, no seu grupo, você vai resolver tudo. Ele podia estar com mais competência e ao mesmo tempo ampliando o seu apoio. Mas não. Quer ficar naquele grupo e acaba meio que refém disso. JOEL: Você não acha que isso pode ser uma maledicência? Que ele possa ter nomeado porque achou a pessoa competente, e por acaso a pessoa era maçon? ANA: Em alguns casos. O Viegas, por exemplo, acho que é um cara preparado para aquilo. Mas em outras áreas não vejo preparo, não. Na área social, que é crucial... JOEL: Quem é? ANA: Dona Marli, que é mulher de maçon ou de gente do Rotary, do Lyons, desse grupo... JOEL: Você falou que eram maçons... Mulher de maçon também está incluída? ANA: É o grupo, Joel, é o grupo. E outra, o que é pior: eles acham que ação social é uma coisa menor, e não é. Recebem muita verba federal. Eu acho que vai mal. Na Educação, a Soraya se esforça, e a Educação anda um pouco com as próprias pernas, mas é ruim “ter que estar” com o PSB, nesse esquema de loteamento; isso empobrece e deixa fora tanta gente boa que a prefeitura tem. GUSTAVO: Na habitação não fizeram nada, e a cidade está crescendo. ANA: Nada. E o tema já serviu para o loteamento, porque criaram mais duas secretarias. Aí, coloca o Mirim, líder do partido, na habita-

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8 - O Ponte Velha - Dezembro de 2011 ção; aí entra a irmã do prefeito no lugar do Mirim, para aparecer um pouquinho porque ela vai se recandidatar; e o Mirim deve voltar à Câmara no finalzinho porque vai querer se recandidatar também e não pode estar secretário... Então é tudo tão claro... Vai fazer o que na habitação agora? Ele está ali meio que passeando. E é aí que eu digo que não tem oposição em Resende. Por que não pega uma situação dessa e mostra o absurdo? Criar duas pastas no meio do caminho, com o orçamento já pronto, o que é isso? Vai tirar dinheiro de algum lugar. O próprio PT eu critico por não ter uma atitude mais forte. JOEL: E o Noel de Carvalho também não faz oposição. Uma das maiores qualidades do Noel, que é a capacidade de conciliação, nesse momento é um defeito, porque ele não sabe fazer oposição. Eu conheço o Noel há muito tempo, o Noel nunca brigou com ninguém, não é o do temperamento dele. Mas será que essa falta de oposição não se deve à habilidade do Rechuan? ANA: Não. Eu acho que é incompetência da oposição mesmo. Acho que a oposição fica muito mais preocupada em arranjar instrumentos para chegar no lugar do Rechuan do que em ver as questões coletivas e trabalhar nelas. JOEL: Olha que o Rechuan é árabe, árabe tem muita habilidade para negociar, para costurar as alianças. ANA: Tudo bem, ele tem o mérito dele, o fato de ser novo na política ajuda: ele vai às ruas, ele conversa com todo mundo, ele atende telefone. Até agora... Até agora.... Não sei como vai ser daqui pra frente se ele fizer carreira política. Mas até agora ele tem uma postura interessante, talvez até pela inexperiência na política. O que eu vejo é que ele é muito prático e imediatista. Isso em alguns momentos é muito bom, em outros pode ser um prejuízo. GUSTAVO: Você disse que a oposição fica só preocupada em arranjar um jeito de

chegar no poder, mas para isso não é preciso atacar o Rechuan, mostrar os erros dele? ANA: Eu também acho. Tinha que mostrar por exemplo como a questão social poderia estar melhor. A questão do trânsito também, onde não basta ficar falando de mais um ponte aqui ou outra ali. Tem que ver a questão dos acidentes, as sequelas que as pessoas ficam depois dos acidentes, que só sabe quem passa por isso, que fica sem trabalhar, tendo que fazer fisioterapia. O Dr. João Alberto Cruz me falou outro dia sobre o aumento dos acidentes no trânsito da cidade;

não tem pessoal para ir buscar essas pessoas. Uma questão que eu não consigo engolir é o tratamento com o pessoal que tem situação de rua e de risco. No final do governo do Augusto Leivas esses meninos ficavam meio abandonados num galpão sujo ali onde é hoje o Fórum novo. E olha que faziam parte de um programa... Quando o Eduardo entrou, o padre Franco assumiu essa área social e fez um trabalho muito interessante; foi aí que surgiu a Casa da Acolhida, e hoje isso é constitucional, e tal. E esses meninos tiveram uma possibilidade de vida melhor. É claro que alguns foram presos, outros mas o que eles precisaNão tem dinheiro para o social mas morreram, vam naquele momento eles tiveram, contrata a Cruz Vermelha para fazer que era abrigo e carinho. Quando um ‘projeto’ por sete milhões!! Aliás, entrou o Rechuan, uma das coisas que eu vi que ia acabar era a Casa a Cruz Vermelha ganha um dinheiro da Acolhida: “Ah, é muito complicado, os adolescentes querem ir pra fantástico com essas coisas... rua fumar maconha, se prostituir, e não podem ser presos...”. Ué, como assim? No governo do Eduardo tinha uns aumentou muito, mas muito mesmo. monitores, os meninos tinham atividades, GUSTAVO: A velocidade é muito maior. eles não queriam ir pra rua. Esses meninos Quando o circuito flui. estão sob a tutela do município. O Ministério ANA: Isso é muito grave. Eu acho isso Público tem agido bem nessa área, obrigado cruel, acho um crime. o governo a cumprir certas obrigações. Mas JOEL: Nessa questão do trânsito, outro é assim: falta biblioteca naquela casa lá do problema que eu vejo é a falta de uma Campo da Aviação. Aí o governo faz uma rodoviária urbana; de um local centralizado, cobertura na varanda, bota ali uma estante onde a pessoa que chega de fora possa se e chama de biblioteca, porque o Ministério informar sobre onde que ela pega um ônibus Público exigiu. Outro exemplo: uma figura para a Vicentina, por exemplo. do alto escalão do governo Rechuan vai ANA: E agora não tem mais lugar para visitar a Casa e vê os meninos sem fazer construir essa rodoviária urbana. nada à tarde. Aí chega na reunião e diz: GUSTAVO: Ô Ana, você disse que a “esses meninos estão muito ociosos; tem que questão social poderia estar melhor. E vocês fazer uma horta”. Só rindo... A minha filha, estão sempre noticiando crimes, mostrando sem tem a tarde livre, vai fazer natação, balé, como a periferia vai sendo envolvida com francês. E o menino de rua abrigado tem que a droga e a violência. O que você acha que pegar na enxada? É essa posiçao que eu acho poderia ser feito? extremamente prejudicial. E também não ANA: Não adianta ficar anunciando a tem muita opção para trabalhar. Nós temos criação de CRAS, esses centros de referência de atendimento social, se não tem estrutura,

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muitos miseráveis aqui na cidade. Nós temos quantas bolsa família? Se eu não me engano são quase 10 mil famílias em situação de miserabilidade. Isso não é o suficiente para o governo fazer alguma coisa diferente? Não tem dinheiro para um trabalho social, ou para ampliar a Santa Casa, ou coisa assim, e, por outro lado tem uns disparates: contrata a Cruz Vermelha para fazer um projeto para o salário família - para fazer “outro” projeto, porque já existe. Sete milhões!! Aliás, a Cruz Vermelha ganha um dinheiro fantástico com essas coisas... Foi contratada para a UPA, está administrando a UPA, e agora sete milhões por um “projeto”... E aí não tem dinheiro para investir na cabeceira do rio Sesmaria, no Ypiranga, no Barbosa Lima... Fica esperando do governo federal, cinco milhões. O governo já botou o dinheiro e não começou a obra. Já vai fazer um ano que teve a enchente que alagou tantas casas e agora que eles assinaram um contrato com a empresa que vai fazer a obra. São essas coisas ... de interesses, de maneira de enfocar.... O dinheiro é mal administrado. Se você tem pessoas com visão as coisas andam, mas se você só tem secretário que diz amém... Porque tem muito secretário que só diz amém. Mas o governo do Rechuan também tem coisas boas, não é só ruim não. GUSTAVO: E você acredita que essas indústrias que estão vindo aí nesse novo boom da nossa região vão ajudar a tirar essas 10 mil famílias da miserabilidade? ANA: (ri) Olha, eu não acredito não. Eles dizem que vão ter 2000 empregos novos em 2014. E a palavra da moda para o emprego do jovem agora é “logística”, todo mundo vai trabalhar na logística. Antigamente era na “produção” da Xerox. Então, eu acho que não tem perspectiva de crescimento nesses empregos. Uma coisa que eu critico:

(continua na página 9, após os encartes)


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Nos Campos de Dona Silvéria

Apresentemos o segundo número de Sesmaria, publicação do Instituto Campo Bello. Ao par da boa aceitação da ideia de uma revista de história regional, Sesmaria recebeu bem vindas críticas a que estaremos atentos. Uma delas observou que seria uma “pretensão” chamá-la revista. Com tal periodicidade, papel, número de páginas e distribuição... “revista”? Revista porque não é um jornal, comprometido com atualidades e obrigado a construir significâncias; nem é apenas um encarte, posto que se veicule nas asas do Ponte, pronta para se colecionar. Revista Sesmaria é um pretensioso modo de contar a história. Declina as estações como um haikai. Que seria da História sem a poesia do tempo? Revista, pode ser poesia sem chegar a ser literatura. Equilíbrio entre o verossímil e o memorável, a verdade histórica não deve abusar da boa sorte de ter leitores afeitos à sazonalidade. O mais é decorrência. E destino. Parte dos dados e a inspiração deste número vêm do Dr. Roberto Bernardes Cotrim. Em 1969, meses antes de morrer, meu avô ditou-me uma “Notícias Históricas de Itatiaia”. Guardo o caderno com a letra de menino de 12 anos, completado com sua caligrafia de médico. Nossas conversas são aqui continuadas. Homenageamos nesta edição a memória de sua mulher, Graciema da Silveira Cotrim (1902-2001), que morreu há dez anos. Nela, o Instituto Campo Bello contempla a dimensão matrimonial das sesmarias. Mais que o patrimônio, a vitalidade de uma sociedade tradicional, representada aqui por quatro mulheres: Silvéria, Custódia, Marianna Cândida e Maria Benedita. Agradecemos aos bravos servidores do Arquivo da Arquidiocese do Rio de Janeiro, as tantas gentilezas e instruções para lidar com o material aqui utilizado. Também a Karla Carvalho que assina a competente revisão, e a Afonso Praça, pela diagramação. Marcos Cotrim de Barcellos sesmaria19contato@bol.com.br

Desde que o Município foi fundado em 1989, fez-se um louvável esforço para contar a história de Itatiaia. Hoje, novas fontes nos levam a sugerir interpretações. Com tal ânimo, tratamos de aspectos do povoamento na primeira metade do século XIX, fase pouco estudada do antigo Campo Bello de Dona Silvéria, depois Campo Bello e Itatiaia. Esse período marca uma inflexão histórica, culminando com a Lei de Terras (n. 601/1850) e a proibição do tráfico negreiro, quando o Direito Formal se impõe sobre o Direito Comum. A medida comprometeu a vigência do Antigo Regime e sua cultura baseada na Cristandade Colo-

Por outro lado, a vinda da Corte em 1808 aumentou sensivelmente a demanda por “carne verde”, e as guerras no Sul (1816/26) diminuíram as remessas, valorizando o gado mineiro. Pizarro, em 1794, já gabara o número e qualidade do gado que aqui se criava e estanciava em trânsito para os mercados do Rio de Janeiro. A colonização da margem direita (Sul) do Paraíba havia sido fomentada pelo Caminho Novo da Piedade (1728-1780), que definiu o eixo Lorena – Areias – Bananal - São João Marcos – Ilha Grande como marco econômico e social. Mas é o roteiro Pouso Alto - Sant’Ana dos Tócos - São José do Barreiro - Mambucaba que induziu o povoamento das terras de Campo Bello.

nial, atualizando o capitalismo e redesenhando o perfil da sociedade, o que se vai evidenciar em 1876, com a Caravana Pereira Barreto, símbolo da nova mentalidade. Basicamente, esta edição apresenta duas fontes pouco conhecidas. O Livro de Registro Paroquial (1841, Arquivo da Cúria Arquidiocesana do Rio de Janeiro), e o Livro Paroquial de Registro de Terras, ambos da Freguesia de São José do Campo Bello (Lv. 68/1854-56, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro). Que outras críticas e descobertas esclareçam o muito ainda obscuro dessa história e suscitem colaborações oportunas. Por João Maia (Memórias Históricas, 1891:23), sabemos que até os anos 1780, a ocupação da margem Norte do rio Paraíba era problemática, sendo as fazendas vulneráveis à depredação pelos índios. Seu povoamento deu-se com o desbravamento operado pelas Companhias de Milícias, após a campanha do Sargento-mor Joaquim Curado, finda em 1788. Os últimos “gentios da terra” foram aldeados em São João Batista de Queluz desde 1801.

Importante personagem dessa história foi Antônio Pereira Leite, membro de uma parentela de Pouso Alto que se afazendou em São José do Barreiro nos anos 1820 (Maia Souto 1959:233). Mudou-se Antônio de Pouso Alto para Resende entre 1804 e 1811, e negociava com tropas de mulas. O Almanak Laemmert de 1849 assinala que ele era o único fazendeiro de café “com engenho e fazenda de criar”. Possuía fazenda em Santana dos Tócos e a Fazenda do Bicame em São José do Barreiro. Suas propriedades ficavam, pois, na rota de Pouso Alto a Mambucaba, que valorizou Campo Bello, ligando-o à Estrada do Picú entre 1826 e 1858, entroncada na Fazenda do Major Corrêa, hoje Engenheiro Passos. Antônio Pereira Leite foi subscritor da primeira ponte do Paraíba em 1821. Sua presença nos atos principais de estruturação do povoado dá-lhe lugar de proa na História local, ao lado de sua primeira mulher, Dona Custódia Ribeira, e a segunda, Dona Marianna Cândida Ribeiro.


Sesmaria - verão de 2011 - pag. 6

A devoção de Dona Custódia Trata-se da origem da Paróchia de San Joze “nos Campos de Dona Silvéria”. Assim se chamavam as terras da primitiva sesmaria quando José Ferreira de Souza e Antônio Pereira Leite em 1829 encabeçam a fundação de uma Capela, instituição de poder tradicional, que inculcava civilidade e obediência aos paroquianos, antes de Juizados de Paz e Câmaras municipais. Bopp (1988:96) afirma que o povoado de Campo Bello desenvolveu-se na sesmaria de Dona Silvéria Soares Lucinda. Mas erra ao afirmar que ela “em 1839 doou grande área de terreno em um recanto de sua enorme fazenda para que aí se levantasse uma capela sob a invocação de São José.” De fato, o Livro de Registro Paroquial da Matriz de São José do Campo Bello registra a doação de 88 braças em quadra [3,75 ha.] à Fábrica da Capela por Joaquim Joze Gomes e sua mulher Maria Clara de Santana, e o Livro de Terras informa que era de 100 braças (1 alq.), “dividida por todos os lados com Jose Ferreira de Souza” (Rg. 96, Fls.19 Vo). Antônio Pereira Leite e José Ferreira de Souza peticionaram com Joaquim Jose Gomes “e outros moradores de além do Paraíba”, em 1829, para obter licença de construir uma Capela invocando São José “nos limites do novo Curato do Senhor Bom Jesus”. Alegam que ali tinham que acorrer “para os Sacramentos... apesar da longetude e maos caminhos”, além da “caudalosa passagem do rio Paraíba”. São José era devoção de Dona Custódia Ribeira da Silva, primeira mulher de Antônio. O casal foi o grande benfeitor da primitiva Capela de São José do Campo Bello, tendo-a dotado de alfaias, paramentos e imagens. Viúvo de Custódia, Antônio casou-se com Mariana Cândida Ribeiro (depois Rocha Leão), falecendo em 1849. Em 9/2/1830, Dom José Caetano da Silva Coutinho (1808-1833) concedeu a Provisão para construir-se a Capela e o Cemitério. Em 21/11/1831, passou-se a Escritura, onde se diz que aquelas terras foram de João Pereira Leite e deviam servir para “promover a prosperidade pública”. A ereção canônica do Curato deuse em 1/12/1831, e a Provisão do primeiro Cura, o Pe. Joaquim Pereira Ramos, é de 2/12/1831. O vigário da Vara, Pe. José Marques da Motta, benzeu o Cemitério em 7/6/1834, e a Capela em 8/1/1835. Segundo o Almanaque d’ O Municipal (1944:23) o Curato foi reconhecido pela Lei Provincial de 5/4/1839, após a criação do Distrito de Paz em 13/10/1838. Em 27/7/1840, tomou posse o Pe. Francisco Fernandes de Oliveira e Silva, que faz os assentamentos no Livro de Registro Paroquial aberto em 1841, e os registros no Livro de Terras em 1854-56. O primeiro documento em que se menciona a Freguesia é de 1842.

Marianna Cândida e a arte de ser Dona Consta do Livro de Terras de Santana: “Eleuterio Alves Barbosa e Silva, morador nesta freguesia do Senhor Bom Jesus do Ribeirão de Santana, fazenda São Manoel do Angelim, e os cunhados Manoel Ribeiro da Rocha Bernardes, Francisco da Rocha Bernardes, Pedro da Rocha Bernardes, Henrique Jose Bernardes [...] possuem em comum 60 alq. na sesmaria do Passa Vinte medida e demarcada no ano de 1808 [...]. Houveram suas terras e títulos por falecimento de seu pai e sogro Manoel Francisco Bernardes.” (Lv. 70 – 1855-1857; Rg. 30; Fls. 07)

Página do Livro de Registro Paroquial NOTA- Bopp atribui a posse originária a Dona Silvéria Soares Lucindo (1825-1885), filha de Silvério Soares Lucindo, gente dos Soares Louzada e Bicudo Leme de Jacareí e Guaratinguetá, aqui chegada nos anos 1760. É bem possível, uma vez que Silvério aparece com terras no Ititiaia em 1856; seu padrinho de casamento, Antônio Soares Lírio era dono de 30 alqueires no lugar Santo Antônio do Rochedo das Palmeiras; e Maia (1896:55) afirma que Antônio Soares Louzada (avô paterno) recebeu sesmaria de meia légua em quadra em 1804, na “Ilha de Santo Antônio”, como se chamava a “ilha” do Paraíba Velho. Como Bopp não nos dá sua fonte, é lícito perguntar quem era a Silvéria de que tanto se fala. Talvez a “Dona Silvéria” seja Maria Silvéria do Carmo e Silva (ou Maria Silvéria Nogueira), irmã de Antonio Carlos Nogueira de Sá, dono das fazendas Ribeirão Claro (Aleluia) e Benfica. Antônio Carlos Nogueira de Sá era cunhado de Miguel José da Silva, irmão do Barão do Pouso Alto pelo primeiro matrimônio de seu pai, Cel. Carlos José da Silva com Inácia Rosa Angélica. Era bisneto de Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, tronco dos Nogueira de Baependi e Bananal. Casou-se com a sobrinha, Inácia Angélica, filha de Miguel e sua irmã Maria Silvéria. O que se ajusta um tanto à hipótese de um processo mineiro de povoamento.

Marianna Cândida Ribeiro Leite era irmã de Francisca Emerenciana, mulher de Manoel Francisco Bernardes, e encarregou-se de criar os sobrinhos após o falecimento da irmã. Era de Carmo de Pouso Alto (vale do Rio Verde) onde nasceu em 16/09/1810, filha do Comendador Francisco José Ribeiro e de Esméria Floriana de Mendonça. Casouse com Antônio Pereira Leite com quem teve um filho, Antonio Pereira Leite Ribeiro, que herdou com a mãe 80 alqueires na freguesia de Santana (Lv. 70; Rg. 01). Viúva em 1849, Marianna casou-se com Manoel da Rocha Leão em 1863, mudando-se para Portugal por volta de 1878. O casamento com Antônio dela fez Dona da Fazenda Caxoeira (sic), com mais de 900 alqueires entre o Paraíba e a estrada para Minas, depois chamada Itatiaia, em Nhangapi (hoje Vila Flórida): “Terras possuídas nesta Freguesia. Eu abaixo assignada declaro que sou senhora de uma Fazenda na Freguesia de São José do Campo Bello do município da cidade de Rezende cujas terras lavradias na Sismaria denominada Caxoeira medida e demarcada judicialmente, cuja Sismaria é de huma légoa a excepção de algumas partes da Sismaria que estão vendidas... também possuo a terça parte da Sismaria do finado Francisco Correa da Costa Nogueira cuja parte comprei do [filho] Senhor Francisco Xavier de Paula Nogueira em linha reta da Parahiba até o Sertão...” (Lv. 68, Reg.: 51)

Ser Dona era difícil. Diz a crônica familiar, que sua enorme fortuna foi dissipada pelo sobrinho Pedro, contumaz apostador nas corridas de cavalos no Rio. Tendo feito promessa para retornar a Campo Bello – construiria a Capela do Senhor dos Passos –, achou-se pobre e sem meios para cumpri-la. Pode se desobrigar graças ao auxílio de José Mendes Bernardes, que lhe ofereceu o terreno, e Eduardo Cotrim, que construiu o templo em 1886. Morreu em 26 de novembro de 1898 na Fazenda da Ponte, depois Belos Prados.


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Sesmarias, Fazendas e Parentelas A região que se estendia da fazenda das Palmeiras ao rio do Salto, limitada ao Norte pelo Ititiaia e ao Sul pelo Paraíba, foi o território do Curato de São José do Campo Bello a partir dos 1830. Contamse em sua área, em 1854/6, 110 propriedades, cifra a ser comparada com as 416 da Freguesia da Conceição e as 152 de Santana dos Tócos.

