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ISSN 1679-0189

o jornal batista – domingo, 04/03/12

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Órgão Oficial da Convenção Batista Brasileira Fundado em 1901 Rua Senador Furtado, 56 . RJ

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Ano CXII Edição 10 Domingo, 04.03.2012 R$ 3,20 foto: Sélio Morais

CIEM comemora 90 anos cumprindo sua missão

Com muitas histórias para contar, o CIEM celebra 90 anos no dia 10 de março. Em janeiro, na sua 89ª Assembleia em Foz do Iguaçu, o pastor Fernando Brandão, diretor executivo da JMN, entregou uma placa comemorativa e de reconhecimento pelo trabalho realizado durante estes 90 anos. Veja nas páginas 8 e 9 como começou a história do Centro Integrado de Educação

e Missões, veja como o seu nascimento e seu crescimento foi registrado em O Jornal Batista. Os traços de crescimento são marcados também pelas mudanças do nome da instituição, que conforme evoluía, expandia com novas ideias. Durante estes anos passaram pela Instituição milhares de servos de Deus, chamados para serem ceifeiros na sua seara.

Nascida para o estrelato: Whitney Houston A morte precoce de uma famosa cantora secular, que nasceu num lar cristão mas viveu uma vida entregue às drogas, faz sobressaltar diversos sentimentos e pensamentos ao povo evangélico. Uma queda trágica para uma superestrela que chegou a ser considerada uma das artistas de maior brilho nestas últimas décadas. Veja nas páginas 6 e 14 reflexões e ponto de vista que o farão pensar no papel dos pais, dos educadores, da Igreja e nas escolhas pessoais, mas fatais.


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reflexão

EDITORIAL O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Paschoal Piragine Júnior DIRETOR GERAL Sócrates Oliveira de Souza SECRETÁRIA DE REDAÇÃO Arina Paiva (Reg. Profissional - MTB 30756 - RJ) CONSELHO EDITORIAL Macéias Nunes David Malta Nascimento Othon Ávila Amaral Sandra Regina Bellonce do Carmo

EMAILs Anúncios: jornalbatista@batistas.com Colaborações: editor@batistas.com Assinaturas: assinaturaojb@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Rua Senador Furtado, 56 CEP 20270.020 - Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2157-5557 Fax: (21) 2157-5560 Site: www.ojornalbatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Jornal do Commércio

Luta contra a cegueira espiritual

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o meio do povo cristão existe um grupo de pessoas que tem uma grande dificuldade de aceitar a vontade de Deus, assim como aceitar a grande sabedoria vinda de outras pessoas, que não eles próprios. Criam um sentimento de inveja, nutrido pela cobiça pelo poder espiritual dado por Deus para outro. De princípio essas palavras parecem exageradas, mas são reais. Pessoas que se dizem cristãs, estão minando servos do Senhor por inveja. O que acontece desde séculos atrás, como é possível ver na história de Estevão. “Estêvão, um homem muito abençoado por Deus e cheio de poder, fazia grandes maravilhas e milagres entre o povo. Mas ficaram contra ele alguns membros da ‘Sinagoga dos Homens Livres’, que era a sinagoga dos judeus que tinham vindo das cidades de Cirene e Alexandria. Estes e

Uma campanha para O Jornal Batista • Há 63 anos venho escrevendo para o nosso órgão oficial, O Jornal Batista. Comecei a escrever em 1949, quando o redator era o pastor Almir dos Santos Gonçalves. Prossegui nas gestões dos pastores Reis Pereira (1964 a 1988), Nilson Dimárzio (1988 a 1995), Salovi Bernardo (1995 a 2002) e Sócrates de Oliveira (2002 até hoje). Tenho coleções do jornal desde 1919. Leio-o desde pequeno, pois meu pai, o pastor Antônio Soares Ferreira, sempre o assinou e o divulgou. Tenho sido um paladino de nosso periódico. Amo-o e divulgo-o. Até há pouco tempo, quando viajava para pregar em alguma igreja fora do Rio de Janeiro, trazia sempre comigo pedidos de novas assinaturas. Creio que para este momento, quando somos desafiados a buscar um avivamento, um poderoso colaborador deve ser o nosso jornal. Sua tiragem, porém, é pequena, em face do número de batistas que já temos no Brasil. Durante um bom tempo, o pastor Sócrates enviou gratuitamente o jornal às milhares de igrejas que não o assinavam, esperando estimulá-las a se

outros judeus da região da Cilícia e da província da Ásia começaram a discutir com Estêvão, que ele ganhava todas as discussões. Então eles pagaram algumas pessoas para dizerem: - Nós ouvimos este homem dizer blasfêmias contra Moisés e contra Deus! Dessa maneira eles atiçaram o povo, os líderes e os mestres da Lei. Depois foram, agarraram Estêvão e o levaram ao Conselho Superior. Então arranjaram alguns homens para dizerem mentiras a respeito dele. Essas pessoas afirmaram o seguinte: - Este homem não pára de falar contra o nosso santo Templo e contra a Lei de Moisés. (…). Todos os que estavam sentados na sala do Conselho Superior olhavam firmemente para Estêvão e viram que o rosto dele parecia o rosto de um anjo” (Atos 6.8-15). A questão é que a palavra de Deus tem sido deixada de

ser anunciada por causa do próprio povo cristão. As brigas e discussões dentro das igrejas tem sido tantas que a pregação do evangelho tem ficado em segundo lugar, o que não poderia acontecer. As desavenças por questões banais ou espirituais estão deixando algumas pessoas cegas espiritualmente. A cegueira espiritual vem quando as coisas do mundo se tornam superiores às coisas divinas. Como por exemplo ter fama, ter sucesso, ter dinheiro, ter poder, ter bens, ser dono, ser o principal, ser o primeiro, essas questões cegam o que é divino, ou seja, o agir de Deus. E a consequência disso tudo é um poço de pecados que leva a morte espiritual. Enquanto a Igreja de Cristo se divide por um querer ser mais do que o outro, almas estão se afastando dos caminhos do Senhor. Grandes cantores e cantoras estão saindo da igreja e cantando no mundo,

Ca do rtas edi s le tor it @b atis ore ta s s .c om

tornarem assinantes. É preciso criar a mística pela leitura de nosso jornal. Eu o leio de ponta a ponta. Até necrológios e anúncios, para me informar a respeito de tudo. O presidente da CBB, pastor Paschoal Piragine Júnior, em sua oportuna mensagem “Por um avivamento bíblico e transformador”, conclamando todos para a busca de um genuíno avivamento, o que resultará em igrejas santificadas e avivadas. O pastor Piragine me disse, por e-mail, que “nossa meta é chegar até a próxima Conven-

ção com uma tiragem ao redor de um milhão de exemplares semanais”, e que “desde janeiro deste ano, em sua versão on-line, O Jornal Batista está sendo entregue a mais de 132 mil assinantes e mais de 10 mil exemplares em papel”. Quero sugerir que se lance a campanha: “Em cada lar batista, leitores de O Jornal Batista”. Precisamos de comunicação e o nosso órgão oficial é o melhor meio de fazermos a comunicação com as igrejas. Cada diretor-executivo da CBB deve ajudar, inserindo em sua palavra, onde quer que vá, a

As mensagens enviadas devem ser concisas e identificadas (nome completo, endereço e telefone). OJB se reserva o direito de publicar trechos. As colaborações para a seção de Cartas dos Leitores podem ser encaminhadas por e-mail (editor@batistas.com), fax (0.21.21575557) ou correio (Rua Senador Furtado, 56 - CEP 20270-020 - Rio de Janeiro - RJ).

grandes pastores estão se desviando do que é correto aos olhos de Deus, grandes diáconos estão servindo ao mundo, grandes profissionais fazem sucesso em meio ao pecado. E contra a tudo isso, o que os crentes que estão nas igrejas estão fazendo? Infelizmente nada, porque a cegueira espiritual os corrompeu. Graças a Deus existem exceções. As discussões nas igrejas devem ser com objetivo de frutificar, trazer proveito e não o contrário. Já passou da hora dos cristãos buscarem integridade servindo os irmãos com o propósito de crescimento. Praticar a Bíblia é lutar contra a cegueira espiritual e se alegrar com o amadurecimento de outros, é buscar com todo o vigor aqueles que se desviam, é correr para o alvo como se fosse a única coisa a se fazer, é ver o esplendor de Deus no rosto do irmão e usufruir do Espírito Santo. propaganda sobre assinaturas. Quem sabe até mesmo eles poderiam angariar assinaturas. Isso é trabalho cooperativo. Cada secretário-executivo estadual e de associações devem também ajudar, colocando sempre em sua palavra a necessidade de se fazer assinatura de OJB, e ele mesmo pode levar talões para angariar assinaturas. Todas as demais organizações — UFMBB, UMHBB, JUMOC, ABIBET, ANEB, OPBB, UEPBB — devem se engajar nessa luta, para conquistar o maior número. Seminários e colégios batistas devem também estar engajados nessa campanha. Se todos nos unirmos em torno do ideal proposto, teremos bem acrescido o número de assinantes do nosso periódico, e por consequência, maior número de batistas será atingido na campanha “Por um avivamento bíblico e transformador”. Sendo O Jornal Batista órgão doutrinário, maior número de pessoas receberá doutrinamento e informação para seu desenvolvimento geral. Ebenézer Soares Ferreira Diretor Geral do Seminário Teológico Batista de Niterói


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MÚSICA Rolando de Nassau

“Gloria”, de Rutter, em Brasília (Dedicado ao leitor João Wilson Faustini, de Irati, PR)

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um domingo de dezembro, em pleno culto, apresentou-se o “Gloria”, de John Rutter (1945- ). Coube a um novo conjunto vocal da Cidade-Céu a primeira execução. O tempo e o local Foi considerado que a época (comemoração do Natal) seria apropriada e prestigiaria essa obra de Rutter. Embora o próprio compositor tenha advertido, em 1984, que o “Gloria” foi composto como “uma obra de concerto”, apesar de usar um texto litúrgico, prevaleceu a escolha do templo como adequado para a realização do evento. Alguns dirigentes musicais acham que toda música erudita pode ser executada no templo. Duas outras obras de Rutter, o “Réquiem” (1985) e o “Magnificat” (1990) são religiosas, mas não são sacras; somente o “Te Deum” (1988) e o “Winchester TeDeum” (2006) tiveram aproveitamento litúrgico, quando foram executados nas catedrais anglicanas de Canterbury e de Winchester. Por não ser religioso, Rutter não destina suas obras ao uso eclesiástico.

A escolha do templo, em detrimento do auditório, nada significou para o público: estava presente num culto, mas, ao final da execução, aplaudiu como se estivesse numa sala de concertos. “En ese grupo hay algo impuro”. Nele faltou discernimento entre música de culto (litúrgica) e música de entretenimento (artística). A obra – letra e música O “Gloria” foi encomendado por um coro de Omaha, Nebraska (EUA) e regido por Rutter em sua estreia, por ocasião da sua primeira visita em 1974. O texto latino, extraído do Ordinário da missa católica, parece ter incomodado os programadores do evento. Alguém teve a preocupação mitigadora: ao lado de cada frase citou um versículo do Novo Testamento. Entretanto, nada nesse texto litúrgico católico ofende a doutrina batista. Quem ouve o canto em latim primeiro deve sabê-lo para entendê-lo, depois deve esquecê-lo. O mesmo acontece com o inglês de nossos hinos. Esse texto foi um desafio para Rutter, porque algumas vezes é exaltado, outras é reflexivo. Ele aproveitou peças do Canto Gregoriano. O coro é acompanhado por um conjunto de instrumentos (metais, tímpanos, percussão e órgão), existe uma versão para orquestra

completa. A obra foi selecionada talvez por ser acessível e prescindir de uma voz solista. Adota uma estrutura sinfônica tradicional. No primeiro (“Allegro vivace”) e no terceiro movimento (“Vivace”) é expresso um jubiloso louvor; no movimento intermediário, o louvor é mais introspectivo. Por seus acentos modernos, o “Gloria” de Rutter fez-me lembrar a “Missa” de Leonard Bernstein (1918-1990), composta pouco tempo antes, em 1971, mas adaptada à ação cênica, com cantores, atores e dançarinos. Esperamos que essa obra de Bernstein nunca venha a ser encenada numa igreja batista. O compositor Rutter nasceu em Londres e estudou música no Clare College, em Cambridge, onde foi diretor, de 1975 a 1979. Criou os “Cambridge Singers”, compôs peças instrumentais para o “The Philip Jones Brass Ensemble” e fundou a gravadora “Collegium”. Foi homenageado pelo “Westminster Choir College”, de Princeton (EUA), pelo “Guild of Church Musicians” e pelo arcebispo de Canterbury. À pergunta feita por Élben Lenz César, “A música sacra erudita dos nossos dias sofre de esvaziamento do conteúdo bíblico e teológico?”, respondi

que Rutter estava remediando os estragos causados na década de 60 por alguns músicos da Igreja Anglicana (revista “ULTIMATO”, no. 333, nov.-dez. 2011, pp. 4648). Nos últimos 37 anos, para enfrentar o precário triunfo da mediocridade, ainda usufruído pela música “gospel”, Rutter tem dado aos coros algumas das mais acessíveis obras do século 20. A execução Esta é uma obra de curta duração (16 min). Reduzindo o seu impacto, aconteceu um intervalo de alguns minutos, enquanto o organista ajustava a registração do seu instrumento. Ocorreu a suspensão da emoção, por não haver coordenação dos executantes. Na primeira parte do texto (“Gloria in excelsis Deo”), numa interpretação condizente, o conjunto vocal, acompanhado de instrumentistas, expressou, repetidas vezes, o suposto propósito dos executantes de alcançarem a elevação espiritual. Reconheceram o favor de Deus, a paz concedida aos homens (Luc. 2.14). No “Domine Deus”, depois de meditarem ao som do órgão, os intérpretes desejaram aprofundar seu conhecimento dos atributos de Deus Pai e de Jesus Cristo; sua dicção não foi clara, embora o latim, por natureza, seja fácil

de entender. No “Quoniam Tu solus sanctus”, humilharam-se diante da Trindade. Não podemos afirmar que todos os executantes, ao participar naqueles momentos litúrgicos, esposavam aqueles conceitos. Mas, do ponto de vista artístico, a execução foi quase convincente. Somos solidários com Bach, que expressou o desejo de que os coristas “sein menschlich Wesen machet euch den Engelsherrlichkeiten gleich euch zu der Engel Chor zu setzen”, isto é, que, apesar de sua natureza humana, possam igualar-se aos anjos e sentar-se no coro (Cantata, BWV-91). O compositor Franz Liszt acreditava na sua missão religiosa e artística, quando comparou o músico a um sacerdote. O maestro Ricardo Muti recentemente disse que o regente deve não somente marcar os tempos, mas extrair dos instrumentistas e cantores seus mais profundos sentimentos. O que, por sinal, é muito difícil, pois detrás das notas musicais está o infinito, que pertence a Deus. Esperamos que o conjunto vocal explore outras fontes da música religiosa erudita, para inspirar os habitantes da Cidade Céu. O que escrevemos a respeito dele serve para qualquer outro, em qualquer lugar.

Hinários Disponível na versão com letra para acompanhar o louvor e na versão com música, que vem com pautas musicais para músicos.

www.geograficaeditora.com.br


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GOTAS BÍBLICAS OLAVO FEIJÓ Pastor, professor de Psicologia

Esquecendo e Prosseguindo

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Luciano Malheiros Pastor e escritor, membro da IB do Grajaú, RJ

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sa-me Senhor! Não tenho dúvidas que esta pode ser a oração mais perigosa que um jovem, adolescente ou líder pode fazer. Tenho visto coisas impressionantes nos últimos dias pela internet, adolescentes descobrindo energia sustentável, criando sites ou blogs que estão fazendo a diferença na vida das pessoas, jovens pregadores vivendo missões em tempo integral, com tempo de sobra para conciliar suas responsabilidades familiares e escolares.

Pedir para ser usado por Deus é uma aventura e tanto, a pessoa se colocar na brecha para impedir destruição, afim de ser um agente de salvação, instrumento de Deus para a edificação da vida de milhares. É impressionante ir a lugares que nunca pensou em ir, ganhar pessoas para Jesus como nunca sonhou, é uma aventura que gostaria de indicar a todo adolescente, jovem ou líder que sonha fazer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus em suas vidas. Eu Escolhi Agir. Este tem sido o meu grande projeto na internet e na vida pessoal para 2012. Que haja um inconformismo em toda a

juventude em relação às drogas, gravidez não planejada, adolescentes e crianças fora da escola, frieza espiritual, apatia para missões. Creio que, como Igreja, daremos um grande passo para ganhar nossa geração, quando nos colocarmos na brecha, conforme Ezequiel 22.30. As aulas começaram, que tal “queimar o seu filme” logo nas primeiras semanas, contando a todos o que Cristo fez em sua vida? Não posso deixar de falar das coisas que tenho visto e ouvido (At 4.20). Nossa juventude tem a força, eu creio (Jos 1.8). Faça a oração mais perigosa da sua vida, escolha agir e seja forte!

pós escrever sobre a suprema excelência de conhecer a Cristo, Paulo oferece uma sugestão, no sentido de permanecermos neste estado de comunhão. “...Esquecendo-me das coisas que ficam para trás...prossigo em direção ao alvo... em Cristo Jesus.” (Filipenses 3.13-14). Para Paulo, para aquele que já experimentou a qualidade excelente da comunhão com Cristo, nunca fará sentido continuar a ter prazer na qualidade pobre das vivências do mundo. O apóstolo usa o exemplo do passado e do futuro. Passado é a nossa submissão ao mundo que contraria ao Senhor. Futuro é o processo dinâmico, sofrido, cheio de fé, de “prosseguir para o alvo”, de prosseguir para Cristo.

Nosso passado é muito mais do que um registro cartorial, inerme, daquilo que já vivemos. As experiências carnais que já tivemos sempre são usadas por Satanás, hipocritamente, para nos acusar. O inimigo, como “pai da mentira” está sempre dizendo que não valemos nada, que nunca chegaremos lá. Ele quer que vivamos como o salmista, impenitente, exclamando “o meu pecado está sempre diante de mim”. Esta, porém, é a receita de Paulo: “esquecendo-me”, isto é, pegando meu passado e, corajosamente, constantemente, entregando-o a Jesus. E é neste momento, nesta constatação do perdão do Senhor, que joga nosso pecado “no fundo do mar”, que conseguimos prosseguir. Prosseguindo para o futuro, para o alvo que é Jesus Cristo.


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PARÁBOLAS VIVAS

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João Falcão Sobrinho

Pr. Abelardo e Sonia Ministério Forma Família

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urante toda a nossa jornada aguardamos sempre alguma coisa nova. É a formação profissional, o casamento, o nascimentos dos filhos, a compra do imóvel, a troca do carro por um mais moderno. São inúmeras as vezes em que aguardamos alguma coisa. E o interessante é que todas elas, de uma forma ou de outra, acabam nos deixando, e sentimo-nos impotentes diante dos contratempos da vida. Durante toda a nossa jornada existe algo que se aguardás-

semos com toda dedicação, resultaria em saúde física, mental e bem estar por mais difíceis que sejam as circunstâncias de cada ciclo da vida. É aguardar a volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Paulo, apóstolo de Jesus, nos ensina como aguardar esta volta, vejamos em 1Tessalonicenses 5.4-11: É preciso viver na luz. É preciso caminhar com Deus, para que a volta do Senhor seja agradável e não um grande susto desagradável (v.4 e 5). É preciso vigiar, ser sóbrio. Não podemos nos envolver, exageradamente, com as coisas que nós mesmos queremos ou criamos, não devemos dar prioridade a elas (v.6 e 7).

É preciso abandonar todo e qualquer pecado que nos separa de Deus. É preciso contar com a graça de Deus. É preciso proteger-se com a salvação de Deus em Cristo (v.8 a 10). Aguardar a volta do Senhor Jesus, com a certeza de que com ele viveremos eternamente é o único remédio para todas as nossas dores, decepções, frustrações e perdas (v.11). Durante toda a nossa jornada sempre desejamos coisas novas, mas a única que de fato nos alegrará em todos os ciclos da vida, será esperar a volta do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Com Deus não se brinca Pr. Anderson Resende Barbosa Missionário da JMN, Altamira-Pa.

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uando era seminarista, durante os dois últimos anos de seminário, ia toda segunda-feira pregar o evangelho para os prisioneiros de um dos presídios de segurança máxima em Belém, muitos se converteram, batizamos alguns, e o trabalho ainda continua. Nesse período uma família da igreja da região que eu morava antes de ir para o seminário, entrou em contato comigo para eu visitar um jovem parente deles que estava em uma dessas prisões. Então passei a visitá-lo quinzenalmente, dei uma Bíblia para ele e comecei a evangelizá-lo. Certo dia achei que ele estava pronto para receber o convite de aceitar a Cristo, mas para minha decepção ele disse “não”. Disse que se ele fizesse uma decisão na cadeia e por algum motivo se desviasse, ele levaria uma surra dos presos. Perguntei se eram os crentes da cadeia que o bateria, ele disse que não, seria os não crentes. Continuei a indagar o motivo que os fazia agir assim, ele me disse que os não crentes batiam nos desviados porque eles estavam brincando com Deus. E o conceito deles nessa prisão era que: “com Deus não se brinca”. Pensei imediatamente, tem muito bandido crente e muitos crentes bandidos. Vivemos em uma época onde ser considerado crente ou evangélico não faz nenhu-

ma diferença na sociedade. Não há mais um referencial e em breve nada disso fará diferença para o mundo, pode ser um irmão, irmã, pastor, pastora, bispo, bispa, apóstolo, apóstola, daqui uns dias anjos e arcanjos. No presídio encontrei muitos “irmãos” desviados, encontrei “pastores” que antes de serem presos exerciam o ministério e lá dentro continuam. Nos dias atuais, para muitos, ser crente não é novidade de vida, é só mudança de religião ou denominação, não é nascer de novo, mas ser um novo grupo. Estão na igreja, templo, e não na igreja, Corpo de Cristo. A vida de muitos crentes dentro da igreja é mais prazerosa para a satisfação da carne do que se estivesse no mundo. Preocupa-me o fato de muitos pastores não se preocupar com o ensino da Bíblia de forma correta. Valores familiares não são ensinados, princípios cristãos não são falados na igreja, compromisso com a palavra e oração é coisa de ‘carochinha’, o que esperar então dos crentes? Se os ensinos são para ter riquezas, satisfação pessoal, financeira, porque não completar com a luxúria? Faz parte do pacote! Infelizmente estamos perdendo o referencial, ser evangélico é moda. Entendo claramente quando Jesus Cristo disse: “naqueles dias muitos dirão, Senhor em teu nome profetizamos, expulsamos demônios... e o Senhor lhes dirá, apartai-vos de mim malditos...”. Para muitos ser crente é dizimar, ir à igreja, cantar, participar de reuniões.

Certo dia fazendo um estudo bíblico com uma senhora que anteriormente havia aceitado Jesus Cristo como Senhor e Salvador, ela me perguntou: “Religião salva?”. Eu disse não. Ela continuou a indagar: “Na sua igreja todos entenderam o plano de salvação e você acha que todos são salvos?”. Eu disse com pesar no coração que não. Então ela disse: “Então eu não preciso mudar de religião, porque a minha também é igual a sua”. Pensando nisso acho que deveríamos trabalhar mais o nosso grupo de irmãos ao ponto de podermos afirmar que todos são salvos, mais enquanto tivermos problemas de relacionamentos entre irmãos, intrigas entre diáconos e outras lideranças, discórdias em nossas associações e convenções, pastores inimigos de outros pastores, só podemos esperar o pior. Enquanto isso a credibilidade do evangelho vai caindo, mesmo aumentando o número de evangélicos, e tal crescimento não é por causa do que Cristo fez por nós, mas daquilo que pessoas querem que ele faça. Sabe no presídio, os não crentes batem naqueles que brincam com Deus. Agora os crentes de diversas denominações que há lá dentro, brigam entre eles por causa de “doutrinas”, “usos e costumes”, e por “membresia”. Parece que não há diferença dos crentes da prisão com os de fora da prisão. Um dia ouvi uma frase de um incrédulo que até hoje soa aos meus ouvidos: “O homem quando não presta para mais nada, vira crente”. Temos que mudar o conceito de crente.

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saltino Gomes Coelho Filho coloca o leitor sentado numa plateia e descreve, em cores vívidas, o que foi O Drama do Calvário nas sete falas do seu personagem principal. Li o livro de uma assentada na viagem de Macapá ao Rio e várias vezes me surpreendi com a emoção aquecendo meus olhos. Tudo o que eu sabia sobre o Calvário é descrito de uma forma original, emocionante. Parecia-me, por vezes, estar entendendo pela primeira vez textos que já li centenas de vezes. A pessoa de Jesus, nesse livro, assume a sua dimensão humana de um modo como nunca vi em livro algum. Quando Jesus soltou seu brado por sentir-se abandonado pelo Pai, diz Isaltino, o Pai nada respondeu. Deus ficou em silêncio, mas não inativo. O Pai estava manifestando seu poder sobre a vida abrindo túmulos e ressuscitando mortos. Ele estava transformando o pleno meio dia em trevas para demonstrar sua onipotência, sua soberania sobre os poderes cósmicos. Estava também rompendo o véu do templo de alto a baixo para demonstrar que a velha aliança cumprira sua missão e uma nova aliança estava rompendo como a alvorada de um novo dia. Isaltino cita Javier Pikaza no seu comentário de Lucas: “O judaismo termina”. E acrescenta: “O templo perdeu a razão de ser. Não tentem, cristãos, oferecer suporte teológico para os judeus reconstruírem seu templo. Se vier a ser refeito, será um templo pagão. Não há mais oferta de sangue para se fazer a Deus”. “Caso um dia reconstruam seu templo, que é teologicamente desnecessário e se um dia vierem a oferecer sacrifícios, estes serão tão pagãos quanto a galinha preta oferecida pelos macumbeiros nas encruzilhadas”. Cristo fez o sacrifício perfeito e eterno, que não precisa ser jamais repetido como declara o autor de Hebreus. Cristo abriu, pelo seu sacrifício, um vivo e novo caminho para Deus, acessível a todos os pecadores. Por que haveria de ser necessário oferecer a Deus os velhos holocaustos da velha lei e enveredar por

um caminho que caducou? (Hebreus 8.13). Mas (sempre há uma adversativa!), alguns pastores não se conformam com o fim dos rituais da lei mosaica, nem dos símbolos da velha aliança, não lhes basta a fé, precisam de coisas para ver, pegar, carregar, como nos cultos do Velho Testamento. Não lhes basta a Palavra Viva, mas precisam de símbolos mortos para poderem sustentar uma fé imatura, infantil. Em muitas igrejas, inclusive batistas, que supostamente têm conhecimento bíblico, estão sendo utilizados símbolos da velha aliança como a menorá, mantos sacerdotais, a suposta estrela de Davi, o shofar (na falta de um legítimo, um pedaço de tubo Tigre de três quartos de polegada ou mesmo uma vuvuzela resolve o problema), além de uma caricatura da arca do concerto com uma Bíblia dentro, carregada por quatro “levitas” pelos varais em procissão pelas ruas do bairro. Que coisa mais ridícula! Não demora vai aparecer algum pastor querendo degolar um cordeiro (sangue sempre impressiona) à frente da congregação. Isso tudo além da guarda do shabat e das festas judaicas, porque ainda não tiveram o descanso da alma no sacrifício do Calvário, nem se alegram com a bênção da cruz e precisam de mais festas e bênçãos para justificar a sua fé morta em verdades símbolos e ritos mortos. Para esses pastores, o sacrifício do Calvário foi insuficiente ou até inútil, sendo necessário remendar o véu que o Pai rasgou de alto a baixo no templo de Jerusalém no momento em que o Cordeiro de Deus era sacrificado na cruz e restaurar os altares da velha aliança. Ritos e símbolos judaicos em culto cristão podem impressionar crentes imaturos, mas são dispensáveis para a verdadeira fé em Cristo. Ninguém pode remendar o véu que Jeová rasgou, pois isso seria um insulto à dor do Filho pelo que ele suportou na cruz. Sou grato a Deus pelo livro O Drama do Calvário, de Isaltino Gomes Coelho Filho, em boa hora editado pela Abba Press.


