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Revista Pensar! Nº 3

dez./2008.

Editorial Texto do Messias

A Revista Pensar! é uma realização da (Prof. Messias)

equipe de professores, alunos e colaboradores do colégio ITB Prof. Munir José. Nosso objetivo é viabilizar um meio para disseminação de conhecimento, educação e cultura para a comunidade de estudantes da rede municipal de Barueri. Torne-se você também um colaborador da Revista Pensar! Envie suas matérias para nossos editores:

Prof. Messias (Logística) Profa. Cris Rocha (L. Portuguesa) Prof. Zé Otavio (Química)

artigos.pensar@gmail.com

dez.2008

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Alunos destaque do ITB Prof. Munir José, homenageados na edição n.2 da Revista Pensar!


Sumário Vila de Paranapiacaba

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Expressões idiomáticas português/inglês

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Por trás da lousa

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Notícias do ITB Prof. Munir José

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As aventuras de Antônio Rojas

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Memorial Machado de Assis

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Confira os relatos e fotos desse Estudo do Meio realizado pelas turmas do ITB Prof. Munir José

Cuidado com o que traduz! A “teacher” Ana Paula explica algumas confusões que fazemos com a língua inglesa

Os professores do ITB sob um ponto de vista bastante diferente. Nesta edição: Fernando e Eliana!

Veja os resultados do nosso Campeonato Solidário, que distribuiu medalhas para alunos e brinquedos para crianças carentes de Barueri

Mais uma aventura do personagem que ensina geopolítica em episódios livres de fronteiras nacionais

Cem anos de saudades: confira o ensaio dos alunos do ITB sobre um dos maiores nomes da literatura brasileira

Sociopolítica

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Capitalismo ou Socialismo? Qual seria a melhor opção? Antes de dar uma resposta é melhor se informar sobre esses termos...

Artexpressa

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Orientação profissional

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Redações - Olimpíadas de Química

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Passatempos

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Ciências

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A poesia inspirada em Paranapiacaba e um convite à Biblioteca do ITB Prof. Munir José

A professora Luciana dá dicas para tornar mais tranqüila a escolha das carreiras de nível superior

Confira as redações com que os alunos do ITB Prof. Munir José concorreram nas Olimpíadas de Química 2008

Novos desafios e jogos te aguardam nesta edição

Você confia mais nos seus sentidos ou na lógica? Confira a coluna do professor Zé Otavio que trata dessa e de outras questões de interesse científico

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O aluno William, do IRD1DT, ganha destaque nesta foto por ter contribuído como fotógrafo oficial do ITB Prof. Munir José durante o estudo do meio na Vila de Paranapicaba. Valeu, Will!

Revista Pensar! n.3

Matéria de capa

Paranapiacaba

Em meus 23 anos de magistério, como professora de geografia, sempre me preocupei em proporcionar aos alunos a vivência daquilo que se aprende em sala de aula, muitas vezes indo além do conhecimento já adquirido, aprendendo novos conteúdos através de estudos do meio. Vários foram os estudos já realizados em minha jornada como docente, vários foram os lugares escolhidos para o desenvolvimento de projetos, vários foram os alunos que participaram e traduziram em realidade seus aprendizados. Mas, um lugar em particular, me encanta mais do que todos os outros que conheço e que possibilita uma abordagem de aprendizado completa e inesquecível. Esse lugar é a Vila de Paranapiacaba. Foi a partir desse encantamento pelo lugar, que no início do ano letivo, juntamente com os demais professores de geografia de nossa escola, apresentamos à coordena-

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ção pedagógica e à direção, a proposta de desenvolver um estudo do meio na Vila de Paranapiacaba. O caminho foi longo até a sua realização. Foi há dez anos, minha última visita ao lugar e os demais professores não o conheciam. Realizamos diversos contatos com a prefeitura de Santo André, da qual Paranapiacaba faz parte, trocamos várias informações com a AMA, Associação dos Monitores Ambientais, que desenvolvem um trabalho de monitoramento, acompanhando turistas e escolas nos diversos lugares de visitação. Divulgamos aos demais professores da escola a proposta do estudo do meio, buscando desenvolver um projeto transdisciplinar. Muito interessados, alugamos uma ”van”, num sábado de julho, e lá fomos nós, reviver e conhecer Paranapiacaba. Traçamos o roteiro do estudo após essa vivência. Eu e o professor Ricardo Nukui elaboramos a proposta pedagógica do pro-


jeto, justificando a importância de desenvolver um estudo transdisciplinar e possibilitar a vivência no processo de aprendizagem através do estudo do meio da Vila de Paranapiacaba, espaço que apresenta uma potencialidade de aprendizado diversificado em seus aspectos natural, histórico-cultural e econômico, como na conscientização da necessidade de preservação de nossas riquezas naturais e do nosso patrimônio histórico. Projeto aprovado. Enfim, tudo pronto para iniciarmos o roteiro de estudos com nossos alunos. Todos foram convidados a participar. Em agosto, os alunos das primeiras séries e em outubro, os das segundas séries. Para todos os que foram interessados em aprender, com certeza vivenciaram uma experiência única, conhecendo a única vila ferroviária do Brasil conservada desde a sua fundação, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Paranapiacaba – “lugar de onde se vê o mar“ -, localizada no município de Santo André, é repleta de belezas naturais do bioma Mata Atlântica, encravada na Serra do mar, com inúmeras nascentes e um rico acervo histórico a céu aberto. O roteiro de estudos possibilitou a todos os alunos conhecer, com riqueza de detalhes, parte de nossa história. A Vila nasceu e se desenvolveu a partir de 1860, com a implantação da primeira ferrovia paulista, construída pela companhia inglesa São Paulo Railway. Época áurea do café, a ferrovia atendeu, tanto ao transporte de pessoas como ao escoamento do café para o exterior. Seu traçado de Santos a Jundiaí, possibilitava a remessa do café do interior paulista para a Baixada Santista, até o Porto de Santos, principal porta de entrada de imigrantes e saída de café no final do século XIX e meados do século XX. Sua localização privilegiada, no alto da Serra do Mar, lhe confere características naturais únicas. Sempre envolta numa densa neblina, em virtude do clima tropical úmido, é o lugar em que mais chove no Brasil. Rodeada de Mata Tropical Atlântica, apresenta inúmeras trilhas naturais em áreas de mananciais, com várias nascentes dando origem a rios que abastecem a Grande São Paulo. Dentre essas trilhas, tivemos a oportunidade de conhecer a trilha da Pontinha, que percorremos em uma hora de caminhada. Visitamos seus museus, o Ferroviário e o Castelinho, conhecemos o sistema funicular, que mostra a engenhosidade inglesa no traçado da ferrovia, permitindo a subida e a descida das locomotivas e carros ferroviários pela Serra do Mar, por meio de cabos de aços. No Castelinho, principal residência da Vila, onde morava o engenheiro-chefe da estação ferroviária, hoje um museu, conhecemos o acervo histórico de peças ferroviárias e mobiliários da Vila.

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Revista Pensar! n.3

Matéria de capa

Paranapiacaba Visitamos também o Clube LyraSerrano, centro recreativo da Vila, o Mercado Municipal, hoje espaço de exposições, e por intermédio dos monitores ambientais conhecemos o traçado e estrutura arquitetônica e urbanística da Vila, as dificuldades enfrentadas pelo abandono de seu acervo na década de 1990 e sua recuperação, pela Prefeitura de Santo André, que apoiada por empresas, busca restaurar e preservar esse monumento histórico-natural brasileiro e mundial. Foram dias ensolarados e chuvosos, muitas estórias da Vila que encanta, a noiva que vem buscar seu noivo com seu longo véu tenuamente branco, a neblina que a todos envolve. Foram dias de alegria e cansaço pela extensa jornada de aprendizado e, enfim, de volta à sala de aula, juntamente com os colegas de equipe, a elaboração do relatório do estudo do meio, a confecção de painéis fotográficos para a pequena mostra do estudo, apresentada na reunião de pais, concluindo o Projeto Paranapiacaba, com a satisfação daqueles que sabem do trabalho cumprido e do aproveitamento que só um aprendizado realmente significativo pode oferecer. Como bem escreveu a aluna Fernanda Evelyn Soucek, da turma de logística 1BT:

“A Vila de Paranapiacaba, bela e histórica, nos trouxe muito prazer ao visitá-la. Apresentou a todos nós um “Novo Mundo“; um lugar maravilhoso, com muitas tradições, cultura, cheio de emoções... Foi um passeio encantador, mágico! Antes, enquanto desconhecido, pensávamos ser apenas mais uma cidade histórica. Ao conhecermos a Vila, percebemos toda a sua grandeza, todo seu brilho.” (Joyce Marins Araújo Santos, professora de geografia no ITB Prof. Munir José)

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Línguas, linguagens e cultura

Revista Pensar! n.3

Línguas, linguagens e culturas VENDER COMO ÁGUA, DORMIR COMO UMA PEDRA, VIVER NUM MAR DE ROSAS... Podemos traduzir tudo o que sentimos? Expressões idiomáticas são figuras de linguagem (termos ou frases) cujas palavras assumem significados especiais e diferentes daqueles utilizados em sentido literal. É o que acontece quando dizemos que um filme é “da hora”. Nesse caso, a palavra hora deixa de se referir ao horário e assume a função de atribuir uma qualidade positiva ao filme. O mesmo acontece quando dizemos que algo nos custou “os olhos da cara”. Por que não dizemos simplesmente que esse algo custou muito dinheiro ou foi muito caro? Porque somos criativos! Porque gostamos de inventar! Porque estamos sempre procurando maneiras novas de expressar o que sentimos e pensamos. Mas esse não é um privilégio nosso, dos falantes de língua portuguesa. Em todas as línguas as pessoas utilizam metáforas e expressões de linguagem figurada para se expressar. Até aqui, tudo muito bem! Os problemas começam quando tentamos nos expressar em um língua diferente da nossa. Na maioria das vezes, as expressões idiomáticas não podem ser simplesmente traduzidas ao “pé da letra” ou palavra por palavra, é preciso buscar no outro idioma uma expressão de significado próximo, mesmo que a forma seja bastante diferente. Se para nós, um filme bom é “da hora”, para os americanos ele é “cool” ( fresco). Se um computador nos custou “os olhos da cara”, para os falantes de língua inglesa ele custou os braços e as pernas e a expressão correspondente é “it cost me an arm and a leg”. Observe no quadro abaixo algumas expressões comuns em português e suas formas correspondentes em inglês:

Português Vender que nem água Dormir como uma pedra Dar carta branca a alguém Mar de rosas Estar caindo de bêbado Estar com o pé na cova Cabeção (idiota)

Inglês Sell like hot cakes (vender como bolo quente) Sleep like a log (dormir como um tronco) Give someone a free hand (dar a alguém uma mão livre) Bed of roses (cama de rosas) To be legless (estar sem pernas) To be on its last legs (estar nas últimas pernas) Fathead (cabeça gorda)

É importante observar que a tradução palavra por palavra pode criar problemas e dificuldades na comunicação quando traduzimos expressões do português para o inglês e também no processo inverso, quando encontramos expressões em inglês e tentamos traduzi-las para o português. Mais do que ter um dicionário em mãos, ou os famosos tradutores on-line, é preciso observar o contexto em que a expressão aparece e pensar se nossa tradução faz sentido, é preciso raciocinar! Assim, aprender um idioma é também conhecer um pouco da cultura do povo que fala aquela língua e compreender o seu modo de pensar, de associar idéias e de se expressar. (Ana Paula Rodrigues, professora de inglês no ITB Prof. Munir José)

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Por trás da lousa

O “Por trás da lousa” desta edição vai falar de dois grandes “rivais”. Sim! Rivais! Eliana e Fernando disputam ponto a ponto quem é o mais competente da sala dos professores. E para nós que passamos o intervalo com eles é hilário! Competem em tudo: quem termina o diário primeiro, quem corrige as avaliações e trabalhos primeiro, investigam-se mutuamente para conseguir encontrar nem que seja a menor brecha para abrir alguma vantagem. E é terrível, não dão a menor trégua! Nós que já sabemos desta lendária rivalidade, quando notamos qualquer deslize, tratamos de comunicá-los só para ver o circo pegar fogo. Afinal de

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contas, precisamos nos divertir também!

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“De Educação Física? Não, Informática. Sério?” Expressões como essas que abrem esta matéria são uma constante na vida do professor Fernando, freqüentemente confundido com professor de Educação física, diz que vê isso como um elogio, afinal de contas, todo professor de tecnologia tem aquele estereótipo meio que de “Nerd” e acha o máximo fugir disso. Aliás, tem preferências pessoais que sinceramente, não têm nada a ver com sua área de atuação profissional, mas que segundo o próprio, ajudam a desenvolver concentração, disciplina e organização. É apaixonado por artes marciais e as pratica desde os sete anos. Seus grandes heróis da infância são os nada simpáticos Arnold

Schwarzenegger, Jean Claude Van Dame e

ninguém menos do que Bruce Lee. Estes ilustraram as paredes de seu quarto por muitos anos e até hoje despertam nele uma admiração inegável. De tanto assistir a filmes estrelados pelos seus ídolos, começou a fazer Karatê, e daí para frente não parou mais. Depois veio o full contact, Kicking boxe, jiu jitsu, mas foi no Hapkido que encontrou uma “arte marcial completa e plasticamente muito bonita” nas suas palavras. Atualmente divide seu escasso tempo entre o jiu jitsu e o Hapkido. Ah... Sem contar a academia. É apaixonado pelo fisiculturismo, fã incondicional do pioneiro deste esporte - Arnold Schwarzenegger - tem o seu livro na cabeceira da cama e o lê ao menos uma vez por semana, nem que seja um trecho. Admira o fisiculturismo porque diz que é um esporte que exige muita determinação e disciplina, por isso é muito sacrificado. Fica impressionado com o desenvolvimento de músculos difíceis de serem exercitados. Vale lembrar também que essa série de atividades foram uma constante em sua vida, mas quando o assunto é estudo, na escala de prioridades, ocupa o primeiro lugar. É assim que justifica quando perguntam por que ainda não é faixa–preta em nenhuma modalidade. Outro assunto que muito o interessa é a biologia. É apaixonado pelo estudo do corpo humano e não dispensa um livro de biologia, tanto é que sempre pede um volume no início do ano letivo para os colegas do ITB que ministram esta disciplina. Também gosta muito de ler sobre nutrição e não fica só na leitura, costuma colocar em prática o hábito de uma alimentação regrada, sem excessos e bem colorida. Talvez até pela educação recebida em casa, lugar onde sempre encontrou a geladeira abarrotada de verduras, legumes e frutas que não davam chance para doces e biscoitos ultra–calóricos. Bem, este é o professor Fernando quando não está aqui no ITB nos amolando com suas piadinhas que sempre quebram o gelo na sala-de–aula, no meio de uma explicação super-pesada a respeito de todos aqueles conteúdos maçantes que envolvem a área de tecnologia, ou na sala dos professores, nos momentos mais imprevistos e que contagia a todos de alegria.

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Por trás da lousa

“Historiadora de direita?” Sim! A Eliana, dentre tantas peculiaridades, tem esta como a mais intrigante. Ela foge daquele perfil de historiador marxista, hippie e que adora dizer aos quatro cantos que realmente defende as políticas neo-liberais! Mas, o mais contraditório é que apesar dessas preferências que brincamos ser típicas da elite dominante, Eliana briga pelos seus direitos e briga pelos direitos de todos! Ela é uma das nossas defensoras, sempre coloca o seu ponto-de-vista e o defende até o fim. Admirada pela personalidade forte e marcante, nunca passa desapercebida e não é difícil, deRevista Pensar! n.3

pois de cinco minutos de conversa tornar-se o centro das atenções. Dizemos sempre que é a baixinha que mais aparece em qualquer lugar. Sua sinceridade conquista muitos amigos e também pode gerar muitas polêmicas. Todavia, Eliana é daquelas pessoas que ou amamos ou odiamos. No Munir José a sentença é uma: Amamos a Eliana! Na vida pessoal, Eliana também faz a diferença! Num tempo em que ouvimos de todos que o casamento é uma instituição falida, Eliana contradiz esta máxima vivendo como se fosse lua-demel um casamento de 30 anos! É o maior exemplo para todos que dizem que não é possível amar por tanto tempo. O mais interessante é que nós já presenciamos ligações e comentários que sinceramente mais parecem de um casal de namorados do que de um casal que convive junto há tanto tempo. Ela é apaixonada pelo marido e espontânea como sempre, não tem a menor vergonha de demonstrar isso. Nós admiramos esta relação tão rara entre os casais e com certeza sua história nos serve de exemplo de que amar e dizer que ama nunca deve sair de moda! Talvez este seja o segredo de seu alto-astral de todas as manhãs. Afinal de contas, que motivos a Eliana tem para ter mau-humor? Uma família super-bonita, com direito a até um netinho fofo, facilmente avistado nas fotografias que ficam nas capas dos seus diários, e uma escola inteira que se diverte com o seu jeito irreverente e contagiante... Tem como ser diferente? Pois é, esta é a Eliana! Uma figura única aqui do nosso ITB! (Cris Rocha, professora de língua portuguesa e técnicas de redação no ITB Prof. Munir José)

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Informes do

Notícias - ITB Prof. Munir José Campeonato Solidário Neste ano iniciamos o que logo será tradição. Em outubro, celebramos o mês das crianças distribuindo medalhas para nossos alunos atletas e brinquedos para crianças carentes de Barueri. Por iniciativa dos professores de Educação Física, as turmas se organizaram

