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Boletim Informativo Associação Comunidade Nova Criatura

Edição 01

outubro/novembro 2012

Transform ção

A Associação Comunidade Nova Criatura apresenta à sociedade uberlandense, com muito prazer, o jornal Trans­ formAção. Lembro-me como se fosse hoje. O ano era 2009, no qual, com muita luta e empenho, Lizomar e eu decidimos criar um local onde homens, dependentes químicos, pudessem ter a oportunidade de deixar o uso de drogas e retornar a ser uma pessoa produtiva para si e para a sociedade. Nasceu então a Comunidade. Uma instituição sem fins lucrativos e que tem como objetivo a prevenção, a recuperação, a atenção e a reinserção social de usuários e dependentes de drogas e álcool, bem como apoio às famílias afetadas pelo problema. A instituição busca, ainda, a aplicação da Lei 9.790/99, art.3º, na qual fica prevista a realização de programas de acolhimento, orientação e tratamento. Atualmente, a Comunidade atende 20 famílias de forma direta e 60 famílias de forma indireta. De acordo com o dicionário, transformação é o “ato de transformar ou transformar-se; mudança

Da comunidade

de forma; metamorfose: a transformação da crisálida em borboleta”. E é justamente nesse sentido que buscamos trabalhar em nossa Comunidade, na transformação de todos aqueles que nos procuram em busca de apoio e ajuda para saírem do mundo das drogas. Hoje, com muita dedicação e perseverança diante de muitas dificuldades e com o apoio do grupo PET Conexões Educomunicação da Universidade Federal de Uberlândia, trazemos a 1ª edição do nosso jornal. É com o intuito de divulgar este trabalho que bimestralmente publicaremos uma edição do TransformAção. Nessa edição apresentamos o funcionamento da comunidade, a forma de tratamento aplicada aos nossos residentes, artigos terapêuticos, o programa espiritual dos doze passos, entrevista, depoimentos, nossos eventos e os contatos para doações. Obrigado a todos! Saboreiem o Transfor­ mAção e conheçam a Comunidade! Charles Gonçalves de Castro

Coordenador da Comunidade

O que é Comunidade Terapêutica?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), define-se Comunidade Terapêutica como um ambiente estruturado no qual indivíduos com transtornos por uso de substâncias psicoativas residem para alcançar a reabilitação*. Trata-se de um ambiente residencial protegido, técnica e eticamente orientado, cujo principal instrumento terapêutico é a convivência entre os pares. Os objetivos dessas comunidades são recuperar os residentes em tratamento, de forma a resgatar a cidadania, a reabilitação física e psicológica e a Foto: Maria Lucimar reinserção social. Algumas de suas carac- José Lizomar, um dos fundadores da Nova Criatura, na horta terísticas principais são a aceitação volun- da instituição tária do programa para tratamento, o de solidariedade fraterna e a aceitação de enfoque na pessoa como um todo, a coe- valores morais*. Psicóloga Adriana Franscica Oliveira são interna embasada em um sentimento

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* Fonte: Curso para Dirigentes, Coordenadores e Técnicos de Comunidades Terapêuticas – Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas, 2009.


Uma outra perspectiva Sozinho eu não consigo terei que carregar as marO programa espiritual dos DOZE PASSOS Até quando cas morais de um drogado? na Comunidade Terapêutica Fui diagnosticado um dependente quíNão fazemos acepção de pessoas, raça, credo, classe social, etc. Acreditamos que o programa espiritual dos doze passos está disponível para todos aqueles que desejam e procuram uma transformação de vida e uma libertação plena das drogas. Quem primeiro mencionou as possibilidades de recuperação pela via espiritual foi Carl Gustav Jung, em 1934, a um de seus pacientes alcoólatras, o americano Roland Hazard. Em novembro de 1934, Bill Wilson parou de beber e em dezembro de 1938 ele apresentou os DOZE PASSOS*:

mos e a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.

1°) Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção e que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.

10º) Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

6°) Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter. 7º) Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos. 8°) Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e dispusemo-nos a fazer reparações a todas elas. 9°) Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo pudesse prejudicá-las ou a outras.

2º) Viemos a acreditar que um po- 11°) Procuramos, através da preder maior do que nós poderia de- ce e meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, da volver-nos à sanidade. maneira como nós o compreenrogando apenas o conhe3°) Decidimos entregar nossa von- díamos, cimento da Sua vontade em tade e nossas vidas aos cuidados relação a nós e o poder para realide Deus, da maneira como nós o zar essa vontade. compreendíamos. 12º) Tendo experimentado um 4º) Fizemos um profundo e deste- despertar espiritual, como resulmido inventário moral de nós mes- tado destes passos, procuramos mos. levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios 5°) Admitimos a Deus, a nós mes- em todas as nossas atividades. * Os doze passos e as doze tradições reimpressos e adaptados com autorização de AA WORLD SERVICES, INC.