São fontes sobre o povoamento de Campo Bello: O Relatório da Visita Pastoral de Monsenhor Pizarro de 1794, com os nomes dos ribeirões e engenhos; o Relatório do Cap. Henrique Louzada Magalhães de 1791 nomeando as Companhias de Milícia do Campo Alegre; o Relatório dos irmãos Simplício e Vitorino Corrêa da Costa de 1791, sobre as “terras minerais”, e o rol das sesmarias que João Maia dá em seu Notícias Históricas de 1891, e Genofre, no Almanaque d’O Municipal em 1944. Maia diz que Francisco Lemes recebeu sesmaria de “meia légua de testada no Paraíba por uma de fundo” em 1786. Considerando Pizarro e os irmãos Corrêa, na década de 179o Francisco possuía seu Engenho “a 1 légua” da Freguesia, próximo portanto ao Portinhos e Ribeirão das Pedras; Brás Esteves, “a uma légua e meia”, teria seu Engenho no Ribeirão Bonito; e o Ten. Manuel Antunes, “a duas léguas”, em local onde se ergueria o povoado. Segundo Magalhães, em 1791, o trecho era guardado por duas Companhias. Do Engenho de Francisco Lemes até “o Silva”, o comando era do Ten. Manoel Antunes; “de Santana até o Silva”, ficava a Companhia do Cap. Matias da Silva. Manoel Antunes era filho de Brás Esteves, e

pai de Ana Maria de Jesus, que se casou com o primo, Domingos Soares Godinho, com terras no Barranco Alto. Manoel Soares Godinho Filho registrou em 1856 terras no Barranco Alto, “compradas a Antônio Vieira Carneiro”, já falecido em 1797 (Bopp, ficha 0113). A Carta Corographica da Capitania do Ryo de Janeiro (1777) de Francisco João Roscio (ver pg.5 supra), apresenta 1 sítio entre o Lambari e o Portinhos, 3 entre o Portinhos e o Bonito, 5 entre o Bonito e o Santo Antônio, e mais 3 entre este e a divisa com São Paulo. Com isso, parece bem assentada a tese da ocupação do território em fins do século XVIII. Por volta de 1850, estabilizada a cultura do café, as propriedades se distribuem. Contamos 70 no território atual de Itatiaia. Entre elas, notem-se: 1) No Barranco Alto, Sapé e Água Limpa, cortada pela “Estrada de Minas” somando uns 200 alq.; 2) “Eu abaixo assignado possuo hua Fazenda de terras lavradias no lugar denominado Campo de Dona Silvéria que haverá 100 alq. de plantação cujas divisas são as seguintes por hum lado na barra do Paraíba Velho e por este assima até a barra de hum córrego ... até o Ribeirão Grande divisando com os

herdeiros de Maria Antunes e Joaquim José Martins e por este acima até o caminho da Aleluia com Antonio Carlos Nogueira de Sá ...” Joze Ferreira de Souza, Fazenda Campo Bello; 3) “Digo eu abaixo assignado que sou senhor e possuidor de uma Fazenda denominada Ribeirão Bonito em uma sesmaria... 400 alq. Declaro mais que tenho... uma Fazenda das Palmeiras... dádiva de minha sogra e sogro Anna Tereza de Jesus e Manoel Gonçalves... 300 alq.” Joaquim Joze Martins. [marido de Maria Benedita Martins]; 4) Na sesmaria de Marianna Candida Ribeiro Leite, além da sua Fazenda da Caxoeira outros, somando c. 80 alq. 5) Na sesmaria da fazenda do Ribeirão de Santo Antônio, cortada pela Estrada geral de Minas, Nogueira de Sá possuía a Ribeirão Claro (300 alq.) e Benfica (200 alq.). 7) Santo Antônio da Boa Vista, chamada Cazunga , de Antonio José da Rocha Miranda e Manoel Gonçalves da Rocha. 8) “Francisco Ramos de Paula- Fazenda de cultura denominada Monserrate e outra de criar no lugar denominado a Ititiaia -2.700 alq. Divide com o Benfica ... e em direção a transpor a serra, Antônio Gonçalves da Rocha, Silvério Soares Lucindo, ...”.


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Boa Vista e o Caminho do Picú Já se disse que a cafeicultura modificou o Município de Resende na primeira metade do XIX. Não por acaso, em 1829, a Câmara de Resende, liderada pelo Padre Marques da Motta, representou à Assembléia Provincial pretendendo criar uma Província nova, formada por Resende, São João Marcos, Parati, Angra dos Reis, Areias, Lorena, Guaratinguetá, Cunha, Baependi e Campanha. Menos observado é o papel da pecuária nessa transformação. De fato, pode-se atribuir o povoamento de Campo Bello à sua vocação comercial condicionada geograficamente pela situação de passagem entre Minas e Rio, vocação de que não se pode separar a pecuária e o tropeirismo, com seus caminhos e pousos. Uma jornada de tropa cobria 4 léguas mais ou menos, o que determinou a distância de 20 a 25 km entre os povoados que iam nascendo. A ligação originária com o sul de Minas Gerais se fazia pelo vale do Pirapetinga, com as variantes da Pedra Selada e da Capelinha/Barro Branco. Salvo melhor juízo, as margens do Rio do Salto foram as últimas a serem conquistadas. Enquanto a aldeia de São Luís Beltrão (1788) marca a pacificação do primeiro desses caminhos, o aldeamento de Queluz (1801) assinala, uma década depois, a conquista das terras que seriam atravessadas pelo Caminho do Picú. É bem possível que a picada viageira deste Caminho estivesse franqueada antes disso. Note-se que, antes de 1818 o primitivo Registro do Picú situava-se junto à Capela de São José do Picú, hoje Itamonte, no caminho que se iniciava na Capela de Santana do Capivari, abaixo de Pouso Alto, vantajoso em relação ao roteiro por Areias e Passa Quatro. João Maia (1896:54) escreve que a sesmaria original, com meia légua em quadra, foi de Domingos José Lopes Ferraz em1801. Genofre (1944:31) complementa dizendo que eram “terras devolutas... as quais seria dificultoso pedi-las outra qualquer pessoa por razão de encontrarem-se místicas ao Gentio, e o suplicante, na união em que vivia ter forças para rebater as indômitas fúrias do mesmo Gentio.” Também recebeu sesmaria “o capitão Manoel de Carvalho Leme no mesmo local e pelas mesmas razões, bem assim o capitão José Mendes de Carvalho e o Padre Manoel Fernandes Fialho” (2º Livro de Sesmarias de 1794). O Pe. Fialho era de Aiuruoca. Talvez os demais também. A seguir, sabe-se da sesmaria de Francisco Corrêa da Costa Nogueira, cuja terça parte no rumo de Campo Bello foi comprada por Dona Mariana Ribeiro Leite, como vimos. Deve-se a ele o primitivo nome, “Major Corrêa”, de Engenheiro Passos. Era filho de Victorino Correya da Costa, natural da freguesia de Ouro Branco, que com os irmãos Francisco e Simplício, veio para o Campo Alegre nos anos 1790 (Bopp 1988). Depois, o registro mais antigo é o de Manoel Ribeiro do Couto Guimarães, com “Fazenda de terras no lugar denominado Ititiaia” compradas em 1822, 1823, e 1824, e “bem assim algum terreno por mim apropriado cujas divisas principiam no ribeirão do

Salto... no alto do Ititiaia... confrontando com terras do barão do Pouso Alto...”. Datado do Sertão do Ititiaia (Lv. 68, 74). Grandes fazendas à margem do rio do Salto pertenciam a uma parentela radicada em Pouso Alto: a fazenda Boa Vista, de Luís da Rocha Miranda, genro do barão de Pouso Alto, que era dono do Palmital, e a fazenda da Lapa, de Vicente da Silva Pereira, genro e cunhado do Barão. Dos 40 registros dessa zona, Soledade do Salto era do Cônego Antônio Rodrigues Afonso. De João Albino de Souza era a Agua Branca, com 90 alq. “comprados a Domingos Gomes Jardim”, dono da Valparaíso, de onde Claro Rodrigues de Almeida data seu registro. Joaquim Leonel de Paiva tinha “60 alq. no lugar denominado Monte Alegre”, onde Francisco Ignacio de Paula possuía 500 alq. dividindo com José Pereira Jardim, que era o dono das fazendas Carrapato e Pinhal. Curioso o Reg.: 32. Declarou Antonio Joze Barboza possuir “Sitio denominado Salto que parte da beira do rio Paraíba com os herdeiros do finado capitão Prudente da Silva Pereira até a serra das Conxas e por ela acima até o cafezal de Antonio Gomes dos Santos Lopes ... em linha reta para o fundo até o sertão com o dito cafezal do Lopes que divide de sobre quadra, e pela ponte do rio Paraíba com aceitação constante do auto de medição e demarcação que se procedeu, e bem assim a terça parte da meia légua quadrada que contem a sesmaria da Fazenda Boa Vista dividindo pela frente com o Paraíba e pelos lados com Dona Mariana Cândida Ribeiro Leite e Luiz da Rocha Miranda e pelos fundos com os ditos Miranda e Dona Mariana com as quais está por dividir.”

