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1) Autores que lidam com o tema da pós-modernidade/ pós-modernismo. Apesar das visões e ênfases serem diversas, um dado é comum ao discurso de vários autores: a disrupção da identidade do sujeito. Frederic Jameson (1985) declara a morte do sujeito, não existe mais uma identidade única e estável, existe uma inaptidão em focar o próprio presente, de lidar com o tempo e a história; uma experiência esquizofrênica. Hal Foster (1996) diz que um gap forma-se entre significante e significado. Jean Baudrillard (apud FOSTER, 1996) chamou de simulação um curto-circuito da realidade e sua reduplicação por signos, numa realidade onde objetos, eventos, até pessoas são transformadas em imagens para serem consumidas. Foster (1996) coloca que a experiência da temporalidade do sujeito é descontínua, não-sincrônica, uma mistura de tempos diferentes. Ele utilizou o conceito de deferred action de Freud para a experiência subjetiva: a subjetividade nunca é instalada de uma vez por todas e sim num revezamento de antecipações e construções de eventos que podem tornar-se traumáticos através deste próprio revezamento. 2) A categoria abjeto (abject) de Julia Kristeva (1982): Uma categoria de (não)ser definida como nem sujeito nem objeto, sugerindo uma virada da parte interna do corpo para fora e vice-versa; toca nas nossas fronteiras, na fragilidade da distinção espacial entre nossas partes interna e externa, assim como na passagem temporal entre o corpo materno e a lei paterna. As manifestações artísticas influenciadas por esta categoria têm seu campo no sujeito traumático ou abjeto e no corpo doente ou danificado, como, por exemplo, a obra de Cindy Sherman, que também ulitilizei para alimentar o trabalho. O abjeto dialoga com o informe de George Bataille, onde a forma significativa dissolve, e com a pulsão à indistinção de Roger Caillois, na qual o espaço é uma força devoradora, o corpo-sujeito é devorado pelo espaço, torna-se espaço. 3) As obras Uma Descida ao Maelström e O Poço e o Pêndulo de Poe: Reli estas obras dialogando com esta rede de referências. Pude perceber que Poe expõe “corpos-sujeitos” que estão sendo devorados pelo espaço, prestes a perder sua “subjeticidade” (subjecthood - Foster). A distinção entre interno e externo é muito frágil, o sujeito encontra-se literalmente num gap.

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  
Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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