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Bordado

Bastidor Mรณdulo I


Bem v indo à Couture L a b!

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undada em 2011 e com sede em Porto Alegre e filial em São Paulo, a Escola CoutureLab diponibiliza uma variedade de cursos de moda. A empresa tem como missão principal capacitar de forma prática profissionais e alunos visando atender a demanda do mercado brasileiro, oferencendo infraestrutura e professores qualificados para os seus clientes. São atendidos profissionais e estudantes nacionais e internacionais interessados em aprimorar técnicas de modelagem, costura e acabamentos.

A escola foi idealizada pelos irmãos Marilene e Carlos Veiga, ambos com expertise na área de confecção e administração de negócios. Os alunos têm a oportunidade de receber conhecimentos adquiridos na ESMOD, escola norueguesa referência na área da moda, e com renomados profissionais locais e estrangeiros. A CoutureLab deseja ao seu aluno uma excelente experiência e aproveitamento para se capacitar e expandir o saber teórico e prático para máxima produtividade em nossa escola.


Sumário

Capítulo 1 Introdução História

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Capítulo 2 Materiais Tipos de Pedrarias

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Tecidos Utilizados

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Capítulo 3 A gulhas Agulha Ari e Lunéville

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Materiais Básicos Itens Básicos

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Capítulo 4 Preparação Transferência de Desenho

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Estrutura do Bastidor

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Capítulo 5 A Técnica O Ponto Básico

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Aplicando Pedrarias

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Amostra do Curso

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Anotações

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Créditos Bibliografia

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Introduç ão Capítulo 1

| |H istória O bordado em bastidor é uma técnica antiga usada a séculos para ornamentar trajes e mobílias da realeza de diversas culturas ao redor do mundo. Indianos e Persas exportaram a técnica para a Europa e até hoje é muita usada na alta costura.

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bordado em bastidor é um método rápido e prático de aplicação de pedrarias sob o tecido. Ao invés da agulha comum é utilizado um fino gancho que atravessa por entre as fibras do tecido esticado firmemente em um bastidor, puxando de baixo a linha e a trazendo para cima, formando uma argola em formato de corrente. O nome em inglês “tambour embroidery” vem da forma como o tecido é mantido firme no bastidor se assemelhando a um tambor. Por ser trabalhado com uma linha contínua do carretel sem nenhum corte, o artesão faz pontos de forma mais ágil do que o bordados manual, sendo esse presente atualmente em diversas oficinas especializadas.

O rig e ns O ponto corrente foi largamente usado na Pérsia e Índia muitos séculos atrás. Apesar das origens do bordado em bastidor serem um tanto divergentes, o método apareceu na Europa durante o século 18 e rapidamente se popularizou como passatempo favorito de donas de casa e entre damas das cortes francesa e inglesa. Foi considerado um tipo de trabalho exótico o que contribuiu para a sua disseminação no continente europeu e também muitos exemplares foram importados da Pérsia e Índia. Em 1834, foi desenvolvida a máquina de bordar chamada Cornely sendo esta capaz de reproduzir o mesmo de ponto corrente porém 140 vezes mais rápido que o processo manual. A partir de então os bordadeiros comerciais sumiram e as donas de casa encontraram outros passatempos, como o berlin work um bordado mais simples e rápido feito numa espessa tela de lã, substituindo o ponto corrente. Por fim em 1840 o bordado em bastidor foi relegado ao esquecimento por não fazer parte do estilo vitoriano vigente da época.

O retrato Turkish Lady, Angelica Kauffmann (1741 1807) mostra uma mulher turca bordando em um tecido esticado sobre um bastidor circular.

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B o rda d o de L u n é vi l l e

B o rda d o A tua lm e nte

É originário da cidade francesa Lunéville (Lorraine, France), onde um grupo de artesãos se estabeleceu no local no fim do século 18 e começaram a trabalhar com o ponto corrente. Em 1865 um morador chamado Louis-Bonnechaux Ferry provocou um enorme revolução no método: com o ponto corrente ele descobriu a possibilidade de aplicar pedrarias e paetês por entre as correntes a utilizando a mesma agulha da máquina Cornely. A inovação popularizou o bordado em bastidor ao mesmo tempo que moda francesa requisitava trajes e acessórios ricamente trabalhados. Este novo método virou tendência e rapidamente se espalhou em outras partes da Europa provocando um renascimento do trabalho. A Primeira e Segunda Guerra Mundial do século 20 entretanto mudaram drasticamente a moda, levando ao declínio do bordado de Lunéville forçando várias oficinas especializadas a encerrarem suas atividades. Com o fim das guerras e as consequentes mudanças no panorama econômico, os vestidos de alta costura bordados se tornaram tendência e muitas destas peças foram e ainda continuam sendo feitas por oficinas de bordados atuais e remanescentes do século 19.

No pequeno e despretensioso workshop em Oxford Street, Londres, três artesãos ficam encurvados sobre bastidores de madeira, bordando intensamente pedrarias sobre um fino tecido. É um trabalho solitário que requer muita paciência e precisão. Hand & Lock é um atelier que desde 1767 é um dos poucos dedicados ao ofício do Reino Unido e suas jovens bordadeiras produzem trabalhos para grifes de alta costura como Tom Ford, Louis Vuitton e Chanel — eles desenharam um brasão intrincado pleamente bordado, consumindo 24 horas de trabalho sendo cada hora trabalhad taxada em £40,00. O bordado é um serviço caro, altamente especializado que consome paciência e tempo,

A máquina Cornely foi responsável pela revolução do ponto corrente em meados do século 19, tornando o trabalho manual deste bordado mais ágil.

História

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Exemplo de uma renda feita com o ponto corrente no bastidor.

entretando atualmente é possível encontrar este trabalho presente no prêt-a-porter. O atelier Lesage, especializado em bordado, foi comprado pela Chanel em 2002 e é provavelmente o mais conhecido no mundo. Fundado 1868 a maison emprega 45 trabalhadores e produz peças de alta costura e prêt-a-porter para grifes como Schiaparelli, Bouchra Jarrar and Alexandre Vauthier. O fundador, François Lesage também abriu a escola de mesmo nome em 1992, iniciativa com o fim de preservar a técnica do bordado para as futuras gerações. Atualmente as grifes enfrentam dificuldades em encontrar fornecedores para bordar em larga escala peças de pronta entrega a um preço acessível/realista, já que todos são produzidos a mão e poucas empresas têm recursos para manter artesãos na equipe. Por isso há escassez de profissionais na área. Uma encomenda pode demorar meses para ficar pronta sendo necessário usar amostras de outros trabalhos afim de concluir a peça e entregar no prazo estabelecido. As grifes Dries Van Noten, Vilshenko e Aquazzura, por exemplo, terceirizam a produção na

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Índia e em outros países onde o artesanato é apreciado e largamente praticado. Na Índia onde o bordado é praticado como hobby, oficinas empregam homens de zonas rurais onde os custos de trabalho são mais baratos que os da Europa. Não há jovens o suficiente que querem fazer este tipo de trabalho e encontrar bons profissionais na Índia e Europa está se tornando cada vez mais difícil. Assim como a terceirização na Índia, o mesmo ocorre na Itália onde algumas cooperativas também trabalham com grupo de moradoras locais — enquanto o trabalho nas cooperativas indianas é feito por homens, na Europa o trabalho é feito em sua maioria por mulheres. As mulheres indianas trabalham meio-período— depois de seus afazeres domésticos elas se dedicam a bordar para estas empresas ajudando nas despesas. No mercado de luxo há uma insegurança dos clientes quanto a procedência do bordado. “Na alta moda as condições de trabalho são boas e confortáveis” diz Shon Randhawa, co-fundador da empresa Talitha, que emprega cerca de 400 bordadeiros domésticos em


Gurgaon, Nova Delhi, e está trabalhando em parceria com outras oficinas nas zonas rurais de Lucknow and West Bengal, oferecendo oportunidades para as mulheres trabalharem também. “Meu lugar não é um sweatshop — termo usado para identificar locais com condições insalubres de trabalho”, diz Randhawa e completa: “quando está se fazendo para o mercado de massa lamentávelmente é possível fraudar as relações trabalhistas, fazer os acordos de forma não muito ética. Mas este tipo de negócio não é moda, não é design — é apenas um comércio, troca.” disse Randhawa. “Estamos nos movendo a um período em que a singularidade está sendo cada vez mais valorizada e apreciada pelos consumidores” diz o estilista belga Van Noten. O bordado é a antítese da produção em massa; cada peça é um trabalho exclusivo e singular, transformando algo muito simples e banal, em algo único e eletrizante. Ele ganha vida”, finaliza.

