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Produção

Co-produção

Apoio


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CRÉDITOS Realização Pontão de Convivência e Cultura de Paz – Instituto Pólis. http://www.polis.org.br/ Co-realização Conselho Municipal de Cultura de Diadema. http://conselhoculturadiade.wix.com/cmcd Produção Colaborativa Adenildo Evangelista de Oliveira Adolar Barreira Antonio Carlos Fonseca Bruno de Souza Seto Edson de Simone Elvis Albuquerque Tavares Denis Moreira da Costa Ildenira Lopes de Sales José João Vito Santiago Barbosa Joanan Santos Prates Jorge Luis Vargas Gaitán José Aparecido Krichinak Jurandir de Sousa Luis Chierotto Luzia Alves Marco Aguiar de Oliveira Márcia Regina Damaceno Silveira Martha Elisa Lemos de Carvalho Milagres Torres Nelson Freitas da Silva Rafael Andrade de Oliveira Rodrigo Cassiano dos Santos Valdemir de Oliveira Gomes Vani Duarte Torres Movimento Audiovisual de Diadema Yaquatro Produções

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SÍMBOLOS DA PAZ Com o intuito de estimular a apropriação criativa dos espaços públicos a partir de ações que promovam a convivência e cultura de paz, o Pontão de Convivência e Cultura de Paz (Instituto Pólis) realiza o primeiro ciclo de Caminhadas Pela Paz do ano. A primeira caminhada foi em Cidade Tiradentes, no dia 13 de abril, sob o mote da Poética da Paz. No dia 25 de abril, a caminhada percorreu as ruas do Centro em parceria com a Caminhada Noturna e promoveu a busca pelos Gestos da Paz. Encerrando este primeiro ciclo, em 11 de maio a proposta percorre as ruas de Diadema em busca dos símbolos da paz. Mobilizaram-se, através do Conselho de Cultura de Diadema, artistas, agentes culturais do quadro da administração pública, produtores culturais de diversas linguagens e áreas de atuação sócio-cultural, pontos de cultura e movimentos sociais. Todos sob o objetivo único de tornar possível esta ação e afirmar suas prerrogativas. A maior delas: a paz como aceitação da diversidade e reconhecimento dos conflitos, por uma convivência plena. Além da oficina aberta de artes plásticas, que afirma os símbolos da paz, além da mobilização, concentração e da caminhada em si, trazemos um impresso para este momento. Feito colaborativamente, e com recursos mínimos, ele traz um pouco (pouco mesmo, muita coisa ficou de fora) do patrimônio cultural da nossa cidade. E o que é esse patrimônio? Mais do que você imagina, sem dúvida: Gilberto Gil - cantor, compositor e ex-ministro da Cultura – teceu, certa vez, o seguinte comentário sobre o significado de patrimônio cultural: “pensar em patrimônio agora é pensar em transcendência, além das paredes, além dos quintais, além das fronteiras. É incluir as gentes, os costumes, os saberes, os sabores. Não mais somente as edificações históricas, os sítios de pedra e cal. Patrimônio também é o suor, o sonho, o som, a dança, o jeito, a ginga, a energia vital e todas as formas de espiritualidade da nossa gente. O intangível, o imaterial”. 3


DIADEMA – A busca pela cultura da convivência pacífica

Patrimônio Cultural material e imaterial brasileiro

Dez anos após implantar a Lei 2.107/02, que ficou conhecida como Lei de Fechamento de Bares, a cidade de Diadema, na Grande São Paulo, registrou uma redução na taxa de homicídios de 90,74%. Apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das dez melhores políticas públicas de combate ao consumo de álcool, a lei, junto com outras políticas públicas, foi determinante para a diminuição no número de homicídios em Diadema. A cidade em 1999 tinha a maior taxa de assassinatos do estado de São Paulo – 102,8 mortes para cada 100 mil habitantes - e, em 2011, reduziu esse índice para 9,52 para cada 100 mil habitantes. (Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com. br/noticia/2012-06-15/dez-anos-depois-de-implementar-lei-de-fechamento-debares-diadema-reduz-homicidios-em-90)

