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A Lei Aurea foi assinada pela Princesa Isabel em maio de 1888, e com isso surgiram muitos atletas negros no país, como Dayane dos Santos e Pelé. O trabalho escravo foi deixado para trás, mas as atitudes racistas da época ainda continuam vivas dentro da cabeça de grande parte da sociedade atual, essa discriminação racial é refletida nas atrocidades que acontecem cada vez mais nas modalidades esportivas. O primeiro caso de racismo no Brasil, foi durante um jogo que o São Paulo jogou contra o Quilmes, no Morumbi, em 2005. O jogador Grafite, que na época jogava pelo São Paulo se desentendeu com o zagueiro argentino Desábato. Durante a confusão que resultou na expulsão dos dois jogadores envolvidos, Grafitte contou que foi xingado de “negro de merd@” pelo argentino. Mesmo 12 anos depois do ocorrido, o jogador Grafite, que hoje joga no Santa Cruz, conta que foi muito triste passar por todo aquele constrangimento feito pela torcida e por alguns jogadores do time adversário. O sentimento de injustiça acompanhou Grafite por um longo tempo. “Fui o primeiro a chegar na delegacia. Em seguida o Desabato com a comissão técnica. Sentaram próximo a mim e ficaram tranquilos. Rindo. Acharam que não ia acontecer nada. Para falar a verdade, até eu achei que aquilo era perda de tempo. Mas quando deu 6 horas da manhã, decidiram que ele ficaria detido”, contou Grafite. A goleira pernambucana, Barbara que atualmente joga na Seleção Brasileira, também já sofreu com o racismo. O crime aconteceu durante a Olimpíada do Rio. A goleira desabafou nas redes sociais, dizendo que chorou muito, mas que não tocaria no assunto com a imprensa. Em março desse ano, o zagueiro do Flamengo Rafael Vaz, foi um dos últimos a sofrer com o racismo dentro de campo, após uma falha na partida contra o Chile, pela Libertadores. “Na volta eu não tinha visto, meus amigos me mandando mensagem, força e tal-até porque depois dos jogos eu não costumo abrir redes sociais- e aí, achei estranho muitos amigos meus, familiares, mandando força, cabeça no lugar, e tudo mais. Fui abrir, tinha umas 10 a 15 mensagens de pessoas me ofendendo, chamando minha filha de ‘filha de macaco’, sendo que, poxa, minha filha tem, hoje, um ano e nove meses, né. Comecei a ver e a estudar a melhor maneira, porque, não existe, no Brasil, onde a maioria dos jogadores são negros, a gente passar por isso. Ainda mais nesse século XXI. Acho isso muito feio”, relatou o zagueiro Rafael, em entrevista ao Esporte Espetacular. Segundo o artigo243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante relacionado a preconceito contra a étnia, raça, sexo, cor, idade, condição da pessoa idosa ou deficiente, é crime e prevê multa, mas a impunidade ainda prevalece. A discriminação racial é algo que faz parte da história de grande maioria das modalidades esportivas em todo o mundo. O Brasil não é diferente. Quando chegaram os esportes tidos como de elite, os negros foram excluídos. Até a década de 1950, alguns times brasileiros proibiam que negros jogassem ou participassem de qualquer tipo


esporte, como era o caso do Grêmio. O primeiro clube a aceitar negros em seu time, foi o Vasco da Gama. Foi ao longo do século XX que os negros foram se inserindo, mas sempre com o lugar pré-definido. Eram sempre jogadores. Nunca técnicos. Mesmo em pleno século XI, o racismo ainda é bastante recorrente em muitos setores da sociedade, e pôde ser observado na Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Os jogadores foram atacados com palavras ofensivas. O atleta da seleção brasileira, Marcelo, foi um dos insultados. Ele começou a receber comentários racistas, dos torcedores brasileiros logo após fazer um gol contra, na estreia do Brasil. Entretanto, o futebol não é a única modalidade dentro do esporte que existem atitudes racistas. Outro caso, foi o caso do dono do time de basquete Los Angeles Clippers, foi expulso da Liga Nacional de Basquete Americano (NBA) e multado em 2,5 milhões de dólares, por ter falado algumas palavras racistas durante uma ligação, a qual foi publicada pela Revista TMZ, repercutindo em todo o mundo.

Racismo  
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