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BOAS PRÁTICAS PARA USO EFICIENTE DE FERTILIZANTES NA CULTURA DO CAFÉ.

RESUMO: A gestão para atingir qualidade da adubação do cafeeiro é fundamental para obter maior eficácia dos fertilizantes, a qual depende da aquisição e o armazenamento do insumo, o sistema de implantação e de produção da cultura, a correção do solo e as fertilizações minerais e organominerais. A correção do solo em profundidade na implantação da cultura aumenta o volume explorado pelo sistema radicular, com maior eficiência no uso da água e dos nutrientes e menores riscos de perda de produção por veranico. A adoção de plantios adensados contribui para a reciclagem de nutrientes, pela exploração de maior volume de solo, com aumento da fertilidade. O conhecimento dos aspectos fisiológicos e bioquímicos relacionados à nutrição do cafeeiro possibilita a compreensão acerca do processo e amplia a capacidade de decisão sobre o programa de adubação, em relação à fonte do fertilizante, dose de nutrientes e época de aplicação. O uso da “cafeicultura de precisão” para as amostragens de solo e de plantas, necessárias para a avaliação dos resultados da fertilização aplicada em taxa variável e do estado nutricional do cafeeiro, (correção + carga pendente) são baseadas nesses conhecimentos com a finalidade de obter a máxima produtividade econômica. 1. Introdução. Um dos desafios da cafeicultura moderna consiste na adoção de sistemas de produção sustentáveis que minimizem as perdas, em especial dos fertilizantes, para que a máxima produtividade econômica seja compatível com os investimentos realizados. De acordo com a Comissão Nacional do Café, a época favorável as negociações e obtenção de preços menores dos fertilizantes ocorrem nos meses de maio e junho. 2. Sistema de produção do cafeeiro: são discutidos os aspectos relacionados com formação de mudas, implantação da lavoura, densidade de plantio e fertilidade do solo, para a gestão eficaz da adubação e da nutrição do cafeeiro. 2.1.Formação de mudas: a formação de mudas sadias e o plantio sem prejuízos as raízes são necessários para o sucesso da cafeicultura e o uso eficiente da água e nutrientes. A adoção da semeadura direta garante plantas com sistema radicular intacto, na base do recipiente, com um corte a 2 cm do fundo do saquinho de 84 furos. 2.2. Implantação da lavoura: as raízes do cafeeiro devem explorar camadas mais profundas e faz-se necessário adotar mudanças no preparo tradicional do solo para o plantio das mudas. Com o preparo vertical, corrige-se grande volume de solo na superfície e em profundidade pela aplicação dos insumos usando dreno-subsolador com saídas de insumos a 50 cm e 75 cm em relação à superfície do solo. Após o drenosubsolador, usa-se um implemento para complementar a aplicação de corretivos e fertilizantes e misturá-los ao solo com uma enxada rotativa, na profundidade e largura de trabalho de 60 cm. Em razão da baixa redistribuição do nitrogênio, fósforo, potássio,


cálcio e boro, estes nutrientes devem ser aplicados nos locais em que se deseja a presença das raízes. (maior crescimento radicular). Para que haja fornecimento contínuo ao longo do tempo, recomenda-se aplicar quantidade maior de boro em sulco profundo (dreno-subsolador), usando fonte de solubilidade gradual (Ulexita) para evitar a lixiviação e o risco de toxidez. Com o preparo vertical do solo associado com o consórcio cafeeiro-braquiária, em decorrência do grande volume de raízes da forrageira ocorre à melhoria dos atributos físicos, condição necessária para o uso eficiente do fertilizante. (solos compactados) 2.3. Densidade de plantio e fertilidade: em cafezais adensados, os riscos de perdas de nutrientes por lixiviação são menores, havendo diminuição da oxidação da matéria orgânica e favorecimento da reciclagem de nutrientes. Pavan e outros constataram aumento de pH, matéria orgânica, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, além de redução de alumínio trocável e maior retenção de água. A melhoria dos atributos físicos e químicos do solo implica a possibilidade de reduzir a quantidade de fertilizantes. Quando os teores estão adequados 16 a 30 mg/dm³ de fósforo, 0,16 a 0,30 cmolc/dm³ de potássio e 0,5 a 1 cmolc/dm³ de magnésio, a resposta das plantas à fertilização é reduzida, razão pela qual é indicada adubação de manutenção, exceto para o potássio. Como conseqüência do adensamento pode-se admitir também que aumentará a eficiência em relação ao aproveitamento do nitrogênio. Essa eficiência se deve aos resíduos do próprio cafezal (folhas e ramos), que contribuem com 80 kg ha de N reciclado. 3. Calcário e Gesso agrícola: a gestão eficaz da adubação e nutrição do cafeeiro depende da correção dos atributos químicos do solo, tanto na camada superficial como em profundidade. 3.1 Calcário: a calagem, condição necessária para o uso eficiente dos adubos, pode aumentar em 25% a produção total. Em solo com pH CaCl² de 5,5 ocorre insolubilização de alumínio e oxidação de manganês, evitando o risco de toxidez para as plantas. Em cafezal formado, em que as aplicações de calcário são feitas na superfície, as amostras de solo retiradas dos primeiros 20 cm de profundidade podem fornecer indicadores incorretos para o manejo. (necessidade da análise das amostras retiradas dos primeiros 10 cm de solo) Assim com a amostragem dos primeiros 20 cm da superfície do solo, se avalia a necessidade de fertilizantes. A avaliação superficial (5-10 cm) contribui para diagnosticar a reação do solo e o acúmulo de nutrientes, como acontece com o fósforo. O uso de calcário sobre calcário aumenta o custo de produção e diminui a eficiência do fósforo por retrogradação, transformando o fósforo solúvel em fósforo insolúvel. Como a eficiência do fósforo será menor, é necessário aumentar a dose para compensar a perda de parte do fósforo solúvel, uma possível explicação para as respostas às altas doses deste nutriente. As análises de amostras coletadas a 20-40 cm e 40-60 cm de profundidade são indicadas para avaliar impedimentos químicos ao desenvolvimento radicular, deficiências de cálcio e boro ou excesso de alumínio. Para fins de cálculo da dose de calcário, adotar o método do equilíbrio das bases. (3 a 5 % K, 10 a 15% Mg e 40 a 50% de Ca e saturação por bases desejada para o cafeeiro, da ordem de 60 a 70%).


3.2. Gesso agrícola: a presença de baixo teor de cálcio e/ou elevado teor de alumínio na camada subsuperficial inibe o crescimento radicular em profundidade, diminuindo a quantidade de água e nutrientes absorvidos pelo cafeeiro, com prejuízo para a produção, principalmente quando ocorre veranico. Em relação ao uso de altas doses de gesso, deve-se ressaltar que esse produto não se solubiliza de uma única vez. O processo se dá entre 20 e 30% ao ano e depende da atividade da argila do horizonte B. Mac Leod, Gupta e Stanfield verificaram redução do teor de molibdênio foliar após aplicação de 59 kg ha de enxofre. Os íons sulfato liberados pelo gesso competem com o íon Molibidato pelo mesmo sitio de absorção radicular. A aplicação de altas doses de gesso associada à aplicação de altas doses de K2O, em geral superiores a 200 kg ha, pode demandar o fornecimento de magnésio, pela facilidade que este nutriente apresenta de ser carreado em profundidade, em razão da competição com cálcio e potássio. Para cafeeiros que recebem altas doses de gesso recomenda-se o fornecimento de 120 gramas/há de molibdênio via foliar em duas doses de 60 g ha cada aplicadas em dezembro e fevereiro, assim como de 100 a 200 kg ha de Trimag em área total, nos meses de julho e agosto. (óxido de magnésio acidulado/granulado). Embora vários estudos mostrem o potencial de uso do gesso na cafeicultura, ainda existe dúvida quanto ao critério a ser utilizado para a sua recomendação. Para culturas perenes, Cabrera e Adubos Triângulo propuseram calcular a dose de gesso pela expressão: ng = 2,5 x 0,10 a 0,15 x CTC, em que: ng = dose de gesso em kg ha. 2,5 = fator de cálculo. 10 a 15% da CTC = capacidade de troca de cátions. 