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deles é o processo de cognição que se associa ao ensino- aprendizado e ao processo de criação do dançarino, permeado por inúmeras associações que envolvem qualquer método de ensino-aprendizagem. Laban estava se perguntando sobre os métodos de dança tradicionais e fazendo uma frente em relação ao ballet no seu tempo. Ainda que utilizando este como referência para seus estudos, ele queria mais do que o que estava sendo apresentado até então: um repertório de movimentos codificados válidos para aquilo que se chamava dança, ensinado ao mais tradicional método de demonstração, tendo como base um modelo visando um padrão comum. Com suas propostas inovadoras, Laban construiu o que mais tarde foi chamado de alfabeto do movimento, ou seja, uma notação composta por símbolos que representam lugares no espaço níveis e direções, partes do corpo, divisões de tempo mais tarde acrescidas pelas qualidades expressivas de movimento, símbolos que ganharam enorme representação ao longo da vida de Laban e para além dela. Equivale a aprender outro idioma, como é mesmo considerado por alguns programas de pósgraduação americanos, que aceitam a labanotação como terceira língua para alunos em programas de doutorado (VICARI, 2007). Mas este não era o foco principal de trabalho de Laban. Este alfabeto só pode ser construído e disseminado, porque sempre existiu uma teoria e filosofia muito consistente por trás desta construção iconográfica. Uma das grandes aplicações dada a este material por Laban em seu tempo foi a possível construção das danças corais, executadas por um grupo muito grande de pessoas, que aprendiam estes movimentos através do conhecimento que adquiriam da kinetografia Laban. Na década de 60, Valerie Preston-Dunlop, figura importante na continuidade do trabalho de Laban no Reino Unido, propôs uma forma simplificada de notação para fins didáticos, em seu trabalho junto a educadores físicos, que desse conta dos aspectos mais evidentes do movimento para que um professor analista pudesse registrar em tempo, durante observação, aquilo que mais se evidencia, em vez de fazer o registro do movimento em relação a todos os aspectos: espaço, tempo, partes do corpo e ações corporais. Em 1967, ela publica Readers in Kinetography Laban, Series B, Motif Writing for Dance. Em Nova Iorque, na década de 50, Ann Hutchinson-Guest também trabalhava com dança educação e fazia um uso mais livre e exploratório dos símbolos de notação (GUEST, 2007). Esta forma de notação é o motif, que vem ganhando

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA