Page 1

Brasil nas M達os: Design + Artesanato

1


UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE ARQUITETURA, ARTES E COMUNICAÇÃO CURSO DESENHO INDUSTRIAL - HABILITAÇÃO EM PROJETO DO PRODUTO

QUERELAS DO DESIGN: Livro-Catálogo “Brasil nas Mãos: Design+Artesanato”

BAURU, DEZEMBRO DE 2007


3

PALOMA VALÉRIA DOS SANTOS

QUERELAS DO DESIGN: Livro-Catálogo “Brasil nas Mãos: Design+Artesanato”

Complemento anexo ao Projeto de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP - Bauru para obtenção do título de Bacharel em Desenho Industrial com Habilitação em Projeto do Produto sob orientação do Professor Luiz Carlos Felisberto

BAURU, Dezembro de 2007.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sumário Banners de Propaganda

43

Algodão

88

Discos de Vinil

44

Arumã ou Guarumã

89

Resumo

Pneus

44

Bambu

90

Metais

46

Bananeira

92

Introdução

Vidro

49

Bucha Vegetal

94

Buriti ou Miriti

95

Capim Dourado

96

Agradecimentos

Artesanato Tradicional e o Design+Artesanato 10 Amarradinho ou Nózinho

12

Bordados

As Matérias-Primas

50

Argila ou Barro

53

Curauá ou Caroá

97

Tipos de argila

54

Cabaça

98

Carnaúba

99

13

Técnicas de Modelagem Manual em Argila

55

Cipós

100

Estamparia

15

Corantes Naturais

61

Couro Vegetal

103

Rendas

20

Madeiras

65

Cânhamo

104

Crochê

24

Aglomerados

66

Cana-de-Açúcar

105

Macramé

25

M.D.F.

67

Coqueiro

107

Tecelagem Manual

26

Juta

109

Trançado

27

Madeira Plástica ou Ecológica

68

Linho

110

Entalhe em Madeira

29

As Nossas Madeiras

70

Palha de Arroz

111

Origami

34

O Design em Madeira

75

Palha de Milho

113

Garrafas de Areia Coloridas

35

Palha de Trigo

115

Materiais Reutilizados ou Reciclados

37

Papel Machê

38

Papel Reciclado Artesanal

39

Papel

40

Garrafas PET

41

Sacolas de Supermercado

42

Matérias-Primas de Origem Animal

79

Piaçava

116

Couros e Peles Animais

80

Rami

117

Recouro

83

Rattan

118

84

Sisal

119

Seda

85

Taboa

120

Tucumã

121

Vime

122

Matérias-Primas de Origem Vegetal

87


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sementes

125

O Design e o Artesanato Aplicados às Sementes

129

Pedras

131

Terra Design

159

Poematec

159

Rita Prossi - Biojóias da Amazônia

159

Eco-Fill

159 159

do Trabalho Artesanal nas Comunidades

165

Central Mãos de Minas

166

Centro São Paulo de Design - CSPD

166

Museu da Casa Brasileira e Prêmio Museu da Casa Brasileira

166

Pedras Preciosas e Semi Preciosas

132

ONG Monte Azul

O Design em Pedras Preciosas e Semi-Preciosas

138

Pedra-Sabão

139

ONG Aldeia do Futuro Projeto Aldeia das Mulheres (fuxiqueiras e amarradeiras)

160

Tecidos

141

167

Tipos de Fios Têxteis

142

ONG Florescer Projeto Recicla Jeans

Concurso Design de Caráter Social

160

Prêmio Cempre + Design – Resíduo

167

Vidros

145

ONG Esplar - Projeto Algodão Agroecológico

160

Design na Brasa

167

Novas Tecnologias dos Materiais 150

ONG Reciclar-T3

160

Claudia Moreira Salles

167

ONG Coopa Rocca

160

Carlos Motta

167

Heloisa Crocco

168

Isopor Vegetal ou Bioespuma

152

Projeto Tranças da Terra

161

Borracha Ecológica

152

Projeto Arte Criola

161

Fibra de Garrafa PET para Indústria Têxtil

153

Projeto Design Solidário Brasil-Holanda

Plástico Verde feito a partir da Fibra de Bambu e Resina Vegetal 154

ARTESOL - Artesanato Solidário

162

CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem

162

PAB - Programa do Artesanato Brasileiro

163

PBD - Programa Brasileiro de Design

163

Design Excellence Brazil

164

164 165

Plástico Biodegradável feito com Bagaço de Cana-de-Açúcar (PHB) 154 Plástico Ecoflex

155

Design+Artesanato em Ação: Empresas, ONG’s, Projetos, Instituições e Profissionais 156

ONG Projeto Arrastão 161

Gueto Ecodesign

158

SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas

Oficina Gente de Fibra

158

Projeto Artesão

Griffe Brazzo

158

SUTACO – Superintendência

161

Humbeto e Fernando Campana (Irmãos Campana) 168 José Gustavo Tonhasca

168

Lars Diederichsen e Fabíola Bergamo

168

Lia Mônica Rossi

168

Maurício Azeredo

169

Pedro Petry

169

Renato Imbroisi

169

Rita Prossi

169

Considerações Finais

170

Bilioografia

172

5


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Agradecimentos À TODOS OS PRESENTES

AOS DE PRESENÇA FÍSICA AOS DE PRESENÇA CONSTRUTIVA AOS DE PRESENÇA INSPIRATIVA AOS DE PRESENÇA EXECUTIVA AOS DE PRESENÇA ESPIRITUAL

À TODOS COM MUITO AMOR.

Paloma Valéria dos Santos (pomba valente) DEZEMBRO DE 2007


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

Resumo

7


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Este projeto buscou evidenciar as vantagens da relação entre o fazer artesanal e o industrial, mostrando

através de diversas iniciativas de designers, ONG’s e empresas que esta troca mútua pode trazer maiores benefícios sociais, econômicos e ecológicos ao país, por se tratar de um mercado de trabalho potencialmente competitivo e diferenciado na geração de produtos e serviços sustentáveis.

Para o Brasil, que possui uma rica história em expressões populares, o estudo da relação

Design + Artesanato se torna especialmente interessante, uma vez que economicamente um de seus pontos fortes está, justamente, nas singularidades proporcionadas pela diversidade étnica e cultural de seu território.

Faz-se necessário, portanto, revelar a criatividade de nosso povo explorando e propagando

conscientemente os setores nos quais o país já recebe uma leitura positiva, num momento em que o mundo passa a valorizar o desenvolvimento sustentável e as referências locais em contraponto aos modelos padronizados de produção. Nesse sentido, surge a questão da relevância do resgate de nossa tradição artesanal, que corre o risco de se perder caso não seja reavivada e registrada, tornando assim o artesanato uma das potenciais especialidades a ser estudada e aperfeiçoada pelo design brasileiro.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Introdução

9


10

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

A relação entre o Design e o Artesanato tem sido evidenciada nos últimos anos. A crescente consciência

por parte dos designers do valor cultural e da sabedoria empírica e popular dos produtos artesanais abre os horizontes para um mercado de trabalho pouco conhecido e explorado, criando a necessidade de um maior diálogo entre designers e artesãos.

Notamos mundialmente a tendência da valorização das especificidades culturais em detrimento da

padronização dos produtos e serviços oferecidos, como diferencial de competitividade, num direcionamento do olhar dos países mais desenvolvidos aos menos desenvolvidos. Os brasileiros, por sua vez, têm percebido que o quanto antes buscarem registrar “a cara do Brasil” em seus negócios ganharão melhor posicionamento em vendas no mercado mundial.

Cultura, tradição, diversidade, especificidades, riquezas naturais e criatividade são notoriamente nossos pontos

fortes O artesanato, assim como a música, a moda e os esportes; possui um grande valor cultural agregado, justamente por satisfazer os aspectos positivos mencionados. No entanto há uma série de entraves para que a produção artesanal brasileira se estabeleça e se emancipe, tanto no mercado interno quanto no mercado externo. Dentre eles: • A má qualidade na educação, de modo geral, afeta a cidadania do povo brasileiro que não possui repertório cultural necessário para devida valorização de nossa produção artesanal.

• A modernização dos métodos e gestões e a integração com o mercado mundial são bastante inviabilizadas por fatores econômicos, políticos e sociais.

• Escassa divulgação do trabalho artesanal brasileiro e o insuficiente investimento do país na formação de sua imagem.

• Cultura da cópia em detrimento da cultura de inovação.

A questão é como tornar o artesanato mais competitivo, contornando de modo criativo os empecilhos

sócio-econômicos, que tanto micro como pequenas empresas precisam enfrentar num país contraditório como o Brasil.Ao reconhecermos que dentre as possibilidades para realização da valorização de nosso artesanato está necessariamente o fator Inovação, chegamos ao ponto onde o Artesanato e o Design deverão interagir. Para o segundo, a inovação é um objetivo constante na concepção de novos produtos, possuindo ainda ampla visão crítica de mercado, o que pode conduzir o setor artesanal à maior competitividade.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

Artesanato Tradicional eo Design+Artesanato

11


12

12

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Artesanato é a denominação para o modo manual de transformação de determinada matéria-prima

no sentido dar à esta a forma de um objeto. O trabalho é feito pelo artesão, que domina todas as etapas de produção do objeto, podendo este interferir no aspecto da forma do objeto em questão em qualquer uma das etapas de produção.

Design é a definição para àqueles objetos resultantes de um “projeto definitivo”, do qual será elaborado

o modo de produção que garanta a reprodução exata do modelo desenhado. O designer é o responsável pelas especificações técnicas e formais da peça, que deverão ser ilustradas de maneira inteligiível aos que irão executar o modelo por ele projetado. Assim, artesanato pressupõe exclusividade de modelo e design a produção seriada de um modelo único. Em termos conceituais de criação para o objeto materializado, o artesanato está intimamente ligado à representação da cultura popular e o design aos interesses indústriais e mercadológicos implícitos no produto. Ocorre que as duas áreas trabalham no âmbito da transformação da matéria-prima para obtenção de um objeto que seja utilitário, decorativo ou utilitário/decorativo ao mesmo tempo, visando a venda do mesmo. Portanto, podemos encontrar equivalências para as etapas de produção desses dois setores, em diferentes níveis.

O termo “artesanato + design”, aqui adotado, refere-se aos produtos obtidos da relação entre as

formas do fazer artesanal e do fazer industrial. São objetos para os quais houve normalmente a preocupação do designer com o aspecto conceitual do produto; visando a utilização racional do material em conjunto com o resgate cultural das formas a serem desenhadas. Nesses casos, é o designer que se aproxima dos artesãos, passando a conhecer melhor todas as etapas de produção de um determinado objeto, e propondo-lhes posteriormente metodologias que otimizem a produção artesanal no sentido de ampliar o público consumidor. O resultado desta inter-relação é a produção de produtos originais, que geralmente aplicam matérias-primas alternativas, ou seja aquelas pouco utilizadas pelas indústrias e mais utilizadas normalmente pelos artesãos. São objetos carregados de conceito, que traduzem o contexto histórico e a cultura de uma determinada comunidade, e que aplicam ainda, em sua forma de produção os princípios da sustentabilidade social e ecológica, por inserirem no processo de produção a comunidade e a matéria-prima local, gerando trabalho e renda alternativas.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Banco Alto Misse Bela Bar e Pufe com resíduos de E.V.A em Tiras - executados a partir da Técnica do Amarradinho “Coleção das Misses” da Gueto Ecodesign - Design de Karin Wittmann Wilsmann

Amarradinho ou Nózinho Esta técnica artesanal consiste na utilização de

sobras de tiras de tecidos (laicra ou elastano) amarradas

Poltrona de Amarradinho - Ong Coopa Rocca - Rio de Janeiro (RJ)

sobre uma base (“telinha” ou juta) de tecido com furos regulares. Comumente é realizada por cooperativas de mulheres que buscam uma alternativa de renda extra, utilizando matéria-prima que seria descartada como lixo pelas confecções e indústrias. Geram com isso uma renda alternativa para suas famílias, e é mais freqüente nas capitais onde o acesso ao material é facilitado.

Tapetes de Amarradinho - Projeto Resgatando Cidadania - Instituto Recriando - Aracajú (SE)

13


14

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Bordado Madeira

Bordados

O bordado é uma forma de criar desenhos ou

Os

Bordado Ponto Cheio

desenhos

paisagens,

representam

espécies

da

ornamentos fauna

local,

florais, figuras

figuras ornamentais sobre qualquer tipo de tecido, por

geométricas, monogramas, dentre outros. Ou seja,

meio de agulha e linha utilizando fios (algodão, de

o tipo de bordado executado tem como característica

seda, de lã, de linho) que são aplicados sobre o tecido

representar a cultura de uma determinada região.

base. O trabalho pode ser executado à mão ou por uma máquina apropriada, e ainda pode ser executado utilizando os fios do próprio tecido base. É uma técnica artesanal muito difundida por todo o mundo e realizada basicamente por mulheres. São diversos os tipos de bordados existentes: Norueguês, Sobre Rede, Casa de Abelha, Crivo, Labirinto, Ponto Apanhado Romeno, Ponto Cheio, Ponto de Assis, Ponto de Cruz, Ponto de Parma, Ponto Holbein, Ponto Smock, Ponto Sombra, Rendendê, Richelieu, Vagonite, Madeira e etc.

Rendendê 0 Redendê é elaborado com agulha, linha e tesoura. A bordadeira corta o tecido em quadrados,

losângulos

ou

triângulo e com o auxílio de um bastidor vai unindoos com linhas brancas ou coloridas, formando barras. 0 redendê é aplicado principalmente na confecção de toalhas de prato e caminhos de mesa.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

para cada cor de linha. É necessário que se tenha à

Boa Noite

mão, linha, agulha e tecido de trama simétrica.

Para bordar o “Boa Noite”

Tecidos de “etamine”, “cânhamo” e

desfia-se o tecido (o mais

“linho” são ideais para a base do ponto

usado é cambraia) em alguns

cruz, pois por definição estes tecidos

pontos, esticando-se a área a

são feitos com a mesma quantidade

ser trabalhada com auxílio de um bastidor ou “grade”. Utilizando agulha e linha vão se unindo os fios para construir o bordado. O trabalho é minucioso e delicado. As peças mais frequentemente produzidas são toalhas de mesa e banho, panos de bandeja, lenços de bolso, blusas e passadeiras.

Ponto

Cheio

ponto cruz é feito na intercessão dos fios, portanto pelo fato de o número de fios em cada direção ser igual, cada ponto de cruz será do mesmo tamanho quadrado. O fio mais indicado é a linha de algodão com seis fios, mundialmente conhecida como mouliné

Ponto Cheio O

de fios na horizontal e na vertical . O

e as agulhas pequenas, sem ponta, para tapeçaria, tamanhos 22, 24 e 26 são é

uma

costura

Vagonite

ziguezague com os pontos bem unidos, sendo bordado como se

O Vagonite é um tipo de

fossem pontos retos feitos lado a

bordado

lado, formando um desenho em alto

caracterizado

perfeição

relevo. É utilizado para decoração

construídos

e aplicações em toalhas, lençóis, roupas e etc.,

dos a

preenchimento

sendo o ponto comum das máquinas industriais para bordado.

as ideais para bordar.

pela

desenhos, partir dos

do

espaços

desfiados do tecido com o a utilização do Ponto Cheio. O bordado sobre vagonite

Ponto Cruz

é trabalhado em forma de alinhavo, utilizando os grupos de fios uniformes que o próprio tecido

Ponto Cruz é um trabalho

apresenta. O ponto é feito superficialmente, passando

fácil

pouca

a agulha sobre os grupos de fios que se alternam a

habilidade com agulha e linha

cada carreira. O efeito dos desenhos é obtido pela

para

gráficos

mudança das carreiras que vai sendo bordada em

que auxiliam na execução do

forma de “degraus”, trabalhando da esquerda para

trabalho possuem um símbolo

a direita.

e

que

requer

aprender.

Os

15


16

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

eletrostático.

Glitter São

partículas

poliéster

que

brilhantes

de

misturadas

com

plastisol incolor é aplicado no tecido que apresentará apenas os pontos de brilho do glitter.

Esfera de Vidro ou Caviar Beads Estampagem sobre Costura e Encaixe

São

Estamparia

A arte de estampar os tecidos é tão antiga quanto

a existência das vestimentas e atualmente sua proposta é a de desenvolver estampas exclusivas, uma vez que com a globalização a individualização se torna necessária para conquistar novos mercados. É realizada utilizando elementos da alta tecnologia têxtil aliados aos elementos antigos de estamparia. Muitas estamparias especializadas oferecem serviços para customizaçao de peças utilizando as mais diversas técnicas de estamparia.

Estampagem Industrial: Flocagem Consiste na aplicação de flocos de nylon ou de pelúcia para tecidos em geral. Apresentando motivos em alto relevo aveludado. Feito através de um aparelho

micros

aplicadas impresso

esferas

sobre no

um

incolor, desenho

tecido,

onde

se obtém um efeito bordado com relevo e brilho transparente.

Metalizado com Foil É a transferência de partículas metalizadas do “foil” (película de poliester metalizado a vácuo), sobre tecido de algodão ou misto. Apresenta um acabamento com brilho metalizado uniforme.

Plastisol Plastisol

é

uma

tinta

derivada

de resina PVC e plastificantes que proporciona definição na impressão e possui boa resistência à lavagem. Pode ser aplicado em desenhos coloridos (chapados), em alto relevo, com foil


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

metálico e com glitter. É indicado para tecidos de algodão,

mas encontramos esta técnica também entre povos

sintéticos e jeans.

africanos, indianos, árabes, chineses, japoneses e europeus. Consiste em amarrar o tecido com barbantes,

Transfer

para preservar as áreas do tecido que permanecerão

é um processo industrial de

da mema cor, e depois mergulhá-lo num banho de

estampagem muito comum, onde a partir de um papel

tingimento com a cor desejada (utilizando tinta especial

O Transfer

impresso via impressora ou em off-set se transfere o desenho do papel para um determinado produto. Normalmente esta transferência é feita a quente a partir de uma prensa.

As vantagens do transfer em relação às

estampas de silk-screen estão evidenciados na redução de tempo para estampar; na redução de custo (pois não necessita de fotolito); na estampagem individual e na redução de perdas por borradas ou com má qualidade de impressão.

O

transfer

sublimático

é

utilizado

para

para tingir tecidos).

estamparia em tecidos de poliéster ou superfícies acrílicas,

Batik

sendo ideal para produção de estampas por m2, pois utiliza um processo de transferência térmica que emprega

O batik é uma arte milenar

corantes especiais sensíveis ao calor que penetram na

de

superfície do substrato, tingindo-o permanentemente.

controversa

onde o desenho é feito

ESTAMPAGEM ARTESANAL Tie-Dye

com cera quente e colorido com tinta. A técnica base consiste

O Tie-Dye (do inglês “amarrartingir”)

origem

é

uma

das

técnicas

artesanais

mais

populares

Batik sobre Papel Arroz e Batik sobre Tecidos - Obras da Artista Alice Brill

no

tingimento

após a impermeabilização de certas partes da tela

e

(seda pura, algodão e couro). As áreas recobertas

simples de se executar. Fez muito sucesso por volta

com cera ficam impermeabilizadas e não retém o

dos anos 70 com o movimento hippie nos E.U.A,

tingimento. Com a ajuda da cera e banhos sucessivos

17


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Caligrafia em Serigrafia do Artísta Gráfico Cláudio Gil

Tela pronta para aplicação da tinta

Os pontos escuros do fotolito

Serigrafia

tela recebendo emulsão fotosensível

correspondem

aos

locais

A Serigrafia ou Silk-

que ficarão vazados na tela,

Screen é um processo

permitindo a passagem da

de impressão no qual

tinta pela trama do tecido,

a tinta é vazada – pela

e

pressão de um rodo ou

a luz passará pelo fotolito

puxador – através de

atingindo

uma tela preparada. A tela utilizada é normalmente de seda, náilon ou poliéster,

Mi_Yo Exhibition (serigrafia) - Cartaz do Artísta Gráfico Yomar Augusto

os

pontos a

claros

(onde

emulsão)

impermeabilizados endurecimento

da

são pelo

emulsão

sendo esticada em um bastidor de madeira, alumínio

fotosensível que foi exposta a luz.

ou aço.

É utilizada na impressão em variados tipos

Caracteriza-se como um dos processos da

gravura, denominado de gravura permeográfica.

de materiais (papel, plástico, borracha, madeira,

A “gravação” da tela se dá pelo processo

vidro, tecido) e superfícies (cilíndrica, esférica,

de fotosensibilidade, onde a matriz preparada

irregular, clara, escura, opaca, brilhante). Pode

com uma emulsão fotosensível é colocada sobre

ser feita de forma mecânica ou automática.

um fotolito, sendo este conjunto matriz+fotolito colocados por sua vez sobre uma mesa de luz.


19

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Saia de Fuxico - Tom Predominante

Bolsa de Fuxico Unicolor

“Pano de Fuxico” com Sementes Brasileiras - do designer Renato Imbroisi

Fuxico

Luminária de Fuxico de Artesão Desconhecido

O nome Fuxico surgiu por causa das mulheres do interior

Luminária de Fuxico do Designer Fernando Jaeger

preciso dobrar um pouco a

do Nordeste do Brasil, que

borda do círculo e alinhava-

se

lo. Ao terminar o alinhavo

e

reuniam

para

aproveitavam

costurar

para

fazer

intrigas, mexericos e fofocas,

deve-se puxar a linha para franzir

e

arrematar

com

Atualmente

esta

ou seja, para “fuxicar”. Para fazer o fuxico é necessário

um

recortar um molde redondo do tamanho desejado, onde

técnica tem ganhado amplo

o tamanho final de cada fuxico vai ser aproximadamente

espaço

a metade do diâmetro do círculo cortado. O molde deve

aplicada principalmente em

ser fixado sobre o tecido, contornado com um giz e

vestimentas e acessórios.

recortado. Para franzir o tecido formando uma flor, é

nó.

na

moda,

sendo

Luminárias de Fuxico feitas pela ONG Coopa-Rooca

19


20

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

encontram-se bem organizados e são importantes eventos anuais como o Festival Brasileiro de Patchwork e Quilt, que ocorre todos os anos, desde 1998, na Cidade de Gramado - RS, reunindo artesãos e profissionais do setor de todo o país, sendo considerado o evento mais importante da área. Além desse evento destacam-se o Rio Patchwork Design na cidade do Rio de Janeiro-RJ, que acontece anualmente; Terê Quilt na cidade de Teresópolis - RJ e a Semana Senac de Patchwork em São Paulo. Abaixo: Trabalhos Premiados no 80 Festival Brasileiro de Patchwork - Gramado - RS

Bolsa em Patchwork com Formas Orgânicas e Desenho Figurativo

Patchwork

Igrejinha de Maria Lucia Ázara de Andrade - Niterói/RJ 1º Lugar na Categoria Tradicional Painél Quilt: Maria Lucia Ázara de Andrade

A tradução literal de Patchwork é “trabalho com

retalhos”. É uma técnica que une retalhos de tecidos através da costura. O patchwork propriamente dito é a parte superior do trabalho, uma vez que o trabalho completo é o acolchoado, formado pela parte superior

Interpérie de Fátima Bilton - Niterói/RJ 1º Lugar na Categoria Tradicional Grande Quilt: Vanessa Lott

com a manta acrílica e o tecido de fundo, tudo preso por uma técnica conhecida como quilting ou acolchoamento.

Antigamente todo o trabalho era manual, mas

com o surgimento das máquinas de corte e costura para tecido houve uma “revolução” que agilizou o trabalho do patchwork e desde então houve o crescimento no interesse por essa arte, que é praticada no mundo inteiro. Entre as peças executadas encontramos trabalhos que formam figuras geométricas e orgânicas, podendo ser desenhos figurativos ou abstratos.

• No Brasil, os praticantes da dessa arte

Mini Jardim de Sueli Cambolim Baptista - Niterói/RJ 1º Lugar na Categoria Miniatura Quilt: Liza Malhano

Natal na SErra de Grupo de Patchwork – Atelier Maria Rita 1º Lugar na Categoria Temático Quilt: Atelier Maria Rita


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Renda Renascença Introduzida no Brasil por freiras européias difundiu-se rapidamente no

Nordeste

Pernambuco.

especialmente As

rendas

do

em tipo

renascença são famosas pelo estilo de

bordado

feito

exclusivamente

à mão com traços marcantes onde predomina um intricado de códigos Detalhe de Banco em Cipó e Acento com Aplicação de Renda Nhandutí - Design de Sérgio Fahrer e Christian Ullmann do Projeto Oficina Nômade - Nida-SP - São Paulo (SP)

Rendas

Para reconhecer e classificar os tipos de rendas

de nós, pontos e entrelaçados.

Trata-se de uma renda de agulha que utiliza

lacê ou fitilho alinhavado sobre papel grosso, no qual é desenhado o padrão que se quer reproduzir e que, depois, é fixado em uma almofada ou travesseiro.

é necessário distinguir a renda do bordado. A renda

difere do bordado no sentido em que a decoração é parte

produção de Renascença: Junco do Seridó, Sumé,

integrante do tecido, já no bordado é um ornamento

Congo, São Sebastião do Umbuzeiro, Camalaú,

executado sobre qualquer tecido por meio de agulha

São João do Tigre, Monteiro e Zabelê.

e linha. As diferenças entre as rendas consistem no

Renda Labirinto ou Crivo

processo de execução e nos equipamentos e matériaprima utilizados.

• Municípios da Paraíba que se destacam na

É um tipo de renda de agulha sobre a

• São diversos os tipos de renda: Filé,

base do tecido desfiado na largura e no

Frivolité, Nhandutí, Renda de Agulha, Renda de

comprimento de forma intercruzada;

Bilros, Renda de Bruxelas, Renda de Veneza,

formando áreas cheias e vazias, com

Renda Dinamarquesa, Renda Irlandesa, Renda

aspecto de crivo e que se executa em

Oriental, Renda Renascença e etc. No entanto

forma de labirinto. O labirinto, trabalho que merece

algumas se destacam e são mais comuns no Brasil,

o nome pelo emaranhado dos pontos, é o bordado de

são elas:

fio cortado, distendido numa armação de madeira,

quadrada ou quadrilateral, chamada grade; é a seguir cheio, isto é, recoberto de bordados feitos à agulha.

21


22

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Os bilros são uma espécie de haste de madeira provida de das

uma

cabecinha

extremidades.

numa Sobre

ela enrola-se a linha para fazer a renda.

No minimo

são utilizados um par de bilros, mas padrões muito complexos podem exigir o Vestido com Renda de Bilro - Criação do Estilista Walter Rodrigues

emprego de 14, 18 ou mesmo mais de 20 pares de bilros.

Os bilros são sempre utilizados aos pares. A

renda de bilros é de origem muito antiga e ainda não totalmente esclarecida. Difundida em muitos países da Europa, foi trazida para o Brasil pelos portugueses. É muito disseminada nas regiões Nordeste e em

Renda de Bilro A

renda

executada

Santa Catarina, para onde foi trazida pelos açorianos de

bilros

sobre

é

uma

almofada com enchimento de Almofada para Fazer a Renda de Bilro

crina,

serragem

ou

no século XVIII; é uma arte que se aprende desde a infância. Parece que sua origem encontra-se na França, mas é na Itália que ela se desenvolveu.

Os

produtos

dessa

técnica

ser

algodão; tal amofada é em

apreciados em caminhos de mesa, peças do vestuário,

geral recoberta de tecido

colchas, toalhas, guardanapos e outros artefatos.

cujas cores não agridam a vista. A almofada pode ser

presa num suporte de madeira, mas há rendeiras que

Caiçara e Salgado de São Félix.

simplesmente a apóiam numa cadeira ou banquinho.

podem

A almofada é a base sobre a qual se executam

as rendas e nela se prende o cartão com o esquema de furos em cima do qual irão se trançando os bilros, à medida que se prendem os compassos com alfinetes.

Na

Paraíba

os

Municípios:

Itabaiana,

• No Maranhão o Município de Raposa.

• No Piauí o Município de Ilha Grande com os

Artesãos do Morro Mariana.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Renda Filé

Renda Frivolité

A arte do frivolité é originária do Continente

Renda de agulha que consiste em criar tecido ou

Europeu, e trata-se de uma renda de algodão tecida

enchimento sobre rede, isto é, malha cuja trama segue

manualmente com um ou dois ganchos. A denominação

a técnica utilizada na confecção das redes de pesca.

“frivolité”, essencialmente francesa, é adotada em quase todos os países da Europa; entretanto os italianos nomeiam a técnica de “occhi”. Já os orientais conservam a antiga denominação “makouk”, enquanto nos países de lingua inglesa é chamada de “tatting”.

A técnica pode ser resumida numa seqüência

de nós e picôs que formam círculos e semi-círculos, e estes compõem uma rica trama rendada. É um trabalho muito fino, que leva-se um bom tempo e paciência

Esta técnica milenar era largamente difundida

entre os Egípcios e Persas, de onde se disseminou para a Peninsula Ibérica, particularmente Portugual. É comum encontrar filé confeccionado com fios de linho, de seda, fios de ouro e prata nesses locais, entretanto a grande difusão da técnica no Brasil utiliza como matéria-prima o fio de algodão.

O filé surge a partir de uma rede simples,

composta de malhas e de nós, é por isso também

para ser executado.

denominado “rede de nó”, seguindo a técnica de

Os desenhos incluem motivos e rendinhas para

confecção da rede de pescador, que lhe serve de

acessórios de uso pessoal; golas e mangas de blusas

inspiração. Existe uma diferença entre o filé simples

femininas; móveis; toalhas de mesa; lembracinhas para casamentos, etc.

• A Cidade de Jacareí no Vale do Paraíba - SP é

uma das que mantém a tradição neste artesanato.

e o filé bordado. O filé simples restringe-se à uma rede de nó tecida a mão; já o filé bordado utiliza a rede de nó como suporte para o bordado, a ponto de passagem, que recobre alguns quadros da rede, de acordo ao desenho a ser criado.

23


24

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Blusa Inteira feita com a Técnica da Renda Filé

É um tipo de renda que forma blusas, colchas de cama, toalhas de mesa, vestidos, enfim, diferentes peças, sempre com desenhos florais ou geométricos. Muito fios de algodão muito coloridos ou então unicor.

• Maceió-AL é a cidade que melhor representa

a tradição deste artesanato.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Jogo Americano Confeccionado em Quadrados de Crochê com Fibra Vegetal Design de Fabíola Bergamo

Crochê O crochê é uma técnica de entrelaçar fios de linha através de agulha especial que possui um gancho e que produz um trançado semelhante ao da Cortina de Crochê do Designer Renato Imbroisi

malha ou da renda. Vestido de Crochê com Fibra de Bananeira Design de Rosmeri R. C. Nau e Rosane Pfitzer Artesanato de Vera Ruth de Oliveira

É um trabalho que exige muita habilidade das artesãs. Para trabalhos mais delicados usados

nos acabamentos de langeries para peças íntimas,

merecem

enxovais de bebês, lenços, toalhas de banho, lençóis,

seguintes municípios: Floresta e Itacuruba em PE;

fronhas e etc, são utilizados fios de linhas finos. As linhas mais grossas tais quais as de algodão, lã, nylon, ráfia são utilizadas para confecção de coberturas para almofadas, bolsas, sacolas, colchas, toalhas de mesa. É junto com o trico uma das mais difundidas técnicas de entrelaçamento de fios.

• Na Região dos Lagos do Rio São Francisco destaque

na

confecção

do

crochê

os

• Gararu, Canindé do São Francisco, Porto da

Folha e Monte Alegre em SE;

• Rodelas, Macururé, Chorrochó e Abaré na BA.

25


26

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Macramé com fibra de bananeira

Macramé É uma arte que se originou na Pré-História, (quando o homem aprendeu a amarrar fibras para se agasalhar e criar objetos) e foi posteriormente bastante desenvolvida pela cultura árabe; sendo repassada ao resto do mundo. A palavra macramé significa popularmente “nó” e o termo deriva provavelmente da palavra árabe “migramah”, que significa “franjas e

simples e o nó duplo. É o arranjo desses nós e as suas variações que determinam o padrão do trabalho. à

O

valor

da

minuciosidade

peça do

resultante

trabalho

está

ligada

executado,

ou

seja, pela habilidade e precisão com a qual o artesão é capaz de trabalhar os nós e os fios. É considerada uma importante atividade terapêutica pois auxilia a coordenação motora por exigir muito o uso das mãos e principalmente dos dedos.

tramas ornamentais”. Trata-se de uma arte decorativa

Existe uma enorme variedade

e utilitária.

de coisas que podem ser

É uma técnica de tecer fios que não utiliza

nenhum tipo de maquinário ou ferramenta, somente as mãos, entretanto algumas pessoas utilizam agulhas para dar melhor acabamento. Trabalhando com os dedos, os fios vão se cruzando e ficam presos por nós, formando cruzamentos geométricos, franjas e uma infinidade de formas decorativas. Para fazê-la é necessário aprender dois nós fundamentais: o nó

feitas com o macramé como: bolsas, barrados em toalhas, panos de prato, xales, barras de calças, de blusas, cortinas, tiaras,

cúpulas

de

abajur,

suporte para vasos, painéis, franjas para tapeçaria, biquínis, redes de pesca e de descanso, tapetes, colchas, etc.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Tear Improvisado com Varetas - Tecelagem Manual do Índios Kaxinawá (Norte do Brasil)

• No Brasil, um dos locais que

Tear de Pregos Quadrado - Sem regulagem

preservou esta tradição foi o sul

Tecelagem Manual

A tecelagem é o processo de fabricação de

do Estado de Minas Gerais, atualmente reconhecido como

tecidos pelo cruzamento de dois grupos de fios em

Rede de Algodão dos Índios Kaxinawá - Detalhe da Padronagem Gráfica Típica

teares manuais, que são equipamentos simples. O

confeccionadas em tear de pedal, usando tingimento

tecido é o resultado do entrelaçamento dos fios, através

natural dos fios.

da urdidura (fios no sentido vertical) e a trama (fios na horizontal). Os tecelões empregam principalmente fios de fibras naturais, como algodão, por exemplo.

um dos mais importantes polos têxteis, exportando tapeçarias

• Na Região dos Lagos, no Nordeste do Brasil, a

tecelagem é encontrada em Canindé do São FranciscoSE, Rodelas e Paulo Afonso-BA e, em Pernambuco,

A tecelagem manual teve nos povos indígenas

nos municípios de Itacuruba, Petrolândia, Floresta

seus grandes artesãos: nas América começou nos Andes

e Tacaratu, este, um grande centro de produção de

peruanos, com os Aztecas. Para cada tipo de trabalho a

tapetes e redes, inclusive para exportação.

ser executado existem tipos diferentes de teares que são apropriados. Dentre eles: tear de pregos, tear de pinos, tear de cartão, tear de papelão, tear de pedal (semiindustrial), tear de pente liço, tear de tricô, tear de faixas, tear de miçanga, tear triangular e o tear de tapeçaria.

27


28

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Cesto Cargueiro dos Índios Kaipó

Cesto Cargueiro dos Índios Waimiri Watroari

Rodilha para Transporte Cestos Sobre a Cabeça dos Índios Mehinaku

Cesto dos Índios Guarani

de

Abano dos Índios Tukano

quanto a área de difusão,

Cesto com Tampa dos Índios Tikuna

Rede dos Índios Kinja

pois está presente em

qualquer sub-região rural ou urbana, do sertão ao litoral brasileiro.

como ouricuri, embira, carnaúba, taquara, babaçu,

Trançado

No Brasil existe uma grande variedade de fibras

bananeira, taboa, cipó, bambu, vime, taquara, flecha

Os primeiros artesãos especializados na arte

de ubáque, etc; que são apropriadas à técnica.

de trançar foram os índios. Com essa habilidade

eles constroem, até hoje, parte de suas moradias e

para o trançado é comumente feito de uma forma

de seus utensílios. O trançado originalmente é feito

mais agressiva ao meio ambiente: bate-se a fibra

com as fibras vegetais encontradas na natureza, que

no liquidificador e ferve-se com soda cáustica, o que

após o corte e o destalar geram tiras de diferentes

facilita e agiliza o trabalho, mas também provoca

espessuras com as quais faz-se o trançado de acordo

mudanças na maneira de encarar o fazer. Depois desse

com o formato que se queira dar a uma peça.

tratamento inicial, elas podem ou não ser tingidas com

Os padrões gráficos do trançado brasileiro

foram criados pelos índios, explorando as formas geométricas das diferentes talas de fibras vegetais, misturando

outros

materiais

e

corantes.

Essa

tradição deixada pelos índios supera a cerâmica

Hoje o processo de tratamento das fibras

corantes naturais que são normalmente encontrados na cor preta, vermelha e em vários tons de amarelo.

Entre as peças mais comuns obtidas deste

processo temos: cestos para uso doméstico; transporte de alimentos e objetos que auxiliam no preparo


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

balaio em fibra de arumã

- técnica do trançado - arte baniwa

dos alimentos, como as peneiras;

abanos

para

aliviar o calor e avivar o fogo; objetos de adorno pessoal,

como

cocares,

tangas e pulseiras; além de armadilhas para caça e pesca; redes para dormir e

pescar;

musicais

instrumentos

para

uso

em

rituais religiosos, etc. • Na Região dos Lagos a Cesta Paneiforme em fibra de arumã - técnica do trançado - arte baniwa

cestaria é confeccionada em

merecendo

destaque

muitos

Petrolândia

e

municípios, Jatobá,

em

Pernambuco; Pão de Açúcar (Povoado de Meirus), em Alagoas. Utilizam-se a palha do ouricuri, muito comum na região, além do coqueiro, tapera, sisal, piaçava, bambu, cipó, dentre outras.

29


30

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Entalhe em Madeira

Carrancas Entalhadas em Madeira e Pintadas à Mão - Artesanato Popular do Nordeste

O entalhe é a arte de cortar ou entalhar a

madeira para representar figuras com o intuito de adornar o objeto. É uma arte amplamente conhecida, tendo atualmente sua melhor expressão na África e Oceania. Na Europa pouco sobrou das obras da Antigüidade, mas no final da Idade Média foi grande o florescimento dessa arte. No interior das igrejas medievais, a habilidade dos entalhadores era apresentada nas belíssimas cadeiras de coro, bancos, telas, púlpitos e estantes para leitura.

Zumere - Banco de Madeira Entalhada - Indios Wayana-Apalay (PA)

veios e pela tonalidade da matéria-prima. As madeiras comumente utilizadas são o cedro e o mogno, por

É um processo que requer tempo e esforço, já que

serem fáceis de trabalhar e mais leves. O acabamento

o artista trabalha minuciosamente numa escultura,

da obra é dado com tintas e vernizes preparados com

cortando ou extraindo o material supérfluo até obter

resinas químicas ou naturais.

a forma desejada. O material é sempre rígido e com freqüência, pesado. A arte de esculpir em madeira utiliza poucas espécies de árvores, que são selecionadas em função da sua textura, da beleza do material proporcionado pelos


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Laminação em Madeira

Madeira Laminada Pregada

Madeira Laminada Colada

A madeira laminada colada é uma das formas é

formada

por

tábuas

de

madeira

substituição

da

colagem

na

madeira

laminada colada (MLC) pela pregagem como meio

de aproveitamento da madeira de reflorestamento. Ela

A

unidas

longitudinalmente e depois coladas umas sobre as

de solidarização das lâminas, dá origem a madeira laminada pregada. Apesar de não apresentar a mesma eficiência e qualidade da madeira laminada colada, a madeira laminada pregada possui menor custo.

outras. Pode ser definida como um elemento composto

por peças de madeira com comprimento variável,

Projeto Design-Solidário Brasil-Holanda com a

unidas por meio de cola em toda a sua extensão. É

utilização desta técnica em madeira, onde na cidade

adaptável as mais diversas formas e possui seção

de São Paulo alunos da Design Academy Eindhoven

transversal variável, tendo como limitador o transporte. A pequena espessura de suas lâminas (0,75 cm a 3,00 cm) permite uma secagem mais regular das peças, facilitando assim o controle da umidade desejada. Por causa da colagem, trabalha-se apenas com madeira seca, o que melhora a qualidade do produto.

• Bom exemplo foi o trabalho desenvolvido no

e Artesãos da Associação Comunitária Monte Azul trabalharam

conjuntamente

utilitárias e decorativas.

desenvolvendo

peças

31


32

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Nesta Página e na Página à Esquerda: Produtos em Madeira Laminada Desenvolvidos no Projeto Design Solidário Brasil-Holanda - Alunos da Design Academy Eindhoven e Artesãos da Associação Comunitária Monte Azul (SP)


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Marchetaria

Marchetaria (do francês: marqueter, embutir)

é a arte de ornamentação de superfícies de madeira,

Quadros em Madeiras Brasileiras com a Técnica de Marchetaria do Artesão Afonso Lacerda (AM)

incrustando ou embutindo pedaços recortados de

As principais técnicas utilizadas na marchetaria

madeira de cores contrastantes ou mesmo com outros

são:

materiais, tendo como suporte a madeira. É uma arte

milenar que foi revigorada graças a disponibilidade de

- Marchetaria maciça, utilizada na fabricação de

novos materiais e métodos de trabalho.

utilitários, bijouterias, filetes decorativos, esculturas.

A

técnica

permite

a

criação

de

objetos

Tarsia a topo ou Marqueterie à bloc

Tarsia Geometrica - recorte de motivos

utilitários, móveis, jóias, painéis, pisos, tetos, caixas,

geométricos para revestimentos de móveis, lambris,

tampos de mesas, portas, quadros, esculturas e etc.

caixas, painéis internos, mesas, cadeiras.

33


34

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Caixa com fecho de Semente -Técnica de Marchetaria - do Designer Lars Diederichsen

Marqueterie de Paille - Marchetaria de palha

(folhas de plantas desidratadas). Mesmas aplicações da Tarsia Geométrica.

Tarsia a Incastro ou Technique Boulle

- Recorte simultâneo das partes a serem montadas. Mesmas aplicações da Tarsia Geométrica.

Procéde Classic ou Element par Element

- Recorte separado das partes a serem montadas. Mesmas aplicações da Tarsia Geométrica.

Trabalhos de Marchetaria do Artesão Carlos Roberto Rodrigues de Oliveira (rj)


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Cadeira “Papton Chair” em Papelão, Estruturada com os princípios da Dobradura do Estúdio de design alemão Fuchs + Funke

Origami

Origami é a arte milenar de dobrar papel. De

origem japanonesa, seu nome original é orikami: ori - dobrar e kami - papel.

Transmitida de geração em geração entre os

japoneses, desenvolveu-se de forma cativante. E hoje, está muito longe de ser uma arte exclusivamente japonesa. Há praticantes em todo o mundo.

O Origami tem algumas regras: folhas de

Uma das Bolsas Inspiradas em Origami projetadas pela Designer Maíra Mendes - DOT’studio - criação de moda (SP)

papel quadradas e sem cortes; mas estas regras

não são absolutas e há muitas dobragens em que

as regras não se verificam, e trazem simplicidade e

que se inspiram nesta técnica artesanal para produção

desafio à criação de modelos.

de objetos.

O Origami desempenha um papel muito

importante

no

desenvolvimento

intelectual

da

criança, uma vez que desenvolve a capacidade criadora, além de contribuir para o desenvolvimento da psicomotricidade.

Há exemplos nas artes e no design de objetos

35


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Para fazer este objeto os artesãos utilizam um recipiente de vidro trasparente, limpo e vazio; um arame de ponta curva, um pouco mais alto que o recipiente a ser trabalhado e as mãos. Inicialmente apanham um punhado de areia e a despejam lentamente pelo gargalo da garrafa, e munidos do arame começam a fazer uma

Garrafas de Areia Coloridas

série de movimentos por dentro da garrafa, em sentido circular

É um artesanato tipico da região nordeste

formando a primeira parte da

do Brasil. É feito com areias coloridas colocadas

paisagem e o desenho vai sendo

pacientemente

vidro

feito camada por camada de cor. A

transparentes, onde uma cola especial propicia o lacre

distribuição de cores nas garrafas

da parte superior do recipiente, dando o acabamento do

obedece a um padrão tradicional:

dentro

de

recipientes

de

trabalho.

A temática utilizada pelos artesãos na realização

dessas delicadas peças são as praias, os ambientes ensolarados e tropicais, onde esta arte surgiu há mais de 50 anos e é repassada de pai à filho, servindo como fonte de renda para estas famílias, tendo como principal mercado o turístico. É considerada a mais original de todas as manifestações da arte popular no Rio Grande do Norte. As garrafas de areia mais tradicionais no Brasil são as feitas com enchimento de areias da praia de Tibau. As areias são retiradas das dunas, que estão bem à vista, diante da praia. Suas variedades de cores são impressionantes, chegando a vinte e cinco tonalidades.

cor clara de início e as cores mais escuras em seguida. Embalagem de Papelão Reutilizado para Garrafas de Areia desenvolvda pela Designer Lia Mônica Rossi (CE)


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

37


38

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Materiais Reutilizados ou Reciclados

Temos visto na atualidade uma grande tendência de produção artesanal nas capitais a partir de material reciclável: é o chamado artesanato urbano, assim denominado por ser típico de regiões

metropolitanas onde há grande quantia desse tipo de “lixo” descartado diariamente e que assim se apresenta como uma matéria-prima sem custo. Associado ao fator da crise financeira que abala os menos favorecidos economicamente na sociedade, este tipo “arte-t

rabalho” além de empregar informalmente muitas pessoas, pode ajudar a manter o equilíbrio ecológico por retirar do meio ambiente materias que demorariam para se decompor naturalmente. Os materiais recicláveis mais utilizados são as latas de alumínio, as garrafas tipo PET e os papéis diversos.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Conjunto de Bonecos “João Bobo” em Papel Machê do Artesão Antônio Jader Pereira dos Santos

Papel Machê (Papel Reciclado) Papel

machê

(palavra

originada do francês papier mâché,

que

significa

papel picado, amassado e esmagado) é uma técnica secular de se obter uma papel

Gamela e Conjunto de Tigelas em Papel Machê - Projeto Design Solidário Brasil-Holanda - Alunos da Design Academy Eindhoven (Holanda) e Artesãos da Associação Comunitária Monte Azul (SP)

picado embebido na água,

acabamento rústico onde se podem obter surpreendentes

coado e depois misturado com cola e gesso. Com

resultados na criação de objetos utilitários e decorativos.

Pulseiras em Papel Machê - do Ateliê de Moda Pó Estrela (RS)

massa

feita

com

esta massa é possível moldar objetos em diferentes

Se

formatos sejam eles utilitários ou decorativos.

versátil

por

A massa deve ser usada no máximo de um dia

tornou nos

ser

extremamente dias

barata,

para outro mas se for guardada em um pote plástico

de

rápido

na geladeira pode ser conservada por meses. Existem

é

ecologicamente

variações na composição da massa, pode também ser feita a partir da mistura de papel cola e amido, o que resulta numa massa resistente depois de seca, com textura e

Máscara de Carnaval do Artesão Nichol Xavier Aratuba

reutilizando materiais.

de

simples

resultado. e

hoje, e

Ainda

correta, reciclando

39


40

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Cartões Postais e Envelopes com Figuras Destacáveis em Papel Reciclado Artesanal - Projeto Design Solidário Brasil-Holanda - Alunos da Design Academy Eindhoven e Artesãos da Associação Comunitária Monte

Para fazer o papel reciclado artesanal os materiais

Papel Reciclado Artesanal

utilizados são: papel e água; bacias: rasa e funda; balde; moldura de madeira com tela de nylon ou peneira reta; moldura de madeira vazada (sem tela;

O papel nada mais é que um emaranhado de fibras

liquidificador; jornal ou feltro; pano (ex.: morim);

vegetais. Ao transformar papel usado em novo, estamos

esponjas ou trapos; aral e pregadores; prensa ou duas

na verdade desfazendo essa trama e entrelaçando as

tábuas de madeira; peneira côncava (com “barriga”)

fibras novamente. A partir do papel artesanal, é possível

e uma mesa. O processo é o seguinte: picar o papel

confeccionar papéis de carta, marcadores de livros, porta-

e deixá-lo de molho durante um dia ou uma noite na

retratos, porta-lápis, capas de caderno, livros, cartões

bacia rasa, para amolecer; colocar água e papel no

de visitas, envelopes, convites, papel e embalagens de

liquidificador, na proporção de três partes de água

presentes, entre muitas outras possibilidades.

para uma de papel, bater por dez segundos e desligar;

Entre os tipos de papel que podem ser reciclados,

temos: jornais e revistas, folhas de caderno, formulários

esperar um minuto e bater novamente por mais dez segundos e a polpa está pronta.

de computador, envelopes, rascunhos, caixas em geral,

Com a polpa do papel é possivel a obtenção

aparas de papel, fotocópias, papel de fax, cartazes e

de diversas formas, dependendo da moldura ou forma

folhetos. Dentro os papéis que não podem ser reciclados

que se utilize. Para obtenção de outras texturas é

incluem-se: papel carbono, fita crepe, papéis metalizados,

possivel a utilização de diversos incrementos à polpa

papéis parafinados, papéis plastificados, papéis sanitários,

de papel tais como: linha, gaze, fio de lã, casca de

“papel” de bala, embalagens de biscoitos, papéis sujos,

cebola ou casca de alho, chá em saquinho, pétalas de

etiqueta adesiva, tocos de cigarro e fotografias

flores e outras fibras.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Esculturas em Miniatura utilizando papelão do artista Chris Gilmour

Papel

É possível reaproveitar o papel em seu estado normal, quer dizer sem necessidade de reprocessálo por reciclagem. Reutilizando tipos de papéis tais

A artista plástica Maísa Brun de Goiania (GO) faz peças utilizando os mais diversos Na imagem a Artísta com objetos elaborados a partir de Tubos de Papelão.

tipois de papéis descartados.

como folhas de jornal, de revistas, de caderno e tubos e caixas de papelão, dentre outros pode-se criar peças interessantes através de técnicas artesanais. A cestaria em em papel é um exemplo muito comum.

Cesta confeccionada em papel de embrulho enrolado e trançado e Prato de papel Projeto Design Solidário Brasil-Holanda - Alunos da Design Academy Eindhoven e Artesãos da Associação Comunitária Monte Azul - São Paulo (SP) de revista, enrolado, aplainado e colado

Luminária com Caixa de Papelão Vazado - Design de David Grass

Cumbuca em Papel Jornal e Latex Design de Lars Diederichsen e Mônica Vaccaro

Bolsa com Papel jornal da Ecoist

Cadeira com Tubos de Papelão - Design do Arquiteto Japonês Shigeru Ban

Luminária de papel feita com páginas de um livro - Design de Michael Bome Antoinet Deurloo

41


42

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Pufes e Sofás com Estrutura de Garrafas PET revestidos com Camadas de Espuma e Tecido Projeto desenvolvido pela Divisão de Desenho Industrial do Instituto Nacional de Tecnologia – INT

Garrafas PET Quandofalamos em

reutilização,

os

produtos confecionados artesanalmente

a

partir da reutização de garrafas tipo PET são uma forma de ampliar a renda das famílias e contribuir para a preservação do meio ambiente, uma vez que essas garrafas costumam ir para o lixo. São inumeros os exemplos de comunidades, cooperativas e artesãos

Artesãos, artístas plásticos

independetnes que aprendem e aperfeiçoam o trabalho

e

a partir deste material. Em tempos em que a moda é

cada vez mais possibilidades

ser ecologicamente correto, as garrafas PET viraram

inusitadas de criação, que

verdadeiros artigos de mil e uma utilidades no mercado

vão

nacional. Elas servem para fazer bolsas, cortinas e pufes,

utilidades domésticas.

camisetas, brincos e pulseiras.

designers

desde

apresentam

móveis

até


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Uma vassoura simples feita com garrafas tipo PET, por exemplo, pode ser elaborada com custo baixo, é possível produzir uma vassoura de boa durabilidade utilizando apenas um cabo de madeira e 13 garrafas PET de dois litros; trabalho este que pode gerar um bom negócio para as cooperativas uma vez que o custo de produção não ultrapassa

1 real,

pois o cabo de madeira pode ser adquirido pelo valor de 50 à 70 centavos Vassoura Artesanal Com Garrafa PET - Modelo Desenvolvido pelo Artesão José Cavalcante Barbosa e Produzido pela Ong ComCat (RJ)

de real e as garrafas reaproveitadas. comercial

do

O

são valor

produto

Sacolas de Supermercado

acabado chega a 4 reais. Além disso, as vassouras feitas a partir das garrafas PET, são mais duráveis que

as tradicionais vassouras de piaçava. Enquanto esta As sacolas plásticas de supermecado são um tem tempo de uso em torno de dois meses, a vassoura grande problema ambiental por serem distribuidas em de garrafa PET dura cerca de seis meses. grandes quantidades indiscriminadamente.

Existem

alguns

trabalhos

artesanais

que

aproveitam as sacolas plásticas para produção de bolsas, chapéus e até roupas aplicando a técnica do crochê para tecer os fio. Os fios por sua vez são obtidos por um método especifico de dobrar as sacolas e recortá-las, resultando num fio plástico que pode ser trançado.

43


44

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Produtos Artesanais feitos com Banners Descartados - Design da ONG Arrastão - São Paulo (SP)

Poltronas Confeccionados com Banners de Propaganda Descartados - da Designer Dani Alcantara - Ganhadora do Prêmio Planeta Casa na Categoria Estudante em 2006

Banners de Propaganda

Nas grandes cidades o volume de banners

de propaganda descartados é muito alto. Trata-se de um material altamente resistente e colorido, que possibilita a criação dos mais diversos objetos na

Produtos feitos com Banners descartados - Design da ONG Reciclar T3 - Belo Horizonte (MG)

mãos de artesãos e ONG‘s, que ao mesmo tempo retiram “lixo” do meio ambiente e o transformam em “arte” consumível. Com eles são confecionados principalmente bolsas, malas, estojos e capas para agenda, fichários, etc.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Bolsa confeccionada com Câmara de Pneu de Automóvel - Autor Desconhecido

Pneus O

principal

produto

produzido

a partir da borracha é o pneu, que Porta Lápis em disco de Vinil - Design de Michael Bome Antoinet Deurloo

ambientais

Discos de Vinil

diversos após

problemas

seu

descarte.

Uma das soluções para a grande quantidade de pneus descartados

Depois que os discos de vinil tornaram-se

diariamente é a reciclagem e outra

ultrapassados, substituidos por novas tecnologias,

é o reaproveitamento.

começaram a surgir peças artesanais confeccionas com

No reaproveitamento encontramos

este material, que apresenta características estéticas

hoje

interessantes como o brilho e a maleabilidade ao ser Bancos em Pneu - ONG Arte em Pneus - São Paulo (SP) - Design de Daniel Beato

trabalhado com aquecimento.

gera

diversos

exemplos

que

se

caracterizam como procedimentos sustentáveis

para

produção

de

inúmeras utilidades.

• Um deles é o projeto ambiental e social “Arte

em Pneus” que foi desenvolvido, no ano de 2004, pelo designer Daniel Beato a pedido da Goodyear do Brasil, para contemplar os princípios da ecoeficiência, os quais buscam a Luminária com Vinil e Galão de Plástico do Ateliê Bom Design

Fruteira de Vinil Artesanal

utilização de recursos naturais de forma consciente e eficiente buscando a melhor disposição do lixo gerado, baseados no

45


46

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Calçados feitos de Pneu da Empresa Brasileira Goóc

princípio dos 3’Rs: reduzir, reciclar e reutilizar. Neste projeto, o conceito principal foi retirar pneus do meio ambiente e dar acesso as pessoas envolvidas no projeto (principalmente jovens e adolescentes) à criação e produção de móveis emborrachados, no intuito de promover o desenvolvimento social e a conscientização ambiental na região.

Outro exemplo, este já em escala industrial,

é o reaproveitamento de pneus para confecção de

Objetos Utilitários feitos com Pneu - Coleção Atropelados da Nó Design - São Paulo (SP)

calçados pela empresa brasileira Goóc, cuja proposta foi desenvolver uma marca exclusiva, com características de sustentabilidade ambiental e social a partir de material descartado como lixo. Hoje apresenta-se como uma empresa caracterizada pela criatividade e originalidade, criando produtos muito bem aceitos pelo público interessado no comsumo sustentável.

“Vaso Goma” feito de câmaras de pneus de motocicleta grupo Notech)

design de

Tetê Knecht (do


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Acima e ao Lado: Luminárias com Materiais Recicláveis (Latas de aço e Garrafa PET) - 10Lugar na Categoria Estudante do Concurso OndAzul Design Recult 2005 - Rio de Janeiro (RJ) Design de Jonas Carnelossi (SP)

Metais Latas de Aço Reutilizar a lata de aço

é

de

uma

forma

economizar

energia,

matéria-

prima e tratamento do lixo. As latas de Bolsas com Latas de Aço Revestida com Ripas de Madeira - Design de Milena Peres e Pomba Valente - São Paulo (SP)

aço e

são

recicláveis

biodegradáveis

em cerca de 10 anos. Como são muito resistentes, tornam-se um material duro para ser trabalhada pelos artesãos, por isso o artesanato com esse tipo de latas consiste em decorá-las e usá-las como utilitários, tais quais porta lápis, porta trecos ou somente como peças decorativas.

47


48

Brasil nas M達os: Design + Artesanato

Malas Produzidas com Metais Reutilizados - ONG Reciclar T3 - Belo Horizonte (MG)


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Latinhas de Aluminio

O artesanato com latinhas de aluminio é

uma técnica tipicamente urbana pelo motivo de que nesses locais o consumo de produtos com esse tipo de embalagem é muito alto. Material reciclável e leve o alumínio gera renda para catadores e cooperativas de reciclagem, e também se torna material interessante para criação nas mãos dos artesãos, que veêm neste uma ótima fonte de renda, já que o lucro com o artesanato é maior do que com a venda da matéria-prima aos recicladores. O artesão Renato Hilário, de Tramandaí - RS obtém na produção de réplicas de utensilios domésticos R$ 3,00 em peças com uma única latinha, sendo que um catador tem que juntar 65 latinhas para render a mesma quantia.

Miniaturas

de

réplicas

de

utensílios

domésticos, tais como: chaleira, bule, frigideira, açucareiro, dentre outros, bem interessantes e valorizados pelos compradores; há ainda a produção de bijouterias e acessórios que são mais comuns, onde são elaborados: colares, brincos, pulseiras,

O Artísta Plástico Olavo Torquato (na foto) de Ouro Preto (MG) executa artesanato usando somente latinhas de alumínio

anéis, bolsas, carteiras, cintos, etc e que têm como características principais serem peças leves e que não perdem o brilho.

49


50

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Recipientes de Vidro Feitos com cacos de Vidro Aglutinados - “Linha gotas” dos Designers Elizaveth e Eduardo Prado - São Paulo (SP) -

Peças decorativas e utilitárias produzidas com Vidro Reutilizado pelo Artísta Plástico Paulo Vergueiro - Rio de Janeiro (RJ)

Vidros

O vidro é uma matéria prima 100 % reciclável,

de alto brilho e transparência. Muitas embalagens para alimentos e bebidas são confeccionadas em vidro, que voltam rapidamente para a reciclagem, gastanto muita energia neste processo. Reutilizar as embalagens de vidro sem transformá-la é possível dentro das artes plásticas e do design na criação de peças bastante originais. Alguns designers e artistas encontram nesse sentido uma nova leitura e possibilidades de emprego para este material.

Luminária feita com garragas azuis de vinho- Design de Júlio Sannazzaro


Brasil nas MĂŁos: Design + Artesanato

As matĂŠrias-primas

51


52

52

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Para que cada objeto projetado seja coerente com a proposta do designer é essencial a escolha consciente

da matéria-prima a ser empregada na produção do desenho antes imaginado. A forma e a função combinadas com o aspecto visual e com a textura do produto podem garantir o sucesso do projeto frente ao consumidor. É necessário se ter uma maior aproximação com as matérias-primas disponíveis: tanto com aquelas mais utilizadas na atualidade pelas indústrias, para que sejam conhecidas suas vantagens e desvantagens bem como aquelas menos exploradas, que são pouco ou quase nada utilizadas. É favorável ao meio ambiente e à sociedade, com toda essa problemática do desenvolvimento sustentável, o conhecimento de possibilidades para emprego de “materiais alternativos”, principalmente os recursos renováveis em abundância no Brasil, ou seja, aqueles de origem natural vegetal. Assim são muitas as possibilidades na escolha da matéria-prima para um mesmo objeto e o fundamental é ter em mente a resolução de qual idéia busca-se representar, qual o conceito implicito no objeto, e ainda quais suas possibilidades estéticas, formais, ergonômicas, ecológicas e mercadológicas.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

53


54

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Argila ou Barro

A argila é extraída de uma rocha sedimentar, constituída por pequenas partículas acumuladas e depositadas no solo ao longo de milhares de anos. Ao contrário das outras rochas, esta não é dura e pode ser removida com alguma facilidade. A argila, ou barro, misturada com água, forma uma pasta facilmente modelável. É também necessário que seja devidamente limpa de impurezas. Existem vários tipos de argila, conforme a sua composição: a argila branca, argila vermelha, argila amarela e argila cinzenta. As mais utilizadas para modelar são a vermelha e a cinzenta. É uma matéria-prima usada há milhares de anos.

No caso do nosso Brasil, a utilização do barro tornou-se tradição em algumas zonas do país. Hoje em dia, a produção artesanal está sendo resgatada e novamente valorizada, onde são produzidas peças tradicionais, que reproduzem com fidelidade modelos de outras épocas, bem como peças inovadoras, que fazem uma releitura das peças inserindo nessas novos valores, sem perder a essência do artesanato. Isso é possível através do trabalho conjunto de artesãos e designers que atuam como consultores, propondo novos olhares sobre a matéria-prima.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

1050ºC e apresenta-se em cor branca. É importante controlar o seu grau de óxido de ferro, que nunca deve ultrapassar 1%, se passar esta percentagem vai parecer marfim.

Argila Refratária

Esta argila é resistente ao calor, e por isso

apresenta um ponto de fusão alto, entre os 1600 e os 1750ºC. Trata-se de uma argila muito pura que praticamente não tem ferro. Depois da sua cozedura a

Tipos de argila Caulim ou Argila da China

sua cor é variada desde o creme ao cinzento.

Argila para Grês

Trata-se de uma argila plástica e refratária

Argila primária que se utiliza para fazer peças

vitrificando por volta dos 1250-1300ºC. Depois da sua

de porcelana. Apresenta uma cor branca tanto em crua

cozedura a sua cor pode variar desde o cinzento claro

como em cozida. Funde por volta dos 1800ºC, e para

ao cinzento escuro; desde o amarelado ao castanho.

baixar o seu ponto de fusão, misturam-se materiais

Argila Vermelha

fundentes. Só se pode trabalhar em moldes. Têm de ser lavada por ter impurezas.

É muito plástica e fundível, esta argila também

Argila de Bola

contém uma percentagem muito grande de óxido de

É uma argila secundária e é caracterizada

funde a partir desse ponto, podendo ser usada como

pela sua plasticidade, torna-se pegajosa quando está

verniz de grés. É vermelha quando esta húmida e

molhada. Para ser trabalhada deve-se misturar com

castanha depois de cozida.

ferro. Suporta temperaturas até aos 1100ºC, e só

outras argilas , por exemplo com o caulim. Perde cerca

Bentonito

de 20% de volume durante a contracção e vitrifica aos 1300ºC.

Argila para Louça

Utiliza-se no fabrico das pastas para louça

industrial. A sua cozedura deve de ser feita a 900º-

Trata-se de uma argila muito plástica e

vulcânica. È oleosa e pode aumentar de 10 a 15 vazes o seu volume quando entra em contacto com a água. Mistura-se nas pastas cerâmicas para aumentar a sua plasticidade e funde por volta dos 1200ºC.

55


56

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Técnicas de Modelagem Manual em Argila

melhora aderência um ao outro. Dar acabamento com a ajuda de um teque ou de uma espoja úmida para “alisar” a peça e deixar secar ao ar livre.

Técnica da Placa ou Prancha

Técnica da Bola

Com este processo podemos modelar peças

a partir de uma bola de argila. Este método è um processo simples e por exemplo é bom para fazer tigelas e chávenas. O processo é simples pois basta colocar uma bola de argila amassada e úmida sobre a palma de uma das mãos, segurando-a sem pressionar. Em seguida é só, “cravar” o polegar da outra mão no centro da bola e apertar a argila entre o polegar e o indicador, fazendo-a girar na mão e abrindoa gradualmente até a obtenção da forma desejada. Trata-se de um trabalho que requer delicadeza.

Técnica do Rolo

Com este método é possível modelar qualquer

de um rolo de massa, ripas e retalhos de lona. Fazse então rolo grosso de argila que é colocado sobre a tela junto a uma das ripas, mas sem a tocar. Vai-se colando outros rolos, todos de lado a lado, até se atingir a largura necessária. Em seguida unem-se os rolos de argila com os polegares de ambas as mãos, e passase o rolo da massa por cima deles, começando-se do centro para a frente e depois para trás. No momento em que as extremidades do rolo da massa rolarem sobre as tiras de madeira, a placa de argila terá a espessura necessária e estará completa esta fase. Para continuar este trabalho deve-se esperar que a placa de argila adquira uma dureza semelhante ao do couro.

Técnica de Tiras

tipo de peças. Esta técnica é feita através de rolos de argila que podem ser grossos ou finos de acordo com a espessura das peças desejadas. Os rolos são feitos a partir de bolas de argila, e que no início não devem ter mais de 25 cm de comprimento, cuidando para que todos os rolos a serem utilizados tenham a mesma espessuera. Antes de começar o trabalho deve-se calcular o número de rolos necessários para a sua realização.

Nesses rolos, que devem ser sobrepostos,

devem-se fazer ranhuras para que tenham uma

Para preparação das placas deve-se dispor

Esta técnica de modelagem é semelhante à

técnica de placas. No inicio do processo a técnica é a mesma, porque em ambas são necessárias tiras de argila. As tiras não devem ter mais de 3 cm de largura, pois se forem mais largas podem partir-se quando forem colocadas na base. Antes de começar a trabalhar devese verificar se o rolo da massa, as ripas e a lona estão bem limpas, pois qualquer pedacinho de argila seca pode causar deformações na peça e deixar marcas.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Potes Utilitários Cerâmica de Grês

Vasos Utilitários e Ornamentais Cerâmica de porcelana

Cerâmica utilitária e figurativa (Aplicação de Textura de Renda no Molde) da Designer Heloísa Crocco

Cerâmica

Produzir objetos em argila é uma técnica

milenar, que veio pouco a pouco sendo aperfeiçoada e pode ser considerada como uma herança das culturas indígena, africana e ibérica.

Caldeirão Utilitário Cerâmica de Olaria

O barro é moldado com as mãos, trabalhado

em tornos rústicos e depois cozido no fogo de lenha transformando-se em potes, vasos, panelas, travessas, pratos, moringas etc. A partir da argila pura ou da mistura com outros minerais é possível a produção de objetos com as seguintes técnicas em cerâmica: olaria, olaria vidrada, faiança, grês e porcelana. Arte Decorativa Cerâmica de Olaria Vidrada

Vaso Decorativo e Utilitário Cerâmica de Faiança

57


58

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Bonecas de Barro do Ceará

Cerâmicas Figurativa de Mestre Vitalino

Cerâmica Figurativa e Cerâmica Utilitária: A cerâmica figurativa é um tipo de arte espalhado por todo

Galinha de Angola em Argila pintada à mão - Artesanato Popular do Nordeste

o mundo e caracteriza-se por expressar os modos de vida da população local. As peças retratam os costumes, os rituais religiosos e lúdicos e as fantasias e cenas do cotidiano. São uma importante

fonte

de

registro

histórico e objetos de análise Cerâmica Figurativa Típica do Nordeste

artísticos.

Bonecas em Cerâmica - Artesanato Popular de Campo Alegre no Vale Jequitinhonha (MG)


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Releituras Atuais da Tradicional Cerâmica Marajoara empregando Cores

Vaso para inalar Alucinógenos - Cultura Marajoara

Tapa Sexo - Cultura Marajoara

A cerâmica utilitária está ligada às tradições

e ao artesanato onde é produzida. É a que produz utensílios domésticos com os diversos tipos de cerâmica existentes, podendo ainda ser utilitária e figurativa ao mesmo tempo. Apesar de toda a tradição do seguimento, atualmente tem sido gradativamente substituida em diversos lugares do mundo pelos utensílios de alumínio, plástico e outros novos materiais, passando a ser utilizada como objeto decorativo. Vasos em Cerâmica Figurativa e Utilitária - Arte Marajoara -Típica da Região Norte do Brasil

• Em Piranhas-AL a cerâmica utilitária é uma

prática herdada pela população descendente dos índios Cariris.

59


60

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Panelas de Cerâmica - Modeladas Manualmente e Tingidas com Corante Natural de Tanino após o cozimento do Barro, o que às impermeabiliza e protege contra fungos Produzidas pela “Associação das Paneleiras de Goiabeiras” - Goiabeiras - Vitória (ES)

Em

Abaré-BA

a

argila

empregada

na

confecção dos utensílios é encontrada nos próprios Cerâmica Figurativa - Cultura Tapajônica - Região Norte do Brasil

locais de trabalho dos oleiros (a Fazenda Favela) e se

• Na cidade de Porto da Folha-SE, a Ilha de

apresentam em tonalidades variadas, de acordo com o

São Pedro produz um artesanato utilitário feito pelas

teor de oxido de ferro utilizado e as cores usualmente

mulheres descendentes dos índios Xocós.

empregadas são o vermelho e o preto.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

61


62

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Corantes Naturais

Um corante natural é uma substância corada extraída por processos fisico-químicos (dissolução, precipitação, entre outros) ou bioquímicos (fermentação) de uma matéria-prima animal ou vegetal. Esta substância deve ser solúvel no meio líquido onde vai ser mergulhado o material a se tingir. As plantas são as fontes principais para a obtenção dos corantes naturais, mas eles podem ser obtidos também dos insetos. O processo consiste em obter o corante natural e misturá-lo ao mordente (composto que auxilia a fixar a tinta sobre a fibra que está sendo tingida), que interfere na cor final do material. Uma vez conseguidas as cores primárias, as secundárias são obtidas através de banhos sucessivos em dois ou mais corantes.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

63


64

64

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Processo de Tingimento

adiciona-se isto ao pote, misturando bem com uma vara. O líquido fica assim por 3–4 dias. Adiciona-se de 0.5

Aproximadamente 500 g de material corante

kg de algodão limpo e úmido (ou outra fibra natural) e

como flores, folhas, raízes, cascas, frutos e líquens

misture-se com cuidado. Quanto mais tempo o algodão

são suficientes para encher metade de um balde de

for deixado no pote, mais forte a cor se tornará.

20 litros. O material vegetal deve ser fervido em

água durante aproximadamente uma hora até que o

uma hora e escoa-se o líquido com cuidado. Quando

corante fique com uma cor escura e a seguir retira-se

o algodão é retirado do pote, possui um odor muito

o material vegetal da água já fervida.

desagradável e portanto necessita ser lavado e

enxaguado várias vezes, até que o odor desapareça.

O tecido que ficou no mordente deve então

ser enxagüado com água limpa e a seguir colocado molhado no corante quente. O corante deve ficar a uma temperatura quase fervente, e a mistura permanece assim por algum tempo. O tecido precisa ser mexido suavemente para que o tingimento seja feito por igual e alí permanecer mergulhado por pelo menos meia hora, podendo aumentar conforme a intensidade de cor desejada para o tecido. Finalmente o material é retirado e enxagüado por várias vezes até a água ficar clara. Depois é lavado com sabão e posto à secar.

Tingimento com Anil

O anil é muito conhecido na África Ocidental como

um corante azul escuro e forte. As plantas podem ser cultivadas especialmente para tingimento apesar de que em muitos países elas crescem de maneira selvagem. O anil não precisa de mordentes, produtos químicos ou de ser fervido. É extraído de folhas frescas que são colocadas de molho em urina fermentada. O processo consiste em colocar 5 litros de urina em um pote e cobrilá com uma tampa firme e deixá-la num local aquecido para fermentar por seis semanas. A seguir, triturase aproximadamente 1 kg de folhas frescas de anil e

Retira-se o algodão depois de aproximadamente

Alguns corantes úteis de plantas Material da planta; Mordente; Cor Folhas de eucalipto (goma azul); alume; amarelo Folhas de eucalipto (goma azul); casca de eucalipto e sulfato de cobre; verde/marrom Cascas de grenadilha (maracujá); alume ou cromo; marrom Cebola (casca marrom externa sem uso); alume ou creme de tártaro; amarelo Cascas de nozes (frescas ou secas); não é necessário; marrom escuro Anil (um vegetal); não é necessário; azul escuro Cascas de soja preta; não é necessário; violetamarrom; Grãos de soja preta; água ferrosa; cinza prateado Cascas vermelhas de amendoim; casca de eucalipto e sulfato de cobre; vermelho/marrom Cascas de manga e caroços ou folhas; casca de eucalipto e alume; amarelo Cascas de manga e caroços; casca de eucalipto e sulfato de cobre; marrom/laranja Cascas de milho (variedade necessário; púrpura

vermelha);

não

é

Sorgo vermelho (folhas bemamassadas); suco de limão e cinza de vegetais; vermelho


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

65


66

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Madeiras A madeira maciça, enquanto trabalhada sob a forma de peças serradas, apresenta excelentes propriedades físicas mas também muitas irregularidades das quais derivam boa parte das falhas de comportamento. Visando minimizar estes defeitos, foram desenvolvidos processos capazes de reestruturar a madeira como material e torná-la mais homogênea, resultando numa madeira “transformada”, que reduz madeira maciça à fragmentos menores e reagrupa-os com “adesivos”, uniformizando-se assim grande parte das características do produto.

Muitos produtos de madeira transformada são empregados atualmente pela indústria: compensados, laminados, painéis de fibra reconstituídos (MDF) e aglomerados.

Com a crescente preocupação ambiental, surgiu a idéia de se estabelecer normas para a exploração dos recursos naturais para garantir sua sustentabilidade. Quando o material em questão é a madeira, torna-se imprescíndivel, atualmente, a utilização de “madeira certificada”, pois nesta estão “agregados” uma série de procedimentos e valores que tratam do manuseio e comercialização sustentáveis do material. Uma dessas certificações é o selo verde FSC - sigla em inglês para a palavra Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal, em português. O FSC é hoje o selo verde mais reconhecido em todo o mundo, com presença em mais de 75 países e todos os continentes. Atualmente, os negócios com produtos certificados geram negócios da ordem de 5 bilhões de dólares por ano em todo o globo. O Brasil é hoje o país com maior área de florestas e o maior número de produtos certificados pelo FSC.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Aglomerados

As chapas de madeira aglomerada ou somente

aglomerado, pertencem à família dos painéis de madeira reconstituída, do qual também fazem parte o MDF, HDF, Chapa de fibra e OSB. O Aglomerado é uma chapa

superfície e bordas grosseiras; baixa usinabilidade (a

produzida com partículas de madeira selecionadas

usinabilidade confere a madeira a possibilidade de ser

de pinus e/ou eucalipto, aglutinadas com cola (resina

entalhada, receber bordas e ser torneada); por suas

sintética), calor e pressão. Isto o difere do MDF e das

características técnicas, pode esfarelar com o uso

chapas de fibra que são produzidos com fibras de madeira.

de dobradiças e parafusos inadequados; não aceita

Desta forma, são chapas não homogêneas, apresentando

pregos; baixa resistência à umidade.

três camadas (uma interna e duas externas). O aglomerado de partículas possui uma grande versatilidade, no que diz respeito as suas potenciais aplicações.

Suas principais características são: densidade

igual ou maior que a da madeira (característica que lhe dá maior resistência); matéria-prima homogênea, feita com madeira de reflorestamento (o processo retira nós e imperfeições da madeira, evitando que rache ou deforme, aumentando a resistência); baixo custo; resistência maior às pragas (cupins e brocas);

67


68

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

junções com vantagens em relação à madeira natural, já que não possui nós, veios reversos e imperfeições típicas do produto natural. É um material com várias aplicações e substitui com vantagens o aglomerado e a própria madeira maçica, em muitas delas. É considerada uma madeira ecológica, por utilizar sobras de madeira criando novas chapas. No entanto, existe uma preocupação quanto ao uso de formaldeído nas resinas empregadas na confecção de MDF e os riscos de saúde envolvidos. Por esse motivo há pesquisas em andamento para o desenvolvimento

M.D.F. (Medium Density Fiberboard) ou Madeira de Média Densidade É um mateirial derivado da madeira. O MDF é fabricado através da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e outros aditivos. O material é moldado em painéis lisos sob alta temperatura e pressão. Para a obtenção das fibras, a madeira é cortada em pequenos cavacos que, em seguida, são triturados por equipamentos denominados desfibradores. A maioria de seus parâmetros físicos de resistência são superiores aos da madeira aglomerada, caracterizandose, também, por possuir boa estabilidade dimensional e grande capacidade de usinagem.

A

homogeneidade

proporcionada

de novas resinas menos nocivas.

O MDF é oferecido ao mercado basicamente

com três acabamentos: chapas cruas, chapas com revestimento laminado de baixa pressão e chapas com revestimento finish foil e encontrado em espessuras das chapas variam de 3 mm até 60 mm. Destinase, principalmente, à indústria moveleira. O uso do MDF é freqüente como componente de móveis para partes que requerem usinagens especiais. Destacase a fabricação de pés de mesa, caixas de som, componentes frontais, internos e laterais de móveis, fundos de gaveta e tampos de mesa. Na construção civil, pode ser utilizado como pisos finos, rodapés, almofadas de portas, divisórias, portas usinadas, batentes, balaústres e peças torneadas. Na indústria

pela

distribuição uniforme das fibras possibilita ao MDF acabamentos do tipo envernizado, pinturas em geral ou revestimentos com papéis decorativos, lâminas de madeira ou PVC. Podem também ser executadas

gráfica ela também é utilizada para confecção de facas para estampas em materiais diversos.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Madeira Plástica ou Ecológica

Os resíduos plásticos constituem um importante

fator na questão do lixo sólido como um todo e representam um desafio à sustentabilidade do meio ambiente. Uma solução para este desafio é produção da chamada Madeira Plástica ou Ecológica, que alia aspectos ecológicos, econômicos e sociais.

A madeira-plástico é a composição de resíduos

descartáveis da atividade madeireira (serragem por exemplo), com o polietileno de baixa densidade (plástico) que funciona como aglutinante, dando liga à composição. Exitem variações quanto à composição da madeira plástica:

Utilizações e Vantagens

O aproveitamento de serragem e sobras de

madeira na confecção de aglomerados e eucatex já existia, mas a adição do plástico como aglutinante nessa composição é um avanço que possibilita diversas aplicações industriais, vejamos:

algumas fabricantes usam outros resíduos industriais

para darem volume à mistura, tais como: resíduos de

resistência à umidade a madeira-plástico mostra qualidade

algodão, fibra do coco babaçu, palha de arroz, fibra de

superior aos aglomerados já existentes no mercado;

vidro, bagaço de cana, papel, pneus, etc. e também de plásticos dos mais variados tipos. Além do mais a própria madeira plástica pode ser empregada nesta composição, para isto basta que ela seja granulada e levada de volta a prensa, pois é 100 % reaproveitável.

• Grande impermeabilidade: Em testes de

• Resistente à impactos: em ferrovias, resiste a

cargas de até 80 toneladas, que reduziriam dormentes convencionais a maços de farpas e amortece as vibrações que esmerilham rolamentos nas rodas dos trens, coisa que um bloco de concreto não faz;

69


70

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

• Vantagem estética em suas colorações apenas

pela inclusão de pigmentos ao plástico granulado, que imitam os vários tons de madeiras;

• Facilidade para ser serrada, parafusada e

pregada;

• Mais resistentes à fungos: É que, ao contrário

a madeira natural, a plástica vem de fábrica imunizada contra fungos, cupins e outras pragas;

• Menor custo: o custo de produção de objetos

que utilizam esses materiais pode ser reduzido em até 500% se comparado aos materiais concorrentes;

• A madeira ecológica tem um mercado

extremamente

amplo,

podendo

ser

usada

com

vantagens para quase todos os fins da madeira comum e/ou plástico.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

As Nossas Madeiras

No Brasil temos o privilégio de dispormos da biodiversidade vegetal e animal. O cuidado ao se escolher

um determinado tipo de madeira maçica deve estar na análise de seus critérios de qualidade ambiental, ou seja, verificando se há ou não certificações, tal qual o selo verde SFC para utilização dessas madeiras.

Segue, portanto uma lista com as madeiras tipicamente brasileiras, para que tenhamos noção do valor

de nossa biodiversidade. Estão listadas em ordem alfabética, citando ordenadamente: Nome científico NOME POPULAR - Cidade - Estado onde são encontradas.

Acacia polyphylla - MONJOLEIRO - Tucumã-PA; Acioa edulis - CASTANHA-DE-CUTIA - Juruá-Solimões-

AM; Acioa sp. - ANOERÁ-FERRO - Juruá-Solimões-AM; Alexa grandiflora - MELANCIEIRA - Santarém-PA; Allantoma lineata - Seru - Flona de Caxiuanã-PA; Amburana acreana - CEREJEIRA - Floresta Nacional do JamariRO; Anacardium giganteum - CAJUAÇU - Floresta Nacional do Jamari-RO; Anacardium microcarpum - CAJUAÇU - Juruá-Solimões-AM;Anacardium parvifolium - CAJUAÇU - Juruá-Solimões-AM; Anacardium spruceanum CAJUAÇU - Santarém-PA; Anacardium tenuifolium - CAJUÍ - Juruá-Solimões-AM; Andira retusa - ANDIRA-UXI - Juruá-Solimões-AM; Andira sp. - ANGELIM-TINTO - Juruá-Solimões-AM; Aniba canelilla - CASCA-PRECIOSA Curuá-Una-PA; Apeiba echinata - PAU-DE-JANGADA - Santarém-PA; Apuleia molaris - GARAPA - Tucumã-PA; Aspidosperma desmanthum - ARARACANGA - Flona de Caxiuanã-PA; Aspidosperma macrocarpon - PEROBA Floresta Nacional do Jamari-RO; Astronium gracile - AROEIRA - Curuá-Una-PA; Astronium lecointei MUIRACATIARA-RAJADA - Belém-PA; Astronium lecointei - MUIRACATIARA-RAJADA - Curuá-Una-PA; Astronium ulei - MUIRACATIARA - Curuá-Una-PA; Bagassa guianensis - TATAJUBA - Belém-PA; Beilschmiedia brasiliensis - ANOERÁ-FERRO - Juruá-Solimões-AM; Bertholletia excelsa - CASTANHEIRA - Santarém-PA; Bixa arborea URUCU-DA-MATA - Santarém-PA; Bowdichia nitida - SUCUPIRA - Belém-PA; Bowdichia nitida - SUCUPIRA Curuá-Una-PA; Bowdichia nitida - SUCUPIRA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Brosimum acutifolium - MURURÉ - Buriticupu -MA; Brosimum acutifolium - MURURÉ - Santarém-PA; Brosimum alicastrum - JANITÁ - Curuá-UnaPA; Brosimum parinarioides - AMAPÁ-DOCE - Santarém-PA; Brosimum potabile - AMAPÁ-DOCE - Santarém-PA; Brosimum rubescens - CONDURU / PAU-VERMELHO - Santarém-PA; Brosimum rubescens - CONDURU / PAUVERMELHO - Flona de Caxiuanã-PA; Brosimum sp. - GARROTE - Juruá-Solimões-AM; Brosimum utile - JANITÁ / GARROTE - Juruá-Solimões-AM; Buchenavia capitata - TANIMBUCA - Tucumã-PA; Buchenavia cf. viridiflora TANIBOCA - Juruá-Solimões-AM; Buchenavia grandis - CUIARANA - Juruá-Solimões-AM; Buchenavia huberi -

71


72

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

CUIARANA - Santarém-PA; Buchenavia sp. - TANIMBUCA - Santarém-PA; Buchenavia sp. - TANIMBUCA - JuruáSolimões-AM; Calophyllum brasiliense - JACAREÚBA - Belém-PA; Caraipa densifolia - CAMAÇARI - Flona de Caxiuanã-PA; Caraipa densifolia - CAMAÇARI - Juruá-Solimões-AM; Carapa guianensis - ANDIROBA - Belém-PA; Carapa guianensis - ANDIROBA - Santarém-PA; Carapa guianensis - ANDIROBA - AM; Cariniana micrantha TAUARI - Floresta Nacional do Jamari-RO; Caryocar glabrum - PEQUIARANA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Caryocar sp. - MURURERANA - Belém-PA; Caryocar villosum - PEQUIÁ - Tucumã-PA; Cassia fastuosa CANAFÍSTULA - Buriticupu -MA; Cassia scleroxylon - MUIRAPIXUNA - Curuá-Una-PA; Castilla ulei - CAUCHO Tucumã-PA; Cedrela odorata - CEDRO - Floresta Nacional do Jamari-RO; Cedrela sp. - CEDRO - Belém-PA; Cedrelinga catenaeformis - CEDRORANA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Ceiba pentandra - SUMAÚMA Santarém-PA; Chrysophyllum prieurii - MAÇARANDUBARANA - Juruá-Solimões-AM; Clarisia racemosa GUARIÚBA - Curuá-Una-PA; Clarisia racemosa - GUARIÚBA - Juruá-Solimões-AM; Copaifera duckei - COPAÍBA - Santarém-PA; Copaifera multijuga - COPAÍBA - Juruá-Solimões-AM; Copaifera reticulata - COPAÍBA - SantarémPA; Copaifera sp. - COPAÍBA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Copaifera sp. - COPAÍBA - Juruá-Solimões-AM; Copaifera sp. - COPAÍBA - Belém-PA; Cordia bicolor - FREIJÓ - Santarém-PA; Cordia goeldiana - FREIJÓ Santarém-PA; Cordia sagotii - FREIJÓ - Santarém-PA; Cordia sp. - FREI-JORGE - Belém-PA; Couepia robusta CASTANHA-DE-CUTIA - Flona de Caxiuanã-PA; Couratari guianensis - TAUARI - Santarém-PA; Couratari oblongifolia - TAUARI - Curuá-Una-PA; Couratari oblongifolia - TAUARI - Santarém-PA; Couratari stellata TAUARI - Santarém-PA; Dacryodes sp. - BREU-BRANCO - Juruá-Solimões-AM; Dialium guianense - JATAIPEBA - Curuá-Una-PA ; Dialium guianense - JATAIPEBA - Juruá-Solimões-AM; Diclinanona calycina - EMBIRA-PRETA - Santarém-PA; Dicorynia guianensis - ANGÉLICA - Juruá-Solimões-AM; Dinizia excelsa - ANGELIM-VERMELHO - Curuá-Una-PA; Diploon venezuelana - ABIURANA-SECA - Curuá-Una-PA; Diplotropis purpurea - SUCUPIRA Floresta Nacional do Jamari-RO; Dipteryx odorata - CUMARU - Curuá-Una-PA; Dipteryx odorata - CUMARU Floresta Nacional do Jamari-RO; Drypetes variabilis - PAU-BRANCO - Curuá-Una-PA; Endopleura uchi - UXI Curuá-Una-PA; Enterolobium maximum - TAMBORIL - Curuá-Una-PA; Enterolobium maximum - TAMBORIL Santarém-PA; Enterolobium schomburgkii - FAVA-ORELHA-DE-NEGRO - Curuá-Una-PA; Eriotheca longipedicellata - SUMAÚMA-DA-TERRA-FIRME - Santarém-PA; Erisma uncinatum - CEDRINHO - Curuá-Una-PA; Erisma uncinatum - CEDRINHO - Santarém-PA; Eschweilera cf. fracta - MATAMATÁ - Juruá-Solimões-AM; Eschweilera coriacea - MATAMATÁ - Juruá-Solimões-AM; Eschweilera longipes - MATAMATÁ - Juruá-Solimões-AM; Eschweilera odora - MATAMATÁ - Juruá-Solimões-AM; Eschweilera sp. - MATAMATÁ - Curuá-Una-PA; Eschweilera sp. -


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

MATAMATÁ - Juruá-Solimões-AM; Euxylophora paraensis - PAU-AMARELO - Belém-PA; Euxylophora paraensis - PAU-AMARELO - Buriticupu -MA; Ficus insipida - FIGUEIRA / GAMELEIRA - Tucumã-PA; Franchetella gongripii - ABIURANA-BRANCA - Curuá-Una-PA; Glycydendron amazonicum - GLÍCIA - Curuá-Una-PA; Goupia glabra CUPIÚBA - Curuá-Una-PA; Goupia glabra - CUPIÚBA - Juruá-Solimões-AM; Guatteria olivacea - EMBIRA-PRETA - Curuá-Una-PA; Guatteria olivacea - EMBIRA-PRETA - Juruá-Solimões-AM; Guatteria procera - EMBIRA-PRETA - Curuá-Una-PA; Hura crepitans - AÇACU - Flona de Caxiuanã-PA; Hymenaea courbaril - JATOBÁ - Curuá-UnaPA; Hymenaea parvifolia - JATOBÁ / JUTAÍ-DO-CAMPO - Curuá-Una-PA; Hymenolobium modestum - ANGELIMPEDRA - Curuá-Una-PA; Hymenolobium nitidum - ANGELIM-PEDRA - Juruá-Solimões-AM; Hymenolobium petraeum - ANGELIM-PEDRA - Flona de Caxiuanã-PA; Hymenolobium pulcherrimum - ANGELIM-PEDRA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Hymenolobium sp. - ANGELIM - Flona de Caxiuanã-PA; Inga alba - INGÁ / INGÁ XIXI - Curuá-Una-PA; Inga paraensis - INGÁ - Curuá-Una-PA; Inga sp. - INGÁ - Curuá-Una-PA; Iryanthera grandis - UCUUBARANA - Santarém-PA; Iryanthera sp. - UCUÚBA - Santarém-PA; Jacaranda copaia - CAROBA / PARAPARÁ - Santarém-PA; Joannesia heveoides - CASTANHA-DE-ARARA - Santarém-PA; Laetia procera - PAUJACARÉ - Santarém-PA; Laetia procera - PAU-JACARÉ - Buriticupu -MA; Lecythis idatimon - MATAMATÁ / SAPUCAIA AMARGOSA - Curuá-Una-PA; Lecythis pisonis subsp. usitata - SAPUCAIA / SAPUCAIA VERMELHA Curuá-Una-PA; Licania gracilipes - CARAIPERANA - Juruá-Solimões-AM; Licania oblongifolia - MACUCU-BRANCO - Juruá-Solimões-AM; Licania octandra - CARAIPÉ - Curuá-Una-PA; Licaria rigida - LOURO-AMARELO - CuruáUna-PA; Lueheopsis duckeana - AÇOITA-CAVALO - Santarém-PA; Lueheopsis duckeana - AÇOITA-CAVALO Curuá-Una-PA; Maclura tinctoria - AMORA / AMOREIRA - Tucumã-PA; Macrolobium acacifolium - ARAPARI Juruá-Solimões-AM; Macrolobium sp. - ARARAPARI - Juruá-Solimões-AM; Macrosamanea pedicellaris - INGADE-PORCO - Tucumã-PA; Malouetia duckei - SORVA - Curuá-Una-PA; Manilkara amazonica - MAÇARANDUBA Curuá-Una-PA; Manilkara huberi - MAÇARANDUBA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Manilkara sp. MAÇARANDUBA - Belém-PA; Maquira sclerophylla - MUIRATINGA - Santarém-PA; Marmaroxylon racemosum ANGELIM / ANGELIM-RAJADO - Flona de Caxiuanã-PA; Mezilaurus itauba - ITAÚBA / ITAÚBA-VERMELHA Belém-PA; Mezilaurus itauba - ITAÚBA / ITAÚBA-VERMELHA - Santarém-PA; Mezilaurus lindaviana - ITAÚBA Santarém-PA; Micrandra minor - CAUCHORANA - Juruá-Solimões-AM; Micrandra rossiana - SERINGARANA Juruá-Solimões-AM; Micropholis guyanensis - ABIURANA-MANGABARANA - Juruá-Solimões-AM; Micropholis mensalis - ABIURANA-BRANCA - Juruá-Solimões-AM; Micropholis venulosa - ROSADINHO - Curuá-Una-PA; Mouriri callocarpa - MIRAÚBA - Flona de Caxiuanã-PA; Myrocarpus frondosus - PAU-BÁLSAMO - Buriticupu -MA;

73


74

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Nectandra cuspidata - CANELA/LOURO-TAMANCO - Juruá-Solimões-AM; Nectandra rubra - LOURO-VERMELHO - Santarém-PA; Ocotea barcellensis - LOURO-MAMORIM - Belém-PA; Ocotea costulata - ABACATIRANA - JuruáSolimões-AM; Ocotea fragrantissima - LOURO-PRETO - Juruá-Solimões-AM; Ocotea neesiana - LOURO-PRETO - Curuá-Una-PA; Ocotea sp. - LOURO - Curuá-Una-PA; Ocotea sp. - LOURO - Flona de Caxiuanã-PA; Ocotea sp. - LOURO - Juruá-Solimões-AM; Onychopetalum amazonicum - ENBIRA-PRETA - Curuá-Una-PA; Onychopetalum amazonicum - ENBIRA-PRETA - Santarém-PA; Ormosia coccinea - TENTO - Juruá-Solimões-AM; Ormosia paraensis - TENTO - Curuá-Una-PA; Ormosia paraensis - TENTO - Juruá-Solimões-AM; Osteophloeum platyspermum - UCUUBARANA - Flona de Caxiuanã-PA; Osteophloeum platyspermum - UCUUBARANA - JuruáSolimões-AM; Parahancornia amapa - MOGNO-DOURADO - Flona de Caxiuanã-PA; Parinari excelsa - PARINARI / BAFO-DE-BOI-MIRIM - Flona de Caxiuanã-PA; Parkia gigantocarpa - FAVA-BOLOTA / VISGUEIRO - JuruáSolimões-AM; Parkia multijuga - FAVEIRA - Santarém-PA; Parkia oppositifolia - FAVEIRA - Flona de CaxiuanãPA; Parkia oppositifolia - FAVEIRA - Juruá-Solimões-AM; Parkia paraensis - FAVEIRA / VISGUEIRO - Curuá-UnaPA; Parkia pendula - ANGELIM-SAIA - Curuá-Una-PA; Parkia pendula - ANGELIM-SAIA - Santarém-PA; Parkia sp. - FAVEIRA - Juruá-Solimões-AM; Peltogyne cf. subsessilis - ROXINHO - Floresta Nacional do Jamari-RO; Peltogyne paniculata - ROXINHO - Flona de Caxiuanã-PA; Piptadenia gonoacantha - ANGICO - Santarém-PA; Piptadenia suaveolens - TIMBORANA - Curuá-Una-PA; Piptadenia suaveolens - TIMBORANA - Santarém-PA; Pouteria anomala - ROSADINHO - Curuá-Una-PA; Pouteria anomala - ROSADINHO - Flona de Caxiuanã-PA; Pouteria caimito - ABIURANA - Curuá-Una-PA; Pouteria caimito - ABIURANA - Juruá-Solimões-AM; Pouteria egregia - ABIU-PITOMBA - Curuá-Una-PA; Pouteria guianensis - ABIURANA - Juruá-Solimões-AM; Pouteria oblanceolata - TUTURUBÁ - Buriticupu -MA; Pouteria obscura - MARAGONÇALO - Flona de Caxiuanã-PA; Pouteria oppositifolia - ABIU-BRANCO - Curuá-Una-PA; Pouteria pachycarpa - GOIABÃO - Curuá-Una-PA; Pouteria pachycarpa - GOIABÃO - Buriticupu -MA; Pouteria sp. - ABIURANA - Flona de Caxiuanã-PA; Pouteria sp. ABIURANA - Juruá-Solimões-AM; Protium heptaphyllum - BREU - Santarém-PA; Protium sp. - BREU - CuruáUna-PA; Protium tenuifolium - BREU-PRETO - Curuá-Una-PA; Pterocarpus sp. - EMBIRA-DE-PREGUIÇA - JuruáSolimões-AM; Qualea albiflora - MANDIOQUEIRA - Curuá-Una-PA; Qualea brevipedicellata - MANDIOQUEIRA Curuá-Una-PA; Qualea cf. lancifolia - MANDIOQUEIRA - Santarém-PA; Qualea dinizii - MANDIOQUEIRAESCAMOSA - Tucumã-PA; Rauvolfia paraensis - GOGÓ-DE-GUARIBA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Rollinia exsucca - EMBIRA - Curuá-Una-PA; Roupala montana - LOURO-FAIA - Curuá-Una-PA; Sapium aereum - LEITEIRO - Tucumã-PA; Sapium marmieri - BURRA-LEITEIRA - Tucumã-PA; Schefflera morototoni - MOROTOTÓ - Curuá-


