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Ano 2, Nº 8 Produzida por Pastores da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Oferta —Belas paisagens, chuva e seca, p. 60 —Deixar a vida nos levar ou levar a Vida?, p. 25 Desperdícios, p. 77 —Morrer é lucro ou prejuízo?, p. 11

—Obesidade Espiritual, p. 33 —Os nossos planos, p. 78 —Ricos demais, p. 71 —Uma Experiência em 3D, p. 72

—Cenas de um drama chamado: A Paixão de Cristo, p. 26 —Liturgia para Culto Leigo, p. 74 —A liberdade de Ofertar, p. 12

—Ichthys — Resumo do Credo, p. 73 — Sermões, p. 34... — Uma comunidade terapêutica, p. 62 —Aconselhamento Cristão, p. 4


EXPEDIENTE

Publicação bimestral de pastores da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) não oficial. Tem como propósito divulgar textos teológicos/ pastorais, inéditos ou não, produzidos por pastores e teólogos da IELB, recuperar textos teológicos escritos no passado e que não estão disponíveis na Internet, divulgar de forma mais abrangente a teologia evangélica luterana confessional e a reflexão teológica na IELB, e ser uma ferramenta prática para as atividades ministeriais em suas diferentes áreas. Os conteúdos são de responsabilidade dos seus autores.

Colaboradores desta edição:

David Karnopp; Dieter Joel Jagnow; Fernando E. Graffunder; Horst Reinhold Kuchenbecker; Igor Marcelo Schreiber; Ilmo Riewe; Ismar L. Pinz; Jacson Junior Ollmann; Jarbas Hoffimann; Leandro Daniel Hübner; Marcos Schmidt; Márlon Hüther Antunes; Martinho Rennecker; Valdecir Jair Much; Waldyr Hoffmann

Imagens:

As imagens usadas nesta publicação são de livre acesso na Internet, ou foram cedidas pelo proprietário. Caso contrário aparecerá, ao lado da imagem, a referência ao seu autor.

Coordenadores:

Rev. Dieter Joel Jagnow (editor) Rev. David Karnopp Rev. Jarbas Hoffimann (diagramador) Rev. Mário Rafael Yudi Fukue Rev. Tiago José Albrecht Rev. Waldyr Hoffmann

Diagramador:

Rev. Jarbas Hoffimann diagramador.rt@gmail.com

Blogue e Leitura On-line http://www.revistateologia.blogspot.com

Twitter

@revistateologia

Colaborações:

Os textos a serem publicados na revista devem ser enviados ao editor

Contato/Editor:

revistateologia@gmail.com

Apresentação da Revista Eletrônica Teologia & Prática A revista Teologia&Prática é uma iniciativa de pastores da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Ela não tem caráter oficial. Seu objetivo básico é coletar e compartilhar bimestralmente, de forma organizada, via Internet, textos teológicos/pastorais, inéditos ou não, produzidos por pastores da IELB e que regularmente circulam em listas da Igreja. Além disso, procura recuperar textos teológicos escritos no passado e que não estão disponíveis na Internet. Um objetivo subjacente é a intenção de divulgar de forma mais abrangente a teologia evangélica luterana confessional e a reflexão teológica na IELB. Além de possibilitar a reflexão teológica, a revista quer ser uma ferramenta prática para as atividades ministeriais em suas diferentes áreas.

Critérios 1. A produção da revista é coordenada por voluntários. Um (ou mais) editor é responsável para que exista um mínimo de organização na diferentes fases do processo. 2. A revista é fechada em PDF e carregada em um depósito da Internet, de onde poderá ser baixada livremente. 3. A revista tem circulação bimestral. Não há um número fixo de páginas. 4. Um blogue serve de apoio para as edições, a fim de possibilitar a sua divulgação pelos mecanismos de busca da Internet. 5. A revista é aberta a todos os pastores da IELB interessados em compartilhar seus textos (meditações, estudos homiléticos, sermões, resenhas, ensaios, etc.), inéditos ou não. Cada autor é responsável pelo seu texto (doutrinária, gramática e ortograficamente). Os textos devem ser enviados ao editor. Nota: O editor pode recusar — ou solicitar que seja revisado — algum texto, caso julgue que ele afronte a doutrina da IELB. Para tanto, se necessário, conta com voluntários para a avaliação. Não serão utilizados textos de conteúdo político-partidário, que promovam o ódio ou a discriminação ou que firam os princípios e valores da Igreja. 6. A publicação dos textos enviados não é imediata. Existe uma tentativa de se ter variação de conteúdos em uma edição e em edições subsequentes. O editor informa ao autor a situação de cada texto recebido. 7. Há uma pauta mínima, no sentido de se buscar conteúdos que de alguma forma abordem questões pontuais (exemplo: Reforma, eleições, Natal). A pauta completa é determinada de acordo com as colaborações recebidas, conforme a ordem de chegada. 8. O organograma de produção é este: a) Lançamento: até o dia 25 do segundo mês da edição b) Preparação / Diagramação: do dia 1 ao dia 20 do segundo mês da edição c) Recebimento dos textos: até o dia 20 do primeiro mês da edição e-mail: revistateologia@gmail.com blogue: http://revistateologia.blogspot.com tuíter: http://twitter.com/revistateologia


Artigos

Belas paisagens, chuva e seca, p. 60 Conflitos de Natal, p. 32 Deixar a vida nos levar ou levar a Vida?, p. 25 Desastres, consequência ou castigo?, p. 31 Desperdícios, p. 77 Direto ao ponto, p. 79 Morrer é lucro ou prejuízo?, p. 11 Nichos de Natal, p. 24 Obesidade Espiritual, p. 33 Os nossos planos, p. 78 Os visitantes do Oriente (Epifania), p. 23 Ricos demais, p. 71 Santo Cristo e o Carnaval, p. 61 Uma Experiência em 3D, p. 72

Esboço para Sermões

Cenas de um drama chamado: A Paixão de Cristo, p. 26

Liturgia

Liturgia para Culto Leigo, p. 74

Oferta Cristã

A liberdade de Ofertar, p. 12

Simbologia

Ichthys — Resumo do Credo, p. 73

Sermões

1º Domingo após o Natal (Ano Novo) - B, p. 34 Epifania do Senhor - B, p. 36 1º Domingo após a Epifania (Batismo do Senhor) - B, p. 38; Opção 2, p. 40 2º Domingo após a Epifania - B, p. 42 3º Domingo após a Epifania - B, p. 44 4º Domingo após a Epifania - B, p. 46 5º Domingo após a Epifania - A, p. 48 6º Domingo após a Epifania - B, p. 50, Opão 2, p. 52 Último Domingo após a Epifania (Transfiguração), p. 54 Quarta-Feira de Cinzas - B, p. 56 1º Domingo na Quaresma - B, p. 58

E mais...

Uma comunidade terapêutica, p. 62 Aconselhamento Cristão (Resumo de Obra), p. 4 Devocional: Que alívio!, p. 76


Resumo

de

Rev. Jarbas Hoffimann

Obra

Aconselhame ou acontecem do que fazem, desde que ofereçam a relação que os terapeutas de opiniões muito diferentes parecem fornecer... Trata-se de uma relação que não se caracteriza tanto pelas técnicas usadas pelo terapeuta mas pelo que ele é; não é tanto pelo que ele faz, mas pela maneira como o faz.”2

Collins, Gary R.Aconselhamento Cristão. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova – 1988. pp. 1-48.

Nota Inicial: Por se tratar de um resumo, há muitas citações da obra referida, entretando, optamos por colocar apenas a numeração de páginas dos grandes blocos de citação. As demais não aparecem com o número da página, porém são marcadas em itálico e vermelhoo para destacar que são citações diretas.

Jesus usava várias técnicas de aconselhamento. Jesus em seu aconselhamento era... “absolutamente honesto, profundamente compassivo, altamente sensível e espiritualmente amadurecido. Ele dedicou-se a servir seu Pai celestial e seus semelhantes (nesta ordem), preparou-se para sua obra mediante períodos frequentes de oração e meditação, conhecia profundamente as Escrituras, e buscou ajudar as pessoas necessitadas a se voltarem para ele, onde podiam encontrar paz, esperança e segurança.”3

Parte 1 — Assuntos introdutórios Capítulo 1 — A Igreja e o Aconselhamento O Aconselhamento pode ser frustrante. O pastor não escolhe se aconselhará ou não. As pessoas vão a ele com seus problemas. “Não é possível evitar tal coisa no ministério pastoral. A sua escolha não é feita entre aconselhar ou não aconselhar, mas entre aconselhar de maneira disciplinada e hábil ou aconselhar de modo indisciplinada e inábil.”1 Há muitas técnicas e usos no aconselhamento. Até os melhores profissionais podem se confundir com elas. Os aconselhados nem sempre melhoram. Isso pode frustrar. Há necessidade de aconselhar no ministério. O aconselhamento existe para “ajudar as pessoas” a “estimular o desenvolvimento da personalidade”. O conselheiro precisa conhecer os problemas (como surgem e como resolvê-los). “A fim de ser mais eficaz o terapeuta deve ser uma pessoa real, humana... oferecendo um relacionamento genuinamente humano... Grande parte da atuação dos terapeutas é supérflua ou não tem relação com sua eficiência; de fato, muito de seu sucesso não tem qualquer ligação com o que fazem 1 p. 11. 4 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

Jesus ensinou... “a respeito de Deus, autoridade, salvação crescimento espiritual, oração, a igreja, o futuro, os anjos, demônios e a natureza humana... o casamento, interação entre pais e filhos, obediência, relação entre raças, e liberdade tanto para homens como para mulheres... assuntos pessoais como sexo, ansiedade, medo, solidão, dúvida, orgulho, pecado e desânimo.”4 Jesus ouvia as pessoas e as aceitava antes de falar o que elas deveriam fazer. “O conselheiro-professor se coloca à disposição como um instrumento mediante o qual o Espírito Santo pode operar, ajudar, ensinar, convencer ou guiar outro ser humano. Este deve ser o alvo de todo crente — pastor ou leigo, conselheiro profissional ou ajudador leigo: ser usado pelo Espírito Santo para tocar vidas, modificá-las e levá-las em direção à maturidade tanto espiritual como psicológica.”5 2 3 4 5

p. 12. p. 13. p. 13. p. 14.


Resumo

de

Obra

ento Cristão A Igreja Como Uma Comunidade Terapêutica

A Igreja pode ser um grupo eficaz de aconselhamento. Cada cristão é um conselheiro em potencial.

A Psicologia Tem Condições para Ajudar? A Psicologia tem inúmeras possibilidades de ajudar ao ministério.

Capítulo 2 — O Núcleo do Aconselhamento Nem todos os conselheiros são eficazes. A maioria é ineficaz.

Os Alvos do Aconselhamento

“O conselheiro que é seguidor de Jesus Cristo tem o mesmo alvo ulterior e abrangente de mostrar às pessoas como ter uma vida abundante e apontar aos indivíduos a vida eterna prometida aos crentes.”6 Outros alvos do Aconselhamento Cristão: “Auto-compreensão”, “Comunicação”, “Aprendizado e Modificação de Comportamento”, “Auto-realização” e “Apoio”.

Qualificações dos Conselheiros Eficazes Os conselheiros eficazes normalmente tem as seguintes características: “Cordialidade”, “Sinceridade” e “Empatia”. 6 p. 19.


Resumo

de

Obra

Técnicas de Aconselhamento No aconselhamento há o alvo de ajudar ao aconselhado. “O conselheiro tenta remover seus próprios conflitos, tomar consciência das necessidades do aconselhado e comunicar tanto compreensão como sua vontade de ajudar. A ajuda pode ser um processo complicado, impossível de ser descrito em poucos parágrafos. Podemos, porém, resumir algumas das técnicas mais básicas utilizadas numa situação de ajuda.”7 Técnicas que o conselheiro deveria usar: “Atenção” integral ao aconselhado, “Ouvir” atentamente e “Responder” e “Ensinar”. Esse responder pode ser: “Orientar ou Liderar”, “Refletir”, “Perguntar”, “Confrontar”, “Informar”, “Interpretar” e “Apoiar e Encorajar”.

O Processo do Aconselhamento Cada pessoa é única o que implica em cada aconselhamento ser diferente. Mas existem estágios que podem ser repetidos: “estabelecimento e manutenção de um relacionamento entre conselheiro e aconselhado; a exploração de problemas a fim de esclarecer certas questões e determinar como os problemas podem ser tratados; a decisão sobre um curso de ação, o estímulo do aconselhado para que tome uma atitude; a avaliação do progresso e decisão sobre ações subsequentes; assim como terminar a relação sem a ajuda contínua do conselheiro.”8 Os estágios nem sempre acontecem na ordem acima e nem sempre são claramente definidos.

Tarefa-de-Casa no Aconselhamento “Alguns aprendem melhor ouvindo — escutando o que outros dizem. Outros vendo — lendo, assistindo filmes e observando diagramas. Existem também indivíduos que aprendem melhor fazendo — completando projetos, desempenhando papéis, ou representando seus sentimentos.”9 A Tarefa de casa 7 p. 21. 8 p. 25. 9 p. 25.

“é a essência do bom aconselhamento. O conselheiro que aperfeiçoa a sua habilidade nesse sentido verá a diferença em sua eficácia na ajuda às pessoas. Aprender como passar tarefa de casa positiva, bíblica, concreta, que se adapte criativamente à situação, exige tempo e esforço, mas produz dividendos.”10 As tarefas servem para manter o aconselhado cônscio do alvo a ser atingido. Cinco tipos de tarefas têm sido mais usados: “Testes”, “Discussão e Guias de Estudo”, “Tarefas Comportamentais”, “Leituras” e “Discos” (música).

Capítulo 3 — O Conselheiro e o Aconselhamento O aconselhamento pode ser muito gratificante, mas é uma tarefa árdua e emocionalmente exaustiva.

A Motivação do Conselheiro Não é fácil aclarar os motivos que levam alguém a aconselhar, mas alguns deles poderiam ser: “Curiosida10 p. 25.


Resumo

de

Obra

de Interpretativo”, “Envolver-se Emocionalmente ao invés de Permanecer Objetivo” e “Atitude de Defesa em Lugar de Empatia”. Sempre que surgem estas confusões deveríamos nos perguntar o por quê da situação. O conselheiro deve vigiar para que tais situações sejam evitadas ao máximo. E quando surjam devem ser eliminadas o mais breve possível.

A Vulnerabilidade do Conselheiro

de”, “Necessidade de Manter Relações”, “Necessidade de Poder” e a “Necessidade de Socorrer”.

A Eficácia do Conselheiro “Segundo a Bíblia, todos os crentes devem ter um interesse compassivo por seus semelhante,s mas não se deduz disso, necessariamente, que todos os crentes sejam ou possam tornar-se conselheiros bem dotados. Neste respeito, o aconselhamento é como o ensino. Todo pai tem a responsabilidade de ensinar seus filhos, mas apenas alguns são professores especialmente dotados.”11

O Papel do Conselheiro O que pode atrapalhar o aconselhamento é o conselheiro não ter bem definido seu papel. As áreas em que provavelmente vá ocorrer confusão são: “Visita em Lugar de Aconselhamento”, “Pressa em Lugar de Deliberação”, “Desrespeito em Lugar de Simpatia”, “Condenação em Lugar de Imparcialidade”, “Sobrecarregar a Sessão em Lugar de Moderar o Aconselhamento”, “Ser Diretivo ao invés 11 p. 29.

Poderíamos pensar que todo aconselhado quer ajuda. Mas não é assim. “Alguns aconselhados têm o desejo consciente ou inconsciente de manipular, frustrar, ou não colaborar”. As maneiras em que as pessoas frustram o conselheiro são pelo menos duas: “Manipulação”. Algumas pessoas podem manipular o conselheiro. “Os conselheiros manipulados geralmente têm pouca utilidade. Os indivíduos que tentam manipular seu conselheiro quase sempre fizeram da manipulação um modo de vida. ... O conselheiro precisa opor-se a essas táticas, recusar-se a ser movido por elas e ensinar meios mais satisfatórios de relacionar-se com outros.”12 “Resistência. As pessoas algumas vezes buscam ajuda por desejarem alívio imediato da dor, mas quando descobrem que o alívio permanente pode exigir tempo, esforço e maior sofrimento ainda, elas resistem ao aconselhamento. ... A resistência é uma força poderosa que quase sempre exige aconselhamento profissional em profundidade.13. Ao conselheiro é importante conhecer-se a si mesmo. Podemos ter mais controle da situação fazendo-nos as seguintes perguntas: “Por que acho ser esta a pior (ou melhor) pessoa que já aconselhei? Existe uma razão para o meu constante atraso, ou o do aconselhado? Existe uma razão para que o aconselhando ou eu deseje mais (ou menos) tempo do que havíamos combinado no início? Minhas reações às palavras deste aconselhado são excessivas? Sinto-me aborrecido quando estou com esta pessoa? O problema sou eu, o aconselhado, ou nós dois? Por que eu sempre concordo (ou discordo) com o aconselhado? Sinto vontade de terminar esta relação ou de apegar-me 12 p. 32. 13 p. 33.


Resumo

de

Obra

a ela embora devesse terminar? Estou começando a sentir demasiada simpatia pelo aconselhado? Penso constantemente no aconselhado entre as entrevistas, sonho acordado com ele ou ela, ou mostro mais do que o interesse comum no seu problema? Por quê?”14

A Sexualidade do Conselheiro No aconselhamento, principalmente entre pessoas de sexo oposto, há a possibilidade de envolvimento emocional entre as partes. Para evitar isto poderíamos tomar alguns cuidados: 1. “Proteção espiritual” meditando na palavra de Deus, 2. “Percepção dos Sinais de Perigo” como... 14 pp. 33-4.

“a comunicação de mensagens sutis de qualidade mais íntimas (sorrisos, levantar as sobrancelhas, contatos físicos, etc.); o desejo do conselheiro e aconselhado de manterem o relacionamento; ansiedade, especialmente por parte do aconselhado, de divulgar detalhes de experiências ou fantasias sexuais; permissão do conselheiro para que o aconselhado o manipule; reconhecimento por parte do conselheiro de que ele ou ela precisa ver o aconselhado (este é um sinal de fracasso); frustrações crescentes na vida conjugal do conselheiro; e o prolongamento do tempo e frequência das entrevistas, algumas vezes suplementadas por chamadas telefônicas.”15 3. “Estabelecimento de Limites” 15 pp. 34-5.


Resumo

4. Análise de Atitudes. Não existe proveito algum em negar os seus instintos sexuais. Eles são comuns, com frequência embaraçosos e bastante estimulantes, mas controláveis. Lembre-se o seguinte:”16 a. “As consequências sociais”. b. “Imagem Profissional”. c. “Verdade Teológica”. Isto é, adultério. 5. “Proteção do Grupo de Apoio”. Existe proveito em discutir o assunto com uma ou duas pessoas de confiança.

A Ética do Conselheiro A Bíblia dá o padrão ético para o conselheiro cristão. “O conselheiro cristão respeita cada indivíduo como uma pessoa de valor, criada por Deus à imagem divina, manchada pela queda da humanidade no pecado, mas amada por Deus e objeto da redenção divina. Cada pessoa possui sentimentos, pensamentos, vontade e liberdade para comportar-se como achar adequado. Como um ajudador de pessoas, o conselheiro busca sinceramente o melhor para o bem-estar do aconselhado e não tenta manipular ou imiscuir-se na vida do mesmo. Como servo de Deus, o conselheiro tem a responsabilidade de viver, agir e aconselhar de acordo com os princípios bíblicos. Como empregado, ele tenta cumprir as suas responsabilidades e executar seus deveres com fidelidade e competência. Como cidadão e membro da sociedade, busca obedecer as autoridades governamentais e contribuir para o bem da cultura.”17 “O conselheiro tem a obrigação de manter em segredo as informações confidenciais, a não ser quando haja risco para o bem-estar do aconselhado ou de outra pessoa. Em tais ocasiões, o aconselhado deve ser orientado no sentido de transmitir a informação diretamente às pessoas envolvidas (polícia, empregadores, pais, etc.), e em regra geral, a informação não deve ser divulgada pelo conselheiro sem conhecimento do paciente. ... o conselheiro não deve abster-se de administrar ou interpretar testes, dar conselhos médicos ou legais, ou oferecer quaisquer serviços para os quais não esteja treinado nem qualificado. ... Em toda decisão moral o 16 p. 35. 17 p. 36.

de

Obra

conselheiro procura agir de modo a dar honra a Deus, manter-se conforme o ensino bíblico e respeitar o bem-estar do consulente e de outros.”18

A “Queima” do Conselheiro Pelas dificuldades do aconselhamento pode surgir “um sentimento de futilidade, inépcia, fadiga, cinismo, apatia, irritabilidade e frustração”. Para proteger-se às vezes o conselheiro que acredita “na importância da cordialidade, autenticidade e empatia, tornam-se então ajudadores frios, distantes pouco simpáticos, indiferentes, desgastados”.

O Conselheiro dos Conselheiros Deus ajuda o ajudador. “O aconselhamento pode trazer satisfação, mas não é um trabalho fácil. Quanto mais cedo isto seja reconhecido e encarado honestamente, tanto mais satisfatório será nosso ministério de ajudar e mais eficaz o nosso aconselhamento.”19

Capítulo 4 — As Crises no Aconselhamento Muitas crises podem acontecer no aconselhamento. Mudanças podem produzir crises. “Uma crise é um perigo porque ameaça vencer a pessoa ou pessoas envolvidas. ... As crises, porém, dão às pessoas a oportunidade de mudar, crescer e desenvolver meios de superá-las.”20

A Bíblia e os Tipos de Crise Três tipos de crise são constantemente identificados: 1. “As crises acidentais ou situacionais”. Relacionada a uma mudança repentina: morte, doença subida, gravidez fora do casamento, guerra, etc. 2. “As crises de desenvolvimento”. Relacionada com as fases naturais da vida humana. Ida à escola, faculdade, casamento, etc. 3. “As crises existenciais, que quase sempre se sobrepõem às acima, surgem quando somos forçados a enfrentar verdades perturbadoras, tais como a 18 p. 37. 19 p. 39. 20 p. 40.


Resumo

de

Obra

compreensão de que: a. Sou um fracasso; b. Sou velho demais para alcançar meus objetivos de vida; c. Fui ‘deixado para trás’ numa promoção; d. Sou um viúvo agora — novamente solteiro; e. Minha vida não tem propósito; f. Minha doença é incurável; g. Não tenho nada em que acreditar; h. Minha casa e bens se foram por causa do incêndio; i. Estou aposentado; j. Fui rejeitado por causa da cor da minha pele.”21

Intervenção nas Crises O Aconselhamento em situações críticas tem vários objetivos 1. “ajudar a pessoa a enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao seu nível comum de comportamento; 2. diminuir a ansiedade, apreensão e outros tipos de insegurança que possam persistir depois de ter passado a crise; 3. ensinar técnicas para a solução de crises, a fim de que a pessoa fique melhor preparada para antecipar e tratar as crises futuras; e 4. considerar os ensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a pessoa aprenda com as mesmas e cresça como resultado dessa experiência.”22

O Conselheiro dos Conselheiros O conselheiro precisa saber que as pessoas são diferentes. Ele precisa “Fazer contato” pois as pessoas em crise nem sempre chegam a ele. “Reduzir a Ansiedade” própria para tentar reduzir a do aconselhado. “Focalizar os problemas”. “Avaliar os Recursos”. “Planejar a Intervenção”. “Encorajar Ação”. “Instilar Esperança”. “Interferir no Ambiente” e “Acompanhamento” depois de solucionar a crise.

Encaminhamento Se o conselheiro crê que não pode ajudar na crise, ele faria melhor trabalho encaminhando o aconselha a um profissional mais capacitado.

O Futuro do Aconselhamento O aconselhamento é dividido em três áreas: terapêutico, preventivo e educativo. O terapêutico “envolve a ajuda ao indivíduo, a fim de que ele trate dos problemas existentes na vida”. O preventivo “procura impedir que os problemas se agravem ou evitar completamente a sua ocorrência”. O educativo “envolve a iniciativa por parte do conselheiro, no sentido de ensinar princípios de saúde mental a grupos maiores”. Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista. 21 p. 42. 22 p. 42. 10 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012


Rev. Ismar L. Pinz

Artigo

Morrer é lucro ou prejuízo? M

uitas pessoas lutam contra a morte e se esquecem de lutar pela vida. Sim, pois alguns querem viver, simplesmente por ter medo de morrer. O apóstolo Paulo diz: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. (Fp 1.21). Já se passaram alguns dias da morte de José Alencar. Mas permaneceu como exemplo a maneira como o ex-vice-presidente lutou para viver, sem ter medo de morrer. Há casos em que o desejo de viver é meramente egoísta. Mas há também exemplos em que o desejo de morrer é mera covardia. Por isso o exemplo do José Alencar comoveu. Afirmava que queria

viver para servir, para trabalhar, para ajudar — mas estava sereno para morrer. Conheço muitas outras pessoas que serviram de exemplo nesse sentido — talvez até mais apropriados que o ex-presidente. Porém são anônimos. A verdade é que a morte procura e encontra. Encontra a todos! Famosos ou comuns. Pois a morte é a maldição sobre o pecado (Rm 6.23). E o pecado, definitivamente está sobre todos. Cantamos e enfatizamos que “é preciso saber viver” — mas é bem verdade que também é preciso saber morrer. Jesus veio ao mundo para viver e morrer por nós. Vivendo ele amou, serviu, curou, perdoou, resgatou. Morrendo ele pagou pelos pecados e ressuscitando venceu a morte. Na ressurreição ele nos comissiona a uma vida honrada, a uma vida de serviço. Em Cristo já não há razão para temer a morte. Porém sempre há razões para enfrentar a vida! Por mais pesada e doida que sejam as catástrofes, as doenças e as aflições. Pois sempre haverá ao nosso redor alguém precisando de ajuda e um sorriso de gratidão quando ajudado. Não há dúvida: o viver tem sentido absoluto em Cristo, o Deus que se fez homem para servir. Cabe bem o ditado: “quem não vive para servir não serve para viver”. Peço licença para acrescentar: “quem não vive para servir, não serve para viver e encontrariam ‘prejuízo’ no morrer”. Isso porque sem Jesus, fatalmente serão condenados. Mas em Jesus, até mesmo a morte é lucro. Foi Ele quem disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. (Jo 11.25)”.

Rev. Ismar L. Pinz — Pelotas-RS — pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil Artigo originalmente datado de março de 2011.

Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 11


Mordomia — Oferta

Rev. Horst Reinhold Kuchenbecker

A Liberda Ofertar Teses, sobre a Mordomia Cristã Introdução1

M

ordomia cristã é a responsabilidade individual e em conjunto com os irmãos na fé de administrar tudo (dons, tempo e bens), conforme a responsabilidade que Deus concedeu e concede a cada um nas ordens (família, sociedade e igreja), vivendo, conforme os Dez Mandamentos, para a glória de Deus e o bem do próximo. Visto termos a fé na graça de Cristo em nossa carne corrupta, isto requer luta e o renovar diariamente o voto batismal de renunciar o diabo e ser fiel a Deus. Para tanto os fiéis se admoestam e consolam mutuamente. Nesta luta há fraquezas, há quedas, há o levantar-se pela graça de Deus. Isto se espelha também na história da Igreja Cristã, em cada Comunidade e Sínodo. Também nossa Igreja Evangélica Luterana tem enfrentado, ao longo de sua história, lutas. Temos enfrentado problemas na manutenção de nossos empreendimentos missionários. Para solucioná-los foram empreendidas campanhas de esclarecimento, mas os problemas persistem e requerem sempre novos enfoque e novas lutas. Muitas vezes nós nos perguntamos: O que há de errado com a nossa igreja em relação às ofertas? A julgar pela situação de nossos membros, não deveria ser difícil manter nossos empreendimentos. Quais são, portanto, as rações por que falhamos? Educamos mal? Carecemos de melhores métodos? Gastamos demais? Alguns

1 Apresentado em Porto Alegre, junho de 1989 e revisado em 24 de outubro de 2011 em São Leopoldo. 12 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

são da opinião que o problema está no método, pois as igrejas cristãs que adotaram o método do dízimo ou práticas similares venceram suas dificuldades financeiras e têm certa abundância de recursos materiais; enquanto que as congregações que permaneceram no método da oferta voluntária lutam com dificuldades financeiras. Notamos também que o assunto “Oferta” é problemático em nosso meio, pois toda a vez que o assunto é abordado em conferências, concílios e convenções, desperta acirrados debates, sem chegarmos a conclusões convincentes. Enquanto isso, cada congregação busca solucionar o problema a seu modo pelos métodos que julgar propício. Isto está trazendo um mal estar aos leigos que pedem uma definição sobre o assunto. Parece-nos que o problema não está simplesmente na área da teologia prática, o problema é doutrinário. Urge clarificarmos nossa posição doutrinária a este respeito que deve, por sua vez, orientar a praxe na aplicação dos métodos de recolhimento dos frutos da fé. Para tanto convidamos pastores e leigos a refletirem sobre as seguintes teses que visam ajudar a clarificar o assunto:

A Liberdade de Ofertar2 1.0. A Liberdade de Ofertar é um privilégio dos que renasceram pela fé em Cristo Jesus, aos quais 2 Estas teses são baseadas em parte, de forma resumida e adaptada, no trabalho: Laienbewegung, (Movimento dos Leigos) do Dr. Franz Pieper, publicado em Synodal-Berichte, Sued-Illenois-Distrikt, 1913.


ade de

Mordomia — Oferta

Deus concedeu o privilégio de serem sues cooperadores na proclamação da palavra da reconciliação. E eles participam deste trabalho alegre e voluntariamente por ser esta, agora, sua principal razão de vida. 2.0. A Liberdade de Ofertar dos que renasceram pela fé em Cristo pertence à área da santificação que consiste na diária restauração da imagem divina. Esta restauração é parcial aqui na terra, por o cristão possuir ainda sua carne que milita contra o espírito. Isto se reflete, também, na liberdade de ofertar. 3.0. A Liberdade de Ofertar, dos que renasceram pela fé em Cristo acontece em meio a grandes lutas e muitas fraquezas, por isso é preciso ensinar continuamente sobre o assunto, para desvendar as astuciosas tentações de Satanás, alertar contra os ídolos deste século que procuram impedir que vivamos vida santificada e proclamemos o evangelho. 4.0. A Liberdade de Ofertar dos que renasceram pela fé em Cristo, requer ordem e métodos para o recolhimento das ofertas e seu encaminhamento. A congregação é livre para adotar os métodos que desejar. Ela terá o cuidado, especialmente em momentos de dificuldades financeiras, de não lançar mãos de métodos que ferem a liberdade e que são contrários à palavra de Deus.

Teses 1.0. Liberdade de Ofertar é um privilégio dos que renasceram pela fé em Cristo Jesus, aos quais Deus concedeu o privilégio de serem sues cooperadores na proclamação da palavra da reconciliação. E eles participam deste trabalho alegre e voluntariamente por ser esta, agora, sua principal razão de vida. 1.1. O Homem Natural — Pela queda em pecado, o homem perdeu seu bem-aventurado conhecimento de Deus, sua justiça original Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 13


Mordomia — Oferta

e sua santidade, e tornou-se totalmente corrupto, inclinado para todo o mal e sujeito à eterna condenação. Cf.: Sl 51.1.; Rm 7.18; Gn 5.3; Ef 2.3,5; Rm 5.19. Pecado Original é o pecado que herdamos de Adão, isto é, a completa corrupção de toda a natureza humana, agora provada da justiça original, inclinada para todo o mal e sujeita à condenação. 1.2. Salvação — Em grande amor, Deus teve compaixão da humanidade e providenciou-lhe maravilhosa salvação em Cristo. Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho unigênito, Jesus Cristo que, como Deus e homem, substituto de toda a humanidade, cumpriu a lei, pagou pelos pecados de todos, venceu nossos inimigos: pecado, morte e Satanás e conquistou, assim, perfeita e suficiente salvação para toda a humanidade. (Salvação objetiva). Cf.: Jo 3.15-16; Gl 4.4; 2Co 5.19; 2º Artigo do Credo Apostólico, do Cat. Menor de Lutero. 1.3. Meios da Graça — Esta salvação Deus oferece, dá e sela aos homens pelos meios da graça, palavra de Deus e sacramentos (Batismo e Santa Ceia), pelos quais o Espírito Santo trabalha poderosamente. Cf.: 2 Co 2.20; Tt 3.5; Mt 22.12-20; Jo 1.12-14; Rm 1.16; 1Pe 3.21; 1Co 11.23-25. 1.4. Renascimento — Mesmo ouvindo a boa nova da salvação em Cristo, o homem natural não a entende, antes a repudia como loucura e busca sua justiça própria pela lei. Por sua própria razão e força o homem não pode vir a Cristo, nem crer nele. Mas o Espírito Santo chama e trabalha sincera e eficazmente em todos os que ouvem sua palavra e aos quais os sacramentos são ministrados, a fim de levá-los a confiarem na graça de Cristo. Assim opera a fé e regenera. Esta graça é resistível e muitos se perdem devido à sua obstinada e contínua resistência. Mas os que creem, recebem o que a palavra de Deus lhes oferece, dá e sela: completo perdão dos pecados, vida e salvação eterna. Estes renasceram pelo poder de Deus Espírito Santo e têm, enquanto na fé, os benefícios de Cristo: perdão, boa consciência, adoção de filhos de Deus e são herdeiros da vida eterna. Como novas criaturas em Cristo, 14 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

atuam em amor (Salvação subjetiva). Cf.: Ef 2.1,5; 1Co 2.14; Jo 1.14; Rm 8.7; 2Tm 1.9; 1Co 12.3; 1Pe 1.5; Jo 15.5; Fp 1.6; At 7.51; 2Co 8.5. 1.5. Liberdade — Como livres que são, não há, agora, para os renascidos, nenhuma coerção ou dever da lei, mas sem coerção, na qualidade de filhos de Deus, eles têm prazer na lei de Deus, e Deus lhes confiou o privilégio de proclamarem a salvação. Esta missão tornou-se para eles — quer jovens ou adultos, homens ou mulheres, ricos ou pobres, patrões ou empregados, livres ou aprisionados, letrados ou analfabetos — independente do lugar e do momento de sua vida, com os dons e habilidades que Deus lhes concedeu, a principal razão de vida. Pois a fé, necessariamente, produz boas obras, não forçada pela lei, mas na liberdade e na força da consoladora graça do evangelho. Cf.: Gl 5.13; Sl 119.32; Fp 1.21; Mt 28.19-20; Mt 6.33. 1.6. Ofertas no Antigo testamento — Ao povo de Israel (1250 antes de Cristo a 33 Ano do Senhor), Deus ordenou entre outras leis cerimoniais, uma diversidade de leis sobre ofertas obrigatórias, ofertas de purificações, e também a lei do dízimo, que consistiu em dar anualmente o dízimo (dez por cento) da


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colheita do grão, das frutas, do gado e do rebanho. Cf.: 27.30-34; Nm 28.1-8; Lv 1-7. 1.7. Ofertas no Novo Testamento — Completada a obra da salvação, a lei cerimonial foi abolida, e Deus não deu para o seu povo do Novo Testamento nenhuma nova lei sobre onde, quando, quanto ou a forma de ofertar. Mas, na qualidade de sacerdotes de Deus, de filhos de Deus, de membros do corpo de Cristo, de templos do Espírito Santo, guiados pelo Espírito Santo, eles buscam servir a Deus de forma voluntária e livre, mesmo que ainda em muitas fraquezas, buscando servir a Deus no proclamar o evangelho, pois o seu viver é Cristo. Cf.: Cl 3.15; 1Pe 2.9; 1Co 12.27; Rm 12.4-8; Rm 14.33; Mt 6.33; Rm 8.14; Fp 1.21; Rm 13.8. 1.8. Administração — No Novo Testamento, o filho de Deus administra livremente, na confiança em Cristo, seu tempo, dons e bens conforme as responsabilidades que Deus lhe confere na família, pátria e igreja. Para isso analisa, julga, coloca prioridades e toma decisões, buscando alcançar sempre melhor a principal razão de sua vida, a saber, a edificação do reino de Deus. Para tanto pede a Deus sabedoria, dons e bens. Cf.: 1Co 2.15; 1Ts 5.28; Lc 26.24; Fp 2.30; 2Co 9.12. 1.9. Condenamos — Condenamos, por isso, toda tentativa de restringir a liberdade cristã, quer pela imposição do dízimo ou caminhos similares, afirmando: “O método bíblico é o da oferta proporcional, ou a oferta deve ser percentual, ou dê um dia ao Senhor”; o cristão “não deve comparecer de mãos vazias diante do Senhor, etc... Como livre que é, ninguém tem o direito de lhe dizer que o mínimo já basta, especialmente quando a necessidade é bem maior, ou de lhe impor algo ou qualquer quantia ou percentualidade, ou método.3 1.10. Afirmamos — Deus não estabeleceu no Novo Testamento nem forma, nem quantidade, nem regularidade, nem percentualidade, nem métodos para ofertar. Cada cristão é 3 Cf.: 47ª Convenção Nacional da IELB de 1980, resolução da Moção 5/01 e 5/02. Este trabalho foi escrito a pedido da 47ª Convenção Nacional da IeLB, com a colaboração do Prof. Erni Seibert e pastor Daltro Kautzmann, membros da comissão de Mordomia e Evangelismo).

livre para de espontânea vontade, com alegria e voluntariamente decidir sobre como cumprir melhor sua responsabilidade de filho de Deus em relação à sua congregação e igreja, à sua família e seus deveres sociais, como indivíduo ou em conjunto com seus irmãos na fé. 2.0. A Liberdade de Ofertar dos que renasceram pela fé em Cristo pertence à área da santificação, que consiste na diária restauração da imagem divina. Esta restauração é parcial aqui na terra, por o cristão possuir ainda sua carne que milita contra o espírito. Isto se reflete, também, na liberdade de ofertar. 2.1. A Santidade Imputada — A santificação, isto é, o ato de tornar uma pessoa santa aos olhos de Deus, também chamada de justificação do pecador, acontece pela imputação dos méritos de Cristo que aceitamos pela fé, tornando-nos, enquanto na fé, santos aos olhos de Deus (justificação individual ou subjetiva). Isto é um ato de misericórdia divina no qual somos meramente passivos, sem nenhuma cooperação nossa. Cf.: Rm 3.28; 5.1; Ef 2.8-10. 2.2. A Liberdade da Fé — A fé, necessariamente, produz boas obras. Desde o momento em que a justificação pela fé é operada, no ato da regeneração ou conversão, o Espírito Santo, pelos meios da graça, opera também a renovação ou santificação que consiste na restituição da imagem divina, no que o homem coopera não de forma coordenada, mas subordinada ao Espírito Santo. Cf.: 1Co 1.30; 1Pe 1.2225; Ef 4.23-24; Cl 3.10; 2Tm 2.21; 1Jo 3.3. 2.3. A Renovação ou Restituição da Imagem Divina — A renovação ou santificação é a restituição da imagem divina em nós. Isto é, o Espírito Santo efetua a santificação em nós pelos meios da graça, impelindo ao exercício das novas forças espirituais que ele concedeu no ato da regeneração, as quais também sustenta e fortalece. Assim aplica a lei para nos conduzir ao diário arrependimento e o afogar em nós do velho homem com suas paixões e concupiscências. Aplica o evangelho para fazer ressurgir em nós o novo homem e para iluminar progressivamente nosso entendimento para um maior conhecimento Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 15


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tanto extensivo como intensivo das verdades divinas e um contínuo renovar da vontade em direção à retidão original numa crescente santificação dos desejos e afeições em direção à pureza primitiva. Cf.: Cl 3.9; Ef 4.23-24; 1.17-19; Cl 1.9; Rm 12.2; 6.12; 1Co 1.5; Fp 2.13; Rm 6.12; Tt 2.14; 1Jo 1.6. 2.4. Santificação Imperfeita — Pela graça de Cristo temos uma justiça perfeita que aceitamos pela fé, mas a restauração da imagem divina em nós, enquanto aqui no tempo, devido à nossa carne corrupta que não muda, permanece imperfeita e acontece sob forte e dolorosa luta, havendo altos e baixos na vida santificada. Cf.: Rm 7.18; 1Jo 1.8; 1Co 7.1; Fp 3.12; Gl 5.24. 2.5. Condenamos — Condenamos a teologia da glória que menospreza a força do velho homem na luta contra o novo homem e que sonha, já agora, com a posse, palpável e constante do poder de Deus e ignora que temos todos os bens em fé, que ainda estamos sob a cruz; condenamos também o fato de exigirem de seus membros determinado grau de santificação para poderem desfrutar o privilégio de membros da congregação, sem o que desclas16 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

sificam a pessoa do seu status de cristãos; ou dividem os cristãos em carnais e espirituais, cristãos e discípulos. 2.6. Afirmamos — Cristo vive entre pecadores. No momento em que alguém chega à fé, ele é sacerdote de Deus com todos os privilégios e direitos, mesmo que lute ainda com muitas fraquezas. E enquanto aqui na terra, estamos sob a cruz pela qual Deus nos educa para que demos atenção à sua palavra e cresçamos na fé. Cf.: Rm 7.7-25; Gl 5.16-26; Ef 3.14-21. 3.0. A Liberdade de Ofertar, dos que renasceram pela fé em Cristo, acontece em meio a grandes lutas e muitas fraquezas, por isso é preciso ensinar continuamente sobre o assunto, para desvendar as astuciosas tentações de Satanás, alertar contra os ídolos deste século que procuram nos impedir que vivamos vida santificada e proclamemos o evangelho. 3.1. Lutas — A restituição, mesmo que parcial, da imagem divina na regeneração, resulta, necessariamente, numa vida cheia de boas obras conforme a vontade de Deus expressa nos Dez Mandamentos e na imitação do exemplo de Cristo. Isto acontece em meio a muitas fraquezas e árduas lutas entre o novo e o velho homem. Daí a necessidade de muito ensino e paciência na edificação do reino de Deus, para que o Espírito Santo possa atuar quando e onde lhe apraz. Cf.: 1Ts 4.3; Rm 13.10; Hb 12.1; Rm 7.1525; Gl 5.24. 3.2. Causa do Desleixo — As causas das fraquezas e dos desleixos na liberdade de ofertar são a falta de conhecimento da Bíblia e da fraqueza de fé, o que dá ocasião à nossa carne, ao mundo e a Satanás de nos enganarem. Cada pessoa, cada época e cada lugar têm suas tentações próprias. Quem seria capaz de desvendar toda a astúcia de Satanás que se esconde sob a aparência de direito. Nessa luta, o ofertar sofre tentações especiais. Cf.: Gl 5.19; 1Pe 2.11; Tt 2.22. 3.3. A Oferta — É preciso lembrar os renascidos, que o não viver decididamente para o reino de Deus, traz sérias consequências e pode


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levar à perda do evangelho, como mostram as afirmações que seguem: 3.3.1. O Máximo — Conforme nosso novo homem, nós temos prazer em participar com tudo o que temos e somos na edificação do reino de Deus e gostamos de ofertar o máximo, como o fez a viúva pobre, que ofertou tudo o que tinha na confiança daquele que supre as necessidades. Mesmo sendo sua oferta, quanto ao valor monetário, pequena, Deus teve prazer na mesma (Mc 12.41-44). Deus valoriza mesmo ofertas insignificantes como o mostra o relato sobre o juízo final (Mt 25.31-46). Mas ai daqueles que ofertam centavos não sendo pobres, tais pessoas usam a liberdade por pretexto da malícia (1Pe 2.16). 3.3.2. Idolatria — Ofertar o mínimo em vez de o máximo é contra a vontade de Deus. (2Co 9.6; 8.2) e revela nossa idolatria e materialismo (Mt 6.24). 3.3.3. Qualidade — Ofertar o mínimo em vez de o máximo estraga a qualidade das ofertas, pois revela que não amamos nosso Salvador. Há situações em que as ofertas pequenas têm o seu lugar e sua razão de ser. Mas quando se trata das grandes coisas do reino de Deus: pregar o evangelho, manter seminários, enviar missionários, razão pela qual estamos no mundo, e pela qual Deus mantém o mundo (Mt 24.14), cabe-nos ofertar o máximo possível (Rm 7.6; Ef 6.7). 3.3.4. Colheita — Ofertar o mínimo em vez de o máximo resulta em pouca colheita. Em sua graça, Deus resolveu recompensar altamente todas as boas obras (Ap 14.13). Somos salvos, na verdade, pela graça, sem as obras da lei. Mas, Deus resolveu em sua graça recompensar as boas obras. Ele afirma: “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará” (2Co 9.6). Igualmente na parábola dos talentos, Deus deixa isso muito claro (Mt 25.14-30). Somos administradores fiéis se administramos os bens, não em busca de nossos prazeres, mas inves-

tindo o máximo no reino de Deus. 3.3.5. Escândalo para Si — Ofertar o mínimo em vez de o máximo resulta em permanente escândalo para si mesmo. Se ofertarmos pouco, nós nos induzimos a permanentes dúvidas sobre a veracidade de nossa fé. Pois a fé necessariamente produz boas obras. As boas obras são um testemunho externo de nossa fé. Se fraquejarmos, nossa consciência nos acusará, dizendo: Você não é cristão, porque não ama os irmãos. Você não tem o Espírito Santo, porque ainda ama o mundo. O apóstolo Pedro admoesta: “Por isso, irmãos, procurai com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição (2Pe 1.10). 3.3.6. Escândalo para Outros — Ofertar o mínimo em vez de o máximo resulta em escândalo para os de fora. O mundo observa a vida cristã e a congregação cristã. Os incrédulos trazem grandes sacrifícios (saúde, bens, dons e tempo) para seus ídolos (prazeres, esportes, hobbies, etc.) e se chocam quando percebem que os cristãos ofertam de má vontade para o seu Deus e vêm mendigar junto a eles, os incrédulos, quer de forma direta por livros ouro, listas, ou indiretamente, convidando-os para festas, bazares, chás que têm a clara finalidade de fazer lucro, por isso há rifas, jogos de azar, etc. O dia do juízo mostrará quantos incrédulos foram escandalizados por tal procedimento (Mt 18.7). 3.3.7. Prejuízo — Ofertar o mínimo em vez de o máximo traz sérios prejuízos para o ministério. Os pastores devem estar prontos a compartilhar com alegria a pobreza de seus membros. Mas se seus membros têm relativa estabilidade econômica e ofertam pouco, e toda vez que são solicitados a ofertarem murmuram, isto desanima os pastores e impede o bom andamento do trabalho (1Tm 5.17). 3.3.8. Entristece o Espírito — Ofertar o mínimo, em vez de o máximo entristeDezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 17


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ce o Espírito Santo que habita nos renascidos. Todo o cristão, mesmo o mais fraco na fé, é templo do Espírito Santo (1Co 3.16). O Espírito Santo atua neles e quer fazê-los crescer na fé, no amor e em toda a boa obra. Impedir que o Espírito Santo nos instrua não ouvindo suas admoestações, não seguindo os seus conselhos, o entristece. Muitos que fecharam seus corações às necessidades do próximo e do reino de Deus, perderam o Espírito Santo, a saber, a fé. 3.3.9. Impede o Crescimento — Ofertar o mínimo em vez de o máximo impede o crescimento do reino de Deus. Deus mantém o universo para que sua igreja possa cumprir a missão de pregar arrependimento e fé ao mundo (Mt 28.9-12; Lc 24.46-47; Mt 24.14). E Deus adverte: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente” ( Jr 48.10). E o apóstolo afirma: “Ai de mim se não pregar o evangelho”. (1Co 15.38) “Sede... sempre abundantes na obra do Senhor. (1Co 15.38) 3.3.10. Atrai a Ira de Deus — Ofertar o mínimo em vez de o máximo, atrai a ira de Deus. O profeta Ageu levantou sua voz. Pois o povo de Deus, tendo regressado à sua terra, após o cativeiro, pensou em primeiro lugar no seu bem-estar e relegou o trabalho da edificação do templo a um segundo plano. O profeta Ageu lhes anunciou a ira de Deus. Também no Novo Testamento o apóstolo admoesta os fiéis que ofertam mal, dizendo: “Não vos enganeis, de Deus nãos e zomba” (Gl 6.7), pois o juízo de Deus começa pela casa de Deus (1Pe 4.17). 3.3.11. Põe em Risco o Evangelho — Ofertar pouco quando se pode ofertar mais, põe em risco o evangelho. A história nos mostra que ali onde o povo se apegou aos bens materiais e ofertou pouco para o reino de Deus, perdeu a ambos os bens materiais e o evangelho. Isto nos deve servir de advertência. Zelemos, pois, pelo evangelho, ofertando voluntária e 18 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

abundantemente para a expansão do evangelho. 3.4. Combate o Bom Combate — Precisamos estar sempre atentos para combater o bom combate da fé e aparelhar nossos membros para tanto. Para isso é necessário: 3.4.1. Pregação — Pregar a lei em todo seu rigor, sem tirar-lhe o fio cortante, para desvendar os subterfúgios e enganos de Satanás, para advertir contra os falsos ídolos de nosso tempo, para conduzir ao


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arrependimento; e pregar o evangelho em toda sua doçura para consolar e fazer crescer na fé que atua pelo amor, do qual sempre somos devedores. Cf.: 2Tm 4.2; 1Tm 6.6-9; Gl 5.26; Rm 13.8. 3.4.2. Pastores — Os pastores devem dar bom exemplo aos membros por vida moderada e pelo ofertar em abundância. Cf.: Fp 4.5; 2Tm 1.7; Tt 2.7. 3.4.3. Administração — Compete a congregação zelar para que seus membros sejam instruídos por estudos bíblicos sobre o que significa administrar o tempo, os dons e bens conforme a vontade de Deus para o crescimento do reino de Deus, confiante na graça do Deus que tudo supre. Cf.: Lc 12.42; 16.2. 3.4.4. Informação — Informar os membros sobre as necessidades da congregação, do distrito e da igreja. As epístolas nos mostram como os apóstolos informaram sobre o trabalho. Orçamentos nos ajudam a descobrir a vontade de Deus nas atividades da igreja. A apresentação das necessidades, em si, não motiva ninguém, mas canaliza as ofertas de amor para as prioridades e os lugares onde são necessárias. Cf.: At 4.32,35. 3.4.5. Como Tomar Decisões — Quanto darei? Perguntam os membros. Ou, como vou chegar a uma conclusão sobre o quanto dar? Normalmente ouvimos duas respostas distintas: a) Decida-se por uma proporção do seu ganho; b) analise as necessidades de sua igreja e veja o que você pode fazer. Que caminho vamos seguir? Tanto um como o outro caminho não resolvem plenamente o problema e deixam perguntas em aberto. A Oferta Proporcional — Os que defendem a oferta proporcional, afirmam de forma geral que esta decisão é do foro íntimo da pessoa, entre ela e o seu Deus. A pessoa, conforme o grau de sua fé, tomará sua decisão sobre o quanto ofertar. Feita a promessa, a congregação aplicará os resultados, distribuin-

do-os. Mas, o que fazer se a necessidade for maior do que as promessas feitas? Orçamentos — Os que defendem a análise de orçamentos, afirmam de forma geral que o cristão deve analisar as necessidades da igreja (orçamentos) e então tomar sua decisão sobre o quanto ofertar. Mas, o que fazer se a diretoria planeja mal. Faz orçamentos baixos e os membros gostariam, ou pelo menos poderiam ofertar muito mais? Equilíbrio — Analisando exemplos bíblicos, veremos que nem só pelo caminho da decisão interna nem só pelo lado dos orçamentos nos cabe olhar para este assunto. A viúva pobre (Mc 12.41-44), ao ofertar, provavelmente não perguntou por orçamentos. Se bem que não sabemos que sermão ela ouviu no templo. Sua oferta foi fruto de seu amor a Deus e de sua confiança no Deus que supre. Ela ofertou segundo a proporção de sua fé (2Co 8.3). O bom samaritano, sem dúvida, tinha seu plano de viagem, suas prioridades para o dia, mas vendo a necessidade de seu próximo, o amor o moveu a modificar suas prioridades e ajudar de forma desinteressada (isto é, sem buscar méritos para si), com sacrifício (ele sacrificou muito e arriscou a própria vida) e com perseverança (incansável, até ver uma solução razoável para o problema) Lc 10.25-37. Ele viu a necessidade e o amor o levou a agir sobre o problema. O apóstolo Paulo, ao fazer a coleta para os necessitados (1Co 16.1-4; 2Co 8.1-15) não apresentou orçamentos, mas falou das necessidades. Como, aliás, o faz muito em suas cartas pastorais, informando a igreja sobre o andamento do trabalho. É evidente que “orçamentos não enchem o caixa, mas devem esvaziá-lo” (V. Werning Christian Stewardship, p. 132). Mas, a oferta no Novo Testamento não é cega, ela é objetiva, o que exige constante análise e decisões. Sem dúvida, Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 19


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há o perigo de nós nos aproximarmos do assunto “como ofertar” só pelo lado das necessidades e nos colocar a mercê de propagandistas. Há os dois momentos. O momento íntimo da fé, o amor ao reino de Deus, fruto da fé. Esta fé deve ser alimentada pela palavra de Deus. Há também o momento da canalização dos frutos, quando olhamos para as necessidades e nossas responsabilidades e tomaremos nossa decisão. Em toda esta nossa administração somos sempre imperfeitos. Precisamos sempre da luz da palavra de Deus, de aconselhamento e de orientação. 3.4.6. Admoestação — Cabe admoestar fraternalmente os que ofertam pouco, bem como aconselhar e estimular os membros para que façam sempre melhor uso dos dons que Deus lhes concedeu.

