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RESENDE E ITATIAIA - MARÇO DE 2012 Nº 191 . ANO 17 - JORNAL MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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Romério e a questão do chorume:

“Se tudo for verdade, que percam a concessão”

No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra Nunca me esquecerei desse acontecimento Na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade/ Escrito em 1924-25)

Vivian Cury

A Pedra Selada e Seus Caminhos Quanto Vale a Chuva? Os 28 Anos da ACIAR Papa Celebra Primeiro Casamento Coletivo Gay Memórias do Zé Leon Pobres, Pretos e Prostitutas Adoro a Solidão mas não Vivo sem Você Um soneto de Maria Amélia Alves João Maia e a Inclusão da Classe C na Sociedadade de Consumo


2 - O Ponte Velha - Março de 2012 1 - O DOMÍNIO DO PODER EXECUTIVO EM RESENDE DE 1947 A 2011 1.1 - O RODRIGUISM0 – 1947 a 1966 - edição de dez/11 1.2 - O ROCHISMO - 1967 a 1976 - edição de jan/12 1.3- O CARVALHISMO - 1955 a 1962; 1977 a 1982; 1989 a 1996; 2005 a 2008 - edição de fev/12. 1.4 - O OLIVEIRISMO - 1983 a 1988 1.4.1 - NOEL DE OLIVEIRA - na eleição de 1982, sagrou-se vitorioso para o mandato de 1983 a 1986, conquistando, finalmente, o Poder Executivo em Resende. Eleito para um mandato de quatro anos, teve a sorte de os mandatos serem prorrogados por dois anos - 1987 e 1988. Em sua brilhante carreira exerceu os seguintes cargos: Vereador de 1955 a 1962, pelo PTB; Deputado Estadual em 1977 e 1978; Deputado Federal de 1995 a 1998. Oliveira tem o segundo melhor currículo político de Resende, perdendo apenas para o Carvalho, seu ex correligionário, transformado em adversário desde a eleição de 1976, quando este venceu as eleições para Prefeito. Nas eleições de 2000, contrariado com uma manobra que o impediu de ser candidato, Oliveira ensaiou uma reaproximação com os Carvalhos, chegando mesmo a gravar um depoimento para o programa de TV do Silvinho. A recaída durou pouco, pois na eleição de 2004 já disputou (e perdeu) o cargo de Prefeito com o Silvinho de Carvalho. Vice-Prefeito atual (mandato 2009-2012). O oliveirismo tem sobrevivido como coadjuvante. Primeiro, no “eduardismo”, e, agora, no “rechuanismo”. Se Noel de Oliveira tivesse que ser explicado em apenas dois adjetivos seriam perseverante e simples. Apurado o resultado de uma eleição em que havia perdido, Oliveira começava sua próxima campanha. Sua simplicidade é exemplar. O poder nunca lhe subiu à cabeça.

Cabo Euclides e Professor Silva

POLITICÁLYA Consagrou-se na administração “feijão com arroz”, cuidando das coisas mais simples da cidade, mão de ferro nas Finanças (Secretário César Stagi), com ótimos resultados. 1.4.2 - NIVALDO DE OLIVEIRA - Enquanto seu irmão é o coração do “oliveirismo”, Nivaldo é o cérebro. Vereador de 1983 a 1988, foi Presidente da Câmara de 1983 a 1985. Sua profissão de médico cardiologista o ensinou a valorizar apenas as coisas que merecem ser valorizadas. Discreto e simples, tem nervos de aço e capacidade de decidir rápido. Mais tarde (1997 a 2004), foi, também, uma das peças principais do “eduardismo”. 1.4.3 - JOÃO BOSCO AZEVEDO - Representou para a campanha do Noel de Oliveira o mesmo que o saudoso José Alencar

Câmara de Itatiaia desistiu de cassar o Ypê

para a campanha do Lula. Com Bosco, a elite teve a certeza de que Noel, se eleito, faria uma administração ortodoxa. Não teve espaço no Governo, o que implicou seu afastamento do “oliveirismo”. Não prosperou em carreira solo, mas o Oliveira também não conquistou a Prefeitura novamente. Perderam os dois. 1.4.4 - LUIZ DE OLIVEIRA FONTES - “oliveirista” de várias campanhas anteriores, foi alçado,

1.4.8 - LUIZ GERALDO DE PAIVA WHATELY - Presidente das Exposições Agropecuárias do Governo Oliveira, LG conseguiu realizar memoráveis festas, tão ao perfil do “oliveirismo”: com simplicidade, eficiência e clareza nas contas. Naquele tempo, as exposições não eram as “festas-show” em que se transformaram, perdendo a feição regional. O competentíssimo Luiz Geraldo, de pública e notória honestidade, foi filiado ao PMDB, pelo próprio Prefeito Noel de Oliveira, para lançá-lo à sua sucessão. Por motivos não apurados, Oliveira, na última hora, lançou o Delphim. 1.4.9 - FULVIO ABRAME STAGI - Candidato a Vice-Prefeito do Oliveira, pelo MDB, em 1966, foram os mais votados. Porém, a Arena, liderada pelo Aarão Soares da Rocha teve mais votos, no total, do que o MDB, vencendo a eleição. Fúlvio é advogado e contabilista. Pessoa reconhecidamente séria e Viu que a Gilda ia ficar competente, sempre reforçou as com a maquina na mão colunas do “oliveirismo”. Atualmente é filiado ao PT. 2) POLÍTICOS INFLUENTES DE RESENDE, JÁ TESTADOS NAS URNAS: PEDRO MÁRCIO BRAILE - Candidato a vereador, em 1996, pelo PTB, obteve 370 votos. Filho do saudoso Ex-Prefeito e Ex-Presidente da Câmara Municipal, Pedro Braile Neto. Engenheiro Sanitarista, é uma das maiores autoridades do mundo em saneamento. Presidente da Esamur, no primeiro governo do Eduardo Mehoas. das maiores autoridades regioSHEILA MAGALHÃES nais em Finanças, Cesinha foi o MACHADO SILVA - Mais conhepoderoso Secretário de Finanças do cida como Sheila Irâni (em razão Oliveira, com positivos reflexos no do seu marido, Dr. Irâni). Candicaixa do Município. data a vereador, obteve 468 votos, 1.4.7 - WILKIE MARQUES pelo PMDB, em 2004. Em 2008, - Indicado pelo César Stagi como candidata pelo PT do B, já adotando um dos melhores secretários do o nome Sheila Irâni, obteve 550 Governo Oliveira. De perfil muito votos. Esta coluna torce para que, mais técnico do que político, o na próxima legislatura, a Câmara de conceituado médico conseguiu Resende possa ter várias vereadoescorar o “oliveirismo” no sensível ras. Está na hora de mulheres, como segmento da saúde. em 1983, à poderosa função de Chefe de Gabinete. Praticamente imposto por Noel de Oliveira como candidato a vice na chapa para sucessão deste, com o Delphim Carlos Rocha da Silva, na cabeça. Afastado do “oliveirismo”, foi Chefe de Gabinete do Prefeito Silvio de Carvalho. É Diretor da Rádio Resende e especialista em política de bastidores. 1.4.5 - DELPHIM CARLOS ROCHA DA SILVA - Fazendeiro. Poderoso e competente dirigente da Cooperativa Agropecuária de Resende, por muitos anos. Mesmo sem ter um histórico “oliveirista” ou no MDB, foi ungido candidato à sucessão do Noel de Oliveira, na eleição de 1988. Ficou em segundo lugar, com 12.338 votos. Perdeu para o Noel de Carvalho, que obteve 16.773 votos. 1.4.6 - CESAR STAGI - Uma

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a Assistente Social Sheila Irâni, enriquecerem o nosso Legislativo. 3) NOTÍCIAS ATUAIS COM REFLEXOS NAS ELEIÇÕES DE 2012: PT RESENDENSE – Resende foi incluída, pela alta direção do PT, como cidade estratégica. Como tal, terá apoio decisivo e depoimentos dos figurões dos partidos. O Senador Lindberg já vem orientando os petistas resendenses e será presença constante aqui. USINA DE LIXO - Já vimos esse filme de concessões, no apagar das luzes do Governo, e a toque de caixa. O mocinho perde no final ... OUVIDORIA NOTA DEZ - A excelente Ouvidoria de Resende, ouve ... e faz. Ponto para o Rechuan que a prestigia e manda corrigir os rumos das coisas. Agora está precisando mandar limpar a Beira Rio (Av. Rita Maria Ferreira da Rocha). O SUPERSECRETÁRIO DO RECHUAN É CARVALHO - Está confirmado. Totonho Paiva é Carvalho. Calma, gente! É apenas no nome: José Antônio de Carvalho Pinto é o nome dele, que é Paiva, mas não assina Paiva. Pode anotar: esse rapaz tem futuro político. Ao conquistar mais poder, ficou ainda mais acessível e mais eficiente. PALMAS PARA O DEPUTADO GLAUBER - O excelente Deputado Glauber conseguiu importantes verbas para Resende, a exemplo da destinada para a obra de contenção do Rio Sesmaria. Parabéns, Deputado. O Sr. está realizando um bom plantio aqui na cidade.

