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Barba Azul Lliliana Cinetto † Andrés Martínez Ricci

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Este livro pertenece ao:


Barba Azul Um conto de Charles Perrault contado por Liliana Cinetto traduzido por Celso Sisto e ilustrado por AndrĂŠs MartĂ­nez Ricci

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De todos os pretendentes que havia nos arredores, logo Barba Azul foi se interessar pela filha mais jovem da vizinha. Que azar! É bem verdade que ele era um homem rico e poderoso. E que tinha magníficas casas na cidade e no campo. E que tinha vasilhas de ouro e prata e até umas carruagens douradas último tipo. Mas ele era mais feio do que tudo. Além da cara de mau que assustaria o mais valente, Barba Azul tinha ainda uma estranha barba de cor azul. Por isso, claro, o chamavam assim. Para piorar ainda mais a situação, ele já tinha sido casado várias vezes antes, mas suas esposas haviam desaparecido misteriosamente e ninguém sabia nada delas.


A verdade é que para convencê-la a se casar com ele, Barba Azul levou a jovem com sua mãe, sua irmã mais velha, várias amigas e alguns rapazes da vizinhança, para passarem uns dias em uma de suas casas de campo, a mais bonita. E organizou uma festa, um baile e um pic-nic... Foram caçar, pescar, passear... E passeio vai, festa vem, em uma semana a jovem já tinha começado a achar que Barba Azul era um dos sujeitos mais elegantes. E que parecia, certamente, um homem sério. E que, além de tudo, sua barba não era tão azul. Sendo assim, se casaram.


Logo depois do casamento, Barba Azul avisou a sua esposa que precisava viajar e lhe entregou um molho de chaves. —São as chaves dos trezentos e quarenta e três quartos da minha casa de campo. Convida suas amigas e entra em qualquer um deles, para ver os tesouros que guardo neles —disse o marido e, apontando para a menor chave de todas, acrescentou—. Eu só proíbo você de entrar no quarto do fundo, à direita, cuja porta se abre com esta pequena chave. Se você entrar lá, vai conhecer o tamanho da minha fúria e virar picadinho.


Ela prometeu que nem que estivesse louca entraria ali. Primeiro porque tinha outros trezentos e quarenta e dois quartos para ver. Segundo, porque n達o queria que seu esposo fizesse picadinho dela.


Barba Azul se foi e as amigas dela e sua irmã não tardaram em aparecer. Tudo ela mostrou a elas: os luxuosos salões, os preciosos móveis, as travessas de ouro e prata, os tapetes bordados, os espelhos de cristal... Enfim, mostrou a elas as imensas riquezas que havia nos trezentos e quarenta e dois quartos em que tinha permissão de entrar. Porque em um ela não podia, claro, o do fundo, à direita, aquele que se abria com a pequena chave.


E ainda que sua irmã e suas amigas não parassem de exclamar “Oh!” e “Ah!”, cada vez que entravam em um quarto cheio de maravilhas e tesouros, ela não podia deixar de pensar na pequena chave, aquela que Barba Azul a havia proibido de usar. Dava voltas e mais voltas perguntando a si mesma “o que poderia haver por trás daquela porta fechada?”. Até que não pode mais agüentar a curiosidade. E depois, não devia ser algo assim tão grave. E além disso, estava certa de que Barba Azul havia dito que a faria em picadinhos apenas por dizer! Por isso, pegou a pequena chave, abriu a porta do quarto do fundo, à direita e...


AHHHHHHHHHH! Que horror! Lá havia sangue, lá havia esqueletos, lá havia punhais ensangüentados, lá havia... mortos! Ou melhor dizendo, mortas. Porque lá estavam as esposas anteriores de Barba Azul, que não haviam desaparecido. O desgraçado havia feito picadinho delas. Tremendo de medo, a jovem quis sair desse lugar horrível e, por conta do nervosismo, acabou deixando a pequena chave escapar de suas mãos, cair no chão e manchar-se de sangue.