6 vida em família

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Gilson e Elizabete Bifano

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mundo acompanhou, mais uma vez, a morte precoce de uma celebridade. Desta vez foi Whitney Houston. Uma das mais premiadas cantoras que o mundo conheceu. Além de cantora, Houston foi modelo e atriz. Houston começou sua carreira de cantora aos 11 anos, numa igreja batista em Nova Jersey, EUA. O culto fúnebre foi assistido, ao vivo, por milhares de pessoas ao redor do mundo. Enquanto ouvia as músicas e a excelente mensagem pregada pelo reverendo T.D. Jakes, perguntei a mim mesmo: “O que aconteceu na trajetória de vida de Whitney Houston, que, sendo criada numa igreja, se afastou dos caminhos de Deus e terminou sua vida de maneira tão precoce, possivelmente influenciada pelo uso de drogas?”. Por que muitos, que hoje estão cantando nos bares, envolvidos no mundo artísticos e são famosos, começaram numa igreja e hoje estão afastados das mesmas? No meu círculo de conhecimento, conheço várias pessoas que foram criadas em igreja, cursaram música sacra no Seminário do Sul e hoje se esqueceram da comunidade cristã e vivem a dedicar seus talentos somente para entreter as multidões e a ganhar dinheiro. Não questiono a decisão pessoal em relação a Jesus como Salvador. Muitos que ganharam fama no mundo artístico tem uma fé verdadeira em Jesus como Salvador, mas creio também que a igreja é importante. A igreja não tem nenhum peso para a salvação das pessoas, mas os salvos desejam estar com outros salvos e juntos adoram a Deus e se esforçam para ganhar outros para Cristo. Mas voltando à pergunta: o que pode levar uma pessoa como Whitney Houston, sendo criada na igreja, ter se afastado? Teria sido a desa-

tenção da igreja em relação ao trabalho com as crianças? Pode ser... Pode não ser. A igreja precisa estar atenta ao trabalho infantil. Investir no trabalho com crianças é fundamental para tê-las na fase da adolescência e juventude. Igrejas que investem no trabalho com crianças, propiciando estrutura física e uma boa equipe, há de colher muitos frutos espirituais. Teria sido a negligência dos pais no que tange transmitir a tocha da fé aos filhos? Esta pode ser uma outra possibilidade de Whitney Houston ter se afastado da igreja. O livro de Juízes (Juí 2.10-15) alerta sobre esta questão. Os pais, envolvidos em inúmeras preocupações da vida, podem cometer esta falha. Esquecem que a tarefa de passar a bandeira da fé às gerações futuras não é, em primeiro lugar, da igreja ou de instituições evangélicas, como escolas cristãs, mas da família. Teria Whitney Houston sido criada numa igreja atenta às necessidades das crianças, ter tido pais atentos às suas responsabilidades espirituais, entretanto, como Paulo escreveu a Timóteo em relação a Demas, abandonado o presente século, ou como traduziu Eugene Peterson em sua paráfrase A Mensagem, tendo ido atrás de novidades? Mortes como a de Whitney Houston nos leva a estas e outras reflexões sobre as razões de muitos famosos que um dia foram criados nos caminhos do Evangelho, mas hoje estão totalmente afastados da igreja, corpo de Cristo, família de Deus. Se Whitney Houston não pregou o Evangelho com sua bela voz, em vida, pregou em sua morte. Centenas de milhares assistiram seu funeral e ouviram a mensagem do Evangelho através do reverendo T. D Jakes. Se hoje Whitney Houston está com Deus nos céus, só a eternidade nos dirá.

Nilson Dimarzio tuoso dos entorpecentes. O Pastor e colaborador de OJB fato incontestável é que as drogas não perdoam suas morte prematura vítimas, levando-as à desda cantora Whitney truição e morte de forma Houston, ocorrida implacável. A não ser que recentemente, cau- passem pela metamorfose sou enorme consternação da conversão a Cristo e alentre seus inúmeros admira- cancem a libertação espiridores. Ainda relativamente tual. Haja vista o que tem jovem, aos 48 anos de ida- acontecido na Cracolândia, de, foi encontrada morta na em São Paulo, onde dezebanheira de uma suíte do nas e dezenas de vítimas Hotel Beverly Hilton, em das drogas tem sido liberLos Angeles. Embora a causa tadas por Cristo, aquele mortis ainda não seja conhe- que disse: “E conhecereis cida, sabe-se que a famosa a verdade, e a verdade vos cantora era dada ao uso de libertará” (João 8.32). O drama de Whitney mosentorpecentes. Considerada uma das me- tra que nem sempre um bom lhores vozes gospel e tam- começo garante um final bém da música popular, feliz. Ela nasceu para o esgrande foi sua influência so- trelato, dotada por Deus de bre uma geração de jovens uma voz extraordinária. Teve cantores, desde Christina a felicidade de nascer num Aguillera até Mariah Carey. lar cristão e ser conduzida Seu sucesso na vendagem de por seus pais no caminho de discos foi dos maiores, che- Jesus Cristo. Chegou, em sua gando a 55 milhões somente infância e adolescência, a nos Estados Unidos. No en- participar da Igreja Batista em tanto, essa brilhante carreira Newark, New Jersey, onde caiu em declínio, em razão cantava no Coral, em louvor do uso de drogas, como ela a Deus. Foi um bom começo mesma confessou que usava de uma vida cristã que pococaína, maconha e toma- deria ser uma bênção para o va pílulas entorpecentes. mundo, se não tivesse dado Aquela voz inconfundível, ouvidos ao Inimigo das nosque encantava a milhões de sas almas, aquele que vem admiradores, tornou-se rouca e áspera, incapaz de alcançar as notas mais agudas a que chegara na fase áurea de sua carreira. Sem dúvida uma queda trágica para uma superestrela que chegou a ser considerada uma das artistas de maior brilho nestas últimas décadas. Em entrevista a Diane Sawyer, da rede de televisão ABC, Whitney declarou: “O maior demônio da minha vida sou eu mesma. Posso ser minha melhor amiga e minha pior inimiga”. Sem dúvida uma confissão melancólica de alguém que estava vivendo terrível drama interior, de uma vida sem paz, que estava se desestruturando. Drama semelhante ao de tantos outros cantores e artistas que enveredaram pelo mesmo caminho tor-

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somente para roubar, matar e destruir. Portanto, não basta começar bem, é preciso perseverar no caminho do bem, buscando sabedoria e orientação do Espírito de Deus para vencer as astutas ciladas do Diabo. Por associação de ideias, ficamos a pensar em tantos outros jovens de nossas famílias e igrejas, que começaram bem a caminhada cristã, mas atualmente estão desviados dos caminhos de Deus, vítimas das drogas ou iludidos com outras atrações mundanas; e, se não se arrependerem em tempo hábil, voltando para o aprisco do bom Pastor, terão um fim trágico. A advertência que fica para os nossos jovens é que estejam vigilantes e não se deixem iludir com as ofertas de Satanás, feitas através de colegas e “amigos” que pretendem desviá-los do bom caminho. Cuidado, pois, com as amizades! Para você, jovem, aqui fica este conselho do apóstolo Paulo: “Foge das paixões ou desejos da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor, a paz, com os que, de coração puro, invocam o Senhor” (2 Tim 2.22).


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Batistas avançam na luta contra as drogas Tiago Monteiro Redação de Missões Nacionais

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cenário é de puro abandono. Nas cracolândias do Brasil, as drogas são, ao mesmo tempo, a falsa liberdade e a prisão de centenas de pessoas que perdem família, bens e a própria dignidade. Mas o problema das drogas, que antes parecia não ter solução, teve seus reveses amenizados pela ampliação dos investimentos de Missões Nacionais na área da recuperação de dependentes

Radicais do ES em treinamento

químicos. Assim foram surgindo as Cristolândias, novas comunidades terapêuticas e os centros de formação cristã em várias partes do país. Hoje, Missões Nacionais conta com três Missões Batistas Cristolândias: em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. A partir de 2012, há a previsão de inauguração de outras unidades em Vitória, Belo Horizonte, Brasília, São Luís (MA), Maceió (AL). Os resultados obtidos com o surgimento das primeiras Cristolândias já podem ser vistos, inclusive, em rede nacional de TV. Emissoras como a Record, Globo e Gilvan em ação nas ruas da Central da Brasil Bandeirantes abriram espaço adultos, membros de igrejas em seus noticiários para as batistas, que decidem dedicar histórias de transformação um período de suas vidas ao de ex-dependentes químicos trabalho missionário. Para que agora, pela fé, trilham ser um radical, os voluntários um novo caminho. Para as- passam por um processo de sistir algumas dessas repor- seleção e capacitação, onde tagens, acesse http://bit.ly/ aprendem a lidar com as diversas situações que irão cristolandiajmn A participação de voluntá- enfrentar nas cracolândias. rios comprometidos com o Ao fim do treinamento, eles Reino é um dos fatores que estão prontos para a realizainfluenciam no sucesso das ção de abordagens nas ruas, Cristolândias. Conhecidos bem como nas atividades como Radicais, são jovens e internas das Cristolândias. Gilvan da Cunha Silva, 21 anos, está numa categoria especial de radicais. Ele e outros resgatados do vício das drogas foram recrutados para apresentar a nova vida em Cristo para aqueles que estão aprisionados por Satanás nas cracolândias do Brasil. Gilvan, que atua na Cristolândia do Rio de Janeiro, conta que sua vida deu uma reviravolta após ter reconhecido o senhorio de Cristo. “Hoje, graças a Deus, é tudo diferente na minha vida. Graças a Deus não falta nada. Estou estudando de novo, terminando os estudos, e Cristo só está acrescentado as demais coisas porque primeiramente busquei o Reino de Deus para me recuperar e para ter transformação de vida”. O radical está concluindo o período de atuação no projeto, mas, independente disso, sonha em fazer a vontade de Deus onde quer que esteja. “Eu quero fazer a obra de Deus na Cristolândia ou em qualquer outro projeto. Quero é estar na presença do Senhor. Quero ser luz e pregar a Palavra de Deus. Nunca quero esquecer esse amor e colocar Deus em primeiro lugar em tudo o que faço”. Há ainda os voluntários que somam ao projeto, doando pequenos períodos de suas férias. Essas visitas acabam amadurecendo chamadas

ministeriais, como foi o caso da jovem Thaiz Nascimento, 25 anos. Batista da PIB em Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, conheceu a Cristolândia em uma apresentação do coral na 91ª Assembleia da CBB, no Ginásio Caio Martins, em Niterói. Desde então se sentiu chamada para esse ministério. Para conhecer de perto o trabalho da Cristolândia, Thaiz decidiu experimentar o dia a dia da missão, servindo por um mês aos dependentes químicos assistidos pela Cristolândia da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Segundo Thaiz, a Cristolândia é o tipo de trabalho em que se recebe mais do que se pode dar. “A gente vai acreditando que vai ajudar, vai somar e, na verdade, a gente aprende muito mais”, disse a voluntária. Ela comenta ainda sobre a necessidade de coerência entre o discurso de muitos irmãos e suas ações. “Certo dia, em um dos cultos da Cristolândia, chorei quando me lembrei das pessoas que cantam ‘eu abro mão dos meus sonhos’, mas não podem ceder 30 minutos de oração por aquelas vidas, não podem disponibilizar o valor de um lanche mensalmente para essa obra. Se nós não doarmos um tempo da nossa vida por aquelas pessoas, elas vão morrer sem conhecer Jesus. Que a gente possa deixar de ser individualista porque se a gente diz que Deus é a prioridade, então que o chamado dele venha também em primeiro lugar”. Trans Cracolândia Este ano, além do projeto Radical Cristolândia - que já está em fase de seleção de candidatos inscritos - Missões Nacionais abriu inscrições para a participação de batistas na Trans Cracolândia. A mobilização acontece entre os dias 16 e 20 de abril, e levará voluntários à cracolândia paulista. Há a expectativa de 400 participantes, número que promete impactar a região com a manifestação do poder de Deus. A operação missionária terá como base a Primeira Igreja Batista de São Paulo, igreja mãe do projeto Cristolândia. Após a Trans, entre os dias 20 e 22 de abril, os voluntários que desejarem ainda poderão participar do Congresso Resgate, evento que pretende apresentar o passo a passo da implantação de uma Missão Batista Cristolândia.