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Março de 2012 - O Ponte Velha - 3 A Pedra Selada está no meio de um caminho de tempo. Lá de cima, com uma simples meia volta no corpo, a gente vê dois espaços e três tempos: de um lado, o presente; de outro, o passado que nos sugere um futuro. No lado mineiro, vemos os morros e os colinhos das montanhas - uma topografia que por ser acidentada não se presta aos extremos da racionalidade, que precisa da linha reta e da área plana. Por isso, nesse lado mineiro ainda vigoram pequenos povoados, suas fazendinhas encravadas entre espigões: retiro, curral, paiol suspenso, a sede; os patos, os porcos, as vacas sem nenhuma questão pendente; uma égua alazã pastando e um baio arriado, os queijos curados; na sala principal, o bisavô de enorme barbas, os retratos dos antepassados. Dá vontade de tombar alguns exemplares dessas fazendas. Preservar o patrimônio material e o imaterial (a cultura, os conhecimentos que sustentam o patrimônio material). É o passado, mas ali tem também um futuro. Ali tem uma possibilidade de agricultura orgânica conjugada ao turismo rural, com forte investimento técnico de um Estado que, nesse futuro a que me refiro, terá gosto em funcionar com o poder descentralizado; descentralização que manterá os jovens na roça, resgatando o sentido nobre da lida com a terra, que, entre outras coisas, ajuda o crescimento espiritual. Este futuro sonhado, desse homem que perde o gosto pelo acúmulo, que perde o gosto pelo uso da técnica como função de acúmulo, vai se nos impor. Porque do outro lado da Pedra, com um simples giro de corpo, a gente vê um presente que, como diz o senador Cristovam Buarque, está só comprando tempo - e, no caso da nossa região, muito feliz porque dentro em breve pretende ser a MAIOR CIDADE DO SUL FLUMINENSE,

QUIÇÁ DO VALE DO PARAÍBA. A caixa alta pode ser um balão furado (o PIB do meu pai é maior do que o do seu). Tumores urbanos, comida trans-

nobre - for justamente o gigantismo, irmão siamês da racionalidade, que mata a solidariedade orgânica entre as pessoas? (Leiam com atenção a matéria do

Gustavo Praça

Os Caminhos que a Pedra aponta Juliana Mello Lana Almendra

gênica, petróleo a rodo. A agroindústria triplica a produção de alimentos? Sim, mas sextuplica a extração de minério para adubo e agrotóxico. Insustentabilidade. Ou será que isso é besteira porque o futuro a Deus pertence e o progresso em linha reta é que é o grande lance? Resende está crescendo, o resto não importa. Nossa rapaziada está aí nas madrugadas das esteiras de montagem, ajudando a fabricar milhares de veículos 24h por dia. Todo mundo vai comprar também o seu carrinho, tomar muita lata de cerveja. É só controlar a corrupção. Mas e se a raiz da corrupção - o co-rompimento original de alguma coisa

Marcos Cotrim na pg 4). A poesia, que só nasce dessa solidariedade organica, é vista pela pura racionalidade como economicamente inviável: gasta papel a tôa - porque as frases nunca vão até ao fim de linha - e não chega a nenhuma conclusão útil. O Chaplin de Tempos Modernos é visto apenas como engraçado. Ele era mais que entraçado. As crianças sabem que o gigante é mau. É o gigante que isola as pessoas como peças produtivas e crentes fervorosos da Igreja da Lei, que tudo resolverá através dos nobres vereadores e deputados que nos representam, tirando-nos o pesado fardo de nos metermos em questões fundamentais da nossa vida.

Em anos eleitorais, as disputas pelas grandes empresas de fabricar manutenção de poder (e asfaltar umas ruas quando sobra um dinherinho) deixam à mostra como e por quanto se constroi uma garagem no hospital de Itatiaia; como e por quanto se plantam mudas em Resende. No passado, nós mesmos nos envolvíamos diretamente na construção de garagens, no plantio das mudas, na construção de pontes. Esse ponto menor da ação social era a vacina contra a endemia de corrupção. E talvez seja a única vacina eficaz. O futuro pede que a apliquemos com urgência; que procedamos com equilíbrio uma mudança gradual do modelo de desenvolvimento para que não precisemos pensar em plataformas/ cidades espaciais climatizadas (a solução da racionalidade em linha reta e área plana), que é quase o que já estamos construindo em cima desse belo planeta. Os colinhos da Mantiqueira estão aí nos dando sugestões; o Felipe, na pag 4, tá pedindo chuva. A Pedra tá lá, no meio do caminho.

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4 - O Ponte Velha - Março de 2012

Região das Agulhas Negras: uma história a ser escrita Soberania municipalHá 110 anos morria João Maia, o patrono da ARDHIS – Academia Resendense de História, que comemora o vigésimo aniversário de fundação dia 28 de março de 2012. A efeméride vale uma reflexão sobre tema que lhe era caro: o valor político do município. Mais conhecido como autor do principal livro de história local, “Notícias Históricas e Estatísticas do Município de Resende desde a sua Fundação” (1891), escreveu também o ensaio de sociologia política “O Município” (1883). Num cenário de decadência da cafeicultura, ele aí critica a política de centralização que construiu o Império, diminuiu a soberania das Municipalidades e tornou as Câmaras um artifício jurídico com atribuições meramente técnicas e subalternas. Autonomia regional- O esvaziamento político do município não parou aí. A República ainda mais desfigurou a condição ética da soberania municipal, a regionalidade. Com a criação dos Estados como entes quase abstratos, as questões políticas, econômicas e ecológicas perderam a densidade moral e o sentido cultural que o universo simbólico das regiões proporciona. A região é o “mundo habitável” da maioria das pessoas, o espaço ao qual de fato pertencem e em cuja história se reconhecem. Abalada a matriz regional da identidade municipal, principal mídia a serviço da cidadania, consumou-se o que João Maia via: a transformação da vida social em objeto dos raros iniciados na tecnocracia. Essa confusão entre o “bem público” e o “estatal” cor-

rompe a democracia e a solidariedade e nos torna reféns do futuro. Segurança FamiliarEm matéria de segurança pública, quase tudo repousa sobre a prevenção. Começa em casa, onde recuperamos o nome próprio, Gabrielle Six continua nas igrejas e escolas e termina nas ruas. Nos tempos da Educação Moral e Cívica ainda vigorava esta regra elementar. Os governos civis que vieram depois de 1988 mantiveram o bedel estatal, mas negaram a regra milenar. As várias formas de “educação cívica” para uso das massas ou encontrarão o terreno preparado pelo eixo família-escola-igreja, ou criarão monstruosidades éticas. Porque lidam com a sacralidade da vida humana, sua segurança e aperfeiçoamento, nunca serão substituídas nessa função, a menos que o próprio homem seja desfigurado, e a sociedade transformada num curral de comissário ou numa geléia virtual. A peçonha do LeviatãIsso deve estar ocorrendo, pois os formadores de opinião da presente geração conseguiram colar em tudo que é sagrado um selo de escárnio, uma nota de irreverência, um motivo de deboche. Arautos da liberdade

Marcos Cotrim

conseguiram desqualificar a honra devida aos pais, o respeito devido aos professores e o temor devido a Deus. Em troca, impuseram a crença perversa de que o Estado e suas leis podem criar a sociedade dos sonhos.

No Brasil, o próprio Leviatã foi carnavalizado. O bom-mocismo filantrópico dos responsáveis pela Cidade, viúvas alegres do Iluminismo, não veem que passamos do arcaico ao pós-moderno sem viver a modernidade reivindicada por João Maia. Tudo passou a ser uma questão de inclusão da Classe C na sociedade de consumo. O resto vem a reboque. Ou a rebenque. Bilhete a Heráclito ‘Tudo deu certo, meu velho Heráclito, porque eu sempre consigo atravessar esse teu outro rio com o meu eu eternamente outro . . .’ Mario Quintana, Caderno H

Luis Felipe Cesar

Quanto Vale a Chuva? Em janeiro e fevereiro choveu a metade do normal na região do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira. Sucessivas massas de ar seco desviaram o corredor de umidade amazônica que normalmente irriga a região. Queimadas ao longo da Via Dutra, típicas de setembro e outubro, se adiantaram para 1 de março, mesmo dia no qual a Voz do Brasil noticiou prejuízos de 16 bilhões de reais decorrentes da seca no Rio Grande do Sul. A única solução proposta , divulgada na reportagem, é a construção de milhares de diques para regular a vazão de água dos rios. Nenhuma palavra sobre medidas de reflorestamento, recuperação de nascentes e proteção das florestas (inclusive da Amazônia). Nada poderia ser mais obtuso. A natureza nos manda claros sinais de desequilíbrio e o máximo que se propõe para mitigar esses efeitos da mudança no clima são obras de engenharia. Evidentemente tais intervenções têm seu papel e podem contribuir para melhorar a situação em curto prazo, mas de muito pouco adiantarão se as causas da mudança climática não forem devidamente enfrentadas. Afinal, imagens de açudes secos no nordeste são rotina em noticiários. Quando cresce a pressão contra o desmatamento na Amazônia é comum surgirem argumentos apelando à sobrevivência dos trabalhadores locais, aos empregos e recursos gerados pela venda de madeira e ampliação da fronteira agrícola para novos plantios de soja e pecuária. No entanto, persiste o erro histórico de não se incluir nessa conta as perdas provocadas pelo comprometimento dos serviços ambientais prestados pela última grande floresta tropical do planeta, dos quais o mais notório é o fornecimento de chuva para o sudeste brasileiro, incluindo parte da Argentina. Ou seja, até mesmo a famosa agricultura do país vizinho depende da chuva que vem da floresta. E quanto vale isso? Valorar os serviços ambientais ainda requer muitos cálculos e discussões, inclusive éticas. Mas é certo que recupera-los (quando necessário) e mantê-los em funcionamento, ofertando chuva, regulando rios, controlando erosão, garantindo biodiversidade etc, é um investimento muito mais proveitoso do que apostar na continuidade de sistemas de produção poluentes, agricultura predatória, desmatamentos e não recomposição das áreas degradadas. Enquanto isso, persistem queimadas banais, desnecessárias e criminosas no eixo Rio- São Paulo. Que as chuvas de março nos livrem dos rigores da seca e dos incendiários.


Março de 2012 - O Ponte Velha - 5

Pobres, Pretos e Prostitutas

Eliel de Assis Queiroz Ulysses Guimarães dizia que, no Brasil, somente os 3P é que iam para a cadeia: pobres, pretos e putas. Mudou alguma coisa de Ulysses Guimarães até hoje? Quantos pobres e pretos foram processados por causa de um canarinho na gaiola? Quanta dona de casa, não importa a cor, foram ameaçadas de prisão por causa do papagaio de estimação? Quantos Josés e quantas Marias, principalmente na nossa zona rural, já não sofreram algum constrangimento por causa deste tipo de crime ambiental? Não defendo este tipo de crime, mas defendo tratamento pelo menos igual para todos eles, proporcionalmente a gravidade de cada um. Uma coisa é ter um canarinho em casa, outra coisa completamente diferente é lançar, criminosamente, toneladas de carga tóxica no rio que abastece o Estado do Rio de Janeiro. No início deste ano, um outro José, que não é o do passarinho na gaiola, foi pego com a boca na botija, negociando descarte de material tóxico. Dias depois desta negociação, um jornal da cidade flagrou um caminhão lançando

ro público, será processado criminalmente? Afinal, tudo começou com ele. José Rechuan pode até não ter passarinho em casa, mas tem muitas “Mentiram-me . explicações a dar. Por Mentiram-me ontem que não abriu um processo administrativo E hoje mentem novamente. para tratar do pedido Mentem de corpo e alma, do seu amigo de Volta Redonda? Para quem Completamente. ele encaminhou o E mentem de maneira assunto? Será que ele Tão pungente, também não sabia que o contrato de concesQue acho que mentem são de água e esgoto Sinceramente. é apenas e exclusivaNão mentem tristes. mente para Resende? Em momento algum, Alegre/mente mentem. ele, o prefeito de ReMentem tão nacionalmente sende, teve pelo menos a curiosidade de saber Que acham que mentindo como o assunto estava História a fora sendo tratado? Quanto Vão enganar a morte mais a prefeitura de Resende explica, mas Eternamente. ela se complica. (Affonso Romano Sant’Anna) A entrevista dada pelo funcionário da Águas das Agulhas Negras, demitido por ter denão é o do passarinho, mas tem nunciado a farsa do chorume ao advogados pagos com o dinheitoneladas de chorume de origem industrial em uma estação (desativada) de tratamento de esgoto. E agora, José? José, que

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Lúcia Barros jornal Beira Rio, de 24/2/12, é um marco no jornalismo regional. Primeiro, temos que continuar elogiando a postura firme do jornal Beira Rio. Jornalismo não é só denunciar, mas também apurar. E isto o Beira Rio está fazendo com competência. Da mesma forma, está fazendo o nosso jornal, O Ponte Velha, abrindo espaços para que o governo Rechuan se pronuncie a respeito, não só deste caso do chorume, mas de todos os outros que envergonham o nosso município. Resende não merece isso. O cidadão resendense, nascido aqui ou vindo de fora, precisa ser respeitado. Chega de mentiras, chega de tramóias, chega de armações. Nossa cidade não é Brasília, com todo respeito ao cidadão brasiliense, onde se respira mentiras e falsidades políticas por todos os lados. O funcionário demitido pela Águas das Agulhas Negras merece todo o nosso respeito e a nossa proteção. Não podemos deixar que ele sofra qualquer tipo de ameaça ou constrangimento. O Instituto Agulhas Negras (INAN), do qual faço parte, já colocou seus advogados à disposição deste cidadão brasileiro e resendense. Cidadão com C maiúsculo, que perdeu o emprego, mas não perdeu a sua dignidade. Se mais pessoas agissem como ele, esta cidade e este país seriam muito melhor.

No Corpo como na Vida A parte contém o todo, diz o holismo e eu, como parte, preciso me isolar e me relacionar.Tenho ficado embasbacada, estupefata, apatetada mesmo diante dessas duas possibilidades tão prementes. Preciso estar só, internalizada, em silêncio observante, como monge ermitã. Por outro lado, necessito do outro que me espelha e me mostra o que sozinha não consigo ver. Quem vê seu próprio rosto? Quem sabe como é suas costas? Se não há escuta, existe voz? No estudo da consciência corporal, preciso isolar as partes do corpo para reconhecer o todo... mas uma parte isolada não existe... Os dedos precisam das mãos, a mão é em relação ao punho, o punho se entrelaça no braço e por aí a fora. Interdependência. Conheci um rapaz sem braços e pernas. Apenas o tronco e um protótipo de pé que ele brincava chamando de “asinha de galinha”. Nele a interdependência é bem visível. Corrente única de energia, da “asinha” ao topo da cabeça... Essa é a “asa” que Deus deu à cobra: FLUIDEZ. Acho que me perdi..., mas como disse Clarisse Lispector, “se perder também é um caminho”, e, no caso, o caminho se encontra. Fluir, como o vento; horas sozinha (a parte contém o todo), horas no social (o todo é feito das partes). Resumindo: adoro a solidão mas não vivo sem você.