Viagem à França A diretora da Escola CoutureLab, Marilene Veiga, teve a oportunidade de viajar até a cidade natal do bordado em bastidor, Lunéville, para conhecer um pouco do artesanato local. Por lá frequentou o Conservatório de Bordados e aprendeu com a prof. Aude Remy a tradicional técnica do ponto corrente. Após este intercâmbio, retornou ao Brasil e montou o mesmo curso afim de compartilhar o saber-fazer.

O Conservatório de Bordado em Lunéville, ainda preserva a tradição do bordado em bastidor, com cursos para os alunos interessados.

História

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Capítulo 2

M at er i a i s

| |Tipos de Pedrarias Existem centenas de tipos de pedrarias sendo vendidas porém nem todas são aplicáveis para o bordado em bastidor. É necessário que a pedraria tenha algum furo para que a linha possa atravessá-la, caso contrário será impossível utilizá-la.

Pa e tê s

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Paetês são películas finas e chatas comumente usadas no bordado devido a forma como a luz é refletida. Há um ampla variedade a venda em formatos, cores e intesidades de brilhos diferentes. 1 - Chatos (flat) têm forma arredondada com a superfície chata e furo central para a passagem da linha. Os paetês chatos metálicos refletem mais luz. 2 - Lantejoulas (sequins) são paetês arredondados com uma superfície facetada em formato de tigela o que ajuda a refletir a luz de forma fragmentada. 3 - Pastilhas (payetes) também têm forma arredondada, são maiores que os paetês convencionais e possuem o furo próximo da borda deixando o paetê pendurado no tecido. 4 - Decorativos (fancy) são outros formatos de paetês não catalogados acima como flores, estrelas, flocos de neve, folhas, hexágonos…

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P éro l as

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Pérolas podem ser naturais ou artificiais. Devido ao preço e a variedade de formas e cores, as artificiais têm mais uso dentro do bordado. As plásticas são versáteis pois é possível tingí-las com corantes próprios porém nem todas tem a qualidade do brilho aperolado característico. Também deve ter cuidado com o ferro de passar para não derreter o material. As pérolas de vidro possuem alta qualidade e são mais pesadas e caras. 1 - Esféricas têm aparência polida e são encontradas em abundância no mercado e estão disponíveis em cores e diâmetros diversos; . 2 - Gotas são caracterizadas pela ponta afunilada e base esférica. Esta pérola é comumente vista em vestidos de noiva. 3 - Irregulares possui aparência menos polida que a esférica, refletindo a luz de forma desigual; 4 - Arroz diferente da gota, este tipo tem as duas pontas afuniladas. É muito utilizado no segmento de noivas sendo um adereço ideal para vestidos de casamentos.

Tipos de Pedrarias

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M iç an g as

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São pequenas pedrarias que se assemelham a sementes. Podem ser feitas de vidro, acrílico e plástico e vêm numa enorme gama de tamanhos, cores e revestimentos. 1 - Vidrilhos (cut beads) são pequenas miçangas com corte hexagonal ou irregular. As superfícies chatas refletem mais luz que outros tipos aqui listados. 2 - Canutilhos (bulge beads) têm um formato tubular e são cortados em comprimentos diferentes. Estão a venda em pequenos tamanhos, ideais para trabalhos mais finos e minuciosos. Há canutilhos disponíveis nas mais diversas cores e formatos, e luz é refletida com maior intensidade. 3 - Arredondadas (roundel) têm o formato de um donut com um furo central. É comercializado na forma abaulada e facetada. 4 - Facetadas (faceted beads) são presentes em formatos e tamanhos distintos e têm uma superfície chata moldada em um padrão geométrico. 5 - Gota (drop bead) é qualquer tipo de pedraria em forma de pêra e com um furo na ponta ou no sentido do comprimento da miçanga. Algumas delas se assemelham a pedras lapidadas.

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C rista is

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Cristais representam no mundo das pedrarias, materiais sintéticos que emulam o brilho e cor das gemas naturais usadas em jóias e bijouterias. Elas são muito usadas na moda por conta de seu intenso reflexo trazendo destaque a roupa. 1 - Chaton possui o verso chato com/sem revestimento metálico espelhado e com furo central (lantejoula de cristal ou lochrosen) ou com dois furos laterais dependendo do tamanho e do formato. Disponível em várias formas e revestimentos.

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2 - Strass (rhinestone) é um material que se assemelha ao diamante feito de cristal de vidro ou outros polímeros como acrílico. Está disponível em vários formatos fixos por uma cama dentada metálica em corrente ou separada. Tem dois ou mais furos para a passagem da linha. Use metais que não enferrujam para não danificar o tecido. 3 - Corrente de Strass (cup chain). Normalmente feita em acrílico ou cristal, este item é composto de uma série de pedras encravadas em camas metálicas unidas na base por um filete de metal. Existem muitas opções desta pedraria com as mais variadas cores e formatos da lapidação.

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Tipos de Pedrarias

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| |Tecidos U tilizados O mercado oferece uma vasta variedade de tecidos, mas nem todos são indicados para a técnica do bordado em bastidor, sendo os melhores leves e translúcidos para facilitar a visualização do avesso do tecido e facilitar a execução.

Tule O Tule é um tecido fino e delicado que tem o formato de tela. Ele foi criado na cidade de Tulle, no interior da França em meados do século XVIII. A trama do tecido variava e hoje a maioria possui forma de hexágono, quadrado ou bobinete - esta última foi patenteada na Inglaterra com o nome de bobbinet no século 19. Ele atualmente é fabricado em diversas fibras como o nylon, rayon, poliamida, poliéster, algodão e seda. De todos os tecidos listado este é o mais utilizado devido a sua natureza leve e translúcida possibilitando ao artesão ver o avesso do tecido facilitando o trabalho.

Org an za A organza é um tecido encorpado, firme e transparente, fácil de esculpir, costurar e apropriado para tingimentos e bordados. É feito com fibras naturais, sintéticas ou mistas, sendo as duas últimas opções baratas e de aspecto semelhante ao original feito com seda. No momento da compra, é aconselhado pesquisar em várias lojas pois seu custo e qualidade podem variar de fabricante. Para a aprendizagem do bordado em bastidor este é o tecido mais recomendável - a firmeza da trama provém mais segurança ao aprendiz na hora de manusear a agulha e bordar.

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Evite tecidos com fibra frágil e elástica para evitar eventuais rasgos e deformções durante e bordado, e facilitar a fixação da peça no bastidor.

C hif f o n Ele é um tecido esvoaçante feito de seda, rayon, algodão ou fibra sintética. Tem uma superfície ligeiramente áspera. Sua trama é feita em ponto tafetá e seus fios são duplamente torcidos, a textura se torna similar ao crepe. Assim como todos os tecidos feitos a partir do poliéster e da seda, o chiffon seca rapidamente. O tecido é muito fino, leve, macio e de difícil manipulação sendo este recomendável para artesãos mais experientes, pois a incorreta tensão do ponto corrente pode prejudicar o aspecto final do bordado.

C et im Esta trama foi assim denominada em homenagem a cidade de Zaitum (ou Tsenthung), na China de onde se origina. Era a princípio um tecido feito com seda em trama bem fechada e de aspecto reluzente. A trama é tecida em ponto cetim tornando o lado avesso opaco e direito brilhante. No século XX, o rayon e outras fibras sintéticas foram também utilizadas para confecionar o tecido, proporcionando uma maior variedade do material no mercado. Ele é mais usado para roupas de noite e é altamente recomendado pelos alfaiates por sua classe e caimento. De todos os tecidos listados este é recomendado para artesãos mais experientes pois não é possível vizualizar o ponto corrente do lado direito, deixando o trabalho mais complicado.

Tecidos Utilizados

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Capítulo 3

Agulha s

| |Agulha Ari e Lunéville

O

método tradicional para bordar pedrarias no tecido consiste em aplicá-las de forma individual com a agulha comum. No caso do bordado de bastidor, cordões de pedras são preparados e inseridos na linha e fixados de forma individual pela agulha-gancho. Ao lado estão expostas as agulhas-gancho disponíveis no mercado: Lunéville (1) e Aari (2). Na Europa a agulha Lunéville é a mais usada para o bordado em bastidor e ela é também usada nas máquinas Cornely. Contudo na Índia, a agulha Aari é mais popular, tem um formato mais simples de sua irmã ocidental e possui um manejo diferente — enquanto o método francês (3) borda as pedrarias do lado avesso do tecido, o indiano (4) aplica do lado direito e dispensa o uso dos cordões preparados pois as pedrarias são carregadas dentro da agulha Aari. Ambas tecnicas exigem tempo para serem dominadas e, quando são, aceleram o ato de bordar pois a linha é sempre contínua dispensando sucessivos arremates para continuar o trabalho. Existem vídeos e livros disponíveis na internet exemplificando os métodos e suas possíveis variações.

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M at er i a i s B á s i co s

| |Itens Básicos

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Ess en cia i s 1 - Cone de linha de costura comum (poliéster ou algodão), metalizada ou para bordado (poliamida); 2 - Lápis, caneta de tecido ou giz; 3 - Cadarço ou tira de tecido;

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4 - Tesoura de mão; 5 - Agulha de mão; 6 - Fita Métrica ou Régua; 7 - Alfinetes; 8 - Papel de Seda; 9 - Bastidor retangular (p. 22);

Itens Básicos

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O p cio n a is Enchedor de Miçangas (bead spinner) é um equipamento que enfia várias miçangas na linha formando um cordão. Com auxílio da força centrífuga este item agiliza o fatiguante processo de colocar individualmente cada pedraria por um método rápido e prático. Com o auxílio de uma agulha curva, o artesão preenche o recipiente com as pedrarias desejadas, apoia a agulha em uma posição confortável e gira levemente o equipamento, preenchendo ao poucos a agulha com o conteúdo. É necessário um pouco de prática para manusear o equipamento, porém vale o tempo gasto pois ele agilizará a preparação dos dos cordões necessários para o bordado de Lunéville (não é um equipamento usado para a agulha Aari).

O enchedor de micangas preenche rapidamente a linha com diversos paetês para formar o cordão. É importante preparar várias “minhocas” para não interromper o trabalho e acelerar o ato de bordar.

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Máquina de Furar (piqueur, pining machine) é um equipamento usado para criar pequenos furos no papel com o design, afim de transferir o risco ao tecido (ver o método “Prick and Pounce” p. 21 ). É um item difícil de ser encontrado no mercado, sendo poucos os fornecedores disponíveis. Existe a versão profissional (mais cara) usada nos famosos atelieres europeus, e a doméstica fabricada na Índia e mais acessível para iniciantes.

A máquina de furar permite fazer vários buracos no papel de forma rápida, evitando furar de forma manual cada um. Este equipamento serve para o método de transferência de risco chamado Furar e Decalcar (p. 26).

Agulha Ari e Lunéville

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P r epa r a ç ã o Capítulo 4

| |Transferência de D esenho Existem várias formas de transferir o desenho para o tecido. É necessário considerar o tipo e a fixação do desenho para que ele não desapareça completamente durante o processo.

Lápis ou caneta apagável (1) é o método mais usado por ser mais simples e rápido. Apenas posicione o desenho embaixo do tecido e risque por cima. Serve apenas para tecidos mais transparentes já que os opacos dificultam a visualização e o traço pode manchar o tecido permanentemente. Por isso faça o teste em uma pequena amostra antes da peça final. O papel de seda é outra forma de transferir qualquer desenho de maneira rápida. É feito o desenho no papel e este é alinhavado por baixo do tecido a ser bordado. Depois do trabalho ele é cuidadosamente rasgado deixando apenas o bordado feito no tecido. Alinhavo é um bom método para rendas e tules por ser capaz de marcar os dois lados do tecido porém é um dos mais demorados. Usado também para indicar as margens de costuras da peça no tecido, este procedimento deve ser feito sem arremates afim de facilitar sua remoção no fim do trabalho.

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1 Posicione o desenho em papel de seda acima do tecido; 2 Estique e o prenda com alfinetes; 3 Alinhave os traços do desenho ao tecido; 4 Depois de todo o desenho alinhavado rasgue cuidadosamente o papel de seda. Papel carbono é muito usado por deixar marcações precisas e mais duradouras no tecido. Escolha a cor certa para o tipo de tecido que pretende trabalhar tomando cuidado para não manchá-lo, pois o carbono deixa marcas permanentes. 1 Ponha o lado direito do carbono sobre o lado direito do tecido para fazer a transferência do risco; 2 Coloque o desenho por cima do tecido e do papel carbono; 3 Prenda com alfinetes ou com um peso o desenho, o papel carbono e o tecido; 4 Use uma ponta arredondada fina (uma caneta sem tinta) para desenhar o design e transferir as marcações; 5 Depois de pronto, retire os papéis.


Prick and Pounce (furar e decalcar) é o método mais versátil e o mais usado pelas casas de alta costura como também o mais demorado. Usado pelos artesãos profissionais, o método prick and pounce se inicia com um desenho completamente preenchido de pequenos furos. A matriz é colocada por cima do tecido e um pó de giz é jogado por cima dela. Depois são feitos movimentos circulares contra ela forçando o pó a entrar pelos furos, transferindo os furinhos. 1 Use uma agulha de espessura média para furar as linhas do desenho no papel de seda, manteiga, sulfite ou craft. As maisons especializadas usam uma máquina de furar (piqueur machine) para agilizar o processo mas é possível usar uma máquina de costura ajustada com o menor ponto (0,5) ou com uma agulha fina;

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2 Use uma lixa suave no avesso do papel para retirar os excessos de papel feito nos furos; Se esta etapa não for feita o pó não será transferido satisfatoriamente; 3 Fixe com pesos o desenho perfurado sobre o tecido esticado; 4 Esfregue (2) em movimentos circulares com um apagador de quadro branco limpo, o pó (giz, amido de milho, pastel seco ou talco) sobre o papel perfurado; 5 Levante um dos cantos do papel para verificar se o desenho foi todo transferido, caso contrário coloque mais pó e continue com os movimentos circulares com a esponja; 6 Tire cuidadosamente o papel e os pesos e borrife suavemente um spray fixador de cabelo sobre o tecido para que o pó não saia facilmente durante o bordado (3).

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Transferência de Desenho

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| |E strutura do Bastidor

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xistem diversos tamanhos e formatos disponíveis no mercado, mas o autêntico bastidor comumente usado na Europa e Índia é o retangular. Ele é composto de quatro bastões que se encaixam em forma de moldura. O tecido é logo colocado por cima dos cavaletes deixando as duas mãos livres para o artesão trabalhar. É importante que o tecido seja bem esticado para evitar deformações da peça final. Qualquer tipo de tecido pode ser usado no bastidor, porém para iniciantes é indicado fibras mais leves e transparentes como tule e organza, pois permitem a visualização de ambos os lados do tecido.

O bastidor retangular legítimo é feito em madeira e possui outras versões disponíveis em pvc. Use cavaletes com altura adequada para apoiar a estrutura e deixar suas mãos livres e uma cadeira ergonômica para maior conforto e mobilidade

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O bastidor retangular consiste em 4 estruturas: duas hastes horizontais com uma tira de tecido fixada no meio de cada, e dois bastões verticais com pequenos furos afim de acomodar os pregos que manterão o

1 - Posicione o meio do tecido na marcação central

2 - Insira os dois bastões com pequenos furos dentro

do bastidor localizada na faixa de algodão fixada na

do encaixe nas hastes e estique levemente o tecido.

haste. Faça este processo nas duas extremidades do

Depois fixe o bastidor com parafusos.para que a

tecido.

estrutura não se mova.

3 - Use tiras de algodão presas com alfinetes no tecido para esticá-lo um pouco mais no bastidor. Use o gráfico ao lado para seguir a ordem de execução. Após esta etapa afaste um pouco uma das hastes.

Estrutura do Bastidor

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A Téc n i c a Capítulo 5

| |O Ponto Básico

O

ponto básico é simples e requer poucos passos para compreendê-lo; contudo exige tempo e dedicação para dominá-lo. Concentre-se em executar cuidadosamente cada movimento para realizar a técnica e evitar que o ponto corrente fique apertado demais para não prejudicar o acabamento final. Também evite puxar demais a linha abaixo do tecido para que o ponto não tranque e rasgue o trabalho. Com prática frequente o bordado em bastidor permitirá ao futuro profissional uma opção ágil para fixar pedrarias e desenvolver diversas peças de vestuário com eficiência e criatividade. O começo pode parecer intimidador, por isso não desanime e treine constantemente para ver os melhores resultados. Nesta seção foram ilustrados o processo de execução do ponto básico trabalhando com linha e depois com as pedrarias.

atravesse o tecido com a agulha e pegue a linha do carretel localizado embaixo do bastidor.

2 - Puxe a linha para cima, forçando a

3 - Afaste um pouco a agulha da

4 - Enrole lentamente a linha no

agulha pela lateral para que o gancho não

posição da linha e passe novamente

sentido horário em volta da agulha até

fique preso entre as fibras do tecido.

dentro do tecido. O espaço varia de

que ela entre dentro do gancho.

acordo com a pedraria.

