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PLASTICINE

VIVER / AMAR / CRIAR

Guilda dos Fisioterapeutas

O ENCANTADOR DE PESSOAS


CURSO DE ORATÓRIA E MARKETING PESSOAL PARA A PÓS-GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA DA FAMERP Por Profa. Dra. Dinamara Garcia Rodrigues Gerente de conteúdo - www.plasticine.com.br

02/03/2013

APRESENTAÇÃO O encantador de pessoas: curso de oratória e marketing pessoal é uma vivência feita a partir das definições do que é ser humano e da necessidade de se relacionar com outro ser humano. Juntando diversas linhas de pensamento (nas ciências, nas artes, na filosofia e na comunicação social), busca-se uma aplicação específica para os profissionais de fisioterapia, principalmente em relação com seus pacientes, seres tomados por alguma (ou muita) dor e desconfortos, e em situações de exposição a plateias. Objetivos: levar os participantes a vencerem o medo e efetivamente falar em público, ao estabelecerem vínculos de confiança com os pacientes ou plateia.

O MEDO DE FALAR EM PÚBLICO O medo é uma característica muito humana, vista na oratória como a principal emoção a dificultar o pronunciamento do discurso, impedindo que o orador se exponha publicamente com segurança. É o medo que derrota as pessoas em suas expectativas, por ser um sentimento que demonstra o desejo de fugir de algo que produza danos, sendo um mecanismo de defesa, um surto de ação destinado a evitar a dor. Na maioria dos casos, esse medo está ligado ao temor de parecer ou ser ridículo e sofrer rejeição. De um modo geral, os sintomas do medo são: nervosismo antes de se levantar para falar; dificuldade em buscar com serenidade as palavras; voz estranha; tremor nas pernas; falta de ar e outros abalos da respiração; e o embaralhar das palavras por receio do esquecimento, muitas vezes acompanhado de suores frios. Mecanismo de defesa que acarreta um processo de liberação de adrenalina no sangue, o medo descontrola o organismo, provocando tremor nas pernas, secura ou excesso de saliva na boca, tremor na voz etc., resultando em desconforto e insegurança. Ele surge da possibilidade de se acreditar que algo possa sair errado em uma apresentação. Sua principais causas advêm do desconhecimento do assunto; da falta de prática de falar em público e falta de conhecimento de si próprio.

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O medo, todavia, também pode ser utilizado como um acessório natural para auxiliar a melhorar o discurso, devido às mudanças químicas que se desencadeiam no organismo, beneficiando o orador, ao gerar entusiasmo e dinamismo. Não receie parecer tolo, inadequado, ridículo. Tire proveito desse temor, tentando rir de você mesmo logo no começo de sua exposição, mas, cuidado, não se empolgue demais na autoironia a ponto de exagerar. Não é preciso simular uma queda, mas, se ela de fato acontecer, será um bom momento para explorar esta técnica de rir de você mesmo antes que outros o façam. Comente quanto você foi desastrado, quanto ficou envergonhado, e peça ajuda da plateia para se sentir melhor. A maioria do público vai se sentir bem por sua coragem, sua capacidade de brincar consigo mesmo, e vai se tornar solidária a você. O gelo foi quebrado e agora você pode começar a expor o motivo real desse encontro.

PARTE I FALAR E OUVIR Antes de nos prepararmos para falar em público precisamos aprender a ouvir o outro de verdade, buscando avaliar como ele se sente diante de nós e de que modos nossa fala o pode afetar. Se o outro nota que prestamos atenção aos gestos e palavras dele, sente que somos receptivos e acolhedores, que sabemos ouvir e dar atenção às suas queixas, ansiedades, angústias e outros fatores que o levaram a nos procurar como profissionais. Sem esse acolhimento ao outro, nossa comunicação jamais será verdadeira e eficiente. Para que ela aconteça, porém, o primeiro “outro” que precisamos aprender a ouvir além da superfície somos nós mesmos. A partir do conhecimento de quem somos, do que somos, de como pensamos e agimos, de como nos inserimos no mundo e como atuamos na comunicação com o outro é que podemos ser bons ouvintes: ouvindo com todo o corpo, com nossos gestos, nossas posturas, nossos pensamentos e, finalmente, com os ouvidos. É o processo de escuta harmoniosa e serena que permitirá o processo de falar e se expressar em público de maneira eficiente e recompensadora tanto para quem nos ouve quanto para nós próprios.

