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RESENDE E ITATIAIA - DEZEMBRO DE 2010 Nº 177 . ANO 15 - JORNAL MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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se num mundo surreal, os carros trafegassem nos rios, que legal! que harmonia! quanta obra de ecologia!

Por que Itatiaia não investe nos rios de Penedo? Há muita verba parada no CEIVAP à espera de projetos

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Um pouco mais da história do Cine Vitória numa conversa inédita com Arísio Maciel, Henrique de Andréa e outros, gravada em 1996


2 - O Ponte Velha - Dezembro de 2010 Cabo Euclides (interino) Nesta e nas próximas edições, o Ponte Velha continuará a tecer comentários sobre políticos que já foram testados nas urnas resendenses, atualmente sem mandato, mas com provável influência na disputa de 2012. ALUIZIO BALIEIRO DINIZ. Candidato a Prefeito, em 1982, pelo PTB, ficou em 2º lugar, no partido, com 1.555 votos. Eleito Vereador em 1988 (mandato 1989-1992), com 409 votos, pelo PTB. Reeleito Vereador, em 1992 (mandato 1993-1996), com 485 votos. Presidente da Câmara, em 1993. Médico, comerciante, agropecuarista e filósofo, Aluísio é um profundo conhecedor da política resendense, o que o torna um aliado cobiçado por todos. ALVARO BRITO (JORNALISTA) - Candidato a Prefeito, pelo PT, em 1996, obteve 3.533 votos, ficando atrás do Noel de Carvalho (17.318 votos) e de Eduardo Mehoas (28.908 votos). Candidato a Deputado Estadual, pelo PT, em 1998, obteve 1.162 votos em Resende. Tem forte influência no PT local. ANDRÉ LUIZ WHATELY - Candidato a Vereador em 2004, obteve 349 votos. Presidente da Fundação Casa da Cultura, no Governo do Mehoas e, agora, na Administração Rechuan. Sua influência vai além de seus votos, pois costuma ter papel de destaque, como ator, na campanha política. CESAR AUGUSTO DO NASCIMENTO (AUGUSTÃO) - Em 2000, foi eleito vereador com 572 votos, pelo PSB. Candidato a Deputado Estadual 2006, obteve 5.623 votos em Resende, ficando em 3º lugar, atrás do Carvalho (eleito, com 24.126 votos em Resende) e bem próximo do Oliveira, que teve em Resende 6.550 votos. Colaborador próximo do Eduardo Mehoas, aprendeu fazer política e conquistou sua posição própria. Especialista em segurança pública, será muito cortejado por quem almeja a vitória. Em 2004, ultrapassou a barreira

POLITICÁLYA dos 1.000 votos, se elegendo vere- 354 votos, não se elegeu. Em 2000, a rede da política resendense. Para ador pelo PSB, com 1.197 votos. se elegeu vereador, pelo PDT, com tanto, terá que por a bola no chão e Em 2008, obteve 1.002 votos e 1.038 votos, rompendo a barreira treinar bastante. ficou como suplente, apesar de ter dos 1.000 votos, como poucos já HEITOR JS: Anda sumido rompido, de novo, a difícil barreira conseguiram. Em 2004, ficou como da política resendense. Tem um dos 1.000 votos. suplente de vereador, pelo PMDB, passado para comentar e grande AUGUSTO LEIVAS – Ex com 585 votos. Todos os partidos experiência política e administrativa. funcionário da Petrobrás e empre- disputam seu apoio e de seus igual- Em 1998, foi Candidato a Deputado sário bem sucedido. Economista. mente conceituados irmãos. Federal, pelo PFL, sendo o mais Candidato a Deputado Estadual, em DR. ELIAS DRABLE - Filho votado aqui em Resende, com 9.911 1982, pelo PMDB, foi o candidato do saudoso Marcelo Drable, con- votos, ou 20,54% do total, ganhando mais votado de Resende, com 12.885 ceituado Prefeito de Barra Mansa, do Noel de Oliveira, que teve 9.531 votos. Foi Vice Prefeito do Noel de cresceu aprendendo política. Em votos, ou 19,70% do total. Em 2000, Carvalho, de 1989 a 1992. Prefeito 1992, obteve apenas 190 votos foi o Vice do Silvinho, quando de 1993 a 1996, eleito com 18.332 como candidato a vereador, pelo obtiveram 21.249 votos e perderam votos, ganhando do Mehoas (13.973 PL. Em 2004, candidato a verea- para o Eduardo Mehoas, que alcanvotos) e do Noel çou 25.044 votos. Em de Oliveira (13.674 2002, voltou candidato então larga minhas votos), fazendo a Deputado Federal, nunca fiz amigos tetas, rapaz barba, cabelo e pelo PFL, quando bebendo leite bigode na oposiobteve apenas 3.754 ção. Candidato a votos em Resende, Vice Governador, ocasião na qual o Noel de Oliem 1998, pelo PPS, junto com Lúcia veira aqui alcançou 12.718 votos. Souto, obtendo poucos votos. CandiConhece, como poucos, a política dato a Prefeito, pelo PPS, em 2004, de Brasília, o que faz um importante obteve apenas 926 votos, muito aliado. aquém de seu portentoso currículo. DR. MACIEL (JOSÉ MACIEL Tem muita influência no PPS. DE ALMEIDA) Alcançou 641 votos CLÉSSIO ISALTINO - Antes para vereador, pelo PDT, em 1982, de ser político, foi um ótimo comerficando como suplente. Excelente ciante, com um armazém, no Santo observador e conhecedor de pessoas, Amaro. Candidato a vereador em dor pelo PDT, alcançou 676 votos, talento emprestado de sua profissão 1982, obteve 341 votos, insuficien- ficando como suplente. Demonstra de médico e perito em diagnóstico. tes para se eleger. Vereador eleito personalidade ao deixar o conforto Especialista em saúde pública, em 1988, pelo PMDB, com 440 da tradição em Barra Mansa e tentar área que detém larga experiência votos. Candidato em 1992, não se aqui em Resende uma carreira indi- em Resende, Porto Real e Itatiaia. elegeu, obtendo 533 votos. Reeleito vidual. Tem escola e tem currículo. Pessoa de fino trato, companheiro vereador em 1996, com 753 votos, Se perseverar, será bem sucedido. cobiçado por todas as agremiações. reflexo de seu bom trabalho na Muito influente no PDT. MARINHO PERIQUITO: área social. Candidato pelo PP, em FERNANDO MENANDRO Mário dos Santos Periquito Neto, 2000, obteve apenas 338 votos. Não - Em 2000, obteve 502 votos na eleito vereador, em 1992, com 451 desceu da roda gigante, continuando eleição de Vereador, não conse- votos. Reeleito em 1996, com 824 seu trabalho na área social, agora guindo se eleger. Foi eleito vereador votos. Presidente da Câmara, em no Conselho Tutelar de Resende. É em Resende, com 853 votos, em 1997 e 2000. Na última eleição também obreiro da Assembléia de 2004. Na última eleição que disputou que disputou, em 2000, não conDeus, dirigindo uma congregação sozinho não foi bem votado, obtendo seguiu se eleger, embora tenha na Itapuca. apenas 2.722 votos para Deputado obtido uma votação razoável – 400 DONIZETTI - Candidato a Estadual, em Resende. Tem expe- votos. Mesmo sem o exercício de vereador, em 1992, pelo PDT, obteve riência partidária e muita influência mandato, ainda tem influência. 498 votos, ficando como suplente. no PV. Com Silvio de Carvalho, em Além disso, é filho do “fazedor Em 1996, obteve 709 votos para 2008, esteve próximo do gol, mas de Prefeitos”. O grupo que seu vereador, ficando novamente como chutou na trave. Inteligente, trabalha- pai, o Mário dos Santos Periquito suplente. Em 1988 foi candidato dor e perseverante, é de uma família Filho, articula sempre é vitorioso. a vereador, pelo PDT, e alcançou de vencedores. Talvez ainda balance Este, na vontade do Professor

