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LER É

PRE CISO Por Ana Maria Ferrarini

O PISA 2018 AVALIA AS COMPETÊNCIAS GLOBAIS DO ALUNO COM FOCO NA LEITURA. A PARTIR DOS RESULTADOS SERÃO PRODUZIDOS INDICADORES QUE CONTRIBUIRÃO PARA A DISCUSSÃO DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

Será que os alunos brasileiros estão bem preparados para enfrentar os desafios da vida cotidiana? A resposta à questão virá com o resultado do maior exame em educação do mundo: o Pisa 2018 (Programme for International Student Assessment). Coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), a avaliação abrange as áreas de leitura, matemática

escola. Em 2018, pela primeira vez, os pais dos alunos selecionados deverão responder a um questionário em papel.

e ciências, e irá mensurar as habilidades socioemocionais de

Com maior número de questões, a leitura será o foco do exame

estudantes de 15 anos de cerca de 80 países.

deste ano e incorpora inovações na avaliação da capacidade dos

No Brasil, a prova do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes será conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos

participantes de ler, aprender e escrever, em acordo com os novos contextos de leitura vivenciados pelos cidadãos no mundo atual.

e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Serão avaliados

Com base nos resultados, serão produzidos indicadores que

19 mil alunos, de 15 anos (nascidos em 2002) de 661 escolas

contribuirão para a discussão da qualidade da educação nos países

e matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental.

participantes. Eles também permitirão comparar a atuação dos

Também serão coletadas informações contextuais por meio de

estudantes e do ambiente de aprendizagem entre diferentes

questionários aplicados aos estudantes, professores, diretores de

nações. A divulgação dos dados ocorre no ano seguinte à aplicação.


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ENSINO DE CIÊNCIAS A edição de 2015 do Pisa concentrou a avaliação no ensino de ciências. O desempenho dos estudantes brasileiros ficou bem abaixo da média de 493 pontos das 70 economias avaliadas pela OCDE. A maior dificuldade constatada foi em relação aos conteúdos ligados à explicação de fenômenos científicos. As questões de ciência avaliaram três competências: explicar fenômenos cientificamente, avaliar e planejar experimentos científicos e interpretar dados e evidências cientificamente. O Pisa 2015 revelou que, em ciências, pouco mais de 40% dos estudantes brasileiros entre 15 e 16 anos atingiram pelo menos o nível 2 da escala de proficiência, considerado pela OCDE o básico para a aprendizagem e participação plena na vida social, econômica e cívica das sociedades modernas em um mundo globalizado. Participaram 23.141 estudantes de 841 escolas das 27 unidades da Federação. Em matéria publicada no portal do Inep, a presidente Maria Inês Fini, em relação ao Pisa 2015, destaca os ganhos brasileiros com a educação comparada, permitida desde que o país participou, pela primeira vez da avaliação em 2000, e afirma que é muito significativo como a experiência de outros países, com contextos bastante diferentes, e alguns parecidos com o nosso, podem nos mostrar sobre a influência dos fatores associados ao desempenho dos alunos. Fatores macroeconômicos e macroculturais têm uma incidência quase que direta no desempenho dos nossos alunos e na aprendizagem que eles têm direito de ter. Para o Inep, o programa internacional de avaliação dos estudantes produz indicadores que têm contribuído na discussão da qualidade da educação nacional e direciona ações para melhorar o ensino básico. Os resultados do programa são de grande importância para

”Competência global é a capacidade do aluno de examinar questões locais, globais e interculturais para compreender e apreciar as perspectivas e as visões do mundo dos outros, envolverem-se em interações abertas, apropriadas e efetivas com pessoas de diferentes culturas e atuarem para o bem-estar coletivo e desenvolvimento sustentável”,

ajudar a conduzir reformas de inclusão, definir políticas de mais

explica Andreas Schleicher, diretor de educação e habilidades da

construção de uma Base Nacional Comum Curricular, a referência

OCDE. ”As escolas desempenham papel único na preparação da

para orientar o trabalho pedagógico das escolas brasileiras. Além

juventude. O Pisa é uma ferramenta para gestores educacionais,

disso, o Inep tem estudado a retomada da avaliação da área de

líderes e professores interessados em nutrir a competência

ciências no âmbito do Sistema de Avaliação da Educação Básica”,

global entre os jovens”, acrescenta.

colocou.

equidade e de valorização dos professores. A diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, Luana Soares, sublinha que a os resultados do Brasil na última edição do Pisa com foco a área de Ciências, apresentaram-se sem grandes avanços. ”Entre as ações que podem contribuir para mudar esse cenário, um movimento importante do Ministério da Educação tem sido a


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Em 2018 um novo ciclo do Pisa ocorrerá com uma amostra

Entre os fatores destacados pelo Inep que influenciam o baixo

representativa de escolas brasileiras participando da edição.

desempenho está o índice de repetência que, entre outras

”Uma novidade importante é que, pela primeira vez, o Brasil

questões, pode desestimular os estudantes. Na avaliação, 36%

está propondo questões para compor os testes da avaliação

dos jovens de 15 anos afirmaram ter repetido uma série pelo

internacional. Com essa ação, esperamos contribuir com ideias

menos uma vez. O nível socioeconômico também influencia o

e formatos de itens que têm sido estudados internamente”,

desempenho. Alunos com maior nível socioeconômico tendem

anuncia a diretora de Educação Básica do Inep.

a tirar notas maiores. Entre os países da OCDE, a diferença entre estudantes com maior e menor nível pode chegar a 38 pontos

DESIGUALDADE

de proficiência. No Brasil, essa diferença chega a 27 pontos ou o

Dados do Inep mostram uma grande desigualdade entre os

equivalente um ano de aprendizagem.

estados em relação aos resultados do Pisa. Em ciências, o estado

A OCDE, em sua conclusão quanto ao resultado do Brasil no Pisa

que obteve a melhor colocação foi o Espírito Santo, com 435

2015, ressaltou que os estudantes brasileiros precisam conhecer

pontos. O estado com o pior desempenho foi Alagoas, com 360

mais sobre ciências. O Pisa se tornou uma importante referência

pontos. De acordo com os critérios da organização, 30 pontos no

de avaliação educacional em larga escala no contexto mundial,

programa internacional equivalem a um ano de estudos. Isso

porque permite avaliar o que é importante que os jovens saibam,

significa que, em média, há mais de dois anos de diferença entre os

valorizem e sejam capazes de realizar em situações que envolvem

dois estados.

a ciência e tecnologia.

PISA 2015 40% DOS ESTUDANTES

BRASILEIROS ATINGIRAM O NÍVEL 2

PARTICIPARAM 23.141 ADOLESCENTES DE 841 ESCOLAS E 27 ESTADOS

MAIOR PONTUAÇÃO FOI DE 435 DO ESPÍRITO SANTO E A PIOR FOI DE ALAGOAS COM 360

PISA 2018

PARTICIPARÃO 19.000 ALUNOS, NASCIDOS EM 2002 DE 661 ESCOLAS


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O QUE É O PISA? O Programme for International Student Assessment ou Programa Internacional de Avaliação de Estudantes é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) e abrange as áreas de leitura, matemática e ciências. Mensura as habilidades socioemocionais de estudantes de 15 anos de cerca de 80 países.

Revista transformando 2018 ler é preciso  
Revista transformando 2018 ler é preciso  
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