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poesia nas ruas


A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia nem no jardim dos lilases. A poesia está na vida, nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos, nos ascensores constantes, na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores, nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica e no fumo da fábrica. A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais, no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo. Está no riso da loira da tabacaria, vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos. Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar. A poesia está na doca, nos braços negros dos carregadores de carvão, no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar — e só durou esse minuto. A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento, nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho de terras sempre mais longe, nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus, na angústia da vida. A poesia está na luta dos homens, está nos olhos abertos para amanhã. Mário Dionísio


lisboa, 2013


Impossível não cair num dos mais banais clichês ao narrar poeticamente a própria experiência num ambiente urbano marcante e rico de história. Sentimo-nos como se fossemos os únicos a viajar, protagonistas de um cenário que, na realidade, antes de nós, viu passar personalidades mais interessantes. A seguinte coleção fotográfica é incompleta, desordenada e não original. Não é uma tentativa de guia turístico. Quem escreve não é o autor das poesias, a autora das páginas a

seguir é Lisboa. Além do simples fascínio das cidades decadentes ela fala; fala em versos sem ninguém escutar. Lisboa cheira poesia. Manifesta-se através dos seus cenários da forma mais honesta. Sem nenhuma pretensão as imagens convidam a escutar a cidade revelando as suas poesias para quem ainda não as sentiu. A poesia nas ruas pede uma atenção subtil, aquela que é preciso para encontrar as pequenas coisas, onde está a verdadeira essência da beleza.

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Impossible not to fall into one of the most banal clichĂŠs narratingin, in a poetic way, oneself experience in a noteworthy and rich of history urban set. As if we were the only ones travelling, protagonists of a scenario that, actually, before us, has seen pass more interesting personalities. The following photographic collection is incomplete, disorganized and not original. It is not an attempt of a tour guide. Who writes is not the author of the poetry, the author of the

following pages is Lisbon. Besides the simple charm of decaying cities it speaks; speaks in verse without anyone listening. Lisbon smells poetry. Manifested through its scenarios in the most honest way. Without any pretence the images invite to listen to the city revealing their poems for those who have not felt them yet. Poetry in the streets calls for a subtle attention, that one that takes to find the little things, where lies the true essence of beauty.

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- poetry is in the fight of men, is in the open eyes for tomorrow 6 poetry on the streets 10 who falls on his head stands up 12 blank walls dumb people 14 freedom lives when state dies 16 until when? 18 are you going to keep staring? 20 and what about when you haven’t anything to eat? 24 what is missing is ... 26 perfect incompleted 28 people could live here 30 one night can change the rest of the days of your life 34 we we bring a new world in our hearts 36 you are the Lisbon I love! Miss you ...


40 who can’t swim dives in 42 have a good trip. Lisbon waits for you 44 open your eyes 46 dictatorship is a fact, revolution is a right 48 this way | station entrance 50 I want to see you happy 52 every system has a blind spot 54 love needs to be reinvented | turn it on 56 our dreams do not fit in your world 58 we are the place we miss 60 peace among people because war is among classes 62 eternal innocence 66 mass distraction weapon | cultural impotence 68 my love is hyperbolic


70 to violence, thousand kisses 72 we don’t see things how they are but how we are 74 freedom is men’s homeland 78 I did nothing but dream 80 tag a selfish trick 82 blank walls blind people | privatize the [whore who had you] 84 if rich people are guilty for poverty aren’t poor people guilty for wealth? 88 it’s so little that makes me stay but it takes me too much to leave 92 go or crack 96 walk to grow up 100 I don’t belive in love 104 a friend in each corner 106 the melody that you hear is the silence of the wall you see. Listen! 108 I want to be happy


112 revolution | cycling hurts the ass 114 sailing trough unknown seas, we will reach known freedoms. this is the time, Portugal. 25th April forever - the end is a good beginning


The public needs art, and it is the responsibility of a “self-proclaimed artist� to realize the public needs art, and not to make bourgeois art for a few and ignore the masses... If the public is afraid of art, should we [artists] be afraid of what we have done to make the public afraid of art? - Keith Haring, journal entry, October 14, 1978


daiane bulgarelli ellen dalago ristow gabriele donada giuliana fimmanò tany vazzana



Poesia nas ruas