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Silva, seria um ótimo candidato a Prefeito de Resende. MIGUELZINHO DIAS (OSAMA): Lá no longínquo 1982, teve 398 votos para Vereador, pelo PDS. Depois disso, já foi Tri-Secretário no Governo Mehoas, comandando as pastas da Indústria e Comércio; da Agricultura e de Obras. Engenheiro de comprovada competência, atualmente é Diretor de Obras Rurais, na Prefeitura de Resende. É de se supor que seus votos tenham crescido bastante, pela sua destacada atuação nos cargos que exerceu e exerce. Como é leal e está no governo, certamente cerrará fileiras ao lado do Rechuan. ROBSON DIAS, Candidato a Vereador em 1982, teve 272 votos. Candidato em 1996, alcançou 230 votos, não se elegendo. Secretário de Educação em Resende, de 1997 a 2000, eleito com 68% dos votos dos professores. Secretário de Cultura de 2001 a 2004. Entende de política partidária e é um excelente orador. Somará bastante para a facção que abraçar. NAS PRÓXIMAS EDIÇÕES: - Aécio da Fonseca Ribeiro; Agnelo Nunes da Costa; Cel. Alceu Paiva; Dr. Álvaro Machado; Aníbal Rocha Pontes; Benedito Andrade (Sobrinho); Bira Ritton; Dr. Carlos Alberto; Cecília Lamin; Ciro Dias; Claudionor Rosa; Dair Ribeiro; Delphim Rocha; Edilton Machado; Edimar Guimarães; Dr. Elias Drable; Fernando Menandro; Fernando Quirino; Fontanezzi; Gastão; Iskandar; João Alberto Stagi; João Luís Gomes; Jocimar Hermogenes; Jorge do Cabral; Dr. José Luis Balieiro; José Olimpio; Cabo Laureano; Luiz Geraldo Whately; Luiz Tavares; Manoel Pacheco (Niquinho); Marcelo Teixeira; Marcial Siqueira; Marcos Bueno Rocha; Dra. Maria Tereza Abrão; Mário Medeiros; Professor Mário Rodrigues; Dr. Mário Sérgio; Dr. Mauricio Schneider; Nelson de Assis; Nelson Dores; Nelson Soares da Rocha; Dr. Nivaldo; Odilon Faria; Oscar Sampaio; Paulo Cardozo; Paulo César de Oliveira Pinto (PC); Paulo do Som; Rogério Coutinho; Roque Cerqueira; Sérgio Moisés; Soraia Balieiro; Thuller; Virgilio Alves Diniz ; Waldir Macarrão e muitos outros.


Dezembro de 2010 - O Ponte Velha - 3

Poder Público tem que responder pela poluição E há meios de conseguir verbas para projetos de saneamento Gustavo Praça

A falta de um sentimento mais forte de cidadania faz com que muitas vezes a gente esqueça que o poder público é uma grande associação de moradores. É ali que nós estamos reunidos para resolver nossas questões. No que toca à poluição dos rios de Penedo — tema desse artigo -, embora cada um de nós seja responsável por suas emissões, o responsável maior é o poder público. E refiro-me aqui, principalmente, a inúmeros casos de estabelecimentos superdimensionados onde o sistema de fossa e sumidouro não dá conta das águas servidas, que encontram então um lençol freático e deságuam nos leitos dos rios. Algumas vezes o estabelecimento fez corretamente seu sistema de fossa e sumidouro, conforme as normas exigidas, só que tal sistema não vence a demanda, principalmente nas horas de pique. Portanto, chega um momento em que as pressões, as reclamações, os processos judiciais, o apelo ao Ministério Público devem ter como alvo de cobrança o poder público, Prefeitura à frente. Em primeiro lugar porque é dever constitucional prover as áreas urbanas de rede de esgoto, e depois, porque se tinha consciência da incapacidade de cumpri-lo,

a Prefeitura não poderia aprovar projetos de grande adensamento imobiliário. É a Prefeitura a ré. E mais ainda porque ela tem como encarar e resolver essa

questão, só é preciso mais vontade política — e mais cobrança da população, aí incluídos os turistas, para forçar essa vontade. Em Visconde de Mauá, por exemplo, estão sendo instaladas três estações de tratamento de efluentes e suas respectivas redes coletoras. Duas delas, Maromba e Maringá, em áreas do município de Itatiaia. Por que? Porque com o impacto do empreendimento da estrada-parque o poder público estadual foi pressionado pela comunidade a promover medidas mitigadoras. Ora, Penedo, praticamente à beira da via Dutra, já vem sofrendo um aumento violento de seu movimento turístico. Não precisa do pretexto de uma obra como a

estrada-parque para exigir socorro. Estamos estabelecidos em cima de uma graciosa bacia hidrográfica: diversos pequenos córrregos e olhos dágua que nascem na encosta da Mantiqueira e vão formar o ribeirão das Pedras, o ribeirão dos Eucaliptos e o rio Palmital. E há como fazer um projeto sério e conseguir financiamento. O CEIVAP (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul), através de sua agência executiva, a AGEVAP, aplica o dinhei-

desta condição. É preciso que a Prefeitura se organize, participe dos cursos que o sistema CEIVAP/ AGEVAP promovem para capacitar os municípios que vão receber os recursos. Há verba destinada a esse fim parada por falta de capacidade de habilitação dos municípios no que toca a projetos bem feitos e apresentação da documentação exigida (a Caixa Econômica, que libera o dinheiro, é rigorosa na exigência de documentação por parte do tomador). Só no que se refere ao exercício de 2010 há 37 milhões destinados a obras na bacia do Paraíba, a maior parte para saneamento (dados da revista “Pelas Águas do Paraíba”, do CEIVAP). Não é possível que nós não consigamos cumprir as exigên-

Só em 2010, o CEIVAP (Comitê para a Bacia do Paraíba do Sul) vai dispor de 37 milhões para investir principalmente em saneamento. Só é preciso apresentar bons projetos. O Comitê banca, inclusive, a feitura de projetos. ro arrecadado pelo uso da água bancando projetos de saneamento em municípios que fazem parte da bacia. No ano passado foram contemplados projetos de saneamento em 14 municípios mineiros. Por que não em Itatiaia? Até há poucos meses, Itatiaia, por amargar uma condição de inadimplência deixada por governos anteriores, não podia requerer tais verbas. Mas agora saímos

cias e aproveitar isso. É preciso ter vontade e dar os primeiros passos para a grande obra de revigoramento dos nossos rios. Um trabalho que provavelmente terá que ser feito por etapas, por mais de um governo. Será preciso a grandeza de começar uma obra que provavelmente será concluida por outros. Mas já é mais do que hora de termos mais grandeza.

