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Nº1 | ANO1 | OUTUBRO 2010 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA | REVISTA DA JUNTA DE FREGUESIA DE BENFICA

UNISBEN Entrevista Carlos Consiglieri Dietética e Prevenção Entrevista Rita Talhas Entrevista Madalena Pão Duro


ÍNDICE Editorial ............................................................................................3

Propriedade Junta de Freguesia de Benfica

UNISBEN...........................................................................................4 Entrevista Carlos Consiglieri.........................................................6

Directora Inês de Drummond

Para uma Vida Saudável ............................................................12

Coordenação, Redacção e Fotografia Durval Lucena

Hidroginástica...............................................................................16

Composição e Design Gráfico Luís Piteira – Design e Publicidade

Nutrição .........................................................................................17

Impressão Gazela- Artes Gráficas Lda.

Dietética e Prevenção ................................................................20 Retratos .........................................................................................26

Depósito Legal 000000

Entrevista Madalena Pão Duro.................................................32

Tiragem 20 000 exemplares DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Convívio dos vizinhos do Bairro Santa Cruz ..........................38

JUNTA DE FREGUESIA DE BENFICA Av. Gomes Pereira, 17 1549-019 Lisboa www.jf-benfica.pt

Aniversário....................................................................................39

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CONTACTOS ÚTEIS Junta de Freguesia de Benfica Telf: 217 123 000 (geral) Fax: 217 123 009 (geral) Centro de Saúde de Benfica Telf: 217 628 080 Polícia de Segurança Pública Esq. de Benfica – Telf: 217 108 200 Esq. do B. da Boavista – Telf: 217 606 073 Centro Clínico da Junta de Freguesia de Benfica Telf: 217 123 000 SCML – Atendimento Social Telf: 217 123 000 STIMULI – Associação de Cultura e Artes de Lisboa Telf: 217 145 364 Piscina - Junta de Freguesia de Benfica Telf: 217 123 000 Gabinete de Apoio Jurídico – Aconselhamento Jurídico Telf: 217 123 000 Equipamento Social e Polivalente do Bairro da Boavista Telf: 217 604 271 Associação de Reformados e Idosos do Bairro da Boavista Telf: 217 648 036 Associação de Reformados de Benfica Telf: 217 155 569 Centro de Dia do Bairro do Charquinho Telf: 217 154 254 Centro Bem Estar de Santa Cruz Telf: 217 700 036 Centro Paroquial Nossa Senhora do Amparo Telf: 217 600 362 Centro de Dia do Bairro da Boavista – SCML Telf: 217 601 381 Igreja Paroquial Nossa Sra. do Amparo – Casa Santa Ana Telf: 217 647 023 Associação Casapiana (Apoio Domiciliário) Telf: 217 604 732 Lar Nossa Senhora do Carmo Telf: 217 712 530 Casa de Repouso A Boa Samaritana Unipessoal, Lda Telf: 217 620 190 Lar Cristo Rei Telf: 217 604 813 ou 217 045 548

Editorial O dia 1 de Outubro é desde 1990 designado pela Organização das Nações Unidas como o dia Internacional do Idoso. Em Benfica decidimos dedicar todo o mês de Outubro à idade maior, dando prioridade às políticas de envelhecimento activo nas suas várias dimensões: social, saúde, bem-estar, cultura e lazer. É no âmbito das comemorações do Mês do Idoso que nasce o primeiro número da revista VitalIdade. Esta é uma revista dedicada a quem tem o privilégio de viver uma longa vida, que pretende promover o envelhecimento activo e saudável e combater o isolamento e a exclusão social, com conselhos práticos na área da saúde e do bem-estar e propondo vários convívios e passeios. O desafio principal é impulsionar uma cultura que valorize a experiência e o conhecimento que acrescem com a idade. Procurámos ir ao encontro de pessoas que ao longo da sua vida sempre conseguiram encontrar tempo para apoiar quem precisa, pessoas capazes de contagiar e mobilizar quem com elas se cruza, para pôr a funcionar ambiciosos projectos a favor da comunidade. É sobretudo uma revista onde pode encontrar rostos da nossa freguesia com histórias e exemplos de vidas passadas em Benfica e cujos testemunhos importa valorizar. E no ano em que se comemora o centenário da República, aproveito para felicitar os 31 cidadãos, que vivem na freguesia onde “Bem se Fica”, que tiveram a oportunidade de testemunhar esse marco histórico que foi a implantação da República. São as experiências de longas vidas que permitem aos idosos ser agentes e intermediários entre o passado, o presente e o futuro. Sem os seus conhecimentos e a sua sabedoria jamais saberíamos de onde viemos nem, consequentemente, para onde pretendemos caminhar. Saber envelhecer é uma arte e uma virtude.

Aos idosos da nossa Freguesia, a minha homenagem.

ARS – Centro de Saúde de Benfica - SEDE Telf: 217 628 080 ARS – Centro de Saúde de Benfica Extensão (25) Telf: 217 125 190

Inês de Drummond Presidente

CTT – Correios de Portugal Telf: 217 620 721

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Hino da UNISBEN Nós queremos partilhar Nossa alegria convosco Se vós gostais de cantar Cantai agora connosco

De doenças ninguém fala De dores ninguém se queixa E a tristeza não se instala Porque a alegria não deixa

Nós alunos da UNISBEN Temos bem esta noção Que a juventude perene Está dentro do coração

Nós alunos da UNISBEN Temos bem esta noção Que a juventude perene Está dentro do coração

Logo ao romper da aurora Começamos a cantar E quando o sol se vai embora Cantamos com o luar

Sabemos acreditar Que p’ra não envelhecer É não deixar de sonhar Nem desistir de aprender

Sabemos acreditar Que p’ra não envelhecer É não deixar de sonhar Nem desistir de aprender

Cantamos com a cotovia Com o melro e o pinta-roxo E quando termina o dia Nós cantamos com o mocho

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UNISBEN Universidade Intergeracional de Benfica Uma instituição ao serviço dos Seniores A Unisben é uma instituição de âmbito social e educativo, não governamental e sem fins lucrativos, que nasceu com o propósito de combater a solidão e proporcionar aos seniores com mais de 50 anos, momentos de aprendizagem e lazer. As disciplinas que fazem parte do programa escolar são diversificadas. Há para todos os gostos e apetências, tanto dos alunos, como dos professores. E, ao contrário do que acontece em outras instituições de ensino, uma boa parte dos professores faz também parte do grupo dos alunos em matérias diferentes. Actualmente conta com mais de 500 alunos e 50 professores que leccionam cerca de 50 disciplinas em várias áreas pedagógicas; Línguas Estrangeiras (Francês, Inglês, Espanhol e Alemão); Saúde (Medicinas Alternativas e Cuidados de Saúde); Ciências Sociais (Antropologia, Sociologia, Direito e Direito Constitucional); Cultura (Teatro, Música e Cultura Tradicional Portuguesa) entre muitas outras. A Unisben foi criada a partir da associação “Stimuli”, Associação de Cultura e Recreio de Benfica. Tanto professores como alunos têm de ser sócios da ”Stimuli” e pagam uma pequena mensalidade que tem um valor simbólico e serve apenas para pagar as despesas de manutenção da escola, visto que todos os professores trabalham em regime de voluntariado. O objectivo da Unisben é, essencialmente, proporcionar à população sénior conhecimentos em várias áreas disciplinares e, ao mesmo tempo, dar-lhe a oportunidade de participar paralelamente em actividades práticas tais como Danças e Cantares, Danças de Salão, Yoga ou mesmo integrar o Coro da Tuna dos Alunos da Unisben. As aulas funcionam na maior parte dos casos de manhã. As tardes são reservadas para passeios culturais diversos, dentro e fora de Lisboa. Todas estas ocupações servem para estimular as capacidades cerebrais quer dos professores, quer dos alunos. Uns e outros são reformados e divertem-se estudando, aprendendo, ensinando, convivendo e comunicando entre si desde manhã até ao fim do dia.

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CARLOS CONSIGLIERI “A minha maneira de estar na vida não me permite ter desilusões”


Entrevista Carlos Consiglieri “A minha maneira de estar na vida não me permite ter desilusões” Licenciado em Economia e Especialização em Economia Política Avançada, pela École des Hautes Etudes de Paris. Autor de várias obras, nomeadamente: Teófilo Braga e os Republicanos; Olivença – Reflexões sobre Usurpação e Aculturação e Cronologia de uma Vida: Padre António Vieira, tem participado em diversos Seminários e Congressos. Fale-nos um pouco de si. Quem é Carlos Consiglieri? Isso é um bocado complicado. Sempre que as pessoas falam de si, ou são extremamente humildes ou são profundamente vaidosas. E como tal, eu acho que o percurso das pessoas deve ser mais analisado por terceiros do que por aquilo que elas possam transmitir em determinados momentos. Mas enfim, passando este problema, eu sou Carlos Consiglieri, tenho 77 anos e um longo percurso de luta neste país. Luta pela Democracia pela Liberdade e pelos valores do 25 de Abril, acontecimento que tardou. Antes disso estive muitos anos preso e fui para Cabo Verde com residência fixa. Acabei o meu curso de Economia em França, onde passei algum tempo. Vim antes do 25 de Abril para cá. Trabalhei na área de economia num gabinete que ajudei a criar e que prevaleceu durante vários anos com uma certa importância na área da economia, consultadoria de empresas e serviços públicos. Trabalhámos muito para apoiar Ministérios e Câmaras Municipais. Além disso sou um homem que me tenho dedicado à cultura. Tenho vários livros publicados sobre Lisboa, História, República e Economia. Fui também professor após o 25 de Abril, na Faculdade de Direito em Lisboa e depois na Universidade do Minho, onde estive cinco anos e também em Escolas Superiores Particulares. A certa altura da minha vida entrei neste movimento das Universidades Seniores, primeiro só como professor. Quando fui Presidente da Assembleia de Freguesia de Benfica durante dois mandatos na Coligação por Lisboa, conheci pessoas nas várias áreas políticas desde o PCP ao CDS e consegui manter uma relação bastante interessante com algumas delas. Dessa relação surgiu a Universidade Sénior de Benfica – UNISBEN.

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Sabemos que esteve ligado à criação da TSF. Como é que isso aconteceu? Em 1976/77 eu e mais alguns companheiros estávamos no Jornal República e como não concordávamos com a solução que tinha sido dada ao jornal, criámos uma empresa chamada Editorial Terceiro Mundo de onde saiu o jornal Réplica. Como também estávamos ligados à Rádio Renascença, emissora que teve vários programas de grande importância na Revolução, acabou por surgir a ideia de fazer uma estação de rádio. Uma estação de rádio e um grupo de jornais. Nessa altura dava apoio à Presidência da República. Trabalhava com o General Ramalho Eanes, pessoa por quem eu tenho uma grande estima e consideração. Trabalhava na formação de uma estrutura chamada Jornais Associados. E foi daí que nasceu a ideia de fazer suplementos nacionais para serem encartados e distribuídos com os jornais de grande dimensão, este foi o início dos jornais regionais. Estava nessa altura também como colaborador do Jornal do Fundão e outros jornais ligados à Rádio Ribatejo e ao Jornal do Ribatejo, de que fui fundador. Nessa altura tínhamos também a TSF em organização. Fiz parte integrante do núcleo inicial até aparecer um “patrão”. Houve uma luta interna e o grupo não teve força suficiente para aguentar o embate. Acabámos por sair. Na sua opinião o que é que mudou nestes 36 anos de Democracia e o que mais o desiludiu? A minha maneira de estar na vida não me permite ter desilusões, leva-me mais a interpretar os acontecimentos como a vitória do que tem força sobre aquilo que não se soube impor. É nesta luta de contrários que devemos entender as coisas. Inicialmente tive a esperança de que esta sociedade seria encaminhada para valores que vinham associados com a ideia de democracia, mais solidariedade, mais fraternidade e uma maior redistribuição da riqueza, e apoiei diversos movimentos políticos nesse sentido. Mas, as forças políticas que tinham a intenção de defender esses princípios democráticos, não puderam levar a palavra exacta às pessoas que era preciso cativar e como isso não aconteceu, as pessoas entraram não só em desilusão como permitiram avanços que destruíram muitas das iniciativas democráticas. Fale-nos agora da UNISBEN. A UNISBEN nasce da colaboração com algumas pessoas ligadas à Junta de Freguesia de Benfica. Primeiro começou por ter a forma de uma associação, a Associação de Artes e Cultura de Lisboa que é a STIMULI e dessa Associação que actualmente tem cerca de 300 sócios, saiu a UNISBEN, que neste momento tem mais de 500 alunos.

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A partir daí fizemos uma experiência muito interessante. Aqui a concepção de professor não tem o mesmo carácter que no ensino oficial. O professor é alguém que tem conhecimentos para transmitir e que os quer transmitir, e o aluno, que também pode ser professor, é aquele que quer aprender os conhecimentos que os outros têm para dar. Aqui há muitos professores que são alunos e que são professores em diversas disciplinas. Este cruzamento é verdadeiramente inovador. Este movimento apareceu em França nos anos sessenta. Aproveitando o lema que foi lançado e reconhecido pela UNESCO, a aprendizagem ao longo da vida, pusemos em prática as metodologias que achámos mais convenientes para desenvolver esta ideia. Há quantos anos existe a UNISBEN e como é que funciona? Temos cinco anos de actividade que foram extremamente proveitosos e que permitiram uma grande adaptação de conhecimentos, um melhor aprofundamento de metodologias e de experiências em matérias novas, uma verdadeira interacção nas diversas matérias e no relacionamento entre pessoas, tudo isto em convívio criativo. Começámos primeiro com apenas 30 disciplinas e neste momento temos mais de 50 e mais de 50 professores. Aqui há a liberdade de toda a gente ensinar e aprender. Temos um Conselho Pedagógico e um Conselho Directivo. Sou o Presidente do Conselho Directivo e a Dra. Teresa do Santo Cristo é a Presidente do Conselho Pedagógico. O Conselho Directivo tem a preocupação de gerir os meios e os recursos e aplicá-los o mais racionalmente possível, bem como estar atento ao normal funcionamento da instituição. Por seu lado, o Concelho Pedagógico tem como objectivo principal a coordenação e o controlo dos conteúdos das cadeiras que estão definidos por cada professor, relacionando e fazendo com que esses conteúdos não sejam só dados, mas que também haja uma prática de pedagogias que fique como a grande riqueza desta instituição. Depois temos também a Comissão de Alunos eleitos democraticamente com a qual temos uma estreita colaboração, que é presidida por um cidadão de mérito nesta freguesia Carlos Figueiredo. A estes três órgãos, juntam-se três representantes da STIMULI para formar O Conselho Geral que é o órgão supremo desta Instituição. A vida aqui é democrática. Estamos sempre disponíveis para corrigir, emendar erros, melhorar, desenvolver as práticas e as teorias. Estes processos têm levado a um espírito “novo” e de ampla fraternidade entre todos.