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Dia de Oração por Missões Mundiais

Marcia Pinheiro Redação de Missões Mundiais

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Junta de Missões Mundiais convoca todas as igrejas a reservarem o dia 7 de março para intercederem pela obra missionária mundial, em uma ação pelo Dia de Oração por Missões Mundiais. Nessas 24 horas, a igreja deve dividir horários para que haja, pelo menos, um membro orando por Missões Mundiais. Cada dia tem 1.440 minutos, sendo assim, se houver 144 orações de 10 minutos, cobriremos os missionários com nossas orações por um dia inteiro. A data também poderá ser lembrada em um culto especial, vigília, reunião de Pequeno Grupo, culto doméstico, reunião de oração... Escolha a melhor forma de conscientização sobre a importância da oração para se levar Cristo, a paz que liberta, a todo o mundo. Se não for possível realizar uma programação neste dia, sugerimos que a igreja escolha outra data. O importante é não ficar de fora desta grande mobilização.

Alunos do Pepe em Cabo Verde fazem suas orações

Todas as metas alcançadas por Missões Mundiais acontecem com a permissão e a graça do Senhor. Vidas são transformadas, povos são alcançados, sonhos são resgatados, milagres acontecem. Tudo isso só é possível por meio da oração. É através dela que podemos falar com Deus e compartilhar

com Ele nossas angústias, aflições e pedidos. A oração faz do crente um missionário. Quem adota uma família missionária ou um projeto, deve orar especialmente por eles neste dia 07 de março. É importante pedir para que o Senhor crie oportunidades para seus missionários anunciarem

Cristo, a paz que liberta, às nações. Espalhe esta ideia A JMM incentiva todos a compartilharem os motivos de oração publicados nas cartas enviadas pelos missionários com os irmãos de sua igreja. Elas também podem ser publicadas no informa-

tivo ou boletim da igreja. Outra forma de promover o Dia de Oração por Missões Mundiais é compartilhando os pedidos publicados diariamente em nossa página no Facebook (facebook.com/ missoesmundiais) e no Twitter (@missoesmundiais). Há várias maneiras de ficar por dentro do Dia de Oração por Missões Mundiais. Para fazer parte desta grande rede de intercessão pela obra de evangelização mundial, basta se cadastrar no Programa de Intercessão Missionária (PIM) e pedir a Deus para abrir o coração daquelas pessoas resistentes ao Evangelho, para que sejam transformadas pela paz de Cristo. Converse com o promotor de Missões de sua igreja e saiba como você pode ajudar a organizar esse importante dia no calendário da Campanha Missionária 2012. Você também pode adotar um projeto ou missionário e interceder por ele. Basta se cadastrar no PIM. Acesse jmm.org.br ou entre em contato com a Central do Adotante: 2122-1901 (cidades com DDD 21) ou 0800-709-1900 (demais localidades).


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Projeto ELA resgata autoestima de asiáticas Redação da JMM

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esenvolvido no Sudeste da Ásia, o Projeto ELA leva esperança a jovens mulheres, ajudando-as a resgatarem a autoestima e contribuindo para que elas se sintam Especiais, Lindas e Amadas, mas que principal-

mente sejam apresentadas a Cristo, a paz que liberta. O ELA é desenvolvido pela missionária Mali, que participou da 92ª Assembleia da Convenção Batista Brasileira, em Foz do Iguaçu/PR, onde falou sobre o projeto a esposas de pastores. O público-alvo do ELA são jovens que trabalham como

empregadas ou garçonetes 14 horas por dia, quase sem folgas. Elas comem e dormem no emprego para economizar, e o salário é enviado mensalmente aos pais para ajudar no sustento da família. “À medida que tratamos as mulheres com dignidade e amor, elas começam a abrir o coração para o único Deus

Missionária Mali fala a esposas de pastores na 92ª Assembleia da CBB, em Foz do Iguaçu

capaz de curar suas feridas, enchendo suas vidas de significado e beleza”, afirma a missionária. O projeto consiste em reunir mulheres não crentes para tratamentos de beleza. Nesses encontros, elas conhecem o real valor de cada uma. “Procuramos montar os estudos em ordem lógica, com verdades que tragam

respostas ao coração de cada uma dessas mulheres”, conta a missionária. Mali pede oração pelo projeto ELA, pela família missionária e por segurança no campo. “Peço que ore por nós. Que toda a nossa vida seja dedicada à expansão do Reino de Deus. Queremos glorificar o Senhor em tudo”, conclui.

O avanço missionário dos batistas brasileiros no mundo Ailton Faria Redação de Missões Mundiais

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m 2011, após 9 anos sem conseguir atingir sua meta financeira, Missões Mundiais ultrapassou um alvo desafiador. Isso aconteceu devido a muito trabalho das igrejas e crentes brasileiros que amam a obra missionária e se envolveram em oração e na entrega de suas ofertas e vidas. Como consequência deste esforço, no ano passado foram enviados 121 novos missionários para os campos e treinados mais 43 obreiros. Missões Mundiais enviou 204 voluntários que atuaram em projetos de curta duração e impactaram o Haiti, a Itália, a Índia e outros países. Também houve crescimento no número de campos com a abertura da República Centro-Africana. Neste ano já foram abertos mais dois

campos africanos, Camarões e Chade. A meta de Missões Mundiais é enviar 800 missionários para 80 campos até o ano de 2013. Atualmente são 719 missionários que atuam em 65 campos, e já está sendo preparada a abertura de mais 15 campos. Com isso, os projetos cresceram e frutificaram. Os números são provas incontestes do avanço missionário. Em 2011 foram 39 igrejas plantadas, 2.338 crentes batizados, 1.352 frentes missionárias abertas, entre núcleos de estudo bíblico, células e congregações. O PEPE, programa socioeducativo promovido pela JMM, alcançou 7.167 crianças com 246 unidades. No Mali/África foi construída uma maternidade, entre tantas outras realizações. Este ano o PEPE chegou a mais um país: Haiti. Em janeiro foram inauguradas as duas

primeiras unidades desta nação que é considerada a mais pobre das Américas. A abertura de novos campos e o envio de mais missionários são metas que estão sempre diante da JMM. Assim como o grande desafio da administração dos recursos que Deus tem confiado à nossa agência missionária. “Mas, pela fé, cremos que o povo de Deus não recuará, mas avançará em direção aos povos não alcançados. Para 2012 temos um alvo ainda mais desafiador e, pela experiência passada, sabemos que vamos ultrapassá-lo também”, diz o Pr. João Marcos Barreto Soares, diretor executivo da JMM. Na Campanha Missionária de 2012, a JMM leva às igrejas a realidade dos povos não alcançados, mas principalmente falando de três países: China, Paquistão e Indonésia. A Campanha deste ano, mais uma vez, de-

República Centro-Africana, último campo aberto em 2011

seja conscientizar as igrejas sobre a necessidade de priorizarmos os cerca de 3.000 povos não alcançados e de conhecermos a realidade muçulmana para evangelizá-los. Em 2013 Missões Mundiais começa a treinar mais duas categorias do Projeto Radical – Voluntários sem Fronteiras: Sênior e Ásia. Atualmente a JMM mantém 18 missionários na China, mas sua meta é enviar, até 2015, mais 100

pessoas para aquele país. Para isso, é preciso que mais pessoas se apresentem para seguir aos campos. Para que o avanço missionário dos batistas brasileiros continue avançando, contamos com nossos pastores, líderes, promotores de missões e crentes que queiram ver o mundo alcançado pela Palavra de Deus. Pois Cristo é a Paz que liberta povos e nações.