Quem responde pela árvore?

Há mais de sete meses, no dia 26/04/2010, entrei com um requerimento na Prefeitura de Itatiaia solicitando uma vistoria para a poda ou corte definitivo de uma árvore muito grande e velha que, a meu ver e também na avaliação de vizinhos, ameaça causar grande prejuízos, até com risco de morte. A árvore fica no terreno da casa que pertencia a minha mãe, agora sob minha responsabilidade. Meu protocolo tem o número 3030/2010. Até hoje a Secretaria de Meio Ambiente, onde está protocolado meu requerimento, não fez tal avaliação, apesar de eu ter reiterado a solicitação pessoalmente e também por telefone. Começa agora o tempo das águas e das chuvas, e deixo isso aqui registrado publicamente para que no caso de uma tragédia a Prefeitura seja responsabilizada. Se o poder público nesse nosso Estado moderno tira do cidadão qualquer possibilidade de ação, mesmo a ação razoável acordada por um grupo de vizinhos, ele, poder público, tem que dar conta da situação, ou agindo ou se responsabilizando pelas consequências. (GP)


4 - O Ponte Velha - Dezembro de 2010

Nova Dutra: Responsabilidade Social Zero O princípio do capitalismo é o da busca do lucro. Seus defensores achavam que o mercado, ditado pelas necessidades dos consumidores, seria suficiente para regular e estabelecer regras de conduta. Em que pese atitudes de extrema exploração de povos inteiros, como a United Fruit na América Central, o conceito básico não era alterado; havia questionamentos e revoltas, mas a estrutura de poder e a opinião pública predominante não se alteravam. A partir de meados da década de 80 as empresas capitalistas e os consumidores passaram a viver uma nova época. Os acidentes com milhares de vítimas de Bhopal na Índia, Seveso na Itália e Tchernóbil, na Ucrânia, mancharam enormemente o nome de grandes empresas e deixaram a opinião pública mundial atenta para o comportamento dos conglomerados empresariais. Os consumidores passaram a se unir para exigir comportamento decente dos mais variados empreendimentos, boicotando os produtos que poluíam ou que eram produzidos com prejuízos sociais ou ambientais. Emblemático o caso da Nike, que terceirizava sua produção em várias fábricas na Ásia e se viu envolvida numa grave denúncia de trabalho escravo e trabalho infantil. Consumidores no mundo inteiro se comunicavam pela Internet e boicotavam a compra de produtos da Nike. Esse evento custou caro para a Nike, que passou a desenvolver auditorias de controle sobre seus terceirizados,

para garantir direitos trabalhistas mínimos para seus empregados e diminuir impactos ambientais, e gastou uma fortuna para recompor sua imagem. As empresas passaram a se preocupar com sua imagem; em muitos casos tomaram medidas para mostrar uma imagem irreal,

Coisa distinta aconteceu na licitação que deu a concessão de exploração da Rodovia Presidente Dutra. A rodovia estava pronta, até os postos de pedágio construídos. O consórcio Nova Dutra, que ganhou a concessão, é formado por grandes empreiteiras, grandes financiadoras das grandes

sagem possível para os moradores evitarem o pedágio. Não há no mundo civilizado cobrança de pedágio obrigatória, como àquela a que é submetido o povo resendense. Em locais decentes, sempre há alternativas. Somente os ônibus que fazem a linha de Engenheiro

José Roberto Paiva

Já pensaram na reação do povo de Nova Iguaçu ou Meriti a uma cobrança de pedágio por lá?). E a Nova Dutra segue com seu lucro, no modelo antigo do capitalismo....... responsabilidade social e ambiental zero. (lembram-se das árvores na reta antes da ponte de Bulhões?)

O povo de Engenheiro Passos se vê jogado para o Estado de S.Paulo, refugado por todas as esferas de poder do Estado do Rio. A Nova Dutra possui um poder arbitrário e um ódio ao povo de Engenheiro Passos e usa esse poder para fechar uma única passagem possível para os moradores evitarem o pedágio. Não há no mundo civilizado cobrança de pedágio obrigatória, como àquela a que é submetido o povo resendense. com o que foi chamado de “maquiagem verde” pelo Greenpeace. Mas a maquiagem verde logo era denunciada e as empresas tiveram realmente de investir naquilo que ficou chamado de responsabilidades social e ambiental. Muitas vezes o governo quer fazer um empreendimento, mas não tem dinheiro suficiente para fazê-lo: é o caso do trem bala para ligar Rio e S.Paulo; uma licitação vai apontar um consorcio de empresas para construí-lo. Em troca o consorcio explora a linha do trem bala; é um investimento com riscos, processo inerente ao capitalismo.

campanhas políticas. Um negócio da China, a que simples mortais eleitores não têm direito. A Nova Dutra arrecada de quem se desloca; não precisa de imagem boa e assim não se preocupa se, ao ser agraciada com tudo pronto, tinha uma praça de pedágio que dividia uma cidade ao meio. O povo de Engenheiro Passos se vê jogado para o Estado de S.Paulo, refugado por todas as esferas de poder do Estado do Rio. A Nova Dutra possui um poder arbitrário e um ódio ao povo de Engenheiro Passos e usa esse poder para fechar uma única pas-

Passos para o centro da cidade pagam cerca de 50 mil reais por mês. A persistir a cobrança, as empresas de ônibus fatalmente repassarão esses custos para a passagem. As rapaziadas da Cidade Alegria, Paraíso e outros bairros ainda não perceberam que esse custo vai ser repartido e vai aumentar a passagem de toda Resende, devido à política da tarifa única. Depois disso, as manifestações, pacífi cas até aqui, poderão sofrer profundas transformações. (já pensaram em por que a Nova Dutra não cobra pedágio na Baixada Fluminense?

