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NUTRIÇÃO DO CAFEEIRO VIA FOLHA Alemar Braga Rena, PhD, EMBRAPA/CAFÉ José Romeu Aith Fávaro, MS

1. A folha como órgão de absorção

Como bem relata MALAVOLTA (1981), a vida vegetal começou na água. O mesmo órgão responsável pela realização da fotossíntese, a folha, era também incumbido de absorver a água e os nutrientes. Com a passagem dos vegetais para a vida terrestre, desenvolveu-se a especialização de funções, ficando as folhas com a função de produzir carboidratos e as raízes de fixar a planta e absorver água e minerais. No processo de divisão de trabalho, no entanto, como afirma MALAVOLTA (1981), a folha não “esqueceu” a capacidade primitiva de absorver água e minerais. Ficou, portanto, na “lembrança” da planta a capacidade que nos possibilita nutri-la via folha. E este é o tema do presente artigo. 1.1 Morfologia externa e interna da folha de café A área da lâmina foliar do cafeeiro é muito variável, mas 50cm2 é um valor médio bem real. A superfície abaxial (inferior) possui um verde muito menos intenso que a adaxial (superior) e é nela que, exclusivamente, localizam-se os estômatos, numa densidade aproximada de 160 por mm2 (DEDECCA, 1957, FOURNIER, 1988). O verde mais intenso da face adaxial deve-se ao fato de que logo abaixo da epiderme unisseriada superior encontra-se o parênquima paliçádico compacto, formado de células alongadas, de seção retangular, com grande concentração de cloroplastos e de clorofila (Figura 1; SILVA et al., 1978; FOURNIER, 1988). É nesse parênquima que se realiza a atividade fotossintética mais intensa. Abaixo desse tecido, mais para dentro do mesófilo, até a epiderme abaxial, localiza-se o parênquima esponjoso ou lacunoso, também com função fotossintética, mas menos intensa. É entre as células do parênquima (lacunoso) que se acumula o vapor d’água da folha e os gases oxigênio e dióxido de carbono, que se difundem principalmente através dos estômatos. É também nessa parte do mesófilo que se distribuem os elementos condutores do xilema e do floema, num único feixe vascular líbero-lenhoso contido nas estruturas conhecidas como nervuras.


Figura 1 - Corte transversal da folha de café (Adptado de FOURNIER, 1988). Como se disse, é na epiderme inferior que se localizam os estômatos, formados por células diferentes e menores que as demais células da epiderme denominadas células guardas (Figura 2; FOURNIER, 1988). Observa-se na Figura 2 que nas folhas de café não há uma câmara sub-estomática hermética como na maioria das espécies; o poro estomático comunica-se diretamente com os meatos ou com o apoplasto do mesófilo lacunoso. A superfície externa das células guarda que compõem os estômatos, bem como a das demais células de ambas epidermes, está coberta pela cutícula, que restringe grandemente a perda de água por transpiração e absorção de gás carbônico e solutos, principalmente os iônicos, para o interior do mesófilo. No entanto, a epiderme inferior possui cutícula mais fina e menos hidrofóbica que a superior e o esclarecimento das funções ecofisiológicas dessa diferença fogem ao escopo desta revisão. Somente o aspecto da absorção de solutos será abordado.


Figura 2 - Corte transversal do estômata de café (Adaptado de Fournier, 1988). 1.2 As barreiras externas à absorção de solutos Na Figura 3 apresenta-se a estrutura geral da cutícula que cobre as folhas (GOODWIN e MERCER, 1983). De acordo com GOODWIN e MERCER (1983), MARSCHNER (1988) e HESS (1985), as ceras epicuticulares são excretadas pelas células epidérmicas e consistem de alcoois e cetonas de longa cadeia carbonada e de esteres de ácidos graxos, também de longa cadeia de carbono. Em ambos os casos, esta longa cadeia de carbono é altamente apolar e hidrofóbica, ou seja, não se dá bem com a água e com outras substâncias polares. Daí a grande dificuldade da entrada de solutos na folha, principalmente os iônicos, e a dificuldade de molhamento aquoso dessas superfícies. No entanto, a cutícula é formada principalmente por cutina (GOODWIN e MERCER, 1983), uma mistura de ácidos graxos de longa cadeia carbonada (MARSCHNER, 1995, HESS, 1985) que é mais hidrofílica, apresentando a propriedade de hidratar-se na presença de água. A camada cutinisada (Figura 3; MARSCHNER, 1995), a mais espessa da cutícula, é uma matriz de cutina incrustrada de celulose, cera e pectina. Finalmente, há uma camada de substâncias pécticas (lamela média) que cimenta a cutícula às paredes celulares das células epidérmicas. Em conclusão, a cutícula, como um todo, funciona como uma esponja.


Figura 3 - Representação esquemática da cutícula de uma folha (Adaptado de Goodwin e Mercer, 1983). De acordo com HESS (1985) vários fatores influenciam a quantidade, a estrutura e a composição bioquímica da cutícula. Assim, o déficit hídrico induz o desenvolvimento de uma cutícula mais espessa. No entanto, não se sabe até quanto a umidade relativa influencia também esse processo, mas, sem dúvida, baixas umidades relativas estimulam o espessamento da cutícula e o aumento do teor de ceras epicuticulares. Temperaturas intermediárias (nem muito baixas nem muito elevadas) estimulam a formação de cutícula, mas sua maior influência é no aumento do teor de ceras. A formação de cutícula está também relacionada com a intensidade luminosa. A quantidade de cera epicuticular aumenta com o aumento da intensidade luminosa, com grande benefício adaptativo do cafeeiro ao pleno sol. Conseqüentemente, cafeeiros sombreados ou adensados possuem menos cera epicuticular. A espessura da cutícula também aumenta com a idade da folha, mas, normalmente, a sua fabricação pelas células epidérmicas pára quando a folha completa o seu desenvolvimento. Finalmente, há grandes diferenças em espessura, estrutura e composição da cutícula com as cultivares e as espécies de café. E não se deve perder de vista que o cafeeiro é uma das espécies com a cutícula muito espessa. 2. Absorção de solutos pela folha – aspectos gerais

Embora os estômatos sejam os principais componentes no intercâmbio gasoso (CO2, O2, SO2, vapor d’água) entre a folha e o meio ambiente, a penetração de gotículas aquosas, resultantes de pulverização, pelo poro estomático é um processo complexo. Por essa razão, muitos pesquisadores afirmam que os estômatos desempenham papel secundário na absorção de solutos aplicados às folhas (HESS, 1985, FOURNIER, 1988; MARSCHNER, 1995). Uma forte evidência a favor dessa afirmação é que as taxas de absorção de íons pelas folhas são comumente maiores à noite, quando os estômatos estão fechados (FOURNIER, 1988, MARSCHNER, 1995). Portanto, o grau de abertura estomática é de pouca importância, ao contrário do que se crê comumente. Mas a cutícula, que é parcialmente permeável à água e aos solutos nela dissolvidos, é a


principal porta de entrada das soluções na folha. Quando se diz que se deve pulverizar bem a face inferior da folha de café, não é porque aí estão os estômatos, mas sim porque na face abaxial a cutícula é menos desenvolvida e mais permeável às soluções aquosas. De acordo com FRANKE (1967), o processo de absorção foliar ocorre em três fases: 1) Penetração através da cutícula e da parede celular, via difusão limitada ou livre, 2) Adsorção à superfície da membrana plasmática e 3) Penetração no citoplasma, por um processo dependente de energia metabólica, que pode ser ativo ou passivo. O processo de penetração de solutos, neutros ou iônicos, na cutícula é passivo e não requer energia metabólica, ocorrendo via rotas hidrofílicas, simplesmente por difusão (FRANKE, 1967, MALAVOLTA, 1981, FÁVARO, 1992, MARSCHNER, 1995). SCHÖNHERR e BUKOVAC (1970) demonstraram que as cutículas possuem poros com regiões polares, negativas, constituídos principalmente por ácidos poligalacturônicos (pectinas) associados à celulose, por cutina, que é francamente polar, devido aos grupos hidroxílicos e carboxílicos não esterificados, e por ceras, com substituições polares. Esses poros são criados durante o processo de biossíntese da cutícula, pelas células epidérmicas, quando substâncias hidrofílicas tendem a agrupar-se para atingirem um estado energético mais estável (SCHÖNHERR e BUKOVAC, 1970). A maioria desses poros na cutícula tem diâmetro menor que 1nm, numa densidade de cerca de 1010 poros por cm2 (SCHÖNHERR, 1976). Esses poros são prontamente permeáveis a solutos de moléculas pequenas como a uréia, mas não a moléculas maiores, como os quelatos sintéticos (e.g. FEEDTA). Devido às cargas negativas desses poros, a penetração de cátions é favorecida e a de ânions não, os quais são repelidos. Assim, a absorção de cátions pelas folhas é beneficiada e é particularmente rápida para moléculas pequenas e neutras, como a uréia (MARSCHNER, 1995). No entanto, em pulverizações com altas concentrações de solutos essas diferenças tendem a desaparecer. Maiores detalhes sobre a absorção de ânions pelos poros cuticulares serão apresentados quando se discutir a absorção de Zn2+ e Cl- pelas folhas. Com freqüência, observa-se correlação entre a absorção de solutos e a densidade estomática foliar. SCHÖNHERR e BUKOVAC (1978) demonstraram que não só o número de poros cuticulares é maior nas células epidérmicas próximas aos estômatos, como eles têm diferentes características de permeabilidade e constituem, provavelmente, os sítios por onde penetram as grandes moléculas, como os quelatos. Tem-se admitido a existência de microcanais hidrofílicos (ectodesmata) que permeiam as paredes celulares das células epidérmicas, que poderiam constituir-se também em meios de movimentação de solutos que atravessaram a cutícula (FRANKE, 1967). No entanto, está faltando evidência experimental para a existência desses microcanais in vivo (MARSCHNER, 1995) e os ectodesmas não passam através da cutícula (ESAU, 1965). Uma vez que o soluto atravessa a cutícula e as células da epiderme ele é considerado no interior da folha, mas ainda não no interior das células do mesófilo. Ele se encontra em solução nos espaços intercelulares e adsorvido às paredes celulares e à superfície externa da membrana citoplasmática (a plasmalema), ou seja, no apoplasma. Esses espaços, no seu conjunto, constituem o que se denomina de “espaço livre aparente” (ELA), que no caso do mesófilo foliar é maior que o ELA das raízes, ultrapassando com