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Que género de pessoas frequenta a UNISBEN? Isso é uma pergunta interessante. Nós desenvolvemos com algumas instituições públicas vários inquéritos e estudos sobre esse tema, quer com a Escola Superior de Educação quer com a Escola Superior de Psicologia e estamos mais ou menos habilitados a responder que a grande maioria dos alunos são provenientes da classe média e média baixa, se bem que todos os anos o tecido social muda. Isto não quer dizer que não tenhamos aqui médicos, arquitectos, engenheiros e mesmo advogados como alunos o que não deixa de ser relevante. A maior parte vem da Freguesia de Benfica, mas já começamos a ter uma abrangência que ultrapassa a cidade de Lisboa. Que apoios é que a UNISBEN tem tido? Praticamente nenhuns. Nós começámos esta iniciativa sem dinheiro, ou melhor com dinheiro que pedimos emprestado. Trabalhamos de uma forma muito desinteressada. Os professores são praticamente todos voluntários, estamos com um contrato de comodato com a Oficina da Criança, e portanto não pagamos renda. Pagamos as despesas de funcionamento e três trabalhadores remunerados. Os alunos pagam 110 euros, por ano lectivo, o que corresponde a cerca de 10 euros por mês para frequentarem seis disciplinas que escolham. Com o dinheiro das matrículas e da anuidade podemos suportar convenientemente os nossos encargos. Portanto acho que também nós devemos ter o bom senso de ter a noção que não é o momento exacto de pedir nada a ninguém, é o momento exacto para trabalharmos, e para isso basta ter interesse, honestidade e empenhamento. Que objectivos para o futuro? Para além do ensino e para além da aprendizagem ao longo da vida, desejamos ter aqui um outro propósito, que é a realização de conferências e debates. O ano passado realizámos cerca de trinta sobre as mais diversas matérias e como tivemos bastante adesão, este ano vamos continuar. Vamos iniciar uma série de debates e conferências sobre a importância da República. Vamos ter debates sobre literatura, arte e economia. Vamos também fazer um debate sobre “O Orçamento do Estado”, não só para que as pessoas possam perceber melhor o que é, mas também para as consciencializar a e alertar para certas opiniões muito em uso. Vamos tentar que as pessoas estejam sempre disponíveis para um certo espírito de mudança, para um certo espírito de que o passado foi importante mas que o futuro também é tão importante como o passado, porque futuro e passado são a nossa vida. Os nossos objectivos são acompanhar de forma crítica e responsável o fluir da vida.

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Para uma Vida Saudável Exercício Físico Envelhecer traz experiência e vivência, mas acarreta mudanças no corpo que, se não forem bem administradas, podem trazer uma série de problemas a curto, médio e longo prazo à saúde física e mental. Na terceira idade, muitas mudanças acontecem e isso tem sido uma grande preocupação para muitos especialistas e para a população em geral. Mas, esta fase da vida pode ser vivida com muito mais tranquilidade, quando se tem acompanhamento e um programa correcto de actividades físicas. Ao contrário de muitos tabus que circulam pela sociedade actualmente, os seniores também podem e devem fazer exercício físico com o objectivo de ganhar músculos, flexibilidade, equilíbrio, boa condição física e, sobretudo mental. Mas a prática de exercício físico na terceira idade não só é importante para melhorar a força física do idoso, é também um bem necessário para fugir da depressão e conviver socialmente. Praticar actividade física é uma das formas mais saudáveis de conservar uma sensação de bem-estar na terceira idade. Neste contexto o exercício físico contribui para adquirir movimentos mais ágeis e rápidos; evitar acidentes, em resultado de uma mobilidade acrescida; prevenir algumas doenças, principalmente as do coração e dos vasos sanguíneos; diminuir a perda de cálcio nos ossos; manter a força e a elasticidade dos músculos; evitar a obesidade e ganhar uma sensação geral de bemestar; estimular a interacção social e melhorar a auto-estima. Aqui deixamos alguns bons exemplos para uma prática regular de actividade física.

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Para uma Vida Saudável Andar todos os dias. Aconselham-se caminhadas de 30 a 45 minutos, porém a duração e o ritmo da marcha dependem do estado físico de cada pessoa. O ideal é caminhar ao ar livre sobre terrenos macios (relva, praia). Exercícios diários. De pé ou deitado, são muito úteis quando orientados por um especialista.

Nadar. Se não souber nadar, pode ficar de pé ou sentado, em água pouco profunda, agitando a água com os braços.

Andar de bicicleta. É uma excelente actividade física, embora exija uma certa experiência e bom equilíbrio.

Dançar. Acessível e agradável, é simultaneamente uma actividade física e lúdica.

Segundo os médicos, exercícios adequados e regulares ajudam a manter o peso ideal, regulam as funções cardio-respiratórias, fortalecem a musculatura e dão mais equilíbrio ao corpo. Além disso, fazem o sangue fluir melhor e levar mais oxigénio para todas as partes do corpo, reduzindo o mau colesterol, que obstrui as artérias, e elevando o nível de colesterol bom, que ajuda a proteger contra as doenças cardíacas.

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Não fique em casa! Venha praticar exercício! Venha conviver!

Hidroginástica Exercício Saudável Com o intuito de fomentar o bem-estar da população sénior, melhorar as suas aptidões físicas e a sua auto-estima e promover uma ocupação dos tempos livres de maneira saudável e em convívio, a Junta de Freguesia de Benfica continua a oferecer aos mais idosos a prática do exercício saudável através da hidroginástica, actividade que está integrada no Projecto de Educação Física para a Terceira Idade. As sessões decorrem de segunda a sábado, na piscina do Complexo Desportivo da Junta de Freguesia, e contam já com a inscrição de 150 utentes. O objectivo é estimular hábitos de vida saudáveis e incentivar à prática de uma actividade regular junto da população sénior, contribuindo para uma melhoria da sua qualidade de vida. Para se inscreverem neste projecto os utentes terão que ter mais de 55 anos, estar em situação de reforma ou pré-reforma, e serem residentes na freguesia. As inscrições são feitas no gabinete de atendimento do PIAF, onde poderá obter toda a informação referente a esta actividade. Os interessados devem apresentar o bilhete de identidade, o número de identificação fiscal, cartão de eleitor, declaração de IRS e comprovativo de liquidação do IRS. HORÁRIO

2ª FEIRA

11:45/12:30

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4ª FEIRA

Acção Social Hidro-Sénior Horário 2

5ª FEIRA

6ª FEIRA

SÁBADO

Acção Social Hidro-Sénior Horário 4

Acção Social Hidro-Sénior Horário 1

Acção Social Hidro-Sénior Horário 1

08:00/08:45

08:45/09:30

3ª FEIRA

Acção Social Hidro-Sénior Horário 3

Acção Social Hidro-Sénior Horário 4

Acção Social Hidro-Sénior Horário 3

Acção Social Hidro-Sénior Horário 2

Acção Social Hidro-Sénior Horário 5

Acção Social Hidro-Sénior Horário 5

Acção Social Hidro-Sénior Horário 5

Acção Social Hidro-Sénior Horário 6


Nutrição Mas se por um lado a prática de exercício físico é importante para manter o corpo e a mente saudáveis, uma alimentação cuidada é tão ou mais importante para garantir uma melhor forma física, mais saúde e boa disposição. Por isso para se manter saudável nesta fase da vida é fundamental que faça uma alimentação completa, equilibrada e variada. Grande parte dos seniores tem dificuldades de mastigação e de digestão, por isso, é essencial que faça refeições saudáveis e saborosas, fáceis de mastigar, engolir e digerir, para que se sinta bem. Como as necessidades calóricas diminuem com a idade, a sua alimentação deve incluir alimentos de pouco volume e calorias concentradas, que sejam ricos em proteínas, vitaminas e minerais. Lembre-se que, durante o processo de envelhecimento, é importante que mantenha um peso estável e saudável, para que não haja um aumento excessivo da gordura corporal e todos os problemas de saúde que lhe estão associados ou, pelo contrário, carência de determinados nutrientes vitais, que o podem deixar mal nutrido.

Para além de todas as mudanças que já foram referidas, os seniores sofrem uma diminuição de algumas capacidades sensoriais. A capacidade das pupilas gustativas tende a diminuir com a idade, o que o pode levar a preferir comidas muito doces, ingerindo uma quantidade excessiva de açúcar, ou muito salgadas, o que pode contribuir para a hipertensão. O olfacto e visão também tendem a diminuir, podendo levá-lo a preferir comidas com odores fortes ou até a perder o apetite. Tenha em atenção estas alterações que vão ocorrendo no seu corpo com o avançar da idade e procure sempre fazer uma alimentação saborosa e ao mesmo tempo saudável. O paladar agradece e a sua saúde também.

