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Boletim do Vinho Edição Especial Setembro/2011- Vinho é Alimento

Benefícios do vinho confirmam sua condição de alimento funcional Para gerar efeitos, é preciso adequar a legislação As propriedades medicinais do consumo moderado de vinho e suco de uva (especialmente os tintos) já são uma realidade e, por assim ser, muitos países já incluíram o vinho no rol dos alimentos funcionais que, podem ser definidos como aqueles que possuem substâncias boas para o organismo e capazes de evitar doenças. Além desta virtude, o vinho também é uma bebida alcoólica, condição que determina certas restrições e um consumo responsável. Entre os países que dão tratamento especial aos vinhos, está a vizinha Argentina, que recentemente alçou a bebida à condição de bebida nacional, aumentando assim a distância com o Brasil, que ainda tem dificuldades em aprovar uma legislação privilegiando o vinho. A Espanha, assim como a maioria dos países da Europa, desde 2003 considera o vinho como alimento funcional. Para o diretor-executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Darci Dani, o enquadramento do vinho como alimento reveste-se de importância, pois possibilitaria “mais chances de divulgação e para o consumidor uma compreensão maior da sua atividade benéfica à saúde. As vantagens tributárias dependerão de

ações que o setor for capaz de empreender no convencimento das autoridades” . Darci Dani completa afirmando que a caracterização como alimento funcional não determinará que as vantagens tributárias ocorrerão automaticamente. Já o deputado Adão Villaverde, atual presidente da Assembleia Legislativa, avalia que “o setor enfrenta a concorrência desleal dos produtos estrangeiros, muitos deles resultados de acordos que prejudicam o setor nacional, além do contrabando que ainda é expressivo. Villaverde afirma que tudo isto se soma a uma “questão de fundo cultural que é o baixo consumo, ainda muito longe do ideal da cadeia produtiva e considerandose as qualidades medicinais dos produtos derivados da uva. “SEGUE”


“CONTINUAÇÃO”

Na Espanha, por exemplo, o vinho é considerado complemento alimentar”, explica o deputado. Entre as propriedades medicinais do consumo moderado de vinho ( duas taças por dia) está a prevenção de doenças cardiovasculares, especialmente em pessoas acima de 30 anos de idade. O vinho também é o responsável pela elevação das lipoproteínas de alta densidade ( HDL),também conhecido como o bom colesterol, e também pela diminuição das plaquetas nas paredes internas das artérias. Estas propriedades são o resultado da ação dos flavonóides, entre eles o resveratrol,, cujos efeitos já foram e ainda são ressaltados pela comunidade científica mundial. (CONFIRA ARTIGO DO MÉDICO CARDIOLOGISTA JAIRO MONSON NESTE BOLETIM). HISTÓRICO - Em 2006, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, aprovava por unanimidade projeto de lei de autoria do então deputado Estilac Xavier que definia o vinho como alimento funcional. O projeto foi ao governador Germano Rigotto que optou por vetá-lo, resultado da pressão exercida por alguns setores da área

médica e do Ministério Público Estadual. Na oportunidade, o despacho oficial do governador Rigotto explicava que "O projeto é meritório ao procurar diferenciar o vinho das demais bebidas quentes, mas não colocou limitação nas questões da publicidade e do consumo: quem pode e quem não pode beber", disse o governador. O governador observou ainda no final do texto: "Estou convencido de que, mediante as necessárias contenções legais, o reconhecimento à cultura e à economia vitivinícola gaúcha se deve expressar e, nesse sentido, já determinei à Casa Civil que, de posse dos subsídios apresentados pelas entidades, venha, com brevidade, a elaborar projeto de lei contemplando a matéria que encerra a proposição sob exame". Passados quase cinco anos, nenhum projeto oriundo do Executivo estadual foi encaminhado à Assembleia Legislativa contemplando as reivindicações do setor vitivinícola. Em nível nacional o deputado federal Paulo Pimenta e o senador Pedro Simon também apresentaram projetos com o mesmo objetivo, mas ambos os projetos encontram-se em alguma gaveta do Congresso.


Opiniao

Apostando na informação e no conhecimento Estamos retomando um tema muito importante para todos os brasileiros e, especialmente para o setor vitivinícola, ou seja, o reconhecimento oficial de que o vinho é um alimento ...escondendo-se funcional. Em 2006, suas p r o j e t o n e s t e propriedades sentido foi aprovado benéficas à saúde por unanimidade daqueles que o pelos deputados bebem de estaduais, mas a maneira sensata s e g u i r o e n t ã o e moderada. governador Germano Rigotto – em um momento de pouca autonomia – cedeu às pressões de organismos com interesses mais próximos da hipocrisia do que da verdade. Assim, o vinho continuou sendo encarado como apenas uma bebida alcoólica, escondendo-se suas propriedades benéficas à saúde daqueles que o bebem de maneira sensata e moderada. Estamos recuperando este debate, mas não queremos um debate viciado por posições incompletas e tendenciosas, mas apostamos apenas na prevalência do bom senso, que fica evidente quando não defendemos a inclusão do vinho como alimento funcional apenas para garantir alguma vantagem tributária, mas sim como suporte real para um consumo que venha a contribuir com a saúde de quem o consome e também para a prosperidadede quem o elabora.

Também destacamos a real possibilidade de repassar informações sobre os benefícios do consumo moderado de vinho às pessoas, especialmente quando a desinformação serve a outros propósitos. Entendemos que facilitar o acesso ao conhecimento, especialmente através de campanhas publicitárias e do marketing de relacionamento são dois bons caminhos para acabar com certos absurdos construídos por aqueles que apostam na desinformação ou em informações que estimulam o emocionalismo tendencioso. Apostamos no discernimento, pois países como a Espanha - apenas para citar um entre tantos- não classificariam o não classificariam v i n h o c o m o o v i n h o c o m o alimento funcional alimento funcional sem perceber as sem perceber as vantagens de seu vantagens de seu consumo. consumo Esperamos que este assunto ganhe espaço e que o debate traga luzes para o reconhecimento de que o vinho, além de ser uma bebida alcoólica – nunca podemos esquecer deste fato – também pode ser visto como um alimento que faz parte da história humana e um vetor de bem-estar. (JORGE FRANCO)


Vinho é alimento

Dr. Jairo Monson de Souza Filho - Médico

Vinho é alimento na Espanha, na Europa, na América e aqui. E saber isso é fácil. Basta consultar os livros-texto de nutrição. A maioria deles traz o vinho como exemplo de alimento funcional. O mesmo fazem inúmeros artigos científicos disponíveis no PubMed, Bireme e Medline. Vinho sempre foi alimento na opinião da ciência. E até mesmo dos leigos. Basta ver a edição de 21 de janeiro de 2002 da Revista Time que se refere ao vinho tinto como um dos 10 alimentos mais importantes para a saúde dos humanos. Também a Revista Veja na edição 1.980, de 1º/11/2006, cita o vinho tinto como exemplo de alimento funcional. O fato de conter álcool não exime o vinho da condição de alimento. Um jornalista, por ser jornalista, não está impedido de ser médico, advogado ou exercer outra função se preencher os requisitos para tal. Vinho é alimento e também bebida alcoólica. E como tal deve ser tratado. O reconhecimento do vinho como alimento não o isenta das restrições atribuíveis às bebidas alcoólicas. É muito importante considerar isso. Hoje o exercício da Medicina é baseado em evidências. Exclusivamente em evidências científicas. As pesquisas médicas são classificadas conforme a sua consistência. As metanálises e os estudos clínicos randomizados duplo-cegos são os de maior nível de evidência. Hoje estudos desse tipo mostram de maneira sólida que a ingesta leve e moderada de bebidas alcoólicas diminuem a morbimortalidade geral, principalmente as de causa cardiocirculatória [justo as que mais matam no mundo!], diminuem o risco de derrame cerebral isquêmico e de

desenvolver diabete melito. Mostram ainda que o vinho tem essas ações de maneira mais intensa que as outras bebidas alcoólicas. A opinião de entidade de classe ou de seus diretores e, até mesmo do Ministério Público, não é evidência científica. O vinho, por sua rica composição de micro e macronutrientes, preenche os critérios científicos para ser classificado como alimento. E ainda atende os critérios para ser considerado alimento funcional, tendo em vista todas as ações benéficas para a saúde já comprovadas. Alegar que reconhecer o vinho como alimento na forma de lei incentivaria o alcoolismo é só uma suposição. Pesquisas científicas não confirmam isso. Na cidade de Copenhague, na Dinamarca, mais de 10.000 bebedores usuais foram observados por mais de cinco anos. Neste trabalho constatou-se que os bebedores de vinho não se tornaram bebedores abusivos ou problema. Na Espanha, depois que o vinho foi reconhecido em lei como alimento, o seu consumo diminuiu 4.9%. Estudos mostram que alcoólatras, na grande maioria, bebem álcool de outra forma que não o vinho. Bebem até mesmo o álcool combustível e o de limpeza. A alegação de que o vinho reconhecido como alimento em lei propiciaria que ele fosse incluso na merenda escolar deve ser desconsiderada, por falta de seriedade. Não consigo imaginar que algo assim passe pela cabeça de alguém responsável e sério. Não considerar vinho como alimento atende a interesses que não são os da ciência e nem da promoção de saúde.


INFORME ESPECIAL

Adolfo Lona


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Boletim do Vinho Especial Set/11 - 'Vinho é alimento'