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em times e cada atleta se inscreveu no campeonato trazendo um brinquedo, que foi encaminhado como doação a instituições que cuidam de crianças carentes em Barueri. No total, entre ursinhos de pelúcia, carrinhos e bonecas, foram arrecadados mais de mil brinquedos, que foram distribuídos em quatro instituições, fazendo a alegria de centenas de crianças. O ponto alto do evento foi a entrega dos brinquedos nas instituições. Nossos alunos e professores foram recebidos por fileiras de rostinhos curiosos, que logo se abriram em imensos sorrisos e risadas ao receberem seus presentes de dia das crianças. A primeira edição do nosso campeonato interno, que ficou conhecido como “Campeonato Solidário”, contou com várias modalidades esportivas, disputadas por equipes masculinas e femininas de alunos. O quadro no fim da página mostra as turmas campeãs em cada esporte. Parabéns aos nossos alunos, campeões nos estudos, nos esportes e na solidariedade! E podem ir se preparando para a edição 2009 do Campeonato Solidário ITB Prof. Munir José. Vamos suar bastante para garantir um feliz dia das crianças para Barueri! Turmas campeãs do 1º Campeonato Solidário do ITB Prof. Munir José Modalidade Xadrez Masculino

Manhã Otávio Almeida (IRD2DM)

Tarde Ricardo (LOG1FT)

Xadrez Feminino

Camila (IRD2DM)

Larissa (ADM1AT)

Tênis de Mesa Masculino

Fábio (IRD2AM)

Leonardo (LOG1ET)

Tênis de Mesa Feminino

Ana Laura (LOG2DM)

Andressa (ADM1AT)

Futsal Masculino

IRD2AM

IRD1DT

Futsal Feminino

LOG2AM

ADM1AT

Handebol Masculino

IRD2AM

-

Handebol Feminino

LOG2AM

ADM1CT

Voleibol Masculino

ADM2EM

IRD1CT

Voleibol Feminino

LOG2DM

ADM1DT

Basquete Masculino

IRD2CM

IRD1ET

Basquete Feminino

SEC2BM

-

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As aventuras de Antonio Rojas

As aventuras de Antonio Rojas

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Episodio: Triste tarde em Madrid O professor Antonio Rojas é um futebolista nato, torcedor do Real Madrid, sempre que pode acompanha o seu time do coração nos Estádios de futebol da Europa. Naquela tarde de novembro de 2004 estava entrando no estádio Santiago Bernabeu, como já fez centenas de vezes ao longo dos seus quarenta anos de idade. Acompanhado de seus filhos Heitor e Henrique, todos vestindo a camisa do Real Madrid, dirigiramse aos seus lugares numerados nas arquibancadas do Estádio. O jogo seria entre Real Madrid e Bayer Leverkusen, da Alemanha, valido pela quinta rodada da Copa dos Campeões, o torneio mais tradicional do futebol mundial. Uma revanche, já que na partida de ida ocorrida em setembro na casa dos adversários o Real sofrera uma humilhante derrota por três a zero.

A técnica apurada da zaga do Bayer Leverkusen impressionou Heitor. - Pai quem são esses excelentes zagueiros? - Juan e Roque Junior, ambos brasileiros, respondeu Antonio Rojas. Roque Junior fez parte da defesa da Seleção brasileira que ganhou a Copa do Mundo no ano retrasado no Japão e Juan é uma jovem promessa vinda do Flamengo, do Rio de Janeiro. A torcida merengue, como é conhecida à torcida do Real Madrid, é fanática e não para de apoiar o time, porém naquela tarde teve várias atitudes que envergonharam Antonio Rojas. Sempre que Roque Junior e Juan tocavam na bola, boa parte dos torcedores imitavam sons como se fossem macacos e debochavam dos jogadores pelo simples fato de serem negros.

Santiago Bernabeu: A casa do Real Madrid

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Não tinha sido a primeira vez que Antonio Rojas havia presenciado cenas parecidas no Santiago Bernabeu. Sabia que atos de racismo são comuns entre os torcedores europeus. Uma vez assistindo a uma partida no norte da Itália, o professor viu torcedores italianos abrirem uma bandeira nazista.


Manifestação neonazista em estádio no norte da Itália

Henrique perguntou: - Por que estão imitando macacos? - Por que aqui na Europa o movimento neonazista é muito forte, respondeu Rojas. - O que é neonazismo? Perguntou Heitor? - O neonazismo está associado ao resgate do nazismo ou nacional-socialismo, ideologia política criada por Adolf Hitler, no começo da década de 1920. O movimento neonazista tem suas origens colocadas em preceitos racistas, primando sempre pela "raça pura ariana". Os seguidores da doutrina, em sua maioria, promovem discriminação contra grupos específicos, como homossexuais, negros, índios, judeus e comunistas. Algumas correntes preferem apenas a segregação da "raça pura ariana" das demais "raças", condenando agressões físicas contra tais grupos (não condenando, porém, a violência moral e psicológica, às vezes assegurada por lei). Outras promovem explicitamente o ataque físico aos grupos citados. Há grande oposição vinda dos neonazistas com relação a grupos punks, fazendo com que cresça uma hostilidade entre os dois grupos, respondeu Antonio Rojas. Voltaram tristes para casa, o Real não venceu o jogo que terminou um a um, e as cenas presenciadas no Santiago Bernabeu foram muito desagradáveis. (Carlos Eduardo, professor de Geografia no ITB Prof. Munir José)

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Centenário de morte - Machado de Assis

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Deus sabe o que faz!

Cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta. Seu nome é Joaquim Maria Ma(Capitulo - III “O Alienista”) chado de Assis; é um dos principais nomes da literatura brasileira, considerado um mestre da língua portuguesa. Nasceu no Rio de Janeiro em 1839, de uma família humilde: seu pai mulato carioca era pintor de paredes, e sua mãe, imigrante portuguesa, lavadeira. Freqüentou escola pública por algum tempo, mas, ao ficar órfão, teve que ajudar a família, vendendo balas e doces. Aos 16 anos, publicou seu primeiro poema e aos 25 consagrou-se como poeta. Casou-se com Carolina Xavier, em 1869, na mesma época em que iniciou sua carreira de servidor público, adquirindo estabilidade emocional e financeira, o que lhe possibilitou dedicar-se mais tarde somente à literatura. Considerado o maior escritor afro-brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis foi um dos criadores da crônica no país, além de ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua obra hoje influencia o teatro, a televisão e o cinema, e não seria novidade nenhuma dizer que ele tornou-se um gênio da literatura reconhecido no mundo inteiro. Realmente Deus sabe o que faz, pois um homem negro, pobre, epilético e gago, conseguiu ir além das expectativas e acumular um conhecimento da alma humana que se refere a qualquer época e a qualquer povo. Morreu aos 69 anos, na mesma cidade onde nascera, no dia 29 de setembro de 1908.

“As coisas valem pelas idéias que nos sugerem.” (Machado de Assis) Todo significado depende do olhar. Essa visão diferenciada de Machado de Assis o tornou excepcional. Pode-se dividir suas obras em duas fases: na primeira - fase romântica ou como muitos críticos denominam, fase de amadurecimento -, as personagens possuem características românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros. Trecho de “A mão e a Luva” “Não era preciso reler o papel para entendê-lo, mas olhos amantes deliciam-se com letras namoradas”. Na segunda fase (fase realista), Machado de Assis abre espaço para as questões psicológicas das personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário, fazendo análises profundas e realistas do ser humano, destacando suas vontades, necessidades e defeitos. Trecho de “Dom Casmurro” “Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir.”

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Personagem Capitu – olhos oblíquos de cigana dissimulada... olhos de ressaca...


Por Trás das letras... Machado de Assis insere em suas obras a ironia e a perfeição gramatical. Ele enfatiza o contraste entre aparência e essência, utilizando muitas vezes o pessimismo, como por exemplo, a imperfeição da humanidade e a hipocrisia social. Outra característica pertinente as suas obras é o processo lento e detalhado, a despreocupação com a linearidade da narrativa e as intervenções com o leitor.

“Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.” (O espelho) Neste trecho percebem-se características machadianas que evidenciam os retratos psicológicos de uma sociedade sem compaixão, que busca demarcar o “jogo das aparências”. O homem aparece com duas almas, a que realmente possui e a que é camuflada pela mediocridade.