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Cabe-nos admoestar, especialmente, os ricos para que não amem o mundo, mas façam o bem. Isto nem sempre é fácil e nem sempre seremos bem sucedidos. Cf.: 1Tm 6.9,18; 2Co 12.1-23; Mt 19.16-22; 1Ts 2.12. 3.4.7. Maus e Bons Costumes — Maus costumes no ofertar, arraigados em determinadas regiões, provindos de outras igrejas não são fáceis de extirpar. Eles prejudicam a missão. Precisamos de muita paciência e bom censo na implantação de bons costumes e métodos. 3.5. Questões Básicas Sobre Ofertar 3.5.1. Quem Deve Ofertar? — Espera-se que todo o cristão oferte, porque ele foi redimido por Cristo para servir em amor, na força do Espírito Santo e com os dons, bens e habilidades que Deus lhe concedeu, “segundo o que o homem tem, e não conforme o que ele não tem” (2Co 8.12). Crianças servem com seus dons e os pais as educarão, dando-lhes também dinheiro para ofertarem. Também suplicarão a Deus dons e bens, para suprirem as necessidades em seu derredor. Cf.: Tt 2.14; 2Co 5.15; Tg 1.5; Cl 4.6. 3.5.2. Por que Ofertar? — Não movido pela lei, nem por qualquer interesse em conquistar o favor ou a bênção de Deus, mas, como filhos de Deus, que têm prazer na lei de Deus e procuram cumprir, com todas suas forças, a ordem de Cristo de levar o evangelho ao mundo. Nisto são movidos pelo amor de Deus. Cf.:


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2Co 5.14. 3.5.3. O que Ofertar? — O ofertar pertence ao exercício da fé. Pela fé nos entregamos a Deus e renovamos nosso voto batismal diariamente, dizendo: “Entrego-me a ti, ó Deus triúno, para te ser fiel na fé, nas palavras e nas obras até à morte”. Deste propósito brotam as mais diferentes ofertas de dons, bens e tempo. Cf.: Rm 12.1-3; 2Co 8.5; Ef 5.15-16. 3.5.4. Para que Ofertar? — É preciso lembrar que toda a vida dos cristãos com todas suas tarefas (na família, na sociedade, na igreja) é culto a Deus. Dentro desse contexto, o ofertar para o trabalho específico do reino de Deus ocupa um lugar especial. Como Deus não precisa de nossas ofertas, ele ordenou que as aplicássemos no trabalho do reino de Deus. Por essa razão o cristão oferta objetivamente para a expansão do reino de Deus e procura, também, suprir as necessidades materiais de seu próximo. Cf.: Lc 9.45-50; Mt 28.19-20; At 4.3235; Tg 2.14-26. 3.5.5. Como Ofertar? — Não por necessidade (isto é, por obrigação da lei), mas alegre, voluntária e abundantemente, conforme alguém tem, se possível com regularidade, os primeiros frutos, canalizando as ofertas pelo sistema adotado nas congregações. Cf.: 2Co 9.7,9; Lv 7.19; 1Cr 28.9; 2Co 8.3,12; 1Co 15.58; 2Co 8.2; 1Co 16.1-4; Êx 23.19; Nm 18.12; Mt 3.33. 4.0. A Liberdade de Ofertar dos que renasceram pela fé em Cristo, requer ordem e métodos para o recolhimento das ofertas e seu encaminhamento. A congregação é livre para adotar os métodos que desejar. Ela terá o cuidado, especialmente em momentos de dificuldades financeiras, de não lançar mão de métodos que ferem a liberdade e que são contrários à palavra de Deus. 4.1. Ordem e métodos, quando usados conforme a Bíblia, não são a causa dos frutos, pois estes são operados pelo evangelho. Os métodos visam colher os frutos existentes e canalizá-los, para evitar que se percam ou dispersem. Cf.:

1Co 14.40; 16.1-4; Mt 7.7. 4.2. Frequentemente os métodos são usados para extorquir ofertas. Procura-se criar momentos de entusiasmo, quando são feitos apelos sentimentais com histórias sentimentais ou apelos ao orgulho, ou ameaças com a lei para se conseguir ofertas. Isto é contrário à palavra de Deus e fere a liberdade cristã. Cf.: 2Co 9.7. 4.3. A congregação, no exercício de sua liberdade, resolverá sobre a forma de recolher as ofertas. Na maioria de nossas congregações são usados os seguintes caminhos: a) Coletas nos cultos divinos. Durante o culto ou na saída do culto são recolhidas as ofertas voluntárias; b) ofertas regulares (semanais, mensais, trimestrais, por ocasião de colheitas, ou anuais), sinalizadas ou não, previamente, por promessas escritas (cartão de promessa) e entregues via envelopes, carnês bancários, pagamentos ao tesoureiro ou na secretaria da congregação; c) ofertas especiais de gratidão pelo transcurso de aniversários, ou outros motivos de gratidão ou para fins especiais, dirigidas à congregação ou diretamente a outras organizações ou instituições. É importante lembrar que estas resoluções são conselhos e seria bom se houvesse certa uniformidade na igreja. Mas, mesmo que alguém resolva ofertar de forma diferente, como por exemplo: uma pessoa prefere colocar sua oferta só no prato de ofertas sem identificação, ou não oferta no prato de ofertas, mas só por carnês bancários, etc, ou se a família resolve ofertar em conjunto, a congregação não deverá criar problemas para tal pessoa ou família. Da mesma forma é preciso lembrar que o cartão de promessa tem a simples finalidade de orientar a congregação sobre possibilidades e individualmente serve para disciplina própria, mas não deve ser usada pela congregação para extorquir a oferta por força da lei. (Observação: Muito cuidado na hora da transferência de um membro. Alguns não a dão s a pessoa não regularizou suas ofertas atrasadas. Isto é extorquir por lei). 4.4. A boa ordem recomenda transparência no Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 21


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ofertar, para possibilitar agradecimentos e admoestações onde necessário. Isto não contradiz o que lemos em Mt 6.3, pois esta passagem adverte contra a justiça própria (2Co 8.3-5). 4.5. Pertence também à boa organização que a administração seja transparente. Isto envolve elaboração de orçamentos e informações sobre os projetos e seus custos e a aplicação das ofertas em âmbito local, distrital, regional, nacional e internacional. Para maior clareza e compreensão das responsabilidades assumidas, dividir as somas por congregações e indivíduos, o que, evidentemente, não deverá ser encarado como taxa média, mas servir de referência para se compreender melhor a responsabilidade. 4.6. É dever dos responsáveis pelo setor na congregação, orientar e ensinar os membros para serem bons administradores do tempo, dos dons e bens para que possam tomar decisões acertadas. O apóstolo Paulo fez isto ao recomendar que “separassem logo no primeiro dia da semana o que conseguiram poupar”, e os informou sobre a necessidade dos irmãos na Judeia (1Co 16.1-4). Também estimulou os irmãos

pelo exemplo dos irmãos da Macedônia (2Co 8.1-15).

Conclusão Analisando o problema das ofertas em nossa igreja, veremos que o problema não é um problema de métodos, mas de fé que atua pelo amor. E a falta de fé deixa transparecer, se bem que nem sempre, o problema do ministério. Há necessidade de examinarmos nossos sermões e estudos bíblicos, para ver se estamos dividindo lei e evangelho corretamente, se estamos pregando corretamente sobre fé e santificação, distinguindo corretamente entre justificação e santificação e, ao mesmo tempo, mostrando que nunca estão separados, que a fé nunca está sem obras. Confiemos no poder do evangelho. Queira Deus, em sua graça, nos conceder um ministério fiel. Homens que se dedicam à palavra e oração, que vivem vida moderada e sejam exemplo para os fiéis. Queira Deus em sua graça abençoar sua palavra em muitos corações e despertar em muitos a verdadeira fé. E onde há fé, ali a fé atua pelo amor, ali há ofertas em abundância. Cf.: Êx 26.6; 1Cr 29.16,21; Is 60.5; 2Co 8.2.

Rev. Horst Reinhold Kuchenbecker — São Leopoldo-RS, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Bibliografia: Pieper Franz, Christliche Dogmatik, vol II, St. Louis, Concórdia Publishing House, 1920 Fagenberg, Holsten, Die Theologie der Lutherischen Bekenntnisschriften von 1929 bis 1537.Vandenhoeck&Ruprecht. Göttingen1965 Pieper, Franz, Die Lutherische Lehre von der Rechtfertigung. Seminar Press, St. Louis, 1916. Pieper, Franz. Laienbewegung. Synodal-Bericht, Sued-Illenois-Distritkt, 1913

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Rev. Fernando E. Graffunder

Artigo

Os visitantes do Oriente (Epifania)

C

om o dia 6 de janeiro a Igreja Cristã inicia a celebração da festa de Epifania (manifestação, aparição). É o resultado da ação de Deus em salvar toda a humanidade dos seus pecados, incluindo os povos gentílicos (além do povo de Israel). Isto quer dizer que ninguém está fora dos planos de Deus, nem mesmo aqueles que ainda não crêem. A histórica visita destes homens ao menino Jesus fala por si mesma. E, foi assim: “Jesus nasceu na cidade de Belém, na região da Judéia, quando Herodes era rei da terra de Israel. Nesse tempo alguns homens que estudavam as estrelas vieram do Oriente e chegaram a Jerusalém. Eles perguntaram: —Onde está o menino que nasceu para ser o rei dos judeus? Nós vimos a estrela dele no Oriente e viemos adorá-lo. Quando o rei Herodes soube disso, ficou muito preocupado, e todo o povo de Jerusalém também ficou. Então Herodes reuniu os chefes dos sacerdotes e os mestres da Lei e perguntou onde devia nascer o Messias. Eles responderam: —Na cidade de Belém, na região da Judéia, pois o profeta escreveu o seguinte: “Você, Belém, da terra de Judá, de modo nenhum é a menor entre as principais cidades de Judá, pois de você sairá o líder que guiará o meu povo de Israel.” Então Herodes chamou os visitantes do Orien-

te para uma reunião secreta e perguntou qual o tempo exato em que a estrela havia aparecido; e eles disseram. Depois os mandou a Belém com a seguinte ordem: —Vão e procurem informações bem certas sobre o menino. E, quando o encontrarem, me avisem, para eu também ir adorá-lo. Depois de receberem a ordem do rei, os visitantes foram embora. No caminho viram a estrela, a mesma que tinham visto no Oriente. Ela foi adiante deles e parou acima do lugar onde o menino estava. Quando viram a estrela, eles ficaram muito alegres e felizes. Entraram na casa e encontraram o menino com Maria, a sua mãe. Então se ajoelharam diante dele e o adoraram. Depois abriram os seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. E num sonho Deus os avisou que não voltassem para falar com Herodes. Por isso voltaram para a sua terra por outro caminho.” Mateus 2.1-12. Se todas as pessoas do mundo compreendessem e aceitassem o amor de Deus, tudo seria diferente para melhor. Mas, Deus continua a divulgar o seu plano de salvação eterna através daqueles que nele acreditam. Visitar a Jesus, hoje, significa ouvir a sua Palavra e seguir os seus conselhos – amar a Deus e ao próximo. Rev. Fernando Emílio Graffunder é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Pelotas-RS

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Rev. Marcos Schmidt

Nichos de Natal Artigo

“V

eja qual presente os Reis Magos tem para você”, insistia a propaganda nos meus e-mails. O que me vez lembrar uma vitrine com a Estrela de Belém que apontava para os produtos “tudo em 10x”. São os atrativos do comércio pegando carona nas histórias sagradas. E se o merchandising dos negócios terrenos escandaliza os conceitos divinos, por outro, a divulgação do Evangelho não deixa por menos. Por isto o lembrete de Jesus: “As pessoas deste mundo são muito mais espertas nos seus negócios do que as pessoas que pertencem à luz” (Lucas 16.8). Se o reino do poder econômico aproveita o lombo dos camelos e os holofotes de Belém, o reino de Deus segue pelo caminho inverso nos mesmos dromedários. Ele usa os caminhos do ouro, do incenso e da mirra para mostrar o celestial produto. Por isto a Epifania — termo da literatura profana que significa manifestação, aparecimento, usado pela igreja para propagandear o Natal. Pouco se sabe quem são estes magos do Oriente lembrados no dia 6 de janeiro. Mas a profecia do Salmo 72 sugere: “Os povos do deserto se curvarão diante dele... Os reis da Espanha e das ilhas lhe oferecerão presentes, e assim também os reis da Arábia e da Etiópia”. Fica a certeza que é gente

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fora de Israel — de culturas, crenças e costumes diferentes. No dicionário da propaganda, eles são nichos de mercado. “Nichos de mercado” são segmentos ou públicos cujas necessidades são pouco exploradas ou totalmente esquecidas. Fato que a história dos Reis Magos não esconde, conforme Mateus registra. É que o produto divino da manjedoura estava fora da vitrine, escondido na prateleira pelo gerente da loja, apenas de uso interno. Ou seja, os visitantes chegaram à Jerusalém sem nenhum convite, não foram bem recebidos e não obtiveram nenhuma informação dos vendedores. Se não fosse a interferência direta do dono, aqueles homens teriam perdido a viagem. No final, a história destes consumidores conduzidos pela Estrela vem novamente mostrar que entre o sagrado e o profano, ou vice versa, existem caminhos e o Caminho, e que a propaganda é a alma do negócio. Rev. Marcos Schmidt é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Novo Hamburgo-RS


Rev. Ismar L. Pinz

Artigo

Deixar a vida nos levar ou levar a Vida?

N

esse Ano Novo poderia alguém desejar a morte? O que você pensaria se alguém revelasse esse desejo? Talvez iríamos imaginar que o sujeito estivesse com depressão ou coisa do tipo. Porém, certa vez, um cristão olhou para o futuro, assim como costumamos fazer na virada de ano, e revelou desejar a morte. Absolutamente não sofria de depressão, antes olhava o amanhã com a Luz da Vida Eterna e ansiava estar junto de Deus no Céu. Estou falando de Paulo de Tarso, o apóstolo, que escreveu: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro (Fp 1.21)”. Paulo não via nesse mundo um tédio sem fim. Bem pelo contrario, havia muito a ser feito! Ele revela de maneira ainda mais clara afirmando se sentir encurralado — dizia ele que não sabia o que escolher, pois na morte estaria com Deus (v.23), e no viver poderia servir a Deus, amando e ajudando outras pessoas. Nessa onda de desejos que sempre invade o coração humano na virada de ano, as palavras do apóstolo servem de orientação. Ele escreveu: “O meu grande desejo e a minha esperança são de nunca falhar no meu dever, para que sempre, e agora ainda mais, eu tenha muita coragem. E assim, tudo o que eu disser e fizer, tanto na vida como na morte, eu poderei levar outros a reconhecerem a grandeza de Cristo” (Fp 1.20). O fato é que muitas pessoas apenas aprendem a viver quando se deparam com a morte. Repete-se que a única certeza da vida é a morte; porém dificilmente se leva a sério essa frase. Somente encarando essa certeza é que podemos nos dar conta de como supervalorizamos coisas passagei-

ras, vaidades e muitas outras coisas sem nenhuma consistência. O sábio rei Salomão já dizia: “é tudo como correr atrás do vento! (Ec 1.14)” O resultado dessa correria é que ao final dos dias, meses, anos, repete-se com chatice um monte de “devia isso... devia aquilo...” No ano que passou tsunamis, terremotos, atentados, enxurradas e muitos outros eventos nos ensinaram que nessa vida tudo passa! Inclusive nós! O que fazer diante dessa realidade? Podemos encarar a filosofia do “deixar a vida nos levar”, porém mais sábio e responsável é viver contente em toda e qualquer situação, não deixando a vida nos levar com suas tendências mesquinhas e banais, mas ir “levando a vida”, com responsabilidade e fé, com olhos fixos em Jesus! Nele nosso ano será iluminado e nosso coração será preenchido com a agradável sensação de viver uma vida que vale a pena, e morrer na certeza de sermos levados para Vida eterna. Seja o que for, com Cristo, estamos sempre no Lucro. Rev. Ismar L. Pinz — Pelotas-RS — pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

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Esboços

para

Rev. Dieter Joel Jagnow

Sermões

Cenas de um drama cham Cena 1: Procurando pelo Caminho Texto: João 14.1-9

Tema: Jesus é o Caminho Vamos ver hoje a primeira cena de um drama chamado A Paixão de Cristo. Esta cena vai nos mostrar um homem procurando por um “caminho” e o Salvador proclamando que ele é o Caminho. Também veremos como nos encaixamos neste cenário. Jesus é o Caminho é o tema da nossa mensagem de hoje.

I. Jesus é o caminho da nossa salvação

1. As dúvidas de Tomé (v. 5) 2. Jesus e o caminho para a cruz 3. Jesus como o caminho para a vida (v. 6) 4. Jesus como o caminho para o Pai (v. 6)

II. Jesus é o caminho para o céu 1. Ele foi preparar um lugar para nós (v. 2) A. Como pecadores, apenas merecemos outro lugar: o inferno B. Como pecadores, não podemos preparar um lugar no céu para nós mesmos. 2. Na casa do Pai há muitos quartos (v. 2) 3. É um lugar maravilhoso: Uma garotinha estava caminhando com o seu pai em uma noite maravilhosamente estrelada. Ele disse: “Pai, estive pensando que se o lado “errado” do céu já é tão bonito, imagina então o lado “certo”... Sugestão: Aqui pode entrar uma oração sobre o tema desta cena. Pode ser audível (pelo pregador ou alguma pessoa previamente convidada) ou silenciosa. Esta sugestão é válida para todos os sermões desta série, entre uma das partes.

III. Jesus é o caminho para a vida eterna

3)

1. Ele vai voltar (v. 3) 2. Ele vai nos levar com ele, se estivermos na fé (v. 3) 3. Para que possamos estar com ele para sempre (v.

4. Por isso, que nossos corações não ficam angustiados, mas que confiemos em Jesus como nosso caminho (v . 1) Jesus é o caminho – o único caminho verdadeiro e seguro para a salvação e para a vida eterna. Através do Espírito Santo somos colocados neste caminho. Vamos andar nele!? Na próxima semana veremos outra cena reveladora: os discípulos de Jesus discutindo quem era o maior. Até lá!

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Esboço

para

Sermões

mado: A Paixão de Cristo Cena 2: Alguém quer ser o mais importante Texto: Lucas 22.24-30

Tema: Quem é o maior de todos? Afinal, quem é o maior, o mais importante? Essa interessante pergunta nos coloca hoje em um cenário em que os discípulos de Jesus estavam discutindo sobre a autoridade ou importância que cada um teria no reino futuro. E isso enquanto Jesus iniciava o seu caminho para a cruz! Quem é o mais importante: o que serve ou o que é servido? Jesus era o “maior”? Você é o mais importante?

I. O mais importante é quem é servido? Não! 1. A discussão dos discípulos 2. A admoestação de Jesus A. No mundo, quem é servido aparentemente é o mais importante B. No reino de Deus, quem é servido não é o mais importante (v. 26)

II. O mais importante é aquele que serve? Sim! 1. Nossa vida de servos A. Como cristãos, pertencemos ao reino de Deus B. Neste reino, o mais importante é aquele que serve C. A humildade é uma característica fundamental do servo cristão D. Também entre os servos cristãos existem discussões sobre quem é o maior 2. A vida de Jesus como servo A. Ele é o modelo perfeito de servo (v. 27) B. Ele serviu em obediência à vontade do Pai C. Ele serviu a todos os pecadores como o Servo Sofredor (Isaías 52.13-15) D. Ele serviu a nós para que possamos estar em seu reino da glória (cf. 29,30) E você, é o maior ou o menor? Você serve ou quer ser servido O que precisa mudar em sua vida neste sentido? A próxima cena do drama chamado A paixão de Cristo será “encenada” na semana que vem. Se você gosta de dormir, não pode perdê-la!

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Esboços

para

Sermões

Cena 3: Um encontro com discípulos dorminhocos Texto: Mateus 26.36-45

Tema: Somos cristãos dorminhocos? Você gosta de dormir? Em nossa cena de hoje veremos três discípulos de Jesus que resolveram dormir – mas no lugar errado e na hora errada! Mas também veremos que o Salvador, que estava em seu caminho para a morte, estava vigiando e orando. E nós, o que estamos fazendo?

I. O sono dos discípulos 1. Os três discípulos: A. Jesus pediu para que ficassem vigiando (v. 38) B. Mas por três vezes os encontrou dormindo (vv. 40, 43, 44) 2. Os discípulos de hoje: A. Nós também somos solicitados a ficarmos cuidando a. Da nossa fé e da fé dos nossos irmãos b. Dos que ainda não creem em Jesus como seu Salvador c. Do nosso serviço cristão d. Da segunda vinda de Cristo B. Mas nós também “adormecemos” de vez em quando a. Alimentando nosso corpo e esquecendo do espírito (v. 41) b. Dando oportunidade às tentações (cf. 41) c. Colocando nossa salvação em risco

II. O cuidado e a oração de Jesus 1. Ele estava em seu caminho para a morte A. Ele estava sofrendo por nossa culpa (v. 38) B. Ele estava tomando um cálice amargo por causa de nós (v. 39) 2. Mas ele estava acordado – cuidando e orando (vv 39, 42, 44), preparando-se para concluir seu trabalho redentor – e a nossa salvação Em nossa vida espiritual não podemos ficar cansados e adormecer. É perigoso demais! Felizmente, nosso Salvador não se cansou em sua caminhada para a cruz! Ele em tudo foi obediente à vontade salvadora do Pai. A nossa série sobre cenas da Paixão continua no próximo culto. Uma importante pergunta será feita. Esteja certo de estar acordado!

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Esboço

para

Sermões

Cena 4: A quem estamos procurando? Texto: João 18.1

Tema: A quem é que queremos? Na nossa cena de hoje veremos soldados procurando por Jesus. Por qual razão? A quem nós procuramos, queremos?

I. Os soldados queriam a Jesus de Nazaré 1. Para prendê-lo A. Eles foram enviados pelos seus superiores B. Eles foram guiados pelo traidor Jesus (v. 2,3) 2. Para levá-lo à morte A. De acordo com a vontade de Deus B. De acordo com a vontade de Jesus (v. 11)

II. Nós queremos Jesus de Nazaré 1. Precisamos de um Salvador A. Por natureza somos pecadores B. Por natureza estamos sob o julgamento de Deus C. Não podemos nos salvar 2. Jesus é o Salvador A. Ele foi enviado pelo Pai (cf. v. 11) B. Ele foi atestado como sendo Jesus, o Salvador (vv. 5,6,8) C. Ele provou que era o Salvador (vv. 8,9) Querer a Jesus, buscar a Jesus significa buscar e querer a salvação e a vida eterna. Por isso, ele precisa ser a pessoa mais importante que queremos e buscamos em nossa vida. A nossa próxima cena será em um tribunal. Haverá perguntas – e respostas. Não perca!

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Esboços

para

Sermões

Cena 5: Perguntas e respostas do julgamento de Jesus Texto: Mateus 27.11-26

Tema: O que é que temos a ver com este homem inocente? Em alguns minutos seremos colocados em um cenário de julgamento. Perguntas serão feitas e respostas serão dadas. Uma das perguntas é: O que faremos com Jesus?

I. Você é o Rei? (v. 11) 1. A pergunta de Pilatos 2. Sim, Jesus é Rei 3. Sim, Jesus tem um reino A. Seu reino do poder B. Seu reino da graça C. Seu reino da glória 4. Sim, Jesus quer ser o nosso Rei

II. Que crime ele praticou? (v. 23)

1. A pergunta de Pilatos 2. Resposta: seu “crime” foi aceitar ser o Salvador 3. Resposta: seu “crime” foi de voluntariamente morrer pelos nossos pecados

III. O que devo fazer com Jesus? (v. 22)

na

1. A pergunta de Pilatos 2. A resposta da mulher de Pilatos: não tenha nada a ver com ele 3. As nossas respostas: A. Queremos ter tudo a ver com ele! B. Porque ele é o caminho para a vida eter-

Sim, Jesus é Rei. Seu “crime” foi seu amor sacrifical por nós. Por isso, precisamos ter tudo a ver com ele. Ele é a nossa esperança, nossa vida, nosso céu.

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Rev. Márlon Hüther Antunes

Desastres, consequência ou castigo? O

s seguidos desastres naturais e todos os prejuízos, que com eles vem num amargo e triste pacote, parecem não serem mais novidades em nossos dias. É verdade que chuvas fortes sempre fizeram parte da rotina de muitas cidades e regiões em todos os tempos, porém, ultimamente as notícias têm deixado muita gente com o pé na lama, contabilizando o que restou. Basta lembrar os estragos das chuvas do início deste ano (2011) na região serrana carioca, com um saldo de quase 1.000 mortos; ano passado das cidades alagoanas e pernambucanas arrasadas; as quase 300 mortes no início de 2010, no litoral carioca; em 2008 as chuvas do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, que surpreenderam, onde não havia registros de tamanha destruição. Sem contar da maior enchente de todos os tempos, em julho passado no Paquistão ceifando mais de 1.700 vidas e mais de 3 mil na China. Em janeiro a Austrália teve uma área maior do que a França e a Alemanha juntas alagadas. Diante de tantos números, seriam estes desastres naturais consequencia ou castigo? De acordo com pesquisas científicas, publicadas na última semana, é preciso olhar para um provável futuro mais devastador e estar prevenido. Segundo pesquisadores, o conjunto de gases do efeito estufa está mudando e muito o clima, com tempestades mais frequentes e intensas. Deixam o alerta: quem planeja construir ou reformar, precisa considerar a possibilidade de serem reincidentes tais desastres.

Artigo

Aos céticos ou não, o fato é: poucos parecem se preocupar. Não há estrutura, não há fiscalização, não há educação, não há limites. Se a chance de ocorrer entre 20% e 90% mais enchentes, conforme pesquisa da Universidade de Oxford, deveria no mínimo mobilizar cada cidadão, órgão fiscalizador, governo, a se prevenirem, evitando-se maiores prejuízos. Se para cada catástrofe o único culpado é o Criador, então falta conhecimento e razão, somos péssimos administradores dos recursos e sabedoria que Ele nos concedeu, afinal “as misericórdias do Senhor, são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim, renovam-se cada manhã” (Lamentações 3.22,23). Misericórdia significa que Deus não permite que soframos o castigo pelo mal que cometemos. Assim sendo, também não nos exime a responsabilidade de tomarmos decisões em prol do hoje e das gerações que estão por vir. Antes de sofrermos as sequelas, de nossos mal pensados atos, o bom seria construir casas e vidas sobre algo sólido, sobre a rocha (Mateus 7.24). Em Cristo, pela sua misericórdia, Deus continua permitindo um raio de “sol sobre maus e bons e chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5.45). Você pode começar hoje evitando piores saldos. Ainda há salvação!

Rev. Márlon Hüther Antunes — Maceió-AL, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil Artigo de 21 de fevereiro de 2011.

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Conflitos de Natal Artigo

N

atal, Fim de Ano, época de contradições, de estranhezas, tempo de alegrias e dissabores. De festas e votos de felicidade mesclados com sentimentos de frustração, desalento, melancolia. Período que vêm à tona lembranças talhadas na memória, carregado com emoções confusas ascendidas por melodias, imagens, símbolos, aromas. Recordações de pessoas amadas que ficaram em álbuns de fotografia e confundem o coração de saudades; de lugares transformados pela modernidade — paisagens bucólicas, tranquilas, engolidas pelo asfalto e agitação. Sem subterfúgio, o dezembro é aquela derradeira folhinha do calendário que evoca tantas coisas, anseios

Rev. Marcos Schmidt

guardados numa caixinha que se abre despertando conflitos e desesperança. Mas o motivo destes sentimentos vem do próprio Natal. Algo parecido com a reação de Maria, “que ficou sem saber o que pensar” (Lucas 1.29) ao receber a notícia de que seria a mãe do Salvador. Ficar confuso ante o Deus encarnado é uma atitude coerente. Porque Natal é o mistério dos mistérios. “Quem pode conhecer a mente do Senhor?” (1 Coríntios 2.16). Cientistas ousam desvendar a “partícula de Deus” – nome dado a suposta partícula responsável pelo surgimento da matéria na origem do Universo. Isto é ciência humana, que não explica a partícula de Jesus, “verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas” (Credo Niceno). Como entender que “No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus” (João 1.1)? Inaceitável à luz da sabedoria humana. Por isto, “Aquele que é a Palavra veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu” (João 1.11). Mistério rejeitado, descrido, refugado. “Porém alguns creram nele e o receberam, e a estes ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus” (João 1.12). Mistério recebido, crido, usado. E assim na letra do poeta: “Ó tempo santo de Natal, tu tens mensagens lindas! O mundo não tem luz nem paz, mas isto meu Jesus me traz. Ó tempo santo de Natal, tu tens mensagens lindas!”. Rev. Marcos Schmidt é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Novo Hamburgo-RS

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Rev. Ismar L. Pinz

Artigo

Obesidade Espiritual B

asta passar por uma banca e dar uma olhada para as capas de revistas para notar que a maioria estampa em letras bem visíveis soluções para o problema da obesidade. As revistas são vendidas aos milhares, sinal de que a obesidade é um problema real. Duas das principais razões do excesso de peso são: a má alimentação e a falta de exercícios. Do ponto de vista espiritual, será que existe obesidade? Creio que sim. E uma das causas também é a má alimentação. Tem muita gente comendo porcaria espiritual por aí! Tem muita gente criando “igrejas” e servindo a mesa com algodão doce, negrinhos e outros docinhos. Tudo muito atrativo, mas pouco nutritivo. Um outro grande e destacável problema é a falta de exercícios espirituais! Ao saber que a Palavra de Deus é o alimento vivo e espiritual, preocupamo-nos em que as pessoas se alimentem, afinal, saco vazio não pára em pé. Porém há outra preocupação, quando notamos que existem pessoas que comem, comem, comem, mas não praticam (Tg 1.22). Falta o exercício e por isso sobra uma gordura pouco saudável. O apóstolo Paulo aconselha exercícios espirituais. Ele diz que os exercícios físicos são bons,

mas excelentes e necessários são os exercícios espirituais, que são feitos não com flexões, mas sim com reflexões profundas, meditações na Palavra, introspecções, orações e a práticas de boas ações motivadas pelo amor (1 Tm 4.7-8). Mas os exercícios nem sempre são tão fáceis e atrativos. A grande maioria prefere uma fórmula mágica! Uma pílula que resolva tudo. Dias atrás, medicamentos usados contra a obesidade física foram proibidos. Outros passaram por forte controle de segurança, por causa dos efeitos no sistema nervoso central, que afetam diretamente o coração. Espiritualmente acontece o mesmo. São oferecidas fórmulas mágicas: passes, sessões, descarregos, orações, seguidas obviamente, de dízimos e ofertas. Assim se oferece “medicamentos espirituais” que auxiliam num primeiro momento, mas não mudam os hábitos e por isso acabam igualmente afetando o sistema nervoso central, ou espiritualmente falando, o próprio coração; pois estão recheados de sabedoria humana e não divina. O mais aconselhável física e espiritualmente, continua sendo o exercício. Dentre todos os exercícios possíveis o mais saudável é a corrida, corrida para os braços graciosos de Jesus, em todo e qualquer momento. O jeito é correr e pela graça de Deus, entrar em forma e passar pela porta estreita do Reino do Céu (Mt 7.13). Rev. Ismar L. Pinz — Pelotas-RS — pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

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Rev. Jarbas Hoffimann

Sermão

1º Domingo após o Natal (Ano Novo) - B 1º de Janeiro de 2012

A sabedoria vem de Deus Texto Base: Sl 111 Salmo do Dia: Salmo 111 Antigo Testamento: Isaías 61.10-62.3 Epístola Gálatas 4.4-7 Evangelho do Dia Lucas 2.22-40 Queridos Irmãos, o Salmo 111, no seu último versículo, fala de Sabedoria. E muita gente confunde sabedoria com inteligência... Certo Dia o Rei Salomão teve que resolver um caso muito difícil. Duas prostitutas tinham tido cada uma um filho, mas uma delas rolou para cima do seu filho durante a noite e o matou. Então ela pegou seu filho morto e o trocou pelo filho vivo de sua companheira de quarto. Como as duas discutiam pelo filho, foram até Salomão para que ele resolvesse a questão. Salomão mandou cortar a criança viva em duas partes e dar metade para cada uma. A mãe verdadeira disse que não o cortasse, porque ela entregava seu filho à outra mulher. Já a outra disse: — Cortem mesmo, se eu não vou ter um filho, ela também não terá. Salomão não deixou cortar a criança e a entregou àquela que não deixou matar o menino, porque aquela era a mãe verdadeira. Esta história de sabedoria está registrada em 1Rs 3. É uma mostra de Sabedoria. Sabedoria não é a mesma coisa que inteligência. Tem muita gente muito inteligente que não sabe aplicar seu conhecimento. Salomão não era só inteligente, mas era mais do que isso. Salomão era Sábio. Sua sabedoria veio do próprio Deus. Um dia, quando Deus ofereceu o que Salomão quisesse ele pediu: “dá-me sabedoria para que eu possa governar o teu povo com justiça e saber a diferença entre o bem e o mal.” (1Rs 3.9). Todos nós podemos ser extremamente inteligentes ou não. Podemos estudar dia após dia e acumular cultura e conhecimento. Podemos chegar a ter todos os diplomas possíveis, mas sabedoria poucos têm. Na maioria das vezes a sabedoria só vem com a experiência de passar por várias coisas. 34 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

Mas a verdadeira sabedoria só pode vir de um lugar: de Deus. Só Deus pode nos tornar sábios. Por exemplo, depois que somos livrados de momentos difíceis nós podemos ficar mais sábios, se nestes momentos confiamos em Deus. Nós aprendemos a ter paciência nos momentos de sofrimento. Pois sabemos que Deus nunca nos abandona. A sabedoria vem de Deus. Deus nos torna sábios para vivermos melhor nossa vida terrena. O cumprimento dos mandamentos de Deus traz sabedoria. Porque no cumprimento deles está cumprida a vontade de Deus. O Sl 25.8-10 diz: “O Senhor é justo e bom e por isso mostra aos pecadores o caminho que Devem seguir. Deus guia os humildes no caminho certo e lhes ensina a sua vontade. Ele é fiel e com amor guia todos os que são fiéis à sua aliança e que obedecem aos seus mandamentos.” O Senhor nos ensina a viver melhor nesta terra. A levar uma vida melhor com nosso próximo e com Deus. Mas é bom não esquecer: nós não estamos mais sob o jugo da Lei. Nós somos livres por causa de Jesus Cristo e por causa do amor ao próximo nós nos fazemos servos uns dos outros, em amor ao próximo e a Deus. Por causa de Jesus Cristo nós somos livres de tudo. E por causa do amor ao próximo nós cumpriremos os mandamentos de Deus. Até mesmo como exemplo de fidelidade ao Senhor. Em nossa vida terrena virão as tempestades e os momentos de desespero, mas com Deus nunca seremos abalados porque “o Senhor é o meu pastor, nada me faltará.” (Sl 23.1) E “ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo, tu me proteges e me diriges.” (Sl 23.4). Nesta vida nós podemos até ser feridos, mas jamais seremos destruídos, como diz Paulo: “Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Temos muitos inimigos, mas nunca nos falta um


amigo. Às vezes somos gravemente feridos, mas não somos destruídos. Levamos sempre no nosso corpo mortal a morte de Jesus para que também a vida dele seja vista no nosso corpo.” (2Co 4.8-10). Essa é a Sabedoria que Deus dá. Aquela sabedoria de viver segundo a vontade de Deus e assim ter uma boa vida terrena. Mas a Sabedoria de Deus não é importante apenas para nossa vida terrena, ela vai além. Porque é a Palavra de Deus que pode nos tornar sábios para a vida eterna. Deus não fica só nas palavras. Ele vem a nós pelo Batismo. O Sacramento do Batismo nos lava do pecado. O Sacramento do Batismo nos entrega todas as conquistas de Cristo na cruz. Mediante o Batismo nós morremos com Jesus e “Se já morremos com Cristo, também viveremos com ele.” (2Tm 2.11). E o Batismo é uma vez por todas. Não há necessidade de um segundo batismo. Para dar perdão e fortalecer a fé frequentemente, Deus nos dá o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Participar da Ceia é um testemunho de que nós cremos em Deus, como diz o apóstolo Paulo: “cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.” (1Co 11.26). Participando da Ceia nós estamos também testemunhando nosso Salvador Jesus Cristo. Viver segundo a vontade de Deus é uma atitude sábia. Mesmo que o mundo diga o contrário. Para nosso mundo, ser sábio, ou ser esperto, é passar os outros para

trás. É dar o jeitinho brasileiro. É ser desonesto. Mas para Deus ser sábio é outra coisa. Segundo nosso Deus, ser sábio é ouvir sua Palavra e praticá-la. “Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.” (2Tm 3.16). Isso é sabedoria. A Sabedoria que Deus dá para nós vivermos melhor neste mundo e a sabedoria que dá a vida eterna. Ser sábio é ter fé em Jesus Cristo. Porque Cristo morreu por nós e perdoou nossos pecados. A Sabedoria de Deus vem pelo Batismo, Santa Ceia e sua Palavra. E ele oferece isso a nós todos os dias de nossa vida. Que Deus nos dê sabedoria para vivermos bem aqui na terra, neste ano que começa e em todos os outros. Para nos prepararmos para o mundo que há de vir. Assim como fala o último versículo do Salmo 111: “Para ser sábio, é preciso primeiro temer a Deus, o Senhor. Ele dá compreensão aos que obedecem aos seus mandamentos. Que o Senhor seja louvado para sempre!” E neste ano que começa daqui a 4 dias, possamos saber que Deus trabalha em nós e por meio de nós, para nos trazer sua sabedoria e levá-la a todos. Deus é o que mais precisamos no próximo ano. Porque Deus nos ama acima de todas as coisas e nos quer com ele aqui na terra e na vida eterna. Amém.

Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista. Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 35


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Rev. Jarbas Hoffimann

Epifania do Senhor - B 6 de Janeiro de 2012

Siga firme a estrela Texto Base: Mt 2.1-12 Salmo do Dia: Salmo 72.1-11(12-15) Antigo Testamento: Isaías 60.1-6 Epístola Efésios 3.1-12 Evangelho do Dia Mateus 2.1-12 Queridos irmãos em Jesus Cristo. Hoje comemoramos a Epifania. Na Epifania comemoramos a visita dos Magos a Jesus Cristo. E mais do que lembrar que alguns estranhos foram visitar Jesus, é o momento de lembrar que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar todas as pessoas. Você, eu, nosso vizinho, aquele cara chato que vive nos incomodando. Enfim, Cristo para Todos. A visita dos Magos representa a manifestação de Jesus a todas as pessoas. É este o sentido de Epifania, data comemorada pelos cristãos a cada 6 de janeiro. Aliás, nós moramos na América Latina e desconhecemos a importância deste dia em grande parte do continente. Dia 6 de janeiro, Epifania, ou dia de Reis, em boa parte dos países latinos é o dia de trocar presentes. E não o Natal, pois foi na visita dos Magos, que Jesus recebeu presentes. Os magos foram visitá-lo e, com os presentes, reconhecendo sua autoridade, seu poder e o cumprimento da promessa feita na Sagrada Escritura. Infelizmente, muitos judeus, o povo de Jesus, não o receberam quando ele veio. Mas seria um equívoco dizer que todos os judeus rejeitaram Jesus, pois outros judeus foram ver Jesus, ainda menino. Temos registrada a visita dos pastores. O canto de Simeão e de Ana, entre tantos que creram na promessa realizada. Porém os primeiros não judeus a prestar culto a Jesus foram os Magos. Mas eles não foram os únicos, nem os últimos. A fé em Jesus Cristo, que causava escândalo a tantos judeus, também alcançou muitos fora do “povo escolhido”. Alcançou a você e a mim, que hoje estamos nesta casa de Deus. E que não somos judeus. Na história de Jesus, nós seríamos mais parecidos com os judeus que o rejeitaram, ou os magos que o buscaram? Onde você se encaixa? Os magos leram a história. Certamente conheciam 36 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

as Sagradas Escrituras e a promessa do Messias. Confiaram na promessa a ponto de se deslocarem de sua terra atrás de uma promessa. É a mesma promessa que faz os cristãos saírem da sua casa para ir à igreja. A promessa de que Jesus salvará os que lhe são fiéis. Quando não sabiam mais aonde ir, perguntaram, segundo a promessa da Bíblia: “onde está o menino que nasceu para ser o rei dos judeus?” A fofoca chegou a Herodes. Ele não queria outros para ameaçar sua majestade, mas não podia arrumar encrenca com pessoas importantes, por isso, se fez de humilde pra saber onde estaria Jesus e armava planos pra matar seu futuro concorrente. Quando perguntou aos sacerdotes, onde deveria Nascer Jesus, ouviu deles: “Você, Belém, da terra de Judá, de modo nenhum é a menor entre as principais cidades de Judá, pois de você sairá o líder que guiará o meu povo de Israel.” Isto preocupou ainda mais Herodes que chamou os magos e quis garantir que, se tal rei tivesse, de fato, nascido, eles informariam. E ele poderia seguir com seu plano de matança. Os magos foram e acharam Jesus. Ainda confiantes na promessa do Messias, ofereceram os presentes: ouro, incenso e mirra. Diz a tradição que seus nomes eram: Belchior, Gaspar e Baltazar, mas é apenas uma tradição. Também não se tem certeza se eram de fato 3, mas isso nem é importante. O importante é que foram, crendo na promessa, seguindo a estrela e acharam o menino Rei ainda bem pequeno. Depois de verem a promessa cumprida, partiram alegres. Deus não deixou que eles voltassem pra falar com Herodes. Talvez o mais interessante na história dos Magos foi o fato de eles se deslocaram por longo caminho, cerca de 1000 quilômetros, sem avião, ou mesmo um ônibus, atrás de uma promessa. Seguindo uma estrela que os levou a Jesus Cristo. Eles tiveram fé, enquanto os judeus sábios, sequer se lembraram da estrela prometida... E você segue a fé que tem em seu coração? Ou já está tão acostumado a ser cristão-luterano, que nem


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lembra que você está nesta igreja hoje, porque acredita na vida eterna? O maior exemplo dos magos é a confiança na promessa. E quanto a você? Deus te chamou para ser fiel a Jesus em todos os momentos. Bons e ruins. Fáceis e difíceis. Deus te chamou da escuridão e te deu a luz de Cristo. Te lavou pelo Santo Batismo e te tornou herdeiro da vida eterna. O Pai te deu fé. Além disto, ele quer você sempre junto, para manter a fé, por meio de Palavra e Sacramentos. Ele te chama para estar na sua Casa, onde você é fortalecido e confortado. Onde Deus te mostra, que apesar dos problemas, ele está com você todos os dias. Como prometeu, por meio de seu Filho Jesus Cristo. Quando o caminho parecer confuso, faça como os magos, siga firme as promessas de Jesus Cristo. Siga até o fim. Na Dúvida, pergunte à Palavra de Deus, por meio de estudo continuado da Bíblia. Das dúvidas e tristezas, Jesus eliminará os sofrimentos e encherá seu coração da alegria verdadeira. Aquela alegria que espera sempre em Deus. Aquela alegria de quem sabe que confia no único Deus verdadeiro. Aquele que promete e cumpre. Aquele que dá perdão, vida eterna e Salvação. Creia no Senhor Jesus e você será salvo. Amém.

E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7) Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista.

Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 37


Rev. Ilmo Riewe

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Batismo do Senhor / 1º Domingo após Epifania - B 8 de Janeiro de 2012

Eu te chamei pelo nome Texto Base: Mc 1.4-12 Salmo do Dia: Salmo 29 Antigo Testamento: Gênesis 1.1-5 Epístola Romanos 6.1-11 Evangelho do Dia Marcos 1.4-12 Ao querermos que o nosso filho seja um aluno da nossa escola é preciso fazer a matrícula. Não basta simplesmente mandá-lo no dia do início das aulas, e assim estará tudo resolvido. É preciso que alguém responsável ou ele mesmo faça sua inscrição na secretaria para que tenha validade o seu curso. Na vida do cristão também existe uma matrícula. Existe uma anotação, uma inscrição no rol de membros da Comunidade e da Igreja de Jesus Cristo. Isto acontece no dia do Batismo, quando somos matriculados na escola de Jesus Cristo, no colégio do Senhor. O profeta Isaías diz isto, falando da chamada que Deus faz: Eu o chamei pelo seu nome, e você é meu. Você agora está matriculado. Jesus também foi batizado. Jesus também cumpriu a Lei. Jesus também se apresentou a João Batista para o batismo. Não porque tinha necessidade, mas para se colocar no lugar dos homens e mostrar que o batismo é algo que a Deus apraz. Que Deus tem prazer. Nele Deus opera. E é interessante ver o que acontece quando Jesus é batizado. O céu se abre e o Espírito Santo desce, e Deus fala. Em outro evangelho se fala que o céu se rasgou, destacando o impacto, o peso do batismo de Jesus. O céu está definitivamente aberto, rasgado para todos os que crêem. Eu te chamei pelo teu nome. Este é o recado que nós recebemos de Deus no dia do nosso batismo. Você está matriculado. Você está inscrito. Você é aluno de Deus. Que bom que a gente teve pais que nos levaram ao batismo. Não podemos agradecer o suficiente a Deus por isto. Se existe algo grandioso na vida é o momento do nosso batismo. É a primeira lição de vida que recebemos, a primeira pregação, a primeira mensagem. Antes de sermos qualquer aluno, qualquer funcionário, sou 38 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

um filho de Deus. É bom dizer, especialmente aos jovens, que um dia se vão ir daqui, que não se deixem estar, não relaxem neste aspecto. Batizem os vossos filhos. Outra coisa importante é dizer que para nós o céu também se abriu. O céu se rasgou. No dia do nosso batismo aconteceram coisas bonitas no céu. Lá está agora o nosso nome para sempre. Em Apocalipse nós lemos: Não tirarei o nome dessas pessoas do Livro da Vida. Eu declararei abertamente, na presença do meu Pai e dos seus anjos, que elas pertencem a mim. Isto é consolador. Eu te chamei pelo teu nome. João batista andou no deserto pregando, enfatizando o batismo. Arrependimento. Mudança na vida. E o povo respondia e se deixava batizar. Seus nomes eram inscritos no céu. A importância do batismo está que a partir dele somos objeto do amor de Deus. Somos filhos amados, filhos abençoados pelo favor de Deus. Quando Felipe foi enviado por Deus a um certo funcionário público, a primeira coisa que pediu foi para ser batizado. E Felipe perguntou: Você crê em Deus? Sim eu creio respondeu. Ele é um Filho amado de Deus. Ele estava matriculado na escola de Deus. Eu te chamei pelo teu nome. Tu és meu Filho amado. Segundo Paulo o batismo é o lavar regenerador e renovador. Gera novamente. Nascer de novo. Afogar o velho homem e faz nascer o novo. Ele nos tira de uma situação e coloca noutra, diferentes. Restaura. Igualmente ele renova. Todos os


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dias. O batismo é algo que precisa estar sempre diante dos nossos olhos. Diante do pecado, da fé fraca, da angustia, da incerteza, ele é consolo, vida e salvação. Ele é poder. Ele é graça. Ele é vida. Ele é paz. Somos objeto do amor de Deus. Nada nos pode afastar do amor dele. Eu te chamei pelo teu nome. Eu tenho em você prazer. Eu tenho alegria em tè-lo como meu Filho. A escola tem o dever de tratar bem cada um dos seus alunos. A professora tem de dizer que gosta de todos eles. Deus também diz isto. Eu tenho prazer em vocês. Eu aposto em vocês. Tenho alegria em vocês. Ao sermos matriculados na escola, não se pode ter

idéia do tipo de aluno que se terá. Só ao longo do ano ou dos anos que as mudanças vão acontecer. Assim na vida de todos nós poderemos obter mudanças na medida em que nós permanecermos nos caminhos de Deus. Não basta estar matriculado, é preciso participar. É preciso frequentar. A Igreja é a escola de Deus. O batismo nos faz participar. Deus espera que os seus alunos na Comunidade Cristo, São Lucas, e São Mateus sejam bons e excelentes alunos neste ano de 2012. Que Deus possa dizer: Estes são meus filhos amados. Neles tenho prazer. Amém.

Rev. Ilmo Riewe — Gramado-RS, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 39


Rev. Jacson Junior Ollmann

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Batismo do Senhor / 1º Domingo após Epifania - C 8 de Janeiro de 2012

Você vale muito para Deus Texto Base: Is 43.1-7 Salmo do Dia: Salmo 29 Antigo Testamento: Isaías 43.1-7 Epístola Romanos 6.1-11 Evangelho do Dia Lucas 3.15-22 Destaque: “Para libertar você, entrego nações inteiras como o preço do resgate, pois para mim você vale muito. Você é o povo que eu amo, um povo que merece muita honra.” (Isaías 43:4) 1. Introdução: Querido irmão e irmã na fé em Jesus, quanto você vale para Deus? Aos olhos do Senhor, qual é o seu valor? A grande maioria de vocês deve ter vivido a experiência de um amor não correspondido. Quem ama faz tudo por amor à pessoa amada, tudo! Dizem que por amor, fazemos loucuras. 2. Desenvolvimento: Deus revela o pecado do povo. No texto de Isaías, vemos Deus demonstrando seu amor pelo povo de Israel. Na verdade, um amor não correspondido, pois Israel estava afastado de Deus, mergulhado em pecados. E agora? Israel quebrou a aliança, desobedeceu, traiu... e agora? Deus poderia dizer a Israel: “Já que você quis assim, arque com as consequências.” Seria algo lógico a se fazer. Mas não para quem ama. Deus diz: Para mim, você vale muito! 2.1. Deus possibilita um novo início. a) Essa é a mensagem da Epifania que agora vivemos como Igreja Cristã: Deus manifesta seu amor eterno e incondicional pela humanidade. Mesmo que o amor de Deus não seja correspondido, Ele não desiste e continua afirmando: Para mim, você vale muito! O povo de Israel havia sido levado preso, longe da sua terra natal. Aquelas pessoas perderam não somente sua casa, sua terra, mas a relação, o vínculo com Deus. Toda a situação de intenso sofrimento e dor ajudou aquelas pessoas a esquecerem de Deus. Por incrível que pareça, esse é o “amor” que o povo de Israel prometeu a Deus. Na verdade, um amor não correspondido, pouco duradouro, um amor meramente humano e instável. Quando alguém se afasta da pessoa amada, o amor cai no esquecimento, esfria e a pessoa antes amada já não é tão importante. 40 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

No âmbito espiritual, em nossa relação com Deus, isso tudo gera surdez e cegueira espiritual. Esse é o amor inconsequente e não correspondido do povo de Deus. b) Epifania é a manifestação do amor de Deus, especialmente àqueles que não correspondem ao amor divino. Por isso, vemos no texto, Deus intervindo para que esse amor não se acabasse de uma vez. Deus teve que agir para que seu povo, a quem tanto amava, não fosse destruído em seus pecados. Nosso texto começa com Deus dizendo: Mas agora... essas palavras indicam uma mudança no rumo da conversa. O povo atravessa a profundidade do pecado e o afastamento de Deus e literalmente se afogava no pecado. Mas Deus disse: Quando você atravessar águas profundas, eu estarei ao seu lado, e você não se afogará. (Is 43.2a) As pessoas sentiam as chamas do inferno queimando, consumindo sua esperança, alegria e toda sua vida. Mas Deus disse: Quando passar pelo meio do fogo, as chamas não o queimarão. (Is 43.2b) Deus disse: Não tenha medo, pois eu o salvarei; eu o chamei pelo seu nome, e você é meu. (v.1) Deus disse: Eu estarei ao seu lado! Não tenha medo, pois eu estou com você. (v.2a,5) Para mim, você vale muito! c) A leitura da epístola nos traz uma palavra muito importante. Uma palavra que seria muito útil para aquele povo de Israel. Palavra que vale a pena refletirmos: Portanto, o que vamos dizer? Será que devemos continuar vivendo no pecado para que a graça de Deus aumente ainda mais? (Rm 6.1) Como responder ao amor de Deus? Ele manifestou seu amor por toda a humanidade em Jesus Cristo. Por amor, Deus fez a loucura de dar a vida do seu Filho, seu único e amado Filho Jesus. Ele chama a cada um de nós no evangelho e nos trouxe para dentro da sua família no Batismo. As mesmas palavras ditas a Jesus são para nós quando o Espírito Santo nos vem no Batismo: Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria. (Lc 3.22) Amado irmão e irmã na fé, para Deus você vale muito! 2.2. Um recomeço precioso.


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a) Vemos no texto de Isaías que Deus oferece nações inteiras como preço do resgate. Ação semelhante Deus fez ao entregar Jesus Cristo para nos resgatar do pecado no qual nos afogávamos. Éramos prisioneiros do pecado e satanás nos mantinha no fogo do inferno até que Deus pagou o nosso resgate. Esse amor de Deus por nós não permanece em segredo. Amor secreto não é amor, mas o sentimento de dois amantes que traem a pessoa amada. Deus manifesta, dá provas, comprova e vive imensamente seu amor por cada um de nós. Por que? Porque para Deus, cada um de nós vale muito! Como responder a esse amor de Deus? b) O Batismo é um novo e precioso recomeço para nós. No Batismo fomos unidos novamente com esse Deus que nos conhece e chama pelo nome – somos preciosos para Ele. Só chamava pelo nome quem exercia autoridade, quem era senhor. Deus nos chama pelo nome desde o Batismo porque Ele pagou o preço do nosso resgate e exerce amorosa autoridade sobre nós, é o nosso Senhor e Salvador. Como nos diz em Romanos: Pois sabemos que a nossa velha natureza pecadora já foi morta com Cristo na cruz a fim de que o nosso eu pecador fosse morto, e assim não sejamos mais escravos do pecado. (6.6) Pertencemos a Deus e Ele não esconde seu amor, pois para Ele, somos muito valiosos. Você se sente amado por Deus? Você se sente envolvido nesse amor eterno? O amor de Deus não se baseia na reciprocidade. Sim, para nos amar Deus não espera pelo nosso amor, Ele simplesmente nos ama e comete loucuras por nós. c) No Batismo, nós fomos enxertados no coração de Deus. Recebemos dele a vida por meio da sua Palavra que vivifica e alimenta. Jesus nos acompanha e nos convida a cear com Ele na Santa Ceia, porque somos valiosos para Deus e Ele não quer nos ver passando necessidades, fome e sede espirituais. Não tenha medo, disse Deus! Não tenha medo do castigo, porque nEle há perdão. Passamos do medo para a confiança; da morte para a vida nos braços do Deus que tanto nos ama e nos valoriza. 3. Conclusão: Vida preciosa com Deus. Com tantas notícias de enchentes, deslizamentos, tragédias, mortes, assaltos... o que vamos compartilhar nesse período de Epifania? O que temos para contar? Que experiências temos para compartilhar com as outras pessoas?

Vamos compartilhar as experiências da vida com Deus. Por que? Porque para Ele, nós valemos muito! Você é valioso para Deus. Você é digno de honra e glória. Deus derrama sobre a sua Igreja a honra e a glória de Cristo nos meios da graça. Por meio da fé que recebemos, que professamos e compartilhamos, tomamos posse dessas bênçãos que Deus nos oferece. Na caminhada para a salvação eterna ou para a Terra Prometida, muitos desafios e dificuldades existirão. Tentações e momentos de desânimos. Talvez até queiramos desistir de tudo e voltar para trás, para o pecado que nos aprisionava. Isso faz parte, são as águas profundas que teremos de atravessar, é o fogo por meio do qual teremos que passar. Mas a promessa é: Não tenha medo, pois eu estou com você. (v.5) Pois para mim, você vale muito. E Deus nos acompanha na Palavra que nos orienta como andar ou agir, para onde ir. Ele nos prepara e fortalece na Santa Ceia para que nos momentos de aflição, saibamos que somos acompanhados por Ele. Não precisamos ter medo porque fazemos parte da família de Deus a partir do Batismo. Fomos enxertados nEle e agora, somos muito valiosos. Não esqueça disso: Para Deus, você vale muito. Não deixe de responder ao amor de Deus. Não deixe de compartilhar as experiências da sua preciosa vida com Deus. Como tarefa de casa, especialmente nesse tempo de Epifania, seja um instrumento nas mãos de Deus. Fale e manifeste o amor verdadeiro que Deus tem para com todos nós. Pois para Ele, somos muito valiosos. Amém.

Rev. Jacson Junior Ollmann — Florianópolis-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 41


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Rev. Leandro Daniel Hübner

2º Domingo após Epifania - B 15 de Janeiro de 2012

Venham ver e ouvir! Texto Base: 1Sm 3.1-10; Jo 1.43-51 Salmo do Dia: Salmo 139.1-10 Antigo Testamento: 1º Samuel 3.1-10(11-20) Epístola 1º Coríntios 6.12-20 Evangelho do Dia João 1.43-51 Estimados irmãos e irmãs no Salvador Jesus. “Vamos dar aquela espiadinha básica!” Neste mês começa mais uma edição do programa BBB, em que somos convidados a espiar durante alguns meses a vida de um grupo de pessoas fechadas numa casa, onde disputam um prêmio milionário (e outros menores, como carros). O apresentador costuma chamar os participantes de “heróis”, como se estivessem passando um grande sacrifício lá dentro. Na verdade, em minha opinião eles passam verdadeiras férias, com muita festa, diversão, conforto, boa comida, piscina, descanso, algumas tarefas (nada heroicas) e, é claro, muita apelação sexual. Somos convidados a ver e ouvir o que fazem e, quem quiser, pode gastar dinheiro ligando e votando para ir tirando um a um da casa “mais observada do Brasil”. Em nosso mundo é isso o que a maioria das pessoas quer ver e ouvir: gente bonita e sem roupa, intrigas e trapaças, diversão e apelo sexual. Se o grupo tivesse que disputar o prêmio vivendo num campo de refugiados na Somália, África, por exemplo, onde falta água, comida, remédio e quase tudo para se viver, será que as pessoas ficariam com a TV ligada para assistir? Acho que não... Venham ver e ouvir! Nossos textos bíblicos de hoje também falam de ver e ouvir. Samuel, um menino que vivia no templo de Deus com o sacerdote Eli, é chamado por Deus e responde, dizendo: Fala, pois o teu servo está escutando. Felipe, chamado por Jesus para segui-lo, vai e convida seu amigo Natanael para conhecer Jesus. Quando Natanael duvida que Jesus possa ser o Salvador prometido, Filipe lhe diz: Venha ver! Deus chamou Samuel e outros profetas. Jesus chamou Filipe, André, Pedro, Tiago e muitos outros. Foram chamados a ver e ouvir a Palavra do Senhor, palavra de salvação em Cristo Jesus, morto e ressuscitado 42 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

por todos nós. Eles viram e ouviram. Seguiram a Jesus e então levaram seu Evangelho de salvação a muitas outras pessoas. Hoje, Deus chama eu e você. O mundo também nos chama, nos convida a ver e ouvir o que ele nos oferece, como no BBB, por exemplo. Quem nós vemos? A quem nós ouvimos? Num mundo com tanto para se ver e ouvir, com tantas vozes tentadoras e tantos apelos agradáveis aos olhos, quem você tem visto e ouvido no seu dia a dia? A voz de Deus consegue espaço para ser ouvida na sua casa, família e na sua vida pessoal? Você consegue ver Jesus, ou Ele é apenas como um comercial de TV, que passa rápido, de vez em quando e quase não damos bola? Ou talvez é como o programa “Fantástico” ou “Domingo Legal”, isto é, só o vemos nos domingos? Deus nos chama e convida: venham ver e ouvir, venham ver e ouvir a salvação que eu ofereço de graça! Não é preciso disputa-la com outros, não é preciso cumprir tarefas ou fazer votação. Basta apenas ouvir a voz amorosa de Deus e lhe responder: fala, pois o teu servo está escutando. Deus está chamando você a ver e ouvir, meu irmão e irmã. Em cada leitura da Bíblia, em cada devoção do Castelo Forte ou 5 Minutos com Jesus, em cada sermão ou estudo bíblico com a Palavra de Deus, Ele quer falar a você, orientar, consolar, ajudar e fortalecer na fé que salva, a fé em Cristo. Ver e ouvir o mundo pode ser tentador e até prazeroso, mas leva ao afastamento de Deus, como diz o apóstolo João: Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus, o Pai (1Jo 2.15). E isso leva à condenação eterna. Ver e ouvir a voz de Deus pode trazer dificuldades e espinhos à nossa vida, como vemos na vida dos profetas, dos apóstolos e do próprio Jesus. Mas ver, ouvir e seguir a Jesus é a única maneira de sermos salvos e levados aos braços do Pai, sobre quem o salmista diz hoje: LER Sl 139.9-10. Quem vê e ouve Jesus e crê nele como seu Salvador, tem a promessa do próprio Cristo no evangelho de


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hoje: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem ( Jo 1.51). Então, vamos dar aquela espiadinha básica? Não, não no BBB. Vamos dar uma espiada no céu, quando recebemos a Palavra e Santa Ceia, que são amostras da felicidade eterna que nos aguarda lá, onde de fato haverá só alegria, sem disputas nem apelação. La no céu sim, estaremos numa casa perfeita, que Jesus prepara para nós, onde vamos passar “férias” perfeitas e eternas com nosso verdadeiro herói, o herói da salvação – Jesus!