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A PIB em Cruzeiro do Oeste anuncia: “Jesus, a Água da Vida” Almir de Oliveira Pastor da PIB em Cruzeiro do Oeste – PR

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sse foi o tema do Projeto que a nossa Igreja realizou no dia 11 de fevereiro último. Foi um dia abençoado e marcante na vida da Igreja, quando um grupo de adultos, jovens e adolescentes saíram das quatro paredes do templo e foram às ruas de nossa cidade para entregar a cada pessoa um copo de água mineral e um folheto da Palavra de Deus com o tema do Projeto: “Jesus, a Água da Vida”. Foram 1.200 copinhos de água distribuídos acompanhados do folheto com a mensagem de Deus para cada coração. Foi uma manhã de sol forte, muito calor, mas também de muitas experiências, onde por meio de uma nova estratégia

Irmãos da PIB que participaram do Projeto

Toda Igreja de Crizeiro do Oeste pôde fazer a diferença

evangelística muitos puderam, além de se refrescarem com um copinho de água, lerem e meditarem sobre Jesus, que traz refrigério para a alma e dá fim a sede espiritual. Foi maravilhoso ver a movimentação da Igreja, fosse

orando pelo Projeto, ajudando para aquisição dos copinhos de água e das quatro faixas com o anúncio do Projeto e da Palavra de Deus afixados em pontos estratégicos da cidade, como também trazendo caixas de isopor para manu-

tenção e transporte da água aos locais de distribuição. Em tudo o nome do nosso Senhor Jesus foi exaltado e anunciado como a única solução para a sede espiritual de cada pessoa. O que fizemos foi levar à todas essas pessoas

o convite de Jesus que diz em sua Palavra: “Se alguém tem sede, vem a mim e beba” (João 7.37b). Que o nosso Deus seja louvado por tudo isto. Só a ele seja dada toda a Glória. Amém.

ram as dificuldades. PrimeiManoel de Jesus The Pastor e colaborador de OJB ro porque mais igrejas, que nos acompanharam para Igreja Batista Ebe- vivenciar a mesma experin é z e r , e m S ã o ência, começaram a realizar Paulo, realizou, seus IDES. Agora, há certa durante 12 anos, dificuldade em conseguiro programa chamado IDE. -se a concessão. E aí é que Acontecia durante o Carna- a Cristolândia entra na hisval. Escolhíamos uma cidade tória. O IDE deste ano, em Ansem igreja batista, pedíamos o Ginásio de Esportes para a gatuba, só teve o Colégio Prefeitura, um Colégio Mu- liberado às vésperas do Carnicipal, ou Estadual, e nos naval. E porque isso acontehospedávamos no mesmo. ceu? Bem, a concessão seria Isso aconteceu em João Ra- negada, aí alguém lembrou malho, Pindorama, Taqua- que o povo que pedia o rituba, Maracaí, Guaiçara, Colégio era o mesmo povo Tarumã, Itaí, São Manoel, que estava em evidência na Itajobi e Indiana, sendo que, mídia, em virtude do maraem duas delas fomos duas vilhoso trabalho realizado vezes, visando fortalecer o na Cracolândia. Ficaram trabalho. Em março deixa- sabendo que a igreja que mos o ministério a cargo pedia o Colégio era da mesdo pastor Wagner Kolher e ma religião que realizava o fomos para a Igreja pasto- notável trabalho entre os reada pelo pastor Sayão, a dependentes do crack na IBNU. Ebenézer continuou Cracolândia. E, sendo que a programação e, neste ano, a cidade onde se realizaria realizou o IDE em Angatu- o IDE, Angatuba, já sofria ba, onde está a missionária com os problemas originaSuely, da Junta de Missões dos pela droga, pronto, as Nacionais, que estava em portas se abriram. Isso é maravilhoso e não pode deixar Taquarituba. A medida que o trabalho de ser conhecido pelo povo ficou conhecido, começa- batista.

Se o que a nossa Junta de Missões Nacionais, realizando o trabalho só em São Paulo, alcançou um tão grande destaque na mídia, imaginemos o que acontecerá quando implantarmos a Cristolândia em todas as capitais do Brasil?! Lembra-nos o que aconteceu com a Igreja Batista Jardim das Oliveiras, quando iniciamos a primeira ONG de tratamento das crianças autistas. A igreja, durante aqueles

dois anos, apareceu nas tevês Cultura, SBT, Band e Globo. Apareceu em todos os jornais da capital paulista, inclusive no Estadão, meia página. Será que não é tempo de acordarmos e atuarmos em todas as áreas onde somos necessários? E o trabalho com o alcoolismo, o jogo, o câncer que cresce assustadoramente? Iniciaremos estudos para implantarmos um curso livre, na Teológica de São

Paulo, visando a preparação de profissionais que atendam a criança autista em suas residências. Já imaginaram a repercussão disso? Confessamos como nos alegra vermos o transbordar do trabalho na Cristolândia. Que nossa JMN ouça dos batistas o que a torcida de certo time canta durante os jogos de seu time: “NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA”. Esperamos que o milhão de batistas respondam: Amém!

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Convocação da Assembleia Anual da UFMBC Em cumprimento ao que preceitua o artigo 6º, parágrafo 1º, do Capítulo IV do Estatuto em vigor, convoco as representantes das igrejas batistas da cidade do Rio de Janeiro para a 83ª Assembleia Anual da União Feminina Missionária Batista Carioca (UFMBC) a realizar-se no dia 14 de abril de 2011, no horário de 8h30 às 18h, no templo da Primeira Igreja Batista de Jacarepaguá, situada na Estrada do Pau Ferro, 24, Pechincha, Rio de Janeiro, RJ. Márcia Fernandes Kopanyshyn Presidente


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OBITUÁRIO

Igreja Batista Morada do Engenho despede-se do seu membro desbravador Pr. Josimaldo de Souza Natividade – RJ

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diácono Eliseu Gomes de Carvalho, nascido em 18 de maio de 1940, natural de Natividade, RJ. Foi batizado aos 16 anos de idade no dia 27 de outubro de 1957, na Igreja Batista em Natividade, pelo pastor Manoel Bento da Silva. E foi consagrado ao diaconato em 30 de agosto de 1975, na Igreja Batista do Paraíso, São Gonçalo, RJ, durante o ministério do pastor Silas Batista dos Santos Lima.

Acometido de câncer, após lutar com bravura, dignidade e exemplo cristão, faleceu no dia 9 de janeiro de 2012, deixando a esposa, diaconisa Heloíza França de Carvalho; filhos Ludmila, Sésiom e Thiago; neto João Pedro; genro Dimitri; e irmãos Elias, Abraão, Florinda e Herodice, além de muitos amigos e irmãos em Cristo. Foi convocado por Deus, o dono da vida, aos 71 anos 7 meses e 21dias, deixando a Igreja militante, para filiar-se à Igreja triunfante na pátria celestial.

Servo de Deus atuante no ministério eclesiástico, tinha como versículo bíblico predileto Eclesiastes 11.1 e hino 375 do cantor cristão. Exerceu vários cargos nas igrejas por onde passou, dentre eles destaco: a presidência do corpo diaconal, a comissão de evangelismo, comissão de beneficência, historiador eclesiástico, promotor de missões e a vice-presidência da Igreja. A Igreja Batista Morada do Engenho, cujos trabalhos foram iniciados por este irmão e família, sente-se honrada em poder dizer que “por aqui pas-

sou um santo homem de Deus; um bom soldado de Cristo; um combatente vitorioso da fé”, sobre quem, não só a Igreja mais também a comunidade pode afirmar (parafraseando o texto de Jó 1.1): “Havia um homem na terra de Natividade, cujo nome era Eliseu França de Carvalho; e este era homem sincero, reto e temente a Deus, e desviava-se do mal”. Em nome da família, a Igreja agradece a todos os pastores, diáconos, irmãos de várias igrejas e denominações, aos amigos em geral que se fizeram presentes

Eliseu Gomes de Carvalho no funeral, pelo carinho e solidariedade de sempre, mas especialmente nesse momento. Com muita saudade, mas certos de que prevaleceu, como sempre, a vontade soberana do nosso Deus, a família e igreja descansa no Todo Poderoso, conscientes de que “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor”.

Elvina Evangelista Bueno de Almeida 06-12-1937 * 26-03-2011 Igreja Batista Redentor Departamento de Comunicações

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ascida em um lar comprometido com o evangelho, foi batizada na IB de Tupã, SP pelo pastor Edson Borges de Aquino. Na mesma cidade casou-se com Anísio Pedroso de Almeida. Da união nasceram Raquel, hoje missionária da Missão ALEM e casada com o pastor José Carlos A. da Silva, Rute, Regina e Romilda que lhes deram oito netos. Irmã Elvina era uma pessoa simples, amiga, conselheira e muito dedicada ao evangelho. Tendo se

destacado na IB Redentor em Bauru como líder das mulheres, professora da EBD, evangelista e fiel dizimista. Enquanto teve saúde participou de todas as atividades da igreja. Era uma mulher de oração, não faltando a nenhum culto, mesmo quando eram realizados nos lares mais distantes, lá estava junto do seu amado esposo. Junto com o seu pai, evangelista irmão Manoel Bueno, sua mãe, seu esposo, filhas, genros, irmãos, cunhados e irmãos em Cristo, iniciaram um trabalho como ponto de pregação que mais tarde transferiu-se para a rua São Lucas no bairro Jardim Redentor, ganhando o status de

Congregação e hoje, já aproximando dos 30 anos, Igreja Batista Redentor em Bauru. Quando acometida de câncer não esmoreceu, ficou firme sendo acompanhada pela sua igreja em oração, recebendo mais tarde o diagnóstico de que estava curada. Por outras razões passou por diversas cirurgias, mas sempre firme na fé. Após a queda em que fraturou o fêmur passou a andar com dificuldade, mesmo assim fazia questão de comparecer aos cultos, sendo exemplo para muitos crentes que, mesmo tendo saúde perfeita, encontram as mais variadas desculpas para se ausentarem da casa de Deus.

Quando a sua saúde começou a enfraquecer, firmou ainda mais a sua fé em Deus e uma das últimas frases ditas, quando da última visita foi: “Pastor, se Deus quiser me levar já estou pronta”. E de fato já estava, pois quando sentiu-se mal e, sabendo que chegara a sua hora, tranquilamente nos braços do seu esposo partiu, foi se encontrar com o Senhor a quem serviu durante toda a sua vida. Podemos com certeza afirmar que ela partiu dos braços do seu esposo, para os braços do seu Senhor e Salvador. O culto de gratidão dirigido pelo pastor Jasson aconteceu na capela do Centro Velatório Terra Branca, onde

Elvina Evangelista Bueno de Almeida parentes, irmãos e pastores de diversas igrejas manifestaram palavras de carinho à família louvando a Deus pelo testemunho da irmã Elvina. Entoaram os seus hinos preferidos e em uníssono os salvos puderam despedir-se dizendo em coro: “Até breve, irmã Elvina”. A sua vida valeu a pena, pois viveu para fazer a vontade de Deus.

Líder batista sergipano partiu para estar com o Senhor: Waldemar Quirino dos Santos Sandra Natividade Colaboradora de OJB

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notícia do falecimento do pastor Waldemar me doeu na alma. Ele foi pastor, conselheiro, amigo e confidente para mim. Ficou a saudade e muitas histórias e aprendizados, como sua biblioteca interdenominacional localizada na rua Zeca Pereira. Ali abrigava educadores e pesquisadores, aquele local ficará na memória de muitos daqueles que por ali passaram e beberam da fonte de sabedoria do amigo notável. Eu, particularmente, muitas vezes fui àquele lugar para visitar o amigo e sua digna esposa Maria, e também para pesquisar. Lembro de quando estava com farto material de pesquisa e disse: “Trouxe este material porque conclui

a tarefa designada pelo pastor Jabes, providenciar a galeria dos pastores da PIB de Aracaju”, ao que ele retrucou, “isto é com você mesmo. Escreva sobre os Batistas em Sergipe, vá em frente e conte com minhas orações”. Confesso que não era meu intento mas, enfim, A Saga dos Batistas em Sergipe foi publicada em dezembro de 2007. E lá estava no púlpito da PIB de Aracaju o querido pastor Quirino agradecendo a Deus pela publicação. Pastor Quirino deixou um legado de conhecimento e aprendizado. Sua conversa era esclarecedora, digo que até indispensável. De sua mente privilegiada as histórias fluíam com conhecimento de causa. Gostava de contar exemplos seus, não por vaidade do currículo extenso, apenas o expunha como contribuição para o

ávido visitante. A humildade lhe fazia repetir “aproveito enquanto estou vivo e lúcido, não sei por quanto tempo Papai do Céu vai me conceder esta graça”. Ficava impressionada com sua biblioteca, limpíssima, livre de poeira e ácaro, o critério, à disposição dos assuntos, o caderninho para anotar o nome dos que levavam livros emprestados, a coleção de relógios, as fotos emolduradas colocadas simetricamente nas paredes do escritório contavam sua trajetória ao lado de ilustres ministros do evangelho. Pastor Waldemar Quirino dos Santos nasceu em 30 de outubro de 1924, foi pastor das igrejas Batista Brasileira, Castelo Forte, Memorial (interinamente) e Igreja Batista em Neópolis, presidiu a Convenção Batista Sergipana e sua Junta Executiva por várias

vezes, por longo período dirigiu o Programa Radiofônico Voz Batista de Sergipe, Sócio fundador da União dos Ministros Evangélicos do Estado de Sergipe, colaborador das publicações: Revista Judiciarium (Aracaju), Jornal Notícias Classetudo de Nova Friburgo (RJ), Jornal Crepúsculo dos idosos da PIB de Aracaju e autor dos livros Gotas de Sabedoria, Manancial de Sabedoria, Você tem Medo?, Fonte de Sabedoria, Pesquisando e conhecendo a Bíblia e iria lançar em 30 de outubro de 2012, quando completaria 88 anos de existência sua Autobiografia. No escritório impecável havia até uma cama para, quando estivesse cansado, ali mesmo repousar. Solícito não tinha impedimento para atender o número sempre crescente de telefonemas, a boa Maria

Pr. Waldemar Quirino dos Santos Dias, sua companheira fiel de 66 anos de vida em comum, o chamava carinhosamente de Demar. Maria e Demar formavam um binômio de gentileza e amabilidade. Agora, Maria, consolada juntamente com os 9 filhos e a plêiade de irmãos e amigos, espera encontrar com o seu Demar lá no céu.


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ponto de vista

Sobre a morte de Whitney Houston

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orreu Whitney Houston. Um jornalista que acompanhava sua carreira escreveu um artigo com o título: “Infelizmente, era de se esperar”. Bem triste, mesmo. Aventa-se a hipótese de afogamento na banheira. Talvez tenha sido. Talvez uma explicação misericordiosa. Furto-me de falar dela. Outros o farão. Interessa-me um ponto: ela teve problemas com bebidas e drogas. Um articulista raso disse que é o ônus de ser artista. Estes, por força da arte, lidam com drogas. Ele levou Carlos Castañeda a sério. Drogas não

potencializam arte. A bebida a estava impedindo de cantar. Milhões de pessoas não artistas bebem e se drogam. Como não têm visibilidade não são notadas. Por que as pessoas estão se drogando e bebendo tanto? Me é claro: Porque são vazias. Falta-lhes algo. Os jovens estão bebendo mais cedo e mais pesado. Sendo entrevistados sobre isto, pela tevê, nada dizem de consistente. São fúteis. Papai dá carro e mesada, eles têm roupa de grife, celular moderno. Não andam de trem cheio. Não acordam às 6 da manhã, não comem de marmita,

não dão duro para ajudar em casa. Não estudam à noite, cansados. Eles têm em demasia. Tudo lhes é fácil, sem lutas. Bolso cheio, alma vazia. “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado” (Ez 16.49). O excesso de bens e o ócio tornaram Sodoma imoral e insensível. Pais que dão tudo aos filhos sem exigir empenho na vida e seriedade nas atitudes estão agindo corretamente? Disciplina é repressão?

Falta rumo aos jovens. Eles são netos da geração dos anos 60, quando era proibido proibir. Esta é a terceira geração sem regras e proibições. Tanto que a maior parte das leis é para tirar regras e levantar cercas contra o “falso moralismo”. O “novo imoralismo” impera. Precisamos de disciplina e de leis (não só para enquadrar quem discorda do homossexualismo). Precisa-se repensar com seriedade o modelo de vida que teóricos que dominam a mídia e a educação empurram pela goela do povo. “Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém

o caminho dos ímpios perecerá” (Sal 1.6). “Conhece” é o mesmo verbo usado para conjunção carnal entre um homem e uma mulher. Sua ideia é “fazer parte de”. “Perecerá” traz a ideia de ir para lugar algum, um beco sem saída. A sociedade caminha para um beco sem saída. Não podemos obrigar o mundo a seguir nosso caminho. Mas devemos orientar nossos jovens. Pais cristãos: cuidem de seus filhos: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Prov 22.6). Eduquem no Senhor, que os “conhecerá”.

Denize Alcaide Missionária e colaboradora de OJB

banheiro! Quando novamente sentei-me para uma conversa com ela ouvi a seguinte frase: “Por que você lavou o banheiro? Essa era minha parte no nosso acordo, eu ia lavar.” E acrescentou: “Você se precipitou!”. Imaginem o tamanho do meu espanto ao ouvir essa justificativa após dois longos meses de espera. Fiquei pensando no nível de nossa espiritualidade no trato das pequenas coisas diárias. Será que Deus realmente se preocupava com meu banheiro sujo? Tenho percebido que muitos cristãos, mesmo em minha cultura, acham que Deus está apenas interessado em grandes temas. Que Deus não se importa com as pequenas coisas da vida, como aquele lixo que há semanas se acumula no canto do quintal incomodando os vizinhos com mau cheiro e atraindo mosquitos. Afinal, “Deus é poderoso para nos livrar da dengue!”. É lamentável que muitos de nós não percebamos as dimensões de uma espiritualidade sadia, não avaliamos que em tudo, absolutamente tudo, Cristo deve ser glorificado. Minha pergunta é: Você receberia Jesus em seu banheiro sujo, por lavar há dois meses? Incrivelmente não percebe-

mos que Ele está lá todo este tempo. Nossa espiritualidade fraca e deficiente não nos faz perceber que Deus está interessado em todas as dimensões da vida humana. É por isso que no outro dia fui a certa Comunidade no Rio de Janeiro, e vi uma montanha de lixo no canto da rua não asfaltada e os moradores queimando todo este material altamente nocivo e tóxico sem que as Igrejas ao redor fizessem nada. Nossos padrões de espiritualidade nos fazem achar que isso não tem importância. Queimar lixo na rua poluindo a natureza, trazendo doenças para as pessoas, destruindo o meio ambiente não tem nada haver com a Bíblia. As Igrejas estão lotadas, pregamos, “gritamos”, oramos e dormimos. Um povo no meio do povo, que não tem a menor relevância na sociedade em que está inserida. A sensação que tenho é que não entendemos nada. Evangelho é transformação de vida. Deus se importa com nosso banheiro, com nosso lixo tóxico na calçada, com nossa falta de senso de justiça para com os menos favorecidos, os doentes. Mas poucos de nossa liderança entendem

isso. Lembro-me de certa ocasião, no auge do surto da dengue no Rio, fiquei comovida com uma mãe que pela TV chorava desesperadamente por ter perdido seu filhinho. Confesso que chorei junto com ela como se a criança fosse meu parente próximo. Levantei da sala, sentei no computador e escrevi um Projeto para as Igrejas se envolverem ajudando a amenizar a situação, que naquele momento era gravíssima. Fiz contato com a Defesa Civil e com a Secretaria Municipal de Saúde, em nome dos evangélicos apresentei meu Projeto, muito bem acolhido por eles. Procurei os pastores e fiz o mesmo. Ninguém estaria vinculado a mim, exceto pelo suporte que lhes forneceria caso necessitassem e todo material que consegui era gratuito, eram apenas as Igrejas se posicionarem atuando nesta hora de crise. Cada Igreja daria assistência onde e quando pudessem, mas teria que ser urgente. Apresentei-me numa reunião de pastores na área mais crítica da cidade e mostrei o Projeto, o pastor que me recebeu disse-me as gargalhadas que nada mais precisaria ser feito, pois do jeito que eu

já estava engajada para eliminar a dengue, não sobraria nenhum mosquito para eles, eu sozinha mataria todos. Os demais pastores, para minha surpresa, acompanharam-no nessas infames gargalhadas. Naquele verão morreram várias pessoas, a maioria crianças. Compreendi que do ponto de vista destes pastores servir a população não é assunto “espiritual”. Percebi também que somos um povo estranho: a violência assolando nossa cidade, o povo ao redor de nossas Igrejas queimando seus lixos, crianças morrendo diariamente com epidemias diversas, e nós achamos que somos espirituais porque temos um Deus que tudo pode. Nesta linha de raciocínio, a maioria de nós acha mesmo que Ele não se importa com as coisas “triviais” do dia a dia, que Ele nunca se incomodará com nossos banheiros constantemente sujos. Chego à triste conclusão de que precisamos de uma reformulação do real conceito de cristianismo. Minha oração é que Deus tenha piedade de nossa parca espiritualidade e transforme nosso entendimento sobre a verdadeira dimensão da espiritualidade sadia.