Palavras Finais Ao acrescentar aos estudos já existentes sobre a região, uma história de seu primeiro povoamento, ressaltamos Antônio Pereira Leite e José Ferreira de Souza, dono da Fazenda Campo Bello, a quem pertenceu a maior parte dos Campos de Dona Silvéria onde o arraial se expandiu. Bopp afirma que sua irmã, Ana Joaquina Ferreira de Souza, foi casada com o Major Corrêa. As parentelas abusavam dos casamentos endogâmicos, sendo alegação frequente, os “oradores serem das principais famílias desse país o qual pela sua estreiteza é falto de homens suficientes...”. Os Ferreira de Souza e Pereira Leite entrelaçaram-se em inúmeros matrimônios e compadrios. Mas a parentela era maior, típica da mentalidade de Antigo Regime com suas mercês, constituindo complexas redes sociais assinaladas por Donas, Barões e Comendadores. A ligação Sul de Minas/Mambucaba, passando por Campo Bello, foi apropriada por uma rede dessas, composta, entre outros, por Antônio Carlos Nogueira de Sá, Domingos Soares Godinho, Francisco Teodoro da Silva (barão de Pouso Alto), Francisco Ramos de Paula (de Bananal), os Rocha Miranda, Antônio Francisco Airosa (de Barreiro), enfim, uma pequena nobreza territorial que seria desarticulada a partir de 1850. Embora não tenha sido causa exclusiva da mudança, a Lei de Terras marcou o começo do fim de uma ordem econômica e social, selecionando paulatinamente os candidatos aos novos lugares de poder. Com o declínio da cafeicultura em Resende nos anos 1850/60, e a opção por São Paulo, abriu-se espaço para a mentalidade que incorporou a noção de progresso, susceptível de ser colonizada pelo Positivismo e os ideais republicanos. Mas isso é outra história.

Fontes e Referências Livro Paroquial de Registro de Terras da Freguesia de São José do Campo Bello [n.68], 1854-1856 Livro de Registro Paroquial da Matriz de São José do Campo Bello, 1841 BOPP, Itamar. Quatro Personagens da História de Resende, 1988. COTRIM, Roberto. Notícias históricas de Itatiaia [manuscrito], 1969. GENOFRE, Carlos José Franco. “Achegas à história de Resende”. In Resende no seu Ducentésimo ano de existência, Almanaque O Municipal, Resende, 1944. MAIA, João. Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Resende, desde a fundação. Rio de Janeiro, Typographia da Gazeta de Notícias, 1891.  MAIA SOUTO, Reynaldo. História de São José do Barreiro em seu Primeiro Centenário, 1959. Sobre o perfil dos fazendeiros. Cf. Almanak Laemmert (1849, 1850, 1853-71, 1874-85) Sobre Dona Mariana Cândida. Cf. BERNARDES, Alda. http://academiaitatiaiensedehistoria. blogspot. com/2008/10/biografia-de-d-mariana-ribeir-da-rocha.html Sobre a caravana Pereira Barretto. Cf. BRUNO, José Carlos O. http://www.genealogiafreire.com.br/ jeo_caravana_ pereira_barreto.htm Sobre Itamonte e o Registro do Picu- Cf. PARANHOS, Paulo. http://noticiarama.blogspot.com/2011/02/ coluna_22.html Sobre demais notas genealógicas. Cf. SETTE, Bartira (Org.) www.projetocompartilhar.org


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o Rechuan foi a Brasília porque ele quer trazer uma Escola Técnica Federal. Mas, caramba, tem a FAETEC, tem o CVT. Por que não briga politicamente por isso? Por que ele quer nas mãos dele? GUSTAVO: Além de logística, o cara pode também aprender a operar empilhadeira. ANA: Pois é! Eu pergunto na sala aos meus alunos: quem aqui tem o curso de operador de empilhadeira? Todo mundo levanta a mão. Quem já trabalhou com isso ou tem perspectiva de trabalhar? Quase ninguém. Porque é que o moleque tem que fazer curso de operador de empilhadeira?! Isso é uma questão de educação. Achar que ele tem que fazer qualquer curso técnico e que com isso resolveu a questão? Não. Qual é o talento desse menino? Ele não tem que ser buchão de indústria. JOEL: Uma coisa que eu acho cruel nessas fábricas que trabalham em turno é que elas vivem mudando o sujeito de turno, de forma que a pessoa não pode nem estudar se quiser. Parece que eles querem despersonalizar o cara. ANA: Buchão de fábrica! Buchão de fábrica! GUSTAVO: O governo tinha que peitar essas empresas e não permitir isso. JOEL: Agora, por outro lado eu sou pleno partidário do emprego. Sou fã daquela musica do Gonzaguinha, que diz que um homem sem o seu trabalho perde a honra. Eu acho que o trabalho livra o sujeito de 50% dos problemas que ele pode ter. Acho que a gente tem que con-

trolar poluição, etc, mas tem que dar valor à geração de emprego. GUSTAVO: Mas o emprego tem que ter uma perspectiva de realização pessoal. ANA: Se não aquilo se torna um fardo. Acho que é uma questão de política pública, que não tem. Agora tem uma Secretaria de Trabalho. O que é que faz? Para dar perspectiva a esse pessoal jovem, por exemplo? E olha, a gente tem tanto programinha disso

cidade da prefeitura para ele... ANA: Pois é, essa é a prática comum, mas eu discordo dela radicalmente. Eu só venderia com uma proposta muito interessante - uma proposta jornalística, não de dinheiro. (Ana sai da sala para buscar uma pesquisa que quer nos mostrar) Olha aqui: pesquisa feita pelo pessoal do Noel de Carvalho em março aqui em Resende: qual o jornal que você tem mais o hábito de ler? Em primeiro lugar o Beira-

Em Itatiaia, a Gilda rompeu porque tinha uma contribuição interessante a dar e o prefeito não deixou. O retrato dessa situação foi aquele absurdo lá do Penedo, de chegarem as máquinas do estado para dragar o rio, vindas por ação da Gilda, e o prefeito mandá-las embora. e daquilo. É tanto dinheiro que vem para Resende... Eu estou sempre vendo no portal da transparência; vou começar a fazer uma tabelinha semanal mostrando o que está chegando (ri). GUSTAVO: Você nunca ficou tentada a se candidatar? ANA: Já fiquei, porque eu gosto disso. Mas acho que o meu grande partido, o meu grande governo é o Beira-Rio, e se eu for para a política eu inviabilizo ele. GUSTAVO: Eu tenho um amigo, o pintor Oscar Araripe, que diz assim: se você pode ser o melhor vereador do seu bairro, seja outra coisa... JOEL: Se você fosse para a política nem precisava vender o jornal; bastava botar no nome de um testa de ferro e desviar a publi-

