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Este projeto consistiu em uma exploração coreográfica de padrões de movimento pessoal (presentes tanto no movimento quanto na mente) e suas transformações através da repetição de movimento. Seu foco principal foi comparar padrões de movimento pessoal e suas transformações tanto dentro do processo como na obra final de dança, intitulada Sem Perda de Memória (No Loss of Memory, New York, 1994). Ele foi realizado em 1993 e 1994, como parte do Certificado de Analista de Movimento no Instituto Laban/Bartenieff de Estudos do Movimento de New York. Meus padrões de movimento pessoal são um reflexo de um treinamento para atingir uma meta. Durante meus vinte e quatro anos na escola e aplicando para apoio financeiro durante vários anos, a lição que melhor aprendi foi a de planejar minha vida para que eu tenha certeza de onde estarei pelo menos daqui a dois anos. Porém este padrão nunca incluiu o caminho em direção ao objetivo, ou seja, o caminho de experiências seqüenciais presentes que eventualmente me levariam ao objetivo. Minha tendência ou preferência é fazer as coisas rapidamente para retirálas do caminho e depois começar outra coisa. Eu nunca realmente interajo com a experiência do presente, constantemente olhando adiante para o próximo objetivo ou solução supostamente ideal e final. Estou sempre preparada para recomeçar do início, ignorando o que eu acabei de vivenciar, num padrão repetitivo e compulsivo. A princípio dirijo minha atenção para onde acho que tenho que ir (foco direto), e me torno bastante ansiosa (fluxo controlado) para chegar lá o quanto antes (tempo acelerado). O tempo é linear e progressivo (FOUCAULT 1977, 154), passadoprogressivo, presente, sempre-futuro, sempre fugindo de mim mesma, ou seja, da sensação presente. Deste modo, eu me inclino a combinar estes três fatores dinâmicos (foco, fluxo e tempo) num estado remoto (fluxo e foco), móvel (fluxo e tempo), alerta (tempo e foco), e com impulso de visão, sem me envolver (fator peso) nos meus relacionamentos com outras pessoas e com o espaço. Ao contrário, eu tendo a resistir ao envolvimento, apresentando a préexpressividade do peso leve (“sendo gentil”) ou a pré-expressividade do peso forte (veemente) num ataque defensivo, ou então um combinado com o modo defensivo da pré-expressividade do foco indireto ou flexível (evitar, dissimular), com fluxo contido subliminar.

Gipe cit 19 (tradução de artigo)  

Ciane Fernandes Tradução: Melina Scialom SEM PERDA DE MEMÓRIA: UMA EXPLORAÇÃO COREOGRÁFICA