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onconotícias Publicação trimestral do Instituto de Oncologia Sul Capixaba NOVEMBRO de 2016

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ESMO 2016: HIGHLIGHTS EM TUMORES SÓLIDOS

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Congresso Anual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) foi realizado entre os dias 7 e 11 de outubro passado, em Copenhague, capital da Dinamarca. A seguir apresento um resumo de alguns estudos em tumores sólidos que considerei destaques do Congresso.

A PODEROSA SEMENTE CASA DE APOIO PÁGINA 2

O BENEFÍCIO DA FARMÁCIA CLÍNICA PARA OS PACIENTES EM TRATAMENTO PÁGINA 3

ESTUDOS EM ANDAMENTO NO CPCO PÁGINA 4

1 – Cancer Renal Sunitinibe Adjuvante após Nefrectomia em Pacientes com Carcinoma Renal de Alto Risco (S-TRAC), estudo publicado no New England Journal of Medicine em 10 de outubro de 2016. Neste estudo, fase 3, randomizado, 615 pacientes com diagnóstico de carcinoma renal de células claras de alto risco (estágio III) foram randomizados após a nefrectomia para receber tratamento adjuvante com Sunitinibe 50mg/dia ou placebo. O objetivo principal do estudo foi aumento da sobrevida livre de doença (SLD). O estudo alcançou seu objetivo primário, registrando uma SLD mediana de 6,8 anos no grupo sunitinibe versus 5,6 anos no grupo placebo, significando uma redução no risco de recidiva de doença de 24%. Vale destacar que este é o primeiro estudo que mostrou benefício de tratamento adjuvante no câncer renal. 2 – Melanoma Ipilimumab adjuvante em pacientes com melanoma estágio III operado, estudo randomizado, fase 3, também publicado no New England Journal of Medicine em 10 de outubro de 2016. Neste estudo, 951 pacientes com melanoma estágios IIIA, IIIB e IIIC, após terem sido tratados com cirurgia, foram randomizados para receber ipilimumabe 10mg/kg (anticorpo monoclonal totalmente humanizado anti CTLA-4) ou placebo. O objetivo primário foi sobrevida livre de recidiva (SLD) de doença. Nesta apre-

sentação foram apresentados os dados de 5 anos de SLD. No grupo Ipilimumabe 40,8% dos pacientes estavam livres de recidiva versus 30,3% no grupo placebo, representando uma redução no risco de recidiva de 24%. A sobrevida global aos 5 anos foi de 65,4% no grupo Ipilimumabe versus 54,4% no grupo placebo, representando uma redução no risco de morte de 28%. 3 - Mama Pacientes com com câncer de mama, receptor hormonal (+) e HER2(-), doença metastática, foram randomizadas para receber tratamento com Letrozol

(L) versus Letrozol + Ribociclib (R), um inibidor da CDK4/6. O estudo, fase 3 (MONALEESA-2), randomizou 668 mulheres pós-menopausa para receber L (2,5mg/vo/dia) + Placebo versus L (mesma dose) + R (600mg/dia). O objetivo primário do estudo foi sobrevida livre de progressão (SLP). A análise interina realizada após 18 meses de seguimento mostrou um ganho no grupo de tratamento combinado. A SLP no grupo L+R foi de 63% versus 42% no grupo L. A taxa de resposta global foi de 52% versus 37% para o grupo L+R. Este estudo foi igualmente publicado no New England Journal of Medicine em 10 outubro de 2016 e mostra benefício da combinação Letrozol


2 continua... com inibidor CDK4/6, assim como no estudo PALOMA2 que combinou Letrozol com Palbociclib, um outro inibidor CDK4/6, e que foi apresentado na ASCO 2016. 4 – Pulmão Estudo KEYNOTA-024, que investigou a eficácia do pembrolizumabe (P) em primeira linha de tratamento comparado ao tratamento padrão com quimioterapia (QT) baseada em platina em paciente portadores de câncer de pulmão não pequenas células, avançado, EGFR e ALK negativos e alta expressão de PDL-1 (expressão de 50% ou mais nas células tumorais). Foram randomizados 305 pacientes, 154(P) e 151(QT). Após um seguimento mediano de 11,2 meses, a sobrevida livre de progressão (SLP) foi de 10,3 meses (P) versus 6 meses (QT) e a taxa de reposta foi de 44,8%(P) versus 27,8%(QT). Os dados

de sobrevida global ainda estão imaturos, mas considerando o ganho na taxa de resposta, SLP e melhor tolerabilidade à imunoterapia deve se tornar o tratamento padrão de primeira linha e breve. Este estudo também foi publicado no New England Journal of Medicine em 10 de outubro de 2016. 5 – Ovário Estudo ENGOT-OV16/NOVA, randomizado, fase 3, avaliou terapia de manutenção com nariparibe (inibidor da poliadenosina difosfato ribose – PARP) ou placebo em pacientes com tumores seroso de ovário, recidivado e sensível à platina e que tinham realizado pelo menos duas linhas prévias de tratamento quimioterápico. Foram recrutados 553 pacientes que eram randomizados numa relação 2:1 para receberem tratamento com nariparibe ou placebo. Duas

coortes independentes foram estratificadas com base na mutação do BRCA (201 pacientes mutados e 345 não mutados). O objetivo primário foi avaliar a sobrevida livre de progressão de doença (SLP). Os resultados mostraram um aumento significativo na SLP em favor do nariparibe na coorte de pacientes com mutação do BRCA (21,0 versus 5,5 meses) e na coorte sem a mutação do BRCA (9,3 versus 3,9 meses). Os resultados deste estudo se juntam aos resultados previamente apresentados pelo olaparibe, outro inibidor da PARP, que também mostrou aumento da SLP em José Pulido pacientes com a muMédico Oncologista tação BRCA. HECI/CPCO

Espaço Casa de Apoio A PODEROSA SEMENTE

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ma noticia fantástica, extraída de um artigo publicado pela Science – uma das revistas científicas mais importantes, foi veiculada no portal de notícias Terra, em 13 de junho de 2008. Uma semente de tâmara, de mais de dois mil anos, encontrada no deserto da Judéia, foi plantada por cientistas e germinou. Note que a única coisa que eles precisaram fazer foi plantar a semente. Tudo o que aquele pequeno grão precisava para se tornar de fato uma tamareira já estava em seu interior. Precisou apenas ser colocado no lugar certo, e ser regado. Por que contei essa história? Porque ela ilustra perfeitamente o processo de germinação dos projetos executados pelo Grupo de Apoio aos Portadores de Câncer. São sementes que mantemos guardadas com muito carinho, que no tempo certo plantamos com o apoio dos nossos voluntários, regamos com a ajuda de todos - muitas vezes com lágrimas, e que, ao final,

temos a grata satisfação de ver que cresceram e se tornaram árvores fortes e robustas. Foi assim com a Casa de Apoio aos Portadores de Câncer e com o Banco de Perucas, entre outros, que eram apenas sementes, mas que hoje fornecem “sombra” e “abrigo” para muitos. Os últimos meses também foram de “colheitas” muito especiais. Dentre elas, destacamos a 3ª Festa Agostina (semelhante à Junina), organizada na Clinica Oncológica do HECI - setor de internação, para pacientes que se encontram internados e seus acompanhantes. A animação da festa ficou por conta da Turma da Tina e de colaboradores e voluntários da Casa de Apoio, com ênfase especial para a participação da paciente Raquel Melo, integrante da Turma da Tina, que na festa do ano passado encontrava-se internada, mas que nesse ano, já recuperada, pôde participar cantando e encorajando os demais pacientes. Seu depoimento foi forte e emocio-

nante, e reacendeu o brilho no olhar daqueles que o presenciaram. Também foi destaque o 13º Jantar Beneficente da Casa de Apoio, onde cerca de 400 colaboradores da sociedade cachoeirense participaram de um belo banquete, ao som da cantora Claudia Léssi. E, finalmente, a Campanha Outubro Rosa e Novembro Azul, que mais uma vez movimentou o sul do estado, chamando a atenção para a necessidade de detecção precoce dos cânceres de mama e próstata. Ainda temos muitas “sementes”. Cada uma mais surpreendente que a outra. Venha semeá-las conosco, e experimente também essa sensação gratifiFlávia Alemães cante de plantar sonhos Assistente Social HECI/Casa de Apoio e colher realizações.