facilidade os 30% do volume total de uma folha de café. Agora, sim, ele deve atravessar a plasmalema, com gasto de energia metabólica, de forma ativa (os ânions em geral) ou passiva (os cátions em geral), dependendo do gradiente eletroquímico que se estabelece entre o ELA e o citoplasma. Uma vez no citoplasma do mesófilo, o soluto pode, e normalmente o faz, entrar no vacúolo da célula (o seu “quarto de despejo”), após atravessar outra membrana, o tonoplasto, de elevadíssima permeabilidade diferencial, ou, por outro lado, ser transportado para outras células vivas da folha, inclusive do floema. Neste último caso o soluto é móvel na planta e é, invariavelmente, redistribuído para outras partes da planta, sejam ramos, flores, frutos ou raízes. Esses aspectos fogem do objetivo deste artigo, mas para os que desejarem maiores detalhes aconselha-se o livro de TAIZ e ZIEGER (1998). Basicamente, a absorção de solutos minerais e orgânicos pelas células das folhas é muito semelhante ao processo de absorção pelas raízes (FOURNIER, 1988; TAIZ e ZIEGER, 1998). No entanto, o envolvimento metabólico no processo de absorção foliar não é a etapa estranguladora do processo, como o é na raiz. Na folha, o que determina a taxa de absorção é a passagem pelas barreiras externas da cutícula. As raízes não possuem esse obstáculo e, portanto, a absorção radicular é mais eficiente que a foliar (MARSCHNER, 1995). 3. Fatores que influenciam a absorção de solutos pela folha

Como já se disse, um soluto, para ser absorvido pelas células da folha, tem que ser depositado adequadamente na superfície do órgão, atravessar a cutícula, alcançar o ELA ou o apoplasto e, finalmente, atravessar uma membrana, a plasmalema. Todo fator que alterar um desses passos pode alterar a taxa de absorção e a quantidade final absorvida. 3.1 A natureza da cutícula Este tema já foi abordado suficientemente no item 1.2. 3.2 Formação de uma película delgada e uniforme sobre a cutícula O próprio conceito de pulverização inclui a formação de uma película muito fina sobre o maior número de folhas, sem deixar escorrer a calda. Obviamente que na prática nem sempre essa situação ideal é obtida, mas deve-se ter sempre em mente que pulverizar não significa “dar banho” na planta. Aliás, muitos resultados de pulverização são contraditórios, porque se faz na realidade uma fertirrigação. A prática ensina que um cafeeiro adulto bem enfolhado recebe bem de 0,2 a 0,3L de calda. Quando se tem notícia de que foram realizadas “pulverizações” com 1 a 4L de calda por cafeeiro, semanais ou quinzenais, durante meses (MALAVOLTA, 1981), começa-se a duvidar se os resultados são conseqüência da aplicação foliar, ou da adubação do solo. Para se obter a película adequada é necessário que o “bico” do pulverizador e a pressão da pulverização sejam apropriados, para formar gotículas do menor diâmetro possível, e a duração da aplicação correta. Além do mais, a calda deve conter um agente “molhante”, “espalhante”, “umectante” ou “surfactante”, que permita quebrar a tensão superficial entre a calda e a cutícula, fazendo com que a micro-gota entre em grande


contato com a cutícula, não escorrendo (Figura 4). Essas moléculas que funcionam como agentes molhantes possuem uma extremidade hidrofílica, “que se dá bem” com a água e uma extremidade lipofílica, “que se dá bem” com a cutícula cerosa; são na verdade detergentes. O ideal seria que este agente “molhante” fosse também “adesivo”, mas na verdade, os “espalhante-adesivos” que se vendem no Brasil são uma farsa; em geral, não têm nada de adesivos.

Figura 4 - Formato das micro-gotas pulverizadas sobre a folha do cafeeiro com e sem detergente. 3.3. Status nutricional do cafeeiro A taxa de absorção de nutrientes minerais supridos às folhas depende do status nutricional da planta (MARSCHNER, 1995). Plantas deficientes em determinado nutriente tendem a absorver o elemento com maior eficiência. Quando o elemento é móvel no floema, plantas deficientes também o redistribuem mais intensamente por essa via. 3.4. Idade da folha As folhas mais jovens absorvem mais eficientemente os nutrientes porque sua cutícula é mais permeável e a atividade metabólica mais intensa. No entanto, as folhas jovens retêm maior quantidade do elemento absorvido, para o seu próprio desenvolvimento, resultando em menor fração do nutriente que é redistribuído via floema para os outros órgãos do cafeeiro (FOURNIER, 1988). 3.5. Concentração aplicada do nutriente A taxa de absorção do nutriente aumenta como uma função hiperbólica do aumento da concentração, aproximando-se assintoticamente de um valor máximo. Quando baixas concentrações de macronutrientes são aplicadas às folhas, as taxas de absorção pela superfície foliar são baixas. As concentrações elevadas desses elementos no apoplasto da folha são em geral muito altas, restringindo severamente a penetração de íons no ELA. Obviamente, este não é o caso das plantas deficientes ou dos micronutrientes (MARSCHNER, 1995). 3.6. Temperatura, umidade do ar e luz É muito difícil, se não impossível, em condições experimentais, separar os efeitos da temperatura, da umidade relativa e da luz, especialmente nas condições de campo. A absorção de solutos pelas folhas verdes é, em geral, estimulada indiretamente pela luz, na medida em que o processo depende do fornecimento de energia fotossintética sob a forma de ATP (MALAVOLTA, 1981, MARSCHNER, 1995), como se


demonstrou num experimento sob condições rigorosamente controladas de laboratório (Figura 5; BLANCO, 1970). No entanto, a absorção de minerais por folhas intatas, em condições naturais, pode não ser estimulada ou ser mesmo inibida por efeitos indiretos da luz. Durante o dia, na medida em que a temperatura ambiente aumenta, há uma redução gradual da umidade relativa, o que conduz à mais rápida evaporação da água da calda, secando mais rapidamente a folha pulverizada. Por isso, a pulverização deve ser de preferência executada quando a umidade relativa do ar é relativamente alta, como acontece na manhã e no fim da tarde (MALAVOLTA, 1981). No entanto, mais adiante serão mostrados dados de pulverizações com uréia e sulfato de zinco em que a hora do dia e da noite não interferiu no teor foliar de N e Zn (GARCIA e SALGADO, 1983). Mas, a absorção desses elementos foi maior no inverno, provavelmente em decorrência da menor temperatura e da maior umidade relativa nessa época do ano.

Figura 5 - Fatores que influenciam a absorção do zinco pelas folhas do cafeeiro (BLANCO, 1970, adaptado de MALAVOLTA, 1981). 3.7. Composição da solução pulverizante A absorção de um dado elemento pode ser aumentada ou diminuída pela presença de outro ou outros elementos na calda. Apenas como exemplo, a adição de cal provoca uma absorção mais lenta de zinco; a adição de magnésio diminui a velocidade de absorção de uréia; a presença de uréia (ver-se-á mais tarde que não é verdade) e cloreto


de potássio aumenta a absorção de zinco (MALAVOLTA, 1981); a presença de cobre e boro diminui a absorção de zinco (Figura 5; Blanco,1970, citado por MALAVOLTA, 1981), efeito que é revertido pela adição de cloreto de potássio (CORDEIRO et al.,1990). Há um conceito antigo (YAMADA et al., 1965) de que a uréia, quando presente na solução, altera a estrutura da cutícula, como que abrindo as malhas da rede molecular, facilitando a absorção de solutos. Isto pode ser verdade para algumas espécies, mas comprovadamente não tem qualquer efeito no cafeeiro, conforme mostram pesquisas de precisão (FÁVARO et al., 1990, RENA et al., 1990) 3.8. pH Afeta de forma variável a absorção de diferentes elementos. Quando são empregadas formulações que contêm 2 ou 3 elementos, cada um deles com um pH ótimo de absorção diferente, deve-se usar uma solução de compromisso, geralmente abaixo da neutralidade, entre 5,0 e 6,0 (MALAVOLTA, 1981). 4. Em que condições deve-se usar a nutrição foliar

O suprimento de minerais aos cafeeiros via folha é uma técnica já consagrada universalmente. Mas à exceção dos micronutrientes, é uma prática temporária e paleativa (FRANCO,1985, MARSCHNER,1995), sendo recomendada somente em condições excepcionais para os macronutrientes, como será indicado mais adiante. Alguns aspectos que limitam a eficiência da nutrição via folha podem assim ser resumidos (MARSCHNER, 1995): a. Baixas taxas de penetração, particularmente nas folhas com cutícula espessa, como o cafeeiro; b. Pequenas quantidades que podem ser fornecidas com a pulverização; c. Escorrimento das superfícies hidrofóbicas; d. Lavagem pela chuva; e. Secagem rápida das soluções aplicadas; f. Limitadas taxas de redistribuição pelo floema de certos minerais (e.g. cálcio, boro, zinco, ferro, manganês) principalmente nas folhas maduras; e g. Danos foliares (e.g. necroses e queimaduras). Neste caso, os danos são menos severos quando o pH da calda é mais baixo. A adição de surfactante do tipo silicone parece reduzir os danos às folhas, bem como aumenta a eficiência da absorção, principalmente quando a cutícula é espessa.

A aplicação de macro e micronutrientes só se justifica quando o solo é pobre em determinado nutriente, quando o solo está muito seco por longo tempo e quando a eficiência de absorção pelo sistema radicular é por alguma razão diminuída. Mas, devese sempre ter em mente que a prática mais eficiente e econômica de nutrir uma planta


com minerais é via solo, exceto em casos particulares, como o do zinco nos solos muito argilosos. 5. Suprimento de nutrientes minerais e orgânicos pela folha do cafeeiro.