As sociedades, os homens produzem suas culturas, suas trocas, seus ritos, suas línguas, e seus fazeres e saberes dentro de territórios, de espaços conhecidos, dentro das comunidades, e levando em conta ritmos de espaçotempo vital para todos. As matrizes da raça, da nossa civilização brasileira _ os índios, os negros e os europeus_ já possuíam e praticavam diversos modos e meios culturais materiais e imateriais, nos quais cimentavam o carácter social de suas práticas: todos compartilhavam e eram inseridos individualmente e coletivamente em danças, festas, rituais, gestos corporais e de devoção a deuses, produziam músicas, maneiras de plantar e colher, objetos e processos funcionais (técnicas, instrumentos e artefatos) para sua lida diária com a sua sobrevivência; e artes, espaços, paisagens e estruturas arquitetônicas diversas, rituais de grande ou pequena escala de devoção sagrada ou ritos e espaços lúdicos profanos. Desta miscelânea de culturas, práticas e mestiçagens resultaram numa diversidade humana, cultural e patrimonial como poucos no planeta, de difícil caracterização e identificação cultural dinâmica. Cada região, comunidades e grupos étnicos e sociais do país produziram um sem número de expressões e manifestações de identidades culturais e artísticas, ainda hoje em completa proposta aberta de relações horizontais de criação, manutençãoe reprodução de referência culturais para esses mesmos grupos e pessoas, e para o conjunto da nação, pois vivemos em relações culturais globais, onde todos criam espaços e modos culturais de interação e integração.

A política de inclusão cultural tornou-se realidade a partir de investimentos públicos de longa duração. Vem mantendo casas de cultura em todas as regiões da cidade. Além de atividades de sensibilização e fruição para as artes e cultura, os Centros Culturais do município são grandes espaços de convivência. A cultura desempenha papel fundamental na transformação da sociedade brasileira, enquanto instrumento da luta contra o estado não plenamente democrático – aqui, traduziu-se na luta contra altos índices de violência e exclusão social. Os Centros Culturais: Centro Cultural Diadema/Teatro Clara Nunes - Rua Graciosa, 300, Centro. Tel. 40563366. Casa da Música - Av. Alda, 255, Centro. Tel. 4051-2628. Centro de Memória de Diadema - Av. Alda, 255/277, Centro. Tel. 4043-0700. Centro Cultural Serraria - Rua Guarani, 790, Serraria. Tel. 4056-4950. Centro Cultural Eldorado - Rua Frei Ambrósio de Oliveira Luz, 55, Eldorado. Tel. 40591649. Centro Cultural Inamar - Av. Antônio Sylvio Cunha Bueno, 1.322, Inamar. Tel. 40435476. Centro Cultural Nogueira - Rua Marcos Azevedo, 240, Vila Nogueira. Tel. 4071-9300. Centro Cultural Promissão - Rua Pau do Café, 1.500, Jd. Promissão. Tel. 4066-5454. Centro Cultural Heleny Guariba - Rua Barão de Uruguaiana, 87, Jd. Ruyce. Tel. 40674292. Centro Cultural Canhema - Rua 24 de Maio,38, Jd. Canhema. Tel. 4075-3792. Centro Cultural Vladimir Herzog - Rua Eduardo de Matos, 159, Jd. Campanário. Tel. 4091-2299. Centro Cultural Taboão - Av. D. João VI, 1393, Taboão. Tel. 4077-1643.

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Dentro da variada e rica diversidade cultural brasileira temos como herança de patrimônio cultural esse interessante processo material e imaterial, onde podemos acessá-los como direitos culturais de conhecer, preservar e salvaguardar institucionalmente (marcos regulatórios, leis e políticas de salvaguarda do MINC_ Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional_ Iphan), participar de seus processos e produtos; temos direitos de acessálos como história e memória cultural de antigas gerações, ou grupos que transmitem seus fazeres e saberes objetivados para relações recriadoras, ou mesmo de reconhecimento e conhecimento para as novas gerações; também as paisagens naturais ou modificadas pelo homem e as sociedades, pertencem ao conjunto todo da nação como direito ao patrimônio cultural paisagístico ou edificado. E por fim fazer jus ao reconhecimento nacional, e a diversos direitos a esses grupos, religiões tradicionais_ grupos de extracção afro-indígenabrasileira, manifestações eexpressões, comunidades tradicionais, indígenas, mestres, brincantes, aos diversos representantes das culturas populares que souberam através de usas práticas invisíveis de cultura subjetiva e objetiva criaruma lastro de ouro, sabedoria, afetos e tradição herdada e passada para futuras gerações, com uma singeleza real para todos da nação brasileira.