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6 - O Ponte Velha - Março de 2012

Romério e a questão do chorume:

“ Se for tudo verdade, sou pela perda da concessão” No seu terceiro mandato como vereador, Romério de Almeida personifica bem esse momento em que Resende procura sua identidade entre a origem rural e a presente vocação cosmopolita. De uma das muitas famílias que desceram da Bocaina de Minas, ele tem um ritmo de fala que lembra o personagem Sinhozinho Malta, de Lima Duarte. Pensa que a roça pode ter um novo impulso com o turismo, e é um entusiasta do crescimento da cidade, que quer governar a partir de 2016, quando, segundo ele, o orçamento municipal poderá estar triplicado. Romério foi um dos que votaram pela privatização da água no governo passado, acha que se não fosse isso a água estaria sucateada, mas diz que “se o acontecido do chorume for verídico” é a favor de que a concessionária perca a concessão e os responsáveis respondam na justiça. Muito esperto (o mineiro é o árabe brasileiro, como diz o Joel), ele nos contou a história do seu crescimento como comerciante de cannes a partir da sociedade em um pequeno açougue do Alto dos Passos. A conversa foi no Fogão de Lenha e o Romério só tomou uma Coca-Cola. O Alceuzinho Paiva passou pela mesa e riu disso, mas Romério lhe disse que era para “não me atrapalhar nas idéias”. JOEL: Quase que você foi o Pedro III de Almeida, certo? ROMÉRIO: O Joel brinca assim porque o meu pai se chamava Pedro Segundo de Almeida. Eram 11 irmãos e meu pai foi o último. Como antes dele havia nascido um Pedro que falecera, meu avô colocou nele o nome de Pedro II. E minha avó morreu no parto do meu pai. GUSTAVO: E você vem lá dos lados da Bocaina, é aparentado com aquelas famílias todas. ROMÉRIO: Aparentado com os Balieiro, e com os Moreira por parte da minha mãe. JOEL: Então você é parente do Miguelzinho Bin Laden, o eterno Secretário Municipal. ROMÉRIO: O pai dele é primo da minha mãe. Quando eu fui candidato pela primeira vez uma das primeiras pessoas que eu procurei foi ele, o Miguelzinho. Até hoje ele não me apoiou, mas um dia ele vai me apoiar. E desde a primeira campanha que as pessoas ficam me perguntando se eu sou Romério Balieiro, se eu sou Romério Moreira, se eu sou Romério Dias, e isso foi me enchendo o saco. Eu sou Romério de Almeida, ou melhor, Romério de Romério mesmo. GUSTAVO: Nascer no meio dessas famílias da Bocaina já é um grande handicap para a política. Conta um pouco a tua trajetória na vida. ROMÉRIO: Eu nasci na APMIR e fui criado na roça, mas saí cedo de lá para estudar em Juiz de Fora, eu e um irmão mais velho. Depois, com 15 anos vim para Resende já no quarto ano ginasial; meu irmão veio também já para o primeiro científico. E a minha família não tinha casa na cidade, de modo que eu estudei sempre ficando em internato, essas coisas. Meu pai sempre apoiando a gente, ele achava importante a gente estudar. Meu irmão se formou engenheiro e eu fiz Economia até o terceiro ano, não me formei. Eu gostava do comércio, via alguns amigos com comércio, e acabei tendo um açougue durante 15 anos no Lavapés. GUSTAVO: Por que é que você escolheu o açougue? E como é que arranjou o primeiro capital? ROMÉRIO: Olha, eu escolhi açougue porque eu morava num apartamentinho em cima de um açougue lá do Alto dos Passos. Nesse tempo eu estudava e já tinha juntado um dinheirinho trabalhando numa seção técnica da Ferrovia do Aço, fazendo medições, etc. Então, fui observando a maneira que o rapaz do açougue trabalhava, fui aprendendo um pouco. GUSTAVO: Você já devia ter uma experiência de matar boi na roça. ROMÉRIO: Não. Eu só tinha experiência de criar boi. Mas um belo dia o rapaz quis vender o açougue, e aí eu comprei. Meu capital já estava acabando, mas eu dei uma motinho que eu tinha para inteirar a entrada e arrumei também um sócio que já era açougueiro. Aí eu fui trabalhando e aprendendo mais. Essa é uma profissão que eu conheço, uma profissão que eu tenho. Isso

foi em 81. E nesse aprender a profissão eu fui vendo que a freguesia no Alto dos Passos era pequena e que o meu espaço ali também não me permitia crescer. E aí eu vi uma esquina muito boa lá no Lavapés, que estava vazia; num cruzamento que sai da Vicentina, desce para o Paraíba, vai para a Santa Casa. Era do seu Alexandre, o português da Nossa Senhora de Fátima. Eu aluguei essa esquina e montei um açougue novo no Lavapés, e acabei praticamente com uma distribuidora de carne no atacado. Eu fornecia para todos os hotéis de Mauá, de Penedo, de Itatiaia.Tínhamos um movimento muito grande, muita gente trabalhando comigo. E nesses 15 anos de açougue eu casei e criei meus dois filhos - hoje o Pedro é engenheiro e a Natália advogada. JOEL: Eles preparavam a carne muito bem. Um dos segredos do açougue é preparar a carne bem para deixar exposta na vitrine. ROMÉRIO: É verdade. A maneira de dar o corte, de fazer a limpeza. E além disso você tem que saber acondicionar a carne bem, entender bem das geladeiras, das temperaturas. Tudo é tempo de experiência. E além dessa distribuição que eu fazia no atacado, eu tinha uma freguesia muito boa no bairro. O pai do Joel, o seu Luis, era um. Tinha dona Eva, dona Isaura, dona Maria mãe do seu Nenén, que faleceu agora, eram todas amigas minhas. GUSTAVO: Já era o começo do seu eleitorado, sem falar no eleitorado da serra... ROMÉRIO: E esse povo da serra, eles desceram muito, e votam em quem vem de lá. Porque se você for ver, Resende foi muito feita por esse povo que vinha da região da Bocaina nas tropas de burros, trazendo as mercadorias. GUSTAVO: Conta um pouco como era a sua vida de menino na roça. ROMÉRIO: Eu fui criado na fazenda do meu pai, que pega o estado do Rio e o estado de Minas, os municípios de Resende e de Bocaina de Minas, o rio Preto passando no meio. Ela já era do meu avô, mas o meu pai comprou muita terra também, criava muito gado, vendia leite para os laticínios da região.


Março de 2012 - O Ponte Velha - 7 JOEL: É o turismo rural, que é JOEL: O Seu Pedro foi um dos maiores fazendeiros da Bocaina. uma realidade. ROMÉRIO: E ele tinha visão de futuro. Acho que se tivesse vindo para GUSTAVO: Sim, mas que se a cidade, pelo homem trabalhador que ele era, ele teria hoje um patrimônio for conjugado com o incentivo muito grande. Porque a zona rural é aquilo: trabalha-se muito e o lucro agrícola preserva o patrimônio mesmo está aqui na cidade. Então, é muito fácil você falar de zona rural, das fazendas, que é um atrativo mas lá a dificuldade é muito grande. Então a visão do meu pai e da minha também tão forte quando a cultura mãe quando mandou a gente estudar na cidade foi a de buscar uma vida alemã ou finlandesa. Uma coisa a melhor para os filhos. Tanto que poucos ficam lá. Você pode ir naquela que não damos muito valor hoje região do Mauá e ver que todos venderam suas terras para pessoas de fora. mas que vamos lamentar no futuro GUSTAVO: Mas ô Romério, hoje 85% da população do país vive a perda. em zona urbana, e a gente sabe dos problemas de poluição, de lixo, de JOEL: E o atrativo lá na estresse, de falta de abastecimento de água, do diabo a quatro. E muita Jacuba é o Romério com o novo gente pensa que uma volta à vida rural é a solução. Mas com outro restaurante dele... enfoque que não só o gado; com um incentivo grande do governo à produção de uma alimentação orgânica, por exemplo. Você, que é da roça, acha isso viável ou acha que é O que eu não posso aceitar é a Água romantismo? das Agulhas Negras fazendo parceria ROMÉRIO: Eu acho que é fácil falar nessa política, é fácil você sonhar, mas os próprios programas do com a prefeitura. Água das Agulhas governo que existem para isso não funcionam, a não Negras não tem que construir ser onde tem os aglomerados. Mas nas grandes extensões de terra que já foram abandonadas eu acho difícil. creche, nem dar camiseta, nem GUSTAVO: Mas eu estou falando da nossa serra patrocinar ônibus da Prefeitura... - Rio Preto, Bocaina, Vale do Rio Grande e por aí a Isso para mim é esquisito. fora - que ainda tem muita fazendinha funcionando. Coisas lindas, que dá até vontade de tombar, e que vão ROMÉRIO: Olha, é mais um morrer, vão ser vendidas para a especulação. A fazenda do seu Antônio bar que serve refeições do que um Otávio em Santo Antônio, por exemplo. Aquilo devia ser tombado pelo restaurante. Mas quanto à Jacuba patrimônio material e pelo imaterial, pela cultura em que ela ainda vive. eu quero fazer uma crítica consJOEL: É muito custosa a vida no campo, Gustavo. E outra coisa: os trutiva: eu acho que os nossos pais mandam os filhos para a cidade porque querem que eles estudem. representates em determinada pasta As mães diziam assim: “vai estudar se não você vai ficar aqui puxando têm que ter pelo menos um tino enxada”. Puxar enxada é uma profissão depreciada no próprio seio famipara aquela coisa. Por exemplo: eu liar. estou há oito meses com esse bar ROMÉRIO: Sim, sim. Quando o seu Antônio Otávio falecer nenhum e restaurante na Jacuba, um lugar filho dele vai querer ficar lá. muito bonito no Rio Preto. Pois GUSTAVO: O finlandês Toivo Uuskallio, que sonhou com uma comunibem: eu um dia pergunto ao Secredade agrícola vegetariana em Penedo dizia que o nosso maior pecado era tário de Comércio e Turismo, que o desprezo ao camponês, ao chamá-lo, por exemplo, de nomes pejorativos é meu amigo e está há dois anos no como caipira. Eu estou falando justamente num investimento público cargo, se ele conhece a Cachoeira pesado para mudar isso. Mudar a produção, apoiar com escola, tratar o da Fumaça, que é lá na Jacuba e campo com a deferência que pretende se dar ao cidadão urbano. Estou que é a maior cachoeira do Estado sonhando mesmo. do Rio. Ele diz: não, não tive oporROMÉRIO: Eu acho que os nossos governantes, os nossos gestores, tunidade... Veja bem, há dois anos deveriam olhar muito mais para a parte turística da serra. Vocês vejam a no cargo e não teve oportunidade. explosão turística de Mauá. Por que? Porque os alemães que foram para lá Eu fiz uma crítica a ele na Câmara tiveram essa visão, assim como os finlandeses de Penedo também tiveram, e eles, por serem estrangeiros, com outra cultura, já eram um atrativo.