Expediente

mico. Disseram-me que sou portador de uma doença incurável e que se eu não parar de usar drogas, poderei morrer. Sobre a minha morte, já não me importo mais, porém, estou matando minha família também, e eles, diferente de mim, não usam drogas. Não consigo mais usar drogas, estou sofrendo muito. Eu não quero mais me drogar, mas tenho uma doença, preciso de tratamento. Se eu não me tratar, continuarei usando e morrerei usando. Só eu posso parar, mas sozinho eu não consigo. Preciso de um local de tratamento seguro das influências típicas. Preciso de uma equipe que entenda o meu problema. Preciso do amparo, carinho e afeto dos meus familiares e entes queridos. Preciso também do apoio da sociedade, dos movimentos sociais, dos órgãos públicos e dos empresários que lutam por uma sociedade melhor. Preciso de saúde, educação e segurança. Preciso de trabalho digno e o amor da sociedade. Preciso de tratamento, pois sou portador de uma doença. Eu não quero mais usar drogas, mas para que isso aconteça, eu preciso da ajuda de todos vocês, porque sozinho eu não consigo! Hygor Cirino Alves

Dependente químico em recuperação e membro da Nova Criatura

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Associação Comunidade Nova Criatura: Charles Gonçalves e José Lizomar da Silva (coordenadores) PET Conexões dos Sabe­ res Educomunicação: Adriana Cristina Omena dos Santos (Tutora), Abadia Adenísia Rocha e Silva, Cíntia Aparecida de Sousa, Gabrielle Carolina Silva, Neimar da Cunha Alves e Suzana Arantes. Colaboradores: Adriana Franscica Oliveria, Hygor Cirino Alves e Márcia Santana de Sousa. Tiragem: 5.000 exemplares.

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Papo aberto Projeto PrEsp: reinserção e trabalho oferecido aos egressos do sistema prisional

Foto: Suzana Arantes

Valter Rocha é diretor da Vara de Execuções Criminais da comarca de Uberlândia

cial em liberdade. Para conhecer mais sobre o programa e sua inserção em Uberlândia, confira a entrevista com Valter Rocha, diretor da Vara de Execuções Penais de Uberlândia.

o Estado se propôs a auxiliar no que for possível. A colônia é quase que um anexo à penitenciária Pimenta da Veiga.

Com o projeto, qual plano a cida­ de adotará? Juiz: O projeto visa diminuir as ex-

socialização sem trabalho, sem disciplina, educação e religião. Nós estamos querendo levar não só o trabalho, mas levar também pessoas que tenham o envolvimento e o interesse na recuperação de drogados e alcóolatras. Vamos tentar efetivamente reeducá-los, pois é preciso não só a prevenção, mas a recuperação, uma reeducação efetiva.

clusões e estigmas decorrentes de processos de criminalização e privação da liberdade. Assim, aqui em Uberlândia, por meio do programa, estamos planejando a construção de um sistema semiaberto de colônia penal agrícola e industrial, para levar os industriais até o presídio com a possibilidade de levar o trabalho para aquelas pessoas.

O diretor da Vara de Execuções Criminais, da comarca de Uberlândia, Valter Rocha, fala sobre o Programa Inclusão Social de Egressos do Sistema Prisional (PrEsp). O PrEsp faz o acolhimento das pessoas recém liberadas do sistema prisional e ofere a elas assistência psicológica, social, encaminhamento para cursos e postos de trabalho. O Essa colônia já tem previsão de programa é um equipamento públi- quando vai funcionar? co de inclusão social que promove Juiz: O desenho já está até pronto, condições para que os egressos do mas existem alguns ajustes a serem sistema prisional retomem a vida so- feitos. É um projeto local, mas que

Junto ao trabalho também são necessárias outras atividades? Juiz: A gente não consegue essa

Fique por dentro

Em Uberlândia, os egressos podem procurar atendimento no Centro de Prevenção à Criminalidade (CPCs), que fica na avenida Getúlio Vargas, 1533, Centro, ou pelo telefone (34)32245430 / 32106448.

A favor da vid Entenda o que é adicto e desmistifique alguns conceitos A tarefa de definir adicção tem desafiado médicos, psicólogos, juízes e as pessoas em geral. Algumas definições enfatizam a dependência fisiológica e psicológica, a dinâmica familiar, a moralidade e os problemas comportamentais. A palavra adicção deriva do latim addictu, adjetivo que significa dependente, nesse caso “dependente da droga”. Droga é toda substância que altera a mente e o humor, inclusive a maconha e o álcool. A adicção é uma doença biopsicossocial, que manifesta no in-

divíduo de forma progressiva, incurável e quando não tratada, pode levar à morte. Portanto, um adicto é simplesmente um ser humano cuja a vida é controlada pelas drogas. Um adicto apresenta sintomas de ordem psicológica (egocentrismo – a fantasia de que o mundo gira em torno de si mesmo), mental (obsessão – pensar somente em usar drogas causando intensa ansiedade), e físico (compulsão – uma vez que se inicia o uso, o adicto não consegue mais parar).