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Actualmente, nutricionistas em todo o mundo têm estudado a acção benéfica de determinados alimentos na prevenção de muitas doenças. Aqui ficam algumas sugestões de alimentos que se podem encontrar em qualquer supermercado e as suas respectivas áreas de prevenção.

ABACATE – Combate as diabetes, baixa o colesterol, previne as tromboses, controla a pressão arterial, suaviza a pele

ALCACHOFRA – Ajuda na digestão, baixa o colesterol, protege o coração, estabiliza o açúcar no sangue, protege contra as doenças do fígado

ALHO – Baixa o colesterol, controla a pressão arterial, previne o cancro, mata bactérias, combate fungos

AMEIXAS – Tarda o envelhecimento, evita a obstipação, estimula a memória, baixa o colesterol, protege contra doença de coração

ANANÁS – Fortalece os ossos, alivia a febre, ajuda a digestão, bloqueia a diarreia

AVEIA – Baixa o colesterol, previne o cancro, combate as diabetes e suaviza a pele ffffffffffffffffffffffffffffd

BANANA – Protege o coração, atenua a tosse, fortalece os ossos, controla a pressão arterial, bloqueia a diarreia

BATATA-DOCE – Poupa a visão, levanta a disposição, combate o cancro, fortalece os ossos

BETERRABA – Controla a pressão arterial, previne o cancro, ajuda a perder peso

BRÓCOLOS – Poupa a visão, previne o cancro, protege o coração

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CEBOLA – Reduz risco de ataque cardíaco, previne o cancro, mata bactérias, combate fungos

CENOURA – Poupa a visão, protege o coração, evita a prisão de ventre, ajuda a perder peso

CEREJA – Protege o coração, acaba com as insónias, tarda o envelhecimento

FEIJÃO – Baixa o colesterol, estabiliza o açúcar no sangue, previne o cancro

FIGO – Previne as tromboses e controla a pressão arterial

LARANJA – Fortalece o sistema imunitário, previne o cancro, protege o coração, favorece a respiração

LIMÃO – Previne o cancro, suaviza a pele, controla a pressão arterial

MANGA – estimula a memória, regula a tiróide, ajuda na digestão

MELÂNCIA – Previne o cancro na próstata, promove a perda de peso, controla a pressão arterial

MORANGO – Previne o cancro, estimula a memória, acalma os nervos

TOMATE – Previne o cancro na próstata, protege o coração, baixa o colesterol

UVA – Poupa a visão, aumenta o fluxo de sangue, protege o coração

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Dietética e Prevenção Entrevista com a Dra. Rita Talhas Uma alimentação equilibrada associada à prática de exercício físico adequado, promove um envelhecimento celular bem sucedido. No caso dos idosos, estes factores são de maior importância, uma vez que estes podem sofrer de doenças relacionadas com o envelhecimento, tais como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, hérnia discal, entre outras, sendo o plano nutricional, um factor importante, quer na prevenção como no tratamento. Vários estudos indicam que uma dieta inadequada durante o envelhecimento pode colocar a população sénior em risco. Para percebermos melhor o que tudo isto implica fomos falar com a Dra. Rita Talhas, Licenciada em Dietética pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), desde 1996.

Fale-nos um pouco do seu percurso profissional. Depois de terminar o curso fui dietista no Hospital de São José (HSJ) e desde 2001 que estou no Hospital Cuf Descobertas (CUF Descobertas), como coordenadora da Unidade de Nutrição. Paralelamente exerço consultas de Nutrição no Centro Clínico da Junta de Freguesia de Benfica, desde 2000.

O que é a Dietética? A Dietética é uma área de intervenção interdisciplinar, cujo objectivo primordial consiste na aplicação das ciências da nutrição e da dietética, na prevenção e no tratamento de doenças e na promoção e educação da saúde, a nível individual e colectivo, assim como nas áreas da investigação, gestão e ensino…

Nesse caso um dietista é… …Um profissional de saúde com o grau de licenciatura, com uma intervenção interdisciplinar, cujo objectivo primordial consiste na aplicação das ciências da nutrição no tratamento de doenças e na promoção da saúde, a nível individual e colectivo. Actualmente, o Dietista pode assumir diferentes funções na sua prática, em três grandes áreas de intervenção: Clínico, Comunitário ou de Saúde pública e Restauração Pública e Colectiva/Gestão - O Dietista Gestor. Na área clínica o Dietista é responsável pela avaliação nutricional, determinação das necessidades nutricionais, planificação e supervisão de planos alimentares, pelo aconselhamento nutricional em consulta ou durante o internamento; colabora em equipas multidisciplinares de saúde na definição de protocolos e estratégias que promovam a recuperação/melhoria na saúde nutricional e funcional dos doentes. VitalIdade | Outubro 21


Actualmente fala-se cada vez mais em Dietética para a prevenção de doenças sobretudo no que se refere à população sénior. Porquê? A Dietética existe há mais de 60 anos e é um curso essencialmente vocacionado para se fazer dietoterapia aplicada a patologias. No caso dos seniores ela é essencial, visto que são a franja da sociedade mais exposta a todo o tipo de doenças relacionadas com uma alimentação deficiente ou insuficiente.

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Como é que funciona a dietoterapia na prevenção de patologias? A abordagem nutricional deve ser planeada de modo a modificar hábitos inadequados, com estratégias que estejam de acordo com os factores socioeconómicos dos seniores. Uma alimentação saudável, nos idosos, é aquela que aumenta a resistência face às infecções e ajuda na recuperação das doenças próprias da idade. Grande parte dos nossos seniores não ingere alimentos em qualidade e quantidade suficientes para satisfazer as suas necessidades. Por isso observa-se uma população com excesso de consumo de gorduras e sal, e com carência de micronutrientes, tais como, vitaminas e minerais. E é neste aspecto que entra o factor prevenção que nós trabalhamos na população em geral, quer seja criança, adulto ou idoso de modo a garantir um padrão alimentar adequado aos factores peso, idade e actividade física.

Pode-se adequar a introdução de comida tradicional portuguesa na dietoterapia? Deve-se introduzir. Nós temos uma dieta, chamada “Dieta Mediterrânica”, que é uma dieta rica em ómega 3 e ómega 6, que previne essencialmente acidentes cardiovasculares. É uma dieta rica em peixe, devido principalmente à nossa situação geográfica. No entanto esses valores estão a perder-se, sobretudo na população jovem, que prefere uma alimentação cada vez menos saudável, do que na população sénior, que está mais habituada a comer outro género de alimentos. Come muito mais feijão e grão do que actualmente as nossas crianças na escola. Portanto, há que ensinar os nossos jovens a adoptarem hábitos alimentares mais saudáveis. Eles vão ser os seniores do futuro.

Porque é que os seniores se alimentam mal? Os principais factores são, por um lado, problemas socioeconómicos, que têm a ver com reformas baixas, pouco acompanhamento familiar e solidão, não terem ninguém que os ajude nas compras do supermercado ou não terem carro para trazer as compras, ou simplesmente o facto de não quererem cozinhar para uma pessoa. Por outro lado existem os problemas físicos, a falta de peças dentárias que dificulta a mastigação, dificuldade de locomoção, doenças crónicas, como a obesidade, diabetes e as doenças cardiovasculares ou a alteração do paladar e a intolerância a certos alimentos.

Que problemas é que estão associados a essa má alimentação? A obesidade é um dos principais problemas após a meia-idade e em idosos a partir dos 70 anos. A acumulação de gordura corporal leva ao desencadear de doenças mortais. Também se regista na população sénior deficiências vitamínicas, principalmente vitaminas A, C, D e ácido fólico. São vitaminas importantes na prevenção de doenças virais, como por exemplo a gripe. A vitamina D é importante na prevenção da osteoporose e a A na prevenção da cegueira nocturna.

Alimentos recomendados: Sopa, legumes, leguminosas, produtos lácteos magros (têm maior fonte proteica e são baixos em colesterol), carne magra e peixe, queijo fresco ou requeijão, fiambre magro e com baixo teor de sal, produtos integrais (pão, bolachas, cereais de pequeno-almoço, ricos em fibra).

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Alimentos não recomendados: Adição de sal, álcool (excepto 1 copo de vinho tinto à refeição, que é rico em antioxidantes que ajudam na prevenção das doenças cardiovasculares), gorduras saturadas, tais como enchidos, queijos gordos, fiambre gordo com sal, alimentos fritos e pré-confeccionados “tipo fast-food”, confecção com refogado, doces e refrigerantes. No caso dos seniores com poucos recursos económicos que conselhos dá para uma dietoterapia? Não vale a pena estar a prescrever uma alimentação muito complexa e cara, se ele depois sai daqui e pensa: “Bom! Eu não consigo comprar nem metade daquilo que ela falou!” Portanto mais vale dar sugestões. Nós sabemos à partida quais são os alimentos mais caros, um deles é o peixe e o outro a carne, que são produtos proteicos, e que nós tentamos substituir por outros que eles gostam, tipo lacticínios, queijo, leite, iogurtes, produtos que sejam facilmente mastigáveis tal como as leguminosas, que têm uma fonte proteica importante. Se o idoso não tem capacidade económica para adquirir carne ou peixe, tem que compensar a parte proteica com outros alimentos, neste caso o feijão, o grão ou a soja e adaptar esses alimentos ao tipo de refeição que faz. Muitas vezes a única coisa que os nossos seniores tomam à noite é uma sopa, e se ela for enriquecida com leguminosas, fica mais consistente e de valor nutricional mais elevado. É isso que me interessa. Costumo também adaptar a consistência da alimentação. Porque a muitos deles faltam peças dentárias, e torna-se complicado para eles mastigarem a côdea do tradicional pão mistura, por exemplo. Neste caso temos uma série de alimentos no mercado que podem substituir o pão, flocos de cereais que é uma coisa fácil de mastigar quando diluído em leite, ou um iogurte líquido ou ainda o leite que é rico em cálcio e que é importante para combater a osteoporose. Todas estas carências, essencialmente proteicas, que os nossos idosos possam ter por questões económicas, nós conseguimos substituir.

Acha que há suficiente informação sobre esta área? Não. Claro que não. Existe a Fundação Portuguesa de Cardiologia, que tem feito um bom trabalho de divulgação sobre o que pode ser uma alimentação equilibrada e os seus benefícios. E já começamos a ter empresas que fazem campanhas e se associam à divulgação de alimentos ricos e importantes para o crescimento, como é o caso da Mimosa que tem um bom programa a nível das escolas. No caso dos seniores, não. Não se vê colegas meus em centros de dia a dar apoio, a não ser que esteja enganada. Mas penso que não. Não é uma coisa que se divulgue muito. Eu acho que a sociedade se esquece muito dos nossos seniores, a começar pela própria família. Nós vimos isso a nível hospitalar. Muitas famílias abandonam os seus seniores nos hospitais quanto mais em casa. Por isso na alta hospitalar, por exemplo, uma das nossas preocupações é ensinar a família ou o cuidador que está com o idoso, porque muitas vezes o idoso não tem o apoio da família mas tem uma pessoa ou um amigo que cuida dele, a comprar os produtos adequados para uma dietoterapia mais eficaz.

Neste caso deveria haver sessões de divulgação e informação para os cuidadores ou para as famílias… Exactamente. A Junta de Freguesia de Benfica através do Centro Clínico devia funcionar mais. Nós temos todas as especialidades aqui. Eu nunca vi nenhum especialista de medicina dentária ir a um centro de

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dia falar sobre a importância da higiene oral num idoso. As pessoas esquecem-se dos cuidados a ter. São peças dentárias que existem há mais de 60 anos. Todos os dias a mastigarem. E não nos podemos esquecer que muitos alimentos, sobretudo os que são ricos em cálcio e fósforo, têm muita influência nas peças dentárias. Muitos idosos, por exemplo, são intolerantes à lactose, que é o produto base do leite, devido a perda da lactase, uma enzima essencial para a digestão do leite. Não sabem por exemplo que comer um queijo fresco ou um iogurte é muito mais saudável que beber um copo de leite. Isso são pormenores que devem ser esclarecidos.

Que seniores é que geralmente vêm às suas consultas? Aqui na Junta de Freguesia, são principalmente seniores com patologia associada, ou com diabetes ou com colesterol. O que é um pouco mais complicado, porque não só temos que adaptar a alimentação à idade e à condição física, como também temos que a adaptar à patologia. E há muitos diabéticos seniores. A diabetes sénior é bastante complicada, porque é uma doença silenciosa que aparece e que vai degradando o nosso organismo sem provocar dor. Se doesse eles tratavam-se. Como não dói, os nossos seniores só dão por ela quando já é tarde. Ora, se nós conseguirmos prevenir isso com a alimentação, acho que conseguimos ter uns seniores muito mais saudáveis.

O dietista aplica os seus conhecimentos e competências profissionais em funções na promoção da saúde, terapêutica, segurança alimentar, administração e gestão dos serviços de alimentação e dietética, nomeadamente: 1.

Avaliação das necessidades nutricionais;

2.

Elaboração de programas de intervenção com vista à promoção de hábitos alimentares saudáveis;

3.

Integração em equipas pluridisciplinares com o objectivo de implementar uma terapêutica dietética adequada à situação clínica;

4.

Avaliação do estado nutricional através de equipamentos e técnicas específicas, bem como através da análise e interpretação de parâmetros bioquímicos e imunológicos;

5.

Concepção e aplicação inquéritos alimentares para caracterizar e avaliar a ingestão alimentar da população e do utente saudável ou com patologia;

6.

Cálculo e planificação do suporte nutricional a administrar por via oral, enteral (sonda) ou parenteral (endovenosa);

7.

Monitorização do suporte nutricional instituído;

8.

Definição de planos nutricionais com elaboração de regimes e ementas para diferentes grupos etários com definição e quantificação de nutrientes e alimentos e suplementos necessários à sua execução;

9.

Realização de actividades educativas que permitam a outros influenciar o comportamento alimentar de indivíduos e grupos;

10. Estabelecimento e implementação de normas e procedimentos, baseando-se nos princípios do HACCP/ SAFE, para garantir alimentos mais seguros; estabelecimento de medidas preventivas e implementação de medidas correctivas, através da análise de riscos, identificação de pontos críticos de controlo e da aplicação sistemática de registos e procedimentos de verificação aplicando-os a todas as fases, desde produção até ao consumidor final; 11. Desenvolvimento e implementação de sistemas de gestão da qualidade com o objectivo de avaliar e garantir a melhoria contínua da nutrição da população; 12. Programação e execução de auditorias higio-sanitárias e auditorias da qualidade através do exame sistemático do cumprimento dos procedimentos estabelecidos; 13. Colaboração no desenvolvimento de novos produtos que respondam em simultâneo às necessidades nutricionais e tendências de mercado. VitalIdade | Outubro 25


Adelaide do Carmo Rebelo de Sousa - 90 anos 26 VitalIdade | Outubro


Mês do Idoso Retratos Em 1990 a Assembleia Geral das Nações Unidas designou o dia 1 de Outubro como Dia Internacional do Idoso e em 1991 foram finalmente aprovados os Princípios das Nações Unidas em favor dos idosos, sendo estes princípios relativos aos direitos humanos: independência, participação, cuidados, realização pessoal e dignidade. Estas duas iniciativas tiveram como fundamento o continuado processo de transição demográfica verificada na última metade do século XX, com o decréscimo simultâneo das taxas de mortalidade e de natalidade, sustentando o fenómeno de um envelhecimento populacional mundial. Mas não chega designar um dia internacional para o idoso e evocá-lo todos os anos, é preciso combater todas as formas de violência, descriminação e exclusão, com que muitas vezes são confrontados os nossos mais velhos. Tal como eles nos protegeram um dia também nós temos a obrigação de os tratar com carinho e respeito. Quem nunca encontrou nos braços dos avós queridos o local mais seguro do mundo? Quem nunca chorou no seu colo, confessando uma travessura que não tinha coragem de revelar aos pais? E não foi sempre no seu regaço que encontrámos um abrigo contra os fantasmas e papões que nos atormentavam os sonhos? Contra a intolerância dos mais crescidos, lá estavam sempre os nossos avós para nos protegerem com toda a sua paciência e para nos aconselhar com toda a sua sabedoria. Mas a idade está também ligada à memória viva das metamorfoses das cidades, património histórico indispensável que se transmite de geração em geração. E foi à procura dessa memória que fomos falar com três seniores que há muito vivem em Benfica.

“Vivo em Benfica desde que nasci, há 90 anos.” Diz-nos a Adelaide do Carmo Rebelo de Sousa. “E a minha mãe, a minha avó e a minha bisavó, também

nasceram aqui, mesmo atrás da igreja, na Vila Rita Monte que hoje é a Rua

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AmĂŠrica Santos Marques - 83 anos


Ernesto da Silva. Foi uma família italiana, a família Maia, que quando vieram morar para aqui, compraram a Quinta e fizeram aquela correnteza toda de prédios de azulejos que há atrás da igreja onde havia um recantozinho. Foi aí que nasceu a minha mãe.” E quanto às transformações que Benfica sofreu a memória não a atraiçoa. “Dantes havia padeiros e leiteiros que vinham a

casa. Havia muitos pregões. Era muito familiar. Havia pessoas que iam lavar roupa no rio. E eu ia muitas vezes passear para a Mata de Benfica. Aliás as pessoas frequentavam muito a Mata, principalmente no Verão para fazer piqueniques. Andei na Escola da Câmara onde é hoje a Escola Quinta de Marrocos e conheci o meu marido também aqui em Benfica, Técnico de Contas. Casei-me e tive 1 filho. Ficámos sempre a viver aqui em Benfica.” Por seu lado D. América Santos Marques lembra-se de uma Benfica mais bairrista. “Vivo há 41 anos em Benfica. Quando vim viver para aqui, isto era

muito bonito, limpo e calmo. As pessoas conheciam-se. Agora estão muito individualistas. Já não existe bairrismo que havia antes. Não havia buracos e as pessoas eram muito mais asseadas. Eu tive um cão e limpava sempre a porcaria do cão. Agora não. D. América Santos Marques foi artista de teatro por isso acha que devia haver mais actividades culturais para os seniores participarem. “Era um bem para os idosos terem actividades. Deixava de haver

tanta solidão. Precisamos de mais animação e alegria. Na vida andamos cá para nos ajudarmos uns aos outros. Como gosto muito do pessoal da Junta, venho muitas vezes para o Complexo Desportivo e para o Centro de Idosos, sempre há mais animação. Os idosos precisam mais de ajuda e apoio moral.” O que a D. América ainda não sabe é que Junta de Freguesia de Benfica tem em curso um projecto de formação de uma Companhia de Teatro Sénior integrado no Programa Envelhecimento Activo e Saudável. Sr. Iwan Thémes, filho de artistas, o pai era músico e a mãe cantora de Ópera, ele próprio também cantou no Teatro de São Carlos, veio para Benfica nos anos 40. A irmã foi chefe das costureiras na Fábrica Simões e ele trabalhou como chaufer no Palácio do Sr. Caldeira Ferro, um dos directores da Companhia de Tabaco. Recorda-se que Benfica era muito diferente.

“Antigamente só havia vivendas. Agora é só prédios. Onde é agora o edifício da junta era a sede do Benfica. Jogava-se hóquei em patins. Formaram-se aqui muitos jogadores importantes para o nosso hóquei.” E tal como a D. América também se lembra de existirem muitas casas de fados e um cinema onde está agora o Auditório Carlos Paredes.

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Sr. Iwan ThĂŠmes - 90 anos 30 VitalIdade | Outubro


Outra das memórias curiosas do Sr. Iwan prende-se com as Portas de Benfica que estabeleciam uma fronteira/alfândega para entrar na cidade. “Antiga-

mente, as pessoas tinham que se esconder para entrarem em Lisboa quando vinham vender os produtos que cultivavam lás nas hortas. E escondiam-se entre as palhas das carroças para poderem passar pelas Portas de Benfica. Então vinham os Guardas-fiscais com varas e espetavam a palha para verificarem se havia alguém ou algum produto. Eram conhecidos como “Pica Chouriços”. (risos) Gostava muito daquela altura. Havia muita amizade entre as pessoas. Sinto falta disso. Agora Benfica está muito confusa. Muito trânsito, muitos prédios. Apesar de estar muito desenvolvida.” George Washington disse um dia: “Até onde chegamos na vida depende de sermos tolerantes com os jovens, carinhosos com os idosos, amáveis com os esforçados e complacentes com os fracos e fortes. Porque em algum momento da nossa vida vamos descobrir que já fomos tudo isso.” O dia internacional da terceira idade, ou do idoso, é hoje, é agora, é sempre, é a cada momento, a cada manhã, por isso a Junta de Freguesia de Benfica estendeu as comemorações do Dia Internacional do Idoso por todo o mês de Outubro.

1 de Outubro - Sesimbra – Partida da Junta às 09h00 11 de Outubro – Passeio no Tejo – Partida da Junta às 09h00 15/16/17 de Outubro – Viagem à Galiza / Santiago de Compostela 18 de Outubro – Visita à Quinta da Regaleira - Período da manhã 19 de Outubro – Variedades com o grupo “ Canto e Danço” na Junta de Freguesia de Benfica - Período da tarde 22 de Outubro – Ida à Quinta da Escola e visita às Grutas de Stº António – Todo o dia c/ almoço 29 de Outubro - Baile no Mercado da Ribeira – Período a definir

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Uma vida de solidariedade Entrevista com Madalena Pão Duro Ditam as regras da boa educação que nunca se deve perguntar a idade a uma senhora, mas a Sra. Madalena Pão Duro não tem problemas com isso. Aos 62 anos continua a manter uma postura e um discernimento jovem e impetuoso. Lutadora feroz contra a injustiça e o desequilíbrio social, dedicou grande parte da sua vida à solidariedade e fez do apoio aos idosos, uma das suas grandes causas. Pessoa frontal e assertiva o que faz com que qualquer conversa se transforme num ensinamento, tem muitas histórias para contar. A sua vida daria um romance que não cabe nestas breves páginas. Foi com o brilho nos olhos que Madalena Pão Duro nos falou da sua dedicação aos outros. “Nasci em Barrancos e vim para Lisboa com 14 anos. Hoje fala-se muito que as crianças não devem sair de perto dos pais, mas na altura saía-se, não havia outro remédio! Vim para Lisboa trabalhar e estudar, como faziam muitos jovens que estavam no interior do país. Os meus dois irmãos mais novos vieram também. Juntamo-nos às duas minhas irmãs que já cá moravam. Fizemos um percurso de vida de gente jovem, mas gente que trabalhava. Era mais trabalho do que lazer. Fiz de tudo, baby-sitter, trabalhar num laboratório e mais tarde numa farmácia. Fazia de tudo para tentar sobreviver”. Começou por viver com a sua madrinha que ainda hoje é viva, com 96 anos, na rua D. Filipa de Vilhena e depois mudou-se para a Rua Latino Coelho. Na altura do terramoto de 1969 o prédio onde vivia ruiu. “Eu já trabalhava na Farmácia Macedo. Como ficámos sem casa, tivemos que nos separar e o meu pai, que tinha apanhado um grande susto, achava que eu tinha que ir para um local onde estivesse bem vigiada, onde ele soubesse que eu era bem tratada e que as minhas saídas eram só ao Domingo para ir à missa. Por isso, acabei por alugar um quarto em casa da minha chefe – a D. Maria Guilhermina. Nada melhor do que ter uma chefe a vigiar-nos dias, tardes, noites, sábados e domingos! E os meus pais ficaram contentes, sabendo que eu estava bem acompanhada. Benfica não era nada daquilo que é hoje. Era uma zona de quintas, quase deserta. O único transporte era o eléctrico, que atravessava a estrada de Benfica e terminava onde é hoje o Centro Comercial Nevada .” Ficou a morar na Rua República da Bolívia, no nº 65 e trabalhava na farmácia no nº 69. VitalIdade | Outubro 33


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“Fiquei sempre aí! Desde 1968 que trabalho no mesmo prédio e nunca saí de lá. Quando casei ainda estava a morar em casa da minha chefe. Naquela altura as pessoas casavam novas e para mim era a única solução para sair de casa dela. Fui para a Rua dos Arneiros onde fiquei alguns anos. Ali tive três filhos, rodeada de uma vizinhança extraordinária. Eu tinha 21 anos e todos os meus vizinhos andavam na casa dos 35/40 anos para cima, hoje é tudo gente com de 70 a 80 anos. Eu estava cá sozinha, sem mãe, sem pai, sem irmão por perto, sem ninguém que me desse a mão e vi-me a braços nos primeiros dois anos de casada com dois filhos. Tive um atrás do outro. E foram as minhas vizinhas que ajudaram. As minhas vizinhas que eu não conhecia de parte nenhuma, mas que tiveram um grande carinho por mim. Hoje sou eu que me dedico a elas no meu tempo livre. Dedico-me muito às pessoas de idade que me rodearam naquela altura e que hoje precisam imenso de mim.” Viúva desde muito cedo, o seu maior prazer é dedicar o tempo livre inteiramente aos netos e aos idosos “ É incondicional, o prazer no trabalho de voluntariado que tenho feito ao longo destes 35 anos, sempre com a terceira idade. Desde criança que gosto de idosos. Talvez porque uma das memórias que ainda me marca esteja associada a um casal de idosos. Esse casal tinha um jardim e eu adorava ir para ao pé deles. Tinham um jardim e uma hortinha onde eu passava tardes a escarafunchar na terra. Lembro-me muito deles, a Ti Albina e o Ti Zé. Eu era miúda, para aí com 6 anos, e atravessava uma barragem numa jangada que saía de uma berma para a outra, aquilo era extremamente perigoso, mas eu nem pensava nisso. Queria estar com eles. Não sei se o meu amor pelos idosos nasceu comigo ou se vem da convivência que tive com esses dois idosos.” A sua primeira actividade como voluntária começou na paróquia da Nossa Senhora do Amparo. “Consegui convencer o Padre Álvaro Proença, um homem muito duro mas com um amor muito grande pelos idosos, a deixar-me fazer um dispensário para os pobres. Na altura não havia centros de saúde e muito menos serviço nacional de saúde. Ele deu-me uma cave e fizemos um dispensário onde tínhamos as amostras de medicamentos que os laboratórios nos davam. Arranjei três ou quatro colegas amigas para fazer o atendimento aos idosos e não só, a toda gente que necessitava. Medíamos a tensão e aviávamos as receitas que os médicos passavam. Antes de irem à farmácia os utentes passavam por lá para saber se tínhamos o medicamento e já não iam comprá-los. Depois achei que o dispensário não tinha condições e pedi ao Sr. Padre Proença para nos deixar fazer uma sala de espera, um gabinete e uma casa de banho. Levei um rotundo não. Mas disse-lhe que no dia em que ele morresse era a primeira coisa que faria.” Com a ajuda e a boa vontade do Eng.º Rui Santos e do Arq. Pratas Vieira que fizeram o projecto de graça e pedidos de apoio aqui e ali, Madalena Pão Duro levou a sua avante, desta vez com a cooperação do Prior Dr. João de Sousa e o Sr. Pisco, construtor civil. “Ficámos com um dispensário fantástico, que ainda hoje existe e funciona passado estes 30 anos. Eu ia para lá todos os dias de manhã fazer o que era preciso. Tinha imensa gente e funcionava diariamente, inclusive aos sábados. Havia várias colegas de trabalho que iam um dia por semana da parte da tarde, para fazer o atendimento, sempre nos nossos tempos livres e em voluntariado. Fezse uma inauguração lindíssima. Vieram todas as pessoas importantes da freguesia. Aquilo era uma obra inédita e tinha sido uma perfeita loucura pô-la de pé. Foi uma boa surpresa para toda a gente. De tal maneira que o Presidente da Junta da altura, o Sr. Rui Pita, me pediu que fosse dar uma mãozinha no centro dos reformados.” Madalena Pão Duro aceitou o desafio e ficou simultaneamente a prestar voluntariado com a terceira idade na Junta de Freguesia e no dispensário da paróquia. Porém a viuvez, que surgiu demasiado cedo, estabeleceu prioridades. “Quando o meu marido morreu eu disse; meus amigos, agora o meu voluntariado é outro, vou ter que trabalhar manhã, tarde e noite para acabar de formar os meus filhos e dar-lhes mais atenção. Por outro lado eu sabia que ia ter de escolher entre o voluntariado dos reformados da Junta de FreVitalIdade | Outubro 35


guesia de Benfica e o dispensário da paróquia, onde havia coisas que me desagradavam. Por isso escrevi uma carta ao Prior a informar que lhe entregava a obra feita. Assim, fiquei a trabalhar na clínica onde ainda hoje trabalho e a dar a ajuda possível aos reformados onde estive cerca de 15 anos.” Foi assim que nasceu o Grupo Recreativo de Reformados da Junta de Freguesia. “Era presidente do Grupo Recreativo dos Reformados. Eu gostava de ver os idosos bonitos e a fazer qualquer coisa. Sempre me fez muita confusão ver os idosos sentados no sofá a olhar para a televisão, não tenho nada contra a televisão mas achava que eles tinham que ser mais activos. Por isso arranjamos um grupo e começamos por meter os idosos, primeiro a cantar e depois a representar. E teve tanto êxito que o Francisco Nicholson chegou a convidar-nos para ir representar no Teatro Maria Matos, e os convites eram mais que muitos sempre acompanhados pelo coreógrafo Mário Valejo. Houve um ano, ainda estou para saber como é que eles tiveram conhecimento das nossas actividades, que nos telefonaram de Braga a pedir que fossemos lá com o Auto de Natal. Eles pagavam a estadia e a alimentação, nós só tínhamos que arranjar transporte. Fui ter com o Sr. Fernando Saraiva, que era o presidente da Junta de Freguesia na altura, um homem fabuloso, e disse-lhe que íamos representar o Auto de Natal a Braga. Ele prontificou-se a ajudar e fizemos o Auto de Natal em Braga que foi um verdadeiro êxito.” Depois tudo mudou. As duas intervenções cirúrgicas a que foi sujeita e a mudança de presidência na Junta de Freguesia levaram a outra atitude. E também surgiram outras responsabilidades. “Eu estava a trabalhar há muitos anos no Centro Clínico da República da Bolívia. Quando o dono do Centro Clínico morreu e o Dr. António Macedo, um homem com uma alma muito grande, chamou-me e disse-me que queria passar a direcção do centro para mim. Acabei por comprar a clínica onde trabalhei toda a vida desde 1968. Como tinha ido para ali muito nova, sabia muito bem como orientar a contabilidade, as marcações dos pacientes ou os horários dos médicos. E, se fosse preciso, tanto estava na direcção, como estava no gabinete, ou ao lado da mulher-a-dias para limpar o chão. Penso que foi esta atitude que me deu o direito de ficar com a clínica. Hoje trabalho em conjunto com a directora clínica Dra. Maria da Luz Semedo, com quem me dou maravilhosamente, e devo-lhe dizer que esta entrevista vai ser uma bomba, porque 90% das pessoas nem sequer sabe que a clínica é minha. Sempre me mantive no meu lugar, como técnica de análises clínicas e responsável do posto RB do Grupo Dr. Joaquim Chaves.” Mas o bichinho da solidariedade que sempre morou com Madalena Pão Duro mantém-se bem vivo. Todos os dias faz uma ronda pelos lares de idosos antes de entrar pontualmente às 36 VitalIdade | Outubro


