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ECONOTÍCIAS 19 DE MAIO DE 2014

NÚMERO 22

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL – PET/ECONOMIA Estatais derrubariam quase metade do superávit primário Empresas não aumentam investimentos, como prometido, e seriam um fardo para a meta fiscal hoje.

BRASÍLIA - "Escondido" das contas públicas por decisão do governo federal, o desempenho fiscal das empresas estatais piorou depois da crise financeira global e, se fosse incluído no cálculo oficial do chamado superávit primário do governo central, provocaria uma redução próxima de 40% no índice da economia feita para pagar juros da dívida. Essa conta do superávit primário, que abrange Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, é uma medida de solvência do País, usada, inclusive, pelas agências de classificação de risco para aferir o grau de qualidade das contas públicas nacionais. Dados inéditos dos resultados fiscais das estatais, obtidos pelo Estado, revelam que a trajetória de superávit das empresas federais virou um déficit robusto no período pós-crise global. O rombo fiscal de grande magnitude está dissimulado nas contas do Tesouro. Em 2009, em uma reação à crise global, o governo retirou os grupos Petrobrás e Eletrobrás do cálculo do superávit primário e parou de divulgar os números das estatais. À época, alegou que ambas sairiam dos controles fiscais para poder contratar novos financiamentos, multiplicar investimentos públicos e estimular os aportes privados. De lá para cá, os investimentos das estatais tiveram leve melhora: saíram de 2,13% para 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB). Desde então, esses dados viraram segredo de Estado. Agora, é possível conhecê-los. Em 2013, por exemplo, segundo o critério chamado necessidade de financiamento líquido (Nefil), as estatais registraram déficit de 0,61% do PIB, mostram dados preliminares. Se estivessem incluídas no cálculo, reduziriam o primário oficial de 1,6% para menos de 1% do PIB. O Nefil é um indicador usado pelo governo para mostrar se a geração de caixa da companhia é suficiente para cobrir seus gastos e pagar dívidas.

À metade. Em 2012, o fiscal das estatais foi 0,9% negativo - e o primário oficial foi de 2%. Assim, o superávit teria caído quase à metade. No pior ano da série, em 2009, o resultado recuaria do 1,31% oficial para 0,72% do PIB com a inclusão das estatais.As estatísticas oficiais, embutidas no portal de serviços do Ministério do Planejamento, revelam dois momentos distintos. No pré-crise, de 2002 a 2006, mostram que as estatais sustentaram a geração de resultados fiscais positivos, sobretudo com a melhora da receita operacional. Na média do período, a economia para pagar juros da dívida somou 0,51% do PIB, o que equivalia a um quinto do resultado, à época significativo, alcançado pelo governo central. Mas a figura muda bastante após a crise. Entre 2007 e 2013, a tendência do resultado primário das estatais passa a ser de déficit crescente, registrado em seis dos sete anos. As estatais passaram a corroer quase metade do desempenho fiscal potencial do governo central. Na média do período, há uma inversão da tendência. O resultado negativo atingiu 0,4% do PIB. A exceção, neste intervalo, foi 2010, quando houve superávit de 0,11% do PIB nas estatais. A explicação é a megacapitalização de R$ 120 bilhões da Petrobrás. Custos. A evolução do indicador das estatais mostra a transformação de superávit em déficit primário, mas sem a premissa inicial de elevação expressiva dos investimentos nos anos de piores resultados. O desempenho fiscal negativo das estatais, revelam os dados, deriva de um aumento de custos que não foi acompanhado pelo aumento das receitas operacionais. Houve um processo de endividamento, elevação de gastos com pessoal e redução de pagamento de tributos pelas estatais."No longo prazo, é inegável que as estatais fizeram um importante e contínuo esforço para elevar sua taxa de investimento", avalia o economista do IBRE/ FGV José Roberto Afonso, que agregou e analisou os dados em conjunto com o pesquisador Felipe de Azevedo. "Mas os demais fluxos é que parecem estar mais explicando as mudanças de tendências dos resultados do setor."As estatais elevaram em 0,6 ponto porcentual sua taxa de investimentos nos últimos cinco anos - a Petrobrás respondeu por 88% desse desempenho. Afonso diz que, conceitualmente, não se poderia falar em adoção de uma política anticíclica do governo, já que o "viés de alta" do investimento vinha sendo observado antes mesmo de estourar a crise global de 2008. No setor privado, a taxa recuou 1,8 ponto.

