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O CONHECIMENTO EM AÇÃO: O PIBID ATUANDO NAS CIÊNCIAS NATURAIS Jéssica Pauletti (jessicapauletti@hotmail.com) - “Bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência – PIBID, da CAPES – Brasil”. (Acadêmica de Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química – Universidade Federal da Fronteira Sul -UFFS – Realeza/PR) Willian Henrique Cândido Moura (willianhenry_@hotmail.com) - “Bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência – PIBID, da CAPES – Brasil”. (Acadêmico de Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química – Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS – Realeza/PR) Orientador: Ms. Marcos Leandro Ohse (Coordenador do subprojeto PIBID/Ciências – Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS – Realeza/PR) Linha de trabalho: Experiências Interdisciplinares Grupos de trabalho: Ensino; Aprendizagem; Metodologia

1 CONTEXTO DO RELATO Atualmente, no que se refere à educação, é dada maior ênfase aos problemas relacionados ao ensino. Como aponta Borges (2002), a escola tem sido criticada cada vez mais pela sua incapacidade na formação dos estudantes para que estes possam entrar na universidade e/ou ingressar no mercado de trabalho. Como resposta a estas dificuldades, o Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), instituiu em 2007 o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), como uma proposta ao incentivo das licenciaturas, bem como uma tentativa de diminuir os problemas do ensino e melhorar o contexto educacional. O Curso de Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química da Universidade Federal da Fronteira da Sul (UFFS), no campus Realeza, foi contemplado com 20 bolsas do PIBID. Atuando em dois colégios da rede pública, sendo um de ensino fundamental e outro de ensino médio, os bolsistas realizam aulas complementares nas disciplinas de ciências, biologia, física e química, no contraturno das atividades regulares dos alunos. 2 DETALHAMENTO DAS ATIVIDADES “O ensino tradicional de ciências, da escola primária aos cursos de graduação, tem se mostrado pouco eficaz, seja do ponto de vista dos estudantes e professores, quanto das expectativas da sociedade” (BORGES, 2002, p.292). Partindo desta visão da defasagem no ensino de ciências, o PIBID/Ciências busca uma maneira de inserir novos métodos didáticopedagógicos no ambiente escolar. Em ambos os colégios, as atividades propostas são realizadas por meio de aulas expositivas, simulações, experimentações, vídeos, filmes,

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dinâmicas de grupo, saídas a campo, entre outros. Todas estas atividades visam ao desempenho satisfatório do aluno em sala de aula, ao seu desenvolvimento cognitivo e do seu pensamento crítico. Os métodos postos em prática abrangem diretamente a perspectiva de ensinar como uma maneira mais prazerosa, em que o aluno demonstra certa curiosidade em relação aos temas científicos apresentados. Nestes casos, há um movimento de saberes entre o professor e o estudante que proporciona um diálogo aberto, curioso e indagador. As aulas pibidianas procuram tomar por base os conhecimentos prévios e os adquiridos durante as aulas regulares dos alunos. Despertar o interesse pelas ciências não é algo fácil, são necessárias conexões com a realidade dos alunos, pois se isso não acontecer, ele irá entender que aquilo que está sendo ensinado é algo abstrato, impossível de estar ao seu alcance. Desta maneira, durante as aulas do Projeto, são abordados temas da sociedade que possuem vínculo com o conteúdo estudado. Para exemplificar, tomamos por base o conteúdo “sistema nervoso central”. Para discuti-lo, partimos do assunto “drogas”, desse modo, trabalham-se os efeitos causados pelas drogas no sistema nervoso, quais são os tipos de drogas, aspectos sociais e familiares envolvidos com este problema, além de debater a respeito das políticas de saúde. Assim, é possível ensinar dialogando com informações do contexto do aluno, partindo do meio em que ele está inserido. Todavia, é importante destacar que a maneira com que são ministradas as aulas necessitam de um embasamento teórico. Para que isso aconteça, realiza-se mensalmente uma apresentação de seminários na Universidade, na qual permeiam assuntos relacionados às ciências naturais e à educação. O principal objetivo destes seminários é fazer uma relação entre o conhecimento teórico e as práticas das aulas realizadas pelos bolsistas. Nesses momentos ocorrem discussões entre os bolsistas juntamente com os orientadores do projeto, demonstrando vários posicionamentos que outrora passariam despercebidos. Esses debates de algum modo auxiliam no desempenho das atividades do PIBID, e nas disciplinas da graduação. Além destes seminários, há um tempo disponível na Universidade no qual são planejadas as aulas e pesquisados os conteúdos. Este momento é importante, uma vez que temos a possibilidade de conversar com os professores da UFFS para buscar algumas sugestões ou debater alguns assuntos, essencialmente para saber como proceder durante as aulas nas escolas. 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DO RELATO Sabe-se que a ciência é uma área ampla, que se liga aos diversos setores da sociedade e que está condicionada a sofrer mudanças e transformações. Isso implica dizer que a ciência não é algo linear, assim como em qualquer área do conhecimento, na educação também é preciso atentar para as atualizações nas teorias, já que não é possível ensinar algo que cientificamente se provou ser ultrapassado ou que não dê conta dos fatos do mundo. Tais mudanças são abordadas amplamente na universidade, em todos os componentes curriculares estudados, nos diferentes domínios (comum, conexo e específico). Estes componentes proporcionam aos pibidianos um suporte a mais na preparação e realização das