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Carta Aberta ao Prefeito de Itatiaia Miguel Augusto Monte

Caro Luis Carlos Com alegria , vejo que sua administração começa a colher alguns resultados que nós, moradores e empresários, tanto aguardamos. A boa notícia começa com a construção da ciclovia na estrada Rubens Mader, a obra anda devagar, mas está quase pronta. Finalizada, vai trazer bem estar e segurança aos seus usuários. Depois foi a mudança de transito no centro de Penedo. Esta medida é sugerida à administração municipal a muito tempo (tenho certeza que se passaram mais de dez anos ) e finalmente você teve a coragem e disposição de implantá-la. O bom resultado apareceu imediatamente. Melhorou, e muito, aquele maldito engarrafamento no centro do bairro. Alguns poucos reclamarão, mas tenha certeza que são os que tem visão estreita e pessoal, não querendo enxergar o benefício coletivo da mudança. Fui informado que alguns vereadores ensaiaram uma reação contrária. Acho isso tudo muito estranho, pois estas medidas foram amplamente discutidas no Conselho Municipal de Turismo e nenhum vereador apareceu lá para colaborar. Para melhorar o projeto, só falta a

desobstrução e reabertura da Avenida Brasil, um problema antigo, que sei que está a cargo do nosso competente “trator” Rui Saldanha. Por falar em competência, parabéns também pela nome-

ação recente do Nilson Neves como secretário. Em pouco tempo no cargo, ele já está mostrando muita coragem e disposição no trabalho. Ele, Rui e Roberta fazem muita diferença. É um grande trio !! Lembrando do trabalho de equipe, valeu também a aposta na reformulação do evento de motos de Penedo. Ficou muito mais barato sem perder qualidade, escapamos das mãos de organizadores gananciosos, estabelecendo-se uma parceria (que esperamos ser duradoura) com o Penedo Moto Clube e a AMO-RJ. Neste evento, anotamos também o trabalho eficiente na organização do Sgt. Peçanha e do Secretário Denílson. No entanto, infelizmente,

também sou portador de más notícias. Neste mês, faz aniversário o perigoso desbarrancado da Avenida Três Cachoeiras. Nossa comunidade penedense mobilizou-se, convocamos a câmara de vereadores e seu

secretário de obras para explicações, constatou-se através de laudo técnico a gravidade do caso, foram prometidas obras emergenciais, mas o inverno acabou, começam as chuvas de verão, e o perigo de uma tragédia só faz aumentar. Lembro-te que por ali passam diariamente setenta horários de ônibus, inclusive o transporte escolar, além de toda movimentação de automóveis e caminhões para o Alto Penedo. JÁ PASSOU DA HORA DE UMA SOLUÇÃO POIS ESTAMOS EM SITUAÇÃO DE ALTO RISCO. Lembro-te que, na época de nossa mobilização comunitária, seu secretário de obras (Sr. Dejair) me acusou de marqueteiro radical de oposição, que

só estava querendo aparecer, mas o que aparece mesmo, até os dias de hoje, é a omissão governamental neste caso. Temos relatos de vários episódios de QUASE TRAGÉDIA!!! Especialmente com os gigantescos ônibus que sobem e descem aquela movimentada avenida. O seu procurador geral, Dr. Geraldo, prometeu implantar serviço de micro-ônibus para diminuir os riscos neste trânsito, mas não cumpriu a promessa. Será que teremos que retomar nossa ação de pressão comunitária? Teremos agora que denunciar este caso de omissão ao ministério público? Teremos que novamente nos prepararmos para a discórdia? Será necessário todo este desgaste? Espero sinceramente que não, mas não fugiremos da nossa responsabilidade cidadã. Muitos da nossa comunidade pedem uma ação imediata, há muito tempo!! Pessoalmente, compreendo que passamos pelo processo eleitoral que concentra todo o seu esforço político. Mas agora as eleições já foram resolvidas, e está na hora da sua ação executiva neste caso.

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6 - O Ponte Velha - Dezembro de 2010

Um pouco mais da história do Cine Vitória Em 1995, quando o bispo Macedo ameaçava comprar o Cine-Teatro Vitória — hoje adquirido definitivamente pela Prefeitura — um grupo de gente ligada à cultura da cidade (Sônia Pozzato, Claudionor Rosa, José Leon e Virgínia Calaes) entrevistou algumas pessoas marcantes na história do cinema: os então proprietários Henrique de Andréa e Liyá Politi; o produtor cultural Daniel Fortes; o colunista social Carlos Pinto e o advogado Arísio Maciel, entre outros. A entrevista seria publicada no jornal cultural “O Paço”, que era editado pela Casa de Cultura. O jornal, no entanto, parou de circular pouco antes. Agora o Ponte Velha publica o material, resgatado por Virgínia Calaes. Fica assim registrada mais um pouco da história desse Cine-Teatro que, entre outras coisas, recebeu Roberto Carlos no início de sua carreira. Vale lembrar que o grupo que fez esta entrevista foi que encabeçou o movimento SOS Cine Vitória, que acabou conseguindo a compra do cinema pela Prefeitura. de brindes. Naquele tempo, cinema dava dinheiro. Para começar, os proprietários poderiam contar um pouco da Tem-se notícias de grandes shows que eram realizados no Cine-Teahistória do cinema Vitória, desde a sua fundação. Vocês foram os tro Vitória, no passado. Que artistas e companhias apresentavam-se lá? primeiros donos? Henrique: Não só shows, como teatro e opereta. O Vitória foi Henrique: Não. Os fundadores foram Alexandre Pustilnik e construído para ser cineteatro. Seu palco - agora fechado pela tela Antônio Lobo, que inauguraram o cinema em 1947. Na década de 50, tinha 14 metros de boca de cena por 10 metros de fundo; e uma altura eu e o Isaac Politi compramos o Cine Vitória por 150 contos de réis. que possibilita a montagem de grandes cenários. Era equipado com Meu avô, Roque de Santis, foi o dono do primeiro cinema de Resende, localizado onde hoje é o edifício Agulhas Negras, na praça da Bandeira, em Campos Elíseos, e onde antigamente era o Hotel dos Viajantes. Dali, mudou-se para o prédio do atual Mercado dos Produtores. Lá era uma fábrica de renda e depois virou cinema. Mais tarde, inaugurou o Cine Odeon na rua XV de Novembro, no local onde agora são os fundos do atual Odeon, do Weber Marques. Na década de 40, compramos o Cine-Teatro Central, localizado na Praça Oliveira Botelho, demolido na década de 60. Naquela época, cinema do interior dava prejuízo, como hoje? Henrique: De forma Festival de música no Vitória, provavelmente nos anos 60. alguma. Quase todas as sesum mecanismo para suspender os cenários; havia cortina também; e sões lotavam; na exibição das chanchadas nacionais, então, tinha que camarins que, posteriormente, transformei em oito apartamentos para pôr polícia na porta, para o público não invadir o cinema. A disputa alugar. Naquela época, era o máximo! Em todo Vale do Paraíba não de um lugar dava até briga. As filas viravam a rua XV de Novembro e tinha igual! No início, o Cine-teatro Vitória recebia muitas companhias iam até a casa do padre. Mas havia dois dias da semana que não dava teatrais de fora. O ator João Rios veio muitas vezes apresentar-se aqui; público: quarta e quinta-feira. Então, eu criei nesses dias a Sessão das Moças, na qual cada rapaz podia levar uma moça ao cinema, sem pagar o dramaturgo e radialista Silveira Sampaio; também Roberto Carlos e o ingresso da acompanhante. Outra promoção que eu fazia era o sorteio “Os Trapalhões”, estiveram no Vitória no início de carreira.

