Issuu on Google+

Informativo CNC/FPC Brasília, 1º de fevereiro de 2010.

Cooperativas vão propor transformação das dívidas em CPR’s e plano para gestão da safra 2010/11 Em reunião do CNC, na cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), lideranças aprovaram conjunto de medidas visando suporte para o setor administrar uma das maiores safras da história e buscar renda.

Embora reconheçam pontos positivos no conjunto de ações que o governo apresentou em apoio aos pleitos dos cafeicultores, os quais vivem a maior crise de sua história — com crônico endividamento e crescente perda de renda na atividade —, as cooperativas de café não estão nada satisfeitas com o resultado prático das medidas e vão propor um conjunto de novas ações que possam resolver o endividamento e dar maior sustentabilidade ao setor produtor, entre as quais, a transformação do estoque de dívidas em Cédula de Produto Rural (CPR). De maneira geral, este foi o sentimento exposto em reunião promovida pelo Conselho Nacional do Café (CNC), na sede da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso), nesta segunda-feira (1º), com a participação de dirigentes de cooperativas, sindicatos e representação política do setor e do governo federal. Não temos dúvidas que ocorreram avanços, mas o movimento SOS Café, iniciado através de audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, e levado à rua, com mais de 25 mil pessoas, no município de Varginha, em 2009, deu o tom, o qual não foi alcançado pelas propostas governamentais. Pedimos uma auditoria nos débitos dos cafeicultores, mas não há efetividade nas ações em função da fragilidade das políticas públicas do governo frente à gravidade da situação do produtor. De maneira geral, o cafeicultor brasileiro deve uma safra, alguns até mais. Um caminho é transformar o que devemos em CPR´s, sendo esta uma medida inteligente que acaba com o nosso estoque de dívidas. Sentimos que o governo ainda não levantou o real endividamento da cafeicultura. Pedimos isso no SOS Café, mas acreditamos que o poder público ainda não tomou ciência da gravidade da situação da atividade cafeeira. Isso porque as medidas adotadas apenas nos ajudaram a respirar, não sendo realmente eficientes. Durante a reunião, o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, também se mostrou insatisfeito com a aplicação de alguns pontos das medidas que não atingiram os objetivos. “Não tem sido fácil conduzir as políticas públicas para o café, principalmente porque a vulnerabilidade do produtor é muito grande. As medidas não alcançaram a eficácia que esperávamos no contrato de opções e, em função da análise de risco dos produtores, muitos bancos não implementaram as medidas que baixamos”, disse o representante do governo.

Conselho Nacional do Café – CNC SGAN, Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA – Salas 5 e 6 - CEP 70830-903 – Brasília – DF Telefone: (61) 2109-1637 – Fax: (61) 2109-1638 e-mail: imprensa@cncafe.com.br


Sobre o atraso no pagamento do primeiro leilão de opções, que venceu em 15 de dezembro de 2009 e só foi pago na semana passada, o secretário disse que ocorreu devido a questões orçamentárias. “Tivemos problema de orçamento. Porém, no final do ano passado, conseguimos mais R$ 780 milhões para estas operações e quem teve papel fundamental para que isso fosse aprovado, no Congresso, foi o deputado Carlos Melles”, relatou Bertone. Vendo isso, consideramos que o Ministério da Agricultura está solitário na política do café, conforme elucidou o consultor técnico do CNC, Francisco Ourique, ao longo da reunião. Ele mostrou que o conjunto de medidas baixadas para a safra 2009/10, totalizando aporte de recursos da ordem de R$ 2,7 bilhões, teve saldo importante não aplicado, o que demonstra que as linhas foram operacionalizadas fora do tempo e, também, a dificuldade do setor em pactuar novos financiamentos. Levando em conta esse fator, Bertone recordou que é fundamental a reabilitação de “alguns instrumentos de políticas públicas para o café”. A nossa obrigação é arrumar fórmulas para fazer esses mecanismos funcionarem. O dinheiro está aí, mas não podemos usá-lo, pois não temos garantia. Quando tivermos alguém avalizando, os bancos vão nos procurar e as cooperativas de produtores terão um papel ainda mais relevante a desempenhar. “O cooperativismo tem que ser usado como instrumento de formulação de políticas públicas”, endossou Bertone. Audiência com Stephanes — Ao final do encontro, o deputado Carlos Melles anunciou que havia solicitado uma audiência, há poucos dias, com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, a qual foi agendada para esta terça-feira (02), às 16h. As lideranças do setor cooperativista participarão desse evento, conforme ficou acertado. Na reunião realizada hoje, em São Sebastião do Paraíso (MG), estavam presentes lideranças das seguintes cooperativas: Cooparaíso, Minasul, Coopercam, Cooperrita, Coopama, Credivar, Cocatrel, Coopassa, Coopinhal, Cocapec, Cocarive, Capebe, Coccamig e Unicoop, além de lideranças de sindicatos rurais, prefeitos e o deputado estadual Antonio Carlos Arantes.

Atenciosamente,

Gilson Ximenes Conselho Nacional do Café Presidente

Carlos Melles Frente Parlamentar do Café Presidente

Conselho Nacional do Café – CNC SGAN, Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA – Salas 5 e 6 - CEP 70830-903 – Brasília – DF Telefone: (61) 2109-1637 – Fax: (61) 2109-1638 e-mail: imprensa@cncafe.com.br


Reuniao Cooparaiso