4. Adubação nitrogenada: o cafeeiro é uma das espécies mais exigentes em nitrogênio, com recomendações variando entre 150 a 450 kg ha, de acordo com as condições da lavoura e a expectativa de produção. Ressalta-se que em cafeeiros irrigados têm sido usadas doses iguais ou superiores a 600 kg de N por ha. 4.1 Época de aplicação de nitrogênio: o cafeeiro possui duas fases de intenso metabolismo e demanda de nutrientes. A primeira fase ocorre no desenvolvimento das flores, quando os botões florais expandem-se rapidamente e há expressivo aumento de matéria seca. A segunda fase consiste no desenvolvimento do fruto, durante a formação do endosperma, pois são drenos fortes de carboidratos e minerais. É necessário que o cafeeiro esteja bem nutrido, com teores foliares adequados, entre 29 e 32 g kg. Assim, deve-se providenciar a amostragem de material vegetal para análise foliar após a granação dos frutos (abril e maio), com o intuito de avaliar o estado nutricional da planta antes do início da nova safra. Conclui-se que: a) deve-se iniciar a adubação nitrogenada antes do florescimento do cafeeiro, por volta de agosto/setembro; b) a maior parte da necessidade do nutriente (60 a 70%) deve ser alocada até dezembro; c) deve-se complementar o fornecimento (30 a 40%) na última aplicação, em fevereiro/março. 4.2 Amostragem e análise de solo e folhas: para a recomendação de corretivos e fertilizantes deve-se amostrar o solo entre abril e junho, de modo que os resultados estejam disponíveis em tempo hábil para que os cafeicultores possam aplicar calcário, Trimag, Gesso e também definir o programa de adubação.


Na cafeicultura de precisão o grid recomendado para coleta de solo é de 1 ha com amostras de 0-10, 0-20, e 20-40 cm, conforme o sistema de plantio e para lavouras de sequeiro/irrigado. Em relação às amostragens foliares para diagnóstico nutricional do cafeeiro, sugere-se que sejam feitas em novembro (primeira análise), janeiro (segunda análise) e abril (terceira análise) em amostras do terceiro e quarto pares de folhas, a partir da ponta de ramos produtivos, a meia altura, em 30 a 50 plantas por talhão (Malavolta, 1997). A Adubos Triângulo, através do método de “sentinela” sugere coletas diferenciadas para lavouras de sequeiro/irrigada acompanhadas pelo fertigrama Tecnores. Os resultados da análise da amostra coletada em novembro servem para avaliar o efeito do primeiro parcelamento e inferir sobre a necessidade de manter ou aumentar a dose da segunda aplicação. Os dados referentes à segunda amostragem (janeiro) indicam o estado nutricional do cafeeiro após os dois primeiros parcelamentos, assim como define a última dose do parcelamento em fev/março. Ressalta-se que os dados referentes à análise foliar da amostra coletada em abril têm como finalidade o diagnóstico do estado nutricional das plantas antes da colheita e de como, provavelmente, estará o cafeeiro no início da próxima safra. 4.3 Fontes de nitrogênio, lixiviação e volatilização: Várias fontes de nitrogênio são utilizadas para suprir a necessidade do cafeeiro. O uso de uréia e de formulações comerciais que contêm esta substância implica, quase sempre, perdas por volatilização na forma de amônia, que podem alcançar 70 a 80% da dose aplicada. Esse problema é freqüente quando a uréia permanece na superfície do solo sob orvalho ou chuva inferior a 15-20 mm, haja vista que a volatilização depende de umidade. A aplicação de uréia na época das águas não elimina o risco de perda por volatilização se ocorrer precipitação inferior a 20 mm seguida de estiagem. Para diminuir essa perda, usar nitrato de amônio ou sulfato de amônio para o primeiro parcelamento, feito em agosto/setembro, época seca e com risco de chuvas esporádicas. O controle químico das plantas daninhas nas entrelinhas do cafezal com glifosato e glufosinato de amônio potencializa a emissão de NH3 via foliar (volatilização) com perda de nitrogênio da palha dessecada. Esse processo diminui a reciclagem durante a decomposição do resíduo, com prejuízo para o aproveitamento do nitrogênio, cujas perdas são cumulativas com as dessecações. Em consórcio cafeeiro-braquiária, essas perdas podem ser minimizadas pelo uso de roçadeira, pela dessecação com Paraquat e por meio da aplicação localizada do glifosato ou glufosinato de amônio, na faixa de 3040 cm entre a projeção da copa e a forrageira na entrelinha. Em consórcio cafeeiro-braquiária, a forrageira contribui com nitrogênio proveniente da fixação não simbiótica por bactérias do gênero azospirillum. Assim, para a produção de 10 ton. ha ano de matéria seca e concentração de 12 g kg de nitrogênio na biomassa, tem-se 120 kg ha na composição da forrageira. Como 40% do nitrogênio foram incorporados pela fixação biológica, pode-se admitir a adição ao sistema de aproximadamente, 50 kg ha de nitrogênio sem custo para o cafeicultor. 5. Adubação fosfatada: o aproveitamento do fósforo mineral varia entre 5 a 20% do total aplicado. em linguagem não técnica, pode–se dizer que os solos tropicais são “sumidouros” de fósforo, o que sugere que a sua correção, no preparo do solo para implantação do cafezal, deve ser realizada em sulcos nos solos argilosos. Em solos de textura média e arenosa, pode-se aplicar o fertilizante fosfatado a lanço e incorporá-lo, sem grandes perdas por fixação. Para a correção do teor de fósforo no solo, podem ser aplicados fosfatos reativos, Termofosfatos ou pode-se substituir a fonte mineral por uma


