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Projeto de um brinquedo educativo para a área externa da Creche Sociedade João Paulo II Carlos Eduardo Senna Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto Programa de Educação Tutorial – PET DESIGN E-mail: carlossenna@hotmail.com

Joana Knobbe Ferreira Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto Programa de Educação Tutorial – PET DESIGN E-mail: joknobbe@gmail.com

Mariana Castello Branco Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto Programa de Educação Tutorial – PET DESIGN E-mail: marianacastellobranco@gmail.com

Susana Medeiros Vieira Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto Programa de Educação Tutorial – PET DESIGN E-mail: vieira.su@gmail.com

Rodrigo Gonçalves dos Santos Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto Programa de Educação Tutorial – PET DESIGN Av. Mauro Ramos 950 88020-300 Florianópolis SC (48) 3221 0549 E-mail: rodgonca@cefetsc.edu.br

Resumo: Este artigo apresenta um brinquedo educativo desenvolvido pela equipe do PETdesign (CEFET/SC) para a Creche João Paulo II (Palhoça/SC) por meio do “Projeto Casa da Criança”. O brinquedo foi projetado para crianças de 3 a 6 anos, com o objetivo de proporcionar um meio lúdico de aprendizagem e sociabilização. Para isso foram realizados: levantamento bibliográfico; coleta de imagens; análise de similares; visita à creche; entrevista com professoras e registros fotográficos. O produto final teve ótima aceitação, por agregar diversos processos educativos e lúdicos, sendo um complemento a outros recursos metodológicos utilizados em sala de aula.

Palavras Chave: brinquedos educativos, jogos, design social.


O “Projeto Casa da Criança” realiza intervenções arquitetônicas em creches e espaços que atendem a crianças e adolescentes socialmente desfavorecidos de diferentes regiões do Brasil. Este projeto vem sendo realizado desde 1999 e recebe o apoio de empresas que investem com recurso para custear as despesas administrativas e de arquitetos e civis que estejam mobilizadas para ajudar a melhorar a qualidade de vida dessas crianças e adolescentes O Grupo de bolsistas do PET Design foi voluntário no Projeto Casa da Criança por intermédio do tutor e professor Rodrigo Gonçalves, convidando os bolsistas: Carlos Senna, Joana Knobbe, Mariana Castello Branco e Susana Vieira que aceitaram a oportunidade de participar do desenvolvimento e execução de um brinquedo para a área externa do parquinho da Creche da Sociedade João Paulo II em Palhoça – SC. O brinquedo desenvolvido para o projeto casa da criança surgiu da necessidade de meios lúdicos de incentivar a aprendizagem, visando atender a crianças de 3 a 6 anos, estimulando a coordenação motora, a associação de formas, a identificação alfanumérica, além de proporcionar noções espaciais, noções de construção e de equilíbrio.

Interações face a face são desenvolvidas no ato do jogo, orientando os comportamentos cognitivos e simbólicos da criança além de promover uma interação social por abranger o comportamento de duas ou mais pessoas. A utilização do jogo ‘‘faz de conta’’ é um recurso muito importante, onde a criança brinca de representar e pode manipular varias situações ao usar um objeto como fosse outro. O jogo de construção, por exemplo, é um excelente exemplo deste recurso já que possibilita o livre manuseio das peças para que a criança construa seu mundo. Construindo, transformando e destruindo, a criança consegue se expressar e é estimulada à criatividade, desenvolvendo aspectos afetivos e intelectuais. Além disso, os brinquedos de construção enriquecem a experiência sensorial e desenvolvem as habilidades motoras da criança. Assim, ela desenvolve capacidades para medir, imaginar e planejar suas ações e compreender tarefas colocadas pelo adulto. A idéia de construção exige a ação de transformar algo por meio da união de vários elementos, exige a utilização de conteúdos cognitivos que são empregados para a solução do problema. O esforço mental de imaginar o que se vai construir é o que colabora para o desenvolvimento da inteligência e da criatividade.

2. Objetivo

4. Método

Desenvolvimento de um brinquedo de encaixe que para parede da área externa da Creche João Paulo II, proporcionando às crianças de 3 a 6 anos um meio lúdico de aprendizagem e sociabilização.