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aulas, discutindo aspectos diversos relacionados ao campo da psicologia da educação (preconceito, diversidade, gênero), conteúdos específicos das ciências naturais (biologia, física, química) e as temáticas da sociedade (drogas, meio-ambiente, ética, capitalismo). Estes aspectos ajudam na formação do professor sendo de suma importância que estes saibam utilizá-los sempre que necessário. Tendo por base que um dos objetivos claros do PIBID é o incentivo às licenciaturas na educação básica, o PIBID/Ciências tem preocupação em formar uma equipe de novos educadores, que consigam cada vez mais trabalhar uma ciência concisa que vá ao encontro das necessidades de seus alunos. Nesse sentido, Gadotti (1991) afirma que “ao novo educador compete refazer a educação, reinventá-la, criar as criações objetivas para que uma educação seja possível, criar uma alternativa pedagógica que favoreça o aparecimento de um novo tipo de pessoas, solidárias, preocupadas em superar o individualismo.” (GADOTTI 1991, p.82) Dentre os resultados já obtidos no projeto, os professores da escola comentam que perceberam uma significativa melhora na aprendizagem dos alunos. Além disso, a participação em sala de aula dos alunos que frequentam as aulas do PIBID também melhorou. Vale destacar a imensa satisfação dos próprios alunos na superação das dificuldades apresentadas. Além dos desempenhos obtidos pelos alunos, também está ocorrendo uma visível melhora no desempenho acadêmico dos bolsistas, uma maior disposição para apresentação de trabalhos acadêmicos, principalmente no que se refere a seminários. É importante destacar que com o PIBID, ocorre a oportunidade de aproximação com a realidade escolar, e isso só tem a acrescentar na futura atuação dos bolsistas como docentes. Sobre as atividades desenvolvidas até aqui no PIBID, cabe salientar que uma das dificuldades encontradas é em relação ao nível de ensino com o qual os pibidianos trabalham. Os acadêmicos bolsistas, no momento, estão cursando licenciatura em ciências, o que os habilita a trabalhar com o ensino fundamental, mas não com o ensino médio. Somente no 5° ano do curso é que se fará a escolha pela área específica (biologia, física ou química). No entanto, o grupo também trabalha em um colégio de ensino médio, tendo que lidar com conteúdos específicos da biologia, da física e da química. Todavia, é de se destacar que o colégio de ensino médio obteve um melhor desempenho no resultado da nota do Enem, após o início das aulas pibidianas. Também, segundo os professores, houve um menor índice de reprovação e evasão dos alunos. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante o desenvolvimento das aulas no Projeto PIBID, os acadêmicos/bolsistas estão inseridos na condição de criticar e avaliar seu próprio desempenho. Concomitantemente, ocorre um desempenho acadêmico favorável, tanto em relação às disciplinas da grade curricular na universidade quanto em relação os conteúdos da área de ciências naturais no colégio. Concordando com essas afirmações, o PIBID/Ciências preza por uma boa formação do bolsista como professor. Para isso, ele deve ter uma noção clara dos conteúdos, sendo estes embasados em conhecimentos científicos, além de conhecer a respeito da ética, política e sociedade para poder participar ativamente nos processos do ambiente escolar.

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Assim, percebe-se que o PIBID é uma maneira de familiarizar os acadêmicos das licenciaturas com a sua futura profissão professor. Este é um modo dos mesmos já estarem inseridos no ambiente escolar, fazendo com que, ao surgir a verdadeira necessidade desta inserção, já possam efetivamente saber lidar com o contexto escolar em geral, colocando em prática os saberes já adquiridos no decorrer do Projeto. 5 REFERÊNCIAS BORGES, Tarciso. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 19, n.3: p.291-313, 2002. GADOTTI, Moacir. Educação e Poder: Introdução à Pedagogia do Conflito. 10. ed. São Paulo: Cortez, 1991.

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 ESTA FICHA DEVERÁ SER PREENCHIDA SOMENTE NA SEGUNDA ETAPA DA INSCRIÇÃO, PELO AVALIADOR DO TRABALHO, QUE DEVERÁ RETORNAR, ATRAVÉS DO SITE DO EVENTO, JUNTAMENTE COM O TRABALHO LIDO, NA TERCEIRA ETAPA. FICHA DE LEITURA DE TRABALHO Prezado(a) avaliador(a) A coordenação do XI Encontro sobre Investigação na Escola solicita sua colaboração para avaliar o trabalho acima, que fará parte de seu grupo de discussão. Para tanto, observe os critérios elencados a seguir. Lembre-se que o objetivo dessa análise consiste em sugerir melhorias no texto; não se tratando de um julgamento de concepções teórico-metodológicas. TÍTULO DO TRABALHO AVALIADO Nome do trabalho... CRITÉRIOS a) Existem referências ao contexto do relato? b) As propostas de investigação e as formas como foram desenvolvidas estão expressas ao longo do texto? c) Na análise descrita pelo(s) autor(es) há coerência entre os objetivos propostos e as conclusões descrita? Em relação a estes critérios dê a sua opinião e sugestões de melhoria, se houver, destacando os aspectos a aprofundar, esclarecer ou modificar no texto. Sugestões... Quanto à escrita, o trabalho: ( ) não necessita de reformulações. ( ) necessita de reformulações quanto aos seguintes aspectos: Aspectos... Gostaria de apontar aspectos do trabalho que julga serem relevantes para a discussão durante o evento? Quais? Aspectos...

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Trabalho apresentado por Jéssica Pauletti e Willian Henrique Cândido Moura

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