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orando com colegas de ministério no Campo, percebi que minha parceira da África do Sul não gostava muito do serviço doméstico, decidi então não entrar em um embate com ela. Após algumas semanas de companheirismo, conversamos sobre o assunto e disse-lhe que limparia tudo sozinha, mas, apenas uma parte da casa seria serviço dela: o banheiro. Toda semana limpava nosso apartamento de três quartos (exceto o quarto dela e o banheiro). Achei que tudo estava perfeitamente resolvido ali, entretanto nosso diálogo anterior não adiantou muito, toda semana eu faxinava a casa e o banheiro continuava sujo. Aquilo começou a me incomodar profundamente, mas tomei a decisão de não reclamar e só observar, afinal até quando iria aquela situação. Imaginem duas mulheres morando juntas e o banheiro, mesmo com ladrilhos escuros, tornando-se cada vez mais imundo! Após dois meses de desespero total de minha parte lavei o bendito


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ponto de vista

Sylvio Macri Pastor da IB Central de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

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Bíblia nos leva a Cristo e Cristo nos leva à Bíblia. “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo.” (Rom 10.17). Ouvimos falar de Cristo e cremos nele através da mensagem da Bíblia. Aprendemos de Cristo e nos tornamos semelhantes a ele através do estudo da Bíblia (2 Tim 3.16,17). Quando aceitamos a Cristo como Salvador, ingressamos imediatamente em um programa permanente de crescimento espiritual cujo manual instrucional e operacional é a Bíblia. É nela que encontramos as normas, as instruções, o passo a passo, os procedimentos, o “suporte técnico” e os critérios para avaliar a vida cristã. Também nela encontramos a ajuda para corrigir as falhas de execução. Em suma, ela é o autêntico manual daquele que deseja chegar “ao estado do homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13b). Para crer em Cristo, precisamos da Bíblia. Para ser como Cristo, precisamos ainda mais da Bíblia. Foi pensando nessa inegável realidade que a liderança da Convenção Batista Brasileira escolheu o tema para o ano de 2012, “Ser como Cristo praticando a Bíblia.” Isto quer dizer que precisamos ter a mesma visão que Cristo tinha da Bíblia. Muitas pessoas que se assentam nos bancos das igrejas não se apercebem do fato de que Jesus jamais leu o Novo Testamento. Nunca pararam para pensar que Jesus não poderia mesmo lê-lo, porque foi escrito vários anos após sua morte e ressurreição. A Bíblia que Jesus e os escritores do Novo Testamento usaram foi o Velho Testamento. E este exatamente como está no formato editado pelos evangélicos e judeus, sem os

livros apócrifos. Aliás, esta terminologia – Velho e Novo Testamento – surgiu somente no século II d.C. Toda a doutrina cristã foi depreendida do Velho Testamento. Durante o ministério terreno de Jesus seus discípulos tiveram muita dificuldade para entender a Bíblia como ele a entendia. Somente após a ressurreição é que compreenderam corretamente as profecias sobre o Messias, com a ajuda dele próprio (Luc 24.27). Ao converter-se, Paulo, que era rabino, precisou repensar o Velho Testamento do ponto de vista de Cristo, o que ocorreu durante seu “período de silêncio” - provavelmente 10 a 12 anos (Gal 1.15-24; 2Cor 11.32,33). Tanto para Jesus como para os apóstolos, o Velho Testamento teve um contexto imediato e outro mais amplo: seus tipos, modelos e profecias só encontraram sua plenitude na história de Jesus Cristo (Atos 2.14-36; 3.11-26; 13.16-41). Por isso deve ser sempre lido e interpretado à luz de Cristo e sua missão. Mais ainda, faz parte de uma revelação progressiva, que ainda está em andamento (Heb 8.1-10.18; 1Cor 13.12), e só se completará após o Juízo Final. Jesus aceitou a inspiração e a autoridade da Bíblia, e prometeu semelhante inspiração aos seus apóstolos, o que ocorreu após o Pentecostes. Os apóstolos também aceitaram tal inspiração e autoridade (1Ped 1.21; 2Tim 3.16). 31 livros do Velho Testamento são citados diretamente no Novo, e muitas dessas citações designam os autores exatamente como o Velho Testamento o faz, sem nenhuma dúvida a respeito. Aliás, está claro na Bíblia que ela foi inspirada (“soprada”) pelo Espírito Santo, mas os escritores são homens que Deus usou em épocas, situações e com características pessoais diferentes. A autoria divina não elimina a persona-

lidade e as circunstâncias humanas, como por exemplo, a educação formal e o estilo de escrever. Foi no sermão do Monte (Mateus 5.17-20) que Jesus declarou explicitamente sua visão da Bíblia. Para Jesus a Bíblia era para ser cumprida. Esta era a sua missão: cumprir as Escrituras (v.17). Por pelo menos 19 vezes os evangelhos, principalmente o de Mateus, registram que tudo o que aconteceu com Jesus foi para que se cumprissem as Escrituras. A obediência de Jesus o levou a sérias consequências, como prisão, julgamento injusto e morte de cruz, mas ele foi até o fim, porque seu propósito era cumprir as profecias da Bíblia (At 3.18) e completar o plano de Deus para a salvação dos pecadores (Heb 5.7-9). No mesmo texto Jesus declara que para ele a Bíblia era regra de fé. Ela é a Palavra do Deus Eterno, e portanto é também eterna; não passará, ainda que tudo o mais passe (v.18). É também a Palavra do Senhor da história. Nos versículos 19 e 20, menciona três vezes o reino dos céus, que sabemos ser a realização final da vontade de Deus e de seu senhorio. Por isso, quando no deserto foi tentado por Satanás a questionar sua missão e seus sofrimentos, respondeu por três vezes: “Está escrito” (Mat 4.1-11). Ele cria na palavra eterna do Pai e a obedecia. Ainda no mesmo texto Jesus diz que para ele a Bíblia era regra de vida. Não letra morta, mas palavra vivificada pelo Espírito (Rom 7.6; 2Cor 3.6). No versículo 20, Jesus diz que suas exigências éticas estavam muito acima do farisaísmo, que era o padrão dos judeus. E no resto do capítulo ele mostra o que quis dizer nesse versículo: por seis vezes usa a expressão “ouvistes que foi dito (....) eu porém vos digo”, para ensinar que sua ética

considera não somente os atos, mas antes deles, as intenções do coração, de onde procedem, realmente, os pecados (por exemplo, condenável é não somente “matar”, mas também “odiar”). É o que John Stott chamou de “moralidade profunda”, muito além da moralidade literalista dos fariseus. “Ser como Cristo praticando a Bíblia” quer dizer também que devemos tornar-nos cada vez mais semelhantes a Jesus por praticar seus ensinos. Jesus praticou a Bíblia e tornou-se nosso Salvador e modelo; ao praticarmos nós também a Bíblia, nos tornaremos como ele. Na primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses, ele afirma que os irmãos daquela igreja se fizeram semelhantes a Cristo pelo modo com que praticaram a Bíblia (1Tes 1.6-10 e 2.13). Paulo diz que eles receberam a Bíblia como Palavra de Deus e não de homens, e usa dois verbos diferentes: o primeiro para descrever uma aceitação formal, isto é, com a razão; o segundo para falar de uma aceitação informal, interna, com a alegria que vem do Espírito Santo. Era um sentimento tão forte que lhes permitia suportar as tribulações advindas da perseguição por parte dos judeus e dos pagãos. Para sermos semelhantes a Jesus precisamos receber a Bíblia como a Palavra de Deus infalível, infinitamente acima do padrão praticado no paganismo, antigo ou moderno. Paulo diz também que os tessalonicenses se submeteram à atuação da Palavra de Deus. O termo que ele usa é “energia”, a mesma palavra que temos em português para designar a força elétrica. Trata-se de um poder tremendo, que operou neles uma transformação tão radical que se tornou conhecida em toda a Macedônia e Acaia. Para sermos semelhantes a Cristo, precisamos permitir que opere em nós o poder da Palavra do Deus

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vivo e verdadeiro, o que somente será possível com a ajuda do Espírito de Cristo (João14.26; 16.8-12,13). Por causa da perseguição, Paulo saiu às pressas de Tessalônica e foi para Atenas. Mas, preocupado, enviou Timóteo de volta à cidade, pois temia que a igreja, ainda tão tenra, não suportasse as “tribulações”, palavra que significa “grande aperto”. As boas notícias trazidas, pelo auxiliar, de que eles estavam firmes na fé e no serviço, alegraram-no tanto que afirmou: “Eu revivi.” (1Tes 3.8). Receberam a Palavra em meio a duríssima adversidade, mas mantiveram-se firmes. Para sermos semelhantes a Jesus precisamos perseverar na Palavra, sejam quais forem as circunstâncias (Hab 2.2-4; 3.17-19). Os crentes de Tessalônica tornaram-se um modelo de testemunho. A cidade ficava às margens da Via Ignatia, a principal estrada que levava à Roma, e por isso a história de sua conversão propagou-se pelo mundo romano. É muito interessante a expressão que Paulo usa para falar disso: o testemunho dos tessalonicenses foi como um som poderoso que se espalhou para todos os lados. Em todo lugar se ouvia a repercussão da sua conversão. Para sermos como Cristo, devemos repercutir a Palavra de Deus em nossas vidas, o que será cada vez mais natural à medida que nos tornemos iguais a ele. Porém, saibamos de antemão que ser como Cristo, praticar a Bíblia tal como ele a praticou e ensinou a fazê-lo, tem o seu custo. É uma atitude radical, é contracultura no mais puro sentido. Haverá estranheza, admiração, repúdio e perseguição. Mas o mundo espera (desesperadamente) que se lhe ofereça uma alternativa ao vazio existencial, à inutilidade consumista, à superfluidade de valores e à podridão moral e espiritual em que vegeta. Falharemos novamente?


O Jornal Batista - ed. 10 - 04/03/2012  

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