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1 - Com o bastidor preparado,

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5 - Puxe a agulha para cima

6 - Coloque a agulha na mesma

7 - Faça um volta completa, enrolando

novamente, empurrando pela lateral e

posição do primeiro passo para

a linha na agulha.

tomando cuidado não enroscar.

arrematar e não desfazer o ponto.

8 - Gire a agulha ao contrário em

9 - Puxe a agulha para cima forçando

10 - Afaste um pouco o próximo ponto

tomando cuidado para que a linha

um pouco na lateral para que o

e recomece o trabalho atravessando a

não saia do gancho da agulha.

gancho não agarre no tecido.

agulha no tecido e formando o ponto.

O Ponto Básico

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11 - Gire a agulha 180 em sentido anti-

12- Faça um volta completa, enrolando

13 - Puxe a agulha, empurrando na

horário. O pino marca o sentido do

a linha na agulha no sentido anti

lateral para que o gancho não agarre

bordado, por isso preste a atenção.

horário. Mantenha reta a posição.

no tecido.

14 - Gire a agulha 180 em sentido

15 - O arremate está pronto agora é só

16 - Continue a técnica para treinar

horário. Faça com cuidado este passo

repetir o passo 06 em diante para fazer

o ponto corrente. Varie a largura e

pois a linha costuma escapar.

o ponto corrente básico.

direção do ponto para futuros testes.

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| |Aplicando Pedrarias 1 - Depois do arremate faça o primeiro

2 - Empurre a pedraria até ela tocar o

3 - Gire lentamente a agulha no

ponto atravessando a agulha no

tecido e enrole a linha na agulha até

sentido horário, tomando o cuidado

tecido. Observe a posição do pino.

que ela se encaixe no gancho.

para que a pedraria não escape.

4 - Puxe a agulha para cima, a

5 - Continue a bordar. O tamanho do

forçando contra o tecido para que o

ponto varia conforme o comprimento e

gancho não fique preso entre as fibras.

largura da pedraria usada.

Aplicando Pedrarias

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| |A mostra do Curso

A

amostra do curso foi planejada a fim de facilitar a compreensão e manuseio da técnica pelo aluno. Foram listados os seguintes materiais: miçangas, vidrilhos, canutilhos, paetês, lantejoulas e pérolas. Vire o bastidor ao contrário, prepare os fios de pedrarias descritas e carrege o carretel de linha e começe a bordar pelo método Lunéville na seção de linhas retas e siga a ordem: Linha, Pérola, Vidrilho, Canutilho, Paetê, Lantejoula. Depois de concluído faça a seção circular na mesma ordem acima para aprender a manusear

a agulha em várias direções. Concluída a etapa, vire o bastidor para cima e borde com o método indiano, carregando as pedrarias na agulha todas as vezes que cada uma for aplicada no tecido. Com o treinamento concluído borde o desenho utilizando a referência ao lado, começando pelas pedrarias mais longas pois elas têm tamanhos menos flexíveis. Siga a seguinte ordem: canutilhos, pérolas, paetês, lantejoulas, vidrilhos e miçangas. Terminado o bordado, tire os alinhavos e cadarços e solte o tecido do bastidor.

A amostra do curso possui formas simples para facilitar o trabalho do aluno. É aconselhável bordar as retas primeiro pois essas seguem uma única direção para depois trabalhar em curva, já que o movimento da agulha requer um pouco mais de prática do aluno.

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| |Anotações

Anotações

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Amostra do Curso

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Créditos

| |B ibliografia

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Bordado em Bastidor_Módulo I


Tiragem Indefinida Formato 21,0 X 29,7 cm Mancha Gráfica 16,8 X 25,2 cm Tipo e Corpo/Entrelinha Source Sans Pro ExtraLight 9,5/12 (corpo de texto) Source Sans Pro Semibold Italic 28/0 (display) Source Sans Pro Semibold 28/0 (título) Source Sans Pro Light Italic 13/14(subtítulo) Papel Sulfite (miolo e capa) Encadernação Espiral Diagramação, Capa e Ilustração Phillipe Chultes Impressão CoutureLab Porto Alegre, Março de 2018


Escola de Moda

Apostila de Bordado em Bastidor_Módulo i  

Apostila feita para a escola de moda CoutureLab, ensinando a técnica do bordado em bastidor.

Apostila de Bordado em Bastidor_Módulo i  

Apostila feita para a escola de moda CoutureLab, ensinando a técnica do bordado em bastidor.

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