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Design de Brinquedo Non-sense para Crianças Anna Paula da Silva STOLF(1), Lurdete Cadorin BIAVA(2), Rodrigo Gonçalves dos SANTOS(3) (1)

Primeira Autora é Aluna do Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto e Bolsista do Programa de Educação Tutorial em Design, Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina, Avenida Mauro Ramos, 950, CEP 88020-300. E-mail: naan87@gmail (apresentadora do trabalho); (2) Segunda Autora é Professora do Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto, CEFET/SC; (3) Terceiro Autor é Professor do Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto e Tutor do Programa de Educação Tutorial em Design, CEFET/SC.

Introdução Este artigo apresenta o resumo para o pôster da pesquisa desenvolvida pelo grupo PET Design do CEFET/SC, a qual se fundamenta na integração dos aspectos da linguagem infantil, sublinhando o tema non-sense com a área do design de brinquedos. Nesse contexto, a pesquisa compreende assuntos referentes à filosofia (questão do sentido e do nonsense), à literatura (aplicação do non-sense), à pedagogia (educação e comportamento infantil) e à sociologia (inserção da criança na sociedade). Palavras-Chave: Linguagem. Criança. Nonsense. Educação. Design.

Material e métodos A. Estrutura da pesquisa A pesquisa divide-se basicamente em três partes: desenvolvimento da linguagem e comportamento da criança, estudos sobre a filosofia do sentido e nãosentido e abordagens sobre brincadeiras, educação e design.

Resultados e Discussão A. Desenvolvimento da comportamento da criança

linguagem

e

Este estudo tem o objetivo de acrescentar ao brinquedo aquilo que os adultos costumam bloquear na criança: a sua capacidade de invenção e de criação puras, sem contrapartida com alguma responsabilidade social ou política ou qualquer outra que possa censurar a expressão livre da linguagem da criança. Teresa Cristina Rego (1995) explica que quando a criança começa a sua vida em um meio social, o pensamento e a linguagem se encontram e originam seu modo psicológico de perceber as coisas, ou seja, a conquista da linguagem marca o início de seu desenvolvimento.

Para exemplificar a função planejadora da fala infantil, Vygotsky (apud REGO, 1995) parte de uma analogia da fala e da ação das crianças enquanto desenham: crianças menores tendem a nomear seus desenhos após finalizados, as crianças um pouco mais velhas decidem o que será seu desenho quando esse ainda está em processo e, ainda mais tarde, as crianças decidem previamente o que desenharão. Partindo dessa premissa, para futura aplicação prática deste projeto, trabalhar-se-á ou com o público mais novo ou com o dito intermediário, possibilitando mais liberdade de expressão para a linguagem do brinquedo. B. Estudos do sentido e não-sentido infantil O principal objetivo de fundamentar este projeto de brinquedo no conceito non-sense consiste em explorar os jogos de linguagem e os paradoxos semânticos por meio de referências da literatura e da filosofia. Buscou-se, então, uma aproximação mais clara do “inocente sem-sentido”. Deleuze (1998) afirma que “o sentido é o exprimível ou o expresso da proposição e o atributo do estado das coisas”. O sentido é o que está entre as palavras e as coisas, é um acontecimento. E “o acontecimento pertence essencialmente à linguagem”. O autor propõe três relações diferentes na proposição/sentença: a designação ou indicação, a manifestação e o significado. A designação ou indicação é o que faz a proposição ser verdadeira ou falsa. Designar, cumpre observar, é apontar, é perceber real ou nãoreal o que é proposto. A manifestação, definida por Deleuze, trata da relação da proposição ao sujeito que fala; não implica mais o verdadeiro e o falso, mas a veracidade e o engano. Já, o significado trata das relações da palavra com conceitos universais. Define-se pelo conceito em que a proposição não se interfere senão como elemento de uma “demonstração”, no sentido de premissa ou conclusão. Deleuze, então, sublinha que o sentido é a quarta


dimensão da proposição. Assim, é o expresso da proposição, e como o expresso não existe fora da sua expressão, é um acontecimento puro que não existe, mas que insiste ou subsiste na proposição. Lúcia Bastos (2001) explica que o non-sense não se resume a uma falta ou ausência de sentido, mas trata-se de uma negação, de um “não-sentido”. E como uma negação remete a uma afirmação, o nonsense prova a existência do sentido paradoxalmente. O non-sense é declaradamente uma linguagem inocente, associada à infância, mas livre de sentido, de alguma forma. Contudo, o não-sentido não se relaciona com a questão verdadeiro/falso. Logo, deve-se entender por non-sense o oposto da ausência de sentido, ao mesmo tempo em que não agrega nenhum sentido particular. Rego (1995) afirma que o termo “brinquedo”, empregado por Vygotsky, abrange um sentido amplo, referindo-se ao “ato de brincar”. A autora sublinha que Vygotsky se dedica mais especificamente ao jogo de papéis ou às brincadeiras de “faz-de-conta”, sendo este um tipo de brincadeira típico das crianças que aprenderam a falar recentemente e que, portanto, são capazes de se envolver em situações imaginárias. Esse é um dos possíveis focos para a aplicação neste projeto de brinquedo, fundamentado neste estudo, o qual engloba criatividade e atratividade. Educar também é tarefa do brinquedo, e exige liberdade e autoridade. Aponta Freire (1996) que “não há decisão a que não se sigam efeitos esperados, pouco esperados ou inesperados”. Pensase, então, que decidir é uma atitude responsável dentro da liberdade de escolher alternativas. E sendo isso consciente, deve-se permitir a liberdade ao educando para seguir ou não ao que se é educado. Afirma Paulo Freire que ensinar, além de reprodução dos conhecimentos dos conteúdos, é intervir no mundo. Reproduzir, então, tanto a ideologia dominante quanto o seu desmascaramento. A educação, segundo Freire, jamais pode ser indiferente à ideologia dominante ou à sua contestação. Explica que a educação não deve ser decretada apenas como tarefa reprodutora da ideologia, força de desocultação da realidade e atuar livremente, sem obstáculo. Ao contrário, deve ter ponto de vista e, em contradição, ocultar a realidade, para que essa seja forçada a ser pensada e formada por cada um. O pensamento infantil – constatou-se com este estudo – deve ser compreendido e desconstruído para o seu uso no design de brinquedos, pois uma aplicação consistente motivaria a criança a desdobrar seus pensamentos em outros e, assim,

aprender a gostar de brincar com as palavras, sendo que elas possibilitam impossíveis e infinitas situações. Dando margem a muitas interpretações, o nonsense aplicado a projetos de brinquedos tem uma responsabilidade expressiva no desenvolvimento da linguagem e da capacidade de a criança pensar sobre as coisas. Referências BASTOS, Lúcia Kopschitz Xavier. Anotações sobre Leitura e Nonsense. São Paulo: Martins Fontes, 2001. DELEUZE, Gilles. Lógica do Sentido. 4. ed. São Paulo: Perspectiva S.A., 1998. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. REGO, Teresa Cristina. Vygotsky, uma perspectiva histórico-cultural na educação. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

Responsabilidade de autoria As informações contidas neste artigo são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nele emitidas não representam, necessariamente, pontos de vista da Instituição e/ou do Conselho Editorial.

Agradecimentos Ao PET Design CEFET/SC pela oportunidade de crescimento pessoal e profissional, ao CEFET/SC por proporcionar um curso que atende as inquietações teóricas e práticas dos estudantes e às crianças que tem atração por non-sense e fizeram desse tema algo tão instigante para discussão na área de design de brinquedos.

Design de brinquedo non-sense para criancas  

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