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SOCIEDADE

JUSTIÇA

A providência cautelar interposta pela associação Animal no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja para, numa primeira fase, impedir o abate do pit bull Zico e, mais tarde, requerer a tutela legal do animal, esteve pendente oito meses. A decisão acabaria por ser tomada em período de férias judiciais, pelo juízo congénere de Loulé, que estava de turno. A VISÃO consultou o processo e, em www.visao.sapo.pt, revela e descodifica os momentos mais importantes desta disputa judicial.

JOSÉ CARIA

Processo A batalha legal Advogada ativista Rita Henriques, 33 anos, evitou nos tribunais o abate de Zico. Fê-lo pro bono, por ser uma defensora dos direitos dos animais: «Não sabia qual seria o desfecho, mas sabia que valia a pena lutar»

ciou que o cão seria abatido: «Cães perigosos são eutanasiados.» Foi então que estalou o verniz.

Bons e maus

FERNANDO NEGREIRA

As cuidadoras Cláudia Estanislau (à esq.) reeducou o cão durante dois meses. Agora quem cuida dele é Rita Silva, presidente da Associação Animal

66 v 16 DE JANEIRO DE 2014

Ao ver as imagens de um cão acocorado e medroso, a ser levado para dentro de uma carrinha, sem que se soubesse o que tinha, de facto, acontecido, meio país comoveu-se. Foi lançada na internet a petição Contra o abate do Pitbull Zico e de todos os outros Zicos!, que somou mais de 15 mil assinaturas, na primeira semana. O documento chegou a ser entregue na Assembleia da República. Hoje, conta com quase 80 mil subscritores. Seguiram-se outras petições, a favor e contra o abate do animal. Escreveram-se dezenas de artigos de opinião e, nas redes sociais, travou-se um combate raivoso e maniqueísta: de um lado, os que defendiam a criança; do outro, os que queriam proteger o cão. Bons e maus. Defensores da vida humana e «maluquinhos» pelos animais. Figuras públicas envolveram-se e deram a cara: o actor Ruy de Carvalho pela vida do bicho; o comentador político Daniel Oliveira, pela morte. Pedro Galvão, 40 anos, autor livro Os Animais Têm Direitos? Perspectivas e Argumentos (Ed. Dinalivro, 2011, 240 pp., €15,37), professor de Filosofia na Universidade de Lisboa, lembra que «um cão não é um agente moral, nunca faz o menor sentido julgar que ele merece ser castigado pelos males que tenha causado». Ainda assim, entende que «toda a preocupação com o destino do Zico foi absolutamente desproporcionada. Revelou até


A história nunca contada de 'Mandela', o cão (3)