Muito assustada, ela tentou limpar as manchas vermelhas da chave. Mas por mais que esfregasse, e esfregasse e voltasse a esfregar, o sangue não desaparecia. Tentou com detergente, com sabão, tentou com tira-manchas... Estava desesperada. Quando Barba Azul visse o sangue na pequena chave, se daria conta, imediatamente, do que havia acontecido e a faria em picadinho, igual às outras esposas. Então, a jovem tirou a chave pequena do chaveiro e a escondeu.


Barba Azul regressou no dia seguinte e a primeira coisa que fez foi pedir a ela o molho de chaves. E quando viu que faltava justo a chavinha, se enfureceu: —Devo ter perdido. Ou talvez a tenha deixado no banheiro —disse ela, tratando de disfarçar. Mas, por fim, teve que entregar-se. Pra que? Barba Azul ficou mais furioso que um urso. Um urso, furioso, claro. —Agora mesmo vou buscar o punhal e faço você em picadinhos —gritou-lhe. —Agora? Já? Dê-me um tempinho que seja, para preparar-me! Que sei eu? Talvez meia horinha para rezar... – pediu ela aterrorizada. —Bom, sete minutos, nem mais nem menos, enquanto afio o facão —respondeu-lhe o malvado.


Quando se viu sozinha, a pobre moça correu para procurar sua irmã, contou a ela tudo o que havia se passado e lhe disse: —Ana, minha irmão (porque este era o nome dela), te peço um favorzinho. Sobe na torre mais alta para ver se estão vindo nossos irmão. Eles ficaram de visitar-me hoje, para tomarmos leite. Se você os avistar, faz-lhes sinais para que se apressem. A irmã mais velha subiu até a torre mais alta. —Está vendo algo? —lhe perguntou a jovem desesperada ao pé da escada. —Só a grama verde e um pouco de sol. —Que azar, Ana, minha irmã! —se lamentou a jovem.


Enquanto isso, Barba Azul voltou com um facão enorme, pronto para fazer picadinho de sua esposa. —Por favor, um pouquinho mais, que ainda não terminei —suplicou ela e em seguida voltou a perguntar a sua irmã—. Está vendo algo? —Só umas ovelhinhas comendo a grama verde. —Que azar, Ana, minha irmã! —lamentou a jovem. Barba Azul escutou e aproximou-se enfurecido. —Acabou o tempo! Agora farei você em picadinhos! Neste mesmo momento, a irmã mais velha voltou a gritar: —Agora vejo nossos irmãos que se aproximam a cavalo. Vou fazer sinais para que saibam que este desgraçado quer fazê-la em picadinho.


Barba Azul se irritou ainda mais e agarrou a esposa pelos cabelos, com o punhal no braço erguido, pronto para fazê-la em pedaços. Mas, quando parecia que já não havia mais salvação para a pobre moça, entraram os irmãos com suas espadas e se precipitaram sobre Barba Azul. Os dois cavaleiros lutaram com Barba Azul. Atingiram-no aqui, golpearam-no ali e por fim, fizeram-no em picadinhos.


O fato é que a jovem se salvou. Primeiro porque Barba Azul não a fez em picadinhos. Segundo porque herdou todas as riquezas de Barba Azul. A jovem viveu feliz durante muitos anos. Ajudou sua mãe e seus irmãos, inclusive dizem que voltou a se casar. Claro, com um homem que não tinha a barba azul. E assim, assado, esse terrível conto está acabado!


Barba azul / adaptado por Liliana Cinetto ; ilustrado por Andrés Martínez Ricci. - 1a ed. Buenos Aires : Pictus, 2009. 24 p. : il. ; 12x12 cm. ISBN 978-987-1534-18-0 1. Literatura Infantil. 2. Cuentos Clásicos. I. Cinetto, Liliana, adapt. II. Martínez Ricci, Andrés, ilus. CDD 863.928 2

© 2009 pictus s.r.l. Prohibida la reproducción, el almacenamiento, el alquiler, la transmisión o transformación de este libro, sin el permiso previo y escrito del editor. Su infracción está penada por las leyes 11.723 y 25.446.


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Barba azul  

Barba azul en portugués Sample translation. No actual edition.

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