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Proposta para o

Museu das Águas Comitê Comitê Multidisciplinar de Porto Alegre

2ª edição - 11/2011

Multidisciplinar de Planejamento de Planejamento Urbanístico Urbanístico da Orla do Guaíba da Orla do Guaíba


Uma proposta para o

Museu das Águas de Porto Alegre

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Justificativa

Uma proposta para o

Museu das Águas de Porto Alegre

1. Justificativa A água é uma substância essencial e indispensável para todos os seres vivos e para todas as atividades da sociedade humana. Como componente do ambiente natural da Terra, tem um papel fundamental no equilíbrio ecológico e na preservação das condições ambientais que permitem a nosso planeta gerar e manter a vida como a conhecemos. A quantidade de água existente no planeta não se altera ao longo dos tempos, mas sua presença não é uniforme: - espacialmente, oscila entre a abundância excessiva nas zonas mais úmidas e a extrema escassez nas regiões áridas e desérticas; - temporalmente, em uma mesma região varia, com maior ou menor regularidade, das épocas secas, chegando a fortes estiagens de maior ou menor duração até os períodos de chuvas, mais ou menos intensas, prolongados ou breves.


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Justificativa

Desde a revolução industrial, aumentaram em intensidade e em diversidade os usos da água para as atividades humanas e, em decorrência disso, a disponibilidade desse importante recurso natural deixou de ser considerada como ilimitada, tanto localmente quanto em âmbito planetário. Em outras palavras, a água não é um recurso inesgotável. O aumento e a simultaneidade de usos fizeram com que a sociedade fosse confrontada como a realidade da escassez, seja presente ou futura, seja em âmbito mais localizado ou mais amplo. Para determinados usos, entre eles os mais nobres como o abastecimento humano ou a dessedentação animal, a escassez pode-se produzir em termos de quantidade (quando o consumo torna-se maior do que a disponibilidade) ou de qualidade (quando alguns usos produzem alterações de qualidade que impedem o aproveitamento para outros usos). As questões relacionadas com a disponibilidade limitada da água frente a usos cada vez mais diversificados e crescentes é um tema que vai se tornando prioritário na pauta dos governos e da opinião pública de todo o mundo. Tanto em escala mundial quanto no âmbito das nações, demandam-se políticas públicas que estabeleçam uma gestão pública das águas. A gestão pública deve ser enfocada na proteção (conservação, recuperação e preservação) dos recursos hídricos e na racionalização e compatibilização dos usos múltiplos desses recursos e concretiza-se em leis, sistemas institucionais e instrumentos gerenciais. No cerne da política pública para a proteção e o melhor uso das águas está o processo de educação e de conscientização dos cidadãos. Um museu das águas pode contribuir para a concretização dos objetivos da gestão das águas, na medida em que pode ser importante instrumento de educação e conscientização com todos seus componentes: informação, comunicação, divulgação, participação, entre outras funções culturais.


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Conceito

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Proposta

2. Conceito geral O museu terá como tema a água, bem ambiental limitado, essencial para a vida e para o desenvolvimento social, suas manifestações na natureza, suas características físicas, os usos múltiplos e simultâneos atuais e ao longo da história e a gestão pública dos recursos hídricos. Além disso, também proporcionará a oportunidade de desenvolver a criatividade artística tendo a água como tema, material ou suporte. 3. Proposta básica -

O Museu das Águas constituir-se-á de três Eixos: Eixo Educativo – em que o tema será desenvolvido em seus diversos aspectos sob forma de modelos reduzidos e maquetes (por exemplo, uma bacia hidrográfica, uma estação de tratamento de água, um sistema de irrigação, uma estação de tratamento de efluentes industriais, uma barragem para geração de energia etc), jogos, instrumentos audiovisuais, programações com escolas, cursos, seminários etc.

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Eixo Histórico – onde serão preservados artefatos e documentos relacionados com a história da água e de seus usos (utensílios de diversas culturas relacionados com os usos da água e dos corpos hídricos, peças e maquinismos com valor histórico referentes a tecnologias, serviços e instituições, documentos, fotos, vídeos ou filmes e outros registros históricos).

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Eixo Artístico – espaço para receber obras produzidas por artistas nos mais variados formatos, suportes, propostas e concepções, enfocando o tema do Museu em seus diferentes aspectos; assim como fomentar a produção dessas obras através de concursos, cursos, oficinas etc. Os espaços expositivos servirão para a apresentação tanto de um acervo a ser constituido quanto para mostras temporárias, oportunizando, inclusive a permuta com entidades similares.