Na estante do Autor... Algumas das leituras que influenciaram a vida e as obras de Machado de Assis. A vida e opiniões de Tristram Shandy (Laurence Sterne) - romance preferido de Machado de Assis, foi de grande inspiração para o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas e também o grande responsável pela metamorfose do romantismo ao humorismo. Otelo, o Mouro de Veneza (William Shakespere) – Machado tinha obras completas do autor em inglês em sua biblioteca, e muitos estudos apontam uma ligação entre o romance Dom Casmurro e Otelo. A Divina Comédia (Dante Alighieri) – é um dos poemas que mais o inspiraram principalmente em seus primeiros escritos. Dom Quixote de La Mancha (Miguel de Cervantes) – foi um de seus livros de cabeceira. O Mundo como Vontade e Representação (Arthur Schopenhauer) – na sua biblioteca estavam as obras completas do filósofo alemão. Dele, herdou a visão pessimista. Além destes, Machado ainda teve inspiração em Castro Alves e Manuel Antônio de Almeida, com quem trabalhou na época de tipógrafo.

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas." (Dedicatória do narrador em “Memórias Póstumas de Brás Cubas) 15


Ele escolhe como personagem o homem comum e real, com todos os seus contrastes. Na descrição da personagem existe a preocupação com os detalhes, pois busca representar a realidade da maneira mais exata possível.

“... depois, querida, ganharemos o mundo.” (Trecho de carta de Machado para sua esposa Carolina)

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Centenário de morte - Machado de Assis

Machado de Assis concretiza o realismo no Brasil através do romance (Memórias Póstumas de Brás Cubas). O escritor passa a enfatizar a dimensão das necessidades materiais, assim como os condicionamentos hereditários, que induzem a personagem a um determinado comportamento.

Trecho da tradução de Dom Casmurro para a língua ingle-

A profecia se cumpre. Machado de Assis começa a ser reconhecido em todo mundo. Os simpósios internacionais sobre sua obra, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, atraem a atenção de acadêmicos respeitáveis. Seus livros foram traduzidos para quatorze idiomas. Há nos EUA, um entusiasmo por novas traduções. Machado de Assis é o ramo literário brasileiro mais estudado, que está ganhando o mundo.

“Não tive filhos, não transmiti a nenhum ser o legado da nossa miséria.” (Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Partes da Exposição em homenagem a Machado de Assis no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo

Certamente, Machado de Assis contribuiu com suas crônicas e demais produções, para aguçar o espírito crítico dos leitores de seu tempo. Sua obra influenciou gerações e mais gerações de escritores que conviveram com ele e que o sucederam.

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Além do legado literário de sua obra, ele mudou a maneira de escrever. Suas criações saltaram das páginas dos livros para outras formas de manifestação artística. Machado de Assis é nosso patrimônio nacional, seu talento não deixou que ele seguisse o mesmo caminho que sua personagem Brás Cubas, pois o seu legado está ai para quem quiser ler e ainda tem muito que ensinar ao leitor de hoje. Conhecer a obra machadiana é conhecer o Brasil.

Filme e Peça de Teatro inspirados pela obra Dom Casmurro.

“A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras.” O centenário da morte de Machado de Assis evidencia sua contribuição para a literatura brasileira através de suas obras que permanecem atuais mesmo depois de cem anos, valorizando a língua portuguesa e ressaltando a importância da escrita. Sua visão da sociedade e sua forma de narrar os acontecimentos dentro de uma história prendem a atenção de todos os tipos de leitores, quebrando o mito de que livros clássicos de nossa literatura têm que ser chatos e de linguagem incompreensível. Como toda unanimidade é burra, nem todos se rendem às tramas de Machado e acreditam que há cem anos apenas uma vela se apagara, porém, com certeza formamos uma maioria que sopra os ventos atiçadores desta paixão que é se entregar aos pensamentos e, porque não, diálogos com um autor que nos chama para a história e nos faz pensar também. Para aqueles que o descrevem complexo demais, seria perfeito definir Machado de Assis como escritor de textos simples para aquele que gosta de pensar, de viajar, de interagir ou que simplesmente gosta de ler. A semana tentou demonstrar a extensão da importância de Machado de Assis, mas este autor é um continente vastíssimo. Quanto mais o leitor se aprofunda, mais resta para saber sobre ele. Sua ausência certamente aumentou as grandes paixões, e suas obras atiçam o conhecimento. Com certeza hão de continuar acendendo o prazer pela literatura.

“Escrever é uma questão de colocar acentos” (Joaquim Maria Machado de Assis)

Carol (LOG2AM), Gleicy (IRD2CM), Luciene (SEC2DM) e Pedro Henrique (ADM2AM), com o apoio das professoras Cristiane Rocha, Neide Cortivo e Sônia Oxisque.

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Opinião dos alunos

Ampliando a discussão Capitalismo ou Socialismo, qual deve ser aplicado?

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Em diversos lugares, muito tem se discutido sobre qual sistema é o melhor, ou qual sistema dever ser adotado. Para quem não conhece os sistemas, vamos explicar cada um e destacar pontos positivos e negativos de cada. Iniciamos com o Capitalismo, sistema em que há uma grande valorização do Capital e do produto, pois por meio dele haverá o acúmulo de lucro. Neste sistema há o predomínio das empresas privadas. Algumas características naturais do ser humano contribuem para que o Capitalismo seja o mais aplicado. O Ego, a vontade de crescer, de ser o melhor e a competição, são adjetivos humanos e, por conseqüência, capitalistas. Neste sistema são explicitas competições jurídicas e físicas. Existe o Mercado auto-ajustável, visto que movimenta a oferta e a procura na proporção justa, ou seja, o que se oferta é regulado de acordo com o que é procurado. A sociedade capitalista impõe que haja um aumento na demanda de consumo, sendo que não haveria necessidades e sim satisfações. O consumo por satisfação é alimentado pelo Ego, já o de necessidade é determinado pelo poder de compra disponível. No Capitalismo as relações humanas são pouco valorizadas, há uma imensa preocupação em lucrar. No mercado não pode haver monopólios, pois é também uma questão de ética. Adam Smith (1723 - 1790) é o pai da Economia Moderna e em seu livro “Ética e Sentimentos Morais”, condena o monopólio. Para ele a essência do mercado é a concorrência. Para Smith só existe mercado se existir o Recurso Financeiro, já que é ele que o movimenta. O Capitalismo é um bom sistema econômico, pois motiva a vontade de crescer e nele há o aumento de esforços para atingir um objetivo, sem dúvidas é um sistema motivador. Já considerado como sistema social, não é o melhor, pois as relações humanas são desvalorizadas, tudo em prol dos Recursos Financeiros. Mesmo que praticado durante toda a modernidade, peca no ponto de vista social. A essência Capitalista está presente até mesmo no escambo, quando eram trocadas mercadorias por mercadorias, produto por produto. Havia a necessidade de um padrão, pois a valorização de seu produto e a desvalorização do produto alheio já estava presente. Vale ressaltar que o sistema Capitalista faz com que haja desigualdade social e que haja exploração do proletariado (mão de obra assalariada), visto que a alta classe (empresários) explora os trabalhadores com salários miseráveis para ter uma margem de lucro maior. Mas dar salários miseráveis faz com que o mercado se desaqueça, pois os mesmos trabalhadores são, por outro lado, os consumidores, e como irão consumir

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se recebem salários muito pequenos? Volto a dizer, o mercado desaquecerá e haverá demanda insuficiente, sendo que os consumidores não terão poder de compra, e é claro, o sistema entrará em crise. Crises no sistema Capitalista eram previstas por Karl Marx (1818 – 1883), que lutava pelo bem estar social e principalmente por igualdade social. Mais do que tudo Marx queria que houvesse salários justos aos trabalhadores, mas, por muitas vezes, não foi apoiado nessa causa. Criou a teoria da “Mais Valia”, que aborda o montante adquirido através da diferença entre o capital retornado e o capital investido, ou seja, o que o trabalhador produz menos o que ele recebe. Vimos que o capitalismo é um bom sistema econômico, porém não é o melhor sob o ponto de vista social, sendo que o privilégio de acumular Capital é da classe alta, visto que os trabalhadores não têm condições de acumular Capital com salários miseráveis. No Capitalismo, empresários estão substituindo Trabalho por Capital, pois se não há procura, para que investir em produto? Aplica-se em uma espécie de “Ciranda Financeira” que gerará um montante com juros. Este fato foi previsto por Marx. Fato que por conseqüência traz desemprego e desaquecimento do mercado. Por fim, conclui-se que como sistema social o Capitalismo não tem condições de ser aplicado. Vamos conhecer um sistema que visa a igualdade social entre outros benefícios para a sociedade. Essa abordagem tem como objetivo fazer uma comparação entre os dois sistemas

mais polêmicos da história mundial. Desde quando o homem começou a se organizar em grupos, tomou ciência da necessidade da criação de leis e políticas que facilitassem o convívio social e o alcance dos objetivos da sociedade. Como vimos, o espírito capitalista existe até mesmo antes da criação da moeda, mas o mesmo pode ser dito do ideal socialista. Por mais que neguemos este fato, quem nunca questionou a miséria de alguns países? Pelo menos uma vez, você já olhou para o estado degradante de alguém e tentou procurar culpados para justificar essa situação? Procurar um culpado é uma maneira de tentar resolver o problema e de se preocupar, e o Socialismo além de revelar o culpado, traz a solução. O Socialismo moderno surgiu em resposta à Revolução Industrial que se desenvolveu rapidamente no século XIX. Um dos mais importantes pensadores do Socialismo moderno foi Karl Marx, que desenvolveu uma crítica revolucionária ao sistema capitalista e teorias que até hoje são defendidas por quem levanta a bandeira Socialista. Marx viveu numa época em que as indústrias estavam passando por mudanças radicais, após o surgimento da máquina à vapor que substituiu o trabalho no campo, fazendo com que as pessoas fossem para a cidade em busca de trabalho e melhores condições de vida, na época em que mulheres e crianças eram submetidas a tarefas pesadas e cansativas, em longas jornadas de trabalho. Ele entendia que o sistema capitalista privilegiava a exploração do trabalhador pelos donos de empresas e beneficiava apenas

