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OPINIÃO

Cesar Sá, fisioterapeuta ft.cesarsa@gmail.com

terapeuta da fala, esta deve ser baseada em metodologias multissensoriais que privilegiem uma diversificação de materiais, atividades e estratégias que permitam melhorar a consciência fonológica e aspetos associados e implicados na leitura e na escrita como, por exemplo, a discriminação auditiva de sons acusticamente próximos, correspondência som-letra/letra-som, a fluência, correção e velocidade leitora, a coesão, correção e coerência na escrita de palavras, frases e textos, assim como a compreensão literal e inferencial do material lido.

O papel da Fisioterapia Aquática Pediátrica no Desenvolvimento Global da Criança Todo o ser humano “inicia” a sua vida em meio líquido (líquido amniótico) no útero materno, no qual experimenta os seus primeiros movimentos, ganhando de imediato e, à partida, experiências nesse meio. O meio aquático, há muito, é considerado um meio ideal para o desenvolvimento de respostas emocionais, sociais e motoras da criança com alterações do desenvolvimento sensório-motor ou outras. São conhecidas as vantagens oferecidas pelo ambiente aquático, garantidas pelos princípios hidrostáticos e hidrodinâmicos do meio e os diversos métodos de intervenção, principalmente o Conceito de Halliwick. Esta abordagem é considerada um recurso valioso para a evolução do desenvolvimento neuro-psico-motor. Assim, a fisioterapia aquática pediátrica apresenta diversos benefícios comprovados pela prática baseada em evidência científica, tais como a adaptação da criança ao meio aquático, a facilitação do movimento normal, a promoção do desenvolvimento motor e da funcionalidade, a otimização de capacidades de aprendizagem, concentração e descoberta, assim como melhorias ao nível do controlo respiratório, equilíbrio, modulação do tónus e uma recuperação mais rápida, sempre associada a uma componente lúdico recreativa. Na fisioterapia aquática pediátrica, é fundamental que o fisioterapeuta possua conhecimentos aprofundados sobre controlo postural, aprendizagem motora, desenvolvimento neuro-psico-motor, além de conhecimentos específicos do meio aquático, tornando-o num ambiente lúdico e motivador para a criança, fomentando a sua integração social. Estes pontos são extremamente importantes para a qualidade do processo terapêutico, que é enriquecido pela participação e interesse da criança. A brincadeira é parte integrante do tratamento em meio aquático, cabendo ao fisioterapeuta a escolha do brinquedo/material e jogo/ desafio, adequado à faixa etária e cognitiva da criança e de acordo com os objetivos terapêuticos determinados na avaliação. Estar com uma criança com comprometimento motor/ cognitivo/social no ambiente aquático é proporcionarlhe uma sensação acolhedora e ao mesmo tempo de

Aconselhamento aos pais Um diagnóstico representa muito pouco. Mais do que prisioneiros ou reféns de dificuldades ou limitações, todos somos beneficiários de imensas potencialidades ou talentos. A criança disléxica não é exceção. Os pais são, então, a âncora e o prolongamento da intervenção clínica e pedagógica desenvolvida com e para estas crianças. Um prognóstico favorável depende também da disponibilidade, interesse e entrega dos pais no processo terapêutico e/ou educativo dos seus educandos. Relativamente à dislexia, os pais podem auxiliar o seu filho lendo, partilhando e mostrando o valor da escrita, incentivando o manuseio e exploração de livros e de outros materiais escritos, a leitura em voz alta com dinâmicas diferentes e gravação audiovisual da mesma, o debate sobre enredos, personagens e sentimentos associados a determinadas histórias. O fundamental é que os pais reforcem e defendam sempre as conquistas e progressos verificados, elogiando o esforço, a colaboração e a dedicação dos seus filhos. É meio caminho andado para que a criança, sentindo-se valorizada, continue a ultrapassar as suas dificuldades e, primordialmente, seja feliz. ABD – Associação Brasileira de Dislexia (www.dislexia.org.br) American Psychiatric Association (2002). Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM IV. Artmed. Capovilla, F. (2002). Neuropsicologia e aprendizagem: uma abordagem multidisciplinar. 2ª Ed. São Paulo: Memnon. Dias, M. (2013) O papel da consciência fonológica nas dificuldades específicas de leitura e escrita: perspetiva dos docentes do 1º CEB. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação na Especialidade em Domínio CognitivoMotor, Escola Superior de Educação João de Deus (Lisboa). DISLEX – Associação Portuguesa de Dislexia (www.dislex.co.pt) Martins, M. & Capellini, S. (2011). A intervenção precoce em escolares de risco para a dislexia : revisão da literatura. Revista CEFAC, 13(4). Massi, G. & Santana, A. (2011). A desconstrução do conceito de dislexia: conflito entre verdades. Revista CEFAC, 21(50). Skudlarski, P., Constable, T., Marchione, K., Fletcher, J., Reid, G. & Gore, J. (2002). Disruption of Posterior Brain Systems for Reading in Children with Developmental Dyslexia. Biol Psychiatry B.A., 52(1). Vale, A., Sucena, A. & Viana, F. (2011) Prevalência da dislexia entre crianças do 1º ciclo do ensino básico falantes do português europeu. Revista Lusófona de Educação: 18(1), 45-56.

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5.ª edição da Plural&Singular  

A Plural & Singular é um projeto editorial dedicado à temática da deficiência que lançou a 1.ª edição no início de dezembro de 2012. A revis...

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