Venham ver e ouvir Jesus! E enquanto fazemos isso, vamos ser cada um de nós um Filipe na vida das pessoas ao nosso redor, convidando-as a ver e ouvir Jesus, para que elas também recebam o grande prêmio da salvação eterna. Venham ver e ouvir Jesus. Ele está de olho em todos nós com todo o seu amor, 24 horas por dia e eternamente! Amém.

Rev. Leandro Daniel Hübner — Rio Branco-AC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 43


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Rev. Leandro Daniel Hübner

3º Domingo após Epifania - B 22 de Janeiro de 2012

Deus nos chama a pescar gente Texto Base: Mc 1.14-20 Salmo do Dia: Salmo 62 Antigo Testamento: Jonas 3.1-5, 10 Epístola 1º Coríntios 7.29-31(32-35) Evangelho do Dia Marcos 1.14-20 Queridos Estimados irmãos e irmãs no Salvador Jesus. Neste mês de janeiro nossa presidente Dilma convidou várias pessoas para recompor seu ministério de governo. No fim deste ano teremos eleições municipais e muita gente será chamada para trabalhar nas campanhas, e os vencedores vão depois chamar e convidar pessoas a fazer parte de suas equipes de trabalho. Nós também já fomos convidados ou chamados em vários momentos de nossa vida, às vezes para coisas boas, como um casamento, aniversário ou batizado, ou para um cargo ou função melhor em nosso trabalho, e às vezes para coisas não tão agradáveis, como um enterro, um trabalho na hora de folga, para um hospital ver alguém acidentado ou doente, etc. A Bíblia também tem várias situações de convites e chamados. Não de políticos, mas de Deus, o Criador e Rei supremo. Deus chamou líderes como Abraão, Noé, Moisés, Samuel; chamou profetas como Isaías, Jeremias, Oséias e Jonas; chamou discípulos e apóstolos como Pedro, João, Mateus, Paulo e outros. Deus chamou todos eles para uma missão, que ao final tinha sempre o mesmo objetivo, tanto no AT como no NT: pescar gente, isto é, salvar pessoas da condenação eterna. Hoje Deus ainda chama pessoas para pescar gente — Deus nos chama para pescar gente. E qual a nossa resposta? Nos textos de hoje temos dois chamados de Deus que nos ajudam a avaliar como estamos respondendo ao chamado do Senhor em nossas vidas. Na leitura do AT Deus chama Jonas para pregar sua Palavra em Nínive, uma cidade inimiga do povo de Deus. Jonas vai, prega e o povo se arrepende. Só que isso só aconteceu na 2ª vez que Deus chamou Jonas. Na 1ª vez o profeta não apenas recusou o chamado de Deus, como ainda fugiu num navio que ia na dire44 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

ção oposta de Nínive. Só depois de ser jogado no mar e engolido por um grande peixe é que Jonas lembrou-se de Deus e, chamado pelo 2ª vez, aceitou sua missão. No evangelho Jesus está iniciando sua missão, pregando o arrependimento e fé no Evangelho do Reino de Deus. Andando na praia do lago da Galiléia, Jesus viu e chamou 4 homens: Simão, André, Tiago e João. Vemos que a resposta deles foi imediata: Simão e André largaram logo as redes e foram com Jesus; Tiago e João deixaram Zebedeu, seu pai, e os empregados no barco e foram com ele. Hoje, Deus nos chama a pescar gente. Qual a nossa resposta? Assim como chamou Jonas e os discípulos, Deus também nos chama. Ele chamou cada um de nós em nosso batismo, quando fomos chamados da escuridão para sua maravilhosa luz, da morte para a vida que temos em união com Cristo, como dizem Pedro e Paulo. E desde o batismo até hoje, Deus nos chama a viver diariamente essa nova vida, dizendo a cada um de nós: “Venham comigo e eu ensinarei vocês a pescar gente”. E qual é a nossa resposta ao chamado de Deus? Se cada um de nós examinar a fundo sua vida, com sinceridade e humildade, vamos descobrir que muitas vezes a nossa resposta ao chamado de Deus pode ter sido assim: —Eu não vou. Afinal, de que adianta levar a Palavra de Deus para essa gente ruim e cabeça dura de hoje em dia, que não querem saber de nada? — Foi assim que pensou Jonas quando Deus o chamou — ele não queria assumir compromisso! —Eu até posso aceitar, mas tenho algumas condições que quero colocar primeiro. — Esta resposta é como a de muitos políticos, que não querem deixar de lado certas coisas para aceitar um cargo. Não é assim que fazemos muitas vezes — dizemos que aceitamos o chamado de Deus, mas nos enchemos de condições e desculpas: “não tenho tempo, não posso assumir compromissos, não tenho dinheiro ou recursos, vou ver se os outros vão fazer primeiro, estou muito cansado para me envolver com coisas da igreja, não sei fazer nada”, ou, “aceito, mas não misturo igreja


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e fé com meus negócios, meu trabalho, minhas amizades, minhas escolhas de diversões e vida particular...” Ou quantas vezes dizemos “sim” para Deus com a boca (por ex., na confissão de pecados e antes da Santa Ceia), mas na prática dizemos “não” com nossas atitudes, comportamento e maus exemplos; enfim, nossa vida muitas vezes não mostra aos outros que somos seguidores de Jesus, pessoas diferentes e pescadores de gente! Às vezes em vez de atrair os peixes — as pessoas — a Jesus, nós os espantamos e afastamos com nossas palavras e atitudes... Deus nos chama a pescar gente. Que resposta damos? A resposta dos discípulos foi radical e corajosa — eles deixaram tudo para seguir Jesus: as redes, o barco e a família! Ele não ficaram em cima do muro, não foram superficiais em sua resposta e atitudes, não fugiram ao chamado de Jesus. E nós, meus irmãos? Nossa resposta ao chamado de Deus também pode ser radical e profunda. E isto não quer dizer que Deus exige que nós abandonemos nosso trabalho e família e nos tornemos todos pastores, diaconisas ou freiras ou missionários ambulantes! Você pode ser um bom pescador de gente. E na verdade é para isso que Cristo chama a cada um de nós através da fé que recebemos no batismo e que é fundamentada em nós na Palavra e Santa Ceia. O segredo está em duas coisas que os discípulos fizeram: largar as redes e seguir Jesus. Responda ao chamado de Deus largando as redes, isto é, não ficando de longe ou apenas observando Jesus, mas bem de perto, andando ao seu lado dia a dia, através do estudo da Palavra, da comunhão com Ele e da oração. Responda ao chamado no lugar e na situação em que você está — como pai ou mãe, filho ou filha, patrão ou empregado, pobre, rico ou classe média, com diploma ou sem muito estudo, como jovem, velho ou criança, enfim, onde e

como Deus colocou você. Responda ao chamado de Deus seguindo Jesus como fizeram os discípulos: com total confiança de que aquele que os chamou e os guiava sabia o que era melhor, conhecia o melhor caminho e tinha o melhor objetivo para as suas vidas. Deus nos chama a pescar gente. Qual a nossa resposta? A nossa resposta radical, profunda, comprometida e que agrada a Deus não depende, e ainda bem!, das nossas próprias forças. Lembrem-se de que é Jesus quem diz: venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente! É Ele mesmo que nos leva ao arrependimento e nos faz crer no Evangelho e também é Ele, que nos dá a missão, quem também nos dá as forças, a capacidade, os dons, os recursos e a vontade de segui-lo, de aprender dele e assim pescar gente para a salvação eterna, como nos diz Paulo em Fp 2.13: Deus está sempre agindo em vocês para que obedeçam à vontade dele, tanto no pensamento como nas ações. Que a nossa resposta ao chamado de Deus seja verdadeira, alegre e profunda, motivada pelo amor de Jesus a nós, para que, fundamentados na fé, possamos dizer com o salmista de hoje: Somente em Deus eu encontro paz; é dele que vem a minha salvação. A minha salvação e a minha honra dependem de Deus; ele é a minha rocha poderosa e o meu abrigo (Sl 62.1,7). Amém.

Rev. Leandro Daniel Hübner — Rio Branco-AC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 45


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Rev. Igor Marcelo Schreiber

4º Domingo após Epifania – B 29 de Janeiro de 2012

Autoridade, segurança, convicção e firmeza Texto Base: Dt 18.15-20 Salmo do Dia: Salmo 111 Antigo Testamento: Deuteronômio 18.15-20 Epístola 1º Coríntios 8.1-13 Evangelho do Dia Marcos 1.21-28 Autoridade, importância! Quem não gostaria de ser distinguido por uma dessas qualidades? Nós procuramos não só estar perto de pessoas importantes, que tem autoridade, mas queremos nós próprios sermos assim. Quem hoje é a pessoa mais importante no mundo? Será que é o mais rico? Ou o mais influente? Quem sabe o mais bonito? Muitos nomes famosos podem fazer parte dessa lista: O Líder mundial Barak Obama, O premio Nobel da paz, outros... Todos os seres humanos buscam a quem seguir... buscam autoridade, segurança, convicção e firmeza... o problema é onde encontrar e aonde buscam muitos... No texto de Dt 18.15-20 vemos Deus prometendo um profeta muito importante, o mais importante. Um profeta que viria do meio deles, ou seja, um israelita (15), que falaria em nome de Deus, com Palavras de Deus (18) teria conhecimento sobrenatural do futuro (22), sua mensagem seria conforme o que já tinha sido revelado por Deus (Dt.13) Está escrito: “Do meio deles escolherei para eles um profeta que será parecido com você. Darei a esse profeta a minha mensagem, e ele dirá ao povo tudo que eu ordenar”. (18) De acordo com Lutero: Essa é uma passagem principal em todo o livro e uma expressa profecia de Cristo com o novo mestre. A promessa messiânica se cumpriu em Jesus. Estamos no Quarto Domingo da Epifania, época em que vemos o importante profeta prometido por Deus, Cristo sendo anunciado a todo o mundo. “A autoridade do recém nascido abrange toda humanidade. Jesus é apresentado ao mundo pagão para mostrar que o Menino veio para a sal46 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

vação não só dos judeus, mas de todas as pessoas. Os magos, estes homens experimentados e sábios se prostram diante daquele Menino e, num ato de fé, reconhecem seu senhorio e sua autoridade. Expressaram tal reconhecimento no simbolismo dos presentes dados ao Salvador: Com a mirra, reconheceram nele homem sofredor; sua realeza, manifestada no ouro e a sua Divindade, manifestada pelo incenso.” P. Ervino Schmidt No evangelho de hoje vemos mais uma vez o cumprimento da promessa feita em Deuteronomio 18. Jesus ensinando com autoridade. Ele não se apoiou em outros profetas para ensinar, como faziam os mestres da lei, ele ensinou com sua própria autoridade. Ainda a confirmou com seus atos, fazendo calar-se o Demônio e o expulsando. As pessoas se admiraram com a novidade da pregação de Cristo. Mas será que realmente era algo novo pregado pro Jesus? Na realidade não. Era algo tão antigo quanto a queda do homem em pecado, mas tinha se deixado de lado ou esquecido, por isso parecia ser algo novo, quando na realidade não era. Jesus pregou a salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo. Jesus é a autoridade a quem devemos seguir e, seguindo sua pregação chegaremos a autoridade, segurança, convicção e a firmeza que tanto procuramos. Onde você tem procurado a liderança para sua vida? “em nossos dias, por desejo de obter saúde, alcançar felicidade, ou por simples curiosidade não poucos cristãos se entregam práticas de astrologia, espiritismo, umbanda e outras mistificações. Este texto de deuteronômio (18) ganha uma renovada atualidade. Deus já fez conhecer a sua vontade nos mandamentos. Por meio de Jesus Cristo, que ensinava com autoridade (Mc 1.27) traçou o caminho da felicidade nas bem aventuranças do Evangelho. A mensagem de Cristo é sempre de novo atuali-


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zada pelos legítimos pastores e pregadores de sua igreja. É na vontade de Deus assim expressa que o cristão deverá buscar as orientações para sua vida, e não nos falsos tipos de profetismo.” L. Garmus, O.F.M (Petrópolis, RJ) Amados irmãos, o Salmo de hoje diz: “Na reunião do povo eu louvarei a Deus, o Senhor, como todo o meu coração, junto com os que lhe obedecem!” (Sl 111.1) Hoje, em nossas reuniões de Povo de Deus (cultos, noites de oração, estudos bíblicos, etc.) queremos, com

todo nosso coração, louvar a Jesus nosso Deus. Deus que tem autoridade tanto para condenar aos que não crêem e cumprem seus mandamentos quanto para dar a salvação a todos quantos crêem nele. Vamos, acompanhados pelo amor de Deus e, tendo a certeza que Cristo tem autoridade para nos dar força (Fp 4.13) realizar nossa missão como igreja e como cristãos individualmente. A nossa maior missão enquanto estamos neste mundo é essa: fazer Jesus ser famoso, e ser seguido por muitos, para que muitos sejam salvos. Amém.

Rev. Igor Marcelo Schreiber — Uruguaiana-RS, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil..

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Rev. Valdecir Jair Much

5º Domingo após Epifania - A 5 de Fevereiro de 2012

Somos salvos pela sabedoria de Deus Texto Base: 1Co 2.1-12 Salmo do Dia: Salmo 112.1-9 Antigo Testamento: Isaías 58.3-9a Epístola 1º Coríntios 2.1-12(13-16) Evangelho do Dia Mateus 5.13-20 Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador. Aproximadamente 2% da população mundial é considerada superdotada, tendo assim um QI acima da média, sendo considerado uma pessoa de grande inteligência. Temos exemplos de superdotados que tem um conhecimento ainda maior. Crianças que com 2 anos de idade já falavam como adultos. Outro exemplo de uma criança de 2 anos que ouviu uma música num restaurante, quando chegou em casa, sentou no piano e tocou a música sem errar uma só vez. São pessoas de grande inteligência. Porém, mesmo com tanta inteligência, com tanta capacidade de raciocínio, ainda existe uma sabedoria muito maior, que é a sabedoria de Deus, revelada a nós na Escritura Sagrada. Essa sabedoria vai além do entendimento, além da capacidade de compreensão humana. A palavra de Deus diz: “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”. 1Co 1.25. Deus é mais do que superdotado, tem o maior QI de todos, na verdade Deus é a sabedoria como um todo. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. 1Co 2.9. Nenhum ser humano é capaz de conhecer a Deus completamente, pois vai além do nosso entendimento. Somente conhecemos Deus pela sua revelação a nós. Na verdade existem dois tipos de sabedoria. A sabedoria humana e a sabedoria divina. Ambas são importantes, porém tem funções diferentes em nossa vida e são distintas. A sabedoria humana tem um valor muito grande. É importante que essa sabedoria seja ressaltada e ela está ligada também a Deus que dota a cada um com habilidades diferentes. Como é importante o desenvol48 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

vimento da medicina, médicos que são considerados verdadeiros gênios. Técnicas que ajudam as pessoas, que salvam vidas. A tecnologia como facilita a vida das pessoas, como ajuda em muito na medicina, na educação, no desenvolvimento humano. A sabedoria do ser humano deve ser usada para o benefício do ser humano. Porém, sabemos que grandes descobertas cientificas, de pessoas com grande sabedoria foram e são usadas para prejudicar as pessoas. Por isso precisamos ver quem é verdadeiramente sábio. Quem é sábio hoje? Aquele que é esperto, que consegue as coisas, que se dá bem na vida, que consegue o prêmio nobel da paz. Sábio é aquele que faz muito dinheiro! Descobre a cura de uma doença! A palavra diz: “...se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura para Deus”. 1Co 3.18. O problema hoje é que a sabedoria está se tornando um fim em si mesmo. Ela é considerada suficiente para a vida do ser humano. Dentro da sua sabedoria o ser humano está encostando Deus de lado. Deus diz, para aquele que pensa ser muito sábio, que precisa deixar a sabedoria do mundo para ser sábio em relação a Deus. Assim nós vemos que muitos pensam que a fé é resultado da sabedoria e do conhecimento. Na verdade, o conhecimento a respeito de Deus, a fé, são resultados da sabedoria de Deus em nossa vida. A fé não se apóia em sabedoria — a fé não é fruto da nossa sabedoria — a fé é dom de Deus — “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. Ef 2.8. A sabedoria humana não leva ao conhecimento de Deus. Nenhum ser humano, por mais superdotado que seja vai conhecer a Deus por sua própria inteligência. A sabedoria humana não revela Deus. A sabedoria humana até tem a capacidade de saber que existe um Deus, mas essa sabedoria vai revelar um Deus que julga, condena, e não o Deus do amor que é anunciado e revelado a nós pela Sabedoria de Deus em sua palavra. Você é sábio? Para responder essa pergunta usamos o exemplo Bíblico de Salomão. Salomão diante de um


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grande desafio que era reinar todo o Reino de Israel, pediu a Deus sabedoria e Deus o fez. Concedeu sabedoria a Salomão. “Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar”. 1Rs 4.29. Salomão tinha uma sabedoria além de todos. Sabedoria para escrever, sabedoria para construir. Edificou o Templo. Toda a sua sabedoria o fez adquirir muitos bens, mulheres e acabou caindo na idolatria. Salomão não soube usar a Sabedoria que Deus lhe havia revelado e dado. A sabedoria do mundo foi colocada acima da sabedoria revelada para a Salvação. Salomão abandonou a Deus, construiu santuários a falsos deuses e a ira de Deus veio sobre Salomão. Qual a sabedoria que está dominando a sua vida? A sabedoria divina ou a sabedoria humana falha e pecadora. Deus revela a sua sabedoria a nós. Diz a palavra: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito”. Ou seja, “Mas foi a nós que Deus, por meio do Espírito, revelou o seu segredo”. 1Co 2.10. Deus na sua sabedoria revela a nós o segredo da Salvação e do seu amor por meio do Espírito Santo. Deus na sua sabedoria chama cada um de nós para a Salvação. Deus na sua sabedoria envia o seu filho Jesus para morrer por nós. Aquilo que é loucura para o mundo, é sabedoria para nós. É salvação. Não se deixe iludir pela sabedoria do mundo achando que não precisa da sabedoria de Deus. Essa é a sabedoria “que nenhum dos poderosos deste século conheceu”. 1Co 2.8. A mensagem da cruz é loucura para a sabedoria humana, pois qual, por mais sábio que seja, iria entregar o seu filho para morrer por outras pessoas? Deus na sua sabedoria entrega Jesus, o Seu Filho, para morrer por nós e garantir assim a vida que não termina. Essa sabedoria Deus concede a nós por meio do seu Espírito Santo. “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente”. 1Co 2.12. Deus envia o seu Filho Jesus para pagar o preço da nossa salvação. Deus nos escolheu. Deus revelou a sua sabedoria a nós. Tudo o que sabemos, acreditamos e o que vamos her-

dar nós devemos a sabedoria de Deus. Pessoas sábias falam da sabedoria de Deus. A mãe e avó de Timóteo falaram das sagradas letras desde a infância. Paulo não falou do seu conhecimento da Palavra do seu testemunho de vida, mas falou de Cristo para as pessoas. Para a maioria de nós, se não todos nós, podemos ser gratos a Deus que revelou a sua sabedoria a nós por meio de fieis avós, pais, irmãos, tios que fizeram com que a sabedoria de Deus fosse revelada a nós pelo Espírito Santo, por meio da palavra. Pessoas fieis que falaram de Jesus para nós. Essa é a nossa responsabilidade, mostrar a sabedoria de Deus ao mundo. Nos mundo existem os superdotados. Nós talvez não sejamos superdotados no conhecimento humano, nas ciências, na música, na matemática, mas podemos ser superdotados do conhecimento, da sabedoria de Deus, pois Deus não se cansa de nos revelar a sua sabedoria por meio da palavra. A sabedoria de Deus transforma a nossa vida, pois essa sabedoria nos mostra o que os olhos não viram, nos fala o que os ouvidos não ouviram, faz penetrar em nosso coração aquilo que não havia sido revelado, e mostra para nós aquilo que Deus tem preparado porque ele nos ama. Essa é a sabedoria de Deus que nos salva. Amém.

Rev. Valdecir Jair Much — Catanduvas-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

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Rev. Waldyr Hoffmann

6º Domingo após Epifania – B 12 de Fevereiro de 2012

Todos ficaram sabendo da notícia Texto Base: Mc 1.40-45 Salmo do Dia: Salmo 30 Antigo Testamento: 2º Reis 5.1-14 Epístola 1º Coríntios 10.19-11.1 Evangelho do Dia Marcos 1.40-45

1. Há um motivo — situação de cura 2. Há uma consequência — testemunho Estamos acostumados a ver os jornais, as noticias, sejam elas televisivas, online (internet) ou escrita (jornais e revistas). Algumas nos chamam a atenção; outras apenas olhamos por alto. Umas nos atraem; outras não são interessantes. Desta forma nos informamos e ficamos por dentro do que está acontecendo. Antigamente elas vinham especialmente pelas ondas do rádio; hoje as percebemos simultaneamente. É a comunicação que faz a sua história a fim de que todos sejam informados dos acontecimentos. Mas, quais são aos efeitos em nós quando tomamos conhecimento das coisas? Há aqueles que permanecem apáticos como se nada tivesse acontecendo. Outros, porém, ficam antenados, divulgando para os amigos ou parentes, ou seja, partilham da informação. E você? Quais são suas atitudes após receber as notícias? Especialmente a maior notícia de todas: sua salvação eterna. Queremos refletir um pouco sobre este tema. Toda noticia tem um motivo. As reportagens são escritas ou motivadas a partir do motivo que levou a elas. Ex.: um acidente gera noticia; um show gera noticia; um problema de falta d água ou chuva são motivos para noticiais. No evangelho de hoje a cura do leproso foi o motivo da noticia. Imediatamente toda àquela região sabia do ocorrido. Aquele que fora curado se encarregou doe repassar a quem encontrava a respeito do que lhe aconteceu. Era um leproso. Agora está curado por causa da ação de Jesus. Diante daquela maravilha ele não conseguiu ficar calado, guardar em segredo, umas ele abriu a boca e todos ficaram sabendo da noticia. A ação de Jesus em sua vida foi o motivo da noticia. E era para ser uma grande noticia mesmo. Se fosse nos dias atuais imaginamos as manchetes nos jornais. 50 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

Reportagens, correspondentes do mundo inteiro averiguando sobre o assunto. A lepra era considerada doença contagiosa. O indivíduo era retirado do seu convívio social. As famílias sofriam muito. Ainda, a própria religião considerava o leproso um imundo, impuro, ou seja, eram pessoas renegadas da sociedade. Com aquele leproso não era diferente. É exatamente neste contexto que Jesus entra em cena: É sensível àquela necessidade. Teve compaixão daquele individuo renegado pela sociedade e o cura, restabelecendo por completo sua saúde. Ele o reintegra à sociedade, à família. Foi tremendamente importante para aquele rapaz. A presença de Jesus no lugar certo e na hora certa faz toda a diferença. Assim ele continua lidando conosco. Diariamente temos o conhecimento do seu amor por nós. Cremos que sua ação em nós e por nós é contínua. Como seres humanos somos miseráveis pecadores e estamos envolvidos numa série de coisas erradas. Construímos, inclusive, nossa desintegração na sociedade. Somos muitas vezes, egoístas, materialistas e carregamos em nós outro tipo de lepra, também muito contagiosas, a nossa natureza pecaminosa. Precisamos da cura espiritual, de sermos reintegrados novamente à fé crista, à igreja crista. E isto só é possível quando acreditamos na obra de Jesus por nós, na cruz. Ele já nos salvou de todos os pecados. Deu-nos uma nova chance e este é um motivo para uma grande noticia. Ah! Pastor, isso já sei. Não é novidade. Entretanto podemos conhecer pessoas que não sabem disso e que ninguém que já lhe tenha dito. Grandes coisas o Senhor faz diariamente conosco. Ex.: Seu vizinho sabe que você foi promovido (abençoado); ou que tem um novo carro (benção material), que você estava doente (ou algum amigo seu) e que agora está bem? Então, estas são bênçãos, grandes notícias para todos. A nossa tarefa, portanto é tornar conhecido de todos estas grandes noticias, e em especial a maior de todas, a nossa salvação em Cristo Jesus. Partimos de um motivo. Este nós temos. A consequência é o testemunho. Falar da nossa fé, do quanto


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temos sido abençoados. Isso faz a diferença para os outros. Desta forma a igreja primitiva foi crescendo. Muita gente queria ouvir a respeito de Jesus. Talvez estejamos tão habituados (de braços cruzados) que não nos inspiramos a testemunhar de nossa fé cristã, inclusive começando entre nós mesmos. Semana após semana nos alimentamos da Palavra e Deus. Fortalecemos a nossa fé. Temos boas notícias dão reino para partilhar. Vamos testemunhar! Cotamos com a ajuda de Deus. Amém.

Rev. Waldyr Hoffmann — Joinville-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, co-editor desta Revista.

