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Acaso perdeste

Acaso perdeste ao mar profundo Teus sonhos juvenis

E, fixo, no horizonte Marejado pelo tempo [Perdido...

O teu olhar é pura desesperança De encontrar?

Entranhas expostas Ensopadas de imensidão De tanto sol, de tanto mar

Já não sou, de tanto ser O que procuro em vão encontrar

Oh, se me deste Quem sabe, ao menos Montanha, esquina – algo com que dobrar

Mas, qual ! És puro arremetimento, E só uma louca vontade de me jogar


Pelas mãos calejadas Enfunam-se, uma vez mais Velas da esperança Vela, velo a procurar

De que continente parti - Se continente quero alcançar?

Chamam-me covarde Que o teu lugar é onde sempre estivera Pra que navegar – se lado não há, pra que procurar

“Um sem-bússola, sem norte, filósofo do mar” Que este derrotado não querem em porto algum! “Vê se de alhures alguém pode viver?” [Exemplo de não estar

E lançaste ao mar: Mapa, bússola, sonho Agora, sem vergonha, Navega por navegar!

Vazio de tanta imensidão Que lugar é este Que sombra não há


A água te torce de sede E não tens a quem gritar! Cesso o barco, desço a vela E a vontade que ordena: Conduzo-me para a morte

Pulo de ponta, sem lembrar, por sofrer

Mergulho, profundo [a água é nada e nada vais encontrar

“Não mede vontade, sequer respirar” Das tuas profundezas, se vivo ou morto

Traz-me onda [ suja, revolta Um tesouro, emporcalhado pelo tempo

Sou Eu, Eu mesmo Alma ... água, nada Que somente morto se encontra, Que nas tuas profundezas [ fui buscar

César Luz, março de 2011

Acaso perdeste  

Poema, pensAção

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