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e ele foi lá conhecer. Mas é pouco, tem que investir nas estradas. Então, eu acho que é pouco o investimento no turismo pelo retorno que pode dar. O turismo, sim, é capaz de manter o povo no campo. JOEL: E o cara da roça pede tão pouco... A consservação das estradas, por exemplo. E eu não sei o que acontece que os prefeitos aqui em Resende já há algum tempo acabaram com os conservas, os trabalhadores rurais que ficam com a enxada fazendo a manutenção. O melhor prefeito que já tivemos para a zona rural foi o Aarão. Eu pensei que o Rechuan pudesse resgatar isso quando ele nomeou o Miguelzinho Dias para a Secretaria de Agricultura, mas é muito pouco o investimento na área. E agora dizem que Resende não pode ter conserva. Por que é que Quatis, por exemplo, pode? E aí passa-se só a máquina e aquilo dura pouco. ROMÉRIO: Primeiro tem que passar a patrol, depois bota saibro ou escória. E aí a enxadinha do conserva é importante no dia a dia, para cortar as águas, para manter mais tempo a boa condição da estrada. E uma prefeitura que tem cinco mil funcionários, e mil Ccs, ela não tem condição de colocar funcionários para fazer esse trabalho? É o ASG, o chamado Serviços Gerais. Só que por uma mensagem que o prefeito mandou para a Câmara não existe mais o Serviços Gerais. Passou a terceirizar isso. E esses funcionários, que não tinham condição de crescer na função, estão deslocados para uma escola, para um balcão, para um computador. Então, quanto às estradas, é só contratar uma empresa. Lá em cima eu ainda consegui que se colocasse quatro homens: três em Bagagem e um na serra da Fumaça. Esses são cargos de confiança, que eu consegui através do Rechuan que eles trabalhassem na estrada. GUSTAVO: Realmente é melhor uma pessoa de confiança para manter uma estrada... Mas, ô Romério, você não acha que a gente está privatizando demais? É água, é limpeza urbana, é usina de lixo... Agora até para capinar uma estrada! A prefeitura não é capaz de fazer mais nada? ROMÉRIO: O que eu disse é que o Serviços Gerais acabou porque o funcionário ficava sem estímulo para passar 35 anos na mesma função. Aí, ajudava um prefeito na campanha e pedia uma outra colocação e era desviado de função. GUSTAVO: Então paga melhor o Serviços Gerais. E outra coisa: tem gente que gosta de fazer o mesmo serviço muitos anos. Por que é que a iniciativa privada consegue fazer?

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8 - O Ponte Velha - Março de 2012 dobrei, e na terceira fui o terceiro mais ROMÉRIO: Na minha opinião a coisa votado da cidade, tive quase 1.500 votos. pública deveria ter um misto de privado. Dentro disso, eu aprendi um pouquinho sobre Hoje, por exemplo, nós temos uma máquina a gestão pública, e eu digo para você: se nós inchada, com cinco mil funcionários, sendo não fizéssemos a concessão da água isso ai que um monte de cargo de confiança para traestava sucateado. E eu votei pela concessão balhar a política. Você vê gente que estava lá do outro lado da política e agora está do lado de cá, fazendo política. Então Sobre a usina de lixo eu acho que é eu acho que se podia fazer o trabalho com metade desse pessoal. preciso ouvir mais pessoas técnicas, GUSTAVO: Incha a máquina com visitar outras cidades, etc. Agora, se gente para fazer política e tem que o Poder Público tiver condições de procurar o privado para administrar. ROMÉRIO: Sim. Sim. E te falo fazer, eu acho que seria o ideal. mais uma outra coisa: você já viu alguma empresa privada que dá depois de estudar esse projeto um ano e prejuízo? Se der, fecha rapidinho as portas e visitar algumas cidades que haviam feito. Foi parte para outra. Às vezes as pessoas falam: um voto consciente, depois de muita audi“Ah, que beleza a nossa prefeitura! Está ência. trabalhando direitinho!”. Você sabe quantos GUSTAVO: E quando você vê hoje essa milhões a prefeitura arrecada? 320 milhões questão do chorume, e ainda a denúncia de por ano. Quase um milhão por dia, quase 30 um funcionário sobre a pressão exercida milhões por mês. Então, você não precisa sobre o prefeito, pela holding que controla a trabalhar para conseguir o resultado. O resulResende Águas, para aumentar a tarifa, qual tado já vem, já vai cair na sua conta no fim é o teu sentimento? do mês, e é dinheiro do povo. Então, dentro ROMÉRIO: Eu fui o primeiro a fazer disso, nós temos uma cidade para limpar e as o pedido de informação pela Câmara, e estradas para cuidar. É claro que nós temos o pedido para fiscalização vai ser meu a Saúde e a Educação que são as que mais também. Se o acontecido foi verídico, sobre consomem a verba. o chorume jogado na ETA, eu quero que esse GUSTAVO: Levam quase a metade. pessoal da Água das Agulhas Negras venha ROMÉRIO: Pois é, mas 50.8% é para para a Câmara depor, que hoje o caso já está trabalhar o funcionário. em Ministério Público, e que, se for o caso, GUSTAVO: E se esse dinheiro fosse bem que eles paguem por isso. Até mesmo perder usado dava para administrar muito bem. a concessão. Porque dentro das cláusulas Contrata o fulano e o sicrano que são feras existe isso lá. Eu sou o primeiro a votar por para manter a estrada da Fumaça e paga isso, porque eu não tenho rabo preso com bem a eles. eles. Eu fiz um voto que foi o voto da minha ROMÉRIO: Sim, sim, paga bem a eles. consciência. Uma coisa é concessão; outra é Mas o que é que acontece? Tem os interesses. o abuso dessa concessão. Você pode olhar para dentro da prefeitura e JOEL: A concessão não foi para isso... apontar uma quantidade de gente que está lá Não foi para a gente virar privada de Volta para quê?... Simplesmente está lá... Redonda. JOEL: Qualquer prefeitura está cheia de ROMÉRIO: E quanto à pressão para cabos eleitorais. aumento de tarifas eu GUSTAVO: E, no que toca à administranão posso falar nada, nós ção, as prefeituras vão se tornando agenciatemos o SANEAR, que é dores de negócios. Vamos fazer negócio com a agência reguladora. a empresa de água (uma holding, um grande GUSTAVO: Essas grupo, com várias cidades como clientes); agência reguladoras são vamos fazer negócio com as empresa de fracas. transporte, com as de limpeza, as de usina de ROMÉRIO: O que lixo, as de capina de estrada ... eu não posso aceitar é a ROMÉRIO: Sim, sim. É muito fácil para Água das Agulhas Negras quem está de fora... Olha, eu, por exemplo, fazendo parceria com a tenho três mandatos. Comecei em 2.000; em 2004 aumentei a minha votação, quase

