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Tarefas parecem funcionar como motivos para o estabelecimento de associações. Enquanto isso, num período semelhante, a motif writing estava sendo formulada, utilizada para fins pedagógicos a partir de práticas de pessoas envolvidas com a dança educação. Nos últimos anos esta escrita vem sendo legitimada e sua utilização vem se mostrando extremamente eficiente. Foi durante uma aula no LIMS, em 1998, que percebi que eu e meus colegas mostramos uma variedade de movimentos para um só motif. Isso me motivou a pensar coreograficamente. Assim foi a primeira vez que experimentei a Mesma Coisa. Assim vem sendo o trabalho de exploração de movimento e de jogos coreográficos com o Grupo de Risco, grupo formado por pessoas que passaram pelos cursos de artes do ainda recém criado curso de graduação em artes com as quatro qualificações em dança, teatro, música e artes visuais do convênio UERGS/ FUNDARTE na cidade de Montenegro no Rio Grande do Sul. Neste caminho de fluxos bastante interrompidos, ou seja, passados vários anos desde minha formação em labanálise, vem sendo possível estabelecer alguns diálogos com algumas teorias da filosofia contemporânea. Sendo o Sistema Laban considerado uma teoria em movimento (MIRANDA, 2002)10 uma vez que se organiza a partir do movimento sistêmico e da apropriação que cada estudioso faz a partir da relação estabelecida entre as diversas formas de pensamento, cabe pincelar algumas referências teóricas em diálogo com este processo de criação. Uma das formulações do pensamento complexo de Edgar Morin fala em “desviar um objeto, um instrumento, uma idéia, uma instituição, etc., de seu sistema de referencia e de sua finalidade própria, para integrar em novo sistema e dar finalidade nova” (MORIN, 1990). Esta a firmação, bem como a idéia de que caos e cosmo aparecem como “duas faces do mesmo fenômeno” (MORIN, 1990) traçam uma relação com a figura da banda de Moebius11 trazida por Laban, onde dentro e fora são parte de um todo. Aspectos aparentemente apartados na verdade se encontram em seu próprio avesso, portanto dentro de 10 11

Texto de apresentação do livro O Corpo em Movimento de Ciane Fernandes, primeira edição. “Matemático e astrônomo A.F. Moebius (1790-1868) descobriu uma superfície que ele descreveu como não tendo o <<outro lado>>, por exemplo, uma superfície de um lado da qual se pode chegar ao seu outro lado sem atravessar uma extremidade. É chamada de banda ou tira de Moebius” (Laban, 1974) pg 98.

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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