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PAI FRANCELINO (TOY FRACENLINO DE SHAPANAN)

IMÓVEIS DE INTERESSE PAISAGÍSTICO, HISTÓRICO, ARTÍSTICO E CULTURAL (IPHAC) EM DIADEMA

A Casa das Minas de Thoya Jarina foi inaugurada em 22 de abril de 1977. Caracteriza-se pelo culto ao ritual dos Voduns, Orixás Nagô e Encantaria Cabocla e Gentil. Toy Vodunnon Francelino de Shapanan (1949/2007) – é o sacerdote introdutor do culto Mina Jêje Nagô em São Paulo e regiões centro-oeste, sudeste e sul. Foi líder e representante de várias entidades do segmento Umbanda e Candomblé. Intelectual, organizou palestras, cursos, seminários e congressos de temas pertinentes às religiões afro-brasileiras. Militante da paz e dos diálogos inter-religiosos, Pai Francelino foi um grande conferencista deste segmento em São Paulo e outros estados.

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ATELIÊ LIVRE

Ateliê Livre é o encontro mensal de artistas plásticos que moram e/ ou atuam em Diadema. Acontece nas instalações de um dos espaços culturais da cidade – o Centro Cultural Diadema, onde estão localizados o espaço expositivo Cândido Portinari e o Museu de Arte Popular (MAP). O Ateliê Livre se tornou uma instancia de diálogo para esse segmento artístico. Nasceu como parte da programação do evento Abril Mais Cultura Viva, edição 2012 - uma ação integrada entre Pontos de Cultura e equipamentos públicos da Secretaria de Cultura – e estratégia de articulação para a câmara setorial de artes plásticas junto ao Conselho de Cultura da cidade. Mais de 50 artistas plásticos participaram dos encontros já realizados desde

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então. Sua primeira exposição se deu no mês de agosto de 2012. Diversa, ela uniu artistas plásticos amadores e profissionais numa ação de cooperação e renovou as expectativas para essa linguagem artística na cidade. Dela participaram 24 artistas plásticos, nas modalidades gravura, pintura, desenho, escultura e instalação. O Ateliê Livre (através dos encontros e da exposição até então realizados) é uma ação afirmativa da mobilização e da autonomia desses artistas e da necessidade de ações de ampliação para essa área - sobretudo no que se refere à linguagem contemporânea e aos projetos integrativos – na cidade.

NENE SURREAL

Hildessales também é escultora e pintora, mas encontrou no grafite a expressão maior da sua arte visceral. Nos muros se descobriu Nene Surreal. Conhecer Nene sureal, durante a articulação do Ateliê Livre Diadema em abril de 2012 foi uma surpresa e, ao mesmo tempo, um desafio. Ao obter seu contato, liguei para fazer o convite! Uma voz forte, decidida do outro lado, desconfiada: “Com quem quer falar?! Quem é?!” - disse-me. Após explicações, uma pessoa incrível e enigmática se abriu. Prontamente aceitou o convite de forma totalmente disponível e interessada! Deu-se o encontro.

título Minha Guerra Faço com Arte! É isso que vemos em cada traço, ideia, criação que revela muitas cores e formatos diversos. Diversidade e energia vital são as marcas dessa artista, sempre com a lata de spray em mãos, os olhos cheios de horizonte e o corpo repleto de ação! Na arte de rua, expressa todo potencial e estilo próprios: do estêncil ao grafite livre, dialogando com caricaturas, imagens realista ou abstratas, técnicas variadas e profundidade de nuances!

A frase que melhor define seu trabalho vem do álbum de fotografias de registro de obras que tem por

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KIZOMBA - A Festa da Raça

São marcantes, em Diadema, as iniciativas contra o preconceito, a desigualdade social, a discriminação das religiões de matriz africana e em prol da afirmação da cultura afrobrasileira. Fruto de ampla mobilização civil dos diversos movimentos negros de Diadema tais como: Comunidade Negra do Campanário, Movimento Negro Raízes da África, Agentes de Pastoral Negro, Movimento Hip Hop, Zulu Nation Brasil, Grupos de Capoeiras, Liga Diademense, Mulheres do Eldorado, Grupos de Capoeira, União dos Artistas Negros da Cidade, Escolas de Samba, FUCABRAD – Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros de Diadema, Bloco Afoxé Axé Odara e, juntamente com as políticas públicas sérias e atuantes com a Secretária de Governo através

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da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – CREPPIR, KIZOMBA, A Festa da Raça, faz do mês de novembro, em Diadema, o Mês da Consciência Negra amparada pela lei de nº 2810\08. KIZOMBA, A Festa da Raça, faz do mês de novembro, em Diadema, o Mês da Consciência Negra. É realizada desde 2001, em comemoração ao Dia da Consciência Negra. O evento é um marco de posicionamento contra a discriminação das religiões de matriz africana e em favor da promoção da cultura de paz e da igualdade de direitos de raça, potencializando discussões sobre políticas públicas para religiões de matriz africana, convivência pacífica, entre outros assuntos.

BLOCO AFOXÉ AXÉ ODARA

O Bloco Afoxé Axé Odara foi fundado em 05 de dezembro de 2.000 pela Comunidade Negra do Campanário e com apoio de algumas Casas de Religiões de Matrizes Africanas. Sua missão é divulgar e promover a cultura afro-brasileira através de atividades recreativas, beneficentes e culturais em prol da comunidade – seu momento principal são as festividades carnavalescas. O presidente do Bloco Afoxé Axé Odara, Jurandir de Sousa - nascido em 20 de março de 1965, paranaense e morador de Diadema desde os 11 anos de idade - recebeu o Prêmio Medalha Legislativa do Mérito Educativo e Cultural. Ele é também o coreógrafo da Comunidade Negra do Jardim Campanário e membro da Comissão de Eventos da FUCABRAD.

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CASTELINHO DAS ARTES

O Ponto de Cultura Castelinho das Artes é uma parceria entre o projeto Mudando com Arte, do artista Edmilson de Morais, e a Associação Cristã Gileade do Brasil. Tal projeto realizou dezenas de intervenções visuais em muros do Jardim RuyceDiadema, desde 2006, mobilizando gradativamente sua comunidade. O Ponto tem orientação para as artes plásticas e sua abordagem visa fomentar a cidadania, a geração de renda, a formação cultural e a postura ecologicamente sustentável, utilizando materiais diversos. Realiza oficinas, cursos e intervenções visuais em muros e espaços culturais e públicos da cidade. Participam crianças, adolescentes, jovens e adultos. Edmilson Morais é artista plástico autodidata. Deu aulas em

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Centros Culturais da cidade. Com o tempo, optou por uma forma de trabalho mais às comunidades carentes - com uma ligação incondicional com as crianças. Criou um ambiente favorável onde a arte com recicláveis despertasse a imaginação e a criatividade de todos. Incansável, vê seu sonho realizado ao identificar sua arte como ferramenta para a educação, cultura e cidadania. Rua Barão de Uruguaiana, 148 – Jd. Ruyce Tel.: (11) 9 6414-6060 - Edmilson de Morais http://castelinhodasartesdiadema. blogspot.com/2011/04/ponto-decultura.html

KANJA DE QUADRINHOS

Fundado em 09 de novembro de 2012, o webzine kanja de quadrinhos (www.facebook.com/ kanjadequadrinhos) disponibiliza, toda semana, uma história em quadrinho produzida por 01 dos 03 artistas integrantes do grupo. Os membros são frequentes na oficina de HQ do Centro Cultural Diadema, ministrada por Gau Ferreira: Johnny Silva (produz as HQ´s Akaiman, Revo, Homem Vela e tiras diversas), Wesley Vieira (produz a HQ Colhão e tiras diversas) Rafael Grande (produz as HQ´s Gato Pirata, Capitão Pedreiro, Revo e tiras diversas), responsável pela administração da página na rede social facebook. O grupo tem planos futuros para uma versão impressa do zine.

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ILÊ ASÉ NOCHÊ ABÊ MANJÁ ORUBARANA - TERREIRO DE IYÊMANJÁ

A história do Terreiro de Iyêmanjá, inicialmente ligada aos preceitos religiosos do culto umbandista, começa no ano de 1963, quando Augusta Vicente de Freitas – mãe carnal de Nelson de Freitas - abre sua casa fazendo atendimento espiritual. Neste período incorporava um Mestre conhecido por Joaquim Chapéu de Couro. Mãe Augusta, assim chamada na comunidade do Jardim Promissão, Diadema, era natural de Belo Jardim, Pernambuco, nascida a 10 de janeiro de 1932; Casada com Joaquim Mariano da Silva, teve seis filhos. Um deles, Nelson de Freitas,

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com idade de 07 anos apresentou sérios problemas de saúde e de difícil diagnóstico médico. Sua mãe resolveu levá-lo ao tratamento espiritual na casa de Jandira Delfino, uma grande umbandista de Diadema (In Memórian), onde através de sua entidade chamada “Maria da Costa” desenvolveu suas correntes, sua abertura de campo energético. Aos 08 anos de idade Pai Nelson incorporou pela primeira vez um índio chamado Caboclo Peri, que através da orientação espiritual de Mãe Augusta, passou a auxiliá-la nas tarefas mais gerais e religiosas do terreiro. Em 1974 saiu da umbanda para se iniciar no candomblé na nação de Ketú. Dona Augusta de Iyemanjá partiu para o Orún em 18 de julho de 1998, deixando para seu filho a nobre missão de zelar pelos Orisás e a cuidar da espiritualidade da casa que permanece há 48 anos. Pai Nelson de Iyêmanjá cultua os Orisás com um grande senso, fé, respeito e dedicação, por ser um legado de suma importância deixado pelos ancestrais afro-brasileiros. O terreiro de Iyêmanjá fica situado na Rua Wagner n°26, Jd. Arco Iris, Diadema, SP.

COMUNIDADE NEGRA DO CAMPANÁRIO

A Comunidade Negra do Campanário surgiu em 1996 como um coletivo artístico da linguagem da dança. Além dos dançarinos, o grupo conta com artistas plásticos e pesquisadores. Propõe seminários e rodas de conversa. Sua temática é religiosa, cultural e de igualdade racial. Está a serviço da sensibilização em relação à preservação, valorização da cultura negra e superação de preconceitos. O grupo é formado em sua maioria por mulheres negras, de filhas e netas que cresceram durante a trajetória da Comunidade Negra, atuando dentro da Pastoral Afro da Paróquia Santo Arnaldo Jansenn. Realiza a Celebração Ecumênica Afro - ou Missa Afro-Brasileira. Encenou diversos espetáculos artísticos, com as coreografias Obi,

A semente que fala; Ganga Zumba; Pérola Negra; Tumbador; Abolição e Oferendas. O espetáculo Resistência é, também, uma homenagem aos 16 anos do grupo.

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CULTURA CIGANA

As expressões culturais ciganas são transmitidas na cidade de Diadema nos Centros Culturais Inamar e Vladimir Herzog através da linguagem da dança. Em encontros semanais, orientados pela professora e bailarina de dança cigana e do ventre Milagres Torres, ganham voz às questões pertinentes ao feminino, à autoestima, à expressão corporal, e à promoção e o respeito à cultura cigana. O processo envolve aproximadamente 80 mulheres na faixa etária entre 07 a 80 anos de idade. A mobilização que culminou com essa vivencia começou no bairro Inamar, por um grupo de mulheres do bairro que se identificaram com a cultura cigana. Formaram-se ali os grupos Estrelas de Kali (dança cigana) e Raks El

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Najmah (dança do ventre). Eles participam da organização da Festa Cigana anual do Centro Cultural Inamar, que está em sua quinta edição e do Encontro das Estrela do Oriente, em sua terceira edição.

HIP HOP EM AÇÃO

A Casa do Hip Hop de Diadema realiza a mais de 13 anos – em todo último sábado do mês - o Hip Hop em Ação. Essa atividade acontece em Diadema antes mesmo da Casa ter sido inaugurada. Trata-se de uma reunião de DJ’S, MC’S, Graffiteiros, Graffiteiras, B.boys e B.girls que se colocam em ação expondo seus trabalhos artísticos, nas rodas, no palco, nos muros. O Hip Hop em Ação é uma mostra artística dos elementos que compõe essa importante cultura urbana, aliada ao desenvolvimento de atividades de formação que vão de palestras, bate papos a exposições, é o encontro mensal onde tudo cabe, de uma banda ou DJ até uma benção do Candomblé. MC’S, DJ’S, Graffiteiros (as), B.boys, B.girls, apreciadores,

curiosos, desconfiados, amantes, manos, minas, senhoras, senhores, moças, rapazes, todas e todos sejam bem vindos e se sintam convidados, todo último sábado de cada mês, ao Hip Hop em Ação!

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FORUM DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL BENEDITA DA SILVA

Fundado no dia 09 de novembro de 2012 por representantes das entidades dos movimentos negros e de associações desse segmento, o Fórum é fruto de vinte anos de atuação por políticas de ações afirmativas e em prol da erradicação de toda e qualquer forma de racismo e preconceito em nossa sociedade. O Fórum é uma entidade civil sem fins lucrativos e sem distinção de credo religioso, cor/raça, política partidária ou nacionalidade - com período indeterminado de duração. Objetiva contribuir com o fortalecimento das entidades e associações que discutem a questão étnico-racial na cidade.