CONCEITOS IMPORTANTES Oratória: conjunto de regras que constituem a arte do bem dizer, a arte da eloquência. Surgida na antiguidade greco-romana, a oratória deixou de ser uma arte, tornando-se uma necessidade

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atual de todo e qualquer profissional. Um dos mais importantes requisitos de inserção no mercado competitivo e exigente do mundo contemporâneo é a desenvoltura verbal. Note-se sua semelhança com a palavra “oratório”: compartimento de uma casa consagrado à oração; capela doméstica destinada a um número limitado de fiéis, a uma instituição, comunidade ou família; armário, nicho ou pequeno altar onde são dispostas, para veneração, imagens de santos; adoratório. Retórica: sinônimo de “oratória”, refere-se melhor ao conjunto de regras que constituem a arte do bem falar. Era uma das três disciplinas de que se constituía o trivium (gramática, lógica e retórica), na Idade Média, e era ensinada nas universidades. Era também o nome da aula em que se ensinava essa arte. Também nomeava o livro ou tratado sobre retórica. Constitui-se como o uso da eloquência; utilização dos recursos, das regras da retórica. Informação: conjunto de signos visuais, verbais (escritos ou falados), sonoros etc. que nos atingem todos os dias por meio das diversas mídias, e também pelas pessoas em geral, sem que os tenhamos solicitado na maior parte das vezes. Esses signos são estímulos que proliferam na vida urbana contemporânea, estão por toda parte, a todo momento e, por serem excessivos, dificultam nossas escolhas e exigem um filtro de atenção para selecionarmos o que nos convém e é de fato importante. Comunicação: é uma relação de troca entre um falante e outro, entre grupos de falantes, leitores, ouvintes, produtores de informação etc., entre um produto midiático e seus receptores, envolve um segundo nível da informação, existente a partir de uma determinada escolha sobre a camada excessiva de informação. Conhecimento: o conhecimento é o resultado da organização da informação já transformada em comunicação, filtrada com competência, para ser utilizada só como e quando convém àquele que soube filtrar o excesso e fazer escolhas mais adequadas à sua personalidade e às suas vivências e necessidades pessoais, profissionais, sociais etc. Sabedoria: é a capacidade de integrar, incorporar conhecimentos à vida cotidiana e suas práticas. Santidade: em termos de relação comunicativa com o outro é o degrau mais elevado de escuta e acolhimento, compreensão, respeito e afeto pelo outro enquanto ser da mesma espécie que, no nosso caso, é a humana, embora não se excluam animais e plantas do nosso acolhimento. Muitas vezes pode chegar a um grau máximo de entrega ao próximo, dando a impressão de que o santo chega a se anular em prol do outro.

INFORMAÇÃO Por que falamos? Falamos porque somos seres gregários, sociais, vivemos em grupo, e nossa vida no grupo foi e é uma questão de sobrevivência muito mais que apenas biológica. O falar nasceu da interação do nosso corpo com nossas ferramentas e nossos afazeres de caça, agricultura, construção e, bem mais tarde, de artes e arquitetura. Falamos porque a comunicação faz parte da nossa

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essência humana. Falar é tão importante que outras formas de comunicação foram criadas para auxiliar a memória e o corpo, tais como a escrita, a pintura, a dança etc. Hoje em dia, falar e escrever são atividades cotidianas de todas as profissões, compondo a comunicação como duas de suas mais importantes ferramentas. Só quem sabe escutar sabe falar. Só quem sabe ler sabe escrever. Tanto para falar quanto para escrever é muito importante a escuta do outro. Falamos, ouvimos, escrevemos e lemos porque desejamos e precisamos agir com o outro, precisamos da presença dele, da interação eficiente com ele. Entretanto, nenhuma técnica de oratória ou de escrita tornará nossa comunicação eficiente se não soubermos acolher e ouvir o outro, seja nas relações pessoais, seja nas profissionais.

