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Aqui estamos dando o espaço para que o ator entenda como se dará o acesso àquela construção e sua manutenção, ou a manutenção daquilo que a anima, que a mantém viva. Trata-se daquilo a que muitos teatrólogos vêm chamando sub-partitura, como veremos à frente. Em seguida propomos a repetição do gesto de soltar e re-instalar a célula, até que o ator tenha segurança de tê-la incorporado. Esse trabalho ajuda também a evitar a perda de células conquistadas em experimentações, mas muitas vezes esquecidas depois.

I ching Podemos pensar no I ching como um meio de atualização de respostas mais ou menos inconscientes, fornecidas (atualizadas) pelo próprio jogador, através do instrumento oracular. O I ching, que inicialmente consistia tão somente em dois signos como respostas a perguntas, foi sofrendo acréscimos até chegar, há cerca de 2.500 anos, ao formato próximo do que conhecemos. A dupla de signos no qual se baseia o oráculo consiste em um par dinâmico e complementar, e foi, posteriormente, vinculada às noções de yin e yang, que orientam a filosofia taoísta. O I ching é composto de 64 hexagramas (formados por seis linhas) que surgem a partir da combinação de dois núcleos menores, os trigramas (formados por três linhas). As respostas procuradas no I ching como oráculo, ou como um conjunto de situações humanas arquetípicas, são dadas pelos hexagramas. Em nosso estudo focamos na simbologia dos oito trigramas, também conhecidos como ba gua. Cada um desses conjuntos de três linhas representa um arquétipo, com determinados atributos, ligado tanto à posição familiar, como a fenômenos da natureza, animais, partes do corpo, etc. Além do uso oracular do I ching - ação que faz parte de nossa vida, nosso estudo se concentrou em referências ligadas aos oito trigramas associando-as a exercícios, parâmetros e texturas de movimentos afins, visando favorecer construções de determinados estados, ou “personagens”. Segue uma tabela hipotética, construída a partir de referências ligadas aos trigramas arquetípicos do I ching, buscadas nas diversas fontes consultadas. Além destas referências, acrescentamos algumas propostas cênicas de origens diversas, às quais relacionamos os trigramas. Esta relação se pautou na tipologia

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  
Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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