Visite nosso site http://www.casadeapoiocancer.com.br - Doações: Banco do Brasil Ag 0083-3 CC 22082-5


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O benefício da Farmácia Clínica para os RELATO DE pacientes em tratamento oncológico

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termo Farmácia Clínica nasceu nos Estados Unidos nos anos 60. É uma área que se caracteriza por uma série de atividades voltadas para maximizar os efeitos da terapêutica e minimizar os riscos e os custos do tratamento do paciente. Esta área não se restringe aos hospitais, sendo exercida em qualquer local que possua usuários de medicamentos expostos ao risco e às consequências de seu uso, como clínicas privadas, ambulatórios, unidades de saúde e lares de longa permanência, O farmacêutico que atua clinicamente pode melhorar a qualidade da terapia medicamentosa através de estruturas organizadas que garantam o acompanhamento do uso do medicamento e avaliem seu desempenho. Em se tratando de terapia antineoplasica, os pacientes muitas vezes desenvolvem reações adversas, devido à poliquimioterapia, à margem terapêutica estreita dos medicamentos usados, e ao tratamento prolongado e em concomitância com outros tratamentos de suporte. Isso permite ao farmacêutico ser parte importante na equipe multidisciplinar da terapia antineoplasica, devendo acompanhar a visita médica e discussões de casos clínicos, e desta forma influenciar de forma positiva o perfil de prescrição. A oncologia desenvolve-se de forma muito dinâmica, e o farmacêutico é desafiado a manter-se informado sobre novas terapias. Conhecer os detalhes dos aspectos farmacológicos dos medicamentos em uso é essencial para proporcionar uma adequada assistência e reconhecer a

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quinta edição do Simpósio SulCapixaba de Oncologia aconteceu no dia 25 de agosto de 2016, no Auditório da Unimed. Nesta edição o Simpósio teve como tema o Manejo da dor nos tempos atuais e contou com a participação da Dra Sandra Caires Serrano, médica responsável pelo Serviço de Cuidados Paliativos do AC Camargo Cancer Center. O evento contou com a presença de profissionais da área médica e multiprofissional e foi marcado pelo alto nível das discussões sobre os recentes avanços no manejo da dor em geral, não só a dor oncológica.

necessidade de melhorar a segurança e efetividade da farmacoterapia. O farmacêutico que atua clinicamente, implantando o serviço de Farmácia Clínica, traz benefícios à instituição e ao paciente, otimizando o tratamento ao aumentar a adesão do paciente aos regimes farmacoterapeuticos, ao monitorar e prevenir a ocorrência de eventos adversos e interações medicamentosas, e ao reduzir o tempo de internação, podendo ainda recomendar ao médico ajustes no tratamento. Com o hospital o serviço colabora pela farmacoeconomia, que é a diminuição de custos durante a estadia do paciente na instituição. O objetivo final do serviço da Farmácia Clínica é a melhoria da qualidade de vida do paciente e, uma vez implantado, dever ser contínuo e documentado, tornando-se essencial e rotineiro dentro da instituição hospitalar. Contudo, só é possível que a atividade exercida pela Farmácia Clínica atinja completamente o resultado proposto de melhorar a qualidade, garantir a eficácia e a segurança do tratamento do paciente se houver uma interação de forma ampla de toda a equipe multiprossifional e conhecimento cientifico profissional. Ricardo Pupim Farmacêutico HECI / CPCO

e t n e i c a P

“A equipe de farmácia do Hospital Evangelico de Cahoeiro de Itapemirim, do setor de oncologia, me ajudou e ajuda no acompanhamento do tratamento me orientando e tirando duvidas, por isso acho importante esse serviço, porque sabemos como funciona os medicamentos o que eles causam, seus efeitos, recebemos a atenção e suporte durante o tratamento, pois os remedios causam muitos feitos quando estou em casa depois que acaba a sessao de quimioterpia. Graças a Deus o tratamento esta correndo tudo bem com a ajuda de todos, obrigada.”

Daniele Fernandes Mello da Silva, é

uma jovem estudante de 18 anos que foi diagnosticada há pouco tempo com Linfoma de Hodgkins e está em tratamento quimioterápico com protocolo ABVD. Esse tratamento causa muitos efeitos colaterais que são manejados com orientações e medicações utilizadas em casa prescritas pelo médico assistente.