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Una-PA; Schizolobium amazonicum - PINHO-CUIABANO - Juruá-Solimões-AM; Sclerolobium chrysophyllum TAXI-PITOMBA - Santarém-PA; Sclerolobium chrysophyllum - TAXI-PITOMBA - Curuá-Una-PA; Sclerolobium paraense - TAXI-PRETO / TAXIARANA - Curuá-Una-PA; Sclerolobium poeppigianum - TAXI-PITOMBA - CuruáUna-PA; Simarouba amara - MARUPÁ - Santarém-PA; Simarouba amara - MARUPÁ - Tucumã-PA; Sloanea nitida - URUCURANA - Juruá-Solimões-AM; Sloanea sp. - URUCURANA - Juruá-Solimões-AM; Spondias lutea - CAJÁ - Santarém-PA; Spondias lutea - CAJÁ - Tucumã-PA; Sterculia apeibophylla - AXIXÁ - Tucumã-PA; Sterculia pilosa - XIXÁ - Santarém-PA; Sterculia speciosa - XIXÁ - Curuá-Una-PA; Sterculia speciosa - XIXÁ - SantarémPA; Stryphnodendron pulcherrimum - FAVA-BRANCA - Buriticupu -MA; Swartzia recurva - URUCURANA - JuruáSolimões-AM; Swietenia macrophylla - MOGNO - Belém-PA; Symphonia globulifera - ANANI - Curuá-Una-PA; Tabebuia cf. incana - IPÊ-AMARELO - Floresta Nacional do Jamari-RO; Tabebuia serratifolia - IPÊ - Belém-PA; Tabebuia sp. - IPÊ - Floresta Nacional do Jamari-RO; Tachigali cavipes - TAXI-BRANCO - Juruá-Solimões-AM; Tachigali cf. myrmecophila - TAXI - Curuá-Una-PA; Tachigali multijuga - TAXI-PRETO / ZIQUITA - Juruá-SolimõesAM; Tachigali myrmecophila - TAXI - Santarém-PA; Tachigali myrmecophila - TAXI - Juruá-Solimões-AM; Tachigali sp. - PAU-PONGA - Juruá-Solimões-AM; Tapirira guianensis - TATAPIRIRICA - Santarém-PA; Terminalia amazonica - TANIMBUCA - Santarém-PA; Terminalia cf. argentea - CACHAPORRA-DO-GENTIO - Buriticupu -MA; Tetragastris altissima - BREU-MANGA - Curuá-Una-PA; Tetragastris panamensis - BARROTE - Curuá-Una-PA; Tetragastris panamensis - BARROTE - Buriticupu -MA; Trattinnickia cf. burseraefolia - AMESCLA - Curuá-Una-PA; Trattinnickia cf. burseraefolia - AMESCLA - Santarém-PA; Trichilia lecointei - PRACUÚBA-DA-TERRA-FIRME - Curuá-Una-PA; Vantanea parviflora - UXIRANA - Curuá-Una-PA; Vatairea guianensis - FAVEIRA-AMARGOSA - Juruá-SolimõesAM; Vatairea paraensis - FAVEIRA-AMARGOSA - Curuá-Una-PA; Vatairea sericea - ANGELIM-AMARGOSO Curuá-Una-PA; Vatairea sericea - ANGELIM-AMARGOSO - Floresta Nacional do Jamari-RO; Vataireopsis speciosa - FAVEIRA-AMARGOSA - Floresta Nacional do Jamari-RO; Virola carinata - UCUÚBA-DA-MATA - Juruá-SolimõesAM; Virola michelii - VIROLA - Santarém-PA; Virola multicostata - UCUÚBA / VIROLA - Juruá-Solimões-AM; Virola surinamensis - VIROLA / UCUÚBA-CHEIROSA - Juruá-Solimões-AM; Vochysia ferruginea - QUARUBA Tucumã-PA; Vochysia guianensis - QUARUBA - Curuá-Una-PA; Vochysia maxima - QUARUBA - Curuá-Una-PA; Vochysia maxima - QUARUBA - Santarém-PA; Vochysia melinoni - QUARUBA - Curuá-Una-PA; Vochysia obidensis - QUARUBA - Curuá-Una-PA; Xylopia nitida - EMBIRA-BRANCA - Curuá-Una-PA; Zanthoxylum regnelianum MAMINHA-DE-PORCA - Tucumã-PA; Zizyphus itacaiunensis - MARIA-PRETA - Buriticupu -MA; Zollernia paraensis - PAU-SANTO - Buriticupu -MA.

75


76

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sofá Laranjeiras - Sofá construído com madeira maciça Sucupira ou Amendoim, trançado com tiras de couro ou algodão, utilizando-se técnicas de marcenaria tradicional - Design de Carlos Motta

poltrona

Sabre - Construída com madeira maciça certificada Sucupira, Jatobá ou de Amendoim, assento com almofada de couro Design de Carlos Motta

Poltrona Braz - Construída com madeira redescobrimento - peróba de demolição - assento, encosto e braços estofados com couro reciclado, utilizando-se técnicas da marcenaria tradicional - Designe de Carlos Motta

O Design em Madeira

As madeiras são abundantes em nosso país, e

infelizmente ainda é explorada de maneira ilegal por muitos. No entanto as atuais pressões internacionais em favor da execução de leis que favoreçam a preservação do meio ambiente têm contríbuido para que a exploração ilegal seja condenada e combatida por setores conscientes da sociedade, que se negam a utilizar madeiras sem selos de certificação.

Poltrona Astúrias Balanço - Construída com madeira de redescobrimento - peróba de demolição - assento e encosto com almofadas soltas, utilizando-se técnicas de marcenaria tradicional - Design de Carlos Motta


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Banquinho Caipira - confeccionado com madeiras ipê, imbuia, muiracatiara, cumaru, roxinho e outras - Design de Francisco Fanucci

Cadeira Frei Egídio - Confeccionada em madeira piquiá e pinho do paraná - Design de Marcelo Ferraz, Lina bo Bardi e Marcelo Susuki

Poltrona Filó - confeccionada com madeiras ipê e feijó. Assento e encosto em couro natural preto - Design de Francisco Fanucci

No Brasil algumas empresas e designers se

destacam pelo trabalho com madeiras, e têm ajudado a construir a imagem do design de produto brasileiro, Banco Girafa - - Design de Marcelo Ferraz, Lina bo Bardi e Marcelo Susuki

baseados no desenvolvimento sustentável e na riqueza de nossa biodiversidade. São exemplos:

77


78

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

A

empresa

Orro

&

Christensen dos designers Nagib

Orro

e

Ingrid

Christensen em São Paulo (SP),

que

utiliza

madeiras

provenientes

de

e

florestas

certificadas feitos

FSC; produtos

com

“ecologicamente combinada

empresas

pelo

projetando

Biombo Diva em metal e madeira certificados pelo FSC - Design da Orro e Christensen

apenas

com

madeira correta” outros

materiais. • O designer Maurício Azeredo utiliza

apenas

madeiras

brasileiras, executando peças que se preocupam com a

Poltrona Cosme Velho - Construída com madeira sucupira certificada, palha de cana-da-índia e camurça - Design de Cláudia Moreira Salles

São ainda nomes importantes de designers e

arquitetos que realizam projetos utilizando madeiras brasileiras: Cláudia Moreira Salles, Baba Vacaro, Etel

precisão da forma e dos

Carmona, Sérgio Fahrer, Irmãos Campana, André

encaixes e com a emoção e

Marx, Estavão Toledo, Pedro Useche, Carlos Motta,

beleza transmitidas pela vida contida em cada tipo de

Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Paulo Alves, Lina bo

madeira. É um dos grandes responsáveis pela construção

Bardi, entre outros.

Banco Ressaquinha de Maurício Azeredo

da imagem do design no Brasil internacionalmente. • O designer e artísta plástico Pedro Petry que é pioneiro na pesquisa

e

na

utilização

de

madeiras às quais o mercado tradicional de móveis e artigos de Banco Toy do designer e Pedro Petry

artísta plástico

decoração não está habituado.

Banco Ribs - Design de Baba Vacaro

Peças criadas pelo Projeto Design Certificado, do Núcleo de Design Sustentável da Universidade Federal do Paraná

Bufê Cercadinho - Design de Paulo Alves

Em suas mãos, peças brutas

que não costumavam despertar interesse e eram aproveitadas apenas como lenha ou serragem ganham formas únicas e surpreendentes seguindo a linha de sustentabilidade ecológica.

Poltrona de Andre Marx, Cadeira ipanema de Estevão Toledo e Peça criada pelo Projeto Design Certificado - Núcleo Design do Paraná


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

79


80

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Matérias-Primas de Origem Animal De todo o reino animal o homem extrai material para sua utilização, com as mais diversas finalidades, principalmente para alimentação. As matérias-primas de origem animal são bastante difundidas em nossa sociedade. As peles dos animais dos quais as carnes são consumidas são aproveitadas para a confeção de vestimentas, acessórios e revestimentos em geral.

Destacam-se tradicionalmete a utilização da pele de boi e do pêlo de ovelha, a primeira para produção de couro através do curtimento e a segunda para a produção de lã através da fiação. A seda também é muito utilizada, sendo um material extraído da larva do bicho da seda.

Atualmente outras peles animais têm recebido emprego nas indústrias, sendo crescente a procura de couro suíno, caprino, ovino e de outras espécies de animais como o jacaré, cobra e atualmente, de rã e peixe. A pele de peixe, em especial, apresenta um processo de curtimento mais ecológico no qual a pele é transformada em couro sem agredir o meio ambiente.

Casacos de pele e tapetes são produzidos com a pele de animais selvagens com alto valor agregado por serem considerados produtos “exóticos”, no entanto, esta prática levanta muitas discussões na sociedade contemporânea pelos ambientalistas e defensores dos animais, que condenam o uso desta matéria-prima de forma indiscrimidada, por na maior parte comprometerem a biodiversidade das espécies animais dos quais as peles são extraídas.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

reconstituído (“recouro”), um misto de aparas de couro, resinas e outros produtos. De qualquer forma, o couro não perdeu sua posição de material nobre, sendo requisitado para a confecção de estofados (mobiliário e automotivo), calçados, cintos, carteiras, maletas, pastas e marroquinaria no mundo inteiro.

O couro bovino é o mais utilizado, entretanto,

tem crescido a procura de couros suíno, caprino, ovino e de outras espécies de animais como o jacaré, cobra e atualmente, de rã e peixe.

É

importante

ressaltar

que

a

indústria curtidora apresenta sérios problemas no que se refere ao impacto ambiental, pois é altamente poluente, gerando grande quantidade de

resíduos

sólidos

e

efluentes

líquidos

e

gasosos, que poluem o solo, a água e o ar, além de apresentar alto consumo de água e energia.

A pele animal é ainda utilizada em forma bruta,

ou seja mantendo-se os pêlos que identificam a espécie. A pele da vaca, por exemplo, é bastante utilzada para

Couros e Peles Animais

estofamento e revestimentos de mobiliários dando um ar rústico e nobre ao ambiente.

Couro de Boi

O couro é a pele curtida de animais,

utilizada como material nobre para a confecção de diversos artefatos para o uso humano. Nos útimos anos, em virtude de ser um material de custo alto e pela tendência da moda e outras exigências da vida moderna, ampliou-se consideravelmente o mercado de materiais diversos: sintéticos e naturais em substituição ao couro. Também alcançou grande projeção no mercado o couro

O

couro

bovino

compõe-se

duas

partes

importantes: a flor e a carnal. A flor é a parte externa do couro que, antes do uso, é submetida a tratamentos especiais; a parte carnal é a parte interna, fibrosa que às vezes recebe tratamento para substituir a flor.

81


82

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Capa de Proteção para Facão - Couro Trabalhado em Baixo relevo - Artesanato Popular da Região Sul

Banco Tripé com Assento em Couro - Artesanato Popular da Região Sul

O material é considerado de boa qualidade

quando apresenta fibras consistentes, elasticidade, boa aparência e facilidade de manipulação. Pode-se classificar o couro em

partes

secundárias,

principais cada

e qual

adequada à confecção das peças

que

vão

compor

o

proporcionou

o

Linha de Panos Gueto com Reaproveitamento de Couro e Objetos com Aplicação desse Material - da Gueto Ecodesign

retalhos de

produto. A

pecuária

surgimento

deste

tipo

de

artesanato, onde a existência de muitos curtumes garantem a fartura da matéria-prima. Até o início do século era largamente Almofada e Revisteiro em Pele de Boi - do Projeto Mão Gaúcha (RS)

utilizado na produção de roupas de vaqueiros, arreios para suas

artesanais podem ser vistas em feiras populares onde são encontrados: alpercatas, chapéus, cintos, selas, arreios, alforjes, baús tacheados, gíbões, perneiras, bolsas, sacolas, tapetes de pele, etc.

montarias, malas, assentos de

bancos, cadeiras e etc.

Nordeste do Brasil, especialmente no Sertão. As peças

O couro beneficiado ou curtido é utilizado

na elaboração de diversos ornamentos e utensílios artesanais e sobrevive principalmente na Região


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

• Produtos em Couro desenvolvidos por alunos Academia de Design de Eindhoven, através do Projeto Design Solidário Brasil-Holanda - Serrinha (PE).

holandeses da

83


84

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

ao processamento das etapas.

• O projeto “Reciclando o Peixe” consiste no

aproveitamento e curtimento da pele do peixe para a confecção de peças como bolsas, sapatos, carteiras e outros acessórios, sendo executado em Corumbá, Mato Grosso do Sul. Fazem parte deste projeto mais três outros municípios da bacia do Paraguai, Coxim, Miranda e Aquidauana.

• Empresa Couro D’Água localizada em Flores -

Manaus (AM) - produção e comercialização e artefatos Produtos em Couro de Peixe da Empresa Couro D’àgua (AM)

Couro de Peixe A técnica de transformação de peles de peixes em couro,

proporciona

aproveitamento

o de

material orgânico, além de

evitar

a

poluição

ambiental. Comumente, de

peixes

a

pele

amazônicos

e couro de peixe.

processadores de pescado. O Couro de peixe pode

Recouro

ser aproveitado para confecção de bolsas, sapatos,

O recouro ou “MDF” do couro

acessórios e uma infinidade de outros produtos.

, é o nome dado ao couro

A técnica de curtimento do peixe é semelhante a do

reconstituido a partir de fibras

gado, a diferença está na utilização dos produtos, que

de couro natural e por isso pode

são substituídos por extratos vegetais, tanino, em vez

ser considerado ecológico. Utiliza aparas de couro de

do produto químico. E também se diferenciam quanto

curtumes pré-selecionados, que são processadas e

é jogada de volta nos rios pelos comerciantes e


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

transformadas em material continuo.

O recouro é pintado através do mesmo

processo do couro bovino, sendo fornecido nas cores de massa natural, cromo, preto e coloridos e pode sofrer alterações de tamanho e maciez em função da umidade do ar. Trata-se de um material versátil, que pode ser utilizado em cintos, maletas, portifólios, carteiras, bolsas, agendas, cadeiras, mesas, roupeiros, camas, home theaters e pecas de decoração como tapetes, luminárias, porta-retrato, caixas, bandeijas, espelhos, etc. O material tem grande diversidade

Apoio à Produção de Artesanato de pura lã de ovelha pelo Programa Fios do Sul 200 artesãos, sobretudo mulheres, que vivem na Metade Sul do estado do Rio Grande do Sul

que beneficia cerca de

de texturas e cores que podem ser trabalhadas em

se diferencia do pêlo pela natureza

diferentes espessuras, conforme a necessidade.

da superfície externa das fibras. A

• Empresa brasileira Recouro - líder mundial

superfície varia de acordo com a espessura e a ondulação da fibra. Devido a essa ondulação, a lã tem uma elasticidade e uma resistência longitudinal maiores que outras fibras naturais. É quente e confortável, excelente isolante térmico; resistente ao amassamento; absorve bem a transpiração e a umidade; de tom amarelado que desbota quando exposta ao sol; baixa resistência ao atrito; atacada por traças, insetos e fungos; não resiste a produtos químicos e exige precauções durante a conservação. As raças de animais mais utilizados para produção de lã são:

em couro reconstituído.

Fibra natural de origem animal, macia e

Merino - É uma das raças mais antigas de ovinos, sendo que produz a lã mais fina e valiosa. O comprimento da mecha varia de cinco a dez centímetros;

ondulada obtida principalmente do pelo das ovelhas

Ovelhas Corriedale Polwarth ou Ideal - Este

domésticas, e de outros animais como o camelo, a alpaca,

tipo de ovino foi obtido através do cruzamentos de

as cabras de Angorá e de Kashmir, a lhama e a vicunha. A lã

carneiros de raça inglesa Lincoln (de lã grossa)

85


86

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

com ovelhas Merino (de lã fina e com limitado comprimento);

Corriedale

-

Ovinos

criados

na

Seda Cultivada

A seda (Bombyx

Nova

cultivada mori) é

produzida pelas larvas

Zelândia, por cruzamento da raça Merino de lã fina

de

com a raça Lincoln. Sua lã é denominada “Cruza

bicho-da-seda

que

são criadas em locais

Fina” que corresponde à classificação de Prima B e

cobertos e alimentadas

Casulo do Bicho da Seda do qual de Extrai a Seda

com folhas frescas de

amoreira. Os aspectos essenciais deste tipo de seda são: filamento fino, quase branco (quando degomado); filamentos macios, com um brilho lustroso. No mundo, 80% a 85% da produção de seda consiste deste tipo.

Seda Selvagem

As sedas selvagens Tussah (Philosamia ricuri); Tasar (Antheraea Larva (Bicho da Seda)

Zabuton de Seda - Revestimento em Tecido de Seda Shantung e enchimento 100% Algodão

Cruza 1 para fêmeas, e Cruzas 1 e 2 para machos.

Seda

e

Muga

mulita); (Antheraea

assamensis), são espécies nativas e não cultivadas.

A seda selvagem é produzida por casulos

encontrados nas matas nativas da China e da Índia. Não

No Brasil, a produção de seda está concentrada

sendo cultivada, seus filamentos não apresentam um

no Norte do Paraná e no Oeste do estado de São Paulo,

padrão específico de qualidade. Os produtos gerados

onde se encontra um número pequeno de empresas que

por esse tipo de seda não são produzidos no Brasil.

dominam a produção de ovos de bicho-da-seda. Entre todas as fibras, a seda é a que possui maior afinidade com os corantes naturais, apresentando cores de uma beleza inigualável.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

87


88

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Matérias-Primas de Origem Vegetal

As matérias-primas de origem vegetal são abundantes e possibilitam a produção de objetos de menor impacto ambiental por serem biodegradáveis.

No setor moveleiro as principais fibras naturais vegetais são junco, rattan, cipó-vermelho, apuí, taboa, vime, e bambu. Geralmente o processo de fabricação desses móveis ou objetos é artesanal e varia conforme a espécie a utilizada. Algumas não passam por qualquer tratamento químico; outras são tramadas ainda úmidas. Há, ainda, as que recebem acabamento em verniz.

No ramo textil, as fibras de algodão, juta, sisal, linho, rami e canhâmo apresentam vasto emprego. Podese dizer que a fibra natural está na moda e combina com tudo, desde ambientes informais até os mais sofisticados.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

O

algodão

pode

ser

algodão

considerado

ecológico se produzido por

um

processo

sustentável:

técnicas

que conservam o solo, a biodiversidade e não utilizaram que

agrotóxicos,

resulte

numa

colheira livre de resíduos químicos

Algodão

prejudiciais

à

saúde. Como uma das possibilidades mais alternativas e ecológicas, tem-se

O algodão (Gossypium spp) é uma fibra

disseminado bastante a idéia da utilização do algodão

natural de origem vegetal procedente do algodoeiro,

naturalmente colorido, que dispensa o uso posterior

no Brasil é 80% produzido e colhido manualmente,

de corantes.

recebendo pulverização de agrotóxicos para o combate

• A Embrapa - Empresa

às pragas. As sementes do algodoeiro são envolvidas

Brasileira de Pesquisa

por pêlos, que retirados do caroço, são limpos, lavados,

Agropecuária - é líder

secados à sombra, cardados e finalmente fiados. Esse

mundial

fio tem boa elasticidade, resistência e é fácil de tingir.

dessa

na

pesquisa

matéria-prima.

O tecido a base de algodão detém melhor

A unidade de Campina Grande conseguiu melhorar

capacidade de absorção de umidade é adequado para o

geneticamente espécies nativas e silvestres de algodão

clima brasileiro, quente e úmido. A transpiração do corpo

colorido da Região Nordeste, tornando as fibras

é mais bem absorvida quando se usa tecido com algodão

mais longas e resistentes. Atualmente, a Embrapa

em sua composição. Tem como características ser macio

Algodão oferece cultivares marrom, verde, safira

e confortável; durável; resistente ao uso, à lavagem, à

e rubi. Dessa forma, o algodão colorido pôde ir direto

traça e insetos; lava-se com facilidade; tem tendência

para os teares.

a encolher e a amarrotar; queima com facilidade; não resiste a produtos químicos. Aplicações: Confecção (tecidos para uso doméstico, tecidos profissionais).

• Ong Esplar - Centro de Pesquisa e Acessoria

do Ceará - Projeto Algodão Agroecológico - Tauá (CE).

89


90

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

• No país um exemplo de artesanato típico

desenvolvido a partir da fibra do arumã é o produzido pela Comunidade Indígena dos Baniwa, localizada na Bacia do Rio Içana (AM), sendo denominado como “Arte Baniwa”.

• Biojóias da Empresa Rita Prossi -

Manaus (AM).

Arte Baniwa

Arumã

ou Guarumã

O arumã (Ischnosiphon spp.) é uma planta parecida com o conhecido Bambu, uma espécie de cana de colmo liso e reto, oferece superfícies planas, flexíveis, que suportam o corte de talas milimétricas; o colmo da planta é descascado/ raspado/ariado, pode ser tingido ou mantido na cor natural; também usado com casca, que lhe confere maior resistência e uma cor pardo clara laqueada. Cresce em touceiras em terrenos úmidos ou semialagados e brota após o corte.

O fio obtido a partir da planta é altamente

resistente sendo usado nas cestarias, utensílios, ornamentos corporais, armas e etc; principalmente pelos povos indígenas amazônicos.

• A tribo amazônica Waimiri-Atroari possui

a patente da palha de arumã.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Bambu

Bambu é o nome que se dá às plantas da

sub-família Bambusoideae, da família das gramíneas (Poaceae

ou

Gramineae).

Essa

sub-família

se

subdivide em duas tribos, a Bambuseae (os bambus chamados de lenhosos) e a Olyrae (os bambus chamados herbáceos). São variações deste: bambuchinês, bambu-gigante, bambu-imperial, bambu-listado,

Trabalhos em Bambu do Artesão José Augusto Tonhasca - Águas de São Pedro - SP.

bambu-maciço, bambu-preto, bambu-taquara (taboca),

de retidão, leveza, força, flexibilidade e facilidade de

bambu-trepador, bambu-áspero, dentre outros.

trabalho. Para os povos asiáticos, o bambu é considerado

Há milênios, o bambu é usado pelo homem em

diversas partes do mundo na construção de moradias, móveis, cercas, esteiras, alimentação (brotos) e objetos utilitários e decorativos. Os chineses têm catalogados cerca de dez mil utilidades. Isso se dá devido as suas excelentes características físicas, estéticas e mecânicas

uma dádiva dos deuses, apelidado de aço verde ou ouro verde, devido as suas múltiplas utilizações e pela facilidade de plantio. Muitos dos usos primitivos que se deu ao bambu foram a origem de grandes invenções, como as pontes suspensas, as cúpulas dos templos e aparatos tão sofisticados como o avião, o helicóptero e o motor à

91


92

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

explosão.

o bambu vem despertando o interesse de arquitetos,

Para sua utilização, a

engenheiros e designers que, devido à abertura das

atenção especial a ser

importações, puderam constatar a alta qualidade dos

tomada é a idade do

produtos vindos do sudeste asiático que utilizam técnicas

bambu:

tradicionais de manuseio.

para

tecelagem usam-se

os

de

cestaria

Os designers estão cada

bambus

vez

mais

descobrindo

jovens e imaturos, pela

aplicações onde o bambu

sua

se encaixa perfeitamente,

flexibilidade.

Para

fins de construção deve-

ainda

se

crescente produção dos

usar

maduros,

Sax de bambu e Cabaça - Artesão Angel Sampedro del Rio

ou

fins

os

bambus

mas

não

Prancha de Surf da BSA e Gary Young

mais

laminados

com

a

de

bambu

chamados

Plyboo,

podres, com cerca de

3

estes em referência aos

a

4

anos,

quando

atingiram sua resistência

laminados

ideal.

que

É uma planta

de

em

madeira,

inglês

são

predominantemente

chamados de Plywood.

tropical e de crescimento mais rápido em todo o reino

No ramo de mobiliário

vegetal. Pode chegar a crescer 120 cm em apenas

os

24 horas, garantindo uma ótima produtividade. Como alternativa aos problemas ecológicos e energéticos,

Cesto com Tampa Confeccionado em Trançado de Talas de Bambu em Tons de Verde Artesãos de Lapão, Januária, MG.

balineses,

chineses têm

e

grande

filipinos, japoneses tradição,

o bambu se apresenta como material

e é notório o volume

de potencial. No Brasil, por sua

de

desse

setor. Fábricas chinesas

abundância, chama a atenção de

produzem grande volume

empresários com intenções de atingir

de utensílios culinários.

o mercado externo, mercado este

No Brasil existem fábricas

sedento por materiais de aparência

de palitos de bambu e

menos industrial e que não causem

de mobiliário, em geral

danos ao meio ambiente em seu processo de produção. Ultimamente

exportações

Cadeira de Bambu do Designer Michal McDonough

chamados de móveis de cana-da-índia.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

baixo a banana é parte integrante da alimentação de

populações

de

baixa renda. É cultura importante para fixação da mão-de-obra rural. Além

da

bananeira

produzir uma ótima fruta para o setor de alimentos tanto

naturais

como

industriais, ainda propicia o

aproveitamento

de

outras de suas partes: D a planta (pseudocaule e folhas) - retira-se fibras Bolsa Retangular em Tecelagem de Fibra de Bananeira em Diversos Tons com alças de Couro - Design de Fabíola Bergamo

Bananeira

A bananeira (Musa sp., Monocotiledonae,

para confecção de sacos

Produtos com fibra de Bananeira Artesanato Popular

para cereais, chapéus, rendas, cortinas, tapetes, bolsas, etc. Sua fibra é resistente, ótimo isolante térmico, biodegradável; antiestático e estéticamente mostra variações de tonalidade em função da estação do ano.

Musaceae) é uma planta herbácea muito comum em

países de clima tropical. Os seguintes sub-grupos e

como alimento aos bovinos. Em regiões pobres as folhas

cultivares são importantes: Gros Michel (Gros Michel,

servem para cobrir casas. Entre os artesanatos feitos com

Maçã), Cavendish (Nanica, Nanicão), Prata (Prata,

fibras vegetais, os realizados com esta fibra é um dos mais

Pacovan), Terra (Terra, D’Angola) entre outros. No

comuns encontrados pelo Brasil, pelo fato de ser uma

Brasil é o segundo fruto mais produzido e consumido

planta abundante e difundida por todo o território nacional.

e o segundo país no ranking da produção mundial.

São diversos os exemplos de comunidades e artesãos

Devido ao conteúdo de vitaminas e sais minerais,

ao seu valor calorífico, energético e custo relativamente

As cascas frescas do fruto maduro são fornecidas

independentes que se utilizam desta fibra para desenvolver produtos visando o aumento da renda familiar.

93


94

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Para trabalhar com a fibra e cuidar do

artesanato deste material devem ser observados alguns procedimentos: evitar uma exposição prolongada à luz do sol para que não ocorra um desbotamento das cores

originais; não lavar, cuidado quando tratar em estado úmido; não usar alvejamento à base de cloro; secagem natural, na sombra e na horizontal, sem torcer; zão passar a ferro; não remover manchas com solventes; limpeza o objeto confecionado regularmente com aspirador de pó.

• Um dos casos de sucesso

do SEBRAE

com Fibra de Bananeira está exemplificado em sua parceria com a Associação dos Artesãos de Iconha (ES) e a prefeitura local. Ali a cultura e comercialização da banana chegou a ser a principal fonte de renda dos agricultores do município mas sofreu uma crise que afetou o setor e eles tiveram de buscar uma solução de renda alternativa. Passaram então a fazer artesanato com a própria bananeira, buscando transmitir a identidade local em seus produtos, diferenciando-se dos demais.

Utensílios Domésticos desenvolvidos com massa obtida a partir da Fibra de Bananeira - Oficina Gente de Fibra orientada pelo artista plástico Domingos Tótora; proveniente da Cooperativa Mariense de Artesanato (COMARTE) em parceria com o SEBRAE - Maria da Fé (MG), com desenhos da inspirados na iconografia local.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Bucha Vegetal

A bucha vegetal trepadeira

(Luffa

(L.)Roem)

é uma planta cyllindrica

de origem asiática

e seu fruto é a bucha vegetal propriamente dita. Suas folhas e Cadeira com assento em Bucha Vegetal - Design do Mexicano emiliano godoy

flores têm os tons verde e amarelo quando

processo não agride o meio ambiente, as cascas e

Adaptou-se ao clima e

sementes podem ser reaproveitadas como adubo

solo brasileiros e foi incorporada

orgânico. Após a lavagem as buchas são expostas ao

aos costumes da população através

sol para a secagem.

do negros africanos. Nos anos 50,

É um esfoliante natural que auxilia o processo

as esponjas sintéticas invadiram

da renovação celular. Por ser natural, possui forte apelo

o mercado e a bucha começou

junto aos consumidores que procuram por estes tipos

a ser considerada arcaica. Mas

de produto. Além do uso natural, no setor industrial

atualmente o avanço de uma cultura

automotivo a bucha é utilizada como forração no

consciente ambientalmente abriu

estofamento de bancos. Também é usada na produção

espaço novamente para a bucha

de artefatos artesanais, como chinelos, cestos, tapetes,

vegetal.

chapéus, palmilhas para sapatos, correias, etc.

da

bandeira

maduras.

brasileira

Ela é biodegradável e seu cultivo não agride

• No município de Bonfim, localizado a 90

a natureza, exigindo cuidados para se obter frutos

quilômetros de Belo Horizonte - MG; essa cultura é

de boa qualidade, especialmente no momento da

tradicional e já dura décadas. O cultivo da bucha no

sua colheita. Todo o processo de extração é feito

município ocupa uma área de cerca de 70 hectares e

manualmente e depois de colhida a bucha deve ser

gera aproximadamente 140 empregos diretos.

descascada e lavada em água corrente e limpa. Este

95


96

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Brinquedos Coloridos feitos com o Talo do Miriti - Artesanato Popular do Norte do Brasil

Buriti ou Miriti O buriti ou miriti (Mauritia. flexuosa L.) é também chamado popularmente por aguaje, palmeira-do-brejo, pibâche e etc. É uma das matérias-primas mais utilizadas e conhecidas do artesanato da região norte

Por conta da tradição, o artesanato de miriti

se revela como um dos maiores ícones da grande festa do povo paraense - o Cirio de Nazaré - e traduz perfeitamente o clima que paira na capital durante a quadra nazarena, como pode ser visto na Feira do Miriti, ponto de referência da arte estrategicamente montado em praças públicas durante as festividades.

do Brasil. Trata-se de uma palmeira da qual se aproveita quase tudo:

De sua tala (espécie de casco do tronco)

fazem-se paneiros, tipitis, cestos, balaios; da palha faz-se cobertura para cabanas; da folha fazem-

Plástico com Adicionamento do óleo de

se bolsas, tapetes e redes: o processo consiste na

buriti absorve radiação solar e se torna

retirada do grelo da folha, que é deixado secar para

Pela UNB

facilmente biodegradável

Desenvolvido

fazer envira (fibra) que serve para tecer; dos talos (braços das folhas verdes), conhecidos como isopor

Produtos de Fibra de Buriti Confeccionados na Oficina realizada em Peixe - To com a consultoria de Fabíola Bergamo

vegetal – são feitos os brinquedos: barcos coloridos, cobras, girandeiros, móbiles e pássaros, pombinhas, araras, jacarés, tatus etc.

Caixa de Presente feita com Talo do Miriti em Cor Natural


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Capim Dourado

O capim dourado (Syngonanthus nitens)

ou ouro do sertão, como também é chamado, ocorre em campos úmidos próximos a veredas em diversas

Objetos Populares Confeccionados em Capim Dourado - Artesanato Típico do Cerrado do Jalapão (To)

regiões do Cerrado, encontrado nos estados de MT, MG,

GO, TO e BA. Na região do Jalapão-TO, é usado para

chapéus, acessórios e cestas também se tornou um lucrativo

a confecção de artesanato há mais de 70 anos, como

negócio para atravessadores, que compram as peças

por exemplo na Comunidade negra da Mumbuca,

diretamente de artesãs ou de Associações locais a preços

município de Mateiros.

módicos (e muitas vezes fiado) e revendem a lojistas ou em

O

artesanato

de

capim

dourado

confeccionado na região do Jalapão passou a

A comercialização das peças tais como bolsas,

lojas próprias nas capitais brasileiras a preços exorbitantes que chegam a atingir 25 vezes o preço de compra.

ser divulgado em todo o estado, em grandes cidades

brasileiras

e

também

no

exterior

a

partir de meados da década de 1990. O brilho e a peculiaridade das peças artesanais chamam atenção por onde passam e, a comparação com ouro não fica apenas no nome da planta. O artesanato tornou-se importante fonte de renda na região, garantindo melhoria de qualidade de vida a muitas famílias.

Cesto com Tampa e Porta Retrato em Capim Dourado - Design de Fbíola Bergamo

97


98

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Produção de Papel Artesanal com a Fibra de Curauá - Projeto do Programa Poema (AM).

Curauá ou Caroá

nova técnica, que já foi patenteada é uma tecnologia

O curauá (Neoglaziovia variegata) é uma

planta da família das bromeliáceas, nativa da Amazônia. Suas

folhas

fornecem

longas

fibras,

de

grande

resistência e durabilidade. Também é conhecido pelos nomes de caruá, caroá-verdadeiro, coroá, coroatá, crauá, croá e gravatá. Seu cultivo é secular.

que está pronta para ser transferida para a indústria. Apresenta uma série de vantagens sobre o modelo convencional: é cerca de dez vezes mais barata do que a fibra de vidro e ainda biodegradável; também é menos abrasiva aos equipamentos de processamento e por fim possibilita a produção de plásticos reforçados por meio do método de

O Lago Grande de Curuai, no município de

injeção, este que ao contrário da termoformagem,

Santarém-PA, é a zona de maior concentração de

gera peças mais complexas, que apresentam detalhes

curauá, mas o cultivo já foi ampliado para a região do

como pontas e cavidades.

Arapiuns (área da Reserva Extrativista) e para áreas dos municípios de Aveiro e Juruti.

Em boa parte das comunidades, os pequenos

agricultores plantam curauá em pequenas áreas em consórcio com outras espécies e utilizam as fibras na confecção de cordas para atar redes de dormir e cabos destinados ao manejo de animais, bem como na produção de peças e de papéis artesanais. Produção de Revestimentos internos para Automóveis com Fibra de Curauá na Empresa Pematec

A principal saída da fibra tem sido para a indústria automobilística,

principalmente

por

apresentar

características ecológicas e econômicas favoráveis.

A fibra de curauá está sendo utilizada por

pesquisadores da Unicamp para substituir a fibra de vidro no reforço de compósitos poliméricos. A

• Empresa Pematec (fabricante de peças no

mercado automobilístico) com o Projeto Curauá em Santarém - PA.

• Programa POEMA – Pobreza e Meio Ambiente


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Xequerê - Instrumento Musical de Percussão feito com Cabaça e Contas (Miçangas ou Sementes)

Cabaça

A cabaça (Lagenaria vulgaris) é uma erva

Afoxè ou Afochê feito com Cabaça e Contas

trepadeira ou rastejante da família das cucurbitáceas. Seu fruto é a cabaça propriamente dita, atingindo em média 40 centímetros de diâmetro.

A colheita do fruto não pode ser realizada

quando ele ainda está verde, pois murcha. Para utilizar a cabaça deve-se retirar o miolo (sementes e cascas) no interior delas e como possui um odor

Atabaque - Instrumento Musical de Cabaça e Pele de Carneiro

percussão feito com

Calimba - Instrumento de Cordas feito com Cabaça

desagradável, deve ser lavada e colacada ao sol para ficar adequada ao uso.

Possui

diversos

formatos

e

tonalidades,

propiciando diversas utilidades e devendo ser escolhida aquela que satisfaz a função desejada. É utilizada como cuia, como garrafa natural para carregar líquidos, como peças artesanais decorativas e também para confecção de instrumentos musicais, tais como abê, xequerê, maracá e o berimbau.

Artesanato Popular - Bonecas com Estrutura em Cabaça

99


100

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Carnaúba

A carnaubeira (Copernícia prunífera) é

uma planta típica do nordeste brasileiro, predominando nos Estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

O tronco é madeira de qualidade para

construções. As palhas servem para a produção artesanal, adubação do solo e extração de cera. A cera de carnaúba é um insumo valioso que entra na composição de diversos produtos industriais como cosméticos,

cápsulas

de

remédios,

componentes

Produtos Artesanais Confeccionadas em Palha de Carnaúba

eletrônicos, produtos alimentícios, ceras polidoras e revestimentos.

Cachaça Brasileira da Marca Ypióca - Embalagem Tradiconal em Palha de Carnaúba


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Cipós

O termo cipó é a designação comum às plantas

lenhosas e sarmentosas ou trepadeiras, que pendem e se trançam nas árvores, características das florestas tropicais. Apresenta ramos delgados e flexíveis, que se

• Os municípios do Estado de São Paulo onde

são mais significativas a utilização dos cipós são: Cananéia, Ilhabela,

Eldorado Juquiá,

Paulista,

Miracatu,

Embu,

São

Iguape,

Sebastião

e

Ubatuba.

Cipó-Titica (Junco)

fixam por meio de acúleos, de gavinhas ou por enrolaremse aos caules e ramos de árvores e arbustos. Também

O termo cipó-titica (Heteropsis

conhecidas pelos nomes de icipó e liana, e pelos nomes

flexuosa) é utilizado na região Norte

populares de “chicote”, “vara” ou “chibata”.

do Brasil, já no Sul e Sudeste estas

Existe uma grande variedade de

fibras são chamadas de junco.

tipos de cipós. Bastante utilizados

Existem mais de 2.700 espécies dessa

com técnicas de trançado são: imbé,

planta. São cipós extremamente fortes e rígidos, que

timbopeva e cruz-de-malta. Com

após um longo processo de tratamento permitem a

eles são feitos cestos, balaios, roupeiros, redes,

execução das peças. O cipó titica é explorado em toda

viveiros, tipitis e objetos de caça e pesca, muito

a Bacia do rio Negro (uma região trinacional entre

comuns entre os índios e, hoje em dia, entre os

Brasil, Colômbia e Venezuela), e vendido para fábricas

caboclos

de móveis e para artesanato de todo o país.

Trançado de Cipó Leite

e

caiçaras.

Outos

cipós

comumente

utilizados são: cipó de leite, cipó titica (junco) e cipó apuí.

Essas

plantas

possuem

caules

cilíndricos

com três fileiras de folhas, e suas flores miúdas são esverdeadas ou castanhas. A pequena vagem contém

101


102

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

muitas

sementes

escuras,

que parecem poeira. O junco mais comum é uma planta verde-escura

e

flexível,

que cresce com freqüência nos caminhos úmidos e nos gramados. A maioria das outras espécies cresce nos alagados ou nas pradarias úmidas. Na fase adulta, o caule é grosso e lenhoso com fibra altamente Objetos confecionados em Cipó Leite

resistente e durável. Pufes de Junco Trançado

É

hoje

uma

das

Aplicado também para artefatos e objetos artesanais matérias-

bem como para tecer cestos, esteiras e assentos

primas mais cobiçadas da nossa floresta, sendo

de cadeira.

encontrados exemplos de móveis feitos com esta

caules para fazer pavios de velas.

fibra por todo o país. Segundo levantamentos da Embrapa Amapá, estima-se que hoje são vendidos para os Estados do Sudeste e do Nordeste uma média de 40 toneladas mensais do titica, provenientes do

Antigamente, usava-se a medula dos

Ele é encontrado no mercado hoje de duas

formas: como Natural ou Sintético. A diferença é que o natural exige um processo manual de preparo do material que leva mais tempo e, conseqüentemente, torna o produto final um pouco mais caro. Pela praticidade, portanto, muitos artesãos optam por trabalhar apenas com o junco sintético, que também pode ser envelhecido para parecer o natural, no entanto, por este processo torna-se mais agressivo ao meio ambiente.

artesanatos

Vaso para Violetas e Ervas Aromáticas em Junco Colorido

material

nos

Negro, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Novo Airã.

É utilizado pela indústria moveleira principalmente suas características de resistência e leveza.

deste

municípios de Santa Isabel do Rio

Norte.

por

• Em São Paulo encontramos

Poltrona em Cipó Apuí


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

de ser torneada e por último um tratamento para o manuseio artesanal. É muito utilizado para fabricar os móveis. Como fica de molho em solução fungicida, essa planta torna-se mais maleável e pode receber, ainda, uma demão de verniz.

Cipó Apuí Fibra proveniente do Amazonas, chamado comumente de cipó, o apuí é uma planta pertencete à família Cecropiaceae, e existindo diversas espécies, cada qual com seu nome científico. Cresce sobre outras árvores lançando raízes aéreas (vem do alto em direção ao chão), e a medida que vai se desenvolvendo, abraçando e dominando a árvore que o hospedou, esta vem a morrer.

Passa por um processo de secagem antes

103


104

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

se

tornou

um

motivo

de

esperança para a melhoria da

vida

para

dos

sua

seringueiros,

permanência

na

floresta bem como para o desenvolvimento sustentável da região amazônica. • O couro vegetal Treetap® (feito com borracha natural) é Bolsas e Acessórios em Couro Vegetal de Várias Cores

Couro Vegetal

Couro Vegetal é o nome que recebe um

produzido por três comunidades seringueiras da Amazônia que, juntamente

com

a

empresa

carioca Amazon Life, o WWFBrasil

e

o

Instituto

Nawa

tecido de algodão banhado em látex, defumado

participam do Projeto Couro

e vulcanizado em estufas especiais. Sua matéria-

Vegetal, no Acre e Amazonas.

prima principal (latex) é extraída diretamente das

A

seringueiras nativas da floresta amazônica, e a partir

registrada no INPI e pertence

dela é confeccionado o couro vegetal pelos seringueiros

de forma igualitária à Amazon

e por suas famílias de modo artesanal.

Life (nome fantasia da Couro

Vegetal

A produção das lâminas de Couro Vegetal

Treetap®

da

tem

patente

Amazônia

S.A.),

permite uma fonte de renda extra para as comunidades

às associações de produtores

locais e uma forma alternativa de trabalho, pois além

envolvidos e ao Instituto Nawa

do couro vegetal, a comunidade produz outros objetos

para

e artefatos a partir deste material.

Extrativismo

A técnica da produção do Couro Vegetal

está bem desenvolvida e algumas pesquisas tem sido feitas no sentido de melhorar a durabilidade e qualidade do produto a fim de atender às exigências do mercado. É considerado um um material de boa qualidade, internacionalmente reconhecido como um produto ecologicamente correto e sustentável: a comercialização dos produtos de couro vegetal

Processo de Produção Artesanal do Couro Vegetal - Lâminas Preparadas e Colocadas para Secar ao Sol

o

Amazônia

Desenvolvimento Sustentável (responsável

do na pela

pesquisa de campo necessária ao aprimoramento e diversificação da produção, bem como pelo trabalho

de

seringueiros).

capacitação

dos

Linha de Bolsas da Marca Esportiva Rainha em Couro Treetap®


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Tênis e Boné da Marca Adidas Produzidos com Fibra de Cânhamo

Cânhamo Linhas e Tecidos com Fibra de Cânhamo

O

cânhamo

sativa)

é

(Canabis

uma

planta

integralmente utilizada para os mais diversos fins, mas destaca-se a

sua

especialmente fibra,

também

chamada de filaça, muito usada na indústria de papel, pois um hectare de cânhamo produz o mesmo que quatro hectares de eucaliptos, num período de vinte anos.

As fibras do cânhamo são usadas em tecelagem,

cordoaria e para calafetar embarcações. Esta planta foi difundida em todo o mundo por possuir uma substância alucinógena na sua inflorescência (maconha e haxixe). Por isso, hoje, sua produção é autorizada oficialmente em poucos países, sob controle governamental. A Inglaterra é um dos países que mais consome a fibra de cânhamo nos tradicionais saquinhos de chá.

A indústria têxtil também é um bom mercado para o cânhamo para as fibras de canhâmo, por este ser cinco vezes mais resistente que o algodão, e com seus longos feixes de até 4,5 m é usado para fabricar cordas e amarras de navios pois são bastante resistentes. Da semente extrai-se um óleo muito usado na indústrias de cosméticos como base para cremes, xampus, óleos hidratantes, etc, na indústria mecânica para vernizes, lubrificantes, combustíveis, tintas e outros, bem como para a alimentação humana em óleo, tempero, margarina, flocos de cereais, snacks e outros.

105


106

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Peças em Plástico de Fibra de Cana-de-Açúcar da Edra Eco

Bagaço da Cana de Açúcar sendo transportado

Cana-de-Açúcar

Da

cana-de-açúcar

No artesanato o tratamento do bagaço é

basicamente o seguinte : é necessário fervê-lo com soda caustica para retirar o açúcar e as impurezas. Depois, ele é batido em um liquidificador. Só então está pronto

(Saccharum

para as artesãs. O colorido das peças é feito com tintura

aproveita-se tudo, desde seu sumo,

de roupa que personaliza o trabalho. Existem variações

para produção de alimentos até o seu bagaço. Entre

quanto à produção do material, o que pode tornar o

um produto potencialmente rentável e um problema

processo menos ou mais agressivo ao meio ambiente.

de ordem prática e ambiental, o bagaço-da-cana está

Transforma-se depois, pelas mãos dos artesãos em

alavancando projetos que estudam o seu emprego.

luminárias, abajures, recipientes, quadros, fruteiras,

Officinarum)

As usinas de açúcar acumulam toneladas de

bagaço de cana que ficam sem destino. Alguma parte é usada nas próprias usinas para produzir energia para as caldeiras e outra pequena parte, raramente, utilizada para outros usos, como por exemplo como adubo.

relógios, colares e pequenas bijuterias e etc; podendo ser usado como revestimento ou maciçamente.

Para

o

setor

industrial

temos

algumas

tecnologias desenvolvidas que criam materiais a partir do bagaço da cana-de-açúcar. O aglomerado que é possivel de ser produzido, é uma alternativa

A produção artesanal utiliza esta matéria-prima

interessante, que pode ser utilizado na fabricação

como fonte de produção de objetos, e não são raros os

de móveis, divisórias e embalagens, mas trata-se de

casos, mas que relativamente consomem uma insignifcante

uma tecnologia que no Brasil precisa ser melhorada e

quantia de todo o bagaço produzido pelas usinas.

divulgada, como ocorre em Cuba.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

de si, o PHB (polihidroxibutirato), que pode ser usado na fabricação de vasos, colheres e sacolas plásticas, entre outros. Nele a bactéria Burkholderia sacchari, transforma o bagaço da cana em plástico.

Produtos Desenvolvidos Com Bagaço da Cana-de-Açúcar pelo Núcleo de Produção Artesanal Artecana Conceição da Barra (ES)

• Artecana - Núcleo Artesanal com Bagaço

de Cana localizado em Conceição da Barra (ES) foi fundado em 2004 pela artista plástica Christine Reuter em parceria com o Sebrae.

• Plástico Biodegradável feito com Bagaço

de cana-de-açúcar desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) utiliza bagaço de cana transformado por meio da ação de bactérias que se alimentam deste e formam, dentro

107


108

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Escultura em Coco Seco - Artesanato Popular da Região Nordeste do Brasil

Coco Seco

Bule e Copo Feitos com Casca Dura de Coco

Coqueiro

O coqueiro (Cocus nucifera) é uma planta

que pertence à família Palmae. É no litoral do Nordeste que está a maior produção de coco do país. A casca do coco é utilizada há muito tempo e no mundo todo para realização de peças artesanais, e atualmente é empregada através de tecnologias que inserem estas fibras no desenvolvimento de novos materiais sustentáveis.

Porta Moedas Com Casca de Coco Dura e Pintados à Mão

No artesanato, a casca do coco

e às vezes, finalização e acabamento através de pintura,

é transformada em objetos

que conferem outro aspecto às peças.

utilitários e decorativos. No

Nordeste do Brasil, um das

exemplos de empresas que aproveitam a fibra de

produções tradicionais são as

coco. Em São Paulo, por exemplo, a fibra encontrou

esculturas em coco seco, que

um novo e importante nicho de mercado: trata-

representam figuras e personagens do imaginário local. Já

se do Coquim, produto patenteado há dez anos

em peças utilitárias, temos a produção de bolsas, bijouterias,

pela Ouro Fértil (empresa brasileira pioneira na

utilides domésticas e etc. O processo de transformação é

fabricação e comercialização de produtos orgânicos e

puramente manual e envolve as seguintes etapas: corte

biodegradáveis a base de fibra de coco). Seu forte é a

da casca por com máquinas improvisadas, furação, lixação

No

ramo

industrial

são

diversos

os


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

produção de produtos para o ramo de jardinagem, tais como vasos, placas, estacas, adubos e mantas. Mas já amplia sua produção para as utilidades domésticas, como jogos americanos e porta-copos. O produto é barato e ecologicamente correto e possui alto teor de tanino, o que o torna um fungicida natural.

• A empresa Poematec produz em 3 linhas:

Linha Automotiva - assentos e encostos para

bancos de automóveis e caminhões, e mantas anti-ruído.

Linha Jardinagem (Amazon Garden) - vasos,

placas, estacas, meios-vasos, mantas geotêxtil e adubos de pó de coco e fibrinhas.

Linha

Colchões

e

mantas:

lâminas

para colchões tamanho casal, solteiro com várias espessuras, densidade e porcentagem de espuma de látex (importada).

Todas as peças contém tanino natural da fibra

de coco (fungicida) inibindo a formação de fungos e

Banco para Automóvel em Fibra de Coco da Poematec

ácaros e substituem produtos oriundos de fontes não sustentáveis, além de serem produzidos com alta tecnologia.

Vasos para Jardinagem em Fibra de Coco da Ouro Fértil

109


110

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Mantas de Juta em com Fibra Aberta em Diversas Cores

Juta

Fibras de Juta ao Sol para secagem

já que os feixes não se separam tão bem no sentido

A juta (Corchorus capsularis) é obtida da planta tiliáceal. Seu ciclo é anual, ou seja, alcança a Trama da Juta em Detalhe - Cor Natural

maturidade no decorrer de um ano, produzindo sementes para

longitudinal. Elas apresentam um fino “brilho” sedoso, um toque grosseiro e áspero, embora as de melhores qualidades sejam suaves e macias. É uma fibra barata, e se encontra disponível em grande quantidade.

Para obtenção dos fios, a planta é batida até que

os demais períodos de cultivo, porém exigindo, para

sobrem apenas as fibras, que são retiradas da casca do

um bom desenvolvimento, calor e umidade. Possuem

caule pelo processo de maceração. As fibras mais curtas

um caule reto com circunferência de cerca de 3,80 cm

e

detritos

do

e altura entre 1,5 e 3 metros.A coleta da juta exige

beneficiamento,

da

que os trabalhadores entrem em áreas pantanosas,

fiação e da tecelagem

com água até a cintura.

são

péssima

As fibras apresentam baixa elasticidade; recuperação

amarrotamento;

à

dobra,

deterioram-se

compressão rapidamente

ou com

umidade, tornando-se quebradiças, fracas e escuras; e tem baixa resistência à ação de microorganismos. A fibra de juta apresenta, geralmente, um brilho sedoso e, quando comparada ao linho, é mais quebradiça, o que a impede de ser transformada em fios finos,

os

aproveitadas

como estopas para limpeza de máquinas, por

absorverem

facilmente graxas e óleos.

A

aplicação

mais comum da juta é para confeção de tecidos.

Os vasos, bandejas e bowls têm armação de ferro e são forrados de juta colorida - Estúdio de design americano Accents by Design


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Linho

Desfibramento Artesanal do Linho

à sua capacidade de absorção: ele consegue sugar até

O linho (Linum usitatissimum) é uma

planta herbácea que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lináceas. Compõe-se basicamente de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de uma substância lenhosa. Produz sementes

20% do seu peso seco em umidade, sem que isso seja perceptível ao toque. Por isso, quem usa roupas de linho fica com a sensação de frescor e conforto o tempo todo. Além disso, a suavidade do tecido vai aumentando conforme o uso. Versátil, ele pode ser usado em roupas de cama e mesa,

oleaginosas e a sua farinha é utilizada para cataplasmas

na

de papas, usada para fins medicinais.

no vestuário. O que diferencia o

Tem como principal característica, o aspecto rústico sendo uma fibra bastante forte e de aparência lustrosa. Se combinado corda de

Linho

com a viscose torna-se bastante favorável ao processo de tingimento.

Tecido de Linho

decoração

e,

principalmente,

uso para uma ou outra finalidade é o peso do tecido. Os mais finos rendem peças mais transparentes e fluídas, por isso, são perfeitas para camisas e batas. Para calças, ternos e vestidos os tecidos mais

O tecido de linho é muito resistente e

grossos, como os mistos, são os

confortável;

mais indicados.

lava-se

com

facilidade;

não encolhe; bom condutor de calor;

amarrota com facilidade; queima com facilidade; duráveis e fáceis de serem lavados: quando molhados, a resistência dos mesmos pode ser 20% superior ao mesmo tecido em estado normal. Na moda é indicado para o verão graças

111


112

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Chinelo Japonês em Palha de Arroz (Zori) - Artesanato Tradicional

O

uso

da

palha

de

arroz para confecção de objetos é uma tradição

Plantação de Arroz

no Japão onde é utilizado

Palha de Arroz

para

revestimento

tatames

As palha de arroz, milho e trigo apresentam

dos

nos

pisos

das

casas tradicionais e para

grandes possibilidades de inserção tanto no artesanato

produção do zori (chinelos

como no setor industrial, por se tratarem de cultivos que

em

geram grande quantidade de fibras, que normalmente Tatame com Forro em Palha de Arroz e Revestimento com Fibra de Junco

não têm um destinho aproveitável.

palha

de

arroz)

japonês. Aguns cuidados devem ser tomados com

O arroz, constituído por sete espécies (Oryza

o material: deve ser limpo

barthii, Oryza glaberrima, Oryza latifolia, Oryza

apenas com aspirador de

longistaminata, Oryza punctata, Oryza rufipogon

e Oryza sativa) é uma planta da família das gramíneas

das fibras; não deve ser

que alimenta mais da metade da população humana

lavado, não deve ser usado

do mundo. É a terceira maior cultura cerealífera do

alvejante à base de cloro,

mundo, apenas ultrapassado pelo milho e trigo.

passado

no

sentido

não deve ser passado à Tapete em Palha de Arroz

A palha de arroz é uma

ferro.

fibra natural que não pode ser molhada. A cor verde da fibra indica um corte recente, que vai amarelando com o tempo, ou seja, resseca como qualquer vegetal.

• No Brasil, o estado do Rio Grande do Sul é o

maior produtor de arroz, tendo destaques as cidades de Uruguaiana, Cachoeria do Sul e Cerro Branco.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

reciclagem e reaproveitamento dessa matéria-prima,

• Coleção Pampas - Tramas e Fibras:

Projeto desenvolvido pela Gueto Ecodesign com apoio do SEBRAE-RS para a associação de artesãs de Tramas e Fibras em Uruguaiana(RS). Neste projeto criou-se uma linha de produtos com a casca de arroz proveniente das lavouras locais, onde procurouse, juntamente com as artesãs, uma referência local. Valorizamos a california das conções e os pampas

Coleção Pampas Desenvolvido pela Gueto Ecodesign, Sebrae e Artesãs da Comunidade Tramas e Fibras em Uruguaiagana (RS)

numa linguagem objetiva regional.

• O Rice Paper Project é um empreendimento

industrial da empresa Ecocell destinado à fabricação de papel de palha de arroz

para embalagens no

extremo sul do Brasil. O projeto está baseado na

buscando a utilização racional dos insumos regionais.

113


114

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Oficina de Artesanato em Palha de Milho promovido Pela Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas (MG)

Tabuleiro e Peças Artesanais para Jogo Xadrez em Palha de Milho

No milho nada se perde: o

Palha de Milho

seu caule maduro é alimento

O milho (Zea mays L.), da família das gramíneas, originário

provavelmente

os estigmas

das flores hermafroditas são

América do Sul, de onde

usados pela medicina oficial

se espalhou pelas regiões

como

subtropicais e temperadas

são um sucedâneo da cevada

do mundo, é vastamente

na fabricação de cerveja; os

em

diversos

países, inclusive no Brasil.

poderoso

diurético

e

cachimbo com espiga de milho da

Henry Tibbe & Co.

grãos são reservas de amido, glicose e óleo com os quais

É planta anual de caule

produzem-se:

ereto, que chega atingir

“nylon”,

matérias

alimentos, plásticas

Balas de Doce de Leite Embaladas em Palha de Milho - Artesanato Popular de Minas Gerais

até cinco metros de altura, sendo,

diversas e borracha sintética

por

das

empregada na produção de fibras artificiais com boa

plantas cerealíferas. Um grão de

força de tensão e propriedades semelhantes às da

milho dá origem a um caule nodoso

seda.

conseguinte,

a

maior

que é portador de uma e até três espigas-de-milho e cada espiga é portadora de centenas e centenas Papel Artesanal com Palha de Milho da Moinho Brasil

combustível;

das regiões tropicais da

cultivado

Fibra de Milho Trançada

para o gado e seco é ótimo

de grãos.

Debulhada a espiga-de-milho, os sabugos não são atirados fora, pois a indústria aproveita-os na fabricação de celulose para o papel. Nos sertões, onde não se conhecem a latrina e o papel higiênico, o roceiro utiliza-


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Cestaria em Taboa e Palha de Milho do Designer Renato Imbroisi produzido pelos Artesãos de Mato Dentro - MG

Bolsa com Estrela de Quatro Pontas em Palha de Milho Design de Fabíola Bergamo

Boneco Espantalho em Palha de Milho, Juta e Feltro - Recife (PE)

braceletes, bonecas entre outras peças.

Artesanato Popular - Peças em Palha de Milhos

se do sabugo para “limpar-se”.

A palha de milho - brácteas, folhas ou folheios

que recobrem as espigas de milho são utilzadas para produção de artesanato: exigindo do artesão o trabalho de desfiar, torcer, moldar, tingir e trançar. Além da palha do milho as artesãs utilizam outros produtos, inclusive o sabugo e os “cabelos” do milho para confeccionar bonecas.

• Apiaí, Assis, Guaratinguetá, Itapeva, São

Bento do Sapucaí e Silveiras, são os municípios mais representativos do Estado de São Paulo onde que trabalham com esta matéria-prima, com a qual são produzidas bolsas, sacolas, tapetes, esteiras, cestos,

Diversas Aplicações para o Plástico Biodegradável Produzidos a partir do Amido de Milho desenvolvido pela COOPE-UFRJ

115


116

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

domésticos, como o feno. Pensa-se que o trigo foi primeiramente

cultivado

no Crescente Fértil, no Médio Oriente. • O Projeto Tranças da Terra reúne mais de cem famílias do Meio Oeste de Santa Catarina que, de forma associativa e em

rede,

desenvolvem

um trabalho artesanal a partir da palha de trigo respeitando

as

raízes

culturais desta região. A

Plantação de Trigo

essência do projeto tem como base as dimensões do conceito de desenvolvimento, levando em conta a sustentabilidade social, econômica, ecológica, territorial e cultural e os princípios do comércio justo. Produtos Desenvolvidos no Projeto Tranças da Terra - Região do Vale do Rio Peixe (SC)

Palha de Trigo

O trigo (Triticum spp.) é uma gramínea que é

cultivada em todo mundo. Globalmente, é a segundamaior cultura de cereais, a seguir ao milho; o terceiro é o arroz. O grão de trigo é um alimento básico usado para fazer farinha e, com esta, o pão, na alimentação dos animais domésticos e como um ingrediente na fabricação de cerveja. O trigo é plantado também estritamente como uma forragem para animais

A idéia nasceu de um projeto de iniciação científica na Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC – campus de Joaçaba. Em conjunto com a Associação dos Municípios do Meio Oeste Catarinense – AMMOC, a pesquisa ganhou força por meio do apoio e articulação do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina - SEBRAE/SC e consultoria em Design da Gueto Ecodesign.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

O resíduo obtido sua é

limpeza,

o

conhecido

de qual como

bagaço, fita ou borra, serve para cobertura de

Tradicional Vassouras de Piaçava

casas nos meios rural

Piaçava

e urbano. Atualmente este produto é muito

Piaçava ou piaçaba (Attalea funifera

utilizado na cobertura

Martius) é uma palmeira nativa e

de quiosques em áreas

endêmica do sul do Estado da Bahia. O nome vulgar é de origem tupi, traduzido como

“planta

fibrosa”

que

Cocar da Tribo Yatê em Piaçava e Pena de Galo

tem

de lazer como sítios, clubes e praças. Outro emprego do mesmo é

diversas aplicações.

como isolante térmico.

A importância econômica

Do “coco” da piaçaveira

da

fabricam-se

piaçaveira

está

na

extração das suas fibras industriais

altamente

resistentes, destacandose

as

seguintes

fabricações:

vassouras,

enchimento nos assentos de

carros,

escovões para a

cordoaria,

de

carros

piaçava

limpeza (somente

resiste

sem

quebrar a rotação e o atrito dessas máquinas) e em equipamentos de varrer neve.

Sousplast e Objeto Decorativo em Fibra de Piaçava do Designer Luís Galvão

botões,

boquilhas de cachimbo, piteiras,

punhos

de

bengalas. Tem semelhança com materiais tais como o osso, a madrepérola e o marfim, podendo imitar bem objetos feitos nesses materiais.

117


118

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Cordas de Rami

químicos. Em termos de processo produtivo, esta cultura apresenta baixo padrão tecnológico, sendo bastante intensiva no uso da mão-de-obra, da qual exige muito esforço físico. Além disso, a máquina piriquito utilizada na sua descorticagem é perigosa e ineficiente, redundando

Rami

na alta incidência de acidentes de trabalho.

rami

pode

ser

utilizado

em

diversos

O rami (Bochmeria nívea) é

segmentos: fabricação de tecidos, cordas e barbantes;

uma planta de fibras longas, tem

como também pode gerar a celulose para a produção de

em média 150 a 200 milímetros de

papel moeda, devido à sua resistência. Além disso pode

comprimento, a exemplo do linho,

ser empregado na fabricação de mangueiras, pneus,

juta, sisal e cânhamo. Pertence à

fios de pára-quedas e tecidos (principal aplicação).

família das urtigas mas não “queima” como estas, porque não tem os pêlos urticantes. Apresenta alta resistência, sendo considerada três vezes superior à do cânhamo, quatro vezes à do linho e oito vezes à do algodão.

Pulseiras feitas com Cordões de Rami Coloridos

O

No Brasil, o cultivo de rami encontra-se numa

situação bastante delicada, pois, a baixa demanda do produto tem provocado o abandono das lavouras, sendo poucos os produtores que estão colhendo e estocando suas

O processo de beneficiamento é

safras. Os principais problemas enfrentados pelo setor

constituído da descorticagem e

dizem respeito fundamentalmente a: baixa qualidade

da desgoma. A primeira etapa

das fibras; monocultura; baixa competitividade do rami,

é feita ainda no campo, através

comparado às outras culturas; defasagem tecnológica;

de

ou

e; tendência de queda da produção. O principal produtor

descorticadoras, sendo as mais

mundial é a China que oferece um produto de melhor

utilizadas

qualidade e preços menores.

máquinas

desfibradoras

conhecidas

como

piriquitos, que separam as cascas das hastes. Já a desgomagem é feita nas indústrias via processos


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Rattan O

rattan

(Calamus uma

ou

rotim

rotang)

palmeira

Cachepôs de Rattan

aceita todos os tipos de

é

pintura, possibilitando

trepadeira

as

originária da Ásia e Oceania, que

freqüentemente

projetos

confundida com o bambu,

por alguns de rattan, mas trata-se de um outro material.

mobiliários.

são Poltronas em Rattan

e

descascados umidecidos

água

para

com fazer

os trançados. Por ser flexível, é mais indicada para revestimentos e amarrações. Sua maior aplicação está

O rattan cresce à sombra das árvores de maior porte, nos terrenos úmidos das florestas tropicais e são mais comuns no sul do país Bola Decorativa com Fibra de Rattan

em

Os feixes dessa planta

pois o exterior de ambas são semelhantes. No entanto mistura de vime e junco torcido também é chamada

variadas

composições

é

o rotim é maciço e o bambu oco em seu interior. A

mais

por se tratar de um vegetal que se desenvolveu em

clima frio. Pode atingir 150 metros de comprimento e precisa de 8 anos para ser utilizado na indústria do mobiliário. Permite a fabricação de peças resistentes,

na produção de mobiliário.

119


120

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Fibra de Sisal

Os

principais

derivados são:

Sisal

fios

utilizados

produtos

desta

fiba

biodegradáveis em

artesanato;

enfardamento de forragens;

O sisal (Agave spp. Agavaceae) é uma

cordas de várias utilidades,

planta utilizada para fins comerciais. A sisalana

inclusive navais; produção

é cultivada em regiões semi-áridas. No Brasil, os principais produtores são os estados da Paraíba e da

Porta Jóia Oval em Sisal

de estofados; pasta para indústria

de

celulose;

Bahia.

produção de tequila; tapetes decorativos; remédios;

É uma fibra pouco elástica e sua cor varia do

biofertilizantes; ração animal; adubo orgânico e sacarias.

amarelo pálido ao branco. O sisal tem sua utilização

Os tapetes de sisal, por exemplo: absorvem o som,

muito difundida na Capital de São Paulo e em

são antiestáticos, retardam a combustão e são muito

municípios da Grande São Paulo, como é o caso de

duráveis devido à rigidez e resistência da fibra. A

Guarulhos. Os artesãos adquirem a fibra processada

fibras podem ser utilizadas com vantagens ecológicas

industrialmente e a utilizam na produção de objetos

na indústria automobilística, substituindo a fibra de

como luminárias, cortinas e outros, que têm cunho

vidro: uma fibra sintética demora até 150 anos para

de artesanato tipicamente urbano.

se decompor no solo, enquanto a fibra do sisal, em meses, torna-se um fertilizante natural.

s


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Artesanato em Palha de Taboa - Artesãs de Santa Catarina com Apoio do Sebrae e Conslultoria de Design da Gueto Ecodesign

uma praga. Planta altamente flexível, a taboa é muito comum em todo o Brasil e

continente

para

americano.

revestimento

e

Utilizada

amarrações,

não recebe tratamento químico, devendo apenas estar seca para

Produtos em Palha de TAboa Produzidos pelas Artesãs Associadas de Feliz Porto (AL)

Taboa A

taboa

(Typha

domingensis)

é uma planta aquática, típica de brejos, manguezais, várzeas e outros espelhos de águas. Recebe diversos nomes populares: capim-de-esteira, erva-de-esteira, espadana, landim, paina, paina-de-flecha, paineira-deflecha,

paineira-do-brejo,

paneira-

ser Jogos Americanos em Palha de Taboa e Fibra de Algodão Desenvolvidos pelo Designer Renato Imbroisi

trançada.

É

muito

comum

encontrarmos móveis com as fibras já tingidas em diversas tonalidades. A sua fibra, durável e resistente, pode ser utilizada como matéria-prima

para papel, cartões, pastas, envelopes, cestas, bolsas, tapetes, capachos, esteiras, sacolas, sandálias, redes, chapéus. Faz-se, também, empalhe e revestimento de móveis.

• Bastante utilizada nos municípios paulistas

de-brejo, paneira-do-brejo, partasana, pau-de-lagoa,

de: Guarujá, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba,

tabebuia,

no Litoral; e Guaratinguetá, Ilha Solteira, Lins,

taboinha,

tabu,

tabua,

tabuca,

tabuba,

tifa, totora. Mede cerca de dois metros e na época de reprodução apresenta espigas da cor café contendo milhões de sementes que se espalham pelo vento. Altamente adaptável, encontra-se espalhada por todo o mundo, e em algumas partes é até mesmo considerada

Paraibuna e Potim.

• Artesãs Associadas de Feliz Deserto (AL) -

Artesanato em Taboa é um dos maiores atrativos turísticos da cidade.

121


122

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sousplat de Tucumã

As

Anéis feitos com Semente de Tucumã e Prata da Designer Rita Prossi (AM)

sementes

resistentes

tucumã

tamanhos

metros de altura, sempre provida

de

Fruto

metade superior do tronco. Muito comum no estado do Amazonas, ocorrendo em campos de terra firme

e nas matas secundárias. Popularmente conhecido também como tucum e tucumã-açú. Suas folhas, maceradas, fornecem uma fibra

resistente utilizada no artesanato de malhadeiras e redes de dormir. O fruto tem grande valor nutritivo, e pode ser consumido na forma de sorvetes, doces e compotas. Com a polpa, pode-se preparar o “vinho

que

possibilitam

a

físicas de dureza semelhabtes

de espinhos longos, dispostos na

de tucumã”.

teor

chegam a ter características

da Amazônia que alcança de 10 a 15

alto

confecção de biojóias, pois

(Astrocaryum

aculeatum) é uma palmeira nativa

Palmeira de Tucumã

com

altamente

dureza e apresentam diversos

Tucumã O

são

O fio de tucum é produzido a partir das folhas da palmeira de

Tucumã. Esta

fibra é enrolada manualmente até tornar-se um fio forte e resistente.

Na foto

rolos confeccionados pela

Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro Numia Kuruá - em Manaus.

ao dos metais.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Varas de Vime Secam ao Sol pelo período de 3 dias

Artesão Executando o Trabalho do Trançado em Vime

Vime O

vime

viminalis) planta das

é

da

uma família

salicáceas.

conhecidas 300

(Salix

São

cerca

espécies

de

desse

gênero, entre árvores e arbustos, espalhadas

úmidos. Também é flexível e a maneira mais fácil de diferenciar móveis de rattan de móveis de vime é pela

pela Europa, América

cor: ao natural, o vime possui uma tonalidade mais

do Norte, Ásia e África.

avermelhada do que o rattan e pelo toque: o vime

No Brasil, são cultivadas

estala ao receber uma “batida”.

principalmente no Sul.

Geralmente é trabalhado em tiras e só os

substituíram, seu cultivo diminuiu sensivelmente. Hoje,

detalhes do acabamento são feitos com as varas mais

somente alguns países do leste europeu, como a ex-

fininhas, inteiras. Por ser de utilização muito antiga

União Soviética, Polônia e Hungria, mantém seu cultivo

os objetos de vime trazem em si um apelo histórico

em níveis consideráveis. Poucos países atualmente se

que mistura à decoração aspectos de tradicionalismo.

interessam pela fabricação de móveis de vime, apesar

Como o rattan, os feixes de vime são tramados ainda

de durante muito tempo, ter existido uma indústria

Com o advento dos produtos sintéticos, que o

123


124

124

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

desenvolvida na França, Espanha e Itália. •

O

cultivo

está mudando a vida

rentabilidade de cultivos tradicionais, como arroz,

de muitas famílias de

milho e feijão, em pequenas áreas.

agricultores

Planalto

Santa do

Sul

Catarina. que

fonte cultura

de

em Mais

expressiva renda,

contribui

a

para

a absorção de mão-deobra local, sendo importante ocupação no período de entressafra dos plantios anuais de verão e uma forma alternativa de geração de emprego, com o artesanato.

O vime torna viável a sobrevivência de muitos

agricultores, despontando como alternativa à baixa

do

Poltrona Scopo - Confeccionada em vime, eucalipito e algodão - Design de Bernadete Brandão e produção da Movime ganhadora do Prêmio Ecodesign 2002

vime

pequenos

do

definir normas técnicas para seu cultivo.

• Nos municípios de Bom Retiro, Bocaina do

Sul, Rio Rufino, Urubici, Urupema e Palmeira, mais de 1.200 agricultores estão cultivando 1.215 hectares, com produção anual de quase 16 mil toneladas que rendem 5 mil toneladas de vime seco. Cada hectare ocupa de forma direta 7,65 pessoas por ano, entre agricultores e artesãos. Nessa região, circunvizinha ao município de Lages, estão concentrados 90% da produção nacional. Explorada durante décadas nos povoamentos espontâneos brotados nas margens dos cursos de água, a planta, também chamada de vimeiro, está sendo vista de quatro anos para cá com outros olhos, principalmente pelos profissionais da Epagri - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, interessados em conhecê-la cientificamente e


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

125


126

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sementes

O uso de sementes dentro do artesanato e do design brasileiro tem amplo espaço no ramo da

joalheria. São as chamadas ecojóias ou biojóias, que através do emprego das variadas sementes combinadas aos metais e pedras preciosas e semi-preciosas têm traçado o perfil da joalheria nacional, sendo justamente a utilização destes materiais o “diferencial” frente ao mercado mundial. A aplicação de sementes na joalheria, bem como em outros artefatos, confere preciosidade às peças, pois evidenciam a beleza por cores e texturas ajudando a identifcar a “marca Brasil”.

Fagulha de pinhão, jarina, patuá, guayruru, feijão, saboneteira, baru, jatobá, lágrima-de-nossa-

senhora, olho-de-boi, olho-de-cabra, açai, buriti, seringueira, tucum, urucu, paxiubinha, côco naja, paxiubão, licuri, bacaba, murmuru e jarina são apenas alguns exemplos de sementes brasileiras disponíveis e aplicadas nas jóias de produção artesanal e semi-industrial.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sementes de Açaí Rajadas

Semente de Babaçu (Coco)

Sementes de Bacaba

Sementes de Buriti

Sementes de Buritirana

Sementes de Camaru Ferro Cascalho

Sementes de Cérebro

Sementes de Chapéu de Napoleão

Sementes de Fava Rajada

Sementes de Feijão Branco e Preto

Sementes

de

Carnaúba

Sementes de Fava Branca

127


128

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sementes de Flamboyant

Sementes de Inajá

Sementes de Jarina (Marfim Vegetal)

Sementes de Jatobá

Sementes de Jatobá Rajado

Sementes de Jeriva

Sementes de Jupati

Sementes de Lágrimas-de-Nossa-Senhora

Sementes de Licuri

Sementes de Macaúba

Sementes de Mirindiba

Sementes de Moela


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Sementes de Morototo ou Mara-Mara

Sementes de Mucuri

Sementes de Murumuru

Sementes de Olho-de-Boi

Sementes de Olho-de-Cabra

Sementes de Patuá

Sementes de Pau-Brasil

Sementes de Paxiubão

Sementes de Paxiubinha

Sementes de Saboneteira

Sementes de Seringueira

Sementes deTiririca

129


130

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

O Design e o Artesanato Aplicados às Sementes

Porta-Ovos com feito com sementes de Lágrima-de-Nossa-Senhora - Design de Fabíola Bergamo

Bilros com Madeira Sabiá e pontas em Noz de Tucum

Xale de Algodão com detalhes nas pontas em Semente Fagulha de Pinhão - Design de Renato Imbroisi

Chocalho Maracá feito com Cabaça e Sementes de Maramara

pulseira com

Semente de Pau-Brasil predominante


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

131


132

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Pedras

Para atestar a riqueza dos recursos naturais brasileiros, segue-se uma pequena amostra de pedras

que podem ser encontradas no Brasil. Apesar de ser um material pouco explorado pelo Design, com excessão do ramo de joalheria, é uma opção de matéria-prima que pode apresentar aplicações inovadoras e inusitadas. As variadas cores e o brilho das pedras-preciosas e semi-preciosas e o ar natural e tom opaco da pedrasabão podem ser aplicados na produção e decoração de peças utilitárias e decorativas, bastando um olhar diferenciado do designer frente à este material, que tem muito a ser conhecido.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Pedras Preciosas e Semi Preciosas

Alexandrita

Ágatas

Uma das mais místicas pedras. É uma “esmeralda” de dia e um “rubi”de noite. À luz do dia

A Alemanha foi a principal produtora

é verde e, com luz artificial,

até o início do século XIX, hoje

vermelha. Quanto mais espessas

suas jazidas estão esgotadas. As ágatas

sul-americanas

em

as pedras, maior a facilidade de se

geral

ver a mudança de cor. Seu nome,

são cinzentas. Seus desenhos são

alexandrita, deve-se ao Czar Alexandre II. As histórias

revelados através de processos de tingidura que já

contam que foi descoberta em 1830 no mesmo dia que

eram conhecidos pelos antigos romanos. É uma pedra

o Czar Alexandre II fazia aniversário eo seu nome foi

de cor variável, onde em uma pedra pode-se encontrar

dado a pedra.

muitas cores.

• Jazidas: Sul do Brasil e Norte do Uruguai

• Jazidas: As jazidas de Alexandrita estão

localizadas principalmente em Sri Lanka e Zimbabue e Brasil, mas não possuem uma mudança de cor muito

Água-marinha

expressiva quanto as encontradas antigamente nos

Juntamente com a esmeralda,

Montes Urais, na Rússia. Em 1987, foi descoberta no

berilo

Brasil uma alexandrita em que a mudança de cor é

e

morganita,

pertence

ao grupo do berilo. Seu nome é devido à sua cor, do latim “acqua

marinae”.

Os

cristais

impressionante.

Ametista

grandes são relativamente frequentes. Em 1920 foi

A ametista é a pedra mais

encontrado o maior cristal no Brasil: pesava 110 Kg

apreciada

aproximadamente.

• Jazidas: As Águas-marinhas são encontradas

quartzo. sempre

do Os

grupo seus

crescem

do

cristais

sobre

uma

base. Quando têm formato de

principalmente no Brasil, onde existem as maiores

pirâmides, a cor mais intensa predomina nas pontas

jazidas, mas também em outros países, como por

dos cristais. Existem algumas variedades de ametista,

exemplo: Magadascar, Austrália, Índia, Africa do Sul e

podendo apresentar faixas brancas de quarzo leitoso.

EUA.

O nome, Ametista, vem do grego e provavelmente significa “não bebido”ou ainda “não ébrio” devido, provavelmente, à sua história na mitologia.

133


134

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

• Jazidas: As Ametistas são encontradas em geodos,

Diamante

gretas ou jazidas aluvionares. As jazidas mais importantes estão no Brasil, Uruguai e República de Malgaxe.

O do

Berilo

grego

e

vem

significa indomável”

Assim como a Esmeralda e

devido a sua dureza. Há, na

Água-marinha o Berilo é do

história, diamantes famosos,

mesmo grupo ou família,

principalmente por seu tamanho ou por sua cor. No

é

pode

Brasil, os primeiros diamantes foram encontrados em

ter várias cores, como o

1725, em Diamantina-MG. Durante os séculos XVIII e

uma

gema

que

e rosa. Sua composição é de Silicato de alumínio e berilo. • Jazidas: Os principais centros de extração do

Berilo é no Brasil, mas também pode ser encontrado nos EUA, na Africa, Australia e Índia

Citrino O nome, citrino, é derivado de sua cor amarelo-limão (do latim citrus). A maioria dos citrinos que se encontram no mercado são na realidade ametistas que quando aquecidas adquirem a cor de citrinos. Os citrinos de cor natural são raros e geralmente são chamados, erroneamente de topázio.

diamante

“inconquistável,

tranparente, amarelo, verde

nome

XIX, o Brasil liderou a produção mundial de diamantes, superado depois pela África do Sul. Apenas 20% dos diamantes são utilizados para joalheria, todo o resto é aproveitado na área industrial

• Jazidas: Atualmente, a África do Sul é a maior

produtora de diamantes do mundo. Foram encontradas, neste país, chaminés vulcânicas que contém a rocha matriz diamantífera. Podem ser encontrados também em muitos outros lugares da Terra, como o Brasil e a Sibéria.

Esmeralda A

esmeralda,

assim

como

o berilo e a água-marinha, é do grupo do berilo e é a pedra mais nobre dele. O seu nome provém do grego “smaragdos”, mas a origem provavelmente é do hindu

• Jazidas: As jazidas mais importantes de citrino

antigo e significa “pedra verde”. Somente as qualidades

estão no Brasil, República de Malgaxe, EUA, Espanha e

mais preciosas de esmeralda são transparentes.

Montes Urais.

Geralmente esta pedra aparece com inclusões e estas não são consideradas defeitos desde que não sejam


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

importantes. Estas inclusões, muitas vezes, são prova

Ônix

de que a pedra é autêntica.

É uma variedade da ágata.

• Jazidas: As jazidas mais importantes de

Também é chamado de

esmeralda estão na Colômbia. A melhor delas foi

“pedra unha”. Usado com

explorada pelos incas e posteriormente abandonada.

freqüência para confecção

No séc XVII esta jazida for redescoberta e possui esmeraldas de qualidade muito fina. Existem também

de camafeus. O ônix preto era muito valorizado para contas de rosários (terços). Existem ônix com variadas

jazidas no Brasil e no Zimbabue.

cores uns de faixas brancas alternando-se com preto,

Granada

marrom, vermelho e preto.

Opala

É uma gema que pode ter várias cores, à excepção do azul. os tons rubros vão desde

As

conhecidas

o framboesa ao vermelho cor

grande

de sangue. os tons de verde são

equivalentes

esmeraldas,

aos

existindo

utilização adequada a todos os gostos e acessível a todos os bolsos. O nome granada não designa uma gema, mas um grupo de gemas. As granadas mais importantes como pedras preciosas são piropo (a mais valiosa), almandina, espessartina, grossulária e andradita. Conforme a espécie, pode-se ter granada

pedras

pela

variedade

sua de

Seu jogo de cores varia

ainda

Os variados aspectos das granadas possibilitam uma

são

cores na mesma pedra.

das

granadas em tonalidades de amarelo, laranja e castanho.

opalas

segundo o ângulo em que se olha. Há tempos atrás, estas cores eram explicadas como sendo uma refração da luz sobre lâminas muito finas .Hoje sabemos que são minúsculas esferas do cristal cristobalita inclusos em uma massa de sílica. O nome Opala é de origem sânscrita “upala” que quer dizer pedra preciosa. Opalas de elevada qualidade chegam a ser mais valiosas que os diamantes.

incolor, vermelha (a mais comum), amarela, marrom,

preta e até verde (chamada demantóide).

nobresprovinhamdaextremidadeorientaldaTcheco-Eslováquia.

• Jazidas: Os principais centros de extracção de

granadas são a África do sul, o Sri-lanka, Madagáscar, Brasil, Índia e Austrália.

• Jazidas: Até o inicio deste século, as opalas mais

Logo depois foram encontradas jazidas australianas, de boa qualidade. Existem jazidas também no Brasil, Guatemala, Honduras, Japão e EUA. Acredita-se que as opalas demoram aproximadamente 60 milhões de anos para se formar.

135


136

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

sua formação natural. A produção das pérolas

Peridoto

cultivadas é causada pela introdução de corpos

O nome desta pedra é derivada do grego, mas seu significado é

desconhecido.

um

sinônimo,

Crisólita,

significa

(do

grego) “pedra de ouro”. Em mineralogia, o nome usado para o peridoto é Olivina

estranhos nos moluscos.

Jazidas: As pérolas de melhor qualidade

encontram-se no Golfo Pérsico (pérola do oriente). Existe também extração na Índia e Sri Lanka, na Austrália e na América Central. As pérolas cultivadas são produzidas em larga escala no Japão.

(por sua cor verde-oliva).

Quartzo

• Jazidas: As jazidas do Mar Vermelho e Zebirget

vem sendo exploradas há 3.500 anos. Pedreiras na

Quartzo

Birmânia produzem pedras muito boas. Os peridotos

também como Cristal de Rocha. A

também podem ser encontrados na Austrália, Brasil

palavra cristal deriva de krystallos

(Minas Gerais), África do Sul, E.U.A e Zaire. No norte

(palavra grega que significa gelo). Na

da Ásia existem peridotos lapidados procedentes de

antiguidade acreditava-se que o cristal

um meteorito caído em 1749, na Sibéria

de rocha era um gelo eterno.

Pérola

com Murion e Smoky Quartz é muito usado em meditações,

vem do latim e seu significado talvez venha de um molusco forma As

ou

devido

esférica

pérolas

são

a

sua

“sphaerula”. produzidas

por moluscos e seu tamanho varia do de uma cabeça de alfinete e o de um ovo de pomba. A maior pérola encontrada pesa 450 quilates. A pérola se origina de uma reação do molusco a corpos estranhos que penetram no seu interior.

Conhecido

Quartzo Fumê: Também conhecido

A origem da palavra pérola

“perna”

Cristal:

As pérolas cultivadas não são uma imitação,

mas sim uma forma do homem colaborar para

permite penetrar em áreas obscuras trazendo luz e amor. O quartzo fumê é associado com o chakra do umbigo e é um dos cristais mais poderosos, também ajudando a estimular e purificar as energias. Esse tipo pode ser encontrado em várias qualidades de cristal, mas considero os de quartzo branco e fumê os que podem trazer maior força energética, por serem considerados universais. Quartzo Rosa: Está sintonizado com

os

Aumenta

estados a

emocionais.

expressão

física

do

amor. Nos dá paz interior. Dissolve cargas acumuladas que reprimem a capacidade de dar e receber amor, acredita-se que


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

uma jóia de quartzo rosa é muito bom para crianças,

Safira

pois ajuda a desenvolver um espírito educativo e compassivo.

O nome Safira, vem do grego e

de

significa “azul”. Antigamente, o

manifestando

nome safira era utilizado para

abundância, estimula a criatividade

designar todas as pedras azuis. A

e facilita a vida, mantém os pés no

safira pertence ao mesmo grupo

chão; é também conhecida como

do rubi, o grupo dos coríndon. As

aventurina.

safiras possuem diversas cores,

Quartzo quartzo

Quartzo

Verde: verde

-

Cristal

Cristais

Rutiloso:

Da

mesma famíla do Quartzo Cristal é um quartzo diferente por ser

desde o azul, amarela, roséa, laranja pois a única cor da família dos coríndons que não é safira é a vermelha, que é o rubi.

riscado naturalmente, da onde vem

o seu nome rutiloso. Assim como o

esmeralda estão na Austrália (Queensland desde 1870),

Quartzo Cristal, é muito usado para a meditação e a

Birmânia, Sri Lanka e Tailândia. As melhores Safiras

elevação do espirito.

vinham, antigamente, de Kashmir, na Índia; a jazida

se encontrava a 5000m de altitude e estava sendo

• Jazidas: É encontrado em todo o mundo.

• Jazidas:

As jazidas mais importantes de

explorada desde 1880 e parece estar esgotada.

Rubi

Topázio

O nome rubi vem do latim “Ruber” que

significa

vermelho.

Assim

Normalmente

como a safira é do grupo dos

Topázio

Coríndons. É o mineral mais duro esmeraldas,

possuem

cor de mel, cereja escuro, verde claro, azul e rosa. O nome Topázio

dos rubis são utilizados para joalheria. Os rubis grandes

deriva da palavra Grega (Bllhar) e

são raros e muito valiosos. • Jazidas:

As jazidas de Rubi estão localizadas

principalmente em Sri Lanka, Birmânia, Tailândia e Tanzânia.

dourado,

ainda ser amarelo-laranja, vermelho,

muitas

inclusões que são provas de sua legitimidade. Apenas 1%

amarelo

no

transparente. no entanto, ele pode

depois do diamante. Assim como as

como

pensa-se

também se aplica à palavra fogo. O Topázio Imperial e os Rosas são os mais valiosos.

• Jazidas: O Topázio encontra-se no Brasil, na

Nigéria e no Sri Lanka

137


138

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Turmalina

Turmalina

rosa:

Conhecida

também como Turmalina Rubelita,

Nenhuma gema possui tanta

suaviza as emoções e facilita o

variedade de cores como a

processo

criativo.

turmalina. Os holandeses

pessoas

com

vem do singalês, turamali. As turmalinas de uma só cor são muito raras. Num mesmo cristasl ocorrem, com frequência , distintas

bom

para

dificuldades

nos

relacionamentos e com medo de

levaram as turmalinas á Europa em 1703. O nome

É

se ferirem em questões amorosas. Ajuda a pessoa a aceitar e amar a si mesma. É a doadora de amor na esfera material. Gera alegria e entusiasmo pela vida. Turmalina

tonalidades e inclusive cores.

verde:

é

considerada

a pedra de maior poder de cura.

Turmalina azul: Também conhecida

Ajuda a equilibrar todas as áreas. É

como Turmalina Indicolita, é uma

extrememente benéfica. Estimula a

classe de turmalina muito rara,

criatividade e a comunicação. Ajuda

quase escassa, muito desejadas

a reconhecer e a evitar as energias

pelos peritos de pedras preciosas, é

negativas antes que estas se tornem um

considerada a pedra da franqueza e da fraternidade. Turmalina

negra:

Pedra

mais poderosa de proteção. É

mal. • Jazidas: As jazidas mais importantes de turmalina é em Sri Lanka, República de malgaxe, Brasil e Moçambique.

Turquesa

energizante e deve ser utilizada contra inveja.

O nome turquesa pode ter

Turmalina Paraíba: É conhecida

sido dado com referência

por este nome, devido ao estado

aos turcos, que introduziram

da Paraíba no Brasil onde ela foi descoberta por Heitor Dimas, é considerada uma pedra muito rara e de um valor muito alto, esta é uma das pedras preciosas mais valiosa que o Brasil possuí. A cor azul piscina desta pedra é diferente por causa da grande quantidade de cobre encontrada em sua formação.

esta

pedra

na

Europa.

Costuma-se lapidá-la na forma de cabochão e não facetada, pois além de ser uma pedra opaca, possui veios terrosos escuros.

• Jazidas: As jazidas do Sinai foram exploradas

à 4.000 anos a.c. As melhores turquesas são encontradas no Irã (turquesa persa). Outras jazidas


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

O Design em Pedras Preciosas e Semi-Preciosas Anel Mutante Peça produzida em ouro

amarelo sem as pedras, com a possibilidade de uso de três pedras intercambiáveis, tais

como:

Água-marinha; Quartzo rutilado; Quartzo rosa.

Anel Emoções do Parque em Pratacom Ametista. Lapidação Esfera, Citrino lapidação Carré e pequenas pedras (Ametista, Citrino e Água Marinha)cravadas de forma Pavê. Peça inspirada em Parque de Diversões,

Anel GRAVATÁ Peça inspirada na forma, movimento e na cor

da flor do gravatá.

Produzida

em ouro amarelo com quartzo rosa em lapidação briolet

lembrando a fantasia da

Roda Gigante e as linhas da Montanha Russa. Anel Asas da Imaginação Peça concebida a partir do prazer da visualização dos conjuntos de montanhas que se formam no horizonte como se fossem ondas de um

imenso e contínuo mar verde, produzido em ouro amarelo com uma pedra turmalina

Brincos Roda Gigante Brinco em Prata com Ametista lapidação Esfera, Citrino lapidação Estrela e Quartzo Enfumaçado lapidação Pneu. Peça inspirada na fantasia da Roda Gigante em um Parque de Diversões.

verde.

Anel Trapézio

Peça concebida a partir da visualização do movimento de um trapézio suspenso no ar, produzida em ouro amarelo com uma pedra ametista rutilada.

Dorine Botana - São Paulo - SP 1º PRÊMIO - Design de Jóias do Brasil Concurso de 2004

do

Linha Cangaço inspirada no trabalho do artista plástico

Cearense Aldemir Martins

Pingente Tobogã Pingente em Prata com Ametista lapidação Retangular e Água Marinha lapidação Degrau. Peça inspirada nas ondas de um Tobogã num Parque de Diversões.

Fabiano de Souza - Novo Hamburgo - RS Prêmio da Categoria “A Cor das Pedras Brasileiras” - do Concurso Design de Jóias do Brasil em 2004

Anel Explosão - Macrocosmo Peça concebida em ouro amarelo a partir da observação dos movimentos rotativos do sistema

planetário, podendo as

Anel BROMÉLIA Peça inspirada na forma, movimento e cor das flores

das bromélias. Produzida em ouro amarelo com quartzo green gold em lapidação briolet

Anel FLOR DO CERRADO Peça inspirada na forma, movimento, textura e nas cores das

flores do cerrado. Produzida em ouro amarelo com cristal rutilado de lapidação briolet

Silvia Lima - Rio de Janeiro - RJ Prêmio da Categoria “A Cor das Pedras Brasileiras” do “Concurso Design de Jóias do Brasil” em 2006

Intuição sensível bracelete em prata com ametista rústica

e ametistas redondas, cabuchon sobre o

aro do bracelete.

peças serem substituídas pelo próprio usuário.

Modelo em

cristal de fogo e diamantes

Anel Cangaço em ouro com dois brilhantes e uma granada.

Colar Natureza Fértil Peça inspirada na exuberância e riquezas que emanam do solo e mar representadas pelo ouro

Conjunto Teatro José de Alencar, anel, pendente e brincos inspirados nos vitrais

do Teatro José de Alencar, localizado em Fortaleza. Peças feitas em outro texturizado, ágatas e sodalitas. Design de Suzane de Farias Machado de Moraes - Fortaleza - CE 1º Prêmio no Concurso Design de Jóias do Brasil 2007

Sólida negritude Anel de turmalina negra rústica, relevo e aro em ouro.

e pedras em cristal de fogo com lapidação em mesa reta e as perolas de

Brinco Cangaço em ouro com dois brilhantes e correntes

água doce.

Anel Espelhos D´agua em ouro amarelo, criado a partir da contemplação dos reflexos espelhados na superfície das águas, utilizando

Cristais de silêncio Anel de ágata côr gêlo, com a superfície superior

Druza e relêvo natural Druza, tom sôbre tom. Acabamento em prata.

em

em

cristal de rocha com tonalidade levemente azulada.

Suzane de Farias Machado de Moraes Fortaleza - CE 1º Prêmio no Design de Jóias do Brasile Prêmio na Categoria “Brilho do Ouro e dos Diamantes” no Concurso de 2005

Minda E Márcio Granatowicz da ART´G - Copacabana - Rio de Janeiro - RJ Prêmio da Categoria “A Cor das Pedras Brasileiras” - do Concurso Design de Jóias do Brasil em 2005

Mary Geluda - Rio de Janeiro - RJ - um dos destaques do Concurso “Jóias do Brasil” em 2006

139


140

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Pedra-Sabão A pedra-sabão, também conhecida

como

esteatito, é uma pedra resistente,

de

grande

plasticidade, e

multiplicidade

usos. e

Sua

sua

ser do Incensário em Pedra-Sabão

beleza de

resistência

dureza

podem

comparadas mármore

às

com

a

vantagem de ser também refratária,

suportando

temperaturas elevadas.

Tais características fazem dela o material

perfeito para uso tanto em áreas externas como em ambientes internos. Não deve, entretanto, nunca ser confundida com a pedra-talco, um material com menor dureza e bastante frágil, utilizada em peças de

Por

fim,

além

particularidades

das

técnicas

que a tornam um material prático

para

os

mais

diversos fins, a pedrasabão confere, a todos os ambientes e objetos, Vaso em Pedra-Sabão

Escultura em Pedra-Sabão do Artísta Aleijadinho

natural que resiste ao tempo, convivendo com a evolução

adorno.

o conceito de requinte e a arte de um produto

da tecnologia e inspirando sempre novos usos.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

141


142

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Tecidos

Os tecidos são confecionados a partir das fibras, que podem ser de origem animal, vegetal, mineral ou sintética. Os produtos têxteis resultantes são classificadas em função de sua origem, de sua estrutura química ou de ambos os fatores.