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uma pequena parcela da população. Ele enxergava as correntes que envolviam os trabalhadores e via como a Burguesia usava o homem para obter lucro. Marx dava ênfase ao fato de que, com o passar do tempo, a concentração de riqueza nas mãos de poucos seria cada vez maior, e que com essa distribuição cada vez pior da riqueza, o proletariado teria o seu poder de compra diminuído, desaquecendo o mercado e enfraquecendo a economia, levando o sistema à uma crise ou até mesmo um colapso. Karl Marx lutou para que os trabalhadores fossem mais valorizados e registrou todas as suas teorias em seu livro “O Capital”. Com o passar do tempo o Socialismo foi ganhando aliados e se tornou uma política forte, ao ponto de ser adotada por países da Europa Oriental e da Ásia. O Socialismo idealizado por Marx, tem como principal objetivo promover a igualdade social, humana e o bem estar do homem, fornecendo a este, meios para que suas necessidades sejam supridas. No Socialismo pregado por ele, os direitos são iguais e as pessoas são valorizadas como seres humanos dignos de respeito, e não importa a sua condição social, o homem sempre será um cidadão. O recurso financeiro não significa poder. O sistema Social foi dividido e formou o Socialismo democrático e o Comunismo. O Socialismo democrático foi adotado pelos países da Europa Oriental e posterior-

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mente pelo governo soviético, que antes era um governo comunista. Infelizmente tivemos péssimos exemplos de países que adotaram esta política simplesmente porque nenhum deles entendia a verdadeira essência socialista. Quando se fala sobre política social, entenda que essa política visa acima de tudo o bem-estar, o respeito, a dignidade e a integridade humana, oferecendo bases sólidas para que o homem construa seu futuro. Um futuro com direitos. Porém, assim como o Capitalismo, o Socialismo também tem seus pontos negativos e muitas de suas idéias não se adaptam a maneira de pensar do homem moderno e consumista, que já se acostumou com a política capitalista. E por estar acostumado à política capitalista, o homem não se adaptaria a uma política socialista, caso esta também fosse aplicada como política econômica. Mas, por fim, se o socialismo fosse aplicado somente como política social e o capitalismo, somente como política econômica, a junção desses sistemas, cada um em sua área, faria uma política quase perfeita. Uma política que valorizaria o capital, mas sem esquecer do valor humano, que não diferenciaria ninguém, independentemente de sua classe social, porém que estimularia e daria estruturas fortes para que o cidadão cresçesse. É necessária uma política que vise o crescimento, porém que estimule o respeito e que enfatize os direitos e deveres de todos de uma maneira uniforme. (Julio Cesar e Bianca Brás - ADM 1CT)


Artexpressa

Artexpressa A TAL VILAZINHA

Revista Pensar! n.3

Lá vão os alunos De branco e azul marinho Visitar a tal vila Que mais parece um ninho. Sinta a neblina, Por ti passar E ouça o Big Ben Seu lindo som tocar. O Serrabreque Fica ali parado Pelos olhos de todos Sendo filmado. Em meio à trilha Tudo de repente se cala E a mãe natureza Conosco fala. Uma fala incomum suave e mansa Dizendo apenas “Não faça desta riqueza apenas uma lembrança” O privilégio chega ao fim O dia logo se acaba E nós ali deixamos A bela Paranapiacaba. Silvia Nara P. Silveira – LOG1AT

Em seus relatórios sobre o Estudo de Meio realizado na Vila de Paranapiacaba (ver matéria da pg.4), podemos dizer que nossos alunos externaram o conhecimento adquirido das mais diferentes formas. Uma que chamou a atenção foi o retrato poético com o qual os relatórios se iniciaram. Confira nesta coluna algumas das sensações transformadas por nossos alunos em palavras sobre a vila histórica de Paranapiacaba! Viagem por Paranapiacaba Paranapiacaba Lugar nem tão longe, nem tão perto Passeio em céu aberto Cheio de coisas para se aprender E com exemplos vivos para entender

Iguais funções Construir sistema ferroviário Seria tão rápido Mas adoraram o local E lá estão.

O que os ingleses trouxeram? Sua cultura e tecnologia. Talvez a magia de suas construções Patrimônio brasileiro que contagia...

Um ponto turístico. Festivais de inverno, Que atraem visitantes Que fazem lá o calor humano Já que não tem, pois São aproximadamente 1.500 habitantes

Lugar de onde se vê o mar Vila ferroviária ou talvez Patrimônio histórico, turístico, Arquitetônico, urbanístico Ou histórias para se contar? Bioma da mata atlântica Serra do mar Influência portuguesa Casas diferentes

É dessa cidade que aqui vamos relatar Espero que aqui possam encontrar Um possível interesse De ir visitar! Pâmela Cascais – LOG1ET

Por qualquer uma das suas trilhas, Paranapiacaba nos faz conhecer suas maravilhas, Preservando suas origens culturais, Sem esquecer-se dos meios ambientais, Apesar de não passearmos de Maria-Fumaça, Pudemos conhecer grande parte de sua graça. Na parte alta viveram os portugueses, Já a parte baixa, era povoada por ingleses, Olhando para cada tipo de arquitetura, Podemos destacar diferenças em cada estrutura. Podemos, em dias frios, ver a chegada do nevoeiro Que num piscar de olhos, cobre o lugar inteiro.

Maria-Fumaça - Elemento importante da história de Paranapiacaba

E traduzindo essa introdução, Paranapiacaba é um lugar sem comparação. Jéssica F. da Cruz – LOG1FT

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Paranapiacaba Um lugar belo Cheio de fantasias Matas, rios e até um castelo! Uma vila alta, estreita Que guarda no seu intimo um pequeno cemitério! Pátio, e uma Maria-Fumaça... Dando honra, glória e graça A um lugar que poucos conhecem Mas que no passado muito foi Mais que a força de um grande boi Uma máquina que para a serra desce! Na floresta rio e mato... Pequenos caminhos Grandes buracos! E lá em cima o que posso ver? Um castelo assombrado que a “noiva de branco a de esconder”!

Na vila baixa muita educação Escolas, mercado e ruas bem grandes... E no meio do passeio o que vamos fazer? Parar, descansar e comer. Pois restaurantes tem pra “chuchu”. E um mercado que nos abrigou De uma garoa fina que sobre nós chegou. Na ferrovia muita emoção Logística presente, que satisfação Tecnologia alta de criativa Trabalho duro, nada de preguiça! Planos inclinados, um nó imenso. Maria fumaça que hoje só funciona como passatempo... Paranapiacaba, mais que uma experiência... Uma lição de perseverança e de luta! Karoline de Brito Azzola – LOG1BT

Embarque com os livros, viaje nas entrelinhas! Finalmente chegaram as férias. Algumas pessoas já têm destino certo: uma viagem, passeios ou festas. Outras começarão as férias descansando, mas acabarão caindo no tédio. Quer uma dica? Esbalde-se com livros! Existem inúmeros livros que podem ser o seu passaporte para lugares inimagináveis, como por exemplo, “As viagens de Gulliver” de Jonathan Swift, que leva o leitor a conhecer ilhas, pessoas e situações diversas com muita fantasia, ou “A volta ao mundo em oitenta dias” de Júlio Verne, no qual uma simples aposta é a chave para muitas aventuras. “Sonho de uma noite de verão” de William Shakespeare, envolve romance, humor e tragédia, em meio a fadas, elfos e mitologia grega. “Hamlet” do mesmo autor, uma história de vingança, que inspirou o autor brasileiro Pedro Bandeira a escrever “Agora estou sozinha”, assim como a obra “Notre Dame de Paris”, de Victor Hugo, o inspirou a escrever “O medo e a ternura”. Assim a idéia das histórias originais são transmitidas de um modo contemporâneo, voltado para o público jovem, o que implica em uma linguagem mais simples de ser compreendida. Alguns livros infantis nos ensinam lições para toda a vida, como o clássico “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, ou o sensível “O menino do dedo verde” de Maurice Druon, que “deveria ser lido por todas as pessoas até os 20 anos de idade, pois assim não haveria tantas tragédias no mundo” – segundo a professora Cris Rocha. Para as meninas românticas, “Os sofrimentos do jovem Werter” de Goethe, é uma ótima opção, ou ainda “A marca de uma lágrima” também de Pedro Bandeira, que conta a história de uma adolescente que se acha feia e que

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Artexpressa

Artexpressa vive o drama da separação dos pais, um triângulo

cadáver ouve rádio”. Outros livros desta série que podem

amoroso, além de se envolver em um crime cheio

prender a sua atenção são “O escaravelho do diabo”, de Lú-

de mistério, tudo isso envolto em muita poesia,

cia Machado de Almeida, “Na mira do vampiro”, de Lopes

com um final surpreendente.

dos Santos, e “Missão no Oriente”, de Luiz Puntel.

