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pensamento inicialmente descomprometido com o espetáculo, em seguida comprometido com um pensamento coreográfico para hoje podermos voltar a pensar em diferentes formas de apresentação deste material. Esta trajetória ajuda em muito a pensar nas questões majoritárias da primeira mesma coisa. A primeira experiência pública com este material foi interdisciplinar. Havia um motif com seqüências diferentes para dançarina. Havia um tema para dar início a uma improvisação de outros dançarinos que não tinham o motif como referência. Havia um arquiteto ao fundo da cena desenhando, a partir de seu ponto de vista, o horizonte em movimento pelos corpos dos dançarinos em cena; havia um músico que improvisava no contrabaixo aquilo que via em movimento, este, recém iniciado na dança moderna e com noções sobre o sistema Laban de Análise do Movimento. Aos poucos a improvisação tomava conta e as dançarinas dos motifs largavam esta estrutura. O jogo se mantinha também através da iluminação que desenhava sombras na tela ao fundo do palco. Risco de Vida foi apresentado no Fórum Social Mundial em Porto Alegre 2005. Mesma Coisa foi o nome do segundo trabalho do grupo, onde se tentava propor, através de uma voz de comando, uma leitura dos símbolos em movimento. A voz de comando se alternava entre os dançarinos. Havia uma seqüência estruturada para organizar a leitura do espectador mostrada no começo da apresentação. Esta seqüência, depois de apresentada, ia sendo mostrada com variações de níveis e tempo até que chegava na formulação do comando de voz. Mesma Coisa em 2005 foi regada a experimentação. Aparições fantasmas em evento programado com um símbolo na mão fazendo uma abordagem um a um na platéia, perguntando se era desejo desta pessoa que o dançarino se movesse de acordo com aquele símbolo para este espectador, ou o inverso, se o espectador gostaria de experimentar se mover a partir daquela motivação foram e são experimentos muito ricos, não só pela variedade das reações sempre encontrada em situações como estas, mas pela nossa surpresa em ver como há pessoas que se interessam pelo fato de haver símbolos que representem movimento de dança. E que se dispõem a mover aquilo que desconhecem, ou a aprender. Em tempos de interatividade, nossa tarefa se cumpriu. Mas não se esgotou, ao contrário aludiu ao trabalho que temos que desenvolver neste sentido. A partir daí, investimos em dialogar com a poesia, e estamos desenvolvendo este diálogo ainda hoje.

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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