A eficiência de absorção de minerais pelas folhas é na verdade elevada, mas será que satisfaz as exigências do cafeeiro em todos os casos? 5.1 Macronutrientes A eficiência de adubação foliar do cafeeiro com vistas a fornecer macronutrientes tem sido exageradamente enaltecida (FRANCO, 1984,1985), “Talvez em conseqüência de dois fatos interpretados incorretamente. Primeiro, quando se emprega pulverização em alto volume e aplicam-se vários litros por planta, alguns mililitros da solução ficam retidos na folhagem, mas a maior parte cai no solo e o adubo é absorvido pelas raízes em muito maior quantidade do que pelas folhas. Segundo, a absorção de elementos minerais pela folha se dá muito rapidamente e a porcentagem do adubo aplicado que é absorvido é muito elevada. De fato, isso é verdade. Mas, mesmo que a absorção foliar fosse total, ainda assim a quantidade de minerais seria muito pequena em relação às necessidades do cafeeiro”. Esta opinião de Franco é comungada por muitos outros pesquisadores (SILVA et al., 1975; GARCIA et al., 1979; MENGUEL e KIRKBY, 1979; MARTINS et al.,1980; VIANA,1981; MALAVOLTA, 1981; GARCIA et al.,1983; CARVAJAL, 1984; BARROS et al., 1984; FREIRE et al.,1987; FOURNIER, 1988; COSTA et al.,1989; SANTINATO et al.,1990a; SANTINATO e PEREIRA, 1995, 1996). Esta lista obviamente não é exaustiva; há ainda muito mais. Os resultados que mostram efeitos benéficos de macronutrientes na produção do cafeeiro, com uma ou duas aplicações foliares, são em geral conseqüência da má aplicação da estatística (grande erro experimental, uso e,ou, interpretação incorretos dos testes de média ou efeitos confundidos); ou mesmo tentativa velada de distorcer os fatos. 5.1.1. Ilações teóricas sobre a nutrição com macronutrientes A seguir serão apresentados alguns exemplos de cálculos teóricos , ou simulações, de aplicações de macronutrientes às folhas do cafeeiro, que, se tivessem sido praticados antes da investigação propriamente dita, teriam economizado muito tempo e dinheiro. Os valores de concentração dos elementos nas folhas, aqui apresentados, são pontuais, instantâneos ou, como se diz hoje, em tempo real. Não consideram, portanto, os processos de transporte para fora da folha, que no caso do potássio, do fósforo, do nitrogênio e do magnésio podem ser muito elevados, diminuindo ainda mais, a concentração foliar efetiva. Exemplo nº 1: Uréia 2%: Numa pulverização correta de um cafeeiro bem vestido gastam-se, em média , 200ml de calda. São, portanto, aplicadas 4g de uréia por planta. Como a uréia contém aproximadamente 45% de N, são depositadas nas folhas e ramos cerca de 1,8g de N.


Considerando que um cafeeiro vigoroso de cinco anos de idade tem, em média, 4000g de matéria seca (CORRÊA et al., 1984) e admitindo-se 60% de eficiência na pulverização e na absorção tem-se 1,8g N x 0,6/4000g da matéria seca foliar, ou seja, aproximadamente 0,03%N foliar. Será que apenas uma pulverização com uréia 2% vai ajudar alguma coisa na nutrição nitrogenada do cafeeiro, uma vez que o teor adequado está próximo de 3% (MALAVOLTA, 2000)? Exemplo nº 2: Cloreto de potássio 2%: Seguindo-se o mesmo raciocínio anterior, e sabendo que o KCl contém 50% de K+, obtém-se, também, o teor de 0,03% de K+ na folha. Será que uma pulverização ajuda, quando o teor adequado de K+ na folha está em torno de 2,2% (MALAVOLTA, 2000)? Exemplo nº 3: MAP (fosfato monoamônico) 2%: Repetindo-se os mesmos cálculos e sabendo-se que o MAP tem aproximadamente 45% de P2O5 solúvel, obtém-se um teor foliar de P em torno de 0,01%. Admitindo-se que a concentração adequada de P foliar está em torno de 0,18% (MALAVOLTA, 2000), a mesma pergunta permanece. Exemplo nº 4: Sulfato de magnésio heptahidratado 2%: Como o sulfato de magnésio heptahidratado contém apenas 10% de Mg, e repetindo-se os cálculos anteriores, obtém-se um valor de 0,005% de Mg na folha. Estando a concentração adequada em torno de 0,35% (MALAVOLTA, 2000), é com razão que pulverizações não corrigem a deficiência de magnésio no cafeeiro nas condições de campo. 5.1.2. Pesquisas recentes sobre a aplicação foliar de macronutrientes no Brasil Agora, serão apresentados os resultados das pesquisas brasileiras recentes, que objetivaram suprir o cafeeiro com aplicações foliares de nutrientes minerais e orgânicos. O texto não entrará, profundamente, no julgamento do mérito da pesquisa, do título e dos resultados e tampouco considerará a relevância íntima das irrisórias discussões e das conclusões, muitas vezes infundadas. Na maioria dos casos, terá os objetivos precípuos de relato histórico e de advertência na interpretação e aplicação de alguns resultados. De qualquer forma, este assunto é de extrema importância, desde que “diversos produtos comerciais estão sendo introduzidos e recomendados na cafeicultura em aplicações foliares, porém, sem maior embasamento científico (GARCIA et al., 1999)”. Estudos realizados por GARCIA et al. (1979), em lavoura em formação, e por SILVA et al. (1975), MARTINS et al. (1980) e VIANA (1981), em lavoura em produção, indicaram claramente que, quando são utilizados níveis adequados de nitrogênio, fósforo e potássio no solo, as suplementações foliares com estes elementos, em diferentes dosagens e épocas, não trouxeram benefício adicional ao desenvolvimento e à produção do cafeeiro. Esses resultados foram posteriormente confirmados por GARCIA et al. (1983, Quadro 1), BARROS et al. (1984, Quadro 2), FREIRE et al. (1987, Quadro 3) e SANTINATO e PEREIRA (1996, Quadro 4).


Quadro 1 - Substituição ou complementação de NPK do solo via folha Formas de Fornecimento dos Nutrientes

1. NPK solo + B, Zn foliar

Sacas Beneficiadas/ha (Médias de Duas Safras) Varginha Boa Esperança 17,64 ab 58,90 a

2. ½ NPK solo + NPK, B e Zn foliar 10,85 abcd

49,06 ab

3. NPK, Zn foliar + complementação solo 4. NPK, B, Zn foliar

7,12 4,32

cd d

40,45 bc 27,30 c

5. N, B e Zn foliar, P e K no solo 9,77 bcd

25,63

c

6. P, B e Zn foliar, N e K no solo 15,59 ab

46,02 ab

16,80 ab

39,94 bc

18,82 a 8,42 28,15

53,75 ab 17,92 17,73

7. K (KCl), B e Zn foliar, P e N no solo 8. K (K2SO4), B e Zn foliar, P e N no solo Tukey 5% CV (%) Adaptado de GARCIA et al., 1983.

Quadro 2 - Modo de fornecimento de fósforo ao cafeeiro em produção Formas de Fornecimento dos Nutrientes

1. Testemunha (sem fósforo)

Sacas Beneficiadas/ha (4 safras acumuladas) 142,8

Produção Relativa

100

2. Fósforo em cobertura na projeção dos ramos

149,8

105

3. Fósforo em cobertura sob a saia

142,6

99

178,5

125

4. Fósforo enterrado na projeção dos ramos


5. Fósforo* foliar, 8 vezes por ano

154,8

108

6. Fósforo foliar, 4 vezes por ano

179,8

126

NS 16,4

Teste F CV (%) * Super fosfato triplo 5%. Adaptado de BARROS et al., 1984.

Quadro 3 - Fornecimento de potássio via solo e via folha ao Mundo Novo, em solo de cerrado Percentagem de Potássio Aplicado ao Solo 0 25 50 75 100 Média F doses no solo

Sacas Beneficiadas/ha (médias de 3 safras) Fonte de Potássio Aplicada à Folha Testemunha KCl KNO3 K2SO4 Média 16,4 (100) 19,4 21,4 20,7 19,6 (121) (130) (126) B 29,1 27,7 30,1 31,1 29,8 A 33,4 33,0 29,3 25,5 30,3 A 31,6 29,1 33,6 29,8 31,0 A 30,7 31,9 29,0 29,6 30,3 A 28,3 28,3 29,9 27,4 -11,7**; F fontes -NS; CV% 17,76

Adaptado de FREIRE et al., 1987. Quadro 4 - Aplicações foliares de nitrato de potássio, teores foliares de N e K, produtividade e renda do Catuaí

Concentração de KNO3 Teor Foliar (%) (ppm) N K na Calda 1. 0 (água) 2,9 2,7

Produção Média de Duas Safras (Sacos Benef./ha)

Renda (%)

40,6

2. 2% (fev)

3,2

2,6

42,5

3. 4% (mar)

3,1

2,7

48,7

48,6 b 50,3 ab 51,6 a


4. 2% (fev/mar)

2,9

2,9

46,7

5. 4% (fev/mar)

2,9

3,0

48,9

50,6 ab 51,2 a

6. 2% (fev/mar/abr) 2,8

2,8

49,1

51,4 a

7. 4% (fev/mar/abr) 3,0

2,8

40,7

50,3 ab

NS

NS

NS

Tukey 5%

13,8

CV %

15,8

Adaptado de SANTINATO e PEREIRA, 1996. Alguns pesquisadores são, no entanto, iludidos pelas famosas “tendências relativas” e desprezam as análises estatísticas que mostram não haver diferenças significativas entre os tratamentos. A única conclusão mais segura favorável à aplicação foliar de macronutrientes é baseada nos dados do Quadro 1, que indicam que se pode substituir parcialmente o fósforo e o potássio aplicado ao solo, em até 10 aplicações anuais, com caldas de elevadas concentrações de sais (GARCIA et al., 1983), o que sempre traz um risco de queima das folhas e, provavelmente, é antieconômico. Apesar de toda a confusão que existe em torno do fornecimento de macronutrientes via folha, constatam-se alguns momentos de lucidez, em que se afirmam que “na nutrição do cafeeiro, as aplicações via folha são eficientes apenas para os micronutrientes, particularmente o Zn, B e Cu (SANTINATO et al., 1986)”. Também, COSTA et al., (1989) concluem que “a recomendação atual de adubação foliar para o cafeeiro restringe-se ao micronutriente zinco, especialmente em cafezais instalados em solos argilosos em que a aplicação via solo não é eficiente. Para os demais nutrientes em condições normais de clima e solo a via solo é a recomendável, a não ser quando o produto utilizado via foliar possua propriedades sinérgicas à absorção de zinco, como o cloreto de potássio. Tanto para os macronutrientes N, P, K, Ca, Mg e S como para o micronutriente B, a via foliar é paleativa ou de efeitos temporários, devendo ser utilizada até que as aplicações via solo promovam efeitos duradouros”. Mesmo assim, acredita-se desacreditando! Estas afirmações dão substância ao que obtiveram Franco (1984, Quadro 5) e GARCIA e SALGADO (1983, Quadro 6) com a aplicação foliar de uréia. Não houve aumento do teor de nitrogênio na folha, mesmo após 10 pulverizações com uréia 2%, a cada 15 dias (Quadro 5). Quadro 5 - Ineficiência da adubação foliar com uréia 2%, de 15 em 15 dias, na nutrição do cafeeiro de 11 a 15 meses de idade Número de Pulverizações

Teor de N Foliar (%) Amostragens – 10 Dias Após o Tratamento 24/04 10/05 20/06 22/07 06/09


0 2 4 6 8 10

1,78 1,83 -

1,50 1,61 -

1,45 1,69 -

1,51 1,87

1,09 1,41

Adaptado de FRANCO, 1984.

