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ENTREVISTA

Anita Pires

“Vivemos a grande década do turismo no Brasil” Anita Pires, nova vice-presidente do Conselho de Turismo da CNC, fala sobre o cenário do turismo no Brasil e as perspectivas para o setor em 2012

Há quanto tempo a senhora trabalha em prol do turismo? Eu trabalho em turismo há mais de 20 anos, desde as décadas de 1980 e 1990, quando o turismo começou a crescer no Brasil e se transformar em uma atividade econômica geradora de riquezas e postos de trabalho. Nessa época, o mundo começou a se descobrir junto com a questão da globalização, o que deu visibilidade ao setor e também proporcionou o crescimento do nosso trabalho, que tem foco específico no desenvolvimento da atividade econômica do turismo. Como a senhora enxerga o turismo brasileiro no momento atual, com todas as mudanças que aconteceram nos últimos anos? Acredito que o Brasil vive um momento muito bom. Em quatro décadas, o País deixou de ser pobre, passou a ser emergente e hoje está abrindo as portas do clube das nações ricas. Superou a crise e tem muita visibilidade em função não só do desenvolvimento do País, mas também com a chegada dos megaeventos esportivos. Nos últimos seis, sete anos, as políticas públicas que foram definidas para promoção do Brasil no exterior e a ação do setor empresarial, entendendo que a questão da captação do turista e dos eventos também é uma função do mercado, têm realmente trazido para o Brasil muitos eventos internacionais, tanto que estamos entre os dez países que mais atraem eventos. Tudo isso trouxe a atividade turística brasileira para um momento novo. Eu acredito que vivemos a grande década do turismo tanto no Brasil quanto no

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mundo. Hoje temos pessoas que querem conhecer cada vez mais o planeta, circular pelos quatro cantos do mundo. O que deve ser feito para que o Brasil se prepare adequadamente para atender à crescente demanda turística? O Brasil é um País extremamente atraente, pelo seu colorido, pela Amazônia, pela música, pela hospitalidade e pela alegria do seu povo, o que conquista muito os nossos turistas internacionais. Então, realmente vivemos um momento importante, em que nós do mercado e das entidades temos que nos profissionalizar e nos qualificar para atender essa demanda. Não bastam esses atrativos todos se não tivermos condições de oferecer serviços de qualidade. Se não tivermos uma boa estrutura, aeroportos adequados para receber os turistas, segurança e sustentabilidade, de nada irá adiantar. Políticas públicas associadas às ações empresariais são essenciais para o desenvolvimento do turismo. De que maneira os grandes eventos influenciam o turismo brasileiro? Os eventos hoje têm um impacto positivo em toda a cadeia produtiva do setor turístico, sejam de pequeno médio ou grande porte. Cada vez mais as empresas e associações empresariais, médicas ou culturais, veem no evento uma bela ferramenta de marketing e comunicação para fidelizar seus clientes ou marca, lançar novos produtos ou reunir seus parceiros. Nós temos que tornar o evento mais atrativo, introduzindo oportunidades culturais, de lazer, entre outros, para


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que os participantes dos eventos tragam sua família e fiquem mais um dia ou dois no destino. Dessa forma, movimentamos uma série de prestadores de serviços turísticos, como são os casos de agências, hotéis, grupos culturais. Qual a importância da capacitação profissional para o setor turístico? O grande gargalo do turismo no nosso País é a profissionalização. Ou nós, empresários, governo e entidades, nos debruçamos sobre isso ou o turista virá uma só vez ao Brasil. Há um debate bastante aguçado com o governo, e mesmo ações das empresas e entidades, na busca da eficiência na prestação dos serviços. Como o governo não tem tido o compromisso e a capacidade de fazer a gestão das políticas públicas para essa área, a sociedade se mobiliza, o que é muito bom. Turismo é um mercado e temos que assumir isso, e não ficar achando que é um dever somente do governo. Mas debater a capacitação e profissionalização tem que ser uma ação conjunta público-privada. Que legado esses eventos poderão deixar para o País? O legado da década em função dos megaeventos é a visibilidade que o Brasil terá e as obras de infraestrutura, mas principalmente a grande oportunidade de profissionalização da cadeia produtiva de turismo. O mercado internacional se aproxima do Brasil ao perceber que, se vamos sediar esses eventos, estamos preparados para receber todo e qualquer outro tipo de evento.

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Para 2012, quais são as expectativas para o turismo nacional? Estou otimista e percebo também, por parte do setor empresarial turístico, que teremos um grande ano em função do crescimento e desenvolvimento do Brasil. O que não podemos é achar que os frutos desta década dos megaeventos vão cair no nosso colo. Temos que correr atrás, ser criativos, empreendedores e muito profissionais. Quando falo em profissionalização me refiro também a repensar e investir na gestão das entidades do setor do trade. Não seremos profissionais e nem acompanharemos as grandes mudanças globais se não repensarmos nossas entidades para se adequarem à contemporaneidade e às necessidades dos nossos clientes. Como a senhora recebeu o convite para assumir a vice-presidência do Conselho de Turismo? O convite que recebi da CNC, do Eraldo Alves da Cruz, ex-vice-presidente do Conselho de Turismo e atual secretário-geral da CNC, e do nosso presidente, Alexandre Sampaio, para assumir a vice-presidência do Conselho, é para mim muito honroso. Essa é uma grande oportunidade não só para desenvolver a minha área, que é a cadeia produtiva de eventos, mas para todas as áreas do setor de turismo. Tenho comigo a percepção muito clara de que a CNC é uma entidade que tem estrutura apropriada e que se abre pra essa atividade junto às entidades do trade turístico. E nós podemos usufruir muito mais desse potencial que a CNC tem. CNC Notícias Janeiro 2012 n°142

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