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FATOSemFOTOS

O médico radioterapeuta Paulo Canary e a enfermeira Narelle Parmanhani durante o IX Congresso FrancoBrasileiro de Oncologia realizado entre os dias 10-12 de novembro, no Rio de Janeiro/RJ.

A médica oncologista Mariana Novaes durante o IV Cogresso Internacional Oncologia D’Or no Rio de Janeiro/RJ, nos dias 28 e 29 de outubro.

Os médicos oncologistas, José Pulido e Sabina Aleixo durante o Congresso da ESMO 2016, realizado entre os dias 7-11 de outubro, em Copenhagen, Dinamarca.

A assistente social Flávia Alemães durante o 3º Congresso Brasileiro Todos Juntos Contra o Câncer em São Paulo/SP, nos dias 27 e 28 de setembro. A médica oncologista Mariana Novaes durante o V Simpósio GBOT em São Paulo/SP, nos dias 4 e 5 de novembro.

Estudos em andamento no CPCO Temos cinco estudos em andamento, quatro intervencionais que estão recrutando pacientes e outro observacional. Há um outro estudo por iniciar o recrutamento no primeiro trimestre de 2017. Estudos recrutando pacientes: 20070782 (Amgen) – Estudo para avaliação da segurança e eficácia em longo prazo de darbepoetina alfa em pacientes anêmicos com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio avançado. GO29431 (Roche) – Estudo que visa investigar a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do MPDL3280A (anticorpo monoclonal anti-PDL1) em comparação com carboplatina ou cisplatina + pemetrexede

em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC) em estágio IV virgens de tratamento com quimioterapia. ADAURA (Astra Zeneca) – Estudo que avalia a eficácia e a segurança de AZD9291, em comparação à placebo, em pacientes com carcinoma pulmonar de células não pequenas em estádio IB-IIIA que tenham mutação no receptor EGFR, após ressecção completa do tumor com ou sem quimioterapia adjuvante. 1302.5 INVICTAN-2 (Boehringer Ingelheim) - Estudo que avalia a eficácia e a segurança de BI 695502 (anticorpo monoclonal) + quimioterapia em comparação com Avastin + quimioterapia em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas

onconotícias

Se você tiver alguma publicação, opinião ou sugestão mande seu e-mail para: cpco@cpco-es.com.br O Informativo Onconotícias é uma publicação do Instituto de Oncologia Sul Capixaba que visa levar ao público em geral os avanços no tratamento e prevençāo do câncer.

Maiores informações sobre estes estudos podem ser obtidas acessando a página do CPCO na internet www.cpco-es.com.br ou telefone: (28) 3522 5095

células avançado. Estudos observacionais: Contribuição de driver genes para o desenvolvimento e progressão do carcinoma ductal in situ (CPCO/HECI/UFES) – Serão analisados tecidos de biópsias de pacientes que tiveram câncer de mama (carcinoma ductal in situ) para verificar a expressão dos driver genes TP53, PIK3CA, ERBB2, MYC, FGFR1, GATA3 e CCND1, bem como a presença de driver mutations nos mesmos, e avaliar as possíveis implicações desses genes na patogênese e evolução deste tipo de câncer de mama. Estudo com início em 2017: SOLAR (Astellas) (Câncer de pulmão)

PROJETO GRÁFICO PENSEDMA MARKETING & DESIGN (28) 3521-7410 | contato@pensedma.com.br | MÉDICO RESPONSÁVEL Dra. Sabina Aleixo | COLABORAÇÃO José Aleixo, Narelle Parmanhani e Ricardo Pupim | FOTOS arquivo/internet | IMPRESSÃO Digrapel | TIRAGEM 1000 exemplares HECI: Rua Anacleto Ramos, 55 - Bairro Ferroviários - Cach. de Itapemirim - ES - (28) 3526-6166 CPCO: Rua Mário Imperial, 47 - Bairro Ferroviários - Cach. de Itapemirim - ES - (28) 3522-5095 IOSC: Av. Lacerda de Aguiar, 32 - Bairro Gilberto Machado - Cach. de Itapemirim - ES (28) 3521-1219 / 3521-1029

Onco Notícias - no. 14 - www.cpco-es.com.br  
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