Já para quem gosta de histórias de terror, misté-

Essas foram as nossas dicas de leitura, quase um roteiro

rio e suspense, “Assassinatos na rua Morgue” de

de férias. Esperamos que você adquira o hábito de ler, viaje

Edgar Allan Poe, contém várias histórias como “O

longe e traga boas lembranças!

Revista Pensar! n.3

gato preto”, “Os fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar”, “Nunca aposte sua cabeça com o Diabo” entre outras, que possuem enredos de arrepiar! Uma das séries juvenis mais famosas, a “Série

Aproveite! A biblioteca do “ITB Professor Munir José” contém alguns dos livros citados, além de jornais com tirinhas humorísticas e revistas.

Vaga-lume” que publica livros desde 1980, contém

(Cristiane Lorena S. dos Santos, Kelly Silva de Sousa e

histórias para todos os gostos. Nesta série, o autor

Marina da Silva Daniel, alunas

Marcos Rey se destaca, com 15

do curso de secretariado do ITB

livros publicados, como

Prof. Munir José)

“Sozinha no mundo”, “Gincana da morte”

e

“Um Biblioteca em cena “Aqueles tempos de infância Tudo tão mágico...

E para fechar essa coluna, confira o recado da Juliana de Oliveira Neves, aluna do ADM1DT, que freqüenta a biblioteca do ITB Prof. Munir José e recomenda que mais alunos façam o

Viajamos ao LER e VER histórias. Entramos nelas e vivenciamos os seus acontecimentos. Crescemos E as histórias também. Para cada pessoa há um livro: suspense, terror, magia e romance. Só que espere: muitos perderam a magia de sonhar e acreditar; Veja se está em algum lugar dentro de você. Sendo assim, entre na BIBLIOTECA LEIA um livro Esqueça os problemas Esfrie a cabeça e boa leitura!”

Biblioteca do ITB Prof. Munir José

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Orientação profissional

Orientação profissional A QUESTÃO QUE NÃO TEM COLA: A ESCOLHA DA PROFISSÃO. Desde que nascemos fazemos escolhas. Qual a melhor posição para dormir, qual o melhor lugar para sentarmos à mesa, qual o brinquedo que quero ganhar, qual o programa de TV mais bacana? Fazemos tantas escolhas em nosso dia a dia que sequer percebemos. Muitas são automáticas. Nem são percebidas como escolhas. Como dizem: “fazem parte” de nosso dia a dia.

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Mas quando se trata de escolher profissão.... “o bicho pega!”. As dúvidas de quase todo mortal: Que curso fazer? Tenho mesmo que fazer um curso? Como escolher minha profissão? O que eu quero pra mim? Quero algo que me dê dinheiro? Que me dê prazer, status, realização? Dá para ter tudo isso junto? Por que escolher uma profissão traz tantas dúvidas? Ainda temos a idéia de que escolher a profissão significa fazer a escolha definitiva de nossas vidas. Há algum tempo quem escolhia o Direito como profissão seguia carreira nesta área e, em raríssimos casos, mudava de atividade. O mesmo acontecia com o médico, o engenheiro, o professor... Você reparou que citei as profissões mais conhecidas? Pois é. Esta é uma outra questão. Havia poucas opções de curso superior. Pra você ter uma idéia, na edição de 1994, ano em que provavelmente alguns de vocês eram bem crianças, no Guia do Estudante da editora Abril, foram listadas 129 profissões de nível superior, e na edição de 2003, 162. Procure saber quantas estão mencionadas na edição deste ano, 2008. Faça uma comparação. Por que estou sugerindo isso? As profissões existem, algumas deixam de existir enquanto novas vão surgindo, porque há demandas para elas. Você já ouviu falar dos “profissionais do verde”? São os profissionais que atuam em questões relacionadas à preservação do meio ambiente. Há dez anos, eles quase não existiam. E por que se fala tanto neste setor do mercado de trabalho? Bem, a resposta você já sabe. Nas aulas de geografia, biologia, química... o aquecimento global, o esgotamento dos recursos naturais.... disso tudo você já ouviu falar em algum momento.

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Vamos continuar pensando... Se a tecnologia da informação não fizesse parte de nossas vidas como faz hoje, você acredita que existiriam os hackers? Até mesmo as modalidades de roubo são diferentes. Haveria necessidade de profissionais cada vez mais capacitados para se anteciparem no campo de segurança tecnológica? E as facilidades que a tecnologia nos traz? Embora também traga algumas dificuldades e crie em nós um sentimento de incapacidade tão grande diante, por exemplo, de um programa que não executa? Uma aula pode deixar de acontecer porque o pen-drive apresentou problemas. Um negócio deixou de ser fechado porque houve uma pane no sistema operacional da empresa. Há profissionais para resolver todas essas questões. Quer mais? Você já deve ter ouvido falar que a expectativa de vida das pessoas está aumentando. Cinqüenta anos atrás, um indivíduo com quarenta anos era considerado velho! Chegar aos sessenta era uma teimosia!! Olhe pelas ruas, ao seu redor, nos shoppings. Você encontrará com facilidade pessoas com 70 ou 80 anos, caminhando, conversando, tendo uma vida social muitas vezes independente. O Oscar Niemayer, um dos arquitetos mais famosos do mundo, fará em dezembro 101 anos!!! E continua com idéias geniais e trabalhando muito.

Mas se mesmo assim, você optar por uma profissão chamada tradicional, estenda seus horizontes mesmo assim. Pense no advogado que se dedica ao campo do direito ambiental. Pense no médico geriatra, que cuida dos idosos. Em toda profissão há aspectos positivos e outros nem tanto. Escolher uma profissão passa antes pelo conhecimento de si mesmo, saber o que quer e o que não quer. Passa também por avaliar realisticamente as condições financeiras de que se dispõe, além, é claro, de avaliar as expectativas do mercado de trabalho. De que adianta fazer um curso que hoje dá dinheiro se daqui a cinco anos o mercado estará saturado de profissionais ou as demandas não mais existirão como hoje? Escolher uma profissão não significa fechar as portas definitivamente para as outras. É uma questão de tempo e amadurecimento. Conhecimento e experiência não se perdem. Sem nos darmos conta, os utilizamos frequentemente.

“É preciso ampliar nossos horizontes. Sair do espaço comum”

Partindo disso, é preciso pensar em produtos e serviços para esta camada da população. Que profissionais poderiam estar envolvidos no atendimento à essas pessoas? Não fale que são os enfermeiros e médicos, porque eles fazem parte desse grupo, mas não são os únicos. Há muito tempo uso a expressão “só nos apaixonamos por quem sabemos de sua existência”. Traçando um paralelo, “profissão – paixão/ amor”, só vou me interessar por profissões sobre as quais já ouvi falar ou conheço alguma coisa. É preciso ampliar nossos horizontes. Sair do espaço comum. Buscar oportunidades além do “nosso muro”.

Uma iniciativa importante é começar por conhecer a profissão. Ler sobre ela. Conversar com estudantes da área e profissionais em começo de carreira, ou que já estão estabilizados. Nesta busca, você pode descobrir coisas interessantes e confirmar o que já sabia. Também pode perceber que estava enganado acerca de algumas concepções. Para dar um empurrãozinho na largada da grande jornada da escolha profissional, transcrevo na página ao lado duas profissões de nível superior que estão relacionadas aos cursos técnicos de nossa escola: Secretariado Executivo e Administração Pública. Na próxima edição da Revista, abordarei outros cursos, mas como sei que não dá para agradar a todos, aceito sugestões. (Luciana Beliomini, professora de Psicologia e Administração de Recursos Humanos no ITB Prof. Munir José)

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Orientação profissional

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA É a aplicação das teorias clássicas de administração no gerenciamento das instituições públicas. Encarregado de aplicar as teorias administrativas no desenvolvimento de ações do interesse social coletivo, o administrador público é essencialmente um planejador. Cada vez mais requisitado pelo mercado, ele gerencia organizações do setor público em nível governamental, em agências federais, estaduais ou municipais, nas empresas ligadas ao terceiro setor ou em organizações não-governamentais. Os profissionais são habilitados para o planejamento e a gestão de políticas públicas, implementação de programas de responsabilidade social, gestão de organizações sociais, elaboração de programas governamentais e também são requisitados em agências reguladoras e de fomento social.

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MERCADO DE TRABALHO Para funcionar e ser eficiente em gerir seus órgãos, implementar políticas e projetos, o Estado, nas instâncias municipal, estadual e federal, precisa de profissionais com conhecimento específico em administração, mas ao mesmo tempo com visão abrangente em relação a todos os processos administrativos, desde a área de finanças, orçamento e compras, até a jurídica. Além das organizações públicas, nas quais se concentra a maioria das vagas, as empresas de capital misto e de capital privado, que buscam implementar políticas de responsabilidade social e negociar com as empresas estatais, que cresceram muito nos últimos anos, também precisam cada vez mais desse especialista.

A expansão do terceiro setor e das organizações não-governamentais, sindicatos e associações filantrópicas tem contribuído para aumentar a demanda por esse profissional em todo o país. A especialização em responsabilidade social é, portanto, bastante valorizada. Saúde é outra área com muita demanda, especialmente no âmbito municipal. Embora todo o país precise de administradores públicos, as ofertas de trabalho se concentram mais nas regiões Sudeste e Sul. $ Salário médio inicial: R$ 1.600 O CURSO Para formar administradores capazes de gerir instituições e projetos de ordem social coletiva, os cursos de Administração Pública possuem em comum com os cursos de Administração tradicional várias disciplinas, como contabilidade, estatística, gestão de recursos humanos, sistemas de informação, economia, direito e matemática. O que os diferencia é o enfoque na problemática que envolve a administração de projetos da esfera pública. Os cursos têm disciplinas diretamente relacionadas à área de conhecimento do âmbito público da sociedade, com ênfase especial nas áreas humanas, como sociologia, filosofia, história, política, e em disciplinas de caráter mais específico, como auditoria pública, gestão pública, desenvolvimento sustentável, política e economia brasileira, organização governamental e administração do terceiro setor. Duração média: quatro anos Outro nome: Gestão de Políticas Públicas. O QUE VOCÊ PODE FAZER

Serviço Público Administrar e dar assistência aos setores contábeis e orçamentários dos órgãos públicos. Realizar licitações e contratos administrativos. Gerenciar a ligação entre empresas públicas e privadas.

Organizações não-governamentais Elaborar programas de metas, gerenciar orçamento, planejar e implementar programas sociais.

Empresas do terceiro setor

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Implementar programas e projetos, elaborar e planejar processos de licitação pública, promover o contato entre as empresas e o setor estatal.


SECRETARIADO EXECUTIVO É o conjunto de atividades empregadas na assessoria de empresas e em outras organizações públicas ou privadas. O secretário executivo é o assessor imediato de dirigentes e gerentes de uma organização. Ele não só controla os arquivos, a correspondência e a agenda do chefe, tomando as providências necessárias para que as decisões de seu superior sejam executadas com rapidez, como também participa das decisões da empresa, assessorando os executivos em suas relações nacionais e internacionais. Ele gerencia, por exemplo, processos administrativos, informações, equipes e comunicações internas e externas. Tem poder de decisão sobre a rotina do departamento ou setor em que trabalha, fazendo a ponte com as demais áreas da empresa. Auxilia executivos na preparação de apresentações e na organização de eventos e encontros de negócios. MERCADO DE TRABALHO O mercado para o profissional passou por um período de estabilidade, mas apresenta boas perspectivas de crescimento para os próximos anos, em razão do aumento da demanda por secretários executivos bilíngües ou trilíngües. Empresas multinacionais e as nacionais que fazem negócios com outros países têm necessidade crescente de especialistas em secretariado e tradução e interpretação. A maioria das vagas é aberta onde há grande concentração de empresas e indústrias de diversos setores, como as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, além do Vale do Paraíba e Campinas (SP). O setor de serviços é o que mais tem contratado, principalmente bancos e construtoras, seguido por empresas do comércio, como grandes redes de lojas e supermercados. Nesse caso, profissionais com conhecimentos em administração e tecnologia da informação são os mais requisitados. Outra possibilidade são os concursos públicos, uma vez que as empresas estatais, que antes não costumavam procurar o profissional, estão buscando cada vez mais seus serviços. $ Salário médio inicial: R$ 1.200 (bilíngües), R$ 1.400 (trilíngües) O CURSO As matérias básicas são técnicas de secretariado, português, línguas estrangeiras, redação empresarial, informática, cerimonial, protocolo e etiqueta. Aprende-se, ainda, finanças, gestão empresarial e estratégica, marketing, recursos humanos e desenvolvimento organizacional. A maioria das escolas pede um trabalho de conclusão de curso, além do estágio supervisionado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Secretariado Executivo é uma habilitação da graduação em Letras. Duração média: três anos. Outros nomes: Automação de Escritórios e Secretariado O QUE VOCÊ PODE FAZER

Administração Atuar como assessor ou consultor autônomo, atendendo executivos na realização de encontros de negócios e eventos, como seminários e palestras.

Secretariado Assessorar executivos em reuniões e participar de decisões da rotina da empresa, atendendo clientes e fornecedores, organizando arquivos, redigindo documentos. Gerenciar os processos administrativos, informações, equipes e comunicações internas e externas da sua área.

Tradução e interpretação Escrever textos em idiomas estrangeiros e traduzir documentos para o português. Fazer a tradução simultânea em reuniões, debates e seminários.

(Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/)

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Redações - Olimpíadas de Química

Revista Pensar! n.3

Olimpíadas de Química Como ficou prometido no último número da Revista Pensar, seguem nesta edição as duas redações inscritas pelo ITB Prof. Munir José nas Olimpíadas de Química SP 2008. O tema era o “Computador: uma sofisticada combinação de produtos químicos” e a redação da nossa aluna Stefany Saraiva foi selecionada para a final como uma das cem melhores redações do estado. Confira os textos enquanto aguardamos os resultados da Olimpíada de 2009, da qual também estamos participando!

Computadores são químicos?

“Claro que não! Química são tinturas e produtos que fazem mal” – resposta tola e, infelizmente, comum de alguém que consome coisas que não entende. Infelizmente, grande parte das pessoas não sabe que os microcomputadores e toda matéria que há ao nosso redor é tão químico quanto nós. O hardware de um microcomputador é composto por vários elementos químicos, em substâncias puras e misturas, e estes elementos são as peças fundamentais da fabricação de todos os componentes eletrônicos. O microprocessador, por exemplo, é um dos itens mais importantes e complexos existentes na CPU (Central Processing Unit ou Unidade Central de Processamento). Quimicamente trabalhado, o silício (Si) utilizado para produção dos semicondutores do processador passa por um processo de purificação com objetivo de obter um cristal de extrema pureza. Logo é resfriado, cortado e polido para eliminar

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“impurezas” superficiais. Depois é dopado sistematicamente, para que a estrutura de cristal receba quantidades extremamente controladas de “impurezas” (misturas de gases), no caso, boro (B) e fósforo (P) que servem para transformar a estrutura do silício. Assim, a lâmina recebe várias dopagens e redopagens, formando camadas de regiões condutivas e isolantes conforme a necessidade do circuito integrado; depois é interconectada com uma camada superfina de alumínio (A) sobre a superfície e isolado com dióxido de silício (SiO2). Enfim, o processo de fabricação do chip é quimicamente estudado e rigorosamente controlado. Outro dispositivo importante é a placa de circuito impresso (aquelas placas verdes, lembra?), constituída por uma placa de fenolite (formada com camadas de amianto, tecidos de algodão ou celulose, vidro ou de flocos), fibra de vidro (filamentos de vidro com resina de Poliéster), fibra de poliéster (etileno glicol (EG) + ácido tereftálico puro (PTA) ou dimetil teraftalato (DMT)), filme de poliéster (glicol etilênico e o ácido tereftálico),

entre outros. A placa de circuito possui a superfície recoberta por uma fina película de cobre (Cu), prata (Ag), ou ligas à base de ouro (Au), níquel (Ni) e outros metais. O cobre, em particular, é um elemento químico que está presente em nós seres humanos, e cuja função é controlar a energia produzida pela membrana da mitocôndria, evitando que nosso corpo pegue fogo ou derreta. O console da CPU é composto basicamente por ferro (Fe) e outros metais, com itens de personalização que são produzidos com plásticos e/ou alumínio. A tela de plasma dos computadores também é quimicamente produzida, visto que contém substâncias gasosas como o xenônio (Xe) e o neônio (Ne), contidos em células microscópicas que emitem luz ao receber energia elétrica. As telas também são revestidas na sua base com uma substância de fósforo colorido em três cores básicas, vermelho, azul e verde que, quando estimuladas por algum tipo de radiação, emitem luz, e com a variação de energia e radiação obtém-se todas as cores necessárias para representar