Os eixos (ou módulos) descritos acima não deverão ser estanques, mas dinamicamente interligados e integrados. Deverá haver a previsão de um espaço comum (midioteca) que abrigue elementos escritos (livros, revistas, cartazes etc), audiovisuais (fotografias, filmes, vídeos, bancos de dados) e sonoros (gravações), aberto ao acesso individual ou coletivo, seja por fruição ou para pesquisas científicas ou educacionais.


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Centro de Referência

4. O Museu como Centro de Referência Em sintonia com a tendência museológica contemporânea de fazer dessas instituições organismos dinâmicos e atuantes, o Museu das Águas deve ser um verdadeiro centro de referência para a conscientização das questões relacionadas com a proteção das águas e a mobilização dos cidadãos. Deve articular-se com outras instituições com finalidade similar, proporcionando oportunidades de pesquisa documental e promovendo conjuntamente eventos educativos, culturais e recreacionais vinculados ao tema central.


Museo del Agua Lanjar贸n - Espanha

Aquaria Vattenmuseum - Estocolmo

Netherlans Water Museum Stromenland

National Mississipi River Museum and Aquarium

Water Museum Yazd - Iran


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Water Supply Museum - Tóquio

5. Museus das Águas no mundo Em outros países foram criados museus temáticos voltados à água ou que se ocupam com a questão ambiental, de forma mais ampla, onde aparece também a água. A seguir elencamos alguns exemplos de museus existentes. - Lisboa tem seu museu das águas desde 1919, “composto por quatro núcleos museológicos que correspondem a quatro localizações diferentes dentro da cidade de Lisboa e municípios adjacentes. Cada um desses núcleos fez parte do sistema de abastecimento de água potável à cidade de Lisboa, estando, na actualidade desactivados para estas funções”. - Na Holanda, o Netherlands Water Museum, na cidade de Arnhem, é “um museu interativo dedicado a todos os aspectos da água doce”. - O New York Museum of Water, de acordo com seu site, “é o primeiro e único museu público nos Estados Unidos unicamente dedicado à água e o único no mundo a fornecer uma perspectiva global deste elemento onipresente apesar de muitas vezes escondido”. - Na Rússia, o Museu das Águas de São Petersburgo foi inaugurado em 28 de maio de 2003, localizado em uma “torre de água” (reservatório) de 1860 - Na Itália, foi inaugurado em 2008 o Museo delle Acque de Perugia, o qual “estimula uma viagem ideal à descoberta da água, elemento natural essencial para garantir a vida sobre a Terra” (Existem, também, dezenas de “museus do ambiente” ou ecomuseus. - Em Londres, existe o Kew Bridge Steam Museum – “construido no século XIX para abastecer Londres com água, o museu é reconhecido como o mais importante sítio histórico da indústria do abastecimento de água na Grã-Bretanha”. - Na Espanha, encontram-se o Ecomuseo del Agua de Benamahoma, na Andaluzia e o Museo de la Ciência y del Água da Murcia. - Em Buenos Aires, um antigo reservatório desativado, onde hoje funcionam unidades administrativas do abastecimento de água da cidade (o Palácio de las Águas Corrientes) também abriga um pequeno museu. Em nosso país, temos o exemplo de Blumenau, onde a primeira Estação de Tratamento de Água, de 1943, foi transformada em Museu da Água em 1999. Embora o exemplo de Lisboa seja bastante antigo, a tendência de criar esses museus é bem mais recente. Entre os que foram pesquisados, o objetivo principal é didático, podendo também ser o de museu histórico. Talvez o museu proposto para Porto Alegre seja o primeiro a contemplar, também, o aspecto artístico, integrando os três eixos temáticos.