Quadro 6 - Teores foliares de N 15 dias após a pulverização de uréia 2% no cafeeiro Mundo Novo de seis anos Horário da Pulverização com Uréia 2%

Testemunha 06:00 horas 12:00 horas 18:00 horas 24:00 horas

Teores Foliares de N(%) Verão Inverno Inicial Após 15 dias Inicial Após 15 dias 3,0 2,6 2,8 2,8 3,0 2,7 2,8 2,8 3,0 2,8 2,8 3,0 3,0 2,7 2,8 2,8 3,0 2,7 2,8 3,0

Adaptado de GARCIA e SALGADO, 1983. 5.2 Micronutrientes Os micronutrientes são, à semelhança dos macronutrientes, eficientemente absorvidos pelas folhas do cafeeiro, mas, ao contrário, poucas pulverizações foliares anuais podem perfeitamente suprir a demanda desses elementos, exceção provavelmente feita ao ferro (FRANCO, 1985). Até onde se sabe, no Brasil, os micronutrientes que normalmente não são fornecidos em quantidades suficientes pelo solo ao cafeeiro são o zinco, o boro, o cobre e o manganês, em condições especiais. Ainda que mais pesquisas necessitem ser realizadas nesta área, resultados indicam que todos os micros podem, e quem sabe com vantagens, ser fornecidos via solo. Então, pulverizar ou não para corrigir deficiências de micronutrientes é apenas uma decisão técnico-econômica. Tem havido também sugestão de que exista alguma deficiência de molibdênio nos cafezais brasileiros, mas a pesquisa não tem indicado qualquer importância em se pulverizar com este elemento. Ademais, nunca foi descrita deficiência desse micronutriente sob condições de campo.


Há preocupação quanto a hora do dia em que se deve fazer a pulverização e parece existir um consenso de que se deve evitar os períodos do dia de maior luminosidade e temperatura, quando há maior evaporação da calda (MALAVOLTA, 1981). No entanto, GARCIA e SALGADO (1983) não observaram qualquer influência do horário nas aplicações de nitrogênio e de zinco (Quadros 6 e 7). A aplicação de sulfato de Zn 1%, principalmente no inverno, resultou em teores foliares de zinco muito elevados (Quadro 7). Esses resultados indicam que a melhor época de se aplicar o zinco é no inverno (Quadro 7), desde que o cafeeiro esteja suficientemente enfolhado. Nas lavouras implantadas em solos húmicos, como os de Manhuaçu, Zona da Mata Mineira, a deficiência de cobre é freqüente. MATIELLO et al., (1997) corrigiram a deficiência deste elemento mediante pulverizações com sulfato, oxicloreto e hidróxido de cobre 0,8% (Quadro 8). Mas as aplicações desses compostos no solo não corrigiram a deficiência de cobre e resultaram em menores produções. Normalmente, a deficiência desse elemento não existe quando se controla a ferrugem e a cercorsporiose usando produtos cúpricos via folha. Quadro 7 - Teores foliares de Zn 15 dias após a pulverização de sulfato de zinco 1% no cafeeiro Mundo Novo de 6 anos Horário da Pulverização com Sulfato de Zn 1%

Testemunha 06:00 horas 12:00 horas 18:00 horas 24:00 horas

Teores Foliares Zn(ppm) Verão Inverno Inicial Após 15 Inicial Após 15 dias dias 22,0 20,6 14,4 10,5 22,0 33,2 14,4 45,4 22,0 28,3 14,4 50,4 22,0 26,4 14,4 47,8 22,0 32,7 14,4 54,6

Adaptado de GARCIA e SALGADO, 1983.

Quadro 8 - Correção da deficiência de cobre nos solos húmicos e de altitude da Zona da Mata mineira Tratamentos

1. Sulfato de cobre 0,8% foliar

Teores Foliares de Cobre (ppm) 17,1

Desfolha em Maio (%) 21,7 a

Produção Média Peneira 2 Safras (scs/ha) Acima de 16 (%) 61 b 69


2. Oxicloreto cobre 0,8% foliar

21,0

22,5 a

64 ab

74

3. Hidróxido cobre 0,8% foliar

39,7

19,2 a

75 a

77

4. Sulfato cobre no solo 4,3 (5g/planta)

54,2 b

42

c

66

5. Oxicloreto cobre no solo (5g/planta)

4,0

51,7 b

36

cd

63

6. Hidróxido cobre no solo (5g/planta)

3,7

41,7 b

44

c

62

7. Testemunha

2,7

56,7 b

29

d

60

CV (%)

33,2

Tukey % Adaptado de MATIELLO et al., 1997. Há várias formulações comerciais que são tão eficientes quanto as misturas tradicionais com sulfato de zinco e ácido bórico na correção da deficiência destes elementos no cafeeiro (Quadros 9, 10, 11, 12 e 13; Figura 6). Podem até levar o zinco a níveis excessivos e tóxicos (Quadros 11, 12 e 13; Figura 6). Outras formulações já são infeficientes, como se observa nos Quadros 9 e 10. Em geral, a manipulação dessas formulações é mais fácil em nível de propriedade e o seu uso fica apenas condicionado a aspectos econômicos. Pelos Quadros 9, 10 e 12 fica claro, mais uma vez, que o uso de macronutrientes (uréia, sulfato de magnésio e enxofre) via foliar não traz qualquer benefício à produção do cafeeiro, mas as firmas de produtos, os técnicos e os fazendeiros insistem em usá-los. A presença desses e de outros macronutrientes nas formulações tem a única função de torná-las mais onerosas. Ainda que se argumente que “houve um aumento relativo de tantos por cento ou de tantas sacas por hectare”, não há diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos. Ou seja, são diferenças aleatórias. Quadro 9 - Competição de adubos foliares orgânicos, quelatizados e sais, no fornecimento de nutrientes ao cafeeiro Mundo Novo Pulverizações

Teor Foliar N Mg Zn (%) (%) (ppm)

Produção Acumulada de Duas Safras (Sacas Beneficiadas/ha)


1. Testemunha

3,3

0,30

7,5

24,37

c

100

2. Orgamin 0,5%

3,1

0,31

9,0

27,40

c

112

3. Orgamin 1,0%

3,4

0,30

8,7

30,13

c

123

4. Grex Café 0,5%

3,1

0,33

15,4

50,23 b

206

5. Grex Café1,0%

3,4

0,31

25,0

63,67 a

261

6. Sulfato de Zinco 0,6% + Ácido Bórico 0,3% 3,2

0,30

19,3

57,87 ab

237

7. 6 + Uréia 1,0%

3,2

0,33

17,71

60,00 ab

246

8. 7 + Sulfato de Magnésio 1,0%

3,3

30,33 17,2

58,43 ab

238

9. 8 + Cloreto de Potássio 0,5%

3,4

0,30

19,2

59,00 ab

242

10. 9 + Enxofre 1,0%

3,2

0,34

18,3

58,57 ab

240

NS

NS

5% 13,49

Duncan NS CV (%) Adptado de SANTINATO et al., 1990a.

Quadro 10 - Efeito dos “coadjuvantes” Aminosan e sacarose na produção e teor de zinco foliar do cafeeiro

1. Testemunha (água)

Teor Foliar Produção Média de Duas de Zn (ppm) Safras (sacas beneficiadas por ha) 9,7 14,9 a

2. Sais (uréia 0,5% + sulfato de

23,4

Pulverizações

28,7 b


magnésio 0,7% + sulfato de zinco 0,5%) 3. Grex Café (N 19%, Zn 7% + ácido bórico 0,5%; Mg 2,7%)

20,8

31,3 bc

4. Sais + Aminosan

22,7

29,6 bc

5. Grex Café + Aminosan

21,9

34,6

6. Sais + Sacarose 2%

25,4

29,0 bc

7. Gréx Café + Sacarose 2%

24,8

32,7

c

c

29,2

Duncan; CV% Adaptado de SANTINATO et al., 1998a.

Quadro 11 - Influência da aplicação de Ager Zinco 21% (cloreto de zinco) via folha e via solo LVA argiloso na produção de Catuai Aplicação de Ager Zinco (21% Zn)

Teor Foliar de Produção Média no Biênio Zn (ppm) 93/94 (Sacas Beneficiadas/ha) 1993 1994

(Cloreto de Zinco) A. Testemunha

8,7

9,0

46,2 b

B. Pulverizações mensais de agosto a julho

50,6

89,5

49,5 ab

26,5

22,0

49,7 ab

C. Pulverizações bimensais de


agosto a julho D. Pulverizações trimestrais de agosto a julho

19,1

21,0

57,2 a

E. Pulverizações semestrais agosto e sobre flor branca

13,9

24,0

48,3 ab

F. Pulverizações semestrais agosto e sob flor seca

13,0

23,4

48,1 ab

G. Uma aplicação no solo em setembro

10,4

17,1

48,5 ab

CV (%)

11,4

Duncan 5% Adaptado de SANTINATO et al., 1994.

