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OPINIÃO

Bruno Lopes

«Pontapé de Saída» - Época Desportiva 2013/2014 na APD Desde a sua fundação em 1972, a Associação Portuguesa de Deficientes (APD) deu sempre um grande relevo à prática do desporto, enquanto fator de inclusão social, mas não descurando também o aspeto competitivo. Contudo, se andarmos 40 anos para trás, nada se compara com as próximas épocas desportivas que ai vêm...vão ser de longe as mais difíceis de ultrapassar por toda a austeridade imposta e pela escassez de apoios. É bem conhecida a importância da prática desportiva, para qualquer pessoa e em qualquer estrato social. Além de prevenir uma série de doenças associadas à obesidade e ao sedentarismo, serve também para poder melhorar a sua condição psicológica. Todos sabemos que as pessoas têm direito a praticar desporto, é algo essencial para a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Mas infelizmente em Portugal, não existe uma verdadeira cultura desportiva, como existe noutros países da Europa. Segundo as últimas estatísticas, 10% da população portuguesa tem algum tipo de deficiência. Se apenas 1% destas pessoas praticasse regularmente alguma modalidade desportiva, teríamos 10.000 praticantes a nível nacional. Por isso, o nosso principal objectivo é poder proporcionar a prática desportiva a mais pessoas. Vamos tentar captar novos praticantes, visando a captação de mais jovens e elementos do sexo feminino. Poder alargar o número de modalidades praticadas na APD é um sonho antigo do qual não abdicamos. Toda a instabilidade económica/social/política, com demasiadas medidas de austeridade, estão a colocar em risco a sobrevivência de centenas de associações e milhares de pessoas com deficiência ficarão sem apoios. O estrato social mais fragilizado pela austeridade está ligado ao ventilador e estão prestes a cortar a eletricidade... Mas nós cá estaremos para praticar desporto, nem que seja à luz das candeias...

Graça Gerardo Vice-Presidente da Direção Nacional da ACAPO

«Olimpíadas do Braille» Com o surgimento das novas tecnologias muitos julgaram terminada a função para que fora criado o sistema preconizado por Louis Braille há cerca de 200 anos. Acreditava-se então que tudo se resolveria pela audição da gravação de textos ou da sua leitura em voz sintética. Essa não é, porém, a posição da ACAPO que tudo tem feito para mostrar que, apesar de algumas desvantagens que lhe apontam, este sistema, quando corretamente utilizado, constitui um meio fulcral para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência visual. Conhecer e utilizar corretamente o sistema Braille é pois um processo evolutivo e contínuo, tanto melhor alcançável se a ele se dedicar algum empenho pessoal. Entretanto, para fortalecer esse empenho, para que a aprendizagem do Braille não surja como um estigma ou como mais uma barreira a ultrapassar é necessário que exista de base uma formação docente que permita a abordagem a este sistema de uma forma mais lúdica e de acordo com o escalão etário a que se dirige. O Braille deve, portanto, na nossa opinião, integrar os planos de estudo da formação de professores, nomeadamente os que enveredam pelo ensino especial, para ajudar a que os alunos cegos tenham acesso à leitura e escrita. Com efeito, podemos claramente dizer que a educação de uma criança cega privada do Braille está comprometida. Seria o mesmo que tentar educar uma criança normovisual, sem lhe ensinar a ler ou a escrever, substituindo a leitura e a escrita pela passagem de informações orais, advindo daí todo um conjunto de défice informativo, designadamente ao nível ortográfico. Justamente para estimular o correto domínio do sistema Braille e criar, entre os seus utilizadores e conhecedores, um espírito de determinação para a sua aprendizagem e utilização constante, a ACAPO decidiu criar em 2011 o concurso «Olimpíadas do Braille». Este concurso destina-se não apenas àqueles que são os utilizadores habituais do sistema Braille, mas também aos que, por necessidade profissional ou interesse pessoal, a ele se dedicam e terá a sua 2.ª edição no próximo dia 19 de outubro de 2013, no Auditório da Estação de Metro do Alto dos Moinhos, em Lisboa. Inscreva-se no nosso site www.acapo.pt entre 16 de setembro e 4 de outubro e venha ajudar-nos a engrandecer o entusiasmo pela utilização do sistema Braille, divulgando os seus benefícios à comunidade em geral. 19

4.ª edição da Plural&Singular  

A Plural&Singular é um órgão de comunicação digital dedicado à temática da deficiência, cuja 1.ª edição foi lançada, simbolicamente, a 3 de...

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