Que tipo de filme dava mais público? Henrique: As chanchadas nacionais, com Oscarito, Eliane... Também os filmes do Mazzaropi. Na Semana Santa, invariavelmente, era exibida a fita “Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”, que foi comprada por meu avô por sete contos de réis. A história do Vitória está intimamente ligada à história da rádio Agulhas Negras, que durante muitos anos esteve instalada num dos anexos do cinema. Os programas de auditório da rádio eram realizados no Vitória? Arísio Maciel: Inicialmente, sim. Depois, passamos a ter nosso próprio auditório. O programa “Parada da Alegria”, que está sendo relançado agora, no Cine Odeon, pelo Simplício, começou no Vitória. A inauguração da Rádio Agulhas Negras, em 1950, aconteceu lá, com um grande show com artistas de Resende. Em 1960, realizamos no cinema o I Festival Radiofônico do Vale do Paraíba, com muito sucesso. Lembro-me que também a


Dezembro de 2010 - O Ponte Velha - 7 sociedade local realizava festas no Cine Vitória, com fins beneficentes. Daniel: O Festival Integração das Artes Cênicas (Finacer), reaEu mesmo já fui mestre de cerimônia de muitas, com destaque para a lizado em 1988, foi possível graças ao patrocínio que recebemos da Festa das Debutantes. Cyanamid, através da Lei Sarney. O único espaço que comportava a dimensão de nosso sonho, capaz de realizar um festival daquela E o Festival Nacional de Cinema, realizado em Resende na década monta, era o Vitória. A grande dificuldade que encontramos foi a de 70, foi no Vitória ou o Odeon? impossibilidade de retirar a tela para liberar o palco para as apreCarlos Pinto: No Vitória, em 1974. O Adonis Caran e o Luiz sentações das peças. Haroldo foram uns dos organizadores. Esse Festival marcou época. Mazzaropi, Terezinha Sodré, Capitão Asa, Sandra Barsotti, Lutero Luiz foram alguns dos artistas que compareceram. Foi montada uma passarela em frente ao cinema, por onde passavam os artistas. O filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, foi projetado na Praça Oliveira Botelho. Também marcou época o show “Um a Zero”, de MPB , produzido e dirigido por Tita e Rachid Tadeu, no Cine Vitória, em 1979, com a participação de músicos da região. Quem eram esses músicos, segundo consta, conseguiram lotar o cinema num show de quase cinco horas de duração? Tadeu: Eram 27 músicos, ao todo, entre eles Leo Montenegro, Cláudio Menandro, Lourival Bandeira, Zé Renato, Roberto Vasconcelos, o grupo de chorinho de Volta Redonda “Língua de Preto”, o grupo “Turma do Sereno”. O show foi em homenagem a Pixinguinha, autor do chorinho “Um a Zero”, que deu nome ao espetáculo. Conseguimos vender 300 ingressos antecipados. E no dia do show formou-se fila na porta, como nos áureos tempos do Aniversário do Cine Vitória no Bar da Dodô. De óculos e terno escuro, Arísio Maciel cinema. No meu entender, a causa da decadência do Cine Vitória foi uma só: falta de Henrique: O que aconteceu é que, quando adquirimos o Vitória, investimento na sua conservação e melhoramento. trocamos a tela que existia, de 4,5m x 4,5m, por outra de 14m x 7m, Na década de 80 o Vitória viveu seu último grande momento, com a realização do Festival Nacional de Teatro, que entrou para a história que fechou o palco. Daniel: Então, para a realização do Finacer, tivemos que construir cultural de Resende, promovido pela empresa Meria Produções Artísoutro palco. Para isso, contratamos a Mills, firma especializada em ticas, dirigida por Daniel Fortes. Como vocês conseguiram viabilizar montagem de palcos de estrutura metálica para shows musicais. um festival daquelas proporções?

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Hoje é possível recuperar o palco original? Henrique: Sim; é só tirar a tela fixa e substituí-Ia por uma menor e móvel, como a do Cine-teatro da AMAN, que sobe e desce. O FINACER foi sucesso de público? Daniel: Sim, tivemos casa cheia todos os dias. Para as peças infantis, apresentadas durante o dia, a entrada era franca; à noite, para as peças adultas, cobrava-se ingresso e, mesmo assim, lotava. Tivemos 470 peças inscritas, de grupos teatrais de todo o Brasil. Destas foram selecionadas 14 sete infantis e sete adultas. O Festival teve a duração de oito dias. Produções como o FINACER e o show “Um a Zero” não seriam viáveis se não existisse o Vitória. Nenhum outro local em Resende se adequaria a realizações desse porte. Henrique: A vantagem do Cine Vitória é que ele tem um vão de 35 metros, de estrutura de concreto, sem coluna. Quem entende de arquitetura, sabe que isso é uma coisa fabulosa! As cadeiras são em declínio e intercaladas, o que favorece a visibilidade. A acústica é muito boa. A firma T. H. Marinho, que construiu o Vitória e também o Cine-teatro da AMAN, previu tudo isso na obra. Vocês têm em mente algum projeto para o Vitória? Henrique: A princípio, gostaríamos de alugar para continuar a ser usado como casa de espetáculo. Vender para um empreendimento imobiliário que pretenda colocar o cinema abaixo para construir, por exemplo, um prédio de apartamento, não está, de forma alguma, em nossos planos, mesmo porque, hoje, aquele ponto da Praça não tem nenhum valor. E não tem sentido pôr abaixo uma construção boa como aquela. Vocês venderiam o prédio para quem se interessasse em manter o cinema? Henrique: Não vejo a questão do Cine Vitória apenas comercialmente. Até por vaidade, gostaria de continuar sendo o dono do cinema. Comercialmente, eu lucraria mais se vendesse a aplicasse o dinheiro. Sentimentalmente, eu preferiria arrendar.


8 - O Ponte Velha - Dezembro de 2010 Para venda, o prédio está avaliado em US $ 1 milhão, só o cinema; e US $ 1 milhão e 500 mil incluindo as salas, apartamentos e lojas anexas. Além do manifestado interesse da Prefeitura em arrendar, vocês já receberam alguma outra proposta? Henrique: Recebemos a proposta de compra da Igreja Reino de Deus, do bispo Macedo, que ofereceu US $ 1 milhão e 200 mil só pelo cinema. Mas, como já disse, em princípio, não queremos vender. Nós, resendenses, sentiríamos muita tristeza em ver o cinema acabar para dar lugar a uma igreja. Ao passo que a comunidade seria eternamente grata se o Vitória fosse conservado como espaço cultural, uma sala multimídia.

Henrique: Mas vocês sabem que sentimentalismo tem limite. Eu não vou arrendar por ninharia. Preferiria não vender, mas quero arrendar por um preço razoável. Quanto seria esse preço razoável? Henrique: Nas nossas conversações com o pessoal da Prefeitura, falou-se em R$ 5 mil mensais, pelo cinema e os camarins. E o arrendatário arcaria, ainda, com as despesas das reformas que se fazem necessárias. É preciso preservar o Vitória a qualquer custo, pois nos dias de hoje é impossível tirar-se um teatro do chão. Henrique: Manda orçar quanto custa construir um cine-teatro, hoje, do porte do Vitória, num ponto como a Praça. Eu vendo meu cinema pela metade do preço.