Quadro 12 - Eficiência do fornecimento de zinco ao cafeeiro Mundo Novo por diferentes produtos

Pulverizações Com

Teor Foliar de Zinco (ppm) 35 dias Após as Produção de 91/92 (Sacas Pulverizações em Prévia 17/09/91 19/11/91 27/01/92 06/04/92 Beneficiadas/ha)


1. Testemunha (água)

9,0 a

7,78 b

8,8

c

9,7

c 11,7 b

40,9 a

2. Fertamin Café 0,5%

12,0 a 14,2 ab 37,0 abc 37,8 bc 77,5 a

59,3 a

3. Fertamin Café 0,75%

10,1 a 16,5 a

71,2 a

78,7 a

119,4 a

59,4 a

4. Fertamin Café 1,0%

10,2 a 20,5 a

66,1 ab

85,7 a

132,8 a

64,5 a

106,7 a

65,2 a

92,3 a

62,5 a

5. Sulfato de Zinco 0,6% 10,8 a 15,6 a 6. (5) + KCl 0,5% + Ácido Bórico 0,3% + Uréia 0,5%

34,0 bc 65,4 ab

11,7 a 13,7 ab 34,72 bc 48,6 ab

25,8 23,2 CV (%) Médias Comparadas por Tukey 5%

37,0

30,5

26,8

21,7

Adaptado de COSTA et al., 1992.

Quadro 13 - Absorção foliar de micronutrientes no cafeeiro na presença de “adjuvantes”

Pulverizações

Teor (ppm) de Micronutrientes Após 15 Minutos 30 Dias B Cu Zn B Cu Zn

1. Sulfato de Zn 0,6% + Ácido Bórico 0,3% + Garant 0,5%

2. (1) + Extravon 0,05%

104 a 13 a 50 47,5 c b 110 a 12 a 89 b 48,1 b

185,8 b 157,3 b

47,9 bc 65,1 b

3. (1) + Copolímero de Silicone 0,05% 4. Testemunha

118 a 16 a 133 a 61,4 a 221,5 a 95,6 a 72 9 4 d 45,7 98,8 35,9 c b b b c

Adaptado de MATIELLO et al., 1999.

Figura 6 - Equivalência nutricional entre sais e quelatos de zinco na aplicação foliar em cafeeiros (Adaptado de SANTINATO et al., 1986).


Os cafeicultores questionam, com freqüência, se se “deve ou não pulverizar sobre as flores em processo de abertura”. Quando se usam as caldas excessivamente concentradas, comumente indicadas, que são completamente desnecessárias, “pode” haver algum risco de queima e queda de botões, flores ou chumbinhos, ou mesmo intoxicação generalizada da fisiologia do cafeeiro, com as pulverizações sucessivas. Mas, para redimir a polêmica, consultem-se os resultados do Quadro 11. Estatisticamente, foi nociva a aplicação de cloreto de zinco (Ager Zinco) sobre as flores brancas ou secas? A resposta é não. Ao final deste artigo será indicada uma calda completamente segura, que pode ser aplicada em qualquer fase fenológica do cafeeiro, comprovada em centenas de lavouras, milhões de covas e por vários anos. Ainda assim, mesmo que se apresentem os dados concretos da pesquisa cuidadosa, o difícil é convencer os técnicos a usá-la. Outra polêmica relaciona-se à vantagem ou não de se aplicar cálcio e boro pré e pósflorada sobre o vingamento da flor e o pegamento de frutos. Não há dúvida que esses dois nutrientes são fundamentais para o direcionamento quimiotrópico do tubo polínico, para a fecundação, e evita-se a abscisão prematura da flor e do chumbinho. Por outro lado, não há boa conexão xilemática entre os ramos plagiotrópicos e os botões florais; somente do floema. Mas o cálcio e o boro não se movimentam pelo floema. Assim, é bem provável que haja deficiências desses elementos nos botões. A pulverização préflorada com boro pode ser de grande valia, mas com o cálcio é duvidosa, ainda que os resultados experimentais “tendam” a mostrar o contrário (Quadros 14 e 15). Os resultados do Quadro 15 são de apenas uma safra e o coeficiente de variação de 36%. Os dados do Quadro 14 indicam que os teores foliares de P, Ca e B de todos os tratamentos estão muito abaixo dos níveis adequados ou mesmo marginais atualmente indicados para o cafeeiro (MALAVOLTA, 2000). Assim, porque, ao invés de se preocupar com pulverizações paleativas e duvidosas, não se opta por nutrir bem o cafeeiro via solo? Enfim, já que se vai pulverizar com boro, adicione-se também cálcio e zinco. Mal não vai fazer! A tempo: a conclusão dos autores de que o cálcio funciona como um “coadjuvante bioquímico” é uma metáfora, para não se dizer que os resultados são inexplicáveis. A deficiência de manganês tem cada vez mais se manifestado na cafeicultura brasileira, seja pela pobreza do solo seja pela calagem excessiva. Mas não há relatos de deficiência de molibdênio sob condições naturais e é apenas hipotético que pulverizações com este elemento aumentem a produção do cafeeiro (Quadro 16). Para se ter uma idéia do erro das interpretações de resultados, concluiu-se o seguinte (FAVARIN e MARINI, 1999): “A maior produção de café, diferença de 3 sacas beneficiadas/ha para o tratamento 4 (Zn + B + Mo) em relação à testemunha (Zn + B), embora não difiram estatisticamente, é economicamente vantajosa para o cafeicultor... proporcionando uma relação benefício: custo de 4:1”. Será desconhecimento estatístico ou “forçação de barra”?

Quadro 14 - Aplicações foliares de P, Ca e B pré-florada, o pegamento de frutos e a produção do cafeeiro Mundo Novo Pulverizações

Teores Foliares Pegamento P(%) Ca(ppm) B(ppm) de Frutos

Produção Acumulada de 2 Safras (Sacas


(%)

Beneficiadas/ha)

39

60,2 b

53,6

0,10 0,97

40

75,0 ab

62,5 abc

3. Boro

0,09 0,90

51

77,0 ab

69,2 ab

4. Fósforo

0,11 0,98

39

67,1 ab

55,7

5. Cálcio + Boro

0,12 0,89

48

81,1 a

71,1 a

6. Fósforo + Boro

0,12 0,87

40

62,9 b

54,5

7. Fósforo + Cálcio 0,11 0,95

40

69,9 ab

58,3 bc

8. Fósforo + Boro + Cálcio 0,12 0,99

47

69,4 ab

61,8 abc

Pré-Florada 1. Testemunha

0,11 0,99

2. Cálcio

Nível Limiar 0,12 1,0

c

c

c

40,0 19,6

CV (%)

17,4

Adaptado de SANTINATO et al., 1990b, 1991.

Quadro 15 - Aplicações foliares de várias misturas de macro e micronutrientes, uréia e sacarose e a produtividade do cafeeiro Aplicações no Solo ou Duas Pulverizações, a Primeira Antes e a Produtividade - 1 Segunda Após a Florada Principal Safra


(sacas beneficiadas/ha) 28,8 abc 26,3 abc 29,8 abc 39,1 a

1. Bórax no solo (2 g/planta) 2. Ácido bórico 0,25% 3. CaCl2 0,05% 4. Ácido bórico 0,25% + CaCl2 0,05% 5. Ácido bórico 0,25% + KCl 0,1% + Sacarose 0,1% + Uréia 0,1% + Sulfato de Zn 0,3%

9,2 d 6. Ácido bórico 0,25% + Sacarose 0,1% + Uréia 0,1% + Sulfato zinco 0,3% + Sulfato magnésio 0,1% + MAP 0,1% 33,2 ab 29,5 abc 20,5 bcd 36,0

7. (6) + CaCl2 0,05% 8. Testemunha (sem pulverização) CV (%) Tukey 5% Adaptado de LIMA et al., 1998.

Quadro 16 - Importância dos micronutrientes Mn e Mo na produção do cafeeiro em Batatais, SP

Pulverizações (3 ao ano) 1. Zn + B (Testemunhas)

Produção Média de 2 Safras (sacas beneficiadas/ha) 22,1 a

2. Zn + B + Mn

22,7 a

3. Zn + B + Mn + Mo

24,1 a

4. Zn + B + Mo

25,3 a

CV (%) Tukey 5% Adaptado de FAVARIN e MARINI, 1999.

11,5


Figura 7 - Influência de sacarose sobre o potencial hídrico foliar de mudas de café submetidas à desidratação. (Foram feitas pulverizações com sacarose, por três dias consecutivos e, logo após, a rega foi suspensa. Os dias indicam o período no qual as mudas não receberam água e os pontos representam o valor médio de quatro repetições). (Adaptado de Segura – MALAVOLTA, 1989).

5.3. Sacarose e melaço Este é outro assunto extremamente controverso e os poucos resultados de pesquisa são contraditórios. A primeira pesquisa brasileira que contemplou pulverização de sacarose no cafeeiro foi feita na tese de mestrado de Álvaro Segura Monge (1989), da Costa Rica, orientada por A. B. Rena. Os teores de sacarose pulverizada a mudas de café variaram de 5% a 20%, por 3 dias consecutivos, após o que foram mantidas em casa-de-vegetação por 6, 11 e 14 dias sem irrigação. A aplicação de sacarose melhorou sensivelmente o status hídrico das mudas, expresso em termos de potencial hídrico foliar (Figura 7). A adição de cloreto de potássio 1% à sacarose melhorou ainda mais a economia de água pelas plantas, sugerindo ser um bom tratamento no viveiro, antes de serem levadas para o campo. No entanto, a adição de uréia 1% aumentou a transpiração e reduziu o potencial hídrico da folha, não devendo, assim, ser utilizada (RENA e CORDEIRO, 1989). Aliás esta pesquisa serviu também de base para que se eliminasse a prática universal costarriquenha de usar uréia nas pulverizações de cafeiros adultos. Entretanto, a partir de 1996/97, muitos cafeicultores têm indagado sobre o uso da sacarose e do melaço em pulverizações de cafeeiros em produção. Provavelmente, concentrações de açúcar (sacarose?) e melaço 0,5% e 1% não serão de qualquer ajuda (Quadros 17 e 18). Aliás, pesquisa com coeficiente de variação de 29,5% tem de ser avaliada com cautela, (Quadro 18). O melaço é um produto complexo, formado por vários açúcares, principalmente a sacarose, polímeros naturais, micronutrientes etc. Dependendo da concentração (5% a 10%), poderia funcionar como anti-transpirante, melhorando as condições hídricas do cafeeiro durante períodos de seca e atuar como umectante, favorecendo a absorção de íons pela cutícula. Entretanto, melaço 1% não deve ter essas funções e muito menos desempenhar qualquer atividade metabólica no cafeeiro (Quadro 18).