TUTOR: Dr. Rubicleis Gomes BOLSISTAS: Ava Miranda Clara Costa Gleidiene Araújo Jenifer Pinheiro Jucirley Alves Laura Marques Lucas Nogueira Pâmela Galvão Rayele Salomão Controle. Na avaliação dos dados do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest), é possível ver que o desempenho negativo nas empresas federais traduz, em parte, os efeitos do controle de preços e tarifas. "A crise externa, e mesmo a recessão interna, já tinha sido superada quando foram registrados os piores déficits", diz Afonso. Nos três últimos anos, foram 0,9% do PIB em 2011 e 2012 e 0,6% no ano passado. Neste intervalo, não houve forte elevação de investimentos para justificar esse resultado - na verdade, aumentou 0,1 ponto porcentual do PIB. Dessa forma, ficou comprometida a estratégia que justificou excluir Petrobrás e Eletrobrás do controle das metas fiscais. As despesas cresceram de forma acentuada e as receitas operacionais não voltaram aos níveis pré-crise. "Desde 2009, ficaram abaixo dos 10% do PIB", diz Afonso.O desempenho fiscal das estatais reforça, segundo o economista, a necessidade de abrir os cálculos de subsídios federais para cobrir os custos das empresas, especialmente em combustíveis e energia. (estadao.com.br)


Curtas ECONOTÍCIAS:  Inflação

do aluguel acumula alta de 7,94% em 12 meses, diz FGV Na segunda prévia de maio, IGP-M registrou variação negativa de 0,04%. Alta de preços no atacado e no varejo apresentou desaceleração. (Fonte: http:// g1.globo.com/).

ATA DA 182º REUNIÃO DO COMITÊ DE POLÍTICA MONETÁRIA (COPOM). Evolução recente da economia A inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,69% em fevereiro, 0,09 ponto percentual (p.p.) acima da registrada em fevereiro de 2013 e 0,14 p.p. maior que a de janeiro de 2014. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses recuou para 5,68% em fevereiro (ante 6,31% em fevereiro

Índice

de confiança da indústria é o 2º pior da série histórica, diz CNI

de 2013), com os preços livres aumentando 6,28% (7,86%

Indicador somou 48 pontos em maio deste ano, revelou entidade. Valor só é maior do que o registrado em janeiro de 2009. (Fonte: http://g1.globo.com/).

(1,53% em fevereiro de 2013). Especificamente sobre pre-

GoPro registra papéis para operar na Bolsa e

quer levantar US$ 100 milhões Empresa está no azul às vésperas do IPO, diferente de Twitter e Facebook. Fabricante já vendeu 8,5 milhões de câmeras de alta definição, desde 2009. (Fonte: http:// g1.globo.com/). do mercado para o IPCA de 2014 avança para 6,43%

em fevereiro de 2013), e os preços administrados, 3,71% ços livres, os de itens comercializáveis aumentaram 5,25% em doze meses (6,43% em fevereiro de 2013), e os de não comercializáveis, 7,19% (9,13% em fevereiro de 2013). Por sua vez, os preços no segmento de alimentos e bebidas, sensibilizado por fatores climáticos, aumentaram 6,31% no mesmo período (12,49% em fevereiro de 2013), e os dos serviços, 8,20% (8,66% até fevereiro de 2013). Em síntese, as informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete, em parte, a dinâmica dos preços no

Expectativa

Estimativa volta a se aproximar do teto de 6,5% do sistema de metas. Ao mesmo tempo, previsão para a alta do PIB deste ano cai para 1,62%. (Fonte: http:// g1.globo.com/). Acredite:

estes 10 países têm a logística melhor

que a nossa Turquia, Vietnã e Filipinas estão entre as nações que ficaram na frente do Brasil em ranking de logística do Banco Mundial. (Fonte: http://exame.abril.com.br/). 7

países da América Latina que crescem o dobro do Brasil Colômbia, Bolívia e Equador estão entre os países da região que crescem a taxas bem mais aceleradas do que os 2% anuais do Brasil. (Fonte: http:// exame.abril.com.br/). 15 países com melhor logística no mundo (e o Brasil em 65º) 

Enquanto o Brasil caiu 20 posições em 2 anos, a Alemanha voltou ao topo do ranking de logística realizado pelo Banco Mundial. (Fonte: http://exame.abril.com.br/).

Prêmio Nobel em Economia de 1984 John Richard Nicholas Stone (Londres, 30 de Agosto de 1913 — Cambridge, 6 de Dezembro de 1991) foi um economista britânico. Foi laureado com o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel de 1984, por ter feito contribuições para o desenvolvimento de sistemas de contas nacionais e, assim, ter melhorado a análise econômica empírica. (Fonte: http://economia.estadao.com.br/especiais/conhecatodos-os-premios-nobel-de-economia,149061.htm)

Jornal Econotícias- Edição 22  
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