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Rev. David Karnopp

6º Domingo após Epifania – B 12 de Fevereiro de 2012

Jesus nos mostra a sua compaixão Texto Base: Mc 1.40-45 Salmo do Dia: Salmo 30 Antigo Testamento: 2º Reis 5.1-14 Epístola 1º Coríntios 10.19-11.1 Evangelho do Dia Marcos 1.40-45 Os versículos anteriores aos do nosso texto mostram que Jesus havia saído secretamente de Cafarnaum. Lá ele tinha expulsado o demônio de um homem e curado a sogra de Pedro. A notícia se espalhou rapidamente e na mesma noite uma multidão se colocou na frente da casa de Pedro esperando curas e milagres. No dia seguinte, bem cedo, uma nova multidão se formou diante da casa de Pedro. Mas Jesus tinha levantado de madrugada e ido para um lugar solitário no deserto. Ele estava evitando aqueles que o procuravam apenas para verem resolvidos seus dilemas pessoais. Jesus tinha vindo para um propósito bem maior do que ser apenas um mero solucionador de problemas humanos. Diz o texto que ele foi por toda Galiléia. Galiléia era uma região maior, da qual Cafarnaum fazia parte. A sua fama já havia se espalhado por toda região. Por onde passava, já havia gente esperando por ele. No caminho um homem leproso aproximou-se de Jesus e disse: “Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser” V.40. Nos tempos do ministério terreno de Jesus a lepra, além de altamente contagiosa, era difícil de curar. E o pior, era progressiva. Os leprosos tinham que ficar fora da cidade, em lugares isolados e longe das pessoas. Seu destino era morrer na solidão. O tipo mais comum na época era aquela que causava feridas na pele. Hoje a lepra é conhecida também por outros sintomas. Também é conhecida por “hanseníase” em homenagem ao médico norueguês Gerhard Hansen, que descobriu o bacilo da lepra e descreveu a doença. O leproso do nosso texto sentia na pele o drama da lepra. Ele apenas via diante de si um destino cruel. Para sua esperança e felicidade o Senhor Jesus estava agora passando pelo seu território solitário. E num gesto de humildade se ajoelha diante de Jesus (V. 40). Ele já tinha compreendido que o verdadeiro propósito de Jesus não era o de ser médico do corpo. Mas também 52 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

já sabia do coração amoroso do Senhor e de que o Senhor podia curá-lo. E Jesus, deixou seu coração falar e estendeu-lhe a mão, o tocou e lhe disse: “Sim! Eu quero. Você está curado” V. 41. Agora ele estava curado. Era um homem feliz, renovado, livre da doença que, de outra forma, dificilmente teria cura. Qual seria sua atitude de vida a partir de agora? O que ele deveria fazer depois de curado? Jesus recomendou que ele não falasse nada para ninguém sobre a sua cura. Mas por que não falar de uma coisa boa? É que Jesus não queria ser visto como um curandeiro ou um milagreiro. Ele veio para ser o Salvador e queria ser conhecido como tal. Mas diz o V. 45 que este homem deu com a língua nos dentes. Por causa deste falatório, Jesus teve de ficar fora das cidades, porque as pessoas vieram procurá-lo por objetivos que não eram para os quais ele realmente tinha vindo. Podemos até compreender a situação do curado, da sua alegria de estar curado. O problema é que nos falatórios foi enfatizado o milagre, e não o autor do milagre. A função de Jesus foi desvirtuada. As pessoas vinham em multidões para resolverem seus problemas de doença. Não viam nele o prometido Salvador do mundo. Notícias mal divulgadas podem ser mal interpretadas. Falar aquilo que não pode ser falado, gera confusões. Se hoje muitas pessoas procuram o Jesus curandeiro, o milagreiro e não o Jesus Salvador certamente porque foi lhes dada a mensagem errada sobre a missão de Jesus. É certo que todos podem trazer para Jesus seus problemas, suas doenças, seus dilemas. E podem ter certeza de sempre encontrar em Jesus um coração acolhedor. Mas, lembremos que, lá em Cafarnaum, nem todos foram curados. Da mesma forma, a igreja não tem solução para todos os nossos problemas. A função da igreja não é exatamente resolver problemas. A igreja tem a função de falar da causa, da origem de todos os problemas, que é o pecado e que o pecado é a doença que nos afasta de Deus. E a igreja também tem a função de falar de que, em Jesus Cristo, está a cura para a doença do pecado. Assim, a resposta e a solução que todos


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mais precisam, estas a igreja sempre tem. Por isso, o propósito para o qual Jesus realmente veio, não pode ser desvirtuado. Seu ministério e sua obra não podem ser enfatizados de modo errado. Quando as igrejas de hoje lotam por pessoas que simplesmente vem buscar a solução dos problemas físicos, sem buscar o Jesus Salvador a função de Jesus está sendo desvirtuada. O Jesus Salvador do pecado é colocado de lado e no lugar é procurado o suposto Cristo da prosperidade, da cura. Jesus quer que a ênfase esteja no lugar certo. Ele quer que falemos daquilo que ele fez em nosso coração.

Que pelo perdão gratuito ele nos deu nova vida. Ele não quer que divulguemos qualquer coisa que ajunte multidões, mas não levam nada de edificação na graça. E a mensagem mais importante a ser divulgada é que ele é o Cristo para todos. É o Senhor que se compadece do pecador arrependido e confiante, oferecendo-lhe cura para a pior de todas as doenças, o pecado. Jesus continua manifestando verdadeiro amor e compaixão para com todos. Amém.

Rev. David Karnopp — Vacaria-RS, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, co-editor desta Revista.

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Rev. Jacson Junior Ollmann

Transfiguração do Senhor / Último Domingo após Epifania - A 19 de Fevereiro de 2012

Em Cristo, o céu está aberto para nós Texto Base: Mt 17.1-9 Salmo do Dia: Salmo 2.6-12 Antigo Testamento: Êxodo 24.8-18 Epístola 2º Pedro 1.16-21 Evangelho do Dia Mateus 17.1-9 1. Introdução: Testemunhas são importantes em muitos casos. Quando homem e mulher se casam, precisa de testemunhas. No Batismo, as testemunhas também são requeridas. Quando acontece um acidente no trânsito ou um crime, as testemunhas podem ser peças-chave para se chegar à conclusão dos casos. 2. Desenvolvimento: 2.1. Ver Jesus e sua glória a) No texto do evangelho de hoje, Jesus chamou três dos seus discípulos para serem testemunhas de algo importante. A crucificação de Jesus estava se aproximando e os três discípulos seriam preparados para este acontecimento, pois seriam testemunhas de Jesus. O que aconteceu naquele monte não foi uma visão sobrenatural, mas de fato eles viram Jesus mudar de aparência, ser transfigurado. Suas vestes ficaram brancas, mais do que qualquer alvejante poderia deixar e o rosto de Jesus ficou brilhante como o sol. Jesus não estava recebendo luz e brilho, mas isso tudo era dEle próprio, sinais da sua santidade. Assim como no texto do Antigo Testamento, a nuvem aparece aqui como sinal da presença de Deus. A voz que veio da nuvem, afirmou: “Este é meu filho querido, que me dá muita alegria. Ouçam o que Ele diz.” (v.5) b) As testemunhas foram importantes nessa ocasião, não somente os três discípulos, mas a presença de Moisés e Elias que serviu para testemunhar que o Antigo Testamento apontava para esse Jesus que estava ali: Ele é o Salvador prometido. Moisés era o representante da Lei, pois foi com ele que Deus conversou no meio da nuvem, no monte Sinai, para dar as duas tábuas contendo os Dez Mandamentos. Elias é representante dos profetas, cujas mensagens apontavam para a promessa da salvação. Isso quer dizer que Cristo é o centro de toda a pregação desde os tempos antigos. Deus quis mostrar que 54 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

a Lei e os Profetas estavam apontando para o mesmo Jesus, o salvador da humanidade. Por isso, Deus afirmou: “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” (Mt 17) Pedro, Tiago e João não sabiam direito o porquê dessa visão, mas depois da ressurreição de Jesus, tudo seria compreendido. c) A visão e o sentimento antecipado de se estar no céu, na presença de Jesus, Moisés e Elias eram tão bons que Pedro disse: Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias. (Mt 17.4) Os discípulos foram testemunhas e o desejo era de morar ali mesmo. 2.2. Ouvir Jesus na Palavra a) Amados, Deus faz uso dos nossos sentidos para mostrar o seu plano salvador. Os discípulos viram, conversaram com Jesus e ouviram a voz de Deus: “Escutem o que Ele diz.” (v.4b) Vale ressaltar a importância de colocarmos nossos sentidos em submissão a Deus. Nossos olhos precisam ver Deus. Nossos ouvidos precisam escutar o que Ele diz. Nossa boca precisa falar a respeito. Mas, onde podemos ver a Deus senão nos Sacramentos? Nossos olhos precisam focar além dos olhos físicos, precisam aprofundar para os olhos espirituais, os olhos da fé para que de fato, possamos ver e compreender como Deus age no Batismo e na Santa Ceia. Onde escutar Jesus senão na Palavra? Temos Palavra nos cultos, nos estudos em grupos, cursos e nas devoções em casa. Meus irmãos e irmãs, em Cristo o céu é aberto para nós. Não podemos deixar de ver, de escutar e de falar do que temos visto e ouvido, pois somos testemunhas disso. b) Nessa ocasião em que Jesus foi transfigurado, vemos que Deus foca Cristo como o centro da fé e da salvação, a imagem da santidade divina. Este é meu Filho querido! O ser humano busca meios próprios de estar em paz com Deus. Fazemos coisas para tentar agradar a Deus, como Pedro: Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o


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senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias. (Mt 17.4) Tentamos buscar a aprovação de Deus pela nossa aparente bondade e obediência aos mandamentos. A presença de Moisés naquele momento em que Jesus foi transfigurado, prova que a Lei de Deus aponta para a solução em Cristo, não na bondade humana ou no cumprimento da Lei. Tanto que Deus interrompeu a fala de Pedro para dizer: “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” (Mt 17) Existe o perigo de acreditarmos em profecias e ensinamentos que não estão de acordo com a vontade de Deus. Orientam ações aparentemente alegres e descentes, mas que conduzem direto ao inferno. Deus quer manter nossos olhos e ouvidos espirituais atentos. Vejam que, após terem ouvido Deus dizer: “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” Os discípulos ficaram com tanto medo, que se ajoelharam e encostaram o rosto no chão. Jesus veio, tocou neles e disse: — Levantem-se e não tenham medo! Então eles olharam em volta e não viram ninguém, a não ser Jesus. (v.6-8) Diante da nossa cegueira espiritual e fraqueza, só Jesus permanece porque Ele é o centro, o foco, o próprio Salvador. Jesus permanece porque Ele vem ao encontro do pecador caído e com medo, para tocar com seu perdão e dizer: Levante-se e não tenha medo! c) Em Cristo, o céu permanece aberto para nós e temos acesso ao seu perdão. O céu fechado é a maior desgraça, pois a pessoa fica sozinha, à mercê de satanás que como um leão que ruge, procura alguém para devorar. (1Pe 5.8) Mas o Bom Pastor Jesus mantém o céu aberto para que Deus olhe para nós e diga: Tu és o meu filho querido! Tu és a minha filha querida! 3. Conclusão: Servir Jesus no Reino

É importante lembrar que acima de toda e qualquer testemunha está a Palavra de Deus. Ela é, por assim dizer, a testemunha das testemunhas, pois nela está escrito a vontade de Deus, cujo centro é Cristo. “Este é meu Filho querido, que me dá muita alegria. Escutem o que Ele diz.” (v.5) O mesmo apóstolo Pedro disse na epístola de hoje: Vocês fazem bem em prestar atenção nessa mensagem. (2Pe 1.19) Como é bom estarmos aqui, Senhor! – podemos acompanhar essas palavras de Pedro. No Batismo, na Palavra e na Santa Ceia, estamos próximos a Jesus e do seu perdão. Na Igreja, nos cultos, temos a oportunidade de estar, antecipadamente no céu, na presença do nosso Salvador Jesus. Não precisamos subir um monte para estar mais perto de Deus. Jesus subiu o monte chamado Calvário para lá ser crucificado e morto em nosso lugar, a fim de que fôssemos feitos filhos de Deus, mediante a fé nEle. Importa que inclinemos nossos olhos um pouquinho para observar que na cruz, Jesus abriu o céu para nós. Por isso, Deus afirmou: “Este é meu filho querido, que me dá muita alegria.” (v.5) A alegria de Deus é porque Jesus garantiu a nossa salvação. Mas é importante que desçamos o monte com Jesus para testemunhar nossa fé. É bom estarmos na presença de Jesus, melhor é agir em nome de Jesus, para que o céu aberto seja visto pelas pessoas. Para que reconheçam Cristo como Salvador e ouçam o que Ele diz na Palavra. E assim, outros poderão juntar-se conosco no exército de testemunhas que proclamam o céu aberto por meio de Jesus. Assim, permaneceremos em Cristo e ouviremos constantemente a afirmação de Deus: “Este é meu filho querido, que me dá muita alegria.” Alegria pelo perdão e a salvação testemunhados por nós. Amém.

Rev. Jacson Junior Ollmann — Florianópolis-SC, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

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Rev. Jarbas Hoffimann

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Quarta-Feira de Cinzas - A 22 de Fevereiro de 2012

Quaresma é tempo de refletir Texto Base: Mt 6.1-6,16-21 Salmo do Dia: Salmo 51.1-13(14-19) Antigo Testamento: Joel 2.12-19 Epístola 2Co 5.20b-6.10 Evangelho do Dia Mateus 6.1-6,16-21 Queridos irmãos e irmãs em Jesus Cristo. Hoje começamos o período de Quaresma. É um período de 40 dias até o Domingo de Ramos, que inicia a Semana Santa. É o período que recordamos o grande sofrimento de Jesus até sua morte... Muita gente se pergunta: “porque se marca a Quaresma logo depois do Carnaval?” Na verdade é justamente o contrário: o Carnaval é marcado antes do início da Quaresma. Não se pode generalizar todas as festas que hoje são chamadas de Carnaval, mas a ideia original por traz do Carnaval é: O Carnaval é “uma festa repleta de orgias e fantasias grotescas que originou-se no Egito e foi trazida para Roma na época do Império. Batizada de carnevale, que significa ‘despedida da carne’, consistia em aproveitar ao máximo os dias que antecediam a Quaresma e, após o início desta, não se permitiam mais manifestações de alegria. O carnevale homenageava Momo, o deus grego da zombaria e do sarcasmo.” Conforme publicado em Mensageiro Luterano. A ideia original é aproveitar ao máximo pra pecar bastante, porque o período de Quaresma é um período de tristeza e de sacrifício. E muitas pessoas agem desta forma: obedecem aos anúncios que dizem: use preservativo, esquecem de que Deus ordenou: não cometerás adultério. Passam dias atrás da folia, mas não “Santificam o dia do Senhor”. Adoram a Momo e suas orgias e esquecem que Deus disse: “Eu sou o Senhor teu Deus, não terás nem adorarás outros deuses.” Bebem até cair e levantam pra beber novamente, esquecendo que matando o corpo estão desobedecendo ao “Não matarás”. E assim se pensa “aproveita a vida”. Passada a folia... Hora de voltar pra casa cheio de dívidas, talvez com doenças mortais, talvez com a família desfeita... É hora também de lembrar que a vida deveria 56 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

continuar... Daí a Quaresma seria o momento pra pedir perdão por todos os pecados cometidos... Mas só até o próximo Carnaval. É claro! Queridos irmãos... A Quaresma é sim um momento todo especial de reflexão sobre o sofrimento do Salvador, mas ela não me dá o direito de pecar conscientemente, pensando em pedir perdão depois. A Quaresma é o momento de reconhecer as falhas na vida cristã e procurar corrigir. Melhorando a cada dia. É o momento de buscar ser fiel a Jesus Cristo em Palavras e obras e é hora se dedicar mais à oração e à Palavra de Deus. Porém Jesus alerta: “Tenham o cuidado de não praticarem os seus deveres religiosos em público a fim de serem vistos pelos outros.” Nós não vivemos a Quaresma pra mostrar pros outros. Vivemos com a intenção de honrar o Senhor com nossa vida, com nosso tempo, com nossos dons e talentos. Honramos o Senhor com tudo que somos e temos. Isto é Quaresma. No restante do texto de Mt, Jesus faz ainda várias orientações práticas para a Quaresma: “Quando você der alguma coisa a uma pessoa necessitada, não fique contando o que fez, como os hipócritas fazem nas sinagogas e nas ruas.” Não que você precise ajudar aos outros em segredo, mas a ajuda ao próximo é algo natural ao cristão e não algo para aparecer, como fazem canais de TV de nosso país. Ou algumas igrejas que fazem propaganda na TV dizendo: “A Igreja que ajuda o Brasil”. Jesus diz: “Eles fazem isso para serem elogiados pelos outros. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa.” Se alguém tiver que te elogiar, este será o Senhor, no dia da sua vinda final. Não os seres humanos... Sobre a oração Jesus disse: “Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos outros.” O Cristão não ora para aparecer, mas fala com Deus, porque Deus escuta, responde e atende. Nesta


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certeza podemos orar em qualquer lugar, tanto em público como em segredo. E Deus saberá atender. O texto de Mateus também fala de Jejum. O Jejum era uma lei dos judeus, mas ele não é nem ordenado, nem proibido aos cristãos. Os primeiros cristãos tinham seus dias de jejum. E nós podemos ter também. O Catecismo Menor sugere que antes de participar da Ceia deveríamos jejuar. Mas é apenas uma sugestão. Se vocês quiserem honrar o Senhor abstendo-se de comida, lembrem que o importante não é a comida e sim a atitude do cristão que agrada a Deus. O dia de jejum deve ser dedicado ao Senhor e deve ser um dia de oração e meditação na sua Palavra. Não para aparecer aos outros, mas para se aproximar de Deus pela oração, meditação e tentar lembrar como foi o sofrimento de Jesus. O jejum por si só não vale nada e desagrada a Deus. Mas se for um período de oração, agradará ao Senhor. Quaresma é também o tempo de refletir sobre minhas ofertas de bens, dons e talentos à obra do Senhor. E Jesus nos alerta: “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Pelo contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e roubá-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.” Jesus lembra que as bênçãos materiais devem ser usadas para o bem da igreja, do próximo e para nosso próprio bem. Se as estamos usando apenas para nós, estamos falhando. Pensem em quanta coisa mais a Igreja poderia fazer se todos os membros fossem fiéis ofertantes... Deus não nos tem deixado faltar nada, mas nós esquece-mos de agradecer com as ofertas. Com ofertas sinceras poderíamos ajudar mais ao próximo... Poderíamos ter mais pastores trabalhando para liderar o povo na missão... Poderíamos abrir mais Igrejas... Só pra citar algumas coisas.

Enfim, irmãos... Quaresma é período para refletir sobre como anda nossa vida cristã... Mudar o que está errado e melhorar o que já está no bom caminho do Senhor. O Salvador Jesus Cristo sofreu o inimaginável, para que você tenha a vida eterna. Ele abençoará tudo que você fizer para a honra e glória dele. É este o sentido de viver a Quaresma. Creia no Senhor Jesus e você será salvo. Amém. E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7) Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista.

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Rev. Jarbas Hoffimann

1º Domingo na Quaresma - B 26 de Fevereiro de 2012

Arrependa-se e creia no Evangelho Texto Base: Mc 1.9-15 Salmo do Dia: Salmo 25.1-10 Antigo Testamento: Gênesis 22.1-18 Epístola Tiago 1.12-18 Evangelho do Dia Marcos 1.9-15 Queridos irmãos em Jesus Cristo. Estamos no período da Quaresma. Muita gente nem mesmo sabe o que é a Quaresma ou o que ela significa de fato. A Quaresma surgiu assim: No primeiro século era um período de 40 horas. Para lembrar as 40 horas em que o corpo de Cristo esteve na sepultura. O período terminava com o culto Pascal às 3 horas do domingo. No 3º século, soma-se mais 6 dias às 40 horas. Então surge a Semana Santa. Que era um período de abstinência logo depois da Páscoa. No 4º século, a Semana Santa foi antecipada à Páscoa. E neste período se observava cada dia com culto referente a lugares significativos da paixão de Cristo. Domingo: entrada em Jerusalém. Segunda: purificação do templo. Terça: discurso no Monte das Oliveiras. Quarta: Judas prepara a traição. Quinta: Ceia Pascal. Sexta: Calvário e Sábado: sepultura fechada. No 5º século, já se comemorava não 6, mas 36 dias, era 10% dos 365 dias do ano. No ano de 731 foram acrescentados mais 4 dias, completan-do os 40 dias, que lembram o tempo que durou: a tentação de Cristo no deserto; o jejum de Moisés no Monte Sinai; o jejum de Elias a caminho do monte Gade e o número de anos de Israel no deserto. Os domingos não são parte do período. Por isso, fala-se em domingo na quaresma e, não, da Quaresma. Até 1099, o primeiro dia da Quaresma era chamado de “Início da Quaresma”. Então o papa Urbano II o chamou de “Quarta-feira de Cinzas”. Era um dia especial de arrependimento simbolizado pela cinza. Os sacerdotes espalhavam cinzas sobre a cabeça dos fiéis e diziam: “Lembre-se de que você é pó e ao pó tornará.” As cinzas eram preparadas com as folhas que tinham sido espalhadas na semana anterior, lem58 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

brando o Domingo de Ramos. Mais tarde, algumas igrejas abandonaram o costume das cinzas para enfatizar a alegria e não a tristeza. Por fim, o dia que hoje conhecemos por carnaval, na Europa era marcado como um dia de despedir-se da fartura de comida, pois começaria o período de abstinências. Talvez seja essa a razão por que muitos ainda chamam a terça-feira antes da quarta-feira de cinzas de “Terça-feira Gorda”. É bom conhecer esta história. Mas agora deixemos a história de lado e vamos falar do evangelho de hoje. Que é a história da Salvação. Evangelho de Marcos, capítulo 9, versículos 9 a 15. No evangelho Jesus aparece primeiramente sendo batizado. Nesse batismo ele é reconhecido, pelo próprio Deus, como seu filho. O Pai diz: “Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria.” (v. 11). Em seguida Jesus vai ao deserto e é tentado por 40 dias. Lucas e Mateus contam como foi difícil o jejum e as tentações que Jesus passou. Mas ele não fraquejou. Não se exaltou, nem cedeu aos ataques de Satanás. Muito pelo contrário, sempre respondia usando a Palavra de Deus, lembrando ao diabo que o mais importante era fazer a vontade de Deus. Depois da tentação Jesus começa o seu trabalho na Galileia. Diz o evangelho: “Depois que João foi preso, Jesus seguiu para a região da Galiléia e ali anunciava a boa notícia que vem de Deus. Ele dizia: — Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evange-lho.” (vv. 14-15). Agora estava tudo claro. Jesus veio para anunciar o Reino de Deus. Chamando os pecadores ao arrependimento. Esta é também uma das ênfase do período de Quaresma: “Arrependam-se e creiam no evangelho”. Aliás esta é uma ênfase do testemunho cristão: “arrependa-se e creia no evangelho”. A vida cristã passa pelo arrependimento. Pois todos nascemos pecadores. Como bem lembra o Salmo 14.3: “todos se desviaram do caminho certo e são igualmente


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corruptos. Não há mais ninguém que faça o bem, não há nem mesmo uma só pessoa.” Não há justificativas. Enquanto não reconhecemos que somos pecadores, o evangelho ainda não achou campo fértil para florescer em nós. E estamos condenados. A este respeito fala João, em sua primeira carta: “Se dizemos que não temos pecado, estamos nos enganando, e não há verdade em nós. Mas, se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é correto: ele perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda maldade. Se dizemos que não temos cometido pecados, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua mensagem não está em nós.” (1Jo 1.8-10) Jesus veio anunciando: “Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho.” Esta não é uma mensagem para os outros. É uma mensagem para todos. Para os de Cristo e para os outros. A mensagem aos incrédulos é: Se vocês não se aproximarem de Jesus, serão condenados, mas se crerem em Cristo, serão salvos. E a voz de Jesus ecoa: “Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho.” Porque o Senhor está à procura dos pecadores, para os salvar.

Para os que já são de Cristo, este período é uma lembrança que enquanto estamos no mundo ainda somos pecadores. Mas o pecado já foi derrotado. A salvação foi completada por Jesus Cristo ao morrer na cruz e ressuscitar no terceiro dia. Este é um período especial para meditar sobre o sofrimento do Salvador por nós. Sobre quão preciosos somos para Deus, a ponto de dar seu filho por nós. Jesus se entregou à morte para que nós tenhamos perdão, vida eterna e salvação. Esta mensagem é para mim e para você. Mas é também uma mensagem para todos. Pois Deus quer salvar a todos. Vivamos a Quaresma, não com a tristeza da derrota, mas com a certeza da vitória. Pois Cristo venceu por nós. E todos aqueles que creem no Salvador têm o perdão dos pecados e a vida eterna. Amém. E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7) Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista.

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Rev. Fernando E. Graffunder

Belas paisagens, chuva e seca Artigo

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m todos os estados brasileiros existem belas paisagens. Os turistas ficam encantados com montanhas, planícies, praias, campos e lavouras. Para dar um toque magistral, não podem faltar o sol, algumas nuvens e o azul do céu. Tudo é contemplado com admiração e nos faz pensar no criador destas maravilhas. “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas.” Salmo 104.24. Para contrastar com as belas paisagens estamos vendo cenas terríveis causadas pelo excesso de chuva e até, pela falta dela. No primeiro caso, vidas são ceifadas, casas são destruídas pela água e pelo deslizamento de terra. A seca também causa enormes prejuízos aos agricultores e poderá trazer desconforto aos que vivem nos grandes centros. Ainda descrevendo as criaturas de Deus, o salmista diz: “Todos esperam de ti (Senhor) que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultares o teu rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem, e voltam ao seu pó.” Salmo 104. 27-30. Porque Deus esconde o seu rosto? Por qual motivo o Criador deixa de contemplar as suas criatu-

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ras? Quando acontece a desobediência. Deus não tolera o pecado. Ama o pecador e quer salvá-lo da condenação eterna mediante a fé em Cristo. Mas, com a desobediência o ser humano atrai a ira de Deus. O que fazer? Obedecer a Deus. Ele não está sendo respeitado. Quantas pessoas você conhece que de fato seguem a vontade de Deus? Quantas pessoas você conhece que buscam a orientação de Deus para as suas atitudes? Ir a uma igreja, em si, nada resolve. Quer dizer que todas as pessoas que sofrem com a chuva ou com a seca estão sendo castigadas por Deus? Não necessariamente, porque os fiéis a Deus também são atingidos. A verdade é que não podemos descartar esta possibilidade. Tanto as belas paisagens quanto a agonia das mesmas apontam para o Deus Criador. Mas somente por meio das Escrituras Sagradas podemos conhecê-lo de fato. A fé doada por Deus faz aceitá-lo e compreendê-lo. Além da obediência que traz benefícios, também precisamos orar. Precisamos interceder junto ao Pai Celestial em nossas necessidades e aguardar para que a sua vontade aconteça. Queira Deus nos conceder belas paisagens com chuva e sol na medida certa. Rev. Fernando Emílio Graffunder é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Pelotas-RS


Santo Cristo e o Carnaval Rev. Marcos Schmidt

A

fuga da realidade segue por outros aspectos da vida humana, não só no profano, também no religioso. Se o reinado do momo é a festa da carne, tem a festa do espírito que procura em vão a mesma coisa: anular a dureza das desventuras terrenas. Em vão, porque usa um “santo Daime” — chá com poderes alucinógenos — oferecido num cenário fantasiado com promessas que entorpecem a mente e o coração. Este “carnaval” tem nome e endereço, um espetáculo da glória que esconde a cruz nos bastidores e mantém o sofrimento humano fora das passarelas. Doenças, pobreza, miséria, dor? Isto foi anulado em nome de Jesus –—pregam eles. Puro analgésico que mascara a real enfermidade. Entre fantasias e adereços, neste Domingo do

Artigo

Carnaval1 os cristãos celebraram a Transfiguração do Senhor (Mateus 17). Num retiro, três discípulos puderam ver o trailer da glória celestial onde uma luz intensa resplandeceu do corpo de Jesus. Não eram efeitos especiais. Era a realidade do esplendor celestial. Deslumbrado, Pedro quis armar barracas e ficar ali mesmo. Esqueceu que precisava descer do monte, pegar a sua cruz e voltar para o vale da sombra e da morte. É preciso descer e ter os pés no chão. Como? Para os enlutados das 27 vítimas de Santo Cristo2, só mesmo Cristo, o Santo. Até o Carnaval foi suspenso nesta cidade, pois a morte não usa máscaras. Restou apenas a quarta-feira de cinzas. Mas o que este Cristo pode fazer? Pedro, em outro episódio, depois que muitos seguidores abandonaram Jesus porque os milagres haviam cessado e restava apenas a cruz — foi enfático: “Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão a vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou” (João 6.68-69). Na marchinha de Carnaval “Pastorinhas”, Noel Rosa cantava que “a estrela d’alva no céu desponta”, para depois lamentar “meu coração não se cansa de sempre, sempre te amar”. Triste canção de um amor não correspondido num mundo cheio de desilusões. Por isto o hino do amor que sempre correponde e não ilude, amor daquele que disse: “Eu sou a brilhante estrela d’alva” (Apocalipse 22.16). Rev. Marcos Schmidt é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Novo Hamburgo-RS

1 Artigo publicado originalmente, em outros meios, pelo autor, em março de 2011. 2 Tragédia contemporânea ao artigo, na cidade de Santo Cristo-RS Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 61


Rev. Martinho Rennecke

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Uma comunida M

uitas igrejas hoje estão paradas ou estão até perdendo seus membros porque elas não encontram formas eficazes de se fazerem presente na vida de seu povo em momentos de sofrimento, de dor, de conflitos e de perdas. Pessoas que não experimentam a solidariedade da Igreja em situações cruciais de sua vida acabarão duvidando da capacidade desta mesma Igreja de ser solidária com elas. Participar da mesa do Senhor implica partilhar também do sofrimento daqueles com quem se comunga. Cuidar bem do outro faz bem a todos os membros. Igreja verdadeira é aquela igreja que é solidária, onde um consola o outro, caso contrário, não passa de farisaísmo, tão condenado pelo Senhor. O ex-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Dr. Gottfried Brakemeier, citando um pastor chinês, critica uma igreja somente de ativismo interno: “A igreja, em vez de crescer e se estabelecer, devido às muitas atividades não tem sido realmente promotora da fé, mas, no máximo, promotora da própria igreja. Nesse sentido, é uma mãe que tem filhos para depois comê-los”.1 O termo aconselhamento pastoral não se restringe à tarefa do pastor, apesar do adjetivo “pastoral”. É um direito e um dever de toda congregação a consolação e o questionamento mútuos, como se vê no tema do sacerdócio geral de todos os crentes. Ser comunidade terapêutica significa ser comunidade solidária em situações de crise pessoal, doença, perdas, dificuldades e relacionamento familiar ou nas crises características que acompanham a vida. Não há nada mais terapêutico do que relações humanas sadias. As pessoas devem ser capazes de se relacionarem com os outros, especialmente com os que sofrem. O aconselhamento e a ajuda devem levar as pessoas a se relacionarem de forma genuína. Este aconselhamento deve mediar algo do amor divino não só através da palavra falada, mas também através do gesto e da postura da pessoa; a palavra de Deus precisa ser encarnada.