Quadro 17 - Nutrição do cafeeiro via folha com mistura tradicional de Sais, Nutrins e Sacarose


Tratamentos

Teores Foliares Produção Média de duas Zn B N Mg Safras (sacas beneficiadas/ha) (ppm) (%) 6,1 40,2 3,3 0,37 15,9 a

1. Testemunha (água)

2. Sais (uréia 0,5%, SZn 0,5%, ác. bórico 0,7% SMg 3%) 21,3 56,0 3,4 0,40

21,3 b

3. Sais + sacarose 0,5%

23,4 49,3 3,1 0,41

21,2 b

4. Nutrins (N 10%, Zn 7%, B 0,5%, Mg 3%)

22,8 52,0 3,4 0,38

21,6 b

5. Nutrins + sacarose a 0,5%

20,9 50,6 3,3 0,39

21,8 b

Adaptado de SANTINATO et al., 1998b. Quadro 18 - Influência da pulverização de cafeeiros com misturas tradicionais associadas à sacarose, melaço e uréia

Tratamentos

1. Testemunha (não pulverizada)

Produção (sacas beneficiadas/ha) 17,32 e

2. Foliar Normal (sulf. zinco 0,3% + ácido bórico 0,3% + KCl 0,3%)

22,33

3. FN + Sacarose 1%

30,46 abcde

4. FN + Sacarose 1% + Uréia 0,5%

33,47 abcd

5. FN + Melaço 1%

39,45 ab

6. FN + Melaço 1% + Uréia 0,5%

40,36 a

CV (%) Adaptado de MANGINI et al., 1998.

29,5

cde


As folhas não absorvem açúcares tão facilmente; o processo é caro e complexo. O mecanismo envolve o sistema H+ - ATPase, que cria um gradiente hidrogeniônico através da plasmalema, e a sacarose é absorvida ao longo do gradiente eletroquímico, em simporto com o próton hidrogênio, a partir do apoplasto. O bom senso sugere que se adicione às caldas, contendo sacarose e melaço algum inseticida e fungicida apropriado, por razões biológicas óbvias. 6. Caso especial: Nutrição foliar de zinco no cafeeiro 6.1. Aspectos gerais da nutrição de zinco O zinco é um dos nutrientes mais limitantes à produção de café no Brasil (FRANCO e MENDES, 1954; SILVA, 1979; GUIMARÃES et al., 1983; MALAVOLTA et al., 1983). A absorção de zinco pelas raízes, especialmente em solos argilosos e intemperizados, é prejudicada pela forte ação adsortiva exercida pelas argilas sobre o cátion (REDDY e PERKINS, 1974). A baixa disponibilidade de zinco nesses solos é ainda ampliada pela elevação do pH, decorrente da calagem, e pela adição desequilibrada de adubos fosfatados (MALAVOLTA, 1980), o que dificulta o seu fornecimento via solo. Alternativamente, e com superioridade para atender às demandas vegetativa e reprodutiva do cafeeiro, a nutrição foliar de zinco tem sido sugerida. Nesse aspecto, ARZOLLA et al., (1962), em estudos com solução nutritiva, verificaram que a absorção foliar de zinco pelo cafeeiro foi oito vezes mais intensa que a radicular. Para vencer a barreira de naturezzca lipídica, representada pela cutícula e pelas substâncias graxas que a recobrem, utilizam-se, além de agentes molhantes, compostos tais como uréia (YAMADA et al., 1965b) e cloreto de potássio (GARCIA et al., 1980; GARCIA e SALGADO, 1981; SANTINATO e CAMARGO, 1989; RENA et al., 1990), objetivando-se aumentar a absorção de zinco. Segundo YAMADA et al., (1965a), a uréia promove um aumento da permeabilidade cuticular, não somente para si, mas também para outros íons que participam da solução de pulverização, alterando a estrutura da cutícula (YAMADA et al., 1965b). Contudo, nem todos os estudos, utilizando-se a combinação uréia-fonte de zinco, resultaram em maior absorção deste micronutriente. Nesse aspecto, embora BLANCO et al., (1972) verificassem inibição na absorção de zinco devido à uréia, nenhuma ação sinérgica ou antagônica foi observada por outros pesquisadores, e a aplicação conjunta da fonte de zinco com o cloreto de potássio aumentou, significativamente, a absorção de zinco pela folha do cafeeiro (GARCIA et al., 1980; GARCIA e SALGADO, 1981; SANTINATO e CAMARGO, 1989; RENA et al., 1990). Observam-se controvérsias a respeito da concentração mais adequada da fonte de zinco na solução de pulverização. Enquanto na Índia recomendam-se aplicações com sulfato de zinco 0,25% (ANANTH et al., 1965; RAO, 1978), no Brasil, a literatura registra doses bem mais elevadas, variando de 0,5 a 1,0%, em aplicações a alto volume (FRANCO e MENDES, 1954; CHEBABI e GONÇALVES, 1970; PEREIRA et al., 1976; SILVA, 1979; GUIMARÃES et al., 1983; CHAVES, 1989). Diferentemente dos nutrientes exigidos em maiores quantidades, o zinco, quando em concentrações ligeiramente superiores à ideal, promove decréscimo no crescimento e na produção do cafeeiro (SILVA, 1979; GUIMARÃES et al., 1983; FÁVARO, 1992).


A mesma incerteza observada em relação à concentração da fonte de zinco na solução de pulverização, verifica-se quanto ao teor foliar de zinco mais adequado à produção do cafeeiro, o qual varia desde 8 ppm (LOTT, 1961) até 70 ppm (OLIVEIRA et al., 1981). Por outro lado, o teor de zinco total pode não estimar a fração prontamente disponível ao metabolismo. Desta forma, embora algumas vezes obtenham-se teores de zinco total excessivamente elevados, grande parte deste zinco pode estar excluída dos sítios de maior atividade metabólica, não provocando prejuízos ao metabolismo celular, pelo menos em curto prazo (FÁVARO, 1992). A periodicidade da aplicação de zinco às folhas de cafeeiros também é motivo de dúvidas. MULLER (1966) relacionou a freqüência da pulverização com a concentração utilizada, admitindo para isto a ocorrência de transporte acrópeto num mesmo ramo, corrigindo, assim, a deficiência dos novos surtos de crescimento após a aplicação. Entretanto, muitos autores observaram transporte confinado apenas ao tecido foliar adjacente ao local aplicado (RENA et al., 1990). 6.2 – Absorção foliar de zinco – Efeitos da uréia e do cloreto de potássio Pelos Quadros 19 e 20, verifica-se que a adição de uréia à solução de pulverização (FÁVARO, 1992) não provocou aumento na absorção de zinco pelo cafeeiro, confirmando os resultados de GARCIA et al. (1980), COSTA et al., (1989) e RENA et al., (1990). Entretanto, YAMADA et al., (1965 a) observaram que a penetração de Rb+ e Cl-, através de cutícula isolada de frutos de tomate, foi favorecida pela uréia. A penetração da uréia através da cutícula é rápida e envolve, primeiramente, a difusão (YAMADA et al., 1965a), seguida por uma segunda fase de permeabilidade acentuada. O contrário ocorre com cátions e ânions, que possuem apenas uma fase inicial rápida, seguida de taxas progressivamente mais lentas, resultando em penetração 10 a 20 vezes menor, em relação à uréia (YAMADA et al.,1965a).

Quadro Teor de zinco em folhas do terceiro par à época da primeira pulverização 19 (agosto) após 3, 30 e 60 dias da aplicação de diferentes combinações de sulfato de zinco, cloreto de potássio e uréia na solução de pulverização, em experimento de campo TRATAMENTO ZnSO4 KCl URÉIA ________________ % _______________ 0 0 0 0,6 0 0 0,6 0 1,0 0,6 0,6 0 0,6 0,6 1,0 Adaptado de FÁVARO, 1992.

TEMPO (dias) 3 30 60 ______________ ppm _____________ 7,1 8,1 7,7 45,3 50,4 51,2 53,2 52,7 51,2 90,1 89,5 91,6 91,9 92,8 88,8


Quadro Análise da variância do teor de zinco em folhas do terceiro par à época da 20 primeira pulverização (agosto) após 3, 30 e 60 dias da aplicação de diferentes combinações de sulfato de zinco, cloreto de potássio e uréia na solução de pulverização, no experimento de campo F.V.

GL

Bloco 3 C1 1 1 C2 C3 1 1 C4 Sup. Resp. 13 Erro 48 CV (%)

QUADRADOS MÉDIOS 3 30 60 ___________________ dias __________________ 48,0 99,5 258,7 12.726,0** 12.781,6** 12.867,7** 93,1 32,5 1,. 6.963,9** 6.280,6** 5.829,3 37,8 1,1 18,9 19.976,1** 14.886,8** 19.030,3 37,6 72,8 169,8 6,7 10,4 15,0

** Significativo, em nível de 1% de probabilidade, pelo teste F. C1 – Efeito do Sulfato de Zinco C2 – Efeito da Uréia C3 – Efeito do KCl