7:45h no Centro Clínico da República da Bolívia para trabalhar, e não hesita meter-se em novas aventuras, como foi o convívio do vizinhos do Bairro de Santa Cruz. “Essa acção foi uma deliciosa loucura. O convívio dos vizinhos foi inserido no programa dos Santos Populares. A ideia não foi minha, mas sim da presidente que nós temos agora, Dra. Inês Drummond. Pela primeira vez temos uma presidente Mulher na junta de freguesia de Benfica, que é jovem, que tem ideias novas e que acha que nós temos a idade dela. Quando li o programa eleitoral dela e vi que falava sobre a solidariedade social, fiquei atenta. A solidariedade social é importante para apoiar uma população que está muito envelhecida e abandonada. Os nossos idosos estão um verdadeiro caos. Abandonados nos hospitais e nos lares. E não é por causa do governo. Nós temos a mania de dizer que o estado não dá apoio ao idoso, mas não sei com que lata o dizemos, quando são os próprios filhos ou familiares os primeiros a não dar apoio. Eu estou à vontade para dizer isto, porque tenho estes anos todos de voluntariado com a terceira idade, e continuo a visitar os lares e sei quem é que visita os seus idosos e quem é que os vai buscar no Natal, ou na Páscoa ou no fim-de-semana.” Pela sua voz passa um leve tom de irritação ao abordar este tema, mas respira fundo e continua. “Então um belíssimo dia, já não me lembro porque é que fui à Junta de Freguesia, e já não ia lá há um bom par de anos, a Dra. Inês Drummond lançou-me o desafio de organizar e montar uma espécie de Santos Populares no Bairro de Santa Cruz, coisa que nunca se tinha feito. Aceitei o desafio para organizar este convívio. Chamei vários vizinhos, fizemos uma reunião na minha casa e deixei bem claro que este evento teria que ter a envolvência de todos. Chegámos à conclusão que precisávamos da ajuda da Junta, mas não queríamos dinheiro. O dinheiro dos nossos impostos não é para fazer festas é para tapar os buracos das ruas e fazer melhorias na freguesia.” E mais uma vez Madalena Pão Duro pegou em si e foi pedir apoios munida de uma carta de apresentação passada pela Junta. “Pedi directamente à Dra. Luísa Sereno e à Dra. Maria do Rosário Lopes que fizessem os convites e uma carta de apresentação para eu ir junto do Comércio de Benfica pedir apoios. O Modelo, o Pingo Doce, o Restaurante David de Benfica e as pastelarias Lua de Mel e Nilo, Padaria de Benfica, mercearia Girasol, o Restaurante O Lavrador e as Modas Coelho prontificaram-se logo a ajudar. A Dra. Inês Drummond achou que também devia colaborar, em nome pessoal, e arranjou-nos umas caixas de sardinhas. A junta de freguesia forneceu as cadeiras e as mesas e a Direcção do Fófó permitiu que a Marcha de Benfica viesse animar a festa. O Grupo de Idosos dos Reformados da Junta de Freguesia de Benfica também veio alegrar a festa. Por outro lado a Dra. Teresa do Santo Cristo proporcionou-nos uns momentos fantásticos com a tuna, e bendita a hora que o fizeram porque deram um verdadeiro espectáculo. No fim contámos com 470 pessoas e ainda sobrou comida. Contámos também com a ajuda dos jovens. Havia moradores que aqui na rua nem sequer se falavam e eu tive as minhas dúvidas se viriam à festa. Não só vieram jantar como trouxeram familiares e trabalhámos todos em conjunto. Foi uma festa maravilhosa. E, no dia seguinte, não havia rastos de ter havido festa, pois estava tudo limpo. Esta festa vai ficar na memória das pessoas. E tenho de agradecer à Dra. Inês Drummond que foi quem teve a ideia da iniciativa, à Dra. Teresa do Santo Cristo, à Dra. Lourdes Menor, e a outras tantas pessoas da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de Benfica que estiveram aqui até ao fim da festa e toda a gente apreciou esse gesto. Geralmente os políticos estão um bocadinho e depois vão-se embora, mas elas estiveram aqui o tempo inteiro, foram fantásticas e deram um apoio muito grande. “Tenho aceite ao longo destes anos muitos desafios, e aqui estou pronta para continuar a ajudar, já que solidariedade é a minha forma de vida.”

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Notícia Vivacidade e Tradição Devolver a vivacidade e a tradição das festas populares à Freguesia de Benfica foi o objectivo do convívio dos vizinhos. Este ano o 1º Bairro a aceitar a proposta da Junta de Freguesia foi o Bairro de Santa Cruz. A população organizou-se para celebrar o Santo António num Bairro onde há já vários anos não se ouviam as cantigas das marchas populares, o “cheiro da sardinha assada”, o “burburinho” da vizinhança na rua com bailarico. Um grupo de moradores com muita “genica” conseguiu envolver a população e as entidades que gentilmente patrocinaram com apoio alimentar (pão, sumos, sardinhas, doces, salgados). O local foi enfeitado pelos vizinhos e pela equipa da junta que apoiou esta acção ao nível dos recursos humanos e logísticos. Por convite da Sra. Presidente da Junta, Dra. Inês Drummond, participaram e actuaram nesta FESTA a Tuna Académica da UNISBEN, o Grupo de Folclore da Associação de Reformados de Benfica, a Marcha de Benfica e jovens do bairro que quiseram mostrar os seus dotes musicais com uma actuação no final. O sucesso da FESTA deveu-se à motivação, envolvimento e mobilização do grupo de moradores que desde o início se disponibilizaram para reuniões de programação de tarefas, com a equipa do PIAF. A alegria deste convívio prolongou-se noite dentro. Para o grupo de moradores e participantes o nosso mais sincero agradecimento!

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Cem anos de vida Maria dos Santos Pinto e Canha A 5 de Outubro de 1910, Lisboa acordou para outra realidade, a monarquia tinha chegado ao fim e nascia a República Portuguesa. Treze dias depois, a 18 de Outubro do mesmo ano, e bastante longe destes acontecimentos nascia na freguesia de Alpedrinha, concelho do Fundão, Maria dos Santos Pinto e Canha. A VitalIdade foi ver como era fazer 100 anos. A casa estava tão cheia de familiares e amigos, sinónimo de uma vida plena e vivida intensamente, que mal tivemos espaço para registar a alegria nos olhos vivos e atentos de Maria dos Santos Canha. As suas três filhas, Manuela Canha, Teresa Canha e Madalena Canha atarefavam-se nos preparativos para tão solene celebração e só tivemos uns breves segundos para perceber o que é ter um parente que comemora cem anos de vida. “É um grande motivo de orgulho, tanto mais que é ainda uma pessoa lúcida e ainda tem uma grande disponibilidade física.” Disse-nos Madalena Canha. “A minha mãe é uma pessoa que gosta de viver, embora ultimamente sinta mais o peso da idade e as dificuldades que isso acarreta. Mas está muito bem. Nós somos uma família pequena mas com um grande sentido de afecto e acho que isso sempre foi muito importante para minha mãe.” Maria dos Santos Canha tem uma neta e dois bisnetos que de certeza se orgulham de ter uma avó e uma bisavó centenária. Presente para dar os parabéns à aniversariante esteve a Presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Dra. Inês Drummond.

Parabéns! VitalIdade | Outubro 39



Vitalidade