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Opinião 15

As pessoas com deficiência, ontem, hoje e amanhã E quando sonha o filho Como agora está sonhando Com palavras que só nós conhecemos Com estas palavras que lhe construo Em noites como esta, Quando o meu filho sonha É um canto Andrés Aberasturi In Un blanco deslumbramiento (palabras para Cris)

Ontem as pessoas com deficiência eram os coxos, os paralíticos, os ceguinhos, os mudos. Eram a encarnação do castigo ou um símbolo de sorte. Eram escondidos ou usados como fonte de rendimento das famílias nas ruas onde estendiam as mãos à caridade. De uma ou outra forma eram sinalizados, distinguidos. Investigadores reportam que na Roma Antiga algumas disposições de direito (Lei das XII Tábuas) concediam aos familiares uma base legal para a morte da criança quando nascia com alguma deficiência. “Na Tábua IV, que tratava especificamente do pátrio poder, vamos encontrar: “ I – Que o filho monstruoso seja morto imediatamente””. O cristianismo instituiu uma base de caridade e assistencialismo para com as pessoas. Assim, as pessoas com deficiência são alvo de caridade e de piedade que se traduz na sua institucionalização como forma de ajudar. Diga-se que muitos dos estereótipos sobre estes

cidadãos ainda persistem nos dias de hoje. Em pleno século XXI ainda há quem toque na “corcunda” de uma pessoa com escoliose porque dá sorte. As Nações Unidas estimam que haverá cerca de 1 bilião de pessoas com deficiência a nível mundial (15 por cento), a maioria das quais vive em países em desenvolvimento. A “maior minoria do mundo”, como foi denominada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, está desproporcionadamente representada entre os estratos mais pobres da população e tem menos oportunidades de escapar à pobreza do que as pessoas sem deficiência. A relação entre pobreza e deficiência é dialética. Por norma, os estudos ou censos sobre pobreza não integram a deficiência entre os seus itens mas, de acordo com estimativas do Banco Mundial, uma em cada cinco das pessoas mais pobres do mundo tem uma deficiência e, segundo as Nações Unidas, 82 por cento destas pessoas vive abaixo da linha da pobreza nos países em vias de desenvolvimento. A pobreza não é, no entanto, um fenómeno que atinja unicamente os países mais pobres, está

1ª edição da Plural&Singular  

A Plural&Singular é um projeto editorial dedicado à temática da deficiência, cuja 1.ª edição foi lançada, simbolicamente, a 3 de dezembro, D...

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A Plural&Singular é um projeto editorial dedicado à temática da deficiência, cuja 1.ª edição foi lançada, simbolicamente, a 3 de dezembro, D...

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