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Os movimentos seguintes são da Escala Pessoal, apesar de bem mais intensos em termos de qualidades dinâmicas, bem como mais desenvolvidos em termos de organizações corporais e forma tridimensional. Após a quinto alcançar das mãos na seqüência C, o braço esquerdo estica em para cima (em relação à minha cabeça no chão) e o corpo todo rola, alternando movimentos homolaterais e contralaterias. Os seguintes Bartenieff Fundamentals são cruciais nesta seqüência: círculo do braço, deslize lateral da pélvis e rolamentos de metade do corpo. Durante estes rolamentos pelo chão, a parte superior do corpo está “espalhando” principalmente com os braços. Sinto meu peso forte contra o chão, fluxo livre na continuidade dos movimentos e um aumento gradual da velocidade. É bastante prazeroso. No sétimo rolamento, o impulso apaixonado me coloca de joelhos e eu realizo o movimento “cauda de baleia”: balanço a parte superior do corpo com peso passivo iniciando pelo centro e ampliado pelo peso da cabeça para alto esquerda atrás e depois alto direita atrás e sucessivamente. Este movimento representa alegria e vivacidade, com muito suporte respiratório. Do último impulso, eu me torço, mudo minha relação espacial com o local e caio ao longo do chão na direção frente baixo.

Seqüência E (trecho da Escala Pessoal) Permaneço respirando e deitada de bruços por um momento (“respiração celular”, condensando e expandindo) e sentindo meu peso contra o chão em pausa ativa. Isto significa que não estou com pressa, compulsivamente fazendo coisas. Não preciso também estar me movendo constantemente para entreter o público. Há muito movimento interno (forma fluida e suporte respiratório) nesta “imobilidade”, que difere muito do movimento controlado sem suporte interno. Quando me sinto pronta, levo minha pélvis para trás (no caso, em direção ao teto) em fluxo contido e desacelerado (ao invés de rapidez como na seqüência prévia). Agora sinto como se fosse tensão e dor ao mesmo tempo. Tenho uma imagem de uma nascente no deserto. O lado esquerdo do meu corpo vai em direção a esquerda alta, como o deslizar da seqüência D (como uma lagartixa) e depois a perna esquerda vai em direção à baixo direita atrás, em forma direcional linear, cruzando por trás da direita. Este movimento da perna provoca uma torção no tronco, que rola e levanta a unidade superior até quase sentar, em organização contralateral. Na continuidade da torção, ao sair do chão, a unidade superior direciona-

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA