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com a Fluência. Quando disse que eu me permito deixar que as imagens venham com o movimento, penso que isso esteja relacionado a deixar a Fluência tomar conta da criatividade. Ainda que haja a possibilidade de não ter imagens preenchendo o movimento, este é um risco que a Fluência me permite correr. (SASTRE, 1999)

O sistema mostrou-se, para mim, extremamente eficiente para a análise de movimento. A possibilidade de aprofundamento de leituras que se desdobram a partir desta análise permite que eu diga que esta é uma pesquisa para toda a vida. Ela cria possibilidades de expansão, deixando por vezes, meu fluxo “desforme”, com tantas delícias neste jardim. Por isso, as respostas maiores buscadas a partir do procedimento feito nesta pesquisa apenas evidenciaram sua imensidão. Era realmente o início de uma investigação que tem vários focos. Dentre eles, um emergiu da prática docente no curso de graduação em dança: licenciatura, da URGS/FUNDARTE: a aplicabilidade do sistema para composição e análise coreológica de obras de dança. Foi assim que, alguns anos mais tarde, retomei a Mesma Coisa!

Mesma Coisa com o Grupo de Risco Quase um ano depois de iniciar um grupo de estudos sobre Fundamentos de Bartenieff junto a alunos da graduação interessados em aprofundar o que estavam aprendendo em aula, veio a demanda. Talvez meu fluxo controlado sobre esta nova posição de professora fez com que eu custasse a crer que por trás de toda a resistência enfrentada sobre a proposta que fiz no uso dos Fundamentos de Bartenieff como um conteúdo de técnicas corporais houvesse ainda interesse pela proposta desenvolvida no meu trabalho de conclusão: a utilização de motifs como tarefas para improvisação e composição. O interesse inicial pela utilização dos símbolos para movimento, e a imediata descoberta da possibilidade de sintonia de movimento ao colocarmos lado a lado as criações vindas de um mesmo motif dançadas por diferentes pessoas foi o nosso maior motif! Finalmente eu encontrava companhia para um processo de criação que estava adormecido. Deste momento até hoje muita coisa aconteceu, muitas pessoas passaram pela pesquisa, e desde 2006 a pesquisa ganhou palco, interlocução e intertextualidade. Alguns degraus de diferentes tamanhos nos levaram a um

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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