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“O Ébrio”, com Vicente Celestino, inaugurou o Vitória A inauguração do Vitória coincidiu com o lançamento de um filme brasileiro de grande sucesso: “O Ébrio”, estrelado por Vicente Celestino, direção de Gilda Abreu e produção de Ademar Gonzaga, que foi exibido no Cine Vitória em setembro de 1947. O jornal A Lira publicou reclame anunciando: “Exibição de O Ébrio, com Vicente Celestino, a voz orgulho do Brasil. O cantor que pertence ao povo canta para o povo, no seu primeiro filme. Um acontecimento para o cinema nacional!”(A Lira – 04/09/1947) No ano seguinte, foi a vez dos resendenses terem a oportunidade de verem e ouvirem, ao vivo, grandes astros da Rádio Nacional. Apresentaram-se no Cine Vitória Roberto Paiva, Black Out, Dilermando Pinheiro, Rosita Gonzalez, Os Trovadores, entre outros. Na memória de quem viveu em Resende, da década de 40 à de 70 – período áureo do Cinema Vitória – estão as lembranças dos bailes de debutantes e festas de formatura ali realizadas, além dos inúmeros festivais de música, cinema e teatro que marcaram época. Era um tempo em que a vida social e cultural de Resende acontecia em torno da Praça Oliveira Botelho e do Vitória, estendendo-se pela rua Cunha Ferreira, até o Cine Odeon e o Bar da Dodô. A Lira, em matéria publicada por ocasião da inauguração do Cinema Vitória, descreve com riqueza de detalhes, suas suntuosas instalações. “A platéia, de piso taqueado de peroba rosa, tem iluminação indireta, com 3.000 lâmpadas em cores alternadas, branca, verde e vermelha. Ao fundo da platéia e ao longo do palco, em

plano inferior, fica o alojamento da orquestra. O palco mede 12,80 metros de boca e 7,90 metros de fundo e é servido por quatro camarins. A tela de projeções mede 10,72 metros e o pano de boca é de gorgorão vermelho forrado de seda branca, medindo 22 metros. Escadas e paredes laterais são forradas com mármore tropical, em coloração verde. Os pisos e entrada do foyer e dos patamares das escadas são de marmorite com desenhos e junta de metal. O aparelho de projeção é do tipo nº 1 da RCA Vitor. (...) Ladeiam o largo portão de ingresso três lojas destinadas a bombonière, charutaria ou congêneres estabelecimentos (A Lira, 24/07/47) .

Esta invocação é uma Prece Mundial Expressa verdades essenciais. Não pertence a nenhuma religião, seita ou grupo em especial. Pertence a toda humanidade como forma de ajudar a trazer a Luz Amor e a Boa Vontade para a Terra. Deve ser usada frequentemente de maneira altruísta, atitude dedicada, amor puro e pensamento concentrado.

A Grande Invocação Desde o ponto de Luz na Mente de Deus, que aflua Luz às mentes dos homens. Que a Luz desça à Terra. Desde o ponto de Amor no Coração de Deus, que aflua Amor aos corações dos homens. Que aquele que vem volte à Terra. Desde o Centro, onde a Vontade de Deus é conhecida, que o propósito guie as pequenas vontades dos homens. O propósito que os Mestres conhecem e a que servem. Desde o centro a que chamamos raça humana, que se cumpra o plano de Amor e Luz. E que se feche a porta onde mora o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano Divino na Terra. Unidade de Serviço para Educação Integral Av. Nova Resende, 320 – sala 204 CEP: 27542-130 – Resende RJ – Brasil Tels(0xx24) 3351 1850 / 3354 6065


Dezembro de 2010 - O Ponte Velha - 9 Infelizmente, ainda é esse o diagnóstico de todo o nosso sistema de saúde, pública ou privada, com raras e honrosas exceções, como as já citadas. Ao invés ou se acompanhavam o desempenho de um relatório técnico, encaminhei profissional dos seus comandados, além de para a presidência da empresa uma outros fatos que não cabe aqui comentar. profecia: ou muda, ou quebra. Menos Fui designado auditor organizacional de cinco anos depois a empresa entrapara um desses hospitais. O diretor admiva em processo nistrativo, que era de decadência. médico, chegava Quando é que nós cidadãos, vamos Detalhe importancedo, fazia suas começar a discutir a privatização te: depois do meu cirurgias, atendia dos sistemas de saúde, de educação, relatório/profecia seus pacientes e ia cuidar da vida. Ende segurança pública deste doente meu prêmio foi a quanto isso, médico crônico chamado Brasil? minha demissão. Saúde pública faltava ao serviço não é construir e ninguém controhospitais, mas sim evitar ao máximo a lava; faltava medicamento no estoque; o ida do cidadão ao hospital, e isso se faz pessoal de limpeza não era adequadamencom saneamento básico e muita educate treinado, todos os controles internos ção, em todos os níveis. E, saneamento eram negligenciados. básico, como nós já sabemos, não é o O diretor administrativo era um médiforte dos nossos “gerentes” públicos. co renomado, oftalmologista com doutoObra em baixo da terra, nem pensar. rado em uma universidade de Barcelona, Tem que ter visibilidade, ter placa. E centro de referência nesta especialidade aí, como é que fica? Quando é que nós médica. Dinheiro não faltava, havia até cidadãos, principalmente você, que está demais. Faltava, sim, gerente de pessoal, lendo este artigo, vai começar a discutir gerente de materiais, gerente técnico, gea privatização dos sistemas de saúde, de rente de atendimento ao paciente, gerente educação, de segurança pública deste de hotelaria. Tudo isso estava nas mãos de doente crônico chamado Brasil? renomados e competentes médicos.

Privatizaram a Saúde e Ninguém se Indignou Elliel de Assis Queiroz

Foi ridícula e deprimente a abordagem do tema “privatizações” na última eleição presidencial. Alias, ridícula e deprimente foi toda a campanha. Não vou entrar no mérito da questão, se foi bom ou ruim para o país. Quem tinha telefone como bem patrimonial, declarado no imposto de renda, é quem deve saber; se a Petrobras melhorou ou piorou, depois que foi obrigada a competir no mercado, os números estão aí para comparações; se a Vale contribui mais hoje para a economia nacional, se gera mais empregos, se exporta mais do que no modelo anterior, é só consultar os indicadores da economia para descobrir. A questão foi tratada de forma imprópria, ultrapassada, como ideologia que não se sustenta mais. Por que, direita e esquerda; turma de baixo e turma de cima; gregos e troianos, não colocaram o dedo na ferida da privatização dos sistemas de saúde, de educação, de segurança do cidadão, só para citar alguns? Por que são setores financiadores de campanha, para os dois lados? Vamos ficar só na saúde. É tão vergonhoso que nem causa mais indignação, apenas conformação. Uma vez ou outra alguém tenta agredir um médico e fica só nisso. O cidadão tem que acordar e buscar

o caminho certo: Ministério Público, advogado e todos os meios legais para fazer valer seus direitos. Pobres daqueles que dependem da saúde pública. Não deveria ser assim, afinal, dentro do próprio setor público existem ilhas de excelência para provar que quando se quer se faz bem feito, como é o caso do INCA e de alguns hospitais públicos de São Paulo, onde parte da população da nossa região se beneficia. Agora querem tirar do túmulo a maldita CPMF, como se o problema da saúde fosse falta de dinheiro, quando é sabido que o problema é de gestão. O problema começa quando se nomeia um médico como gestor de qualquer coisa. Médico não sabe gerenciar, com exceção de alguns abnegados e competentes. Cercar-se de bons assessores ajuda. Ou ele medica, ou ele administra. Sei do que estou falando. Fui gerente nacional de sistemas organizacionais da maior empresa de planos de saúde do país, em meados da década de 1980. Dois milhões de associados, patrocinadora da F1, hospitais suntuosos e uma administração caótica, nas mãos de médicos que não sabiam se operavam,