uma imagem. Já a tela de LCD (Liquid Crystal Display ou Monitor de Cristal Líquido) é constituída por duas placas de vidro que contém cristais líquidos entre elas. A tela de LCD é um dispositivo passivo (não emite luz) cuja transparência varia e esta variação é explorada por uma retro-iluminação. Por conseguinte, a tela de LCD emite uma luz refratada. O monitor com tecnologia CTR (Cathodic Ray Tube ou Tubo de Raios Catódicos) é formado por um tubo de vidro que, em uma de suas extremidades contém canhões que emitem elétrons em direção a materiais fluorescentes, formando a imagem. Os periféricos de entrada e saída como o mouse e o teclado são constituídos basicamente com materias plásticos (longas moléculas de carbono e hidrogênio provenientes do petróleo), sensores ópticos e metais que formam seu interior, os chips. As impressoras a laser também são altamente químicas (isso não quer dizer que são prejudiciais à saúde física, quando usadas com responsabilidade) seu console é fabricado com materiais como plástico e metais, entre outros materiais. Seu laser é formado com materiais como o cristal de rubi acrescido de safira, gases nobres como hélio (He) neônio (Ne) misturados, diodo de laser em estado sólido e moléculas orgânicas. Como vimos até agora o microcomputador é tão químico quanto nós, e até mesmo possui elementos que estão presentes em nosso organismo. Mas a evolução eletrônico-computacional não pára

por aí, pois logo em breve teremos um Computador quase que totalmente orgânico, visto que recentes e avançadas pesquisas apontam para o desenvolvimento de computadores moleculares. O DNA vem para substituir os chips à base de silício, com maior capacidade de processamento. Diferente do chip de silício, o biochip (DNA) será capaz de fazer vários cálculos simultaneamente, diferente do computador digital, que realiza várias operações em seqüência, mas uma de cada vez. Atualmente é possível sintetizar moléculas de DNA e RNA, ou proteínas de forma a conter seqüências predeterminadas de códigos. Mas levam-se horas para produzir uma quantidade extremamente pequena de moléculas. Ainda estamos longe de conseguir produzir um computador molecular perfeito, entretanto estamos evoluindo rapidamente nesta área. Com um pouco de sorte, e bastante estudo, os computadores moleculares futuramente poderão resolver cálculos matemáticos de extrema complexidade, identificar e tratar o câncer, entre outras doenças. Assim, o computador é tão parecido conosco, que nem mesmo percebemos. Mas em breve conversaremos com nossas máquinas, embora muitos ainda acharão que isso é bruxaria, não Ciência! (Stefany R. Saraiva ADM2AM)

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Redações - Olimpíadas de Química

Revista Pensar! n.3

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OBQ-2008

País A + país B = computador “Em um planeta muito distante, chamado Tabela Periódica, havia dois países: o país A e o país B, sendo que no país A existia uma família que não se misturava com as outras, por ser muito nobre. Mas as outras famílias se misturavam entre si para se tornarem parecidas com a família dos nobres. E foi assim, fazendo uma mistura aqui, outra ali, que o resultado foi surpreendente e os mais diversos objetos foram criados: lâmpada, rádio, televisão e... o computador! Um objeto extraordinário, capaz de realizar inúmeras tarefas, graças à união dos elementos de cada família, que entraram em um acordo para ter uma vida melhor. O que eles não sabiam, é que também melhorariam a vida de outros elementos chamados “seres humanos”. – Gostou da historinha, filho? – Pai, eu pedi para o senhor me contar do que o computador é feito e não uma historinha de ninar! – Mas filho, é verdade... – Pai, o senhor quer que eu acredite que os elementos se casaram e aí nasceu o computador? – Calma, não é bem assim. É que as várias partes do computador são feitas da combinação dos elementos químicos. – Ah, então os elementos químicos existem de verdade? – Claro, e estão organizados na tabela periódica. Mas eles estão por toda parte: o ar, a água, os automóveis, as tintas, a madeira, o plástico, os medicamentos, os doces e o computador, entre outras coisas, são feitos de elementos químicos. Analisando a parte externa do computador, percebemos que o mouse, o teclado e a “carcaça” do monitor são feitos de plástico, que é basicamente carbono e hidrogênio em moléculas enormes. As letras do teclado são feitas com tinta, e as tintas são uma mistura de elementos químicos como o chumbo, o cromo, o zinco entre

outros. O gabinete da CPU pode ser de alumínio, zinco ou ferro, e os monitores antigos possuíam canhões de elétrons e telas de fósforo, mas hoje eles são feitos de cristal líquido. Mas é na parte interna que os elementos químicos estão em maior variedade, a começar pelos fios, que são feitos de cobre e encapados por plástico. Existem chips, pastilhas, placas e processadores que são feitos basicamente de silício, revestidos de cerâmica ou plástico, com pinos de níquel banhados a ouro. E isso sem falar na impressora que expele tinta, ou na que utiliza uma luz concentrada para controlar um pó de carbono que se fixa no papel, a impressora a laser. – Os elementos químicos só nos trazem benefícios, então? – Depende. Se você jogar o computador no lixo, alguns impactos destrutivos poderão ocorrer no meio ambiente. O plástico PVC, por exemplo, presente nos computadores mais antigos, libera substâncias tóxicas quando se decompõe ou quando é queimado. A mesma coisa acontece com os Retardadores de Chama Bromados que podem até interferir nos hormônios de crescimento das pessoas. Porém, algumas indústrias de computadores estão providenciando a eliminação desses elementos químicos perigosos ao meio ambiente. – Então, pai, é preciso usar o computador e depois reciclá-lo? – Isso mesmo! Mas será a sua geração que produzirá computadores sem elementos químicos prejudiciais à saúde. – Ah, quer dizer então que os elementos químicos são os culpados pelo meu conforto e diversão na frente do computador, mas nós não devemos jogar os computadores no lixo, porque senão os elementos químicos ruins para a nossa saúde se voltam contra a gente. Que danados esses elementos, hein?! (Cristiane L. S. dos Santos, Kelly S. de Sousa, Marina da Silva Daniel e Mayara F. de Souza, alunas do curso de Secretariado no ITB Prof. Munir José)


Passatempos

Jogos, desafios e passatempos Mais raciocínio que coordenação... Com um lápis, desenhe cada uma das figuras abaixo sem desencostar a ponta do lápis do papel em nenhum momento. O último desenho

Revista Pensar! n.3

exigirá um pouco mais do seu cérebro...

Quadrados e mais quadrados!!! Quantos quadrados há no desenho acima?

SUDOKU de letras! Você conhece o jogo de Sudoku, certo? Em que você deve completar cada linha e cada coluna com os números de 0 a 9... Pois então, nessa variação do SUDOKU nós apenas trocamos os números pelas primeiras nove letras do alfabeto. Você deve completar cada linha e cada coluna com as letras A, B, C, D, E, F, G, H e I, em qualquer ordem, mas sem repetições numa mesma linha ou coluna. Em cada quadrante também devem aparecer essas nove letras (os quadrantes são as áreas brancas e cinzas do diagrama). Repare em como essa simples mudança de números por letras deixa o jogo bem mais desafiador. Boa sorte! (Jogos e passatempos propostos pelos professores Zé Otavio e Adélia)

distância da bolinha. para o verso da folha dobrada, iniciando o quadrado no verso da folha, e depois voltando para frente, já numa certa dobrar um cantinho da folha, bem ao lado de onde começamos a desenhar a bolinha, depois disso, passa-se o lápis

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Respostas: Há 40 quadrados na figura - Para desenhar a quarta figura, com a bolinha dentro do quadrado, basta

B D G A C F H E I

A E H B D I C G F

C F I E G H A D B

D A B C E G F I H

F H E D I A G B C

G I C F H B D A E

E B A G F C I H D

I C D H A E B F G

H G F I B D E C A


Revista Pensar! n.3

Ciências

Ciências

O princípio da conservação de massa

Experimente isso com uma

bola de massinha bem grande.

tir da água e do gás carbônico,

criança de menos de 4 anos:

Pergunte novamente se agora

a massa (ou o peso) total das

Faça duas filas de carrinhos de

está mais leve ou mais pesado.

substâncias produzidas deve

brinquedo na frente dela, as

Boa parte das crianças dirá que

ser igual à das substâncias

duas com a mesma quantidade

agora, com a bola de massinha

consumidas no processo. Isso

de carrinhos, cinco ou seis são

maior, ela é bem mais pesