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O porquĂŞ do P&B Como escolher a sua lente Entrevista: Henri Cartier-Bresson


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EDITORIAL EXPEDIENTE

A revista Objetiva, como seu próprio nome sugere, vai direto ao ponto! "Fotografia sem mistério" é o nosso lema. Nesta primeira edição, temos um revival da entrevista de Henri Cartier-Bresson 1908-2004, um dos mais importantes fotógrafos do século XX realizada em 1996 por Sheila Leirner. Apresentamos também nas páginas a seguir alguns dos diversos caminhos que a fotografia pode percorrer, natureza, pessoas, ensaio em estúdio e externo, splash, P&B e muito mais vem pela frente. Nesses caminhos buscaremos encontrar os seus atalhos, para que a cada edição você possa renovar seus conceitos, já que o conhecimento como o foco da sua câmera podem ser infinitos. Fábio Magri Afonso


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EDITORIAL EXPEDIENTE


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Cartier-Bresson por Sheila Leirner

Foto de Jane Bown em 1957

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EDITORIAL EXPEDIENTE Sheila Leirner Quando o maior fotógrafo do mundo declara que “a fotografia é um pequeno métier”, isso não soa um pouco como menosprezo? Henri Cartier-Bresson Desprezo? É absolutamente falso! Me desculpe, mas eu lhe proíbo de dizer isso! S.L. Mas é verdade que a fotografia não o interessa? H.C.-B. Ela em si, o seu processo, não me interessa. O que me importa é a vida e o meio imediato de transcrevê-la. A máquina fotográfica é um caderno de croqui, é o desenho imediato, com a sensibilidade, a surpresa, o subconsciente, o gosto pela forma. Eu faço pintura, estudei pintura desde os 15 anos. Aqui nestes catálogos você verá que há trabalhos daquela época. S.L. Eu gostaria que primeiro falássemos sobre a fotografia… H.C.-B. Pode-se fazer qualquer coisa com uma máquina fotográfica. Só é difícil descascar uma batata com ela. Todos são fotógrafos, há tantos fotógrafos no mundo quanto aparelhos, não é? E há mais fotógrafos do que atores. Não tenho nada contra, mas, para mim, só há uma coisinha na fotografia, um aspecto bem pequeno, que me cativa o espírito: a observação da realidade. Não tenho imaginação e essa observação é muito subjetiva. Venho da pintura, da literatura, a minha formação é de artista. S.L. Como Sebastião Salgado, que também não tem formação de fotógrafo? H.C.-B. Exatamente. O Salgado vem da economia política. E tudo o que realiza é extremamente


apaixonante. Ele enfoca problemas muito importantes. Nós somos visualmente bastante diferentes, mas ao mesmo tempo o que ele faz me diz respeito, assim como a sua capacidade de trabalho. Ele tem um espírito que mostra a vida, por causa da sua formação de economista. As pessoas na América desprezam o fotojornalismo, mas no fundo somos jornalistas no sentido de que mantemos um diário, como se fôssemos escritores. Eu jamais desenvolvi temas. Salgado faz grandes assuntos, como o trabalho, a superpopulação, enquanto eu borboleteio. Eu venho da pintura. S.L. No Brasil, existe uma tradição de fotojornalismo que é muito apreciada. Eu nunca tive preconceito. Esse borboletear é uma compulsão plástica que vem da sua formação de pintor ou é também uma curiosidade “jornalística”, relativa à indignação e à denúncia? H.C.-B. É uma atitude completamente diferente da do Salgado, mas existe uma cumplicidade entre nós, porque não lidamos com a imaginação, nós dois vamos à realidade. S.L. Ao contrário de Miguel Rio Branco, que usa a linguagem fotográfica para fazer ficção. Você conhece os fotógrafos brasileiros? H.C.-B. – Não tenho lembrança. O Rio Branco, sim. Ele tem um mundo completamente diferente do meu, imaginário. É muito gentil, mas não há nada em comum entre nós. Para mim é o cinema e a literatura que produzem o fantástico, não a fotografia. S.L. Você nunca se sentiu tentado pela ficção? H.C.-B. Eu não tenho imaginação. O que me fascina é a vida, que tento compreender. Mas já me senti tentado pelo cinema, sim. Trabalhei com Jean Renoir, fiz três filmes com ele. Fui assistente em A Regra do Jogo, que é um filme admirável. Porém, o cinema conta uma história e o que me atrai é o cinema- documentário, que se aproxima da reportagem fotográfica. S.L. Mas as suas fotografias às vezes são narrativas, no sentido do tempo e do movimento, e quase se aproximam da ficção quando apresentam uma realidade que é subjetiva e portanto interpretável - como as suas cenas mexicanas, por exemplo, de 1934 a 1964. H.C.-B. Eu não tenho nada para contar. Eu vou, olho, as coisas me surpreendem. Isso é puramente visual. Tenho horror da palavra

conceitual. Se os artistas conceituais nos convidarem para jantar, eles servirão apenas as espinhas do peixe! Eu pessoalmente prefiro a carne dele. O conceitualismo é pura masturbação mental, no qual não entra a sensibilidade. Há pouco, li no Le Monde que um neurologista da Universidade de Ioha escreveu um livro sobre o tratamento de seus pacientes por meio do qual chegou à conclusão que a emoção é fundadora da razão. Não é maravilhoso? S.L. Você fala da fotografia como instrumento do pensamento, da forma como foi usada nos anos 70? H.C.-B. Antes ainda. Marcel Duchamp era um homem extremamente inteligente. Eu o conheci bem. Um dândi brilhante, muito culto. Estavam todos lá, Picasso, wwo Chagall da grande época, etc., e ele fez uma pirueta declarando: “A arte está morta.” Isso é muito engraçado, mas, enfim, um pouco curto como pensamento, não é? Acho que ele não se reconheceria em todos esses seus filhos Behind the Gare St. Lazare: de Cartier-Bresson

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espirituais de hoje. Duchamp não fez nada, mas queria sempre ser novo. Nós nunca somos novos, tudo já foi dito. São as diferentes maneiras de se fazer um ovo, os ovos sempre existiram. S.L. Talvez eu entenda por que você aproxima a fotografia composta, de ficção, do conceitualismo herdado por Duchamp. É a questão recorrente até hoje, do “objet trouvé” - o fotógrafo, lembrando também Man Ray, determina que o objeto fotografado seja transformado em arte e ponto final. Isso não é revolucionário? H.C.-B. Nada disso me interessa. Minha paixão desde a infância é Paolo Uccello, Piero della Francesca, Van Eyck, etc. e a geometria. Trabalhei com André Lhote durante dois anos, gosto mesmo é da composição. S.L. Você é um clássico. Talvez essa seja uma das razões do seu enorme reconhecimento. H.C.-B. Sou grato pelo reconhecimento, mas ao mesmo tempo isso é muito pesado para se carregar, eu lhe asseguro. É o motivo pelo qual eu não quero ser fotografado, identificado, gostaria de ser anônimo. A celebridade é horrível. Eu sou libertário. Tenho horror ao poder e a notoriedade como fotógrafo é uma forma de poder que eu recuso. S.L. Você pensava assim quando era jovem? H.C.-B. Nasci revoltado. Quando era prisioneiro, fugi três vezes e estou pronto para escapar de novo. Você entrevistou o Carriere, que eu gosto muito. Nós temos em comum a crença nos vários aspectos do budismo. Na verdade, sou contra essa sociedade que se desmorona. Tenho a vantagem de ser muito velho, conheci um outro mundo! Hoje, as pessoas não estão revoltadas em busca de um ideal, elas estão desgostosas e isso é uma atitude niilista. S.L. A sua arte é humanista. Você ama o homem. H.C.B. Eu amo o homem, mas não tenho a menor confiança na sociedade. Todavia, felizmente há outras sociedades no mundo judaico-cristão. Recebi, há pouco tempo, um livro de fotos sobre o Brasil, com uma dedicatória do Lévi-Strauss, que me emocionou profundamente. A concepção do trabalho no Velho Mundo, por exemplo, é terrível. Os africanos trabalham de outra forma, com alegria. E há séculos que são diferentes também: há o século 12 e o quinto século antes de Cristo, que são extraordinários! S.L. Olhando o seu livro A França de CartierBresson, que guardo desde 1969, pensei em lhe perguntar se o fato de ser francês influiu

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decisivamente no seu trabalho. H.C.-B. Fui profundamente marcado pelo surrealismo! Não falo dos amigos surrealistas como Max Ernst, mas da atitude surrealista que me marcou; a imaginação. E isso justifica todo o misticismo, o espiritual que eu encontro no taoísmo e no budismo, que criou a unidade completa entre o corpo e o espírito. Pois no mundo judaico-cristão-muçulmano, se separa o corpo do espírito. Estamos numa época de decadência, o que pode ser muito agradável como o sabor do faisão que se deixa apodrecer um pouco antes de comer, mas... S.L. Essa sofisticação do “faisandé” não é nada agradável para os que vivem o frescor do novo mundo. H.C.-B. É, eu sei. As diferenças são cada vez maiores entre os países ricos e os pobres. O integrismo é uma coisa apavorante, há o “sim” e o “não”, como na informática, mas na matemática quântica é completamente diferente, há um terceiro tema. Eu venho da Normandia, lá é assim: “Talvez sim, talvez não.” Um horror!

S.L. Você que publicou mais de 30 livros, quais são os seus preferidos? H.C.-B. Proust... S.L. Pergunto sobre os de sua autoria. H.C.-B. Bem, eu sou grato aos que reconheceram o meu trabalho como Tériade, o gênio Tériade, você sabe, aquele editor que publicou Jazz de Matisse. S.L. Você fabricou ícones... H.C.-B. Pare com isso, por favor. Pare! Olha que eu sou autoritário! S.L. Deixe-me explicar: você fabricou imagens com tal grau de iconicidade que elas correram o mundo e inspiraram obras. Conheço uma ótima desenhista, por exemplo, que usou a foto daquele menino contra um muro em Valência para uma colagem de grande impacto. Como você vê isso? H.C.-B. Mas é o acaso! Isso é uma besteira! Não é meu problema. Veja bem, há quase 25 anos que eu não faço mais fotografia, só retratos de meus amigos, porque isso me diverte, embora seja dificílimo. Trata-se de um tête-à-tête em silêncio. Faço fotos e desenhos também. Bike: de Cartier-Bresson

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ESTÚ DIO

NATU REZA Direção de modelos

EXTER NAS

por Claudia Regina

P&B

Fotógrafos de moda tem uma super vantagem na direção de modelos: seus modelos sabem posar! Mas para quem, como eu, lida a maior parte do tempo com modelos não profissionais (noivos, gestantes, “gente comum”), a parte de direção do modelo é um desafio.

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ESTÚ DIO

NATU REZA

EXTER NAS

O corpo fala

P&B

Estamos acostumados a interpretar inconscientemente as mensagens que outras pessoas transmitem através do corpo. É trabalho do fotógrafo aprender essa linguagem e usá-la nas suas image ns. São três os elementos principais dessa linguagem:

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Quantidade e posição das partes expostas do corpo; ∞ Open mind: apresentar uma grande superfície do corpo sem proteção. Proteção: fechar o corpo. ∞ Minimização: oferecer o perfil do corpo ∞ ou outra técnica para reduzir a superfície. ∞ Exibição: mostrar o toque de uma parte do próprio corpo.

DICA

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Posição da cabeça; ∞ Frente: encarar a outra pessoa em um plano de paridade. Levantada: sugere sentimento de ∞ superioridade. ∞ Abaixada: indica sentimento de submissão. ∞ Inclinada lateralmente: mostra desejo de agradar.

Direcção do olhar. Produz um elemento fundamental na comunicação corporal, divididos em duas partes: ∞ Ausência de contacto ocular: A pessoa não está a olhar para o expectador. Essa situação cria o menor nível de tensão, pois torna os expectadores observadores desapercebidos. Junto com esta condição de tranqüilidade instaura-se uma prazerosa sensação de voyerismo. Contacto ocular estabelecido: Nesse caso ∞ específico o observador terá a reação que teria ao viver uma experiência como a apresentada na imagem. O contacto visual pode ter uma função convidativa, agressiva, exploradora.

É quase impossível explicar os elementos do contacto visual teoricamente. É através da observação, do exercício e da tentativa de aplicálos nas nossas imagens que desenvolvemos uma habilidade em lidar com este elemento.


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EXTER PES NAS SOAS

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EDITORIAL Iluminação em fotos externas EXPEDIENTE por Dave Johnson

Fotógrafos, amadores ou não, adoram tirar fotos naqueles momentos em que o sol está perfeitamente posicionado, proporcionando uma ótima condição de iluminação. O problema é que nem sempre conseguimos registrar fotos nesses momentos e torna-se necessário lidar com condições de iluminação as mais variadas. Você precisa saber como lidar com elas e ainda assim, alcançar resultados satisfatórios em suas fotografias.


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EXTER PES NAS SOAS Luz natural

E SUMÁ RIO

Sol de meio-dia – se puder escolher, procure fotografar antes das 10 horas da manhã ou depois das 16 horas. Caso contrário e a não ser que seu equipamento possa lidar muito bem com ambientes muito iluminados (com a devida compensação na abertura do diafragma, tempo de exposição e balanço de branco), saiba que imagens cuja fonte de luz está posicionada diretamente acima do objeto retratado irá resultar em imagens com sombras muito acentuadas, áreas extremamente iluminados ou ambas.

COI SAS

Tira uma foto com grande alcance dinâmico – O problema com o brilho e o sol do meio-dia é que eles enviam muito mais informação de luz para a câmera do que o sensor é capaz de lidar. Como resultado a câmera precisa otimizar o alcance dinâmico - o trecho entre o valor mais escuro e o mais claro de uma imagem – e então o restante é descartado, criando pontos somente brancos ou somente pretos. Porém, você pode tirar uma série de fotos da mesma cena, cada uma com uma exposição diferente, a técnica HDR (High Dynamic Range) utilizando o tripé.

EDITORIAL EXPEDIENTE

Deixe o sol atrás (de você) – usar a luz do sol como fonte natural de iluminação é uma boa idéia e deve ser aproveitada sempre que possível. Para um melhor resultado, procure ficar entre o sol e o objeto de sua foto (evite, a todo custo que sua imagem faça parte da cena a ser registrada a não se que esse seja o efeito desejado). Embora tal posicionamento altere o enquadramento inicial que você estava considerando, o resultado será muito mais agradável e natural e, quem sabe de uma perspectiva diferente. Silhuetas – e se não houver como fugir do sol? Então vá em frente e tire a foto. Mas também considere uma variação mais artística para essas situações: a silhueta. Para isso você deve acertar a exposição da sua câmera não no objeto a ser retratado, mas sim no céu claro que estiver atrás dele. Para isso você pode medir a exposição, pressionando o botão de disparo pela metade, até acertar a composição. Posicionar o sol por detrás do objeto fotografado dá um ar ainda mais dramático à imagem.


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DICA

EDITORIAL Como escolher aEXPEDIENTE sua lente A lente – ou objetiva, nome mais comum no meio fotográfico – é muito mais importante do que a câmera fotográfica. Invista seu dinheiro em boas objetivas: se forem bem cuidadas, duram a vida inteira. Já a câmera um dia vai parar de funcionar. Para uma boa fotografia, uma boa objetiva é essencial. Além da qualidade de material e contrução, veja no infográfico o que deve procurar em um boa lente, e se quiser todos esses recursos prepare seu bolso para isso.

Lentes claras Tem maior abertura (f/stop) do diafragma, o que proporciona boas fotos com pouca iluminação. O valor numérico da abertura é inversamente proporcional ao seu estado físico. Ou seja: quanto menor os números da abertura, maior será a abertura em si.

f 2.8

f8

f 22

Distância focal Na hora de comprar uma objetiva, você vai querer saber quanto de “zoom” – ou Distância Focal – ela tem, para satisfazer sua vontade de ver a vizinha do prédio da frente trocando de roupa.

20mm

35mm


Estabilização de imagem – IS ou VR Complexo sistema computadorizado que atua junto com a lente de compensação para evitar fotos tremidas, onde a condição de iluminação não é favorável, e seja necessário aumentar o tempo de exposição.

USM Motores ultrasônicos induzido por vibração de alta frequência que focam extremamente rápido e são muito silenciosos.

Lente básica apenas para ilustração.

Range Outro fator importante a ser observado, objetivas com distância focal fixa ou com um intervalo menor de range (abramgência de distâncias focais) precisam de menos componentes trabalhando internamente o que a torna mais precisa proporcionando maior qualidade de imagem. 55mm

105mm

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ORIAL DIENTE

Splash! O efeito do líquido paralisado no ar causa bastante impacto e é muito utilizado em publicidade. No entanto a construção de uma imagem com este efeito é bastante simples, técnicamente falando, e sua maior dificuldade é que requer um pouco de paciência, pois é muito difícil sincromizar o tempo exato no momento de clicar. Então mão na água e siga esse passo a passo: 1. Luzes, luzes, luzes, muitas delas, para tirar a foto sem flash, porque geralmente o flash só nos permite trabalhar com a velocidade de 1/200 (pelo menos o meu é assim). Eu acho que usei 1/400; 2. Use um diafragma fechado (você vai precisar de muita luz por isso TAMBÉM), utilize uma caneta para fazer o foco na área da gota; 3. Pegue o foco com o foto automático, depois ponha no foco manual para que a foto seja tirada rapidamente; 4. Muitas tentativas, NÃO DESISTA até que você chegue à uma foto agradável, e lembre-se do erro cometido na foto anterior, não fique simplesmente soltando o objeto a esmo; 5. Há um atraso (delay) entre quando você aperta o botão da câmera e a foto é tirada de fato, então a ordem mais ou menos é: solte o objeto, aperte o botão logo antes do objeto entrar completamente na zona de splash; 6. Se você usar lâmpadas muito quentes, tome ucuidado para que o líquido não encoste nas lâmpadas; 7. Se for iogurte, dilua-o em um pouco de água, se você não fizer isto, o splash vai ficar muito pesado e as gotas em forma de bolinhas não vão voar, vão ficar presas 8. Faça alguns testes soltando o objeto atrás da zona de splash antes, ou irá faltar iogurte na sua geladeira. E não faça com leite, acredite em mim.


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ORIAL IENTE Fotografando pessoas por Dave Johnson

Pode parecer simples, mas posar não é para qualquer um. Modelos profissionais sabem como usar o corpo para criar o efeito desejado, sabem a diferença entre poses para público feminino e público masculino, sabem virar o corpo pra lá, virar o corpo para cá, fazer um olhar sexy, fazer um olhar leve, deixar o pescoço esticado… se você pedir eles irão fazer. E como boa parte da qualidade de um retrato vem da direção… é ótimo quando você tem esse item a menos para se preocupar.


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ORIAL IENTE

Fotografar modelo é mais fácil Quando estamos dirigindo modelos não profissionais temos que “ensiná-los”, em poucos passos, o que os profissionais sabem com muita prática. Para conseguir bons retratos é essencial que você deixe seu retratado confortável e bonito. Algumas dicas para conseguir chegar lá: Sendo confiante – a “pessoa comum” fica muito mais confortável quando percebe pelas ações do fotógrafo que ele sabe o que está fazendo. Dispare, olhe, elogie. Substitua “hmmm… essa não ficou muito boa, vamos tentar de outro jeito” por “ótimo! Está linda, vamos fazer assim...". Conversando – durante a sessão não se importe em conversar. Eleve o papo e vá além da conversa de elevador. Pessoas se soltam quando ficam um pouco mais íntimas do fotógrafo. Continue fazendo isso enquanto mexe nas luzes, diga coisas engraçadas… deixe o clima leve para que a pessoa consiga se soltar para as lentes. Ensine poses – tome muito cuidado ao “mexer” na pessoa, normalmente isso resulta em uma pose falsa e mecânica. Prefira mostrar a pose fazendo você mesmo, exemplificando e deixando a pessoa posar levemente. “Vire assim”, “Olhe para aquela luz”, “olhe para baixo”, “olhe para cima”. Dependendo do tipo de sessão você pode mostrar poses em revistas ou outras fotos que seria legal reproduzir. Explique o que você está fazendo – é muito bacana pois você estará interagindo ainda mais com seu modelo. Não é necessário dar uma aula de fotografia, mas falar que “esse tipo de luz esconde as imperferções da pele” com certeza deixará qualquer mulher menos encanada com seus closes. Dê algo para seu modelo interagir – se o objetivo da sessão é fazer algumas fotos com props tente começá-la com eles. Poses com modelos sentados, brinquedos (no caso de crianças), bichinhos na barriga (no caso de gestantes) e até mesmo… outra pessoa! Se a sessão tem mais de uma pessoa é bacana começar com as fotos em grupo.


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P&B

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EDITORIA EXPEDIEN

O porquê do P&B por Yuri Bittar A fotografia nasceu em preto e branco, ou preto sobre o branco, no inicio do século 19. Todos os princípios da fotografia foram descobertos ou desenvolvidos antes do surgimento da fotografia colorida. Desde as primeiras formas de fotografia que se popularizaram, como o daguerreótipo, na década de 1830, até os filmes PB atuais, houve muita evolução técnica, e diminuição dos custos. Hoje os filmes tem uma grande gama de tonalidade, superior mesmo aos coloridos, resultando em fotos ricas em detalhes. Por isso as fotos feitas com filmes PB são superiores ás fotos coloridas “transformadas” em PB.


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P&B

ENTRE SUMÁ VISTA RIO Porque ainda se usa fotografia em P&B

Com o surgimento dos filmes coloridos, popularizados a partir da década de 1960, muito se falou no fim da fotografia preto-e-branco. Mas nós sabemos que isso não aconteceu, e ainda hoje se usa muito a fotografia PB.Mas como ela sobreviveu? Porque ainda se tiram fotos em PB se existe filme colorido? E agora, com o advento da fotografia digital?

DICA

EDITORIA EXPEDIEN

Alguns fatores que contribuíram para isso: ∞ A fotografia em PB se tornou uma opção artística. ∞ Os filmes PB tem maior riqueza de tons. ∞ A falta de cor torna a imagem registrada mais distante do nosso olhar (colorido), o que facilita a busca de um registro além da realidade, ou de uma outra realidade. Seria a poesia fotográfica. ∞ A fotografia em PB facilita a abstração das imagens, o que nos permite criar algo que não é um registro, mas sim algo novo, algo por si mesmo, enfim, arte. ∞ Uma fotografia PB dura mais tempo, aprox. 200 anos, contra 100 da colorida. ∞ A fotografia em PB e tornou um diferencial. ∞ A fotografia em PB desperta saudosismo. ∞ Sem a presença das cores podemos perceber melhor as formas, expressões e tonalidades. Com a fotografia digital ficou bem mais fácil e barato fotografar em PB. Pode-se tirar as fotos em cores mesmo, e depois convertê-las para PB no computador, ou até mesmo tirar as fotos já em PB, usando o filtro da câmera. Porque a fotografia em preto-e-branco ainda é usada em casamentos e outros eventos ? Quando nos preparamos para casar, nos preocupamos muito em registrar esse dia tão especial, por isso procuramos um fotógrafo. Mas não queremos fotos comuns, como aquelas que costumamos tirar nas férias ou em aniversários das crianças. Queremos fotos de qualidade, sensíveis, diferentes e originais.

Mas, se queremos fotos que realmente se diferenciem, “artísticas”, “jornalísticas”, românticas e sensíveis, poderemos pensar em fotos PB. Isso porque as fotos PB tem um clima mais atemporal, eterno, assim como esperamos que seja o amor.


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NATU REZA

EXTER PES NAS SOAS

ENTRE Fotógrafo SUMÁ COI VISTA de natureza RIO SAS Francine de Mattos

DICA

Parece a profissão dos sonhos né? Ganhar dinheiro viajando, descobrindo os cantos mais remotos e bonitos do país, ou até mesmo do mundo. O fotógrafo Campos Salles diz que é ir com calma, que não é bem assim... e tem certeza que tem seu lado fantástico, mas também tem, como qualquer outra profissão, o seu lado burocrático e trabalhoso “chato”. Ninguém melhor que um profissional na área para dar dicas para quem pensa em “seguir carreira”, preste bem atenção você aí!

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NATU REZA

EXTER PES NAS SOAS Nem tudo são flores

∞ Em primeiro lugar não pense em largar seu

trabalho principal. É ele que paga as contas e o que vai continuar pagando por muito tempo depois que você se aventurar nessa nova empreitada. ∞ O dinheiro que você estava guardando pra trocar de carro ou de casa, esqueça! Invista em equipamento profissional, o que irá te custar muito dinheiro. Não existe fotógrafo profissional de renome usando equipamento amador, principalmente em fotografia de natureza. Esqueça aquele papo de que o equipamento não faz diferença, porque faz sim! ∞ Viajar com família? Esqueça também, invista em viagens que vão te render um portfólio. Sua esposa (o) ou namorada (o) tem que entender e te apoiar. ∞ Esteja pronto para passar muito tempo longe de casa, muitas vezes sem qualquer tipo de comunicação e em condições precárias. Parece fácil, mas a saudade de casa é um dos fatores que mais pode atrapalhar o desempenho de um fotógrafo. Sua mente não pode viajar para outros lugares, ela precisa estar 100% focada ali! ∞ Esteja física e psicologicamente preparado para carregar seu equipamento pesado por trilhas lamacentas, para ficar horas esperando um bicho sentado na mata, deitado na areia ou dentro d’água. ∞ Aprenda a lidar com frustrações. Muitas saídas podem não render nenhuma foto realmente boa, mas não desanime. ∞ Aceite o risco que seu equipamento pode sofrer. Ele vai molhar e ficar sujo, mas não seja tão apegado a ele, pois é apenas a sua ferramenta de trabalho. ∞ Aprenda e use sempre um tripé. Por incrível que pareça no Brasil pouca gente gosta de usar, porque exige mais paciência, não é flexível, fica mais difícil. Mas quem falou que seria fácil? ∞ Tenha paciência, seu trabalho, mesmo que muito bom, só será reconhecido e começará a te trazer bons frutos depois de alguns anos construindo um portfólio sólido. ∞ Aprenda que você nunca vende uma foto. Você a licencia pra um uso específico, por exemplo: 1/2 página de revista, capa de livro, anúncio de jornal, banner de internet, etc.

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EDITORIAL EXPEDIENTE


∞ A lei brasileira obriga a citação de crédito

nas fotos. Portanto não é favor algum, é lei. ∞ Bons e grandes clientes estão acostumados a gastar com fotografia muito mais do que você imagina. ∞ Não participe de concursos que pedem todos os direitos da fotografia. É um tiro no pé. Um fotógrafo sem portfólio não é nada e esse tipo de exploração deve ser combatida. ∞ Abra uma empresa de fotografia. Bons clientes exigem NF pessoa jurídica. ∞ Nunca trabalhe ou venda uma foto sem contrato. ∞ Monte um site bem feito e tenha um ótimo plano de marketing, definindo bem quem são seus clientes potenciais. A sua estratégia de crescimento deve ser clara e objetiva. ∞ Não fique parado. Dificilmente alguém vai te achar. Faça um marketing mais agressivo. ∞ Exija seus direitos. Quase todos os clientes vão sempre tentar pagar menos que você merece. É o papel deles, resta a você fazer o seu papel: valorizar seu trabalho e todo o dinheiro e tempo que gastou pra chegar ali. ∞ Viver só de fotografia de natureza no Brasil é difícil. Monte também um portfólio paralelo voltado pra outra área mais comercial, como fotos corporativas, industriais, de produro, etc. É outro tipo de fotografia, que exige outros conhecimentos técnicos, mas que pode trazer mais renda.

∞ Não dependa apenas de vendas de fotos

individuais. Essa é uma parte pequena da renda de um fotógrafo. Aprenda a escrever bem, diversifique seus produtos. Editores e clientes cada vez mais querem uma solução pronta. Não basta apenas ser fotógrafo. ∞ Não fotografe apenas aquilo que você goste, fotografe aquilo que vai vender. ∞ O mundo não precisa de mais fotos de garças. Tente fotografar espécies novas, locais desconhecidos, inexplorados. Não é fácil, se fosse todo mundo faria. ∞ Estude o trabalho de outros fotógrafos. Invista em conhecimento: revistas, livros, cursos. ∞ Seja perfeccionista, nunca se contente demais com seu trabalho, pois você corre o risco de estagnar ali. ∞ Esteja antenado com atualizações tecnológicas. E também tente manter seu equipamento atualizado. ∞ Aprenda tudo sobre edição de fotos, gerenciamento de cor, etc. Na era digital isso é muito importante. ∞ As chances de sua nova profissão dar certo dependem de sua paixão por ela. Saiba desde o começo que você escolheu a forma mais difícil de ganhar dinheiro. A sua vida passa a ser o seu trabalho. ∞ A chance de você ficar milionário, mesmo daqui 30 anos, é de 0,12%.

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EDITORIAL EXPEDIENTE Fotografias de capa e das matérias de Fábio Magri Afonso, fotografias da entrevista de Henri Catier-Bresson. Projeto Gráfico e diagramação de Fábio Magri Afonso. Conteúdo extraído da internet, dicasdefotografia.com.br e fotografeumaideia.com.br.


Objetiva  

Fotografia sem mistério