Quem somos nós? Sem o autoconhecimento não somos capazes de ouvir e acolher o outro, porque falhamos no conhecimento do primeiro “outro” que precisamos ouvir: nós mesmos. Não se trata de nenhuma forma de egocentrismo ou narcisismo. Ao contrário, trata-se de saber quem somos, o que queremos, o que podemos, antes de termos algo a falar/escrever para o outro. Só quem está centrado e tem os pés firmes no chão pode sentir o outro com respeito e empatia. Estar centrado e ter os pés no chão não é deixar de sonhar ou fazer coisas divertidas, mas, sim, deixar o trabalho e a diversão dialogarem e interagirem respeitosamente. Quem não conhece os próprios sonhos jamais será, de fato, centrado. Quem é centrado sabe transformar seus sonhos em realidades que o beneficiem ao beneficiarem os outros que buscam interações profissionais e pessoais com o sonhador centrado. É muito importante saber quem somos enquanto fisioterapeutas, o que nos motiva à profissão, que talentos possuímos para receber em um consultório, clínica, hospital, academia ou em domicílio um ser humano que sente dores decorrentes de diversos problemas ósseos, musculares etc. ou que simplesmente busca melhorias preventivas de postura. Também precisamos ter clareza sobre quem somos nas relações com superiores, colegas de trabalho, funcionários e outros parceiros a cujo convívio a profissão nos levará. Embora exista a necessidade ética de separar o máximo possível a vida profissional da pessoal, elas acabam se interpenetrando. Só o autoconhecimento nos auxilia a dar conta, da melhor forma possível, de administrar bem os dois setores, de forma a que um apoie o outro, com benefícios para todos os envolvidos. Munidos dessa ferramenta importantíssima: o autoconhecimento, cientes de quem somos como profissionais e seres humanos, então estamos prontos para ouvir e falar com o outro, sem receios e sem vaidade.

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Pesquisa e preparação Antes de falar em uma conferência, aula, entrevista de emprego ou em consultas com pacientes, precisamos nos preparar técnica e emocionalmente. A preparação técnica consiste na junção dos conhecimentos teóricos e das práticas profissionais aprendidas na universidade, em estágios e em trabalhos na área de atuação. Ou seja, leitura teórica e prática profissional precisam estar em sintonia e equilíbrio, porque se uma for maior ou melhor que a outra, a parte mais fraca nos deixará inseguros do restante e esse desequilíbrio pode nos provocar incertezas e outros desequilíbrios emocionais. Se for dar aulas, dirigir reuniões ou ministrar conferências, certifique-se de que tem bastante conhecimento teórico do assunto. Pesquise o máximo que puder e faça releituras, se necessário. Construa as melhores relações que puder entre seu conhecimento teórico e sua prática. Se estiver seguro dessa inter-relação, ficará bem mais fácil falar e se expor. Se mesmo ciente de que tem essa competência teórica e empírica, ainda se sentir nervoso e inseguro, prepare-se relaxando e treinando um pouco, de preferência nos dias que antecedam a véspera da exposição. Deixe o dia da véspera para somente relaxar e fazer outras coisas que nada tenham a ver com a aula, conferência etc.

COMUNICAÇÃO Tornar comum Um dos pontos mais importantes da comunicação é a troca, o fato de aquela situação unir as pessoas em torno de um mesmo assunto, de um mesmo evento, de um mesmo acontecimento ou de um mesmo projeto. A participação em algo coletivo enriquece nossa psique, nosso pensamento, nossa capacidade de raciocinar e desenvolver estratégias que melhorem nossas vidas e nossa atuação no mundo. Todo ser humano precisa de pontos de contato com outros, precisa tornar comum o máximo de ideias e atitudes que lhe forem possíveis, mantendo, ao mesmo tempo, nessa troca, nesse compar tilhar, a sua identidade pessoal, a sua individualidade. Assim, quando formos falar, precisamos ter em mente esse caráter coletivo e de troca da comunicação, mesmo se ocuparmos predominantemente a posição de falante. Enquanto falamos, precisamos ver o olhar da plateia, seus gestos, sua postura corporal. Mesmo estando quietos, os componentes da plateia dialogam conosco por meio da comunicação visual, gestual e corporal, muitas vezes dando-nos a curiosa sensação de que é quase possível ler-lhes os pensamentos.