C4 – Interação Uréia x KCl

FÁVARO, 1992. Sugeriu-se que os efeitos positivos atribuídos à uréia, com relação à absorção foliar de íons, sejam devidos a alterações na estrutura da cutícula, com rompimento de ligações éster, éter e diéter entre as macromoléculas de cutina (YAMADA et al., 1965b). Contudo, essa desestruturação requer catálise enzimática (FRANKE, 1967), o que parece pouco provável. Todavia, não foi notado nenhum efeito depressivo da uréia na absorção do zinco, como detectado por BLANCO et al., (1972), trabalhando com tiras foliares de cafeeiro. RENA e CORDEIRO (1989) relatam que o uso da uréia pulverizada às folhas pode causar aumento da transpiração e queda do potencial hídrico do cafeeiro, provocando murcha, principalmente em períodos críticos de disponibilidade de água. O uso de cloreto de potássio elevou significativamente o teor foliar de zinco (Quadros 19 e 20). Esse aumento foi da ordem de 99, 78 e 79% aos 3, 30 e 60 dias após a pulverização, respectivamente. Salienta-se que os teores determinados aos 30 e 60 dias também se referem ao terceiro par de folhas na época da aplicação dos tratamentos. De forma semelhante, SANTINATO e CAMARGO (1989) detectaram que o teor de zinco nas folhas de cafeeiros subiu de 30 para 80 ppm, quando se acrescentou 0,6% de cloreto de potássio à calda, com 0,6% de sulfato de zinco, o que eqüivale a um incremento de 167%. Estudando a eficiência da fonte de zinco, GARCIA e SALGADO (1981) verificaram que a adição de cloreto de potássio à solução de sulfato de zinco aumentou a eficiência da absorção foliar de zinco pelo cafeeiro, comparativamente à aplicação isolada de sulfato, cloreto, nitrato ou quelato de zinco. RENA et al., (1990) observaram aumento de 4 vezes no teor de zinco, quando se aplicou cloreto de potássio em conjunto


com sulfato de zinco. Já COSTA et al., (1989) citam que o cloreto de potássio foi ineficiente em promover maior absorção foliar de zinco pelo cafeeiro, o mesmo sendo registrado por ABRAHÃO e ALMEIDA (1989). Entretanto, ABRAHÃO et al., (1990), em trabalho posterior, concluíram que a adição de cloreto de potássio elevou, em média, o acúmulo de zinco em 167%. O uso de cloreto de potássio em soluções com elevada força iônica, como no caso das pulverizações normalmente realizadas, poderia permitir uma elevada permeabilidade cuticular ao Cl-, através da qual ocorreria o estabelecimento de uma diferença de potencial de difusão negativa entre os dois lados da cutícula. Isso facilitaria a penetração de cátios presentes na solução, entre eles o Zn2+, através da cutícula. Após vencer a barreira imposta pela cutícula, os íons movimentam-se livremente no apoplasto foliar, sem nenhuma restrição, até o ponto de entrada no simplasto celular, o que caracteriza a absorção propriamente dita. Vale ressaltar que os mecanismos que governam a absorção radicular e foliar de íons, em nível de membrana plasmática, são essencialmente os mesmos (WITTWER e TEUBNER, 1959). Os fatores que acarretaram a maior absorção de zinco, quando se adicionou cloreto de potássio à solução, também podem estar relacionados a um efeito deste sal, ou dos seus íons componentes, na fase de penetração da membrana plasmática. Dessa forma, pode-se sugerir que o íon Cl- seria absorvido ativamente, por bombas eletrogênicas específicas, o que enriqueceria o citoplasma com cargas negativas, gerando, assim, um potencial eletrogênico negativo. Como conseqüência, haveria um influxo passivo de cátions, como o Zn2+ e o K+. Como a concentração interna de zinco é muito menor que a de potássio, ocorreria bem mais facilmente o incremento no teor daquele elemento. Outra hipótese para explicar o efeito do cloreto de potássio na absorção de zinco, também em nível de membrana plasmática, está associada a alterações provocadas por sais inorgânicos na permeabilidade de membranas. POVAIAH e LEOPOLD (1976) observaram que cátions monovalentes aumentam a permeabilidade das membranas celulares, tornando-as mais ou menos permeáveis a solutos, iônicos ou não, o que envolve mudanças nas interações de água de solvatação-macromoléculas (proteínas principalmente). Assim, pode-se inferir que tanto o K+ como o Cl- poderiam operar nesse mecanismo, em uma ação conjunta de “afrouxamento” da membrana plasmática, o que permitiria um maior influxo do íon Zn2+ . MALAVOLTA (1980) cita que a presença de cobre diminui em 50% a absorção foliar de zinco, o mesmo sendo observado por BLANCO et al., (1972), em tecido foliar de cafeeiro. O uso de oxicloreto de cobre , além de resultar em teores foliares menores, também tornou mais lenta a marcha de absorção de zinco por folhas inteiras de cafeeiros (CORDEIRO et al.,1990, Quadro 21). Provavelmente o zinco e o cobre concorrem pelos mesmos sítios carreadores, resultando em interferência competitiva (BLANCO et al., 1972). Talvez esse antagonismo esteja relacionado ao raio iônico bastante similar do Zn2+ (0,69 Å) e do Cu2+ (0,72 Å) (CLARKSON e HANSON, 1980).


Quadro Teores foliares de Zn em função do tempo após aplicação dos tratamentos. 21 Médias dos tempos para atingir os teores foliares máximo e 100 ppm de zinco Tratamento Zn FOLIAR Zn FOLIAR = 100 ppm ZnSO4 KCl Ox.Cu. Tempo Teor Tempo -------- (%) ---------0,40 0,40 0,0 0,40 0,40 0,8 0,40 0,73 0,0 0,40 0,73 0,8

(h) 27 110 36 72

max. (ppm) 226 215 263 205

(h) 1,1 5,6 0,9 3,4

Adaptado de CORDEIRO et al., 1990. Na Figura 8, visualiza-se um efeito bem mais pronunciado do cloreto de potássio, ao ser incluído oxicloreto de cobre à solução de pulverização (Figura 8b), embora os teores foliares de zinco, de maneira geral, tenham sido menores. Na ausência de KCl, para se atingir 30 ppm de Zn, aos três dias após a primeira (agosto) e a terceira (janeiro) pulverização (Figuras 8a e 8c, respectivamente), foram necessárias as concentrações de 0,20 e 0,29% de sulfato de zinco, respectivamente; ao passo que, na segunda aplicação (novembro) (Figura 8b), precisou-se de 0,74% de sulfato de zinco, dado o efeito competitivo do cobre. Contudo, com a adição de 0,5% de cloreto de potássio, constatase que, na primeira e terceira pulverizações, a concentração de sulfato de zinco caiu para 0,12%, enquanto na segunda, com cobre, caiu para 0,14% de sulfato de zinco. Assim, no exemplo citado, a efetividade do KCl foi de 40 a 59% na ausência e de 80% na presença de oxicloreto de cobre. Concordantemente, CORDEIRO et al., 1990 (Quadro 21) citam que o uso de cloreto de potássio diminui o efeito antagônico exercido pelo cobre na absorção foliar de zinco. Outra conclusão interessante do Quadro 21 é que chuvas após três horas de pulverização já não exigem uma nova aplicação foliar de zinco.

FIGURA Isoquantas dos teores de zinco (ppm), em folhas do terceiro par à época da 8pulverização, em função das concentrações de sulfato de zinco e de cloreto de potássio na solução de pulverização, três dias após a primeira (a), segunda (b) e terceira (c) aplicações (FÁVARO, 1992). 6.3 – Mobilidade do zinco As folhas mais novas apresentam maior capacidade de absorção, uma vez que possuem cutícula menos espessa e, portanto, mais permeável, além de serem


metabolicamente mais ativas (MALAVOLTA, 1980). Com a expansão dessas folhas, detectou-se uma queda drástica nos teores foliares de zinco, constatada aos 30 e 60 dias após a aplicação (FÁVARO et al., 1990; Quadro 22). Essa queda ocorreu unicamente como resultado da diluição do zinco, com o crescimento foliar, uma vez que não foi detectada translocação do zinco das folhas que receberam a pulverização para as folhas novas, que surgiram após a aplicação dos tratamentos, como será discutido a seguir. Os teores foliares de zinco, observados aos três dias, não se modificaram aos 30 e 60 dias após as pulverizações; isso indica não ter havido exportação do zinco da folha madura, que recebeu o tratamento, para outras folhas, seja basípeta ou acropetamente. Deve-se salientar que as folhas coletadas aos 3, 30 ou 60 dias, após a pulverização, representaram sempre o terceiro ou o primeiro par, à época da aplicação dos tratamentos (FÁVARO et al., 1990). Quadro 22

Teores de zinco em folhas em crescimento à época da pulverização para os vários tratamentos

Tratamento ZnSO4 ---------

KCl Uréia (%)

--------

Testemunha

Par foliar à época da pulverização terceiro inexistente primeiro 60* 60 3 30 ______________ _________________ Zn (ppm)

60

7

9

21

12

6

0,10

0,60

-

28

11

62

14

9

0,27

-

-

40

13

37

13

9

0,27

0,27

-

46

13

97

15

13

0,60

-

-

70

12

48

13

10

0,60

-

1,00

68

12

74

15

8

0,60

0,10

-

100

10

144

16

10

0,60

0,60

-

93

12

218

15

14

0,60

0,60

1,00

91

11

104

15

13

0,93

0,27

-

142

12

171

16

10

0,93

0,93

-

155

11

241

17

9

0,93

1,20

-

158

11

289

17

9

1,20

0,93

-

212

14

282

18

14

* Dias após as pulverizaçãoes. FÁVARO et al., 1990. O zinco é classificado como elemento parcialmente móvel no cafeeiro (MALAVOLTA, 1980). Contudo, os dados apresentados do Quadro 23 indicam uma baixíssima mobilidade, ou mesmo imobilidade do zinco, quando aplicado a uma folha madura, em direção a outras folhas, surgidas posteriormente. As folhas correspondentes ao terceiro par, à época da pulverização, que receberam a aplicação, possuíam elevados teores de zinco, conforme o tratamento (V no Quadro 23), ao passo que as folhas surgidas após a aplicação, no mesmo ramo, apresentavam baixos teores de zinco, independente do tratamento (N no Quadro 23), ou seja, não ocorreu exportação de


zinco, após ser absorvido por uma determinada folha, pelo menos até os 60 dias. Resultado semelhante foi encontrado por RENA et al., (1990), onde os teores no terceiro par, pulverizado, foram sempre maiores que no segundo ou quarto pares nãopulverizados. Descrevem, ainda, que não houve diferença entre a concentração de zinco no segundo ou quarto pares e a testemunha (Quadro 24).

QUADRO Teor de zinco aos 60 dias após a primeira (agosto) e a terceira (janeiro) 23 pulverização, em folhas do terceiro par, à época da aplicação (V) e do terceiro par verdadeiro, à época da amostragem (N) PULVERIZAÇÃO tRATAMENTO pRIMEIRA tERCEIRA ZnSO4 V N V N KCl __________ (%) _________ __________________ (ppm) ____________________ 0,27 0,27 46,3 11,3 40,7 10,0 0,27 0,93 55,1 11,7 64,8 9,9 0,93 0,27 141,7 11,0 116,0 10,2 0,93 0,93 154,7 10,5 142,1 10,0 0,10 0,60 28,3 10,2 20,7 10,1 1,10 0,60 215,4 10,8 195,6 10,2 0,60 0,10 100,3 10,4 85,1 9,9 0,60 1,10 112,0 10,4 118,2 10,3 0,00 0,27 7,2 9,8 10,8 10,0 0,27 0,00 40,1 10,5 28,3 10,2 1,20 0,93 212,1 10,6 264,2 9,9 0,93 1,20 158,3 10,4 161,4 10,3 0,60 0,60 93,1 10,8 108,8 9,6 0,00 0,00 7,7 10,6 8,3 9,9 V. Folhas correspondentes ao terceiro par, à época da pulverização e sexto ou sétimo par, à época da amostragem. N. Folhas que não existiam à época da pulverização, correspondentes ao terceiro par, à época da amostragem. FÁVARO, 1992. Entretanto, os resultados mostrados nos Quadros 23 e 24 são incompatíveis com o que é descrito por MULLER (1965), segundo o qual ocorre translocação para o ápice, em um mesmo ramo do cafeeiro, corrigindo deficiência dos novos surtos de crescimento, se um ramo deficiente for pulverizado. Estudando a translocação de vários compostos em café, PEREIRA et al., (1963) concluíram que o 65Zn se move em menor proporção no cafeeiro que em outras plantas. A imobilidade do zinco aplicado às folhas de cafeeiros deve estar relacionada ao pequeno transporte desse mineral no floema, ou à forma com que o mineral se encontra no tecido vegetal. Assim, o zinco aplicado via folhas, utilizando-se o sulfato de zinco, provavelmente deve permanecer nas folhas na forma de íons livres, o que então dificultaria o seu transporte. Entretanto,


MALAVOLTA et al., (1995) constataram maior mobilidade do zinco no cafeeiro, quando aplicado na forma de lignossulfonato sugerindo que o quelato exerce o papel de um carreador do elemento. Quadro 24

Médias dos teores foliares de zinco nos segundo, terceiro e quarto pares de folhas de mudas de café

Tratamentos

Par foliar Segundo Terceiro Quarto

To = EXTRAVON + ÁCIDO BÓRICO

13 Aa*

11 Ca

9 Aa

+ OXICLORETO DE COBRE To + SULFATO DE ZINCO (SZn)

12 Ab

28 Ba

10 Ab

To + SZn + URÉIA

10 Ab

32 Ba

9 Ab

To + SZn + CLORETO DE POTÁSSIO (KCl) 13 Ab

120 Aa

11 Ab

To + SZn + URÉIA + KCl

107 Aa

11 Ab

CV (%)

15 Ab

19,5

As médias seguidas pela mesma letra maiúscula, na vertical, e minúscula, na horizontal não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 1% de probabilidade. (Adaptado de RENA et al., 1990).

6.4 – Crescimento vegetativo e reprodutivo do cafeeiro em função do teor de zinco Estudou-se a área foliar acumulada em função do teor de zinco nas folhas (FÁVARO, 1992; Figura 9). Observou-se ligeiro incremento na expansão foliar, quando os teores encontravam-se entre 20 e 30 ppm e que os efeitos começaram a ser notados apenas 58 dias após a primeira pulverização e se acentuaram a partir do 108º dia, quando já haviam sido feitas duas pulverizações. Teores mais elevados acarretaram redução na expansão foliar, indicando efeito fitotóxico do zinco.

FIGURA Área foliar acumulada em função do teor foliar de zinco, nos diferentes dias de medição da primeira fase do estudo de crescimento, no campo (FÁVARO, 91992).


No trabalho de FÁVARO (1992) não se observaram sintomas visuais de deficiência de zinco na testemunha, ao contrário do que se esperava, uma vez que o teor do elemento estava próximo de 7ppm e que tais sintomas são comuns na região de Viçosa, em cafeeiros jovens não tratados com zinco. É possível que tenha ocorrido “fome escondida” e, embora as plantas testemunhas possuíssem aparência saudável, não expressaram toda a sua potencialidade em termos de crescimento e produção (Figuras 9 e 10). Baixos teores foliares de zinco afetaram mais a produção de frutos que o crescimento vegetativo (FÁVARO, 1992), talvez devido ao papel fundamental que o zinco exerce especificamente na fertilização. Os grãos de pólen possuem quantidades apreciáveis de zinco, sendo esse mineral indispensável para a germinação do tubo polínico (SHARMA et al., 1987). Com relação aos aspectos de toxidez provocada por teores elevados de zinco nas folhas, a redução na expansão foliar verificada sob altos níveis de zinco (Figura 9), embora não tenha sido visualmente detectada, concorda com o citado por MALAVOLTA (1980), que relata também a ocorrência de pigmento pardo avermelhado, provavelmente um fenol. SILVA (1979) observou que, sob teores maiores que 41 ppm de zinco, as folhas mais novas de cafeeiros tornaram-se generalizadamente amarelecidas, coreáceas e quebradiças, com aparecimento exagerado de folíolos nas gemas, e que a produção de frutos diminuiu. Observe-se que esse sintoma de toxidez é muito semelhante ao sintoma de deficiência. Realmente, a produção de frutos foi, aparentemente, a característica mais afetada pela nutrição com zinco, principalmente sob teores elevados do mineral (Figura 10). Os efeitos tóxicos, em conseqüência de altas doses de zinco, podem estar relacionados a várias causas, como interações do zinco com outros minerais, como ferro e fósforo, bem como a efeitos diretos do zinco na fotossíntese ou na distribuição de fotoassimilados da fonte para o dreno.

FIGURA Produção de frutos em função do teor foliar médio de zinco, durante o período de agosto a março. ** significativo ao nível de 1% de probabilidade, pelo teste 10 f. (FÁVARO, 1992).

Como os frutos em desenvolvimento são drenos preferenciais, observa-se efeito mais pronunciado na produção que no crescimento. Tanto é verdade que o teor que permitiu a maior produção (Figura 10) (19 – 20 ppm) foi menor que o teor que ocasionou maior acúmulo de área foliar (28 ppm) (Figura 9).


Pela Figura 10, constata-se que o limiar de deficiência e de toxidez de zinco foi muito estreito. Quando se faz um estudo da relação entre os teores médios de zinco, ao longo do período reprodutivo (agosto a março), e a produção de frutos, observa-se que a produção máxima foi obtida com 20 ppm de zinco nas folhas; e 10% de redução da produção máxima corresponderam a níveis críticos de deficiência e de toxidez de 6 e 47 ppm, respectivamente. Nota-se que o teor de zinco que permitiu a maior produção é bem próximo do nível crítico de deficiência, o que indica que a aplicação de pequenas doses de zinco pode suprir o cafeeiro deste mineral; principalmente quando se adiciona cloreto de potássio, dada a grande eficiência na absorção foliar do zinco pelo cafeeiro. A faixa de teores associada à produção máxima de cafeeiros encontrada por FÁVARO (1992) assemelha-se às observadas por outros autores. SILVA (1979) relaciona teores foliares de zinco entre 15,9 e 19,4 com a produção máxima de cafeeiros, enquanto GUIMARÃES et al., (1983) observaram que teores entre 21 e 25 ppm de zinco eram os mais adequados. MALAVOLTA et al., (1983) citam uma faixa um pouco mais ampla, entre 11 a 20 ppm de zinco e MALAVOLTA (2000) entre 8 e 16ppm. Entretanto, OLIVEIRA et al., (1981) relacionam 70 ppm de zinco com a maior produção. Todavia, as concentrações de sulfato de zinco recomendadas para atingir tais teores têm sido bem mais elevadas que as detectadas por FÁVARO (1992). Pelas figuras 8abc, verifica-se que, para se conseguir 20 ppm, aos três dias na primeira (agosto) e na terceira (janeiro) pulverizações, foram necessários, respectivamente, apenas 0,12 e 0,17% de sulfato de zinco, isoladamente, ou menos, quando se associou cloreto de potássio. Já na Segunda (novembro) pulverização foram precisos 0,45% de sulfato de zinco, isoladamente, ou 0,10%, quando se colocou 0,20% de cloreto de potássio. O uso de cloreto de potássio deve ser efetuado com muito cuidado, uma vez que altas concentrações deste sal podem elevar o teor foliar de zinco a níveis tóxicos, mesmo que a dose de sulfato de zinco seja pequena. Assim, aconselha-se utilizá-lo com a intenção de diminuir a dose de sulfato de zinco, o que é economicamente muito interessante, principalmente quando se adiciona cobre à solução de pulverização. Dessa forma, os resultados apresentados na Figura 8 permitem recomendar, com segurança, a pulverização de cafeeiros com soluções de sulfato de zinco em concentrações entre 0,1 e 0,2%, acrescentando-se cloreto de potássio 0,2%, na presença ou na ausência de oxicloreto de cobre. Ressalta-se que a adição de cloreto de potássio é muito mais importante quando se inclui oxicloreto de cobre à solução de pulverização. As concentrações recomendadas no Brasil, citadas na literatura, são na maioria dos casos, superiores às encontradas por FÁVARO (1992). PEREIRA et al., (1976) recomendam a aplicação de sulfato de zinco 0,75%, 4 a 6 vezes por ano. Sulfato de zinco 0,6%, 3 a 4 vezes é o recomendado por FRANCO e MENDES (1954), CHEBABI e GONÇALVES (1970), PEREIRA et al., (1984) e SILVA e SANTINATO (1986). Já OLIVEIRA et al., (1981), GUIMARÃES et al., (1983) e CHAVES (1989) indicam a aplicação de sulfato de zinco 0,5% 2 a 3 vezes. Em aplicações a baixo volume chega-se a recomendar 4% de sulfato de zinco (MONTEIRO et al., 1968). Já na Índia, indica-se, em geral, a aplicação de sulfato de zinco 0,25% (ANANTH et al., 1965; ANANTH, 1971; RAO, 1978) o que é bem mais próximo do obtido no trabalho de FÁVARO (1992).


A intensidade dos sintomas não é um bom índice para determinação da concentração de zinco a ser utilizada na pulverização, como sugere MULLER (1966). Dada a grande eficiência na absorção foliar de zinco e a sua imobilidade, deve-se aplicá-lo em pequenas doses, cobrindo bem a periferia da planta, e num intervalo nunca superior a 60 dias, nos períodos de rápido crescimento. Muitas vezes, aplicam-se altas doses de zinco, visando corrigir deficiências agudas, e coletam-se folhas do terceiro par, para a análise após 60 dias. Entretanto, essas folhas não receberam a pulverização e, portanto, apresentam teores baixos de zinco. Assim, faz-se outra aplicação, com doses também elevadas, o que gera um efeito cumulativo, o qual pode ser extremamente prejudicial à fisiologia e à produção do cafeeiro, pois existirão sempre folhas altamente intoxicadas e, as mais jovens, deficientes.

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