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prefeitura. Água das Agulhas Negras não tem que construir creche, nem dar camiseta, nem patrocinar ônibus da Prefeitura... Isso para mim é esquisito. Agora, a concessão, se ela é bem trabalhada, com seriedade, ela é muito boa. Por que? Porque é uma empresa especializada. GUSTAVO: Sim, quando você votou você avaliou que a prefeitura não teria condição. Mas essa falta de condição está ligada diretamente ao uso político da máquina pública, certo? Você acaba fazendo um voto pragmático: já que é assim que a banda toca não vamos deixar a cidade sem água. ROMÉRIO: Sim, sim. Eu tenho certeza disso. Nós temos exemplos práticos. Você vai na CSN. Quando era estatal quantos mil funcionários tinha? Hoje não dá um lucro estrondoso? Veja bem: não estou dizendo que sou favorável a qualquer concessão, mas determinadas coisas têm que ser. GUSTAVO: E sobre essa usina de lixo, que dizem que o prefeito já veio com uma empresa acertada? ROMÉRIO: Eu não posso afirmar isso. Cada assunto é um caso diferente. Sobre o lixo, o que eu acho antes de tudo é que eu tenho que cuidar do lixo da minha casa, que fui eu que produzi; cada um tem que cuidar do seu lixo. Agora, as audiências públicas servem para isso; podem até durar dois anos; para chegar numa solução boa você tem que estudar muito o assunto. GUSTAVO: Você acha que essa usina poderia ser operada por um consórcio de municípios ao invés de pela iniciativa privada? ROMÉRIO: Olha, eu por enquanto estou só ouvindo, e acho que as minhas opiniões sobre isso ainda estão muito aquém do que eu poderia oferecer. É preciso ouvir mais pessoas técnicas, visitar outras cidades, etc. Agora, se o Poder Público tiver condições de fazer, eu acho que seria o ideal. JOEL: Ô Romério, na sua primeira

eleição ninguém esperava que você ganhasse, a mesma coisa na segunda, e também ninguém esperava que você se elegesse presidente da Câmara. Como você explica isso? Você é o mineirinho que vem comendo quieto? ROMÉRIO: Ô Joel, a gente tem que colocar algumas coisas na nossa vida. Em primeiro lugar, Deus. E o resto você tem que ter vontade. Se você tem vontade, você move montanhas, vamos dizer assim. Eu comecei na política no PSDB, para aprender. Mas o partido não tinha uma nominata forte para fazer legenda e aí eu passei para o PDT, com a promessa do Noel de Carvalho de que eu teria uma vaga para concorrer à Câmara. Nessa ocasião muitas pessoas disseram que eu era maluco porque estava indo para um partido com muitos nomes fortes. Mas justamente por isso é que fui, porque achava que o partido ia fazer uns quatro vereadores, e aí só dependia de mim. JOEL: Quem tem medo de assombração não anda de noite, como se diz na roça. ROMÉRIO: Pois é. E o pessoal me considerava só como um cabo eleitoral - e nem era um cabo eleitoral de luxo, porque tem o de luxo. Muitas vezes, num comício, eu só conseguia falar lá pela madrugada, com a maioria do povo já tendo indo embora e uns poucos enrolados na bandeira. Sofri algumaspressões porque tomei cabos eleitorais de alguns candidatos, e para surpresa das pessoas eu me elegi. Não surpresa minha, porque eu sabia do meu trabalho e tinha uma equipezinha boa, a começar pela minha família. Porque quando você vai para um campanha você tem que abrir a porta da sua casa, e mostrar a sua casa para as pessoas. Mostrar: é simples mas é cuidada, essa é que é a minha familia. Fui o quarto mais votado, depois do Donizeti, do Odilon e do Juracy. E quem me ajudou muito foram aquelas senhoras minhas antigas freguesas no Lavapés, que me deram um apoio muito grande. Isso em


Março de 2012 - O Ponte Velha - 9 agora, não vai poder mais; se perder, fica difícil; e o Noel vai estar já com uma idade avançada. ROMÉRIO: Vai ser uma hora boa... Vão vir vários outros candidatos. E eu vou dizer a vocês: eu

caminhando junto, até a saúde. Mas vejam quantos pontos turísticos nós temos. Estamos num eixo privilegiado entre Rio, São Paulo e Belo Horizonte. E o mar está aqui, a montanha está aqui. Então, em

Hoje não havia nenhuma condição de Romério sair candidato a prefeito da cidade. Agora, daqui a quatro anos, se Deus me der saúde, eu serei candidato a prefeito, porque vai ser um momento em que vai abrir para todo mundo. trabalho bem o Legislativo, mas gosto muito do Executivo, que é onde as coisas acontecem. GUSTAVO: E como você vê essa cidade que você pretende assumir daqui há quatro anos? Você vê com esperança ou com pessimismo esse crescimento muito intenso? ROMÉRIO: Eu vejo com muita esperança, porque essa cidade tem tudo de bom. Como eu já disse, o orçamento dessa cidade hoje é um ótimo orçamento, e daqui há quatro anos, ou daqui há 10 anos, esse orçamento triplica. Então você já conta com esse dinheiro e é só atacar os pontos x da cidade. Um deles é o turismo. É claro que o básico é a Educação. Se você tem uma boa educação tudo vai

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2000. Na segunda, em 2004, eu já estava no PMDB e tinha feito um bom trabalho: Centro de Convivência dos Idosos; o primeiro ônibus com elevador; exensão elétrica na zona rural, beneficiando a região da Jacuba; estação de tratamento na Fumaça, etc. Me elegi e em 2006 tornei-me o presidente da Câmara sem ser o de preferência do Executivo. Tornei permanente os programas Câmara Cultural, o Núcleo de Atendimento ao Cidadão e o de Inclusão Digital. Na terceira eleição aumentei mais 500 votos. E quero voltar à presidência da Câmara, tenho essa ambição. Com humildade, mas a gente tem que ter um direcionamento. GUSTAVO: Você tem vontade de ser prefeito? ROMÉRIO: Olha, nessa eleição eu concorro a meu quarto mandato porque eu sei que tem dois candidatos muito fortes para prefeito. O Noel de Carvalho, que eu estou com ele no PMDB, que é muito forte, e o Rechuan, que tem a máquina. Então, hoje não havia nenhuma condição de Romério sair candidato a prefeito da cidade. Agora, daqui a quatro anos, se Deus me der saúde, eu serei candidato a prefeito, porque vai ser um momento em que vai abrir para todo mundo. JOEL: O Rechuan, se ganhar

termos de Brasil eu acho que não tem lugar melhor para se viver, basta um bom gestor. Não estou aqui criticando A ou B, só digo que eu sei que serei um bom gestor. GUSTAVO: Você acha certo a gente dar tanto incentivo para a instalação de indústrias novas? ROMÉRIO: Houve um época que isso foi importante, mas acho que agora não é mais. A gente tem que ir até certo ponto e aí dar uma parada nisso, para a gente não ir inchando, inchando e não ter o retorno disso. JOEL: Roça tem explicação para tudo... Esse negócio do incentivo é igual ao ovinho indez que se deixa no ninho para incentivar a postura. Mas só precisa deixar um. Mas, mudando o tema, você acha que a coisa está tão difícil para o Noel como dizem? ROMÉRIO: Olha, a máquina é muito forte. Se a pessoa tem uma boa intenção, faz um bom trabalho, cuida bem da sua casa, ele com certeza vai para uma eleição muito forte. Por outro lado, o Noel tem um nome, é uma pessoa carismática que já fez muito por Resende, ninguém pode negar isso. GUSTAVO: Muita gente nova

na cidade não tem na memória a importância do Noel. ROMÉRIO: A verdade é que são épocas diferentes, sim, mas o homem que faz, ele nunca será esquecido. JOEL: Frase lapidar. ROMÉRIO: Vamos falar de Getúlio Vargas, vamos falar de Juscelino... JOEL: Para terminar eu gostaria que você deixasse resgistrado a importância que tem a sua mulher na sua carreira, porque eu conheço vocês e sei disso. ROMÉRIO: Inclusive eu a chamei para vir aqui hoje mas ela tinha um compromisso. O avô dela é primo do meu pai. A família é a base de tudo. Vocês sabem disso. Você so tem bons resultados se você tem uma base boa, uma base forte. Eu e a Rosângela fizemos agora 28 anos de casados e inclusive, nesse dia, a minha filha, que tem 27 anos, marcou o casamento dela para a Matriz de Resende. E eu e a Rosângela aproveitamos e renovamos o nosso casamento. E ela é minha grande parceira na política, trabalha comigo. E digo uma coisa: não adianta você representar; o povo sabe o que é e o que não é; o povo não é bobo, nao é enganado.