fonte organomineral. Mais de 90% do fósforo chega à superfície das raízes por difusão, processo eficiente a curta distância. O crescimento das raízes é superior quando as adubações fosfatadas são feitas em profundidade. O fósforo é um nutriente muito importante na fase reprodutiva do cafeeiro, em particular, na pré-florada e florada, quando a planta acumula 50% da sua demanda. O decréscimo que ocorre no inverno pode estar relacionado à menor absorção pelas raízes, em razão de deficiência hídrica, baixa temperatura e pela redistribuição do fósforo para as raízes. Em razão dos problemas relativos à absorção radicular (água e temperatura) e considerando que a eficiência relativa da aplicação foliar é superior à eficiência obtida quando o fósforo é fornecido no solo (Malavolta, 1977), recomenda-se adicionar uma fonte deste nutriente nas aplicações de manejo fitossanitário. 5.1 Dose de fósforo: em lavoura de cafeeiro com 6 a 7 mil plantas ha e teor de P-resina igual a 13 mg /dm³, Gallo e outros (1999) obtiveram resposta à aplicação de 60 kg ha de P2O5, que resultou em P-resina superior a 20 mg/dm³. Rocha e outros (2000), a adubação fosfatada proporcionou rendimentos crescentes com o aumento da dose do nutriente e a maior resposta foi obtida com a aplicação de 120 kg há de fósforo, independentemente do espaçamento do cafeeiro e das doses de nitrogênio e de potássio. Guerra e outros (2007) e Reis (2009), obtiveram resposta a doses crescentes de fósforo. a produtividade do cafeeiro irrigado, na média de três safras, variou de 41,6 sacas ha sem P205 a 72,1 sacas ha com o fornecimento de 400 kg ha de P205. Para os autores as recomendações oficiais de 100 kg ha (Guimarães, 1999) e 160 kg ha de P205 (Andrade, 2004) são conservadoras, pois consideram baixa a exigência do cafeeiro adulto, devido à pequena exportação de fósforo nos grãos. Em estudo recente de doses crescentes de fósforo em cafeeiro irrigado em solo de cerrado, reis (2009) constatou aumento linear de produtividade em função da dose (sem fósforo, 50 kg ha, 100 kg ha, 200 kg ha e 400 kg ha de P205). a concentração foliar de fósforo aumentou exponencialmente com disponibilidade do nutriente até 200 kg ha de P205 (1,9 g kg), não apresentando aumento além disso, com a aplicação de 400 kg ha de P205. Na testemunha (sem fósforo) detectou-se a presença de 0,29 cmolc/dm³ de potássio, 0,15 cmolc/dm³ de magnésio e 0,6 cmolc/dm³ de cálcio, na média de duas profundidades (0-10 cm e 10-20 cm). Nessas condições, pode-se admitir que houve inibição competitiva entre potássio e magnésio, com menor absorção deste último. Ressalta-se que ao magnésio é atribuída a função de “carregador de fósforo” (Malavolta, 2006). Assim, pode-se inferir que a absorção de fósforo foi prejudicada pela deficiência de magnésio e que, de certa forma, houve compensação pelas altas doses aplicadas. Há resposta à aplicação de fósforo em solo com alto teor deste nutriente, desde que o magnésio não seja limitante. Deve-se salientar que todo o fósforo pode ser aplicado no primeiro parcelamento, assim como se pode associar uma fonte deste nutriente nas pulverizações foliares usuais para ajustar a sua concentração, em razão dos fatores que afetam sua absorção do solo, em especial devido à necessidade hídrica. 6.Adubação potássica: o potássio é o segundo nutriente mais exigido pelo cafeeiro e sua recuperação varia entre 50 a 70%, quando aplicado no solo. O potássio trocável é o índice mais utilizado para avaliar a disponibilidade do nutriente no solo. Também tem sido adotada a porcentagem de saturação de potássio em relação à CTC, a qual não deve ultrapassar 3% nos solos de cerrado (Vilela, Souza, Silva, 2002).