Como nos narramos aos pacientes, clientes e parceiros? O que sabemos de nós mesmos e como o passamos àqueles que nos ouvem ou com quem interagimos são dados fundamentais das relações de comunicação. É preciso se certificar quanto à imagem que se está passando quando, por exemplo, estamos dando aulas. Nos sentimos seguros? Passamos essa segurança em nossa postura, nossos movimentos, nossos gestos, nosso tom de voz? Não tenha receio de sentir prazer por estar falando e sendo ouvido,

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por estar, de alguma forma atingindo o outro, provavelmente a melhor de que você é capaz. Antes de entrar na situação de comunicação, acredite em suas competências e em seu perfil profissional. Seus ouvintes precisam confiar em você, porém, só confiarão se notarem sua autoconfiança. Mas, cuidado! Autoconfiança não é sinônimo de arrogância nem vaidade. Quem é realmente bom naquilo que faz demonstra isso por atitudes, não por palavras. Em contatos mais pessoais, como atendimentos a pacientes, condução de reuniões, entrevistas de empregos etc., não receie ser delicado e firme ao mesmo tempo, leve e seguro. Se for lidar com pessoas adoentadas, não tema demonstrar acolhimento e afeto. Não precisa bajular seu paciente, basta enxergar nele um ser humano. Isso pode ser recompensador tanto para ele quanto para você. Não acredite no mito do distanciamento como objetividade e cientificidade, afinal, só recentemente a neurociência começa a mapear um pouco melhor nosso cérebro, e ainda não se comprovou, de fato, que possamos ser puramente “objetivos”. Nossas vivências interferem de modos sutis na ciência que praticamos, sem prejuízos para os resultados e a evolução do saber científico. Então, lembre-se sempre: afeto não é sinal de “subjetividade” e menos competência. Muito ao contrário, é um toque de assinatura pessoal cada vez mais necessária a todas as profissões, cada vez mais voltadas para o outro.

PARTE II CONHECIMENTO Persuasão: Procedimentos para convencer o outro a fazer o que queremos, a partir de uma situação de comunicação, baseada em raciocínio, conhecimento e afeto. Intimidação, argumentação e sedução: São as três maneiras gerais de convencer alguém a acatar nossos pontos de vistas e aderir aos comportamentos que desejamos que o receptor desenvolva a partir de nosso convencimento. A intimidação é baseada no medo, na ameaça, na repressão. Não é recomendável para quem deseja uma comunicação verdadeira que leva em conta o outro e sua liberdade individual. A argumentação consiste em usar o raciocínio de modo lógico, avaliando os diversos ângulos de uma situação, assunto ou problema, para se chegar a uma conclusão convincente e abrangente que leve o outro a nos dar razão e adotar nosso raciocínio, reagindo, na prática, do modo que desejamos, mas, sem violência psíquica, emocional ou física. A sedução pode envolver a argumentação, vindo no meio dela ou depois. O falante ou escritor emprega a palavra de modos cativantes, marcados pelo bom humor, pela descontração, pela provocação do riso, pelo elogio ao outro, pelo mistério e, em muitos casos, pela atmosfera

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sensual, mesmo que só nas palavras, deixando de lado os gestos (no caso de expressão pela fala). Não que os gestos não possam conter certa sensualidade. Eles podem, desde que seja dosada e adequada à situação. Em contextos profissionais a atmosfera sensual só é recomendada como parte do humor e da descontração. Pode se seduzir o ouvinte também pela beleza dos arranjos de pensamentos, levando-o num giro de ideias e propostas, num crescendo que mal lhe dê tempo de pensar muito, ou, mesmo lhe dando esse tempo, ainda assim o surpreenda e o deixe querendo ouvir e saber mais, frequentemente pelo puro prazer de ouvir. A sedução é uma promessa de bem estar que muitas vezes já vai se concretizando na situação de comunicação. Leva-se tempo para dotar o discurso dessas qualidades de sedução. Isso requer dedicação, conhecimento e segurança, mas, se você nunca tentar pôr um pouquinho de cor e melodia em sua fala ou escrita, jamais experimentará o prazer de dar prazer ao outro na situação de comunicação.