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Referências Históricas

6. Referências históricas e conjunturais A ideia de um museu das águas surgiu no contexto do Ano Estadual das Águas, estabelecido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul em 2004. Este evento, desenvolvido ao longo de todo o ano, em comemoração aos dez anos da Lei 10350/94, Lei Estadual da Água, foi uma proposta da Câmara Técnica dos Recursos Hídricos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental apoiada por diversas entidades da sociedade civil e órgãos públicos. A idéia do museu foi reforçada pelo conhecimento, trazido pelo Presidente da Associação Riograndense de Imprensa, da existência de museus similares na Europa. Por ocasião do II Fórum Internacional da Água, iniciativa da ARI, em novembro de 2004, a proposta do museu chegou a ser levantada, mas não encontrou maiores apoios. Em 2009, constituiu-se um grupo representativo de diversas entidades para defender a necessidade de um planejamento urbanístico da orla do Guaíba que respeite a proteção ambiental da região. A ideia de um museu voltou a surgir, revigorada com a característica de poder ser um ícone dos esforços para a preservação ambiental da orla. Nada melhor para marcar o planejamento ambiental e urbanisticamente adequado desse espaço do que reservar um lugar de destaque a uma instituição como um Museu das Águas na própria orla do Guaíba. A partir de junho de 2010, foram procuradas diversas entidades que ofereceram seu apoio à criação do Museu. Em 14 de outubro, foi constituida uma Comissão Pró-Museu, composta por representantes das entidades que apoiaram a ideia. Essa comissão passou a reunir-se regularmente em sala cedida pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional do Rio Grande do Sul. Em 19 de janeiro de 2011, foi realizada uma visita ao local proposto para o Museu com a participação da Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, Vereadora Sofia Cavedon. A partir de 17 de março de 2011, a Comissão passou a contar com a participação Chegada do Imperador Pedro II, 1865. de representante do Prefeito Municipal de Porto Alegre. Entre as atividades da Comissão, foram realizadas uma oficina sobre gestão de recursos hídricos e outra sobre museologia (quando iniciou-se a elaboração do Plano Diretor do Museu). Além disso, foram feitos contatos com a representação regional do Ministério da Cultura, Margarete C. Moraes e com o presidente do Instituto Brasileiro de Museus, José do Nascimento Junior. O Museu das Águas de Porto Alegre, além de sua importância para a conscientização da problemática da água, pode ser o símbolo concreto do que a orla do Guaíba significa para a população de Porto Alegre e de todo o Rio Grande do Sul, para além da simples especulação imobiliária e do uso predatório do ambiente natural. Porto Alegre, novembro de 2010. Luiz Antonio Timm Grassi Membro da Câmara Técnica de Recursos Hídricos Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção do Rio Grande do Sul


Reunião com o GT da UFRGS

Visita à reitoria da UniRitter

Visita à reitoria da PUCRS

Recebendo apoio da METROPLAN


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Apoios

Os apoios A receptividade ao projeto e o entusiasmo expressado deixaram claro que Porto Alegre terá um excelente Museu das Águas. A UFRGS foi a primeira entidade visitada para solicitação de apoio ao Museu, no que foi prontamente atendido pelo reitor Carlos Alexandre Netto. Posteriormente ocorreu outra reunião no Museu da UFRGS, já com o Grupo de Trabalho criado na Universidade. Nessa reunião o coordenador do Grupo de Trabalho, professor Schneiders, deu uma excelente noticia: um telefonema do reitor (em viagem ao exterior) comunicou que já estava agendada uma reunião com Jean-Michel Cousteau para tratar do assunto “Museu das Águas de Porto Alegre”, quando de sua vinda para participar como conferencista do “Fronteiras do Pensamento”. Além da UFRGS o projeto Museu das Águas de Porto Alegre já recebeu apoio da ARI – Associação Riograndense de Imprensa, ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção RS, IAB/RS – Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento RS, AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, UniRitter – Universidade Ritter dos Reis, CORSAN - Companhia Riograndense de Saneamento, DMAE - Departamento Municipal de Água e Esgotos, METROPLAN - Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional do RS, Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, Associação Internacional de Lions Clubes (Distrito LD-3), Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, bem como da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Muitas outras entidades já foram contatadas e, pelo entusiamo com a proposta, devem declarar seu apoio muito em breve.

Encontro com o ambientalista Jean-Michel Cousteau, propiciado pelo reitor Carlos Alexandre Netto, da UFRGS.


Arte: Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho Fotos: Eduíno de Mattos, Cesar Cardia e Arquivo Histórico da cidade de Porto Alegre

Comitê Multidisciplinar de Planejamento Urbanístico da Orla do Guaíba museudasaguasdeportoalegre@gmail.com http://museudasaguasdeportoalegre.wordpress.com

Museu das Águas de Porto Alegre Apoios: •ARI - Associação Riograndense de Imprensa •ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção RS •IAB/RS - Instituto de Arquitetos do Brasil Departamento RS •AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural •UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul •LIONS - Associação Internacional de Lions Clubes (Distrito LD-3) •UNIRITTER - Universidade Ritter dos Reis •CORSAN - Companhia Riograndense de Saneamento •DMAE - Departamento Municipal de Água e Esgotos •METROPLAN - Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional do RS •Chico Lisboa - Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa •SEMA - Secretaria Estadual do Meio Ambiente •Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba

Apoio:

Comitê do Lago Guaíba


Proposta do Museu das Águas-2011