O teor adequado de potássio no solo varia entre 0,15 cmolc/dm³ e 0,30 cmolc/ dm³, além do qual, espera-se baixa resposta à adubação com este nutriente. As doses elevadas de potássio foram mais responsivas na safra baixa do que na safra alta. 6.1.Interação entre potássio e magnésio: Carvalho e Bernardi (2004) relataram que adubações elevadas de potássio, acima de 150 kg ha, na cultura do algodoeiro, inibem a absorção de magnésio. Ressalta-se que o cafeeiro é adubado com dose superior a 150 kg ha de K20, o que prejudica a absorção de magnésio, cuja concentração foliar adequada é de 4,0 a 4,5 g kg. No cafeeiro, o período de maior exigência de potássio coincide com a fase de crescimento dos frutos, pois nas fases de pré-florada e florada são absorvidos 25%, enquanto na expansão e granação, são absorvidos 31%, acumulando 56% da demanda total deste nutriente entre agosto e março. Diante do exposto, a adubação potássica pode ser feita em três aplicações, nas mesmas épocas da adubação nitrogenada, com início antes do florescimento, por volta de agosto/setembro, alocando de 60% a 70% da necessidade da cultura até novembro/dezembro, complementando-se o fornecimento (30% a 40%) na última aplicação em fevereiro/março. 7.Micronutrientes: para o uso racional de micronutrientes, torna-se fundamental conhecer os teores disponíveis no solo, as condições físico-químicas que afetam a sua disponibilidade e o estado nutricional do cafeeiro, avaliada pela análise foliar. a qualidade da interpretação dos resultados da análise química de solo depende do uso de extratores eficientes. Para determinar boro, usa-se água quente, enquanto para zinco, manganês, ferro e cobre são usados os extratores Mehlich e DTPA. A análise foliar é uma ferramenta importante para o diagnóstico do estado nutricional e orienta as adubações tanto no ciclo atual como do próximo ano agrícola. Os estudos realizados sobre micronutrientes em cafeeiro evidenciam que os mais limitantes à produtividade são principalmente, boro e zinco. Em alguns casos, há deficiência de cobre, como em situações nas quais não são usados fungicidas cúpricos. 7.1 Zinco: a aplicação deste elemento é eficiente na correção de solos de textura média e arenosa, enquanto em solos argilosos os resultados são obtidos a médio e longo prazos. Guimarães e outros (1985) recomendaram a aplicação de 6 kg ha ano a 15 kg ano de ZnS04 no solo. Pela via foliar, sugeriram fazer duas a quatro aplicações anuais de 3 g a 5 g/litro de ZnSO4 em mistura com 2 g de KCl/litro para que todas as emissões foliares sejam atingidas. Aconselharam que as aplicações de zinco fossem feitas em setembro (antes das primeiras chuvas ou início do enfolhamento), janeiro (pleno desenvolvimento vegetativo) e abril (início do período seco). Os parcelamentos das aplicações de ZnSO4 são mais importantes do que as quantidades aplicadas pela baixa mobilidade do nutriente no floema. 7.2 Boro: a deficiência ocorre em solos pobres em matéria orgânica, pela lixiviação com a chuva e irrigação e pela redução da disponibilidade provocada pela calagem. as doses de boro aplicadas em solos de textura média e arenosa devem ser inferiores aquelas utilizadas em solos argilosos, pois podem elevar os teores na planta e causar toxidez. Para fertilizações no solo, Guimarães e outros (1999) recomendaram aplicar, no início do período chuvoso, 2 a 3 kg de boro solúvel por ha quando o teor no solo for baixo e optar pela liberação gradual do nutriente quando o teor no solo for médio. Na aplicação foliar, sugeriram o parcelamento de solução de 3 a 5g de ácido bórico por litro de água em duas a quatro vezes, de novembro a março.