À medida que avança a consciência do consumo limpo, tem sido diminuido o interesse por fibras derivadas de petróleo como: poliéster, acrílico, poliamida e elastano, e aumentado a procura por fibras naturais. A elevação do preço do petróleo é outro fator que tem contribuído para o crescimento da competitividade das fibras naturais e orgânicas.

A indústria têxtil tem investido bastante em pesquisas relacionadas com o desenvolvimento de fibras artificiais oriundas de produtos naturais, sendo as mais conhecidas o rayon (viscose) e o acetato, ambas

decorrentes de reprocessamento de fibras de algodão curtas ou recicladas. O processo de produção das fibras artificiais ainda é muito poluente, o que não as caracterizam como 100% “amigas da natureza”. Assim, inúmeras pesquisas têm sido feitas para a transformação de matéria orgânica em fibras, tais como: utilizando a polpa da madeira (Tencel), celulose (Lyocell), soja (SPF), milho (Ingeo), polpa de bambu (Bambrotex).


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Tecido de Cânhamo na cor Bege

Tipos de Fios Têxteis

Fibra de Viscose

Tecidos de Fibras Artificiais

Tecidos de Fibras Naturais

O processo de produção das fibras artificiais

naturais

consiste na transformação química de matérias-

são obtidos diretamente da

primas naturais. A partir das lâminas de celulose,

natureza e os filamentos são

o raiom acetato e o raiom viscose seguem fluxos

feitos a partir de processos

diferentes. A viscose passa por banho de soda cáustica

mecânicos de torção, limpeza

e, em seguida, por sub-processos de moagem,

e

ser

sulfurização e maturação e, finalmente é extrudada e

obtidos a partir de frutos, folhas, cascas e lenho. As

assume a forma de filamento contínuo ou fibra cortada.

principais plantas têxteis são: algodão, juta, sisal,

O acetato passa inicialmente por um banho de ácido

linho, rami e canhâmo, esta última tem despertado

sulfúrico, diluição em acetona, extrusão e por uma

grande interesse dos fabricantes de tecido: a planta

operação de evaporação da acetona. Recentemente

“cannabis sativa” é uma das mais antigas fibras

foi inventada um novo tipo de fibra que também pode

têxteis, seu cultivo é de fácil implementação, o seu

ser classificada com artificial que é o tencel. Suas

beneficiamento não requisita sofistição, e o efeito final

características são: maior intensidade nas cores, alta

do tecido se assemelha ao linho, um dos mais nobres

resistência à luz solar e grande absorção de umidade.

e confortáveis tecidos.

Rayon acetato: é a primeira fibra produzida em

As

Tecido de Juta na cor Natural

fibras

ou

acabamento.

fios

Podem

laboratório. Vem da celulose das plantas e seus fios

143


144

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

são descontínuos, com aspecto brilhante

e

possuem

toque

frio e escorregadio. Dentre as fibras artificiais é a que mais se aproxima do algodão e da seda. Dependendo da construção proporciona ótimo caimento e acabamento assemelhando-se ao linho.

Viscose:

fios

descontínuos

com

aspecto

de maciez, brilho, e com facilidade de ser tingido, proporcionando cores vivas.

Tecidos de Fibras Sintéticas

São fibras obtidas a partir de produtos

Fruteira feita de retalhos de feltro - Design da Branch Sustainable Design for Living - Califórnia (EUA)

químicos, extraídos de petróleo ou carvão. Suas

o poliéster retinha o calor, não respirava. Hoje em

características são grande resistência a luz solar, cores

dia com as microfibras, isto é, fios ultra finos, são

firmes e pequena absorção de umidade. Os tecidos

produzidos tecidos tão macios quanto os naturais. no

sintéticos não mantêm a temperatura do corpo; não

toque e conforto.

absorvem a umidade do corpo; não têm elasticidade natural; e, por não absorverem umidade, amarrotam facilmente. São as seguintes fibras de: acrílico,

Poliamida: fibra muito leve, resistente, que não amassa, mais ou menos elástica, também lava e seca rapidamente. Nylon: fibra muito resistente, tem

poliéster, poliamida e polipropileno.

ótima elasticidade e força, atributos que

Acrílico: fibra em que as cores podem ser muito vivas

o tornam ideal para o uso de forração.

e os tecidos obtidos são leves, macios e fáceis de lavar. Tem tendência a embolorar, apresentam eletricidade

Polipropileno:

elevada e atraem poeira rapidamente. Normalmente

resistência bacteriológica, não sendo

substituem a lã ou aparecem misturada a ela. É quente

atacada por mofos e bolores, lava

e resistente.

e seca facilmente e tem elevada

Poliéster:

fibra

de

polímero,

sintética,

forte

Mais ou menos elástica lava e seca rapidamente. Pode aparecer misturado ou estruturando qualquer fibra natural. Não era tão confortável ao toque , pois

de

alta

resistência ao desgaste, permitindo

e

resistente, não encolhe, não se deforma e não amassa.

fibra

longa durabilidade. Produtos com Fibra de Nylon


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

145


146

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Vidros

O vidro está presente nos mais diversos designs, principalmente na média e alta decoração, sendo aplicados em tetos, paredes, divisórias e em ambientes comerciais, residenciais e hoteleiros. Muitos móveis são compostos por vidro, incrementados por diferentes técnicas como jateamento, texturização, laminação e coloração, que dão charme, requinte e um toque moderno aos ambientes.

No mobiliário especificamente podemos citar sua utilização em roupeiros, cristaleiras, frontais de gavetas, estantes, racks, tampos de mesas, aparadores, portas de armários de cozinha e de quarto, prateleiras, etc. A característica mais marcante fica por conta do seu brilho e transparência naturais. Além disso é 100% reciclável, retornável e reutilizável.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

quartzo e maior teor de chumbo. São mais “macios”, mais elásticos e permitem trabalhos artesanais mais complexos e espessuras finíssimas. A coloração dos vidros é feita através da adição de metais à massa (ouro, cobre, etc.).

Vidro Comum

É

liso

e

considerar-se

transparente, incolor.

As

pode duas

faces do vidro não são totalmente planas, podendo provocar distorção ou deformação da visão. Aplica-se,

Vidro

vulgarmente, em janelas e portas. Quebra em estilhaços pontiagudos, é

O vidro é uma substância sólida, frágil e

translúcida,

composta

de

polímeros

inorgânicos

formados por mistura de óxidos, tendo como base uma unidade de dióxido de silício (sílica), que é a substância

perigosamente cortantes; possui resistência mecânica baixa; pode ser cortado e possui baixo custo.

Vidro Temperado

mais abundante da crosta da terra, ocorrendo em

Vidros temperados são àqueles

muitos tipos de rocha.Os vidros comerciais são

submetidos a um processo de

obtidos pela fusão da areia (sílica), calcário e soda a

aquecimento

temperaturas entre 1400 e 1500 graus. Ao resfriar, o

rápido, tornando-o bem mais

produto derretido torna-se muito viscoso e, por volta

resistente à quebra por impacto.

dos 500 graus (temperatura de transição do vidro)

Caso quebre, fragmenta-se em pequenos pedaços

solidifica-se.Alterando-se as proporções dos metais

que não machucam. É indicado para fachadas, portas,

e minerais (quartzo, mica, chumbo) que compõem a

janelas, divisórias, boxes para banheiro e tampos de

massa do vidro, alteram-se suas propriedades físicas.

mesa, por ser fortemente resistente a impactos.Para

Por exemplo: as lâmpadas de quartzo (halógenas)

ser temperado, o vidro laminado deve ter espessura

possuem alto teor de quartzo, o que torna o vidro

mínima de 4 mm. É cortado na dimensão definitiva e

muito resistente ao calor, porém muito quebradiço;

acabado (lapidado, polido).

os cristais são vidros com menor quantidade de

e

resfriamento

147


148

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Vidro Laminado

Vidro Aramado

O vidro laminado é formado

O vidro aramado tem uma estrutura de tela de

por duas ou mais lâminas

arame que impede que os cacos se soltem quando

de vidro entremeadas de

quebra. É um vidro impresso translúcido incolor,

películas plásticas. É um

no qual é incorporada uma rede metálica de malha

vidro

ao

quadrada, com 12,5mm de lado. Não é tão resistente

romper-se, os cacos ficam

quanto os vidros especiais, porém é mais barato. Seu

presos na película. Oferece alto grau de resistência

uso é indicado para coberturas, balaustradas, terraços

mecânica e ao traspassamento.

e portas.

seguro,

pois,

Vidro Float

Utilizado para portas externas e internas,

janelas, terraços, telhados, clarabóias, parapeitos, pisos, visores de piscinas, degraus, vitines, sacadas,

Obtido por meio de escoamento do

fachadas de edifícios, tetos e coberturas de vidros,

vidro sobre uma base de estanho

pisos,

líquida

guichês,

janelas

e

locais

que

precisam

em

atmosfera

de proteção à prova de balas, como guaritas,

é

bancos, caixas automáticos, embaixadas, edifícios

planas, com ambas as faces planas e

governamentais etc.

paralelas, obtido através do processo

vidro

em

grandes

placas

de fabricação float.

Vidro Refletivo O

disponível

controlada,

refletivo

(também

Vidro Impresso ou Fantasia

chamdo de vidro metálico) possui

O vidro impresso é um

uma camada metálica espelhada

vidro

na face externa

refletindo os

recebe em uma ou ambas

raios

reduzindo

translúcido

que

a

as faces, a impressão de um desenho ou motivos

passagem de calor e protegendo

ornamentais (padrão ou estampa). É um produto

carpetes, móveis e pisos. Não

muito versátil, podendo ser utilizado monolítico,

prejudica a visão de dentro para fora e não permite

temperado, curvado, espelhado e laminado. Conforme

que se enxergue de fora o ambiente. Apropriado para

o desenho que lhes é impresso, os vidros fantasia são

regiões muito quentes e também para portas, janelas,

subdivididos em dois grandes grupos: estampados e

coberturas, divisórias e boxes de banheiro.

ornamentais.

solares

e


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

149


150

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

chuva escorra em uma cortina única, retirando homogeneamente o pó e evitando as marcas secas de respingos. Reduz a freqüência de limpeza e é indicado para fachadas. Disponível apenas por importação.

Vidro Blindado

Resistente a balas, é o vidro desenvolvido

para proteção contra disparos de armas de fogo ou objetos lançados contra ele. São as camadas plásticas existentes entre as várias lâminas de vidro que amortecem o impacto e oferecem a resistência para aumentar a segurança. Para se obter uma resistência maior, sem que seja necessária a utilização de vidros muito espessos, é comum o uso de uma ou mais camadas de policarbonato.

Vidros Decorativos

Suas condições de uso e segurança dependem do

tipo de vidro utilizado como base. Quando translúcidos, funcionam

como

difusores

de

luz,

atenuando

a

transparência, o que os torna indicados para boxes de banheiro, divisórias ou aberturas voltadas para a rua, por exemplo. São diversos os tratamentos estéticos possíveis, como jateamento, serigrafia ou lapidação. Dentre os vidros decorativos, destacam-se os impressos, que já saem de fábrica com desenhos em alto relevo.

• O casal Elizabeth e Eduardo Prado desenvolvem

cuidadoso e criativo trabalho de design com vidro. São peças que exploram a delicada fronteira entre a arte e o design.

Peças Utilitárias e Decorativas dos designers Elizabeth e Eduardo Prado


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

Novas Tecnologias dos Materiais

151


152

152

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

No Brasil o hábito da sustentabilidade ambiental não é uma realidade, talvez pelo fato das punições em relação as mais diversas formas de se agredir o meio ambiente (nossa casa) sejam ainda, infelizmente, bastante levianas. Cabe à todos a responsabilidade do consumo limpo, através da readaptação que se faz necessária aos nossos modos de vida que extrapolam a utilização racional dos recursos naturais. Ao poder legislativo, judiciário e executivo cabem os procedimentos de aplicação e vistoria de normas ambientais para produção e consumo já aplicadas em países de alta qualidade de vida, dentro das condições e realidades de nosso país. Aos empresários e projetistas, em particular aos designers,

é imprescíndivel a busca e conhecimento por

tecnologias e métodos que visem enquadrar seus projetos/produtos dentro da categoria de produtos “ecológicos e sustentáveis ambiental e socialmente”. Isso é possível através, por exemplo, da comparação e explicitação das vantagens entre um material de maior e outro de menor impacto ambiental, como nos sugerem algumas “novas tecnologias dos materiais”. Acreditando na possibilidade de transformação da mentalidade de consumo de nossa sociedade através da educação e propagação da consciência das condições de vida na qual vivemos e a qual poderemos atingir, caso hajam vontades somadas e direcionadas na busca do bem estar comum.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Isopor Vegetal ou Bioespuma

Borracha Ecológica

Os vasos biodegradáveis da KEHL® são excelentes alternativas aos vasos

tradicionais, pois além de biodegradáveis, não geram resíduos e excluem a necessidade de retirar a planta do vaso durante o replantío, os vasos podem ser colocados diretamente na terra e ainda servem como nutrientes às plantas.

Jóia Orgânica em Borracha Ecológica - Design de Flávia Amadeu

Bioespuma® é uma espuma de poliuretano

biodegradável, cuja extração do poliol é de patente da

O projeto Tecbor (Tecnologia

KEHL®. O poliol é obtido de fontes naturais e renováveis

para Produção de Borracha

(milho, arroz, cana-de-açúcar, soja e mamona, etc),

e Artefatos

através da tecnologia inovadora da KEHL®, formando

consiste

uma solução auto sustentável, ecológica, sem resíduos

uma

e substituindo outros expandidos com melhorias em

e

muitos setores, principalmente quanto ao seu uso na indústria, pecuária, agricultura e serviços.

na

na

Amazônia)

produção

borracha

de

ecológica

sustentável,

pois

seu

processo de produção é sustentável, tanto social como ecológicamente. É uma técnica que aprimora

Pode ser aplicada em vários produtos, como

a produção do látex e garante fonte de renda extra

bandejas para comercialização de frutas e legumes,

para os seringueiros. Nela não há defumação – a folha

embalagens para aparelhos eletroeletrônicos, tapetes

de borracha produzida de acordo com a esta técnica

absorventes para produtos químicos, dentre outros.

alternativa recebe o nome de Folha de Defumação

Os materiais biodegradáveis são bem vistos no mercado externo além de serem uma exigência para quem exporta para o mercado europeu.

• www.kehl.ind.br

Líquida (FDL). O látex colhido da seringueira é coagulado com o uso de ácido pirolenhoso, subproduto da

carbonização

da

madeira,

que

incorpora

ácidos e alcatrões. A secagem da FDL é feita em temperatura ambiente, ao ar livre, dispensando a fase de defumação, o que livra o seringueiro da exposição excessiva à fumaça.

153


154

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

O projeto já foi premiado pela Fundação Banco

do Brasil em 2001 e ganhou o apoio do Greenpeace. Até meados de 2005, 445 famílias de diversas cidades da região Norte foram capacitadas para tirar seu sustento dessa nova tecnologia.

Foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório

de Tecnologia Química (Latec) da UnB desde 1997, é financiado pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama, conta com o apoio do Programa Fome Zero, e tem as participações do Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) e do Centro Nacional para o Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT).

Flávia

Amadeu,

formada

em

Desenho

Industrial e mestre em Arte pela UnB foi uma das pioneiras no uso do material aplicado à moda. Criou uma coleção, de jóias chamada de “Jóias Orgânicas”.

Fibra de Garrafa PET para Indústria Têxtil

Se o assunto for reciclagem as garrafas PET

Fibra Obtida pelo Processamento da Garrafa PET sendo reciclada

secagem. Então o PET é moído e reduzido a pedaços pequenos. Na segunda fase, é feita a fusão a uma temperatura de 300 graus, a filtragem e a retirada de impurezas. Na fábrica onde é feita a fibra, repete-se o processo de fusão a 300 graus e o material é passado por equipamentos que o separam em filamentos. O resultado é uma fibra cerca de 20% mais fina que o algodão. A terceira e última fase é a da estiragem, quando a fibra é transformada em fio.

As

fibras

feitas

a

partir

da

movimentam a economia: mais de 300 empresas

garrafa PET reciclada podem ser

brasileiras são diretamente ligadas ao negócio de

usadas sozinhas ou associadas

reciclagem de PET no Brasil, segundo a Associação

a outro tecido, como a seda ou

Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

o algodão. Normalmente, para

A reciclagem de garrafas PET e a sua

transformação em tecido têm três fases. A primeira é quando as garrafas e outras embalagens usadas são recolhidas pelos catadores, lavadas e separadas por cores. Nesta fase, são retirados a tampa e o rótulo e a embalagem passa por um processo de

camiseta da marca mizuno produzida com tecido de

Garrafa PET

peças do vestuário, o poliéster é mesclado com algodão. Mas

isso acontece tanto com o poliéster feito a partir de matéria-prima reciclada, como o feito a partir de matéria-prima virgem. Isso porque o tecido 100% poliéster pode dificultar a transpiração.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

São inúmeros os empregos dados ao material,

O material será utilizado para a construção

para confeccionar uma camiseta a partir da fibra de

do interior de um carro-conceito a ser lançado pela

PET em média terão sido recicladas 2 garrafas. Apesar

Mitsubishi. A idéia por trás da pesquisa é a substituição

de seu caráter surpreendente, a roupa em cujo tecido

de resinas à base de petróleo e madeiras nobres por

há garrafas PET nada perde em termos de conforto,

materiais renováveis, feitos à base de plantas de

caimento, beleza e durabilidade. Sua espessura é

rápido crescimento.

mais fina que a fibra de algodão e traz o bônus extra

Plástico Biodegradável feito com Bagaço de Cana-de-Açúcar (PHB)

As pesquisas para a produção do plástico

de ajudar na preservação dos recursos naturais. “É um tecido ecologicamente correto”.

• Alya Eco, fibra produzida pela Rhodia-

ster, empresa do grupo Mossi & Ghisolfi, a partir da

biodegradável a partir da sacarose começaram em

reciclagem de embalagens PET.

Plástico Verde feito a partir da Fibra de Bambu e Resina Vegetal Foi desenvolvido por Engenheiros do

Instituto

Industrial

de

Aichi,

Tecnologia trabalhando

em conjunto com a empresa Mitsubishi Motors, ambos no Japão. O material desenvolvido

pode

ser

utilizado

no

interior

de

automóveis e foi batizado de “plástico verde”.

Utiliza uma resina à base de plantas, o sucinato

1991 no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo. A tecnologia foi desenvolvida pelo IPT em parceria com a Coopersucar e licenciada à PHB. É obtido por meio de um processo de fermentação: as bactérias se alimentam do açúcar e o transformam em um poliéster natural, o plástico biodegradável. O plástico biodegradável é utilizado principalmente

em

embalagens

e

de

produtos

cosméticos,

de

alimentos

injetados,

como

brinquedos, e ainda de produtos termoformados, como potes de iogurte.

de polibutileno (PBS), combinado com fibras de bambu.

Sua principal vantagem é que se decompõe

O PBS, o principal componente do novo material, é uma

rapidamente

resina de origem vegetal, composta principalmente

impacto ambiental negativo. Ao se decompor, ele

de ácido sucínico e 1,4-butanediol. O ácido sucínico

transforma-se em CO2 (gás carbônico) e água.

pode ser produzido a partir da fermentação do açúcar

Não há liberação de resíduos tóxicos e o gás

extraído da cana-de-açúcar ou do milho. A adição das

carbônico é resgatado da atmosfera pelas próprias

fibras de bambu aumenta a rigidez do material.

plantações de cana.

no

meio

ambiente,

sem

causar

155


156

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

A degradação de uma embalagem de PHB

no meio ambiente é 40 vezes mais rápida do que a feita de plásticos à base de petróleo. Em lugares com grande população de bactérias, como os aterros sanitários e usinas de compostagem, o PHB se transforma totalmente em gás carbônico e água. Demora cerca de 1 ano para se decompor.

Plástico Ecoflex

O Ecoflex®, um plástico biodegradável, é hoje

empregado fundamentalmente em formulações de misturas de matérias-primas renováveis, tais como: amido, celulose ou ácido polilático, em associação com com um polímero sintético biodegradável. Suas áreas de aplicação incluem sacolas de compras, sacos para lixo orgânico, filme para cobertura do solo e vários tipos de embalagens para alimentos. Embalagens compostas de Ecoflex® e amido ou papel podem ser descartadas como adubo.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Design+Artesanato em ação: • Empresas • ONG’S • Projetos • Instituições • Profissionais

157


158

158

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

No Brasil têm crescido o interesse pela relação entre o “Design+Artesanato”, o que é percebido pela

quantidade de empresas, ong’s, comunidades artesanais e profissionais ligados às artes e ao design que optam trabalhar e se especializar neste seguimento. Isso pode ser em parte justificado pelo valor que a “marca Brasil” tem adquirido e somado, sendo sinônimo de conceito agregado, que aumenta o número de consumidores em busca de valores culturais e artísticos nos produtos comprados. Trata-se também de uma tendência mundial no design de valorizar as especificidades e regionalidades traduzidas para os objetos em suas formas, cores e temáticas de criação, isso em oposição aos modelos padronizados de produção. Para o país, este valor adicional em seus produtos, torna-se ferramenta que auxilia a promover a exportação, ainda mais com a leitura que o Brasil já recebe de outros países como sendo um país exótico e diversificado, passando a oferecer de modo organizado e facilitado aos estrangeiros produtos “carregados de peculiaridades”, que imprimem em si características de valorização da biodiversidade e da sustentabilidade social e ambiental, aspectos estes atualmente muito respeitados e bem vistos em todo o mundo.

Como é de nosso conhecimento, as diferenças sociais e econômicas são fortes em nosso país, o que também

contribui para que a forma de produção e consumo sejam diferenciadas em cada região geográfica. Assim a relação entre o Design + Artesanato é orientada pela formação de grupos sociais com interesses e necessidades diferentes.

As empresas e instituições, por exemplo, concentram-se nas capitais, fortalecento a construção da

imagem do design+artesanato, amparados pela iniciativa privada e pública. As comunidades artesanais encontram-se mais no interior das cidades, onde os artesãos se unem para trabalhar com a matéria-prima local disponível, sendo às vezes uma das poucas opções de trabalho e renda para essas pessoas, que geralmente não possuem um meio eficiente para a venda dos objetos confeccionados.

Muitos projetos independentes são financiados e levantados por profissionais associados às empresas e

instituições, que trabalham visitando comunidades artesanais distanciadas, buscando reavivar a produção local, respeitando suas raízes, e fazendo o escoamento da produção local para os grandes pólos do público-alvo. Nas ONG’s, os projetos de traballho artesanal, surgem por sua vez, por necessidades de auto-sustentação e de inserção social dos grupos locais envolvidos, vendo nessas iniciativas maneiras de promover a cidadania e o desenvolvimento sócio-econômico.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Gueto Ecodesign

A iniciativa nasceu da idéia de deixar para o futuro uma cidade

A Gueto Ecodesign, criada em 2001, é um escritório de

reciclagem de papel e fibras à preservação do patrimônio

criação que desenvolve projetos em design de produto para

ecológico e gera movimento econômico na região. A venda

empresas e indústrias, prestando também consultoria. Tem

das obras acontece no local, onde ficam expostas num show-

como meta resultados práticos e economicamente viáveis

room, e em outros Estados e cidades do Brasil.

através de um trabalho consistente que une criatividade

• Maria da Fé (MG)

e comprometimento com o cliente. São embasados no

www.gentedefibra.com.br

melhor, promovendo uma atividade cultural que relaciona

conhecimento, na técnica, e procuram o design sustentável como forma de conscientização. Muitos dos projetos

Griffe Brazzo

já desenvolvidos enfatizam o uso de resíduos sólidos

A Grife Bazzo é vista como uma griffe de preocupação

industriais para criar produtos atraentes e agradáveis.

social, pois surgiu com a proposta de beneficiar todos os

• Localizada em Dois Irmãos (RS)

envolvidos na produção de suas peças e acessórios, e

www.gueto.com.br

logo ajudou a mudar a vida de mulheres desempregadas

Oficina Gente de Fibra

de famílias de baixa renda da região - mais de 30

É um projeto criado e orientado pelo artista plástico

para a arte, se transformaram em artesãs e agora

Domingos Tótora; proveniente da Cooperativa Mariense

multiplicam o que aprenderam por onde passam.

de Artesanato (COMARTE) – resultante de uma parceria

Funciona em um antigo prédio do Bom Retiro - São Paulo

da Prefeitura Municipal de Maria da Fé com SEBRAE

- SP, onde ali as artesãs aprenderam a desenhar, bordar

MG, que buscou resgatar a cultura artesanal mariense.

e pintar, ficando capacitadas para produzirem as peças.

Localiza na cidade de Maria da Fé - Sul de Minas Gerais

A iniciativa começou em 1997, quando a proprietária do

e é uma cooperativa que trabalha com fibras extraídas

espaço, a designer Clarice Borian, decidiu criar uma marca

da bananeira (matéria prima descartada da colheita da

alegre, com estampas criativas e responsabilidade social.

banana), papel Kraft reciclado e pigmentos naturais

O empenho das artesãs ajudou a empresa crescer e

extraídos da terra. O artista plástico emprega a massa

agora a marca tem uma loja no Shopping Frei Caneca,

feita com mistura dessas matérias primas, para criar

na região da Avenida Paulista, e revendedores em

o formato desejado e na finalização usa um tipo de

quatro espaços multimarcas.

cola especial. Para as pinturas das peças, o artesão se apropria de certos barrados decorativos e piso da igreja matriz de Maria da Fé, dando identidade ao trabalho.

mulheres que anteriormente juravam não ter aptidão

• São Paulo (SP) www.brazoo.com.br

159


160

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

com mão-de-obra local, através de uma vasta cadeia

Terra Design

produtiva, fazendo a junção com a tecnologia, utilizando

Empresa de consultoria especializada em design que

elementos da cultura e do conhecimento local.

trabalha em dois setores: tanto produtos altamente

• Distrito Industrial - Manaus (AM)

industrializados até produtos artesanais, fabricado em

www.ritaprossi.com

comunidades. Contam com uma equipe multidisciplinar de

experiência

internacional,

coordenada

Eco-Fill

pelos

designers Lars Diederichsen e Fabíola Bergamo.

A Eco-Fill Indústria e Comércio Ltda é uma empresa

• São Paulo (SP)

nacional que desde 1995, tem aliado um grande

www.terradesign.com.br

conhecimento

de

processos

de

embalagem

a

Poematec

preocupações de ordem ecológica. Seu objetivo é

As atividades da empresa POEMATEC – Comércio de

que sejam funcionais, ofereçam um grau de proteção

Tecnologia Sustentável para a Amazônia tiveram início em

adequado ao produto, sejam otimizadas do ponto de

março de 2001, com a construção da fábrica mais moderna

vista econômico e que não agridam o meio ambiente.

do mundo, no que diz respeito à produção de artefatos de

Os produtos

fibra de coco e látex. As principais aplicações dos materiais

descartados sem cuidados especiais.

auxiliar os clientes a encontrar soluções de embalagens

são assentos e bancos para a indústria automobilística,

são biodegradáveis e podem ser

substituindo produtos à base de petróleo como a espuma

ONG Monte Azul

de poliuretano. A alta qualidade aliada ao design, o conforto,

ONG sem fins lucrativos situada na zona sul de São

a reciclabilidade e a biodegradação fazem diferença em

Paulo que atende mais de 6 mil crianças, jovens e

relação aos produtos sintéticos similares.

adultos das favelas Monte Azul e Peinha. O setor de

• Distrito Industrial de Ananindeua (PA)

produção artesanal, apenas um dos projetos dentro

www.poematec.com.br

do espaço,

trabalha na confecção de bonecos de

Rita Prossi - Biojóias da Amazônia

pano, brinquedos educativos e miniaturas de móveis

Empresa amazonense precursora no uso da natureza

de técnicas como a restauração, a pátina, o decapê,

amazônica para criação em suas jóias. Através de pesquisas

a policromia, a marchetaria, o mosaico e a douração.

das matérias-primas e inspirados pelas lendas da região,

Contam com apoio de trabalho voluntário.

promovem a riqueza auto-sustentável da Amazônia,

• Av. Tomás de Souza, 552 - Jd. Monte Azul - São Paulo (SP)

propondo um design inovador em seus produtos. Trabalham

www.monteazul.org.br

em madeira, além de

“móveis reciclados”, a partir


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

ONG Aldeia do Futuro - Projeto Aldeia das Mulheres (fuxiqueiras e amarradeiras)

e qualidade de vida; do desenvolvimento de sistemas

A ONG oferece cursos gratuitos às mulheres de baixa

esse material, criando um ciclo sustentável, sendo

renda da comunidade local, que passam a vender suas

atualmente aplicado no município de Tauá, no Sertão

produções. Metade dos recursos obtidos é destinada à

do Ceará e em outros municípios da região.

complementação de renda familiar das mulheres e a outra destina-se à manunteção e ampliação do projeto, o que aumenta o poder de captação e de instrução de

agroecológicos e do processamento da produção agrícola. O Projeto Algodão Agroecológico envolve a produção de algodão ecológico e naturalmente colorido, a fiação artesanal da fibra e a produção de peças com

• Escritório - Rua Princesa Isabel, 1968 – Benfica - Fortaleza (CE) www.esplar.org.br

ONG Reciclar-T3

novas “fuxiqueiras” e “amarradeiras”. • Rua Jorge Rubens Neiva de Camargo, 228 Americanópolis - São Paulo (SP) www.aldeiadofuturo.com.br

ONG Florescer - Projeto Recicla Jeans

ONG

e

instituto

de

pesquisa

que

promove

o

desenvolvimento auto-sustentável em comunidades de baixa renda através da reciclagem de resíduos sólidos industriais e domésticos. Pesquisa, criação e capacitação para o design sustentável. Cria produtos com base nos 3R´s: reduzir, reaproveitar e reciclar, para geração de

Projeto Recicla Jeans da ONG Florescer produz e

renda em comunidades de baixa renda.

comercializa produtos a partir de “jeans reciclado”

• Rua Barroso Júnior, 30 - Bairro São José (Pampulha)

com o qual são montados vestuários e acessórios

- Belo Horizonte (MG)

confeccionados por artesãos carentes da Favela

www.reciclar-t3.org.br

Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. • Ong Projeto Florescer - São Paulo (SP) www.ongflorescer.com.br

ONG Esplar - Projeto Algodão Agroecológico ONG que atua no semi-árido cearense, desenvolvendo atividades voltadas para a agroecologia à serviço da agricultura familiar.

Cuidam da preservação ambiental

ONG Coopa Rocca A ONG COOPA-ROCA (Cooperativa de Trabalho Artesanal e de Costura da Rocinha Ltda.), tem por missão gerar condições para que suas cooperadas, mulheres moradoras da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, trabalhem em suas residências e assim ampliem o orçamento familiar sem se afastarem do cuidado de seus filhos e das atividades domésticas.

161


162

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Realizam

artesanato

produzido

com

retalhos

de

desenvolvimento, levando em conta a sustentabilidade social,

tecidos.

econômica, ecológica, territorial e cultural e os princípios do

• Favela da Rocinha - Rio de Janeiro (RJ)

comércio justo. A idéia nasceu de um projeto de iniciação

www.coopa-roca.org.br

científica na Universidade do Oeste de Santa Catarina –

ONG Projeto Arrastão

UNOESC – campus de Joaçaba. Em conjunto com a Associação

Uma organização sem fins lucrativos criada em 1968

pesquisa ganhou força por meio do apoio e articulação do

que atua na promoção social, cultural e educacional

Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa

para crianças, adolescentes, jovens e adultos da região

Catarina - SEBRAE/SC. O projeto conta com a parceria de

do Campo Limpo, zona sul paulista, envolvendo os

várias instituições públicas e privadas e empresas locais,

bairros Jardim Maria Sampaio, Jardim Helga, Jardim

além de consultores e designers que trabalham em conjunto,

Ângela, Valo Velho, Capão Redondo, na cidade de

objetivando a consolidação do projeto.