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Não é de hoje que a DEMOCRACIA é vista com suspeita no que se refere a sua eficácia enquanto forma de governo. O pensamento pós socrático, através de Platão e Xenofonte, é o melhor exemplo de reservas e temores quanto a expressão da maioria em detrimento do saber especializado, enquanto instância única na condução do bom governo – “Quem sabe manda, quem não sabe obedece!” Não é fortuito que, na idade média (e pelo que sei, até hoje), a igreja católica tenha adotado a filosofia de Platão e Aristóteles – com os devidos ajustes teológicos de Agostinho e Tomás de Aquino, respectivamente - servindo como uma luva à concepção de um universo criado por Deus de forma racional e harmônica, expressando-se de forma VERTICAL. Via de conseqüência, a hierarquia nada mais é do que a encarnação e a expressão legítima desta razão universal, sendo desnecessário dizer que

A Réplica da Democracia

10 - O Ponte Velha - Dezembro de 2010 de acordo com esta concepção o poder (político e/ou espiritual) pertence àqueles em melhores

Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero (embora já houvesse grandes contes-

condições de discernirem os caminhos da RAZÃO – ou seja, os detentores do saber. Nestas condições, levando-se em conta que naquela época só os bem nascidos ou os cooptados pela igreja tinham acesso aos estudos, concluímos que, de acordo com esta concepção, o governo legítimo seria aquele oriundo das Elites, hierarquicamente organizadas. Em 1517 esta harmonia começou a ser quebrada com a

tações anteriores, mas sem sucesso) abrindo o caminho, por via obliqua, à concepção filosófica da subjetividade, seja enquanto receptáculo, seja enquanto expressão, mas sempre sob o enfoque do sujeito portador da razão. Kant e Hegel representam a cristalização deste movimento, possibilitando, assim, em apartada síntese, a criação do Direito Positivo e, conseqüentemente, o moderno Estado Democrático de Direito.

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O problema é que os filósofos do período das luzes entenderam a Democracia como ponto de chegada e não como ponto de partida. Desta forma, muitas vicissitudes de então foram vistas como vícios e problemas da própria Democracia. Entretanto, nos dias de hoje há de se entender a Democracia como um processo aberto a caminho de sua plenitude enquanto forma ideal de governo da sociedade. Assim sendo, vislumbramos que o maior problema enfrentado atualmente pela Democracia é este crescente processo de massificação alienante promovido pela indústria capitalista da mídia, do entretenimento, etc, que atua sistematicamente no sentido de forjar um senso comum nas pessoas, ao ponto destas tomarem por realidade uma representação em detrimento da própria realidade. Para este mal só existe um remédio - aqueles que se sentem comprometidos com o BEM deverão lutar incansavelmente pelo aperfeiçoamento e a extensão das instituições democráticas, desmistificando falsos valores, criando alternativas ao saber instrumental do capitalismo e forjando novos paradigmas nas relações da humanidade, pois a Democracia, por si mesma, nunca haverá de se perverter, todavia a perversão da Elites procurará sempre por todos os meios obscurecer e viciar a vontade democrática. A questão não é olhar para trás e sim a fé na política a serviço de sua própria excelência.

jornalista responsável: Gustavo Praça de Carvalho Reg.: 12 . 923 diagramação: Afonso Praça

Tel: 3351 2072 Av. das Mangueiras (a 800m do Portal de Penedo)

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Dezembro de 2010 - O Ponte Velha - 11 Joel Pereira

Sons que vêm de Cuba

Nossa História, Nossa Gente

Neste mês, homenageamos MÁRIO PERIQUITO, que dá nome à uma rua situada no Bairro Jardim Jalisco, ligando a Avenida Rita Maria Ferreira da Rocha à Avenida Marcílio Dias. Seu CEP é 27510-040. Tudo começou quando Antonio dos Santos Periquito, português de Sanfins do Douro, convidado por um patrício, veio para o Brasil, mais precisamente para Chiador, em Mar de Espanha, MG. A missão do Antonio, latoeiro profissional, era construir uma embarcação para o seu conterrâneo colocar em uma grande lagoa que havia mandado fazer para ali navegar com a sua mulher, uma negra brasileira, por quem estava perdidamente apaixonado. Assim, o pai de nosso homenageado veio para o Brasil, no início de 1902, com sua esposa, Dona Maria Augusta Vilela Periquito, trazendo, na barriga, o MÁRIO PERIQUITO, que nasceu em Mar de Espanha, em 09 de setembro de 1902, batizado como MÁRIO DOS SANTOS PERIQUITO. Ao dar à luz o nosso homenageado, Dona Maria Augusta morreu, em complicado parto. Em razão disto, MÁRIO foi criado por uma prima de sua mãe, em Carmo de Minas.

Quando MÁRIO já tinha uns 10 anos, seu pai comprou uma Pensão em Ponta de Areia, Niterói, e reuniu, de novo, todos os filhos. Ali, MÁRIO fez a Escola da Marinha e viajou, a

serviço, por vários países, ocasião na qual se tornou fluente em Espanhol e em Italiano. Aos 21 anos, saiu da Marinha para ser representante de vendas de álcool no Brasil. Naquela época, MÁRIO viajava pelo Brasil inteiro, vendendo álcool. Em uma dessas

viagens, o trem que o transportava ficou retido em Resende, por queda de barreira na estação de Marechal Jardim, forçando sua permanência em Resende, hospedando-se no Hotel Lusitânia, na Praça Oliveira Botelho. Na manhã do dia seguinte, Maria Moraes, sobrinha da dona do Hotel, foi ali tomar café. MÁRIO PERIQUITO se encantou com a linda moça, e a simpatia foi recíproca. Noventa dias depois, no ano de 1924, os dois se casaram. Assim, nosso homenageado passou a viver em Resende, onde teve um Moinho de Fubá e o Hotel da Estação, em Campos Elíseos. Depois foi distribuidor do Conhaque Villaça, famosa bebida fabricada em Resende. MÁRIO e MARIA tiveram quatro filhos: Marilda Periquito de Aguiar, Marilia Periquito Camiller, Marilena Periquito Vidal (já falecida) e Mário dos Santos Periquito Filho. MÁRIO PERIQUITO foi um grande benfeitor do Asilo Nicolini Gulhot e dividiu, por longo tempo, a liderança resendense do PSD com o Dr. João Vilela. Em razão de seus relevantes serviços prestados, foi agraciado com o título de cidadão resendense. Grande comunicador e excelente contador de piadas, Mário alegrou a vida da cidade, até que em 28 de janeiro de 1977, Deus o levou para a sua companhia. REFERÊNCIAS: informações de Mario dos Santos Periquito Filho.

