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se para atrás alto com impulso apaixonado (leve, livre e desacelerado), em seguida espalhando-se pelo plano horizontal enquanto o peso está apoiado na unidade inferior, sentada com as pernas abertas. Aqui surge o peso leve, diferente da préexpressividade de defesa (“fazendo bonito”) como em minha preferência anterior. É também a recuperação do peso forte agora sentido e do meu padrão de condensar esforços (controlado, direto e rápido). Durante este movimento agradável, sinto o ar e as nuvens se espalhando pelo céu aberto. Continuando a torção para a esquerda na posição sentada, após atravessar o plano horizontal, apóio as mãos no chão à esquerda, flexiono os dois joelhos para a esquerda (queda dos joelhos) e, girando, porém mantendo os pés no mesmo local, levanto os quadris até tirá-los do chão, apoiando o peso apenas nas mãos e meia-ponta dos pés. A cauda (cóccix) aponta para o teto, e as duas pernas estão cruzadas, a esquerda à frente da direita, que está esticada atrás. Esta espiral com o corpo acontece em estado próximo (peso e tempo) seguido de impulso apaixonado até estar de pé (estou enraizada e olhando para baixo com minhas pernas cruzadas). Então, transferindo meu peso, começo a andar em direção à parede de trás. Como minhas pernas estão cruzadas, o andar consiste em um longo deslizar do pé direito (que está atrás) em volta do esquerdo, ultrapassando-o até chegar a baixo esquerda frente (com um soco no chão), seguido da mesma ação do pé oposto na direção oposta (baixo direita frente). Os braços estão abertos na dimensão horizontal, dando um suporte contralateral ao movimento. O deslizar de um pé provoca o desequilíbrio do corpo que retorna para seu centro com um soco dado pelo pé quando chega em seu lugar baixo. Estes movimentos são bastante poderosos e significantes para mim. Eles representam o aprendizado do “andar com minhas próprias pernas”. Podemos fazer a Descrição Vertical de Motivo desta “andada cruzada” da seguinte maneira:

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA

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