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-Rio, em segundo O Globo. Então, vejam, estou na frente do Globo (ri, orgulhosa) Se dissesse que estou na frente da Voz da Cidade, em que ninguém acredita; na frente da Folha Fluminense, que acaba após a eleição... Mas na frente do Globo! GUSTAVO: Como você vê a posição da Gilda, do PT, em Itatiaia? ANA: Acho uma posição corajosa, porque ela faz o papel da maluca. Saiu do governo, senta no meio fio para conversar com a população... Mas é isso: ir onde as pessoas estão, este é o caminho. E acho que ela deixou o rompimento muito claro: tinha uma contribuição interessante a dar e o prefeito não a deixou participar. O retrato dessa situação foi aquele absurdo lá do Penedo, de chegarem as máquinas para dragar o rio, vindas

do governo estadual por ação da Gilda, e o prefeito mandá-las embora alegando que não sabia. Eu, se fosse o Luis Carlos, is para lá e ainda tirava proveito da história, sem deixar ela crescer sozinha. Mas não, mandou as máquinas embora, fez o jogo dela. Eu admiro ela, porque enfrentar as coisas lá em Itatiaia não é fácil. GUSTAVO: Dizem que tem uma caveira de burro enterrada lá. ANA: Tem, tem sim. De vez em quando acontecem umas coisas macabras em Itatiaia... GUSTAVO: A origem das coisas explica. O que motivou o município foi o olho na grana da Xerox. O que começa errado é difícil de dar certo. ANA: E cadê a Xerox? JOEL:Me incomoda um pouco essa polarização em Resende entre carvalhismo e não carvalhismo. Eu vejo com simpatia o surgimento de uma nova força política, que hoje teria até um líder, que é o Julianelli. O que você pensa disso? ANA: Olha, espaço tem. Eu pensei que o Dr. Julianelli pudesse ser um novo líder, mas mudei de opinião. Acho que ele criou uma expectativa, talvez até sem intenção, de ser o líder de uma terceira via, mas acho que ele estabilizou e não vai sair disso. É uma pessoa correta, teve uma ótima votação para deputado, as pessoas gostam dele, mas ele precisa querer, e eu não vejo isso. Se ele quisesse crescer ele teria que ouvir mais e fazer mais concessões. Isso não significa mudar a postura dele, ética, que eu admiro. Mas se ele quisesse ir para a frente politicamente ele teria que ousar mais, e eu não vejo essa disposição nele. Eu teria saido do partido. Não

precisava ir para outro partido por conveniência. Entregava o mandato e ia para a rua com a proposta de renovação. Era simples assim. Ele acabou refém do PSB, numa declarada guerra que o PSB fez, colocando ele no “seu lugar”, e ele de certa forma aceitou isso. GUSTAVO: A novidade continua sendo o Rechuan, que fica como o anti-carvalhista. ANA: Mais ou menos, não é, porque o governo dele está lotado de ex-carvalhistas. Quer dizer (rindo), ex-carvalhistas não se sabe até quando, não é? Talvez até depois da eleição... GUSTAVO: Como seria o programa que você queria fazer na rádio sobre drogas? ANA: Queria antes de tudo botar o dedo na ferida. Mostrar que a pessoa que é dependente de alcool ou de droga e tem problema com isso deve buscar ajuda. E cobrar mais políticas públicas. GUSTAVO: Já há ramificações de grandes organizações criminosas aqui? ANA: Sim, mas o Beira Rio não cita essas organizações para não fazer propaganda delas. Nossa cidade ainda é de um tamanho que a gente pode resolver essa questão de outra forma. Uma coisa que eu sinto falta é de uma política comum da prefeitura com o delegado da polícia e o comandante da PM. Quais são as metas? Eu não conheço nenhuma meta conjunta. Não pode achar mais hoje que a segurança é uma questão do governo do estado. GUSTAVO: Você quer acrescentar alguma coisa? ANA: Ressaltar o crescimento do Beira Rio, que no começo era considerado um jornaleco, que achavam que era do Luis Fontes e eu era testa de ferro, porque eu trabalhava na rádio ainda; depois que eu saí da rádio o jornal era “da maluca da Ana Lúcia”, que queria bater em todo mundo; e hoje o Beira Rio se institucionalizou, hoje a Ana Lúcia nem aparece. E eu devo isso a todos que colaboraram e que ainda trabalham comigo, aos parceiros anunciantes, alguns desde o início do jornal, como o Royal Center, aos assinantes. Então, por mais dor de cabeça que possa dar em alguns momentos, é um trabalho muito gratificante. Eu acho que esse é que é o meu preço e é isso que eu passo para os meus alunos de jornalismo. -----------------------------------------


10 - O Ponte Velha - Dezembro de 2011 No último fim de semana, dia 27 de novembro, foram lembrados os 10 anos do ataque atômico a Brasília. Milhares de parentes dos parlamentares mortos no ataque prestaram suas homenagens no Memorial 27 de Novembro, localizado na asa sul da ex-capital brasileira. O presidente da república, Rogério M. Mattoso, acompanhado no palanque pelo marido, Frederico F. Borja, fez um discurso emocionante, levando os presentes a uma grande comoção coletiva, e até a demonstração de

Krishna Simpson

Comoção no aniversário do ataque atômico a Brasília histeria de boa parte dos integrantes de seu partido. Consultada pela redação do Ponte, a brasileira Prêmio Nobel de Física Maria Morena Ratinetz explicou as bases científicas do ataque. Segundo Ratinetz, o ataque atômico usou a tecnologia nuclear conhecida como “Bolha Quântica Plasmática”, a mesma utilizada para destruir o Vaticano há 30 anos, e que deixou Roma intocada.

Segundo ela, essa “bolha” é programada para destruir apenas uma área pré-determinada na detonação da bomba atômica, área que pode variar de centenas de metros a milhares de quilômetros quadrados. Criada secretamente em 2019 por um grupo de cientistas norte-coreanos e indianos, tal tecnologia foi terminantemente combatida pela ONU desde aquela época, mas os arquivos com os planos de manejo permaneceram escondidos em locais subterrâneos do sul do Caza-

quistão, até terroristas sudaneses terem acesso a ela e desenvolverem as bombas que mataram o Papa e centenas de clérigos em 2035, num dia de pouca visita pública. O Brasil tenta se erguer deste trauma que tirou a vida de mais de 90% dos deputados, senadores e ministros brasileiros, deixando um rastro de crise política pela última década. Ratinetz recorda que à época dos ataques a Brasília estava participando de uma conferência em Viena, junto com outros cientisEntrega e m do (só em P micilio enedo)

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tas de renome internacional, e que Flávio Maia foi realizado um minuto de silêncio pelas vítimas antes de sua última palestra, na cerimônia de encerramento. Ela lembra ainda que, por estar representando o Brasil, recebeu pessoalmente flores do primeiro ministro sueco, que presidia a conferência. Até hoje os mentores do crime não foram encontrados. Fazem parte, possivelmente, de uma organização terrorista plurinacional sediada no Iêmen. A polícia internacional desconfia que possam estar em alguma das ilhas da Polinésia Francesa, mas argumentam que devam estar muito bem disfarçados, inclusive pelo fato de possuírem exímios cirurgiões plásticos no grupo. As buscas foram abandonadas há dois anos, fato que revoltou a associação criada pelas vítimas dos parlamentares mortos, mas que continuará do mesmo jeito por enquanto. Cientistas políticos afirmam que o ataque atômico a Brasília, assim como no caso do Vaticano, teve seu lado positivo. Neste último, deixou descoberta uma imensa galeria de túneis que fazia ligações com Roma e na qual estavam escondidos importantes documentos reveladores, alguns guardados desde a época da perseguição dos cristãos pelos romanos e outros mais recentes, da época da Inquisição. No caso brasileiro, uma votação imediata teve que ser convocada no país, para a renovação dos quadros, mas com os novos candidatos já submetidos aos moderníssimos aparelhos de ressonância ética, de uso obrigatório a partir das novas leis eleitorais. Rememorando 2065 Essa coluna trará as principais reportagens do ano em que se comemorou os 70 anos do Ponte

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Nossa História, Nossa Gente

ereira Joel P

Professor Antônio Esteves

O objetivo desta coluna é homenagear pessoas que dão nome a logradouros de Resende. O homenageado deste mês empresta seu nome à Avenida Coronel Professor Antonio Esteves, no trecho da Estrada Estadual Resende/Riachuelo, continuação da Av. Darcy Ribeiro, iniciando na frente da Faculdade Dom Bosco e terminando na Avenida “A’, no acesso oeste à Ponte Nova, Bairro Jardim Primavera, conforme Lei Estadual 5.825, de 20/09/10. ANTONIO ESTEVES nasceu no Rio de Janeiro, no dia 25 de agosto de 1924. Foi militar do Exército, formado na AMAN, em 1948. Casou-se em 1950, com Maria Sylvia Simon Esteves e tiveram cinco filhos: Teresinha Maria, Silvia Maria, Gloria Maria, Antonio Carlos e Mario Aníbal. O ano de 1956 foi decisivo na vida de Esteves, pois naquele ano graduou-se em Economia na Cândido Mendes, no Rio, e também foi aprovado no concurso para o Magistério do Exército, na cadeira de Geografia Econômica e, posteriormente, Economia Política. Em 1984, encerrou sua carreira militar, reformado como coronel

Foi o principal criador da Faculdade de Ciências Econômicas Dom Bosco, em 1968, a primeira instituição particular de ensino superior de Resende. O objetivo principal da Faculdade era capacitar pessoas. O lado financeiro vinha em lugar secundário, pois ali nunca nenhum bom aluno deixou de estudar por falta de dinheiro. A sede própria da AEDB foi inaugurada em outubro de 1972, pelo saudoso Prefeito José Marco Pineschi, um dos grandes incentivadores e colaboradores da Faculdade. A Associação Educacional Dom Bosco oferece os cursos de: Administração, Biologia, Economia, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica-Eletrônica, Engenharia de Produção Automotiva, Engenharia de Produção Metalúrgica, Letras, Pedagogia, Sistemas de Informação, Tecnologia em Automação Industrial, Tecnologia em Gestão Pública, Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos, Tecnologia em Logística. Tive a honra de ser seu aluno, de Economia e Geografia Econômica, na Escola Técnica de Comércio Dom Bosco. Certa vez, o Professor me deu o gabarito e mandou que eu fizesse uma pré-correção das provas, sentando à sua mesa, enquanto ele

dava a aula. Havia festa na Igreja São Sebastião, e quando a Banda da Aman começou a tocar, abrindo a festa, eu comecei a “reger” a orquestra. O Esteves, pelo riso dos colegas, percebeu que eu estava fazendo alguma palhaçada. Sem se voltar, deu um tapa em cima da mesa. Levei um baita susto, me desequilibrei e tombei com a cadeira. Aquilo foi uma festa, especialmente para o Professor, que se divertiu muito dando o troco para minha brincadeira. Faço questão de contar esse episódio para mostrar o menino por detrás da farda e do título. Assim era o Coronel Professor Esteves, uma pessoa com um astral invejável que sabia impor respeito, sem ser autocrata. A preocupação social do Professor o levou a ser co-fundador da Conferência Vicentina, entidade protetora de idosos e desempregados e da Liga Resendense contra a Tuberculose. Ainda hoje, sua Faculdade, mirando-se em seu exemplo, atua fortemente no social, por exemplo, formando cuidadores de idosos, em conjunto com o Asilo Nicolino Gulhot. Mercê de sua marcante presença na cidade, O Prof. Esteves recebeu os seguintes títulos em Resende: o de cidadão resendense, em 1977; o de professor emérito, em 1988, e a Comenda Conde de Resende, em 2002. Faleceu aqui, na cidade que tanto amou, no dia 12/12/09, deixando uma Resende transformada para melhor, em razão de sua atuação como educador de pessoas e formador de cidadãos. Para definir o Professor, nada melhor que o epíteto e título do livro da brilhante Jornalista Virgínia Calaes: Luz que não se apaga. Sobre o objetivo da AEDB, citamos o belo depoimento do Prof. José Monteiro Filho, capacitado coordenador do Curso de Letras: “A missão da AEDB não conhece limites, pois ela se parelha aos sonhos de seus fundadores”. REFERÊNCIAS: Luz que não se apaga, Virgínia Calaes; O repto de um professor, Ercílio Galhardo; www.aedb.com.br Foto: detalhe da capa do livro Luz que não se apaga

Esta invocação é uma Prece Mundial Expressa verdades essenciais. Não pertence a nenhuma religião, seita ou grupo em especial. Pertence a toda humanidade como forma de ajudar a trazer a Luz Amor e a Boa Vontade para a Terra. Deve ser usada frequentemente de maneira altruísta, atitude dedicada, amor puro e pensamento concentrado.

A Grande Invocação Desde o ponto de Luz na Mente de Deus, que aflua Luz às mentes dos homens. Que a Luz desça à Terra. Desde o ponto de Amor no Coração de Deus, que aflua Amor aos corações dos homens. Que aquele que vem volte à Terra. Desde o Centro, onde a Vontade de Deus é conhecida, que o propósito guie as pequenas vontades dos homens. O propósito que os Mestres conhecem e a que servem. Desde o centro a que chamamos raça humana, que se cumpra o plano de Amor e Luz. E que se feche a porta onde mora o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano Divino na Terra. Unidade de Serviço para Educação Integral Av. Nova Resende, 320 – sala 204 CEP: 27542-130 – Resende RJ – Brasil Tels(0xx24) 3351 1850 / 3354 6065

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12 - O Ponte Velha - Dezembro de 2011

Gladstone e o Presépio

Feira do Livro Agitou Mauá O Centro Cultural Visconde de Mauá, sob o comando da incansável Márcia Patrocínio e com apoio de empresários locais, realizou a primeira Flivima (Feira do Livro de Visconde de Mauá), de 24 de novembro a 4 de dezembro, com uma programação riquíssima, que foi do lançamento de livros à exibição de filmes, encenação teatral, dança e fórum de debates. Foram lançados os seguintes livros: “A obra do artista plástico Boi”, de autoria de Gabriel Borba; “Mitologia para Jovens”, de Djalma Carneiro; “A Fuga das Minhocas”, de Raquel Ribeiro; “Os Amigos da Natureza no Alto da Serra” e “O Encontro de Duas Estrelas”, de Rosana Magalhães; “Água de Passarinho”, de Laís Amaral, e “Visconde de Pirajá 487, As Domingueiras de Aníbal Machado”, organizado por Celina Whately (foto). Os lançamentos aconteceram na sede do Centro Cultural, no Shopping dos Imigrantes, na Vila de Mauá. Já os filmes foram exibidos no Hotel Bühler: “Orfeu Negro”, de Marcel Camus, baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, e “Palavra Encantada”, documentário de Helena Solberg sobre a riqueza das letras na musica popular brasileira. Foram programadas também visitas escolares à Feira, ocasião em que era projetado para as crianças o filme “Ele era um Menino Feliz - O Menino Maluquinho 30 anos depois”, de Caio Tozzi e Pedro Ferrarini. Houve ainda encenação da peça “O Rapto das Cebolinhas”, de Maria Clara

Machado - que foi uma homenageada especial da Feira -, com direção de Gilda Guilhon; debate sobre “Livro e TV”, com Regina Guerra e Joaquim Moura; fórum sobre cultura nativa; e dança circular com Elza Sanvicente. O Centro Cultural distribuiu também um folheto com um interessante mapa dos “Caminhos da Leitura em Visconde de Mauá”, assinalando 15 pontos onde há livros disponíveis para a comunidade e os turistas, entre escolas e bibliotecas. O folheto ressalta que os acervos localizados nas escolas atendem principalmente ao alunos e professores, ficando as bibliotecas comunitárias de Maringá, do Centro Cultural, da Escola Municipal do Mirantão e da Comunidade Céu da Montanha disponíveis para consultas e empréstimos de livros. A biblioteca Daniel Sá Pereira, da Fundação Mantiqueira, também oferece acesso ao seu rico acervo - 7.000 títulos - mas apenas para consultas no local. E Viva o Centro Cultural de Visconde de Mauá, que enriquece a região com o melhor do ser humano.