7.3. Cobre: a deficiência pode ser comum em solos pobres de cerrado, com pH elevado pela calagem e teor alto de matéria orgânica. Guimarães e outros (1999) e Raij e outros (1996) recomendaram aplicar de 3 a 5 g de sulfato de cobre por litro de água. 7.4. Manganês: em solos com pH elevado e alta produtividade, pode ocorrer deficiência. Raij e outros (1996) preconizaram que a correção deve ser feita com a aplicação de 10 g de Sulfato de Manganês por litro de água. 7.5. Níquel: esse elemento aumenta o florescimento e a porcentagem de pegamento das flores em laranjeira (Malavolta, 2006) e ativa a enzima uréase, necessária para reduzir o acúmulo de NH4 tóxico nas folhas. Os sintomas de deficiência acontecem pelo baixo teor disponível no solo, excesso de zinco, altos teores de cálcio, magnésio e cobre e altas doses de adubos fosfatados, que reduzem a disponibilidade no solo e/ou na planta. A Adubos Triangulo recomenda aplicação foliar de “CoMoNi” em novembro e janeiro na dosagem de 250 ml /ha. 8.Fertilizantes orgânicos e organominerais: a senescência natural das folhas, flores, ramos e frutos promove a formação, na superfície do solo, da serrapilheira ou horizonte orgânico, cuja decomposição por micro-organismos e outros animais produz húmus, o qual, associado aos minerais liberados, resulta na formação natural de “fertilizantes organominerais”. Durante dez anos, foram aplicados anualmente, de uma única vez, na projeção da copa do cafeeiro, fertilizantes minerais, orgânicos e organomineral. os resultados da pesquisa comprovaram que a combinação da fonte mineral com a orgânica (organomineral) foi igual ou superior à adubação exclusivamente orgânica ou mineral. Malavolta (1967) relatou que a recuperação média de nitrogênio, fósforo e potássio dos fertilizantes minerais, no primeiro ano de cultivo, foi igual a 60%, 12% e 60%. Para a Comissão Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo (1987), no primeiro cultivo, são utilizados, 50%, 60% e 100% do nitrogênio, fósforo e potássio, contido nos fertilizantes orgânicos. Os resíduos orgânicos presentes na propriedade ou em quantidade na região, devem ser usados na fertilização do cafeeiro, descontando-se as quantidades de nutrientes assim fornecidas da dose total de fertilizante programada, utilizando-se fertilizante mineral para complementá-la. A aplicação de fertilizante organomineral aumenta a produtividade e reduz as perdas de nitrogênio e potássio por lixiviação, que ocorrem abaixo de 120 cm de profundidade comparativamente à aplicação de fertilizante mineral junto com fertilizante orgânico. 9.Considerações finais: embora os minerais representem somente 5% da composição química da matéria seca de plantas, quando há deficiência de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, sódio, boro, cobre, ferro, manganês, zinco, molibdênio, cobalto e níquel, a planta não sobrevive, são essenciais em inúmeros processos fisiológicos e bioquímicos. a produtividade econômica do cafeeiro depende do fornecimento de nutrientes orgânicos e minerais e a máxima eficiência na recuperação do que foi aplicado dificilmente acontecerá em solos com impedimentos físicos, químicos e biológicos que restrinjam o crescimento das raízes. Deve-se salientar, também, a importância da aplicação dos nutrientes em dose necessária e época adequada utilizando fonte que contribua para o maior aproveitamento pelo cafeeiro, com menos perdas, como ocorre em plantas bem nutridas, condição necessária, tanto do ponto de vista ambiental quanto do econômico, para gerar renda para o cafeicultor que viabilize sua atividade sem danos aos recursos ambientais.


Referências bibliográficas: Boas práticas para uso eficiente de fertilizantes volume 3 – Cultura do café. (capítulo 10) José Laércio Favarin, Tiago Tezotto, Ana Paula Neto e Adriene Woods Pedrosa. (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, SP. Apostila adubos triangulo – fertilidade em tempo real.

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