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LUGAR

Hospital de São José, em Lisboa. Nuno Raimundo acordou, passados dois meses, do coma, com a mãe ao lado, e como se o tempo que passou inconsciente tivesse parado. “Não me lembro completamente de nada, nem tinha dores porque quando acordei do coma eu estava completamente consciente, tudo normal como estou aqui agora”, atesta Nuno Raimundo. Como se aqueles dias, que para os pais de Nuno Raimundo passaram lentos, fossem para o jovem de 26 anos apenas como uma noite de sono ou uma sesta à tarde. “Recordo-me perfeitamente desse dia. Acordei do coma e entrei em pânico, porque queria ir trabalhar, que não podia faltar ao trabalho, podia ser despedido”. Como se não tivesse feito mais de uma mão cheia de operações: ao fígado, a que lhe salvou a vida, e depois ao

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pé, à perna, ao braço e ao maxilar. “Até agora já fiz, desde o dia do acidente, 16 cirurgias”, conclui Nuno Raimundo ao somar já as que fez - depois de recuperar do traumatismo crânio-encefálico - para resolver os posteriores atrofios musculares, encurtamento dos tendões, lesões dos nervos e calcificações. “Eu tive que ser operado para alongar os braços, alongar as mãos, alongar os pés e as pernas para poder meter-me em pé”, descreve. Como se não soubesse que tinha pela frente anos de fisioterapia, de dores e pequenas conquistas diárias na recuperação do que deixou de dar como garantido. “Em três meses eu perdi tudo. Perdi a fala, perdi a mobilidade, perdi o peso, perdi tudo. Em três meses eu passei de 112 a 42 quilos, eu perdi 60 a 70 quilos assim por alto. Muito peso não é?”.

5.ª edição da Plural&Singular  

A Plural & Singular é um projeto editorial dedicado à temática da deficiência que lançou a 1.ª edição no início de dezembro de 2012. A revis...

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