Dr. Maurício Diogo Cirurgião Dentista - CRO-RJ 10689

Implantodontia

1) Há dez anos passava dessa a outra vida, Gladstone Chaves de Melo. Uma dúzia de parentes e amigos estavam na Missa que se mandou rezar dia 7 passado na Igreja do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, onde ele foi oblato. Na homilia, o celebrante recordou sua presença benfazeja entre os pobres e seu papel no Centro Dom Vital e na revista A Ordem. Chamou atenção para o sentido da pobreza evangélica que testemunhou, e de como os corações devem tornar-se presépios para esperar o Menino Jesus no Natal. A pobreza espiritual é a sede de um particular senso estético. Não por acaso, será no produto tecnológico que traz a etiqueta “natal” que hoje se sofre o feio e o mal disposto. Na lembrancinha distribuída, leio a observação de que, ao par de sua inteligência, o distinguia a preocupação com a beleza, “a outra face da bondade”, sensibilidade que o levou a vê-la especialmente na literatura. O filólogo era guiado pela “incessante busca da beleza, da pureza das origens, onde se forjou a língua em que primeiro chorou Camões.” 2) Nasceu em 1917, em Campanha (MG) onde conheceu um jovem estudante jesuíta vindo da França para o noviciado no Sul de Minas, Augusto Magne, estudioso de línguas e filólogo do latim e do português. No Rio, reencontrou o Pe. Magne por cuja indicação foi proposto assistente da cadeira de Língua Portuguesa, de Sousa da Silveira, na então Faculdade Nacional. A amizade com Alceu Amoroso Lima ilustrou-lhe a formação. Ganhou notoriedade com a publicação de A língua do Brasil, que teve três edições. Foi autor de edições críticas de José de Alencar,

3) Mas voltemos à pobreza do Presépio, tão evidente em meio ao ouro barroco da igreja no São Bento. Todos vêem o ouro, mas poucos percebem o incenso e a mirra. Em conferência sobre Machado (O sentido profundo da obra de Machado de Assis), ponderava Gladstone um tanto existencialmente: “A mim me repugna toda atitude que desliga o homem de sua obra: isto redunda em tecnicismo, que, no meu entender, é um dos maiores males da época.” Revela-se, o crítico, ao criticar. E com Machado, isso vai longe... Contra um lugar-comum que destaca o pessimismo machadiano, Gladstone recorda que “as leituras que o acompanharam desde a juventude foram Pascal e a Bíblia. E na Bíblia, o livro preferido foi o Eclesiastes.” Para daí concluir que a origem da palavra que encanta, do estilo que comove, é a deposição de toda vaidade junto ao Verbo que se faz carne: “Tudo é cansativo, causa tédio; tudo é vaidade e perseguição do vento.” Para Gladstone, “foi isso que Machado viu com seus olhos agudos, com sua inteligência penetrante, com sua responsabilidade exacerbada. Viu, analisou, desconsolou-se, e consolou-se no desconsolo do Eclesiastes... na verdade, Machado mergulhou fundo os olhos no espetáculo do sub sole, para os erguer depois, banhados na luz da Esperança Teologal.”

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O Ponte Velha - Dezembro de 2011 - 13 Início dos anos 80. O telefonema dela me acordou às 7:30h da manhã. Queria falar com a minha mulher, que acabara de sair para trabalhar. Então eu mesmo servia. A questão é que aquele dia era muito importante na cultura Celta, e minha casa e minha família teriam prosperidade, os Deuses iriam me ajudar, se eu fosse imediatamente lá fora, colhesse com as mãos algum orvalho — se tivesse um pouco de geada era melhor ainda — e passasse no meu rosto e em alguns objetos da casa. Como o leitor vê, pela referência à geada, o dia sagrado dos celtas caía no nosso mais rigoroso inverno. E como nesse tempo eu ainda não possuísse um telefone sem fio, maravilhoso objeto que me foi presenteado anos mais tarde por minha irmã, eu ouvia as instruções celtas tiritando de frio, já que saíra de baixo dos cobertores para atender à chamada na sala. Falei que ia fazer tudo direitinho e corri de volta para a cama. Sou muito ruim para esoterismo, para rituais, para invocação de Deus como algo à parte das coisas. Acho que as coisas que estão a nosso alcance, palpáveis, visíveis, são o máximo da complicação possível. Elas já são o milagre, como tão bem diz o Walt Whitmam - “Os navios que vão com os homens dentro/ Existirá milagre mais estranho?” - e não vejo nenhuma vantagem em que o milagre - o comum - possa levitar ou dar uma cambalhota; o milagre não precisa fazer mais nada além de ser milagre; querer isso é desmerecê-lo. Deus e o universo são uma única coisa

Gutavo Praça

A Floresta Precisou — esse é o pensamento metafísico que faz sentido para mim; física e metafísica são a mesma pessoa. E considero que o esoterismo dá tanta importância à observação da aura porque

no Alto Penedo onde alugamos três casinhas. A moça veio morar em uma e sua estada foi ótima. Muito amiga, delicada com tudo, fazia uma sopas muito boas às quais de vez em quando me convidava, e

Chagal a observação dos olhos é muito democrática, todos podem ver. A questão é sempre o poder. Uns meses mais tarde a moça dos celtas veio morar no nosso sítio. Eu e minha hoje ex-cônjuge temos um sítio

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chegou a curar-me de uma crise de sinusite com o vapor de umas pedras quentes sobre as quais colocou algumas ervas. Mas o que quero contar aqui refere-se ao primeiro pagamento que ela me fez. Ela achava que era muito importante fazer parte desse primeiro pagamento uma determinada nota de 100 dólares que lhe tinha chegado às mãos de uma maneira especial, a qual já não me

lembro. Eu lhe disse que estava bem. E antes de me pagar ela levou-me para ver o altar que havia montado em cima de uma pedra, no pé de uma velha árvore, no início da mata fechada que começa logo atrás do chalé. Tinha feito ali uma espécie de presépio. — Tem aqui os meus cristais, minha coleção de pedras energizadas, esses pequenos serezinhos que são elementais, esse pêndulo que é para dar equilibrio ao conjunto, e cerquei tudo com esses galhos de arruda e essas pontinhas de pito de cannabis... Ué?! Onde estão as pontinhas?.. .... Bom, a floresta levou; a floresta precisou e levou. Ora, quem quer que conhecesse o nosso eleitorado, a grande família de tantos agregados de diferentes tribos que circulava na nossa área, não precisava de qualquer vidência metafísica para saber como que a floresta tinha levado. E foi aí que se deu o x da história. Ela tirou a nota de 100 dólares do bolso e me disse muito seriamente — ela era sempre muito séria — que ia deixar a nota ali no altar durante três dias que era para as forças telúricas que subiam pela pedra passarem por ela ao se encaminharem para o céu. Isso iria fazer com que nossa relação comercial de inquilino e senhorio transcorresse sempre num astral superior. Eu disse que não tinha nenhum problema, mas que enquanto a nota estivesse no altar considerava que ainda era dela, entrando na minha posse apenas após os tais três dias. Devo ter dito com aquele jeito diplomático do Augustinho Carrara. -----------------------------------

encontre 6 palavras do texto acima no caça-palavras feito por Maria Morena Ratinetz

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Jornal Ponte Velha - Dezembro de 2011