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O importante é saber que através da abstinência da droga (paralizaçãodo do uso) e a aplicação de um programa terapêutico, a recuperação é possível e o adicto pode encontrar uma melhor maneira de viver sem drogas. Assim, é importante desmistificar a ideia de que uma vez drogado sempre drogado, pois com a aplicação do programa terapêutico dos doze passos, a recuperação é algo possível. Adriana Franscica Oliveira

Psicóloga


Tá na sociedade

Em busca do pote de ouro

Captar recursos é um tema que sempre está nas reuniões, no material de divulgação e na fala dos diretores, apoiadores e voluntários de todas as organizações não-governamentais, seja ela do segmento social, ambiental ou cultural. Essa ação requer muito planejamento estratégico, profissionalismo e marketing relacionado às causas, pois depende dela a realização dos programas, projetos e ações propostas. No Brasil, o número crescente de instituições desse setor revela as necessidades existentes em relação às estratégias de captação de recursos, profissionalismo, transparência, gestão, controle, avaliação, monitoramento e prestação de contas, além das responsabilidades com o impacto social ou ambiental dos projetos. Mas de onde vêm os recursos utilizados pelas instituições brasileiras? Como diz o dito popular, não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta? Ter a sustentabilidade da instituição em apenas um financiador ou apoiador não é o ideal, nem mesmo o mais prudente. A utilização do termo “não-governamental” nos dias de hoje não representa a realidade

de muitas instituições que vivem ou sobrevivem apenas dos recursos governamentais ou de troca de favores. Devemos lembrar o surgimento histórico e político dos movimentos sociais, das comunidades de base, dos sindicatos, dos estudantes, das donas de casa, enfim, da mobilização social que gerou e impulsionou várias leis e políticas públicas em nosso Brasil. Claro que esse setor cresceu e evoluiu. Temos a necessidade de recursos humanos e financeiros para atender as nossas demandas, mas sem perder o “brilho nos olhos”. Existe sim um pote de ouro para as instituições que atuam de forma correta, com a documentação atualizada, com profissionalismo e resultados. Os recursos de fato existem, mas o desafio está em fazer com que esses bons projetos cheguem até o pote de ouro. Na próximo edicão: “Está acontecendo”.

O livro de Lourenço Prado ensina como vencer as pequenas contrariedades da vida diária, responsáveis pelo esgotamento físico e moral, a fim de o indivíduo poder alcançar o equilíbrio interior. Para ver: 28 dias

A vida para Gwenn Cummings (Sandra Bullock) não passa de uma eterna festa, até o lamentável escândalo que apronta na cerimônia de casamento de sua irmã, quando se embriaga, causa um acidente e acaba condenada a uma pena de 28 dias em um centro de reabilitação. Depois de conhecer os outros pacientes, Gwen começa gradualmente a reexaminar sua vida e ver que, na verdade, ela tem um problema sério.

Por que estou aqui na comunidade?

Espaço aberto

Vale a pena!

Para ler: Equilíbrio e recompensa

Márcia Santana de Sousa

Gestora de Projetos (Associada nº 1750 da Associação Brasileira de Captadores de Recursos – ABCR – Núcleo Triângulo Mineiro)

Porque cansei da vida que eu levava. Vida de humilhação, desespero, intranquilidade e medo. Mas estou aqui porque quero mudar a minha vida para melhor. Quero me recuperar, retornar à sociedade, poder voltar para a minha família, levar uma vida tranquila, mesmo com dificuldades, de cabeça erguida, sem ter que olhar para o chão. Por tudo isso, estou aqui. Compreendo que minha vida estava sendo controlada pelas drogas. A maioria das pessoas que estão na adicção acha que podem controlar as drogas. Pensam que usam a droga, mas, na verdade, é a droga que os usa. Carta de um residente da Comunidade Nova Criatura

Para escutar: Só Por Hoje (Legião Urbana)

M ais sobre nós

Associação Comunidade Nova Criatura CNPJ: 11.088.620/0001-40 E-mail: ctnovacriatura@yahoo.com.br/ Fone: (34) 3211-1772 Rua: Nacir Mendes Lima, 625. Bairro: Morada Nova, Uberlândia-MG

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D o a çõ e s

Caixa Econômica Federal Operação 003 Agência 0162 Conta Corrente nº 2730-4


Informativo Transformação