1 Gottfried BRAKEMEIER, Mercado religioso e religião de mercado, p. 79. 62 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

Mútuo colóquio

Cada um é um ministro, é um dos temas que Kent R. Hunter, teólogo luterano, desenvolve no assunto do crescimento da igreja. Numa de suas citações fala da necessidade de mudanças estruturais na igreja para que os cristãos possam praticar seu chamado: O sacerdócio de todos os cristãos permanecerá um documento de papel até que as imagens comuns da igreja e suas estruturas institucionais sejam modificadas, para capacitar os membros da igreja como discípulos e missionários para colocarem em prática seu chamado cristão em todos os setores da vida e da sociedade.2 Em um de seus artigos sobre os leigos, Lothar Carlos Hoch, renomado teólogo luterano da área da Teologia Prática, faz referência à doutrina de Lutero sobre o sacerdócio geral dos crentes de que não existe instância humana com função mediadora entre Deus e o cristão, exceto o próprio Cristo e sua Palavra. Ali afirma que é negada a existência de uma instância de tutela da fé e de monopólio da interpretação da Escritura.3 Pesquisando o Novo Testamento é bem enfático: Não existe posição privilegiada, seja de poder, seja de monopólio da pregação, de qualquer membro do Corpo de Cristo em relação aos demais. (...) O NT não conhece um termo equivalente ao que hoje chamamos de ‘ministério’... O conceito fundamental na teologia paulina (...) é ‘carisma’.4 Georg Friedrich Vicedom, (*8.8.1903, Unterrimbach bei Burghaslach, Bayern, +13.10.1974, Neuendettelsau, Bayern), missionário luterano nas tribos de Nova Guiné (1929-1939), faz um comentário interessante sobre a questão do ministério descrito em 2º Coríntios 3-5. Ele entende que ministério é primeiro ministério da palavra de Deus e somente a partir desta função básica pode se dividir em ministérios segundo a finalidade. Só existe um único ministério que prega 2 Kent R. HUNTER, Fundamentos para o Crescimento da Igreja, p.59. 3 Lothar C. HOCH, O Ministério dos Leigos: Genealogia de um Atrofiamento, p.261. 4 Ibid., p. 258.


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ade terapêutica a reconciliação e que pode ser exercido pela Igreja de dois modos: primeiro por meio do sacerdócio geral dos cristãos e depois pelo envio de missionários.5 Na sua Exortação ao Sacramento, o reformador da Idade Média, Martinho Lutero defende que a Ceia seja “o mesmo e igual sacramento, tanto dos sacerdotes como dos leigos. E os sacerdotes não tenham nada de melhor nem de diferente nem a mais do sacramento que os leigos, assim como não tem batismo nem evangelho melhor, senão aquele que deles se recebe”.6 Lutero ressalta este aspecto da igualdade também nos Artigos de Esmalcalde, terceira parte, capítulo IV, onde fala do Evangelho, cita o ‘mutuum colloquium et consolationem fratrum’7 como uma maneira pela qual 5 Georg VICEDOM, A missão como obra de Deus : introdução à teologia da missão., p.114. 6 Martinho LUTERO, Exortação ao Sacramento do Corpo e Sangue do Nosso Senhor, p. 272,273. 7 Martinho LUTERO, Os Artigos de Esmalcalde, p. 332. “mútuo colóquio e consolação dos irmãos.”

Deus exuberantemente é rico em dar a sua graça. Se o mutuum colloquium é um veio de conhecer mais a Deus, então é um lugar do fazer teológico, onde leigos e pastores mutuamente se edificam e consolam e refletem teologicamente sobre a ação de Deus em suas vidas. Dentro do urgente e atual tema da necessidade de contextualização do evangelho, a teologia não pode estar limitada a alguma linguagem técnica e a uma cultura em particular. Para que isto aconteça, a tarefa teológica não pode ser considerada como tarefa de um setor da igreja, mas de toda comunidade cristã. O próprio Jesus escolheu seus seguidores, não da classe sacerdotal, mas entre leigos, quebrando assim com a tradição judaica. Howard J. Clinebell, conselheiro pastoral, falecido em 13 de abril 2005, criou em 1957, um centro de aconselhamento pastoral na Primeira Igreja Metodista Unida, em Pasadena, Califórnia, e em sua obra,

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também indica maior eficiência oriunda do trabalho dos leigos: “a evidência disponível indica que programas de treinamento leigos têm sido mais eficientes no que tange ao demonstrativo de mudança baseado em índices que medem mudança construtiva da pessoa auxiliada”.8 Esta eficiência comprovada tem como uma das suas causas o fato do leigo estar contextualizado e envolto nas situações mais diversas do mundo. Neste sentido a teologia cristã tem o seu valor, capacitando o leigo a viver o seu chamado, a sua vocação. É este ‘fazendo que se aprende’ que traz renovação na vida e na teologia da igreja através da prática dos leigos, do sacerdócio de todos os crentes. Esta prática se dá no dia-a-dia, no profano, nos conflitos, na história de cada um. Este conceito é novo, pois por muito tempo deu-se a influência do modo grego de ver a verdade, qual seja, adequação da mente à realidade, através do conhecimento, da teoria. Este modo sobrenaturalista de religião desembocou num desprezo do profano, no ignorar dos conflitos, insistindo na harmonia do mundo, numa ênfase na alma e na lei natural e não na realidade material e condição histórica. Por sua vez o modo judaico-cristão entende que a verdade reside na pessoa; para o homem bíblico, é verdadeiro quem dá o que promete, quem é fiel. É a prática o critério verificador da verdade. Neste contexto é preciso encontrar o sentido real da teologia, da vocação dos leigos e da tarefa dos clérigos, pois na função adequada de cada uma das partes se produzirá a caridade efetiva, a união e a solidariedade entre os homens. James A. Scherer, teólogo luterano, diz em uma de suas teses: “Precisamos estudar mais a questão de como o evangelho é compreendido em contextos culturais diferentes, aumentando assim nossa compreensão da riqueza da revelação de Deus”.9 É possível que os sinais da presença do reino do amor de Deus se manifestem nos outros em forma de linguagem diferente ou não-verbal, e que muitas vezes não são captados e nem reconhecidos pelas linguagens e culturas tradicionais. O Vaticano II também trouxe um sinal de luz verde que tem influenciado outras denominações, “O corpo de fiéis, como um todo, ungidos pelo Santo que são (1 João 2.20-27) não pode errar em matérias de crenças”.10 É onde o povo está que Deus está atuando e se revelando; o 8 Howard. J. CLINEBELL, Aconselhamento Pastoral : modelo centrado em libertação e crescimento, p. 386. 9 James A. SCHERER, Evangelho, Igreja e Reino, p. 177. 10 Apud Vilson SCHOLZ, A Igreja como Sacerdócio Real, p. 16. 64 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

sujeito da teologia é o crente que se debate por compreender sua fé e viver em contínua conversão. O encontro e o confronto das pessoas com Deus dá-se também através de relacionamentos e experiências; é na troca diária de suas histórias e visões de fé que cada um tem elucidada e fortalecida sua fé, e isto sempre em comunhão, mediante a Palavra. Nesta caminhada compartilhada, guiando e sendo guiado em resposta à ação do Reino de Deus, cada um é um mendigo dizendo ao outro onde encontrar o pão. Paulo Freire, cientista da educação no Brasil, em sua obra Pedagogia do Oprimido, ressalta este respeito e necessidade da integridade do outro: “esse diálogo não pode ser reduzido ao ato do ’depósito’ de idéias, (...) nem pode tornar-se simples troca de idéias a serem consumidas. (...) Tão pouco deve ele ser uma argumentação polêmica (...) com impo-


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sição de sua própria verdade”.11 Esta coleção de estórias irá se mostrar também suficientemente rica para abrir profundezas de sentido em meio aos fracassos e às perdas. Este é o grande papel dos leigos em uma comunidade terapêutica, este modo de traduzir a Palavra de Deus ao mundo de sua experiência, com a convicção de que a mensagem evangélica tem sentido para cada um em referência a sua situação atual. O conhecimento tem nestas bases outra estruturação, outro tipo de aprendizado. Trata-se duma via de conhecimento relacional, reflexiva e experimental e, combina assim o saber nascido da experiência vivida presente com o que era conhecido pelos cristãos até aqui, antes de cada indivíduo atual. Esta contextualização do evangelho, através da reflexão teológica a partir de dentro de uma situação histórica concreta, é o sustento da fé na sociedade com 11 Paulo FREIRE, Pedagogia do Oprimido, p. 93.

toda a problemática que a vida coloca. Freire apresenta um vívido resumo dos requisitos para esse tal diálogo: “(...) um profundo amor pelo mundo e pelos homens (...) humildade (...) intensa fé no homem (...) de criar e recriar (...) em mútua confiança. (...) O diálogo exige esperança ativa, mas não impaciente, (...) e, por último, (...) pensamento crítico”.12 Neste sentido Clinebell destaca uma das contribuições das mulheres na comunidade: “integrar o melhor de nossa tradição bíblica com as contribuições potencializadoras da espiritualidade feminista pode dar-nos uma teologia mais integral para o ministério e, em particular, para a terapêutica e o aconselhamento pastoral”.13 A ação pastoral era entendida como uma aplicação prática de uma teologia universalmente válida, dando primazia ao conhecimento. Hoje deve dar-se mais peso à ação, ao compromisso, onde as idéias devem ser avaliadas segundo seu efeito prático na vida das pessoas. Isto se dá especialmente na prática do aconselhamento pastoral que é uma síntese do que deveria acontecer diariamente entre as pessoas. Clinebell ainda afirma que “no aconselhamento, as verdades bíblicas são iluminadas ao serem aplicadas e testadas na arena das lutas e do crescimento humano”.14 Um relacionamento eficaz torna-se parte da encarnação contínua do Espírito de Deus criador, nas vidas das pessoas que sofrem e esperam. Pode-se concluir daí que não há prática ideal a ser repassada às gerações; há cristãos em prática, em ação que refletem teologicamente a partir da prática existente. Em seu artigo sobre Aconselhamento, Hoch vai mais além e diz: “o/a agente precisa morrer no seu saber poimênico antecedente e estar disposto à troca de saberes com aqueles junto aos quais pretende atuar”.15 Isto pode possibilitar que os sinais da presença de Deus nos outros possam ser identificados. O discernimento que emerge da vida de fé vivida das pessoas que não pertencem nem aos teólogos nem à hierarquia, tem sido freqüentemente esquecido como fonte de ensinamento. Por seu batismo, têm os fiéis o Espírito Santo a guiá-los. Clinebell sublinha este momento precioso assim: Reflexão teológica pelo grupo, pode ajudar seus integrantes a captar os aprendizados potencialmente disponíveis naqueles preciosos momentos em que 12 Ibid., p. 96,97. 13 Howard J. CLINEBELL, op.cit., p. 59. 14 Ibid., p. 47. 15 Lothar C. HOCH, Aconselhamento Pastoral e Libertação, p. 30. Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 65


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as verdades teologicamente implícitas, em todos relacionamentos íntimos, se tornam mais transparentes – momentos em que o tempo pára e se percebe que pisamos chão sagrado.16 Revendo os pressupostos desta prática teológica dos leigos vê-se que ela é hermenêutica, pois interpreta a realidade humana atual segundo a dinâmica da fé, à luz do evangelho. Ela também é confessional, pois toma a prática da comunidade cristã como ponto de partida para sua própria reflexão. De uma forma mais ampla, quanto mais encontros houver entre os próximos, mais aspectos de Deus poderão ser conhecidos. O Deus mascarado entre as pessoas irá se mostrando gradativamente. Para isto é necessário que as linguagens sejam dinâmicas, abertas e desprendidas para poderem captar as diferentes manifestações destes sinais. Cada cristão é um é o ponto de encontro entre Deus e o próximo. Especialmente em momentos de crise e fraqueza das pessoas, poderá haver encontros que despertam o potencial divino ali presente e gere forças para superar a situação, participando assim da missio Dei no mundo. Vicedom insiste com toda a ênfase que Deus habilita todo cristão para o testemunho e o orienta para professar sua fé: Se o sacerdócio geral tivesse sido praticado, o evangelho teria se difundido mais rapidamente entre os povos e às missões teriam sido poupados muitos problemas que surgiram com a penetração da descrença ocidental. A realização do sacerdócio geral traria consigo outra compreensão de missão e teria por conseqüência uma transformação da prática missionária, algo que se pretende alcançar hoje na missão através do serviço cristão dos leigos.17

sentidos para sua vida, através do aconchego do amor de Deus revelado e compartilhado pelo seu próximo. Nesta caminhada conjunta, guiando e sendo guiado em resposta à ação do Reino de Deus, cada um é um mendigo dizendo ao outro onde encontrar o pão. Podem surgir nestes encontros um despertamento, uma conscientização e uma verbalização do Cristo presente de formas distintas em ambos. Isto acontece através do mútuo colóquio e consolação fraterna.

Consolação fraterna

Nesta série de encontros, o Espírito do Deus criador se encarna nas mais diversas situações da vida. Neste encontro de culturas, linguagens, tradições, problemas e fraquezas, ambos se fortalecem e crescem na comunhão de um com o outro e com Deus. O cristão fortalece a sua fé através da prática do amor, e vê com seus próprios olhos o poder de Deus em ação, transformando vidas. A pessoa em crise que é auxiliada, também vê nesta série de encontros o renascimento dos fundamentos de seu ser; encontra novos significados e

A Igreja e o mundo fazem parte do mesmo barco, o Reino de Deus, e precisam buscar uma relação ampla e profunda. Respeitando a diversidade cultural e religiosa de cada um, a Igreja busca servir ao mundo em suas necessidades essenciais de solidariedade e comunhão. Questionando elementos de alienação no caminho da libertação do ser humano, busca levá-lo ao compromisso com a justiça, como diz Hoch no seu artigo A cura como tarefa do aconselhamento pastoral: “O aconselhamento pastoral curativo sempre há de exercer uma função crítica frente às injustiças sociais e às ideologias que as sustentam”.18 Desta forma o amor de Deus se faz presente, através da Igreja, que identifica a Sua presença em cada ser sofredor carente de realização, como sinal de que Deus quer a caridade e a complementaridade de um para com o outro. A Igreja é chamada a compartilhar do sofrimento de seu Mestre, expondo-se ao sofrimento do outro, sendo Cristo um para o outro, como diz S.Paulo aos Gálatas 6.2: “Ajudem uns aos outros e assim estarão obedecendo a lei de Cristo”. Normalmente um gesto fala mais que mil palavras. O aconselhamento deve descobrir com as pessoas, em diferentes situações de sua vida com crises e conflitos, o significado da liberdade cristã, cujo direito de viver e a auto-aceitação vem da graça de Deus. Deve ajudá-las para que vivam sua relação com Deus, consigo e com os outros de forma consciente e adulta. Neste sentido as pessoas precisam ser capacitadas para assumirem suas responsabilidades de cidadãos e que se engajem em favor da melhora das condições de vida de cada um. Hoch ressalta que “o termo terapêutico implica na consciência de sermos pessoas carentes: de relações humanas sig-

16 Howard J. CLINEBELL, op. cit., p. 400. 17 Georg F.VICEDOM, op. cit., p. 113.

18 Lothar C. HOCH, A cura como tarefa do aconselhamento pastoral, p. 25.

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nificativas, de atenção e afeto, de complementaridade”.19 Clinebell entende que isto implica que participar de uma comunidade terapêutica é participar da solidariedade nas mais diversas situações de crises do outro, sejam psicológicas, físicas ou espirituais. Sendo assim, o aconselhamento pastoral passa a ser uma forma reparadora de poimênica, que procura proporcionar superação às pessoas que sofrem de disfunção e quebrantamento induzido por uma crise.20 A poimênica passa a ser a práxis do evangelho na forma de auxílio aconselhador e curador para a vida, tendo como objetivo a libertação do homem da necessidade concreta de suas respectivas condições de vida em todas as dimensões de seu sofrimento. É aconselhar com informações importantes para a solução de problemas na vida atual e, com informações terapêuticas de como aprender a conhecer os lados escuros do próprio eu, aceitá-los e integrá-los. Aqui pode surgir também o momento oportuno para o testemunho ex19 Lothar C. HOCH, Comunidade Terapêutica, p. 28. 20 Howard J. CLINEBELL, op. cit., p. 43.

presso da graça, pois aí a pessoa está à disposição da outra; somente o falar ou o agir podem ser apenas considerados aspectos parciais da comunicação.

A visitação como meio terapêutico A igreja vai onde o povo está! Hoch em seu artigo Comunidade Solidária (Visitação) chama a atenção que a visitação é uma das marcas pelas quais se conhece o discípulo de Cristo. Lembrando os evangelhos diz que no grande julgamento haveremos de ser perguntados se damos de comer aos famintos, se vestimos os nus e se visitamos os enfermos e os presos. Cita Tiago que diz que a verdadeira religião consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações. Ele faz uma pergunta inquietante e importante: Como pode a Igreja se fazer presente na vida das pessoas e chegar mais perto delas quando enfrentam situações difíceis como doença, morte, luto, velhice, pobreza, problemas matrimoniais, alcoo-

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lismo, deficiência? Uma coisa está clara: ela não pode ficar esperando que as pessoas a procurem nessas horas. ... Jesus não centralizou sua ação no templo. Pelo contrário, se misturava no meio do povo e compartilhava do seu dia-a-dia. Desta forma Jesus toma conhecimento das pessoas e está próximo de sua doença e do seu sofrimento. Sua ação não está centralizada numa espécie de ‘paróquia’ como a temos hoje.21 A Igreja vai onde o povo está. Lutero quando citou Mateus 18.20 nos Artigos de Esmalcalde, destacou que uma das formas de servir é o diálogo mútuo e a consolação fraterna; a visitação é uma das formas em que essa solidariedade cristã se manifesta. As crises são oportunidades concretas de solidariedade e complementaridade, tanto de um como de outro. Ambos nestas ocasiões se defrontam com suas limitações e falências, que abrem caminho para uma nova desenvoltura ancorada no amor de Deus pelos povos e na esperança, encarnada em Cristo, de restauração e crescimento espiritual e humano. Portanto, é papel fundamental da igreja identificar estas ocasiões e de se fazer presente, para assim promover uma sociedade fraterna e unida, não em suas forças, mas especialmente em suas fraquezas. É fundamental a continuidade do aconselhamento, já que é iniciada a ajuda breve por pessoas não profissionais, como leigos de comunidade religiosa; torna-se importante a integração do indivíduo a um grupo de apoio ou comunidade terapêutica. Para o desenvolvimento da fé há necessidade da pessoa de recentralizar suas imagens de valor e poder, adotando um novo conjunto de estórias mestres em uma nova comunidade de interpretação e ação. Faz-se necessário que a pessoa receba ajuda pastoral de tal forma que possa se inserir numa comunidade maior; grande parte dos problemas das pessoas é de distúrbios das relações com o meio que a cerca. O objetivo passa a ser a integração do homem na comunidade como emancipação em relação à mesma. Nesta fase é fundamental um posicionamento crítico face às tradições herdadas, não arrancando o homem das algemas do seu eu e levando-o ao outro cativeiro do grupo. Dentro do grupo maior, Clinebell sugere que, se o pastor descobre dois ou mais com problemas comuns, 21 Lothar C. HOCH, Comunidade Solidária (Visitação), p. 7,3. 68 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

ele pode reuni-los para compartilhar o que aprenderam; quando alguém passa por crises semelhantes pode ser indicado a estes que já cresceram com uma crise.22 Há liderança leiga em potencial nas congregações que cresceram com a crise, e com certo assessoramento, aprendem habilidades e a liderar grupos de ajuda. Hoch em seu artigo Algumas considerações teológicas e práticas sobre a pastoral de aconselhamento, salienta que poimênica é a solidariedade dos fracos: É a solidariedade daqueles que partilham uma caminhada espinhosa, na certeza de que, ao estarem juntos a caminho, o Cristo está no meio deles como na história dos discípulos de Emaús (Lc 24)” e “Poimênica não significa trazer o outro ao estado de perfeição na qual eu me encontro, mas significa suportar a situação do outro, onde ele se encontra. Em certas circunstâncias, isto pode levar o pastor a emudecer e a não saber o que dizer.23 Esta situação pode se aplicar também ao leigo durante a visitação e as experiências tem demonstrado que, muitas vezes o visitador sai mais consolado em sua própria situação do que possa ter ajudado. Neste sentido Hoch ressalta que: o leigo não é ajudante do pastor e, sim, de Jesus Cristo. É Dele que vem o seu ministério. Faz parte da tarefa do pastor ajudar o leigo a executar este seu ministério. (...) Os leigos que se deixam tocar pela Palavra de Deus sabem que Deus vai suprindo suas deficiências e que vão crescendo na fé à 22 Howard J. CLINEBELL, op. cit., p. 390. 23 Lothar C. HOCH, Algumas considerações teológicas e práticas sobre a pastoral de aconselhamento, p.96.


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medida que vão servindo”. Mais adiante ressalta que “o objetivo último da visitação é a vida em comunhão, a fraternidade, o encontro em pequenos grupos e a celebração comunitária. A visitação está a serviço da edificação de comunidade”.24 É costume e, muitas vezes, parece ser obrigação despejar um monte de palavras às pessoas as quais se tenta levar algum conforto e ajuda em momentos de crise. Muitas pessoas ficam ausentes em funerais exatamente por não terem palavras para dizer aos enlutados. É preciso desmistificar esta prática como salienta Hoch “pregar a palavra de Deus a uma pessoa em crise não pode consistir apenas em recitar versículos bíblicos, (...) A pregação da palavra de Deus é sempre um ato que envolve toda a pessoa do pregador, tanto o seu testemunho verbal, como também a atitude e a postura global”.25 O uso exagerado de palavras pode trazer uma grave dicotomia entre fé e experiência, “se declara ao homem 24 Id., Comunidade Solidária, p.6, 7, 10. 25 Id., Algumas considerações...,p. 90.

que Deus o aceita assim como ele é, sem que este chegue a experimentar de forma concreta esta aceitação”, ou então “uma preocupação exagerada em pregar a Palavra de forma verbal pode ter um efeito contrário ao entendido e, ao invés de tornar o Evangelho mais transparente, vir a ocultá-lo”.26 Carl Ferdinand Wilhelm Walther, teólogo luterano, em sua obra Lei e Evangelho, defende 25 teses da correta aplicação da palavra de Deus, e em sua tese 10 condena a aplicação da Palavra pelo pregador se este dá a entender que uma mera aceitação passiva de certas verdades justifica e salva diante de Deus; na tese 13, condena a prática de fazer um apelo à fé ao invés de criar a fé no coração de alguém apresentando as promessas do evangelho.27 Vicedom chama a atenção a esta prática do exagero no uso da Palavra na intenção de erigir os sinais do reino e estabelecer de forma rápida uma comunidade: (...) transmitiu-se aos gentios a Palavra, sem que estes compreendessem, (...) Colocou-se em suas mãos a Palavra, sem que alguém se preocupasse com sua correta interpretação (...) Encontra-se aí o equívoco de que a palavra de Deus atuaria por si só e que o Espírito Santo falaria aos gentios através da Palavra. (...) No entanto, resta a questão: há consciência de que aqui se está defendendo uma concepção mágica da Palavra, que de forma alguma pode ser justificada a partir da Escritura?28 Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano martirizado na Alemanha, durante a II Guerra Mundial, em sua outra obra, Discipulado, critica severamente este proselitismo corrente nas práticas comumente de visitação: O discípulo de Jesus não tem o direito nem o poder de impingir a palavra da graça a qualquer um a qualquer hora. Toda insistência, correr atrás do outro, o proselitismo, toda tentativa de convencer o outro por força própria, tudo isso é vão e perigoso. (...) Pois não passam de servos e instrumentos da Palavra e não podem querer ser fortes quando a Palavra é tão fraca. Se a todo custo e com todos os recursos quiserem impor ao mundo a Palavra, estariam transformando a Palavra de Deus numa idéia, (...) esta Palavra fraca, que sofre a oposição dos pecadores, é a Palavra forte e misericordiosa que converte pecadores do fundo do coração. Sua 26 Ibid., p. 93,94. 27 Carl Ferdinand Wilhelm WALTHER, Lei e Evangelho, p. 42,52. 28 Georg VICEDOM, op. cit., p. 81. Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 69


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força está oculta na fraqueza;29 Ele retoma a idéia de que nós somos um ponto de encontro entre Deus e o próximo, pois vê o discípulo não como alguém que toma uma posição a partir da qual atacará o outro; na verdade, a partir do amor de Jesus, aproxima-se do outro com a incondicionada oferta da comunhão: “o discípulo vê o outro como alguém ao qual Jesus está chegando. Encontra-se com o outro somente porque, na companhia de Cristo, vai de encontro ao outro”.30 O inter-relacionamento humano torna-se o lugar onde a graça e o amor de Deus se tornam transparentes ou como cita Hoch: Ele estará sendo a palavra encarnada, o verbo que se faz carne, o Imanuel ou o Deus presente. Com a sua presença e solidariedade vivida de forma concreta, o pastor estará abrindo a possibilidade para que o seu interlocutor consiga dar crédito àquele Deus que prometeu estar ao lado do homem que sofre. ”Se Cristo diz estar conosco até aos confins do 29 Dietrich BONHOEFFER, Discipulado, p.112. 30 Ibid., p. 110.

mundo, então o nosso gesto de estar com o outro, na verdade, é a concretização, quase poderíamos dizer, a realização desta promessa”.31 O sentir-se aceito por uma outra pessoa naquelas áreas onde se tem dificuldade de se aceitar a si mesmo, capacita a pessoa a compreender melhor a aceitação de Deus e a encoraja a aceitar-se a si mesma assim como ela é. Um gesto fala mais que mil palavras. Concluímos com Hoch, que faz o seguinte desafio: “Priorizando o relacionamento pessoal e a presença solidária em momentos cruciais da vida, o aconselhamento pastoral pode se constituir numa ponte entre a Igreja e uma considerável parcela de pessoas que está afastada dela ou decepcionada com a mesma”.32 É uma oportunidade especial de crescer através do mútuo colóquio e da consolação fraterna.

Rev. Ms. Martinho Rennecke — Caxias do Sul-RS — é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil e coordenador do Projeto Macedônia - CxP 195, 95.001-970 (projetomacedonia@terra.com.br).

31 Lothar C. HOCH, op. cit., p.91. 32 Id., A cura como tarefa..., p. 26.

Bibliografia BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 3. ed. São Leopoldo : Sinodal, 1980. 196 p. _______Vida em Comunhão. 2. ed. São Leopoldo : Sinodal, 1986. 85 p. BRAKEMEIER, Gottfried. Mercado religioso e religião de mercado. In: A Missão de Deus diante de um Novo Milênio, Porto Alegre : Concórdia, 2000. p. 63-75. CLINEBELL, Howard. Aconselhamento Pastoral : modelo centrado em libertação e crescimento. 2. ed. São Leopoldo : Sinodal; São Paulo : Paulinas, 1987. 427 p. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 7. ed. Rio de Janeiro : Paz e terra, 1979. 220 p. HOCH, Lothar C. A crise pessoal e sua dinâmica. Uma abordagem a partir da Psicologia Pastoral. Palestra proferida em São Leopoldo, RS, 2000. 8 p. _______A cura como tarefa do aconselhamento pastoral. In: Prática Cristã - Novos Rumos, São Leopoldo : Sinodal/IEPG, p.17-28. Aconselhamento pastoral e libertação. Estudos Teológicos. São Leopoldo: Escola Superior de Teologia, v. 29, n. 1, 1989, p. 17-40. _______Algumas considerações teológicas e práticas sobre a pastoral de aconselhamento. Estudos Teológicos. São Leopoldo: Escola Superior de Teologia, v. 20, n. 2, 1980, p. 88-99. _______Comunidade Solidária (Visitação). Série Visitação, n. 04, São, Leopoldo, EST. Ano 1991. 12 p. _______Comunidade Terapêutica : Em busca duma fundamentação eclesiológica do Aconselhamento Pastoral. In: ABAC (Ed.) Fundamentos Teológicos do Aconselhamento. São Leopoldo : Sinodal, 1988. p. 21-33. _______O ministério dos leigos : genealogia de um atrofiamento. Estudos Teológicos, São Leopoldo: Escola Superior de Teologia, v.30, n.3, 1990. p.256-272, _______Psicologia a serviço da libertação: possibilidades e limites da psicologia pastoral de aconselhamento. Estudos Teológicos. São Leopoldo: Escola Superior de Teologia, n. 25, v. 3, 1985, p. 249-270. HUNTER, Kent R. Fundamentos para o Crescimento da Igreja. São Paulo : Instituto Concórdia/Escola Superior de Teologia, 1993. 188 p. LUTERO, Martinho. Exortação ao Sacramento do Corpo e Sangue do Nosso Senhor. In: Pelo Evangelho de Cristo. São Leopoldo : Sinodal; Porto Alegre : Concórdia, 1984. p.253-285 Os artigos de Esmalcalde, Terceira Parte, IV. In: Livro de Concórdia. 2. ed. São Leopoldo : Sinodal; Porto Alegre : Concórdia, 1981. p. 305-341. SCHERER, James A. Evangelho, Igreja e Reino. Estudos Comparativos de Teologia da Missão. São Leopoldo : Editora Sinodal/ EST IEPG, 1991. 204 p. SCHOLZ,Vilson.A igreja como Sacerdócio Real. Igreja Luterana, ano 47, n. 2, São Leopoldo, Seminário Concórdia, p. 5-17, 1988. VICEDOM, Georg. A missão como obra de Deus : introdução à teologia da missão. São Leopoldo : Sinodal/IEPG, 1996. 127p. 70 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012


Ricos demais Rev. Marcos Schmidt

U

m casal idoso do Canadá não conseguiu se adaptar à vida de milionário e resolveu doar 98% dos 19 milhões de reais que ganhou numa loteria. A doação foi feita para organizações de caridade, instituições sociais e também para hospitais onde a esposa fez tratamento contra um câncer. Semana passada1 o estranho gesto despertou o interesse dos jornais. Numa entrevista, o casal explicou: “Ninguém entende por que demos o dinheiro, mas nós não precisávamos daquela fortuna”. Alguém pode pensar: “Já estão no final mesmo”. Sim, mas não seria a oportunidade para aproveitar o que resta da vida, conhecer o mundo, usufruir intensamente os prazeres do conforto, da tecnologia, sobretudo neste período quando a velhice gera inúmeras limitações? Histórias assim impressionam. Afinal, vivemos tempos marcados pelos “prazeres da modernidade”. Dias atrás encontrei o seguinte destaque numa revista eletrônica sobre moda de roupa: “Glamour e hedonismo podem ser adquiridos a preços acessíveis”. Chamou-me atenção a palavra hedonismo. É uma filosofia da Grécia antiga que considera o prazer a finalidade da vida. Jesus usou esta palavra na parábola do Semeador, ao dizer que “as se-

Artigo

mentes que caíram no meio dos espinhos são as pessoas que ouvem a mensagem. Porém as preocupações, as riquezas e os prazeres (hedonón no grego) desta vida aumentam e sufocam essas pessoas. Por isso os frutos que elas produzem nunca amadurecem” (Lucas 8.14). Os frutos da fé nele, bem sabemos, são o amor ao próximo, um amor maravilhosamente exemplificado em outra parábola, a do bom samaritano (Lucas 10.25-37). E não é preciso ser milionário para obedecer o que Jesus diz no fim da história bíblica “vá e faça a mesma coisa”. A cada dia, cada hora, no nosso caminho surge alguém “assaltado” por problemas e necessidades. Para ajudá-lo, teremos que sair do conforto de nossa rotina, dos trilhos de nossa comodidade. Mas, como disse este casal bondoso, eles se consideravam felizardos apenas por estarem vivos, e tinham um ao outro. Algo parecido quando Paulo escreveu: “Pois para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil” (Filipenses 1.21-22). Rev. Marcos Schmidt é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Novo Hamburgo-RS

1 Artigo datado de 2010. Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012 | RT | 71


Rev. Márlon Hüther Antunes

Uma experiência em Artigo

A

tecnologia em 3D tem sido a grande sensação em salas de cinema de todo mundo. Ela torna uma cena muito mais real e nítida. Quem já assistiu um filme em 3D sabe que só pode ser visto com os óculos certos. Sem estes, a imagem se torna embaraçada e sem graça. Não há nitidez, nem cenas reais. Caso falte informação, pode-se concluir que sem elas, tempo e dinheiro foram perdidos. Como uma tecnologia 3D, Deus se manifestou e se deu a conhecer em dimensões/maneiras diferentes. O ser humano que não o vê com os óculos certos se resume a medo, vergonha, e tem seu tempo e vida dados como perdidos. Os óculos certos para ver a manifestação de Deus, sua vontade, seu maravilhoso projeto, foram quebrados há muito tempo, com o pecado. Por este motivo, vê-se um Deus moralista, que aponta para a necessidade de que se faça algo para lhe agradar, ou tentar reconstruir de maneira arcaica os óculos. Mas isso é impossível! Somente o “fabricante” o pode fazer. O Apóstolo João em sua 1ª Epístola, verso 1 usa um testemunho em três dos maiores sentidos, ele viu, ouviu, tocou/comprovou. Ele não está compartilhando com as novas gerações algo novo, mas apresentando em 3D o verbo que se fez carne! Ver Deus em 3D só se tornou possível, porque Deus restaurou os óculos certos. Porque Ele veio no Verbo que se fez carne, e que expressa o desejo do 72 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

Criador: “Ele quer todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade” (1º Timóteo 2.4); Concedendo óculos certos, a fim de não se perder nenhuma cena! Por isso Jesus firmou: “felizes são os que não viram, mas creram (João 20.29). Quando Deus restaura os olhos da fé, a perspectiva é outra. Negar a necessidade de óculos é negar existência e o perigo do pecado — pode ser uma armadilha e tanto — é negar o fato, a importância e o motivo da manifestação de Deus. Por isso, a atitude para com o pecado não é negá-lo, mas evitá-lo, admiti-lo e receber o perdão que Deus tornou possível pela sua manifestação. Ter os óculos certos é estar unido com Jesus, ter clara a promessa de provisão e socorro, daquele que nos defende. “como dizem as Escrituras Sagradas: “O que ninguém nunca viu nem ouviu, e o que jamais alguém pensou que podia acontecer, foi isso o que Deus preparou para

aqueles que o amam” (1º Coríntios 2.9). Estes olhos apresentam Deus numa nova dimensão. O revelam numa experiência em 3D, mas apontam para algo muito maior, inimaginável: o que há de vir na eternidade, uma realidade muito além do 3D, quem sabe em 6D: Eu escrevo estas coisas a vocês que creem no Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” (1º João 5.13) e que “a alegria seja completa” (1º João 1.4b).

Rev. Márlon Hüther Antunes — Maceió-AL, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil


Rev. Jarbas Hoffimann

Simbologia

Pesquisa e Adaptação

ICqUS O Resumo do Credo O

peixe, ivcqu,j em grego, é o símbolo para o Salvador Jesus Cristo. Este foi muito usado já no primeiro século, não necessariamente porque os peixes desempenharam um papel importante na vida de Jesus, ou porque ele chamou seus apóstolos para serem pescadores espirituais usando a rede do Evangelho, mas porque ichthys poderia ser usado como um acróstico, a partir do qual pode-se fazer uma declaração de fé. A palavra consiste de cinco letras do alfabeto grego: i-ch-th-y-s. Quando estas cinco letras são usadas como iniciais para cinco palavras, nós obtemos a declaração cristã: “Iesous Christós Theou Riós Sotér” (VIhsou/j Cristo,j Qeou/ Ui`o,j Swth,r), que traduzindo significa: “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. Muito provavelmente, o símbolo ichthys foi usado como um sinal pelo qual os primeiros cristãos encontravam e identificavam um ao outro, especialmente em tempo de perseguição. Quando era rabiscado na pa-

rede, ou no chão do mercado, ou junto de uma fonte onde as pessoas se reuniam, este dava, aos cristãos que por ali passavam, a oportunidade de saber que a sua fé tinha chegado a esta comunidade. Uma cena em um filme religioso mostra um homem apresentando-se a outro ao rabiscar o símbolo do peixe na areia à sua frente. O conceito de ichthys foi explicado como um resumo do credo: Jesus Cristo é o Filho de Deus e o Salvador do mundo. João escreveu em sua primeira epístola: “E nós vimos e anunciamos aos outros que o Pai enviou o Filho para ser o Salvador do mundo.” (1º João 4.14). Hoje nós podemos testemunhar nossa fé por meio do símbolo do ichthys, talvez como uma jóia ou colocando este como um enfeite de porta. Quando as pessoas nos perguntarem o que o desenho do peixe significa, nós teremos uma oportunidade de ouro para explicar quem é Jesus Cristo e o que ele significa para nós.

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Litúrgica: Período

de

Rev. Jarbas Hoffimann

Advento

Liturgia para Culto dirigido por Leigos Veja uma sugestão de liturgia para culto dirigido pela Liderança Leiga. É uma liturgia pensada, especialmente, para quando o pastor não esteja presente. Para que funcione adequadamente é preciso que aqueles que vão oficiar o culto se reúnam para definir as tarefas de cada um no culto, escolher os hinos, o sermão do dia e as leituras, escrever ou procurar as orações. Logo esta mesma liturgia estará no blog Litugia Luterana, nos formatos para projetor multimídia e num mais adequado para a impressão. Nas férias, aproveite para ver Jesus também.

4. Invocação (_____________): Depois do hino, se levanta e diz para a congregação:

O.: Iniciemos o nosso culto em nome de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. C.: Amém

5. Confissão e Absolvição dos Pecados: O.: Confessemos a Deus os nossos pecados. Se ajoelha, se este for o costume da congregação, e “puxa” a confissão:

O Oficiante

de pé

T.: Ó Deus de toda misericórdia e amor, nós te confessamos que, por natureza, somos pecaminosos e impuros e que temos cometido pecados contra ti, por pensamentos palavra e ações, tanto pelo que fizemos, como pelo que deixamos de fazer. Merecemos, por isso, a tua eterna condenação. Ó Deus, por amor de Jesus Cristo, não nos condenes. Tem misericórdia de nós. Dá-nos o teu perdão. Consola-nos com o teu Espírito Santo.

C Congregação

sentados

Se levanta e diz de frente para a congregação, que permanecerá de joelhos até o final da absolvição, caso seja o costume da congregação:

T Todos

ajoelhados

|: Repetir o canto entre :|

cantar

O.: O Deus de toda misericórdia, entregou o seu o seu próprio Filho a morte, e por amor dele, perdoou todos os nossos pecados. E aos que nele confiam, Deus reconhece e declara filhos e herdeiros da vida eterna e, lhes concede o Espírito Santo. Concede-o, Senhor, a todos nós. C.: Amém!

Legenda:

1. Prelúdio e entrada do(s) Oficiante(s): Entram os dirigentes do culto, conforme for o costume da congregação. Se pela porta principal ou vindo da sacristia. Mas a recomendação é que venham pela porta principal. Vão até o altar e fazem uma reverência, voltando logo para o local onde permanecerão sentados durante o culto. Preferencialmente sentados nos primeiros lugares para facilitar o deslocamento. Aquele que vai começar o culto, faz a reverência e já permanece para a saldação. Vira-se para a congregação e segue:

2. Saudação/Acolhida (___________): O.: Bom dia! Sejam todos bem vindos ao culto! Que o nosso Deus nos acolha, perdoe e oriente! E que cada um de nós se sinta em casa aqui na casa de nosso Pai. Que o bom Deus dirija nosso culto. Gostaria ainda de informar que as partes da liturgia, que normalmente a congregação canta, hoje serão todas faladas. Cantamos agora o hino: ________ Senta-se para o cantar do hino.

3. Hino: __________ 74 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012

Aqui pode assumir outro oficiante, ou permanecer o mesmo. Os dirigentes decidem isto, em reunião prévia ao culto.

6. Leitura do Salmo do Dia (__________): De frente para as pessoas, diz:

O.: Vamos ler o Salmo de hoje que é o Salmo _____. A leitura será feita alternando-se entre os versículos. Eu leio o primeiro versículo, a congregação o segundo e assim por diante. Espera alguns momentos para que as pessoas encontrem. Vira para o altar e “puxa” a leitura. Terminada a leitura, a congregação dirá:

C.: Glória ao Pai e ao Filho e ao Santo Espírito, como era no princípio, agora é e por todo o sempre há de ser! Amém. Terminado o Glória, vira para a congregação e diz:

O.: Vamos orar:


Litúrgica: Período

7. Coleta (Oração do Dia): Vira novamente para o altar e faz a oração:

10. Evangelho do Dia:

Terminada a oração, vira para a congregação anuncia a primeira leitura.

11. Confissão de Fé:

8. Leituras Bíblicas:

Credo Apostólico (p. 38 HL): Oficiante diz à congregação:

Espera as pessoas encontrarem. Pelo menos a maioria. Passa a palavra ao leitor, previamente escolhido, para que faça a leitura.

Primeira Leitura: Depois que terminar a leitura, o oficiante diz:

O.: Diz o Salvador Jesus: Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada. Então anuncia a segunda leitura:

O.: A segunda leitura para hoje está registrada em _________________________. Espera as pessoas encontrarem. Pelo menos a maioria. Passa a palavra ao leitor, previamente escolhido, para que faça a leitura.

Segunda Leitura: Depois que terminar a leitura, o oficiante diz:

O.: Pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isto não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. Aleluia! C.: Aleluia! Aleluia! Aleluia! Depois dos aleluias, anuncia o hino:

9. Hino: __________ Aqui, novamente, é uma oportunidade para que outro oficiante assuma a direção do culto, mas isto precisa estar acordado antes do início do culto.

Advento

Depois do hino, de frente para a congregação, o oficiante diz segue com a leitura do:

O.: Ó Senhor, tu nos recebes sempre e queres sempre que estejamos contigo. Aqui estamos Senhor, perdoados dos pecados, por tua misericórdia. Obrigado pelo perdão. Em teu Filho Jesus recebes todas as pessoas, mas as pessoas podem não querer estar contigo. Por isso, Senhor, pedimos: não permita que as coisas deste mundo nos afastem de ti. Conserva nosso coração junto contigo e que as bênçãos materiais que tu nos dás jamais nos afastem de ti. Continue sendo o nosso Bom Pastor. Em teu nome, ó Jesus Cristo, amém.

O.: A primeira leitura para hoje está registrada em _________________________.

de

O.: O Evangelho do dia está escrito em: _________ _________________________. C.: Glórias a ti, Senhor! Faz a leitura do Evangelho do Dia

Leitura do Evangelho

Terminada a leitura, diz:

O.: Assim termina a leitura do Evangelho. C.: Glórias a ti, ó Cristo! Segue-se a:

O.: Confessemos em conjunto a nossa fé. C.: Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao inferno; no terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu ao céu e está sentado a mão direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja cristã, a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém Diz:

O.: Agora cantamos o hino: ______________

12. Hino: Pode sentar-se para o cantar do hino. Aquele que vai dirigir o sermão pode preparar-se e, na última estrofe do hino, se dirige ao local de onde será feita a pregação. É aconselhável que o pregador do dia, se dirija primeiro ao altar e faça uma oração pedindo a orientação do Espírito Santo.

13. Mensagem (Sermão): Lê o sermão conforme recebido. Pode usar um dos vários sermões publicados nesta revista. Ou ainda buscar subsídios junto à Concórdia Editora, que publica sermões há muitos anos. Terminado o sermão diz:

O.: Enquanto trazemos nossas ofertas, cantamos o hino: _____________

14. Momento das ofertas Canta-se o próximo hino:

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Litúrgica: Período

de

Advento

O.: Vamos orar.

15. Hino: _________ Enquanto o hino é cantado e as ofertas entregues, pode sentar-se. Terminado o hino, diz:

Vira-se para o altar e faz a oração:

Terminada a Oração geral, “puxa” o Pai-Nosso, como segue:

O.: Senhor, tu nos trouxeste, e tu nos levarás em segurança. Graças te rendemos por mais este culto e por tu seres nosso Bom Pastor. Protege este teu rebanho hoje e sempre. Em nome de Jesus. Amém.

17. Pai Nosso em conjunto:

O.: Vamos orar a bênção em conjunto.

16. Oração Geral da Igreja: O.: Vamos orar.

Logo, diz para a congregação:

T.: Pai nosso que estás nos céus. Santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação. Mas livra-nos do mal. Pois teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Logo, diz:

O.: Vamos cantar o hino: ____________

18. Hino: ____________ Durante o hino pode sentar-se.

19. Oração Final: Terminado o hino diz para a congregação:

Que alívio! V

Vira-se, novamente, para o altar e puxa a bênção.

20. Bênção em conjunto: T.: O Senhor nos abençoe e nos guarde. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós. O Senhor, sobre nós, levante o seu rosto e nos dê a paz. Logo, vira-se para a congregação e diz:

O.: Vamos cantar o hino: 85

21. Hino Final: ____________ 22. Comunicações, convites e despedidas: Se apresenta os avisos das próximas atividades. Chama todos bem-vindos, lembrando que os visitantes são sempre bem-vindos também.

DEVOÇÃO - Rev. Jarbas Hoffimann

“Feliz aquele cujas maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga!” (Salmo 32.1)

ocê tem algum rancor que traz e não consegue se livrar? Você traz alguma mágoa contra al-guém? Livre-se disto. Isto torna as pessoas mais amargas. Sentimentos assim, afastam os amigos e aprisionam a alma que poderia estar livre em Jesus Cristo. “Feliz aquele cujas maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga!” Que coisa boa e linda! Felizes aqueles que encontraram paz em Jesus Cristo. Estes têm a verdadeira paz. Não apenas no Natal e Ano Novo, mas em cada dia do ano que começará se Deus quiser. São pessoas que também cometem pecados... Também ofendem e são ofendidas... Também sofrem... Mas elas têm algo diferente. Elas tentaram não pecar e, quando caíram, recorreram ao Salvador para buscar o perdão que ele ofereceu na cruz. Elas não ofendem as outras pessoas in-tencionalmente, mas quando ofendem pedem perdão e buscam a paz. Quando ofendidas, perdo-am, não por serem melhores, mas “Oh Jesus, que és meu deseporque Jesus as perdoou primeiro. Quando sofrem, sabem que em Jesus há es- jo, teu Natal, assim festejo, entra perança para este mundo e para a vida eterna e esperam o prêmio da vida com no meu coração, faze nele habiDeus, onde nenhum mal as tocará. tação.” Quero fazer das palavras Esta é a mensagem de Natal: Jesus veio para trazer a paz entre os irmãos e desta música o desejo da minha paz com Deus. Compartilhe com todos esta bela mensagem. Deus, que aque- vida. Limpa-me de todos os peceu o seu coração, quer aquecer o mundo inteiro como uma mãe aquece o filhi- cados e me conduz à tua Casa, ó nho com frio. Com Jesus Cristo todos teremos o ver-dadeiro Natal. Ele perdoa Pai de amor. Por Jesus Cristo, o maldades e apaga pecados que nos sobrecarregavam. Amém. bom Salvador, amém. 76 | RT | Dezembro, 2011 e Janeiro, 2012


Desperdícios Rev. Ismar L. Pinz

V

isualizar os números da fome é constrangedor para qualquer um que consegue comer bem todos os dias. Cerca de 900 milhões de pessoas estão em estado de subnutrição! Duplamente constrangedor é observar os números do desperdício. Li que só no Brasil o desperdício acumulado desde a colheita, transporte, armazenamento e comércio, chega a 11 milhões de toneladas de alimento por ano. No entanto, ouvir a óbvia conclusão dos estudiosos e palestrantes de Fóruns Sociais de que a maior culpa do desperdício está na ganância e corrupção ultrapassa a linha do mero constrangimento. Na Bíblia, em João 12, lemos que Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus, encheu a boca em um discurso para criticar o desperdício. Acontece que Maria de Betânia derramou sobre Jesus um frasco de perfume valiosíssimo. O valor do bálsamo era correspondente a um ano inteiro de trabalho. Judas então disse que seria conveniente ter vendido, pego o dinheiro e ter ajudado os pobres. Mas na verdade ele, que era o tesoureiro do grupo, pegava o dinheiro para si. O curioso é que mesmo no grupo de Jesus a corrupção já acontecia. Não somente a corrupção, mas também os discursos hipócritas. Será que também censuraríamos a mulher? Talvez sim. No entanto, Jesus a defende e elogia. Diz o Mestre que aquele perfume não era desperdício, pois era para perfumar o seu corpo que logo seria morto.

Artigo

Se Jesus está no centro de nossas ações, nada é desperdício, por outro lado “o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal (1º Timóteo 6.10).” Judas criticou a atitude da mulher, enquanto em uma relação econômica, planejava entregar Jesus por trinta moedas de prata. Logo, logo esqueceu os pobres. Dessa vez o esquecimento não foi devido a ganância, mas devido ao desespero jogou as moedas aos pés dos sacerdotes. Judas acusou a mulher de desperdício enquanto ele mesmo desperdiçava a vida eterna. Que, ao contrário de Judas, administremos tudo, não com a esperteza desse mundo, mas com a sabedoria do Céu, que nos faz privilegiar os valores eternos e sentir fome de justiça. Jesus, aquele que não poupou nem mesmo o seu sangue para resgatar a humanidade, promete: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mateus 5.6). O amor que Deus oferece em Jesus, não pode ser desperdiçado! Rev. Ismar L. Pinz — Pelotas-RS — pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

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Artigo

Rev. Jarbas Hoffimann

Os nossos planos... O

que fazer quando os planos de Deus são diferentes dos nossos? Ficar bravo? Espernear? Descontar nossa frustração nos outros? Ou nada disso? Nesta manhã de domingo acordamos bem cedo. E não foi para ir ao culto, o culto foi na noite de sábado. O domingo estava livre e, por isso, pensamos em aproveitar para ir à praia. Moramos há pouco mais de uma hora do litoral. Então ontem fizemos nossos planos. Minha filha mais velha pegou o caderno e fez uma lista de tudo que faríamos ao chegar à praia. Uma lista muito grande, aliás. O dia seria pequeno para tantos planos... Nós planejamos como e onde tomaríamos as refeições, se as levaríamos de casa ou se comeríamos por lá mesmo — coisas assim. Arrumamos as malas e fomos nos deitar. Às 6 e meia da manhã deste domingo já estávamos nos levantando. Mas havia uma surpresa: estava chovendo... A decepção, especialmente das crianças, é grande. Nossos planos foram jogados por terra. Talvez aqui fosse a hora de ficar bravo, espernear. Descontar nossa frustração nos outros... Ou nada disso. É hora de lembrar que “As pessoas podem fazer seus planos, porém é o Senhor Deus quem dá a última palavra.” (Pv 16.1). Assim é em tudo na vida. Nós planejamos, nos organizamos e queremos que tudo aconteça do jeito que planejamos. Então vem uma doença, a perda do emprego, não passar no vestibular...

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Aí sim, certamente é hora de: ficar bravo, espernear. Descontar nos outros... Não, nada disso. Na verdade, é hora de lembrar que do Senhor dependem todos os nossos planos e, muitas vezes, não temos sucesso porque dizemos: “eu farei isso, eu farei aquilo”. Quando o que deveríamos dizer, em espírito de oração, é: “Se Deus quiser, eu farei isso eu farei aquilo.” É comum ficar triste quando nossos planos não dão certo. Mas é também o momento de chegar perto do Senhor e entregar todos os nossos planos em suas amorosas mãos. Afinal, quem não se negou a oferecer seu Filho para a nossa salvação, também não vai se negar em nos guiar o caminho. Lembre-se: “As pessoas fazem muitos planos, mas quem decide é Deus, o Senhor.” (Pv 19.21). E o Senhor sempre decide para o bem de seus filhos. Seja um dia de praia, seja qualquer plano da vida. Afinal “sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano.” (Rm 8.28). Rev. Jarbas Hoffimann — Nova Venécia-ES, pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da qual é membro da Comissão de Culto da IELB, diagramador e co-editor desta Revista.


Direto ao Ponto

Lições do naufrágio O

desastre com o Costa Concordia assusta também os que estão em terra firme. A imagem do “Titanic” italiano, rendido nas rochas, com seu colossal tamanho, luxo e tecnologia, choca e aterroriza a todos que têm consciência das incertezas no mar da vida. Por isto as lições desta tragédia. E a primeira que sobressai é a atitude irresponsável e covarde do comandante. Saiu da rota por motivos fúteis, abandonou o navio quando deveria ser o último, e ainda mentiu para a capitania dos portos. Insensatez, desatinos, e falsidade, no entanto, são marcas que caracterizam a sociedade moderna. O mundo está carente de bons navegadores na família, na política, na economia, nos meios de comunicação, nas escolas, nas polícias, e pior, nas religiões. Todas as instituições estão afundando. Deveriam estar “vento em popa” pela ciência. Mas, quanto mais a humanidade avança na tecnologia, mais regride nos valores éticos e morais. E assim a atitude deselegante das pessoas na hora de abandonar o navio. A frase “mulheres e crianças primeiro” não foi respeitada. Passageiros relatam que muitos desacataram este

regulamento na hora de entrar nos botes salva-vidas. Cavalheirismo, respeito e consideração naufragaram faz tempo. Creio que estamos presenciando aquilo que diz o texto sagrado, que as pessoas serão egoístas, desobedientes, sem amor, incapazes de se controlar e atrevidas (2º Timóteo 3.1-4). Percebe-se isto no trânsito, nas filas, ou em qualquer situação que exige renúncia. A teoria evolucionista da seleção natural, dos mais fortes que abatem os mais fracos, pode ser a explicação, mas não justifica. A sociedade precisa urgentemente da fé na criação e recriação divina, que tem outra teoria: “Quem ama é paciente e bondoso... Quem ama não é grosseiro nem egoísta” (1º Coríntios 13.4,5). Mas o mundo tem saída. Igual ao navio que requer uma operação dispendiosa, mas capaz para chegar ao estaleiro e ser refeito. Intervenção que já começou quando a Bíblia afirma: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor” (Romanos 8.21). Até porque não tem como pular fora... Rev. Marcos Schmidt — Novo Hamburgo, é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil


Editora Conc贸rdia

RT008  

Revista Teologia e Prática - Produzida em conjunto por pastores da Igreja evangélica Luterana do Brasil (IELB

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