São Paulo, além dos municípios de Taboão da Serra e

• Loja Tranças da Terra - Av. XV de Novembro -

Embu das Artes.

Shopping XV, sala 205 Centro - Joaçaba (SC)

Dentre os projetos, está o Núcleo de Design e Moda

dos Municípios do Meio Oeste Catarinense – AMMOC, a

www.trancasdaterra.com.br

Projeto Arte Criola

que desenvolve produtos confeccionados com materiais reciclados.

Desenvolvem neste núcleo

produtos de lona descartadas:

confeccionados a

partir de lonas utilizadas em mídia exterior, que variam de material de escritório a bolsas e sacolas; bonecos: de pano ou pelúcia e produtos em jeans. • Rua Dr. Joviano Pacheco de Aguirre, 255 - Campo Limpo – São Paulo (SP) www.arrastao.org.br

Projeto Tranças da Terra O Projeto Tranças da Terra reúne mais de cem famílias do Meio Oeste de Santa Catarina que, de forma associativa e em rede, desenvolvem um trabalho artesanal a partir da palha de trigo respeitando as raízes culturais desta região. A essência do projeto tem como base as dimensões do conceito de

Arte Criola é o resultado do encontro de talentosos produtores da arte afro-brasileira que se expressam através

do

instrumentos

artesanato musicais,

de

acessórios,

estátuas

de

roupas, orixás,

brinquedos e artigos decorativos. Direito, Trabalho e Desenvolvimento constituem o tripé de atuação da ONG Criola que busca, entre outros aspectos, inaugurar um ciclo virtuoso de crescimento e aprimoramento do trabalho dos artesãos negros, mais especificamente, as mulheres. • Avenida Presidente Vargas 482, sobreloja 203, Centro - Rio de Janeiro (RJ) www.criola.org.br/artecriola


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Projeto Design Solidário Brasil-Holanda Foi um projeto de Design Solidário que reuniu artesãos

e ganhara experiência suficiente ousar um vôo mais alto: a criação de uma Oscip – Artesanato Solidário: programas de apoio ao artesanato e à geração de renda – ArteSol.

brasileiros, de Pernambuco e São Paulo, e estudantes

Além do desenvolvimento de projetos em campo

de design holandeses. O diálogo entre designers e

para geração de trabalho e renda, a ArteSol também

artesãos ocorreu por meio de protótipos elaborados

atua na comercialização de produtos. Os projetos em

pela escola holandesa a partir de uma visita inicial,

campo têm como objetivo, ao cabo das atividades

em maio de 2000, às comunidades brasileiras da

programadas, formar um grupo autônomo para gerir

Frente Cultural Serrita, posteriormente substituída

seu negócio, preferencialmente reunido em torno de

pela Fundação Padre João Câncio-Associação dos

uma associação ou cooperativa, e com um produto

Artesãos do Sertão Central, ambas de Pernambuco, e

de preço justo e apto para competir no mercado

da Associação Comunitária Monte Azul, de São Paulo.

nacional e gerar mais renda para os artesãos e suas

O Programa Design Solidário referencia-se na tendência atual do design internacional de procurar raízes na produção artesanal no mundo todo. Os resultados do projeto foram expostos no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no Espaço Cultural Bandepe, em Recife e na Academia de Design de Eindhoven.

ARTESOL - Artesanato Solidário Inicialmente projeto-piloto de combate à pobreza em regiões castigadas pela seca, sobretudo no Nordeste e no Norte de Minas Gerais, o Artesanato Solidário tornou-se, em 1998, um programa social no âmbito do Conselho da Comunidade Solidária. Foram seis os projetos emergenciais de incentivo à geração de trabalho e renda através da revitalização do artesanato de tradição. Abril de 2002 marcou a transferência do Artesanato Solidário para São Paulo. Nessa época o programa já desenvolvera 42 projetos

famílias.

Ou seja, o Artesanato Solidário/ArteSol

é um canal organizado de acesso dos artesãos ao mercado consumidor. • Rua Alves Guimarães, 436 - Pinheiros - São Paulo (SP) www.artesol.org.br

CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem O Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) é uma associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo. Fundado em 1992, o Cempre é mantido por empresas privadas de diversos setores. Trabalha para conscientizar a sociedade sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem de lixo através de publicações, pesquisas técnicas, seminários e bancos de dados. Os programas de conscientização são dirigidos principalmente para formadores de opinião,

163


164

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

tais como prefeitos, diretores de empresas, acadêmicos

e os seus processos de trabalho. Essas mudanças são

e organizações não-governamentais (ONG’s).

possíveis a partir da capacitação estruturada para

• Rua Bento de Andrae, 126 - Jd. Paulista - CEP:

preparar o artesão a estabelecer seus empreendimentos

04503-000 - São Paulo (SP)

de forma competitiva, utilizando a identidade cultural

www.cempre.org.br

como um dos principais valores agregados.

PAB - Programa do Artesanato Brasileiro O artesanato brasileiro é um setor da economia cujo

É em face desse panorama que apresenta-se o Programa do Artesanato Brasileiro – PAB, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior por meio do Decreto 1.508, de 31 de maio de 1995. Seu

crescimento possui alto potencial de geração de trabalho

principal objetivo é o de gerar oportunidades de trabalho

e renda, de maneira descentralizada. Considerando a

e de renda, bem como estimular o aproveitamento das

peculiaridade e a relevância de cada um dos elos de

vocações regionais, levando à preservação das culturas

sua cadeia produtiva que são: o manejo da matéria

locais e à formação de uma mentalidade empreendedora,

prima, a produção, a divulgação e a comercialização

por meio da preparação das organizações e de seus

do produto artesanal tanto no mercado interno quanto

artesãos para o mercado competitivo, com foco na

no internacional, surgiu a demanda por um apoio

cadeia produtiva do artesanato.

governamental que possibilite, além da geração de ocupação e renda, a preservação da cultura brasileira em cada momento da elaboração do produto. A comercialização dos produtos artesanais sempre foi um

PBD - Programa Brasileiro de Design O

design

passou

a

fazer

parte

das

dos maiores desafios para o artesanato, tanto no que

governamentais

brasileiras

se refere ao acesso ao mercado internacional quanto na

contemplado

Política

questão da apropriação do resultado financeiro deste

e

processo pelo artesão. Assim sendo, faz-se necessário

de

estabelecer mecanismos que possibilitem ao artesão

modernização

ter acesso à exportação, promover a articulação dos

brasileiro. Neste contexto, foi criado o PBD pelo

diferentes atores e criar ambiência que favoreça o

Decreto de 09 de novembro do mesmo ano.

surgimento e o fortalecimento de micro e pequenos negócios, como forma de promover o desenvolvimento integrado de maneira sincronizada às dimensões sociais, econômicas e cognitivas. Além disso, outro grande desafio do setor encontra-se a necessidade dos artesãos e suas organizações mudarem a sua conduta, a sua estrutura

de

na

Comércio

reestruturação

Exterior, e

partir

políticas

Industrial, dentro

expansão

produtivas

de

do

1995,

Tecnológica

da

premissa

competitivas,

sistema

e

industrial

O Programa Brasileiro de Design tem como missão induzir à Modernidade Industrial e Tecnológica por meio do design, visando contribuir para o incremento da qualidade e da competitividade dos bens e serviços produzidos no Brasil e sua popularização. O


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Programa destina-se a promover o desenvolvimento do “design” brasileiro, capitalizando a vantagem de ser o Brasil um país diferente, de identidade forte e criativa, apto a desenvolver a marca Brasil no competitivo mercado internacional.

Programa VIA DESIGN

Projetos e Parcerias Para

alavancar

as

propostas

O Programa Via Design oferece a oportunidade para são

que micro e pequenas empresas e artesãos passem

desenvolvidas parcerias com agentes econômicos e

a contar com os benefícios do design, através do

sociais, de organismos governamentais e privados,

desenvolvimento e proposição de novos produtos e

objetivando

as

serviços. Foi implementado pelo Sebrae com o objetivo

possibilidades existentes e criar novos mecanismos e

de criar uma rede de núcleos e centros de design

instrumentos de apoio, fomento e financiamento para o

espalhada por todo o país, da qual fazem parte 15

design. Principais projetos: Oficinas de Design, Design

Centros de Design e 85 Núcleos de Inovação e Design,

& Excellence Brazil, Concurso Design de Caráter Social

totalizando 100 unidades distribuídas pelo Brasil.

intensificar,

do

SEBRAE -Serviço Brasileiro de A poio à M icro e P equenas Empresas

ampliar

programa

e

fortalecer

e Bienal Brasileira de Design e Inovação.

Os Centros de Design promovem e articulam as

Design Excellence Brazil

atividades de design em âmbito estadual e regional.

O Design Excellence Brazil é uma iniciativa da APEX-Brasil

em

parceria

com

o

Ministério

do

Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e com organização do Centro de Design Paraná, visando promover o reconhecimento internacional do design de produtos e serviços desenvolvidos no País, com vistas ao fortalecimento da imagem do Brasil. Para alcançar seu propósito, o Design Excellence Brazil identificou potenciais mercados a serem atingidos e

Promovem exposições, cursos e seminários. Mantêm cadastros de prestadores de serviços (designers) e organizam as solicitações de projetos em design. Por sua vez, cabe aos Núcleos de Inovação e Design prestar o atendimento às micro e pequenas empresas interessadas, especialmente àquelas que demonstrem potencial de crescimento por meio de iniciativas em design. Também são clientes os artesãos e empreendedores em fase de abertura de um novo negócio.

definiu a participação de empresas em reconhecidas

O programa adota um conceito amplo de design,

e prestigiadas premiações de design na Europa,

associando-o não apenas à estética dos produtos mas

América e Ásia.

também à qualidade, à inovação, à capacidade de

• www.designbrasil.org.br

atender os desejos do consumidor final e ao impacto

165


166

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

ambiental do produto ao longo de seu ciclo de vida. • Em São Paulo, o núcleo representante do projeto Via

relacionadas com o mercado, legislação, tecnologias e comercialização.

Design é o NIDA-SP (O Núcleo de Inovação e Design

A prioridade é fazer com que a produção artesanal

em Artesanato de São Paulo) que surgiu em 2003, e

tenha maior acesso ao mercado. Para tanto, o projeto

foi criado por meio da parceria entre o Sebrae-SP e o

apóia a criação de associações e cooperativas, além da

Centro São Paulo Design. Hoje, cerca de 150 artesãos

comercialização em centrais de vendas.

paulistas confeccionam seus artigos sob a orientação

• Rua 24 de maio, 543 - Riachuelo - Rio de Janeiro (RJ)

de designers do projeto. Os objetos são produzidos

www.portaldoartesao.org.br

com fios, cerâmica, papel, tecidos e metais.

em 1998 e está consolidado nas 27 Unidades

SUTACO – Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades

Federativas do País. Tem como missão contribuir para

A SUTACO é uma autarquia atualmente vinculada à

o desenvolvimento sustentável do setor artesanal como

Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, através do

estratégia de promoção cultural, econômica e social dos

Decreto n 6.347 de 26 de Junho de 1975, e lhe foi atribuída

territórios. Ao apoiar e promover o artesanato, pretende

a responsabilidade social de oferecer oportunidades de

fomentar uma mudança sustentada das condições

geração de emprego e renda aos artesãos. É a coordenadora

de vida e de trabalho dos artesãos. O

Programa

no território paulista do PAB (Programa do Artesanato

SEBRAE de Artesanato procura alternativas para o

Brasileiro) tendo como principal objetivo valorizar o

crescimento e fortalecimento da atividade artesanal

artesanato e implementar ações de desenvolvimento

como fonte geradora de ocupação e renda. Incentiva

sustentável para o setor, resgatando as formas tradicionais

o empreendedorismo nos artesãos e contribui para a

de expressão artesanal do povo paulista e promovendo o

construção de uma visão empresarial para o setor.

desenvolvimento regional no contexto do mundo globalizado.

• www.artesanatobrasil.com.br

Faz parte dos objetivos da SUTACO recuperar as

Programa Sebrae de Artesanato O Programa SEBRAE de Artesanato, foi implementado

Projeto Artesão O

Artesão

atender a demanda e as exigências do mercado atual,

artesanais

através de cursos específicos; também cadastra os

— tradicionalmente de subsistência — em uma

artesãos, emitindo documento capaz de identificá-los

produção mais competitiva no Rio de Janeiro. Propicia

como profissionais de artesanato e organiza os meios

ainda o suporte técnico com base em informações

de exposição e venda dessa produção.

transformação

tem

das

como

artesãos a capacitação técnica e gerencial voltada para principal

a

Projeto

formas primitivas do “saber fazer” e proporcionar aos foco

atividades


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

• Rua Boa Vista, 170, Edifício Cidade I, 3º andar,

O CENTRO SÃO PAULO DESIGN - CSPD, objetiva

Blocos II e III, Centro - São Paulo (SP)

promover a coleta, análise e difusão de informações

www.sutaco.com.br

relevantes para profissionais, entidades, empresas e

Central Mãos de Minas

estudantes de design visando melhoria contínua dos

O Projeto Mãos de Minas iniciou suas atividades em 1983,

design. Possui os seguintes núcleos: Núcleo de Design

no Conselho Estadual da Mulher, como um projeto do

Sustentável, Núcleo de Ergonomia e Antropometria -

governo que visava apoiar o artesão e produtor informal

NEA, Núcleo de Gestão em Design - NGD, Núcleo de

mineiro em relação à comercialização e à legalização das

Inovação e Design em Artesanato - NIDA, Núcleo de

vendas. Em 1988, por sugestão do próprio governo de

Propriedade Intelectual, Núcleo de Prototipagem Rápida

Minas Gerais, transformou-se em uma associação sem

- NPR e Núcleo de Referência em Materiais - NRM.

fins lucrativos. A partir de então, seus associados foram

• www.cspd.com.br

assumindo gradativamente todas as responsabilidades administrativas

e

financeiras,

transformando-a

em uma entidade auto-suficiente. Com o apoio do ICCAPE - Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor, atende

como órgão operacional

de sustentação e apoio à cooperativas e associações artesanais no Estado de Minas Gerais. • www.maosdeminas.org.br

Centro São Paulo de Design - CSPD Com o apoio das quatro entidades, a Federação e Centro das Indústrias do estado de São Paulo - FIESP/ CIESP, Servço de apoio a Micro e Pequena empresa do estado de são Paulo - SEBRAE/SP, o Instituto de Pesquisas tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT e a Secretaria de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico eTurismo do Estado de São Paulo - SCTDET, o Centro São Paulo Design em novembro de 2001 e sua institucionalização aconteceu em abril de 2002.

produtos, através da gestão, promoção e educação em

Museu da Casa Brasileira e Prêmio Museu da Casa Brasileira O Museu da Casa Brasileira (MCB) é privilegiado por uma localização de fácil acesso na cidade de São Paulo, expõe exemplares do mobiliário dos séculos XVII ao XX, enquanto, paralelamente, abre espaço para mostras temporárias do que se produz na atualidade em objetos e design pelos quatro cantos do Brasil e do mundo. A premiação aos melhores trabalhos de design e arquitetura promovida anualmente pelo Museu da Casa Brasileira é considerada como prêmio de maior visibilidade social na área - muitos o chamam de o “Oscar do design brasileiro”. A credibilidade do prêmio vem de seu caráter cultural, sem interesses comerciais, garantido pela característica da instituição que o promove – um museu dedicado ao design e à arquitetura, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, com abrangência

167


168

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

nacional e internacional em suas áreas de atuação. Ano a ano, ele mapeia o que de mais importante

Prêmio Cempre + Design – Resíduo

vem ocorrendo na área de equipamentos para o

O objetivo é incentivar a geração de soluções

habitat, sua área de atuação, dividida nas seguintes

criativas de design para a reutilização de resíduos

categorias: mobiliário, utensílios, iluminação, têxteis

sólidos industriais (gerados no processo produtivo)

e revestimentos; equipamentos eletro-eletrônicos;

e resíduos sólidos pós-consumo (gerados no dia-

equipamentos de construção; trabalhos escritos e

a-dia pelo consumidor como metal, papel, vidro e

novas idéias/ conceitos. A realização atrai a inscrição de

plástico), agregando valor aos materiais recicláveis e

participantes de quase todos os estados brasileiros.

promovendo o desenvolvimento sustentável.

• Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 - São Paulo (SP)

• www.cempre.org.br

www.mcb.sp.gov.br

Design na Brasa

Concurso Design de Caráter Social

Evento direcionado a estudantes e profissionais de

O concurso é um dos projetos desenvolvidos pelo

design e áreas relacionadas, que ocorre anualmente

PBD (Programa Brasileiro de Design), buscando

em São Paulo, com realização de palestras, debates e e

maior sintonia com as políticas do governo; que visa

oficinas sobre design sustentável. Tem o apoio do Centro

popularizar o design e promover sua utilização como

São Paulo Design (CSPD) e parceria com organizações

instrumento de inclusão social e sustentabilidade

ligadas às questões socioambientais e culturais.

ambiental, ocorrendo anualmente.

• www.designnabrasa.com.br

Prêmio Planeta Casa

O Prêmio Planeta Casa busca valorizar empresas, profissionais e estudantes das áreas de arquitetura, design, construção e decoração engajados com o desenvolvimento produtos,

sustentável,

empreendimentos

destacando imobiliários,

ações, projetos

arquitetônicos e de interiores que promovam a conservação do meio ambiente. Ocorre todos os anos, desde 2003, premiando os melhores classificados nas seguintes categorias: Categorias: Produto, Projeto, Ação Social, Estudante

Claudia Moreira Salles Claudia é designer por formação e reconhecida por aliar simplicidade com detalhamento em seus projetos, além de dominar as nuances de uma matéria-prima que tem forte identificação com o Brasil: a madeira. Ao mesmo tempo que tem formação em Desenho Industrial, ou seja, fundada na produção seriada, fez a transição para a produção sob encomenda, em que tem contato estreito com os artesãos de marcenaria.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

criando produtos que combinam requisitos dessas duas

Carlos Motta

áreas. São os designers brasileiros mais reconhecidos

Designer e Arquiteto que faz projetos de

mobiliário brasileiro atuais, utilizando principalmente madeiras brasileiras maciças como amendoim, mogno, cedro e cabriúva, bem como madeira de demolição. Seu design é uma mistura das influências brasileira

internacionalmente por seus trabalhos criativos e lúdicos, que traduzem o cotidiano do povo brasileiro. • www.campanas.com.br

José Gustavo Tonhasca

e européia, voltado para a simplicidade e para o

Zootecnista e artesão, José Gustavo Tonhasca realiza

consumidor de alta classe.

um trabalho essencialmente artesanal, que baseia-se na criação e execução de objetos e projetos de caráter

• www.carlosmotta.com.br

estético ou funcional, utilizando várias espécies de

Heloisa Crocco

bambu com diferentes vocações.

Formada em Desenho Industrial é um dos nomes mais importantes da junção design e artesanato no país, desenvolvendo diversos projetos como consultora

• www.designembambu.com.br

Lars Diederichsen e Fabíola Bergamo

de design, trabalhando no trato com comunidades

Casal de designers que trabalham com design de

artesanais. São de sua autoria, por exemplo o Projeto

produto e que possuem um escritório de design

Topomorfose: pesquisa visual com os veios das árvores

chamado Terra Design, em São Paulo, no qual atuam

nativas da mata brasileira, na Amazônia, que resultam

com produção industrial nos segmentos de móveis,

num grafismo que remete à arte indígena e aos

luminárias e máquinas. Além disso realizam trabalhos

principios do construtivismo; e o Projeto Mão Gaúcha:

separadamente como como consultores de design junto

amplo programa de revitalização do artesanato no Rio

à comunidades artesanais, em sua quase totalidade a

Grande do Sul, como consultora do SEBRAE-RS.

serviço do Sebrae, atuando de norte a sul do país.

• www.heloisacrocco.com.br

• www.terradesign.com.br

Humbeto e Fernando Campana (Irmãos Campana) Humberto é formado em Direito e Fernando em Arquitetura,

mas

ambos

na

prática,

atualmente

trabalham com o design e com as artes plásticas,

Lia Mônica Rossi É uma profissional do design de formação eclética. Atua principalmente no Nordeste, fazendo consultoria em comunidades artesanais, visando o maior aproveitamento das matérias primas e o aperfeiçoamento dos métodos

169


170

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

de produção, na intenção de promover o resgate da cultura local, através de métodos do design. • www.art-deco-sertanejo.com

Rita Prossi É poetisa, artesã e designer. Precursora no uso da

Maurício Azeredo

natureza amazônica em suas jóias, através de pesquisa junto as tribos indígenas, inspirada pelas suas lendas

O designer Maurício Azeredo é sinônimo de excelência

e mitos e pelo folclore de sua região. Criações que

no cenário de design de mobiliário brasileiro e um dos

harmonizam sementes amazônicas, couro de peixe,

icones do design quando o assunto é valorização de

palha de arumã, madeira, fibras naturais com metais

nossa cultura. Trabalha essencialmente com madeiras

preciosos são utilzadas em sua produção.

brasileiras e de modo muito sensível elabora propostas

• www.ritaprossi.com

que vão além da estética no objeto, apresentando também um amplo conceito implicito em sua criação. • www.mauricioazeredo.com.br

Pedro Petry É consierado um ecodesigner, pois trabalha exclusivamente com

madeiras

brutas

brasileiras,

interferindo

plásticamente e de modo sutil para a transformação da matéria-prima em objetos que carregam um conteúdo natural, resgatando o simples e o bucólico. • www.pedropetry.com.br

Renato Imbroisi Renato Imbroisi é designer e consultor. Desenvolve pesquisa, criação e produção de peças junto a grupos de artesãos da área têxtil em diferentes pontos do Brasil. Tecelagem manual, crochê, tricô, cestaria, renda, bordado e costura se renovam com a interferência do designer, sem perder, porém, o traço regional característico.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

Considerações Finais

171


172

172

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

“Brasil nas Mãos: Design+Artesanato” é um livro-catálogo, resultante de uma pesquisa acadêmica acerca do universo da relação entre o design e o artesanato.

Para tal, foi realizado o levantamento de algumas das técnicas artesanais tradionais, das matérias-primas

brasileiras disponíveis e dos objetos produzidos por artesãos, designers e artístas plásticos que trabalham nesta inter-relação. Com as informações obtidas, procurou-se organizá-las de modo a proporcionar ao leitor a melhor compreensão do tema, repassando-as de maneira objetiva, didática e resumida. O conteúdo teórico escrito esteve reforçado pela inserção de imagens, que buscaram traduzir o assunto em questão, acompanhadas por legendas que contivessem informações relevantes sobre as imagens. A autoria das fotografias não foi citada em nenhum dos casos, por haver dificuldades de encontrá-las, optou-se por omití-las em todos eles. O livro-catálogo foi dividido em 4 partes principais: “Artesanato Tradicional & Design+Artesanato”, “MatériasPrimas”, “Novas Tecnologias dos Materiais” e “Design+Artesanato em Ação: Empresas, ONG’s, Projetos, Instituições e Profissionais”. A princípio, outras divisões foram feitas, pois o conteúdo de informações era maior, no entanto, após uma escolha seletiva do assunto a ser inserido, excluindo-se as partes irrelevantes ou mesmo redundantes, foi se delineando de maneira natural a divisão adotada, que recebeu os “títulos” apenas na finalização do projeto. O nome dado ao projeto de pesquisa “Brasil nas mãos: Design+Artesanato” é uma alusão ao tema tratado em toda a extensão do livro, que expõem os trabalhos realizados por diversos pontos do território nacional, trabalhos estes que utilizam basicamente as mãos em sua execução. O principal objetivo a ser alcançado é promover a imagem da produção artesanal, e do “fator brasilidade” que pode ser inserido nos produtos de design através de conceitos resgastados através do estudo da cultura popular do Brasil. Reunindo num único espaço iniciativas de artesãos, comunidades artesanais, ong’s, empresas, instituições e profissionais do design e das artes, tenta-se depertar o olhar de alguns para a importância do reconhecimento de nossas raízes, de nossas potencialidades produtivas e limites a serem superados, e principalmente para os meios possíveis ao desenvolvimento sustentável.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

Bibliografia

173


174

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

A CASA - MUSEU DO OBJETO BRASILEIRO. Acervo. Disponível em: <http://www.acasa.org.br/arquivo>. Acesso em Ago./Set/Out e Nov. de 2007. a enciclopédia livre - wikipédia. Sisal. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Sisal>. Acesso em: 21 Out. 2007. AFONSO-ARTE. O que é marchetaria. Disponível em: <http://www.afonso.arte.nom.br/index.html>. Acesso em: 5 Out. 2007. apex brasil. Agência de Promoção de Exportações e Investimentos. Projetos. Disponível em: <http://www. apexbrasil.com.br/interna.aspx?id=16>. Acesso em: 6 Out. 2007. ARC DESIGN. Uma inversão do olhar. Quadrifoglio. Jul./Ago. N. 26, 2002. p. 16-23. ARC DESIGN. Artesanato Brasil com Design. Quadrifoglio. Mar/Abr. N. 35, 2004. p. 29-31. ARC DESIGN. Deslocamentos. Quadrifoglio. Nov./Dez. N. 33, 2003. p. 18-19. arte catarina. Artesanato Perpetua a História Catarinense. Disponível em: <http://artecatarina.sebraesc.com.br/opcoes.asp?cdSegmento=14>. Acesso em: 5 Out. 2007. ARTESOL. Artesanato solidário. Disponível em: <http://www.artesol.org.br/principal2.php>. Acesso em: 10 out. 2005. AUGUSTO, Marcio Araújo. Produtos ecológicos para uma sociedade sustentável. Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica – IDHEA. São Paulo, 2005. Disponível em: <http://www.idhea.com. br/artigos2.asp>. Acesso em: 05 jun. 2006. bambu brasileiro. Arte e Design. A PIAÇAVEIRA DESPONTA COMO CULTURA DE DESTAQUE NA ECONOMIA DA REGIÃO DO SUL DA BAHIA http://www.bambubrasileiro.com/info/design>. Acesso em: 17 Set. 2007. BORGES, Adélia. Designer não é personal trainer. São Paulo: Rosari, 2002. BRAZIL HANDICRAFT. Artesanato Brasileiro.

Disponível em: <http://www.brazilhandicraft.org.br/pt/

qs.aspx>. Acesso em: 1 Set. 2007 Casa pinto. Glossário. Biblioteca Têxtil. Disponível em: <http://www.casapinto.com.br/glossario.asp>. Acesso em: 12 Ago. 2007. CEART. Central de Artesanato do Ceará. Histórico. Disponível em: <http://www.ceart.ce.gov.br/>. Acesso em: 1 Set. 2007.


Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

CEMPRE. Premio Cempre + Design - Resíduo. Disponível em: http://www.cempre.org.br/premio_design_ residuo.php. Acesso em: 15 de nov. 2005. comissão executiva do plano da lavoura cacaueira - ceplac. A piaçaveira desponta como cultura de destaque na econômia da Região Sul da Bahia. Disponível em: <http://www.ceplac.gov.br/radar/ piacava.htm>. Acesso em: 17 Set. 2007. DESIGN, Arc. São Paulo: Quadrifoglio, n. 26. Jul./Ago. 2002. DESIGN, Arc. São Paulo: Quadrifoglio, n. 28. Nov./Dez. 2002. DESIGN, Arc. São Paulo: Quadrifoglio, n. 33. Nov./Dez. 2003. DESIGN, Arc. São Paulo: Quadrifoglio, n. 35. Mar./Abr. 2004. ECODESIGN-NEWS.

Editorial.

Disponível

em:

<http://www.designbrasil.org.br/ppd/designimprensa/

ecodesignnews.jhtml>. Acesso em: jun. 2006. esplar centro de pesquisa e acessoria. Projetos Agroecológicos. Disponível em: <http://www.esplar. org.br>. Acesso em: 23 Ago. 2007. Fidalgo, Janaina. Capim e fibra de palmeira se transformam num dos artesanatos mais bonitos do Brasil depois de serem “tecidos” pelas cuidadosas e precisas mãos das artesãs da Mumbuca. Disponível em: <http://www.herbario.com.br/dataherb50all_2_4/capimdourado.htm>. Acesso em:

Acesso

em: 8 Out. 2007. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. Laboratório de Produtos Florestais. Madeiras Brasileiras. Disponível em: <http://www.ibama.gov.br/lpf/madeira/resultado. php?idioma=portugues>. Acesso em 10 Set. 2006. Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Fomento ao artesanato. Disponível em: <http://www. maua.ba.gov.br>. Acesso em: 6 Out. 2007. Insituto Socioambiental. Cestaria Baniwa de Arumã. Disponível em: <http://www.socioambiental.org/ inst/baniwa/tec5.htm>. Acesso em: 17 Out. 2007. JARDIM, CASA E. São Paulo. Globo. N. 603. Abril, 2005. LEAL, Joice Joppert. Um olhar sobre o design brasileiro. São Paulo: Objeto Brasil; Instituto Uniemp: Imprensa Oficial do Estado, 2002.

175


176

Brasil nas Mãos: Design + Artesanato

LOPES, Elizabeth. Projeto Bambu reduz desigualdades sociais. Disponível em: <http://www.ana.gov.br/ AcoesAdministrativas/RelatorioGestao/Rio10/Riomaisdez/index.php.109.html55>. Acesso em: 15 Nov. 2007. MANZINI, Ezio. & VEZZOLI, Carlo. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: requisitos ambientais para projetos industriais. trad. Astrid de Carvalho. 1. ed. I. reimp. São Paulo: Edusp, 2002. MELO, Veríssimo de. Areias de Tibau. Oficina. Disponível em: < http://www.jangadabrasil.com.br/outubro26/ of26100c.htm>. Acesso em 7 ago. 2007. O SOL. O que é o sol. Disponível em: <http://www.artesanato-sol.com.br/oque.htm>. Acesso em: 20 Ago. 2007. OFICINA GENTE DE FIBRA. Arte e Design em Papel e Fibra de Bananeira. Disponível em: <http://www. gentedefibra.com.br/novo/indexp.php>. Acesso em: 17 Out. 2007 PROGRAMA DO ARTESANATO BRASILEIRO. Apresentação. Disponível em: <http://pab.desenvolvimento.gov. br/TEMPLATE.ASP?ID=Apresentacao>. Acesso em: 15 Nov. 2007. MÃOS DE MINAS. Perfil. Disponível em: <http://www.maosdeminas.org.br/perfil/index.htm>. Acesso em: 1 Set. 2007. PROJETO TERRA. O projeto. Disponível em <http://www.projetoterra.com.br/portugues/index.html>. Acesso em: 20 nov. 2005. SEBRAE. Tururi de Muaná faz sucesso no Fashion Rio 2006. Disponível em: <http://www.pa.sebrae.com. br/sessoes/servicos/noticias/noti_det.asp?codnoticia=428.> Acesso em: 9 ago. 2006. SEBRAE. Pará ganha Centro de Design da Amazônia. Disponível em <http://www.pa.sebrae.com.br/ sessoes/servicos/noticias/noti_tipo.asp?codnoticia=444&codnoticiatipo=67>. Acesso em: 09 ago. 2006. seringueira couro vegetal da amazônia. Couro Vegetal dos Seringais da Amazônia. Disponível em: <http://www.amazonlink.org/seringueira/couro_vegetal.html>. Acesso em: 7 Out. 2007. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS – SEBRAE. Cara Brasileira: brasilidade nos negócios, um caminho para o “made in Brazil”. Brasília: Sebrae, 2002. SUSTENTAÇÃO. São Paulo: Quadrifoglio, suplemento especial da revista Arc Design. Jun. 2005. Secretária de Comunicação da Universidade de Brasília. Meio ambiente. Borracha ecológica de qualidade. 2007.

Disponível em: < http://www.secom.unb.br/bcopauta/ecologia1.htm>. Acesso em: 23 Ago.


Brasil nas M達os: Design + Artesanato

177

QUERELAS DO DESIGN - LIVRO-CATÁLOGO BRASIL NA MÃOS  

QUERELAS DO DESIGN: Livro-Cat álogo “Brasil nas Mãos: Design+Artesanato ” Complemento anexo ao Projeto de Conclusão de Curso apresentado a F...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you