O corpo, o gesto, a voz Falar para uma pessoa ou para 150 exige que tomemos conta também dos nossos gestos e de nossa voz. Afinal, nosso corpo, nossa postura, nossas mãos, nosso olhar, nosso sorriso, nossas expressões faciais dão vida àquilo que estamos expondo. É preciso que nosso ouvinte ou nosso público sinta a vida no veículo em que nossa voz e nosso pensamento se manifestam, transmitindo ao outro nosso conhecimento, nosso auxílio, nossa humanidade interativa, nossa vontade de chegar ao outro e interagir com ele, seja para ouvir, ensinar, aprender ou compartilhar informações, conhecimentos, modos de melhorar a vida uns dos outros. A voz tem de ser agradável, segura, com pausas e movimentos equilibrados de acordo com a importância de determinadas frases ou palavras. Não fale alto demais ou baixo demais, não corra e não seja lento em excesso. Com o tempo você vai automatizando essas medidas, assim como as marchas de um automóvel. A exposição em público é como uma dança das palavras com o corpo do palestrante e os corpos da plateia. Todos se sentirão mais à vontade quanto mais houver sinceridade, respeito, segurança e, por que não?, uma boa dose de alegria.

Marketing pessoal e aspectos visuais Não é preciso ser bonito como pedem as capas de revista, não é preciso vestir-se de acordo com padrões midiáticos. Esteja limpo, elegante, sem muito perfume, sem muita maquiagem ou decotes e saias curtas (no caso das mulheres, evidentemente!) e coordene seus gestos, sua postura e sua voz a seus elementos de estilo de roupas e acessórios. Seja agradável e acolhedor, demonstre sua inteligência, seu conhecimento e sua boa vontade naquela situação que é sempre de troca, mesmo que a palavra esteja predominantemente com você. Na oratória, muitas vezes, a beleza do palestrante vem de uma elegância emocional, de ele estar à vontade no palco ou no púlpito, de desejar transmitir o que sabe e aprendeu, com segurança e harmonia de forma e de conteúdo. Marketing pessoal depende muito da maneira como você se relaciona com as pessoas dentro e fora do mercado de trabalho, e, principalmente, como se movimenta da área pessoal para a

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profissional e vice-versa. Não pense em marketing pessoal o tempo todo, não queira agradar a todo mundo só por agradar. Procure se centrar e descobrir quem é você de verdade, em todos os setores de sua existência, viva e trabalhe com naturalidade. Se você conseguir esse centramento, se buscar desenvolvê-lo, todas as situações serão harmônicas, ainda que a vida lhe traga imprevistos. Os problemas e desafios só servirão para realçar suas qualidades (ou seus defeitos). Vai depender de você usar os desafios para se reinventar e melhorar. Afinal, a primeira pessoa a quem você vende sua marca é você mesmo.

Repertório Não há marketing pessoal que sobreviva à falta de repertório. Quem vai lhe ouvir acredita que você tenha o que falar, que saiba mais que sua platéia ou seu paciente. Estude sempre bastante antes de uma apresentação em público. Certifique-se de que entendeu tudo o que vai expor. Prepare-se para questionamentos inesperados. Lembre-se que na platéia pode sim haver alguém que saiba mais que você ou que pense que sabe. Esteja preparado para lidar com a vaidade alheia, mas, lembre-se, a sua é sempre mais perigosa, porque faz você se descuidar, julgando-se muito melhor preparado do que está. Quem tem bastante conhecimento e nunca para de estudar se sai sempre melhor que o vaidoso despreparado. Não estude as teorias e práticas de sua área somente para dar aulas ou conferências. Estude sempre. O século XXI exige profissionais em constante educação. Tente não se limitar a ler e aprender somente sobre sua área profissional. Abra sua mente para outros assuntos, sobretudo artes, cultura, estudos sociológicos, filosofia, estudos do contemporâneo etc. Viver no século XXI é muito complexo, exige filtros para separar o lixo do luxo no excesso de estímulos informacionais. O conhecimento, a leitura de livros em diversas áreas nos auxiliam a ter a capacidade de decidir quanto ao valor real de uma informação, e nos dão segurança para descartá-la como falsa, superficial ou desnecessária.

SABEDORIA Aplicação: como? quando? A sabedoria é um conjunto de fatores que nos leva a pôr em prática o conhecimento adquirido. É uma etapa posterior ao simples estudo, à simples leitura. Ela exige nossa capacidade de relacionar leituras e ação por meio da interpretação daquilo que lemos e estudamos comparado àquilo que vivemos no dia a dia. Estudamos dezenas, centenas de livros ou artigos da nossa profissão, ouvimos rádio, vemos televisão, navegamos na internet e nas redes sociais, somos bombardeados por informação que nem pedimos. Graças à comunicação, começamos a selecionar melhor os estímulos que vão nos afetar. Num terceiro momento atingimos o conhecimento, que é uma comunicação mais dirigida por nossas escolhas (pessoais e profissionais) e pesquisas (teóricas e empíricas). A sabedoria acontece no quarto momento, quando transformamos escolhas e estudos/leituras em práticas

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que melhoram nossa vida e a daqueles que buscam nossos serviços ou nosso convívio pessoal. Ser sábio é transformar as coisas que lemos nos livros em ações no mundo, desde a nossa casa até nosso trabalho e nossos locais de lazer, bem como em toda parte da vida em comunidade. Ser sábio é ligar livros e mundo, transformando o que outros autores escreveram em acontecimentos que dão sentido à vida e a tornam mais prazerosa para o maior número possível de pessoas afetadas pela convivência conosco.

Respiração Jamais seremos bons comunicadores se não soubermos ouvir nosso corpo. Para que o ouçamos necessitamos de uma respiração segura e serena, com equilíbrio entre a inspiração e a expiração. Ela precisa mover-se das fossas nasais ao ventre, como a dos bebezinhos, precisa levar em conta o diafragma, ou seja, precisa ser completa, para irrigar nosso sangue com bastante oxigênio. Só assim podemos dominar nervosismo e ansiedade. Ela é uma das primeiras práticas para sairmos do estado alienado de quem somente recebe um excesso de informação e não sabe o que fazer com ele. A respiração nos permite prestar atenção a nós mesmos, ao mundo, ao outro. É uma excelente forma de comunicação antes de sairmos para falar em público. Mesmo durante a situação de exposição em público, respirar é fundamental para nos manter centrados, focados, seguros. A memória fica mais nítida e consistente, se respirarmos melhor, serenos, constantes e sem pressa.

Segurança O resultado de tudo que foi exposto anteriormente, relativo ao corpo, aos gestos, à postura, à respiração e ao repertório é a nossa segurança de comunicadores, e será transmitida àqueles que nos ouvem ou leem, como parte de uma atuação viva no mundo. Nossas palavras coincidirão com a graça de nossos gestos, principalmente das mãos, com nossas expressões faciais, olhares, sorrisos. Coincidirão com a modulação e os movimentos de nossa voz. Daremos a impressão de estarmos muito presentes, e não será somente uma impressão, será a verdade de nossa atuação no contato com o outro, seja um único indivíduo que veio para uma sessão de fisioterapia, seja uma plateia cheia de alunos ou colegas que nos foram ouvir em uma aula ou congresso. Mais uma vez é preciso lembrar que a segurança não exclui alguns tremores nas mãos, vacilações na voz e até falta de memória. Ser e estar seguro não é não sentir nada desses aspectos aparentemente negativos. Ao contrário, segurança é passar por eles e mesmo assim continuar firme, certo de seu potencial, de seu conhecimento, de sua preparação e, acima de tudo, de sua vontade de estar ali e agir na comunicação com o outro que veio em busca de seu conhecimento, de sua experiência, esperando sair dali melhor do que chegou. A segurança inclui ainda a alegria e a leveza de não saber tudo e estar pronto para também aprender com o outro, sempre.

Empatia Toda boa comunicação pressupõe um pouco de empatia: a capacidade de se colocar no lugar

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do outro e tentar imaginar como ele se sente e, quando ele é nosso ouvinte, supor o que estamos produzindo em sua mente, suas emoções e até sem suas sensações, em seu corpo. Leva algum tempo para termos mais certeza do que lemos nos olhares, gestos e movimentos daquele que nos ouve. No entanto, com o tempo, de tanto tentarmos nos pôr no lugar do ouvinte, acabamos quase adivinhando as reações internas dele por aquilo que seu corpo nos mostra. Nosso desejo de experimentar como o outro se sente precisa ser sincero, fazer parte do nosso respeito por todos que nos ouvem ou leem. Afinal, a comunicação pressupõe tornar algo comum, partilhado, compartilhado e, na posição de escritores, falantes, palestrantes, acreditamos ter algo de importante a dizer, algo de que o outro precise e veio buscar em nós. Se estamos ali, na situação de quem vai compartilhar um conhecimento, precisamos acreditar em nossa capacidade de oferecer algo que vai melhorar a vida do indivíduo ou de muitos que vieram a nós porque também acreditaram que temos algo que ele ainda não tem ou tem menos que nós. É sempre o outro o motivo da nossa comunicação. Por isso, é justo que desenvolvamos a empatia e nos coloquemos tanto quanto possível no lugar dele, prevendo como os resultados do que falamos acontecerão nele e em suas atividades. Não faz mal se nossa contribuição for pequenina. Não somos salvadores do mundo, só desejamos contribuir, por meio de nosso trabalho, para que nossos parceiros de existência tenham uma vida melhor. Se todos se sentirem melhor, isso nos afetará positivamente e nossa vida ficará mais prazerosa e fará mais sentido.

Santidade Conforme o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “santidade” é: substantivo feminino (sXIII) 1 qualidade ou virtude de santo 2 estado de santificação; virtude, pureza, religiosidade 3 ( 1559 ) hist rel B local em que os indígenas praticavam uma versão do ritual religioso católico aculturado com os seus próprios ritos e práticas religiosas [Esse fenômeno ocorreu até o último quartel do sXVI pelo menos.] O nível máximo de nossa relação comunicacional com o outro, de nossa interação na prática cotidiana com ele, depois do conhecimento e da sabedoria, seria a santidade, a mais completa doação ao outro, um grau tão intenso de empatia que o sujeito dotado de santidade acaba aparentemente desaparecendo na entrega ao outro. Não se preocupe, ela pode continuar sendo apenas um verbete no dicionário, ao menos no que se refere a este curso de oratória e marketing pessoal. Claro que não queremos e nem podemos, em nossa maioria esmagadora, chegar a esse nível. Nem as pessoas estão esperando isso umas das outras nas diversas relações de comunicação possíveis em nossas vidas pessoais, profissionais e sociais. Abaixo do nível de santidade, no entanto, todo o resto é dever profissional e requisito para todo

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Nous sommes enchantés. Et vous? Foi com carinho e o máximo possível de nossa competência que montamos e oferecemos este curso, O encantador de pessoas: oratória e marketing pessoal, a vocês, pós-graduandos de Fisioterapia, da FAMERP, em 2013. Durante as longas e exaustivas horas daquele sábado ensolarado de março, Felipe Gabriel Marinho, (o Felps) – meu parceiro e assistente – e eu nos sentimos felizes e verdadeiramente encantados por estarmos compartilhando algo com vocês e sentindo sua receptividade vibrante e alegre. Estamos muito agradecidos e desejamos de todo nosso ser – profissional e psicológico – que tenhamos conseguido encantar vocês também.

Bibliografia: BARCELLOS, Carolina Arantes Pereira. et. al. A oratória como um fortalecimento do marketing pessoal do profissional de administração. Janus, Lorena, ano 3, nº 4, 2º semestre de 2006. Disponível em http://publicacoes.fatea.br/index.php/janus/article/viewFile/43/46. Acessado em 25 de fevereiro de 2013. CARNEGIE, Dale. Como falar em público e inuenciar pessoas no mundo dos negócios. Rio de Janeiro: Record, 2010. CARVALHO, Gumae. Melhor gestão de pessoas. São Paulo: Segmento, 2004. E X P R E S S Ã O FA C I A L – H A R M O N I A E T O M D E V O Z . D i s p o n í v e l e m http://www.youtube.com/watch?v=DgWl_WedNGg&list=PL9655F4E33E63636E. Acessado em 25 de fevereiro de 2013. GRANDE DICIONÁRIO HOUAISS DA LINGUA PORTUGUESA. Disponível só para associados em http://houaiss.uol.com.br/. Acessado em 14 de março de 2013. GREGÓRIO, Renato. Marketing médico: criando valor para o paciente. Rio de Janeiro: Editora DOC, 2012. MORIN, Edgar. A comunicação pelo meio. Revista FAMECOS, Porto Alegre, nº 20, abril 2003, quadrimestral. Disponível em http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/famecos/article/view/335/266. Acessado em 25 de fevereiro de 2013. NOVA, Milton Rober to Sales Lagoa. A Impor tância de falar bem. Disponível em: http://www.rh.com.br/ler.php?cod=4373&org=3. Acessado em 25 de fevereiro de 2013. PEREIRA, Ney. Apresentações empresariais: além da oratória. São Paulo: Elsevier Editora, 2009. SANTOS, Ruzia Barbosa de. Oratória: guia prático para falar em público. Brasília – DF.: Editora SENAC, 2011.

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