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TAB CADERNO B 6

Jornal do Brasil B6 |JB CADERNO B |Domingo, 24 de janeiro de 2010

cadernob@jb.com.br Divulgação

Luiz Orlando Carneiro luizoc@jb.com.br

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Jovem virtuose nipônica ÀS VÉSPERAS DO 30º aniversário, em março do ano passado, a pianista japonesa Hiromi Uheara, dona de uma técnica formidável, gravou Place to be (Telarc International), o primeiro disco solo de uma esfuziante carreira iniciada antes mesmo de sua graduação no afamado Berkelee College of Music, em Boston. Menina-prodígio consagrada em seu país, onde viveu até 1999, Hiromi já conquistara os músicos, críticos e jazzófilos mais exigentes com o lançamento, nos EUA, de dois álbuns nos quais seus parceiros eram os canonizados Chick Corea e Stanley Clarke: o duplo Duet (Concord), um “tête-à-tête” da dupla de virtuoses do teclado, registrado ao vivo, no clube Blue Note de Tóquio, em setembro de 2007; Jazz in the garden (Heads Up), de dezembro de 2008, o primeiro CD de Clarke, na condição de líder, tocando baixo acústico, num trio completado pelo baterista Lenny White. Place to be foi lançado no Japão em setembro último, mas só agora está disponível nas lojas virtuais americanas. A revista Jazz Times dedica a cover story da edição de janeiro-fevereiro à extrovertida nova estrela do idioma, que assim explica por que decidiu gravar, desacompanhada, uma espécie de travelogue, com alusões a lugares por onde andou e a um (Las Vegas) que pretende conhecer: “Eu estava para fazer 30 anos no dia 26 de março, e queria capturar o som dos meus 20. Sei que a cada ano, a cada década, estarei mudando. Assim, para fins de arquivo, quis fazer agora esse trabalho solo. Acho que, para qualquer pianista, um dos maiores desafios é estar a sós com o piano, encará-lo, entender como realmente toco, escutando-me plenamente, sem Aos 30 anos, mais nada. Pretendo continuar gravando solo, pelo Hiromi Uheara menos de 10 em 10 anos”. exibe destreza Das 12 faixas do novo CD, 10 são de autoria da insimilar à de crível japonesinha, que exiOscar Peterson be articulação e destreza similares às de Oscar Peterson, a partir da vertiginosa BQE (5m27) – inspirada no rush da Brooklyn-Queens Expressway, em Nova York. Três faixas – Show city, show girl(3m55), Daytime in Las Vegas(4m30) e The Gambler(5m35) – formam a suíte Viva Vegas. A primeira contém saborosas referências ao Harlem piano style e deferências a Errol Garner; a segunda é romântica e delicada; a terceira um desafiador exercício de virtuosismo. Bern, baby, Bern (2m55) tem um ar de fuga, e nasceu de um tema de Louie Bellson que é uma espécie de prefixo do clube Marian’s Jazzroom, em Berna, na Suiça. Choux à la créme (5m29) é uma contagiante peça bluesy, com realce para a mão esquerda bem “guitarrística” da pianista. O blue de Sicilian blue (8m25) – tema também constante do disco Jazz in the garden – não se refere ao blues, mas ao azul do mar da ilha mediterrânea da Itália. Hiromi nunca procurou esconder sua formação musical clássica, que fica ainda mais evidente em Islands Azores (4m27) – uma espécie de “minueto” de sua autoria – e em Pachelbel’s canon (5m20) – interpretação do famoso cânon em ré maior do compositor alemão Johan Pachelbel, do século 17, no piano “preparado” para soar como um cravo. Na entrevista na citada edição da JT, Hiromi fala do “desafio” a que se propôs em estúdio, pela primeira vez: “É difícil porque eu tenho de ser, ao mesmo tempo, baixista, baterista e pianista. (…) Só estava tentando fazer o piano soar como uma orquestra, a fim de que pudesse ver as múltiplas faces do instrumento”. Em Place to be, Hiromi faz jus ao elogio de um de seus incentivadores, o grande Ahmad Jamal: “Sua arte – juntamente com os seus charme e espírito irresistíveis – faz com que ela se eleve a alturas musicais inimagináveis”. Divulgação

BLONDY – Cantor nascido na Costa do Mar fim mantém parceria com os Wailers desde 1984

REGGAE

Ao lado dos escudeiros do rei Bob Marley Alpha Blondy e os Wailers trazem a Jamaica ao Rio Philippe Noguchi

Não é a primeira vez que os Wailers – banda parceira de Bob Marley em sua curta, porém intensa, trajetória na música – vêm ao Brasil. O show que a banda apresenta hoje no Citibank Hall pode não ser exatamente novo, mas traz uma novidade: a banda se apresenta ao lado do cantor Alpha Blondy, nascido na Costa do Marfim. Juntos, o grupo e o músico são figuras principais hoje na difusão do reggae. – Já toquei em São Paulo, Rio, Bahia, Porto Alegre. O Brasil é muito bom. A oportunidade de ir para o país novamente é incrível. É como ir a outra dimensão – diz Alpha Blondy, que acredita na conexão do nosso povo com o reggae e a cultura jamaicana. – O Brasil tem sonhos e esperanças semelhantes. “É natural cantar com eles”

PRIMEIRO SOLO – ‘Place to be’ traz a pianista a sós no estúdio

Ao lado de Bob Marley, os Wailers venderam cerca de 250 milhões de discos no mundo inteiro, como coautores de sucessos como Exodus, Stir it up e One love. Formada em 1969, a banda está em turnê de comemoração dos 40 anos do grupo. A história ao lado de Alpha Blondy é mais recente. O músico passou a tocar com os Wailers em 1984, quando gravaram jun-

tos o álbum Jerusalem, na Jamaica, três anos depois da morte de Marley. Apesar da palpável reverência, Blondy encara com naturalidade cantar ao lado da banda que consagrou o maior ídolo da história do reggae. – Sou um discípulo de Bob, mas sei distingui-lo da lenda; a pessoa, do mito. Por isso para mim é natural cantar ao lado dos Wailers – ele garante. Alpha Blondy (ou Seydou Koné, seu nome de batismo) nasceu em Dimbokro, e costuma compor suas músicas em vários idiomas, entre eles o inglês, francês e dioula (dialeto africano), além do árabe e do hebraico. É conhecido por expressar em suas letras questões sobre a política mundial. – Quando se é pobre ou oriundo de um lugar pobre, você sempre fala de política. Quando você está sofrendo por causa de políticos, sempre fala de política. Isso é mais do que natural. Apenas queremos gritar em busca daquilo que precisamos – ele diz. Com mais de 15 álbuns no currículo, Alpha Blondy se tornou o artista africano que mais vendeu discos em todo o mundo. Por seu engajamento social e suporte aos mais necessitados de sua terra natal, o cantor foi eleito pelas Nações Unidas Embaixador da Paz na Costa do Marfim.

Também engajados, os Wailers são os criadores da campanha I Went Hungry, iniciativa global que envolve boa parte da indústria da música para ajudar a erradicar a fome. O projeto incentiva colegas músicos da banda a seguir o exemplo e doar uma parte de suas turnês para a campanha. Americano nos vocais

A banda começou em 1969 com Bob Marley, Bunny Wailer, Peter Tosh e os irmãos Aston Barret e Carly Barret na formação. Dois anos depois, houve uma baixa na formação e os irmãos assumiram o nome do grupo, passando a acompanhar Bob Marley em várias músicas. Hoje tem como líder o baixista Aston “Family Man” e como vocalista o americano Elan Atias.

>> Em cartaz The Wailers & Alpha Blondy Citibank Hall, Shopping Via Parque, Av. Ayrton Senna, 3.000, Barra da Tijuca (2156–7300). Dom. às 20h. R$ 130 (Pista), R$ 200 (Poltrona), R$ 250 (Camarote), R$ 260 (Pista Premium). Estudantes, idosos e menores de 21 pagam meia. Censura: 18 anos. Cap.: 8.400 pessoas.


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