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Durante os encontros são feitas canalizações de Seres de Luz - que vivem na Unidade - e que podem nos esclarecer sobre diversas áreas da nossa vida, nos trazendo maior paz interior. Também são feitas visualizações com o Cristal Líquido que visam purificar e regenerar os corpos físico, energético e emocional.

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Notas Parabéns, Parrilla Neste mês de março o restaurante Parrilla, de Penedo, completa 10 anos. Começou na Av. das Mangueiras e depois passou para a belíssima sede da Av. Casa das Pedras, projeto de Bianca Citto feito especialmente para o restaurante. Carnes da melhor qualidade e cervejas de fabricação própria, claras e escuras, feitas pelo próprio dono do negócio, o Sérgio Buzzi. Grande sujeito, por sinal. Parabéns a ele, a sua mulher Dani e ao pequeno Arthur, assim batizado em homenagem ao Zico, porque, além de carnes e cervejas, o flamenguista Sérgio gosta muito também de futebol. No dia 14 de abril ele vai reunir os amigos para uma justa comemoração.

Tecendo o Ninho Penedo conta agora com uma nova ONG, o Instituto Mater Gaya, que vai desenvolver aqui um projeto com gestantes adolescentes. Com o nome de Tecendo o Ninho, o projeto pretende “apoiar as jovens mães não só durante a gestação (que na adolescência traz maior risco) como também no começo de sua relação com o bebê e ainda no seu fortalecimento como ser humano e cidadã”. As atividades incluirão, entre outras coisas, rodas de conversa, exercícios de meditação, dinâmicas de grupo e práticas complementares em saúde, como terapias florais, cromoterapia, auricuroterapia, massagens, Shantala, Reiki e outros. Pretende oferecer também aprendizado para geração de renda. Sua sede é na Av. Casa das Pedras 852, segundo andar e funciona das 13 às 17h. O tel é 3351 1632. Bem vinda.

expediente: Jornalista responsável: Gustavo Praça de Carvalho Reg.: 12 . 923 Arte gráfica: Afonso Praça 24 . 3351 . 1145 // 9301 . 5687 contato@pontevelha.com www.pontevelha.com


10 - O Ponte Velha - Março de 2012

Papa Celebra Primeiro casamento coletivo gay da Itália Foi realizado na semana passada, no Estádio Olímpico de Roma, o primeiro casamento coletivo gay da Itália, desta vez com a celebração do próprio Papa Alexandre XIII. No primeiro evento do tipo, ocorrido em Paris há nove anos, o comando foi do arcebispo daquela cidade, Cardeal Jean Dèlet-Boyèt, e foi considerado um grande sucesso na mídia internacional. Desta

vez, o pontífice resolveu ele próprio abençoar os animados casais de diversas nacionalidades que compareceram à capital italiana. Foram mais de 70 mil noivos, de acordo com os dados oficiais. Brás Neto, correspondente internacional do Ponte, esteve no local para fazer a cobertura jornalística do acontecimento que praticamente parou a Europa. Segundo Neto,

a empresa de aviação Alitalia disponibilizou para os casais brasileiros interessados em participar da cerimônia seis Boings, cinco dos quais saíram lotados com os jovens noivos de Porto Alegre. Outro voo fez várias conexões no Brasil, levando principalmente mato-grossenses e paulistas. Ele entrevistou alguns desses casais, um dos quais muito conhecido no Brasil, Rogério Borba e Jacintho Aquino, ricos empresários gaúchos do setor de calçados. Rogério disse estar muito feliz por finalmente poder sacramentar uma união estável de mais de 40 anos, ainda mais com a benção papal. Outro casal muito feliz era o formado pela advogada paulista Lucrécia Janpo e pela enfermeira sergipana Maria José. Janpo disse que tem sido muito boa essa abertura da Igreja Católica aos novos tempos, oficializando o casamento entre pessoas do mesmo sexo e agora o aceitando coletivamente. Já Maria José disse admirar muito esse Papa, lembrando que no ano passado ele fez penitências por mais de 40 dias como forma de pedido de perdão em nome da Igreja pelas

atrocidades desta cometidas na época da Santa Inquisição. Alexandre XIII tem feito diversas mudanças no catolicismo romano durante os anos em que está à frente da Santa Sé, principalmente após o ataque

polêmica suas declarações de que “a pedofilia não é um mal tão grande assim, se comparado com roubos a banco ou furtos de carros”, e ainda “se feita com amor cristão, a pedofilia será perdoada pelo Senhor”.

atômico que destruiu o Vaticano em 2035 (citado em outra reportagem do Ponte). Segundo analistas, ele tem se saído muito bem nessa missão, considerando o processo que vem enfrentando por denúncias de pedofilia, que teria sido praticada quando de sua época de pároco na remota Arad, cidade do Oeste da Romênia. Recentemente, causaram

De qualquer forma, a imprensa acompanhou intensamente as emoções do casamento coletivo. As bandeiras coloridas preenchiam todo o Estádio e o tempo colaborou, com temperaturas amenas e um céu limpíssimo. A maioria estava de branco, mas havia também os noivos mais extravagantes possíveis, como a nadadora russa Maricha Mytioviski em um traje verde-limão de mais de um milhão de reais e sua companheira, a toureira galega Carmen Sierra, caracterizada com a indumentária típica de sua profissão. Estiveram presentes ao evento o presidente da Inglaterra, John Scoths, o representante da ONU da ala gay, o grego Democritus Igualitarius e Giulianno Macanno, presidente da Associação Internacional do Arco-Íris, entidade que congrega atualmente mais de três bilhões de pessoas em todo o mundo. Brás Neto, casado com a bela Miss Dinamarca 2057 e que sofre grande preconceito na imprensa brasileira por sua assumida heterossexualidade, concluiu os informes dizendo que os padres e coroinhas de plantão apoiaram a distribuição de camisinhas na saída do Estádio romano.

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Rememorando 2065 Essa coluna trará as principais reportagens do ano em que se comemorou os 70 anos do Ponte


Março de 2012 - O Ponte Velha - 11

Nossa História, Nossa Gente

ereira Joel P

ACIAR

O objetivo dessa coluna é homenagear pessoas que dão nome a logradouros públicos de Resende. A homenageada desse mês é uma pessoa jurídica - a Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Resende, cuja sigla (ACIAR) dá nome à uma rua no Bairro Castelo Branco, no Grande Paraíso, CEP 27536-310. A Rua da ACIAR é paralela à Rua do Ipase e perpendicular à Rua Gen. José Pessoa. Ativa participante da História de Resende, a ACIAR completa 85 anos no dia 27 deste mês de março de 2012. De sua fundação até hoje, seus associados elegeram 18 Presidentes para cumprir 23 mandatos, como segue: Cel. Astolpho Villaça; Raphael Antônio de Andréa; José Ferraiolo, Pedro Braile Neto; Antônio Duizit; João Maurício de Macedo Costa; Benedito Ramos Souza; Manoel Teixeira Ramos; Antonio Delphino; Eudóxio Calmon; José Medeiros; Moacyr Vicente; Paulo Gustavo Ramos; Mauro Giffoni Menandro; Heleno Guimarães de Cavalho; José Geraldo Nu-

nes; Marco Túlio Ramos da Silva e Luiz Geraldo de Paiva Whately. João Maurício a presidiu duas vezes e Luiz Geraldo está em seu quinto mandato, sendo o diretor que mais personifica a ACIAR, razão de termos escolhido sua foto para ilustrar a matéria. A administração da Associação é uma aula de democracia. Todos os assuntos são colocados em pauta e, após a necessária discussão, são votados. Todos os Diretores participam de tudo. As contas da entidade são demonstradas, reunião por reunião, de forma clara e objetiva. A ACIAR tem apenas 245 associados, número muito pequeno pela grandeza de sua representação e de suas realizações. Um dia, quem sabe, os comerciantes descobrirão a força de se unirem em torno de uma entidade séria. As principais obras das gestões do Whately foram: - Aquisição da sede própria, em 1984; - Introdução dos leilões de gado em nossa região, no início da década de 80, criando fonte de recursos para a entidade; - Publicação da Revista ACIAR, de outubro de 1985 a novembro de 1989, importante fonte de consulta da cidade; - Liderança do movimento impeditivo da construção de novo posto de pedágio na Dutra, entre Resende e Barra Mansa; - Participação em vários Conselhos da Prefeitura Municipal de Resende; - Premiação dos destaques empresariais da cidade, desde o ano de 1981. Este ano, a Festa dos Destaques Empresariais será na noite de 30 de março, no Clube Casa da Lua *. Os homenageados serão:

Comércio - Sr. Paulo Barcelos Rodrigues, da Drogaria Santa Rita; Indústria - Dr. Osmar de Almeida Costa, Montart Montagens em Geral Ltda.; Agropecuária - Gabriel Costa da Conceição, Granja Capelinha; Serviços - Dr. Luiz Geraldo Motta, Escritório de Advocacia.