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CULTURA INCLUSIVA

O Ponto de Cultura Inclusiva foi inaugurado no dia 10 de dezembro de 2010. Centraliza suas atividades na Biblioteca Interativa de Inclusão Nogueira, local estruturado para facilitar o acesso ao portador de necessidades especiais, com acervo em Braille e sala multimídia. O ponto de cultura se propõe a organizar um banco de dados sobre o cidadão considerado especial, facilitando o seu acesso aos bens culturais que o município oferece. Criar um selo de qualidade junto a empresas amigas da cultura e da inclusão também é uma ação prevista, além de qualificar o público portador de necessidades especiais como prestador de serviços na área digital, comunicação, organização e monitoria de atividades culturais, difusão, arte e outras áreas que possam interessá-lo e garantir sua autonomia. Dar visibilidade ao cidadão considerado deficiente, mapear atividades onde ele possa atuar e informá-lo de oportunidades já existentes tanto no mercado de trabalho, como de lazer e qualidade de vida são os objetivos principais. Além de atender a comunidade da Vila Nogueira, ações itinerantes são previstas como visitas a escolas e centros de formação especializados, ONGs que já desenvolvem atividades semelhantes, além de outros pontos

de cultura e locais de práticas inclusivas. Publico alvo: cidadãos em processo de reabilitação como dependentes químicos, expresidiários, aposentados, jovens em situação de risco social, portadores de transtorno mental, autistas, downs, paralisia cerebrais e demais portadores de necessidades especiais. Trabalha também com professores, estudantes de pedagogia, artes, ciências humanas etc. Incluir é aceitar a diversidade.

Biblioteca Interativa de Inclusão Nogueira - Rua Bernardo Lobo, 263 – Vila Nogueira Tel.: (11) 4071-9684 (11) 9 96423843 Vani Duarte

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PONTO DE CULTURA DO URBANO AO RURAL - União dos Cavaleiros de Diadema

A Associação União dos Cavaleiros de Diadema completou 10 anos de existência. Criada com o intuito de difundir práticas culturais para todo município e região, vem realizando - através do Ponto de Cultura do Urbano ao Rural - oficinas de viola caipira, encontro de violeiros, procissões a cavalo, atividades de culinária caipira. O objetivo do grupo é afirmar hábitos de uma prática cultural ligada á vida no campo, que muitas vezes se dilui no meio urbano. Além do trabalho na cultura, a associação tem como meta o trabalhar com equoterapia, um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento de pessoas com

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deficiência ou com necessidades especiais. Antonio Carlos Fonseca, nascido em Visconde do Rio Branco MG, em 23/07/1954 é um dos coordenadores e fundadores da União dos Cavaleiros de Diadema. Chegou em Diadema por meados de 1963, vindo com seus pais para serem caseiros do sitio São Miguel, Diadema. Neto de tropeiros, Fonseca (como assim é chamado por todos) sempre teve paixão por cavalos. No decorrer de sua vida, entre o trabalho em sua serralheria e a família, sempre criou seus animais e participou de eventos voltados para a cultura rural.

FOLIA DE REIS

A Folia de Reis ou Reisado é um festejo popular que procura rememorar a jornada dos Reis Magos ao encontro do menino Jesus. É um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal. Trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira, ainda hoje se mantêm vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país. Fazendo parte do ciclo natalino, o cortejo de foliões desfila cantando no campo ou pelas ruas da cidade. Em Diadema e região do ABC Paulista os grupos de foliões foram criados a partir da divisão da Folia de Joaquim Orlando Dias, natural de Monsenhor Paulo, MG. Atualmente

há dois grupos de Folias de Reis atuantes em Diadema: a Folia do Zé Reis (José Jacinto da Silva Neto), com mais de 150 anos de tradição na família – há trinta em Diadema, não se sabendo exatamente em que região do país ela se originou; e a Folia da Shirlei (Shirlei Aparecida Braz), com vinte e seis anos de atuação na cidade. O Ponto de Cultura Folia de Reis representa a continuidade de processos culturais históricos, com traços de resistência e propagação de tradições orais e costumes ligados às raízes regionais de migrantes de todo o país.

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Cartilha do Patrimônio Material e Imaterial de Diadema