Para o desenvolvimento do brinquedo foram realizados: (1) levantamento bibliográfico a respeito da aprendizagem infantil e a influência dos brinquedos nesse processo; (2) coleta de imagens de brinquedos educativos existentes no mercado; (3) análise de similares; (4) visita à creche; (5) entrevista com professoras e (6) registros fotográficos. Após o levantamento de dados, foram geradas alternativas até se obter a solução final, que foi detalhada em desenho técnico para possibilitar a confecção do produto. Foi realizada uma pesquisa de tipos de madeiras, impermeabilizantes e formas de estampar a parte gráfica nas peças, da qual optou-se pelo mais viável economicamente e que pudesse ser executado em um curto período de tempo, já que a confecção foi realizada pelo próprio Grupo PET Design.

1. Introdução

3. Justificativa A importância do brinquedo no desenvolvimento de aspectos emocionais, sociais e intelectuais da criança vem sendo reconhecido há muito tempo. Ao observar uma criança brincar, pode-se notar aspectos importantes do seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional. O brinquedo desenvolve elementos emocionais e de prazer por caracterizar uma atividade espontânea, tendo um fim em si mesma. Considera-se que a aprendizagem deriva do processo de exploração do brinquedo, que envolve respostas de investigação, inspeção visual e manipulação. O conhecimento não deriva da representação de fenômenos externos, mas sim da interação da criança com o meio ambiente.


5. Identificação dos requisitos do produto

6. Geração de Alternativas

Com a visita à creche e conversa com crianças e professoras, obtiveram-se informações gerais sobre o dia-a-dia no local. Semanalmente, durante as aulas, aborda-se um determinado tema: naquela semana esse tema era o folclore. Também foram observados quadros de alfabetização com imagens para identificação das letras, algumas vezes com desenhos de animais. Fora da sala de aula, as professoras acompanham os alunos nas brincadeiras externas. Os brinquedos externos preferidos pelas crianças são redes e locais que permitam brincadeiras dinâmicas. Algumas restrições foram identificadas, como a higienização necessária dos brinquedos, pois são meios de transmissão de doenças. Portanto essa limpeza deveria ser facilitada pelo brinquedo a ser desenvolvido. Em uma das salas confirmou-se a idéia de criação de um brinquedo para empilhar, montar e/ou construir, de madeira. Avaliou-se por meio de observação a altura média das crianças (1m) já que o foco do projeto era criar um brinquedo vertical que ficasse armazenado na parede. Em uma das salas a professora estava ensinando as cores e isso deu estímulo a aplicação dessas para uma assistência a aprendizagem. Foi também perguntado sobre a quantidade de alunos que utilizariam o parquinho ao mesmo tempo. A professora disse que em média 70 crianças, de 3 a 6 anos, freqüentavam a área externa em cada período. Baseando-se na pesquisa prévia realizada, na análise de brinquedos similares existentes no mercado e na visita feita à creche João Paulo II, a equipe pôde identificar os seguintes requisitos para o brinquedo a ser projetado:  Ser resistente à chuva e sol;  Ser educativo (faixa etária: préescrita);  Ser de fácil assepsia (madeira ou polímero);  Proporcionar estímulo à

A partir dos requisitos, algumas alternativas foram pensadas. Entre elas, um sistema de encaixe por formas geométricas; peças em formato também geométrico (seguindo o modelo do brinquedo arquiteto); peças em forma de bichos; encaixe na parede - peças semelhantes ao brinquedo “Arquiteto” encaixadas na parede, mas que também pudessem ser retiradas para que a criança brinque no chão; texturas diferenciadas – foram impossibilitadas pela restrição de custo e materiais no projeto; encaixes entre peças – optou-se posteriormente por simplificar o formato das peças, tornando-as empilháveis, mas sem encaixe; trabalhar com formas, peso, texturas. Possíveis materiais foram também levantados, como: E.V.A (etileno-acetato de vinila) – foi eliminado por não ser resistente, podendo ser facilmente rasgado pelas crianças; esponja – eliminado pelo mesmo motivo do E.V.A., além de ser um material caro e de difícil produção; madeira – material escolhido por sua resistência e baixo custo, além de atender aos demais requisitos do briefing; tecido – eliminado por ser de difícil assepsia.

aprendizagem;      

Proporcionar integração social; Ser interativo (2 ou mais crianças interagindo); Tamanho: evitar acidentes e ser de fácil manejo; Ser seguro; Ser leve; Ter baixo custo de produção.

7. Solução Final O projeto do brinquedo de encaixe para a área externa atendeu a todos os requisitos e restrições estipulados pelas necessidades do planejamento, além de utilizar o conceito do brinquedo “Arquiteto”, que consiste em peças de diferentes formas geométricas para empilhar. Desta forma, obteve-se a seguinte solução final: 36 peças em madeira angelim, variando em quatro formas básicas: quadrado, retângulo, círculo e triângulo; ainda foi aplicada tinta acrílica nas cores primárias (amarelo, azul e vermelho) e nas cores verde e laranja, e verniz para impermeabilizar. Cada peça encaixa-se em um pino que possui com da mesma forma geométrica, o que estimula a coordenação motora da criança. São 49 pinos no total distribuídos em um espaço de 90x324 cm da parede, ou seja, sempre sobrarão 13 pinos, o que possibilita que a criança tenha mais opções de encaixe.


7. Conclusão

Figura 1. Desenho com disposição dos pinos na parede. Fonte: Grupo PET Design, 2006.

Uma das principais características do jogo e do brinquedo é a grande aceitação dentro da sala de aula em relação a outros recursos metodológicos como: livros, quadro-negro, folhas impressas. Isso se deve ao simples fato de que o jogo e o brinquedo, como todo material concreto, é facilmente assimilado pela criança. Sendo assim, percebemos que a partir de um jogo, o tema no qual o professor deseja trabalhar, será melhor aceito pelos alunos, já que a concentração dos mesmos estará diretamente voltada ao assunto em questão. Procuramos, portanto, adequar os jogos aos conteúdos que estavam sendo apresentados aos alunos, servindo também como atividades de fixação.

Figura 4. Crianças utilizando o brinquedo. Fotos: Arquiteta Célia Regina da Silva, 2006

Figura 2. Desenhos para execução das peças e pinos. Fonte: Grupo PET Design, 2006

Figura 5. Crianças utilizando o brinquedo. Fotos: Arquiteta Célia Regina da Silva, 2006

Figura 3. Ilustrações que serão adesivadas nas peças. Fonte: Grupo PET Design, 2006.

Notou-se que através do jogo a criança não se sente constrangida e nem ameaçada, afinal ela está simplesmente participando de uma brincadeira com seus colegas e não há motivo algum para se envergonhar.


O que geralmente percebe-se entre colegas foi o sentimento de competição e rivalidade, isto se explica pelo fato de vivermos em um mundo competitivo, onde somos educados, desde crianças, para sempre sermos os melhores e os mais fortes. No entanto, o jogo foi explorado de diversas formas em várias ocasiões, de acordo com a realidade percebida pelos bolsistas. Isto significa que o mesmo pode ter suas “regras” modificadas quando necessário para atender tanto o interesse de um participante quanto de um grupo. Tomamos o cuidado também de adequarmos mais pinos à parede e fazer com que a relação se de por encaixe através da forma (e não pela cor, como propõe grande parte dos brinquedos existentes), evitando assim, constrangimento às crianças que, por exemplo, tivessem uma imitação que as impedisse de distinguir cores.

8. Referências Assreuy, Marina S et all. Pimobi – Mobiliário infantil permutável para famílias de baixa renda. In: 7º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, 2006, Curitiba. Anais... v. CD-ROM. OLIVEIRA, P. S. O que é Brinquedo. São Paulo: Brasiliense, 1984. Toy Safety Tips. Disponível em: <http://www.puzzart.com/safetytip.htm>. Acesso em: out 2006. Responsabilidade de autoria As informações contidas neste artigo são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nele emitidas não representam, necessariamente, pontos de vista da Instituição e/ou do Conselho Editorial.

Projeto de um brinquedo educativo para a a¦ürea externa da Creche Joa¦âo Paulo  

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