Esta invocação é uma Prece Mundial Expressa verdades essenciais. Não pertence a nenhuma religião, seita ou grupo em especial. Pertence a toda humanidade como forma de ajudar a trazer a Luz Amor e a Boa Vontade para a Terra. Deve ser usada frequentemente de maneira altruísta, atitude dedicada, amor puro e pensamento concentrado.

A Grande Invocação Desde o ponto de Luz na Mente de Deus, que aflua Luz às mentes dos homens. Que a Luz desça à Terra.

O Presidente da ACIAR, Luiz Geraldo de Paiva Whately * - As mesas já estão à venda na sede da ACIAR, Av. Mal. Castelo Branco, 104 - 4º andar - fone 3354-6192

Desde o ponto de Amor no Coração de Deus, que aflua Amor aos corações dos homens. Que aquele que vem volte à Terra. Desde o Centro, onde a Vontade de Deus é conhecida, que o propósito guie as pequenas vontades dos homens. O propósito que os Mestres conhecem e a que servem. Desde o centro a que chamamos raça humana, que se cumpra o plano de Amor e Luz. E que se feche a porta onde mora o mal. Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano Divino na Terra. Unidade de Serviço para Educação Integral Av. Nova Resende, 320 – sala 204 CEP: 27542-130 – Resende RJ – Brasil Tels(0xx24) 3351 1850 / 3354 6065

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12 - O Ponte Velha - Março de 2012 eon

L José

Memórias do Zé Leon (I)

Antes que me esqueça (ou me esqueçam)

Março de 2012 faz trinta anos que arrumei as minhas tralhas e troquei Ipanema por Resende, mais especificamente Engenheiro Passos. E acho que foi uma boa troca. Meu batismo resendense não podia ter sido melhor: vindo do Rio, com a Martha se preparando para assumir a administração do Três Pinheiros, fomos direto para o aniversário do Noel de Carvalho, filho, o Noelzinho do Cartório - assim que ele era conhecido. Entrando em Resende, para que não me desorientasse, marquei com a Solange Godoy na Praça do Centenário. Se é verdade que a primeira impressão é a que fica, a visão daquele conjunto arquitetônico, a subida da XV de Novembro e seus chalés, o Palacete e o Sobrado da esquina me transportaram para um passado de cidade histórica. Hoje, trinta anos depois, duvido que qualquer novo visitante se emocione como me emocionei, e se apaixone a primeira vista, mas isso é para outra conversa. Nessa altura eu já tinha ido várias vezes ao Três Pinheiros, mas nunca entrando em Resende. Para se ter uma ideia, depois da festa rumamos para Engenheiro Passos e só uma semana depois eu conheci Resende. Uma cidade que ainda não tinha fábrica de automóveis, não tinha shopping, que não tinha calçadão nem poste cor de abobora que parece que vai cair na cabeça

da gente. Tinha uma indústria química pujante, uma vida rural ativa e tinha também o Tabuleiro da Baiana e o triangulo das bermudas, composto pelo Cospe Grosso, a Cantina Portuguesa e o Caçula. Ainda tinha o restaurante do Gordo e o Bar da Dodô. O Cinema Vitória ainda funcionava, mas com filmes de gosto duvidoso, e o grande programa era o Cinema da Academia. Naquele março 1982 eu peguei o último mês do mandato do Noel de Carvalho, que renunciaria em abril para ser candidato a Deputado Federal, e acompanhei meio como um cego em tiroteio a campanha para prefeito. Não sabia quem era Edmar Guimarães, Noel de Oliveira, Coronel Fragoso, mas já os identificava como as forças políticas que fariam frente ao candidato do Noel, Oscar Sampaio. Me lembro bem das primeiras pessoas que conheci quando aqui cheguei. O advogado Luis Geraldo Motta, o Pazini, que me alugou a primeira sala onde montei um escritório de advocacia, o Painha, que me vendeu as mesas e cadeiras e logo em seguida o Mário Peres e seu fiel estagiário Omar Kuraeim, que me propôs uma sociedade, ele como criminalista e eu como civilista. Tinha a turma da Lira – Chico Junior, Márcio Brandão Carneiro (o poeta do Penedo), o Odilo e o impagável Machadinho. (O Claudionor eu só iria conhecer em 1983)

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Maria Amélia Alves

A campanha eleitoral comia solta e eu, aos poucos ia conhecendo quem era quem na política de Resende. Havia uma divisão muito grande ainda na política nacional, que refletia por aqui também. O regime ainda era de militares e o PDS, que os representava, era muito forte, fazendo a dicotomia natural com o PMDB. Uma força paralela era o PDT, liderado pelo grande Augusto Carvalho, que tinha o Jaci, a Dalva, o Gílson Fabiano, o Tito, Tirripa, o Ori, o Zé Vidão, o Gilberto, enfim, uma turma que, se não tinham votos, eram os mais animados da cidade. Mas a grande figura que conheci nesse caldeirão político, e que viria a se tornar uma pessoa muito querida para mim, ao ponto de eu considerá-lo meu segundo pai resendense foi o Martinho. Como é impossível eu contar meus 30 anos nesse espaço, peço a compreensão e a paciência de meus poucos mas fiéis leitores para continuar essas reminiscências na próxima edição, quando eu poderei falar desses dois pais que tive nos últimos anos: Augusto Carvalho, um legítimo representante da esquerda desse país, e o Antônio da Cruz Martinho, o reacionário mais doce que conheci e convivi. Ah... e quem acabou ganhando a eleição foi o PMDB com o Noel de Oliveira.

Preto Velho Preto Velho, que um dia cá na Terra, laceramos na dor da escravidão... Nesse orgulho cruel que o mundo emperra, não notamos que tinhas coração!... Mas o tempo fiel que nos descerra a luz do sentimento e da Razão, vem falar-nos do Amor, que tudo encerra, e mostrar-nos, enfim, que é nosso irmão! Preto Velho, sem lar, sem lei, sem brilho... Nunca pudeste acariciar teu filho, que arrancavam de ti para o leilão... Hoje choras.... sorris... emocinado, vendo um mundo tão grande, ajoelhado, pedindo, Preto Velho, o teu perdão!

Os Fotógrafos, o Poeta e a Pedra

Na exposição “Uma Pedra No Meio do Caminho”, inaugurada no último dia 9 no Centro Cultural Visconde de Mauá, 19 fotógrafos homenageiam os 110 anos de nascimento do escritor e poeta mineiro, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e também a Pedra Selada, monumento de nossa região. Desde 2010, a fotógrafa paulistana Juliana Mello, radicada há mais de vinte anos em Visconde de Mauá, vem maturando a ideia de unir fotografia e literatura, inspirada pelo poema ‘no meio do caminho’ (1924/25), de Carlos Drummond de Andrade. O poema, que causou grande polêmica na década de trinta, tornou-se uma espécie de símbolo de liberdade linguística, através de versos tão simples que passaram a habitar a memória de qualquer brasileiro. Agora, em 2012, a coordenadora do Centro Cultural Visconde de Mauá (Ponto de Cultura e Leitura), Márcia Patrocínio, abraçou o projeto, abrindo as portas do espaço para abrigar uma exposição coletiva. Os fotógrafos, todos com Símbolo de distinção e confiança relação afetiva com a região, são os seguintes: Beatrij’ F’ Brinquedos - Tecidos - Armarinhos Kindt, Carlos Guerrero, Cecile Confecções - Cama e mesa Moy, Daniel Campadello, Daniela Ferro, Darshana Bühler, Telefones: 3354-2162 / 3354-7245 Fabio Genovesi, Gabrielle Six, Gilberto Lopes, Jean Pierre Verdaguer, Juliana Mello, Ligia Skowronski, Lino Matheus, Marcelo Vieira, Marcelo Hilgenberg, Raquel Ribeiro, Renata Mello, Rui Takeguma e Vivian Cury. A exposição fica até o dia 30 de abril. Nesta edição usamos três fotos da exposição.

Casa Sarquis


Jornal Ponte Velha - Março de 2012