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cenas. Também trabalhamos com algumas imagens de wu hsing, a mandala das cinco fases, buscando trabalhar as energias afetivas associadas a elas. O chi kung esteve presente durante todo o processo, como forma de preparação para o trabalho. A seguir abordaremos aspectos das matrizes yin yang, e os trigramas do I ching, levantando os princípios com os quais operamos em processos criativos:

Yin yang A idéia da relatividade yin yang nasceu na China antiga, alguns séculos antes de Cristo, a partir da observação dos ciclos da natureza, em especial o ciclo dia e noite e fatores a este associados, como sol e lua, claridade e escuridão, etc. Suas mais antigas referências conhecidas constam do Hi zi, pequeno tratado anexado ao I ching (1997, 85). Neste tratado os emblemas funcionavam especialmente na caracterização das linhas, a inteira (yang), que inicialmente denotava sim e a cortada (yin), significando não. Estas linhas são as menores células do I ching, cujas combinações formarão os trigramas e hexagramas, complexificando as respostas. Se com a idéia de tao, só podemos lidar a partir de um processo sintético (caracterizado por ser holístico, sistêmico, intuitivo), com sua manifestação para os homens a partir de duas forças relativas - yin e yang - podemos lidar a partir de processos analíticos, relacionais (Freire, 1996, 3). Marcel Granet (1997, 83) observa duas tendências de análise sobre o conceito, uma atribuída aos críticos contemporâneos chineses, de entendê-los como forças, e outra, ocidental, de trata-los como substâncias. Refutando ambas as proposições, Granet observa que, de forma bem mais simples que se possa imaginar, os termos yin e yang funcionam principalmente como emblemas, dotados de potencial de evocação de todos os contrastes possíveis existentes. Yin e yang formam, assim, um par de rubricas mestras com alto poder sugestivo e simbólico (1997, 88). Segundo Granet, a existência deste conceito parece traduzir a idéia de que o contraste de dois aspectos concretos caracteriza o universo e cada uma de suas aparências (1997, 89), entretanto, como será discutido em outros trechos, o duplo yin yang não se configura nos moldes dicotômicos, derivados da metafísica ocidental, e nem rechaça a noção de multiplicidade em detrimento de dualismos

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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