Page 1


Era uma vez um rapaz O rapaz assustado Tinha os olhos vidrados Pois Ă sua volta tudo estava assombrado


Os seus cabelos elevavam-se quando via monstros E eles visitavam-no veementemente A piscar o olho e a rir desalmadamente


Segredavam-lhe ao ouvido: Mal vejo a hora de te ver cozido


Quem não estava com pachorra era o papá Que queria dar uma queca na mamã Mas a sua intenção era sempre frustrada Pois a criança insistia em dormir em cama alugada


Farto como estava disse ao seu menino:

Estรก na hora meu filhinho De ires dormir sozinho


O petiz chorou Mas o pai nem ligou


E assim teve que enfrentar o portenhoso fantasma Que se escondia debaixo da sua cama


“Foi uma grande noite querida E o nosso Felipe é de grande estirpe Não o ouvi toda a noite Foi um homenzinho Dormiu que nem um anjinho”


À tarde o sentimento era de desolação Profunda consternação João não sabia que eram verdadeiras As histórias de bruxas e feiticeiras


Ao abrir a porta do quarto n達o podia crer no que via Pois era o corpo do Felipe que ali jazia


Deveria ter-se acreditado no Felipe O Felipe assustado


Coitado


Tinha na boca um suspiro E no pescoรงo uma dentada de vampiro


O Rapaz Assustado  

Era uma vez um rapaz O rapaz assustado

Advertisement