Marcellinha Dias

Mário Periquito

O show “Tributo ao Buena Vista Social Clube”, da Banda Cuba, formada por músicos de Penedo, foi sucesso no Jazz Village Bistrô no mês de outubro e no Doc Emporio em novembro. Eles se apresentam ainda no sábado dia 4 de dezembro no DOC e no dia 12 - um domingo, à tarde - no terreiro dos Kalimbas, logo na entrada do Jardim Martinelli, após o posto de gasolina. Com uma pegada muito boa, a banda transmite a mesma energia dos cubanos do grupo de Ferrer, e ainda acrescenta ao repertório do Buena Vista duas músicas de Carlos Santana e outras do gênero. É um show excelente para quem gosta de dançar. As apresentações no Jazz Village e no Doc estiveram lotadas e é bem possível que o show prossiga na região. É ficar de olho. É a seguinte a formação da banda: Fernando Farias, um argentino que é pura música (voz, bandolim e violino); Gustavo Holanda (voz, violão e guitarra); Rafael Procacci (violão, guitarra e voz); Nino Grandi (baixo, guitarra e voz); Luis Lima (popular Japão); Uirá Leão e Marcelo Dertônio (percussão).

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12 - O Ponte Velha - Dezembro de 2010 ma So

Mais é menos? Perguntem ao Papai Noel Marcos Cotrim

Clichês

la vil Hipocrisia, ou como se diz e se dizia, falsidade Política nos limites fumarentos da cidade: Quer saber? um prato azedo cheio de ironia, Viver sem rir com o radio ligado noite e dia, É isso ai a existência na periferia. Para ela, esgares na cama forrada com jornal Manchado de sangue recente e ancestral E choro de criança ante um Jesus dependurado Na parede sórdida, maquiado, amargurado. Para o macho não é o banheiro sem porta o detalhe Que implica. O vaso de vez em quanto regurgita Dores de outros moradores, vago tormento. A moça espreita o vento que abre as portas No rastro de quem que vem do inferno. Demora a sina Porque a noite explode em funk, crack, anfetamina. Na viela o feto. Ninguém liga, ela não pode Fugir pela janela emperrada, ressequida, Endurecida pela mentira vendida sem piedade. Esta menina da sociedade quer estudar filosofia E vomitar na pia. Não pode. Sonha com a democracia Prometida, sem pecados, limpa, linda. Não pode... Ninguém acode. Despe-se para morrer, Não pode, não pode ainda,vem alguém.

Guerra e Paz - “O homem pode viver 100 anos na cidade sem perceber que já está morto há muito tempo” (Tólstoi, Sonata a Kreutzer). A doença da cidade é uma doença da habitação, no sentido de moradia de cada um no centro de sua paz e sua comunidade. É isso que faz a diferença entre casa e lar. Máquinas de morar não promovem encontros. Por isso se levam décadas para domesticar a fúria das COHABs e civilizar os subúrbios. Grande parte de nosso quotidiano surrado é receber heranças, cultivar tradições e encaminhar processos que vêm de muito longe. O hábito – aliás, saudável – de morar é um destes. No entanto alguns furiosos empreendedores, enquanto dormíamos, inventaram as utopias urbanas, onde ninguém mora. E aí surgiram os “fazedores”, esses galopantes que “sabem a hora e não esperam acontecer”. “O pior cego é aquele que não quer ouvir” - E a PEC da Felicidade passou. Apesar dos meus protestos, foi aprovada na Comissão de Justiça do Senado. Resta saber a quem irei reclamar quando o Estado não me conseguir a paz prometida nas letras impressas a fogo divino. Talvez quando o super-homem vier para nos restituir a glória de outra constituição cidadã. Em O trem fantástico, crônica de 6 de outubro de 1973, Nelson

DR. MAURÍCIO DIOGO

Rodrigues antecipava meu protesto. Argumentava que “a socialização cria uma responsabilidade difusa, volatilizada, que não tem nome, nem cara, nem se individualiza nunca.” O que é de todos não é de ninguém. Ou por outra: estatizar o espaço público é pior do que privatizá-lo. Mais é menos? - Quem provoca é o jornalista Eduard Punset: Somos mais livres por ter mais escolhas, ou ao contrário, nos afogamos no oceano das possibilidades que temos ao nosso alcance? (http://www.eduardpunset. es/) O psicólogo Barry Schwartz responde que, para não sucumbir à perpétua insatisfação que nos persegue na sociedade moderna, marcada pela abundância e o luxo de liberdades, é fundamental não identificar felicidade com o crescente poder de fazer escolhas. O excesso de ofertas leva a uma indecisão e a um fastio. Para resolver a contradição, cria-se o “consumidor”, o irresponsável em estado puro. O alienado. Senti um quase tédio quando acompanhei a “guerra do Rio de Janeiro” contra o tráfico. Minto. Vou esperar o Élio Gaspari ou o Luis Fernando Veríssimo escreverem algo sobre isso, para saber o que eu deveria sentir sobre matéria tão complexa. Por enquanto, vale dizer que os consumidores de cocaína etc.etc. estatizaram as forças armadas para combater a

privatização do tráfico. A cidade não é mais um espaço público e não pode por isso estar em paz. Menos é mais? - Mies van der Rohe, filósofo e arquiteto, pensando na integridade material da cidade, propunha encontrar o essencial da visão humana, a contemplação como arte de morar, e a simplicidade como cânon comunitário. Uma visão homeopática do morar. Como arquiteto, era um bom filósofo. Estilo à parte, compreendeu que desaprendemos a arte de morar, em que havia excessos indispensáveis, e carências intransponíveis na paciência de conviver. Tudo depende de uma boa cadeira. Uma cadeira real. Enquanto isso, Resende vai ganhando sua sonhada Casa de Detenção, e o Sr. Tom Kneip segue brincando de Lego com os restos da cidade. Não está sozinho, o eficiente arquiteto da Casa Verde. Outros arrivistas há que entendem o “espaço da cidadania” como cosa nostra. Saudosismos à parte, devia ser no mínimo estranho que os vencedores das eleições pensem que recebem uma procuração em branco da “municipalidade”. Mas não há mais tempo de pensar, o povo está ocupado consumindo. Pobres, ricos e remediados. A droga é (quase) a mesma; muda só a rapidez da destruição. Ou da construção, tanto faz. Tudo depende de uma boa cadeia. Uma cadeia ideal.

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Manipulação Homeopatia Fitoterapia Cosméticos Rua Alfredo Whately 151 . Campos Elíseos Resende Tel.: (24) 3354.5111/22.42

Licenciamento ambiental Educação ambiental Recuperação paisagística Levantamento florístico Perícia e Auditoria ambiental ISO 14000 Av. Nova Resende, 320, sl.402 Campos Elíseos - Resende/RJ (24) 9245.9851 / (24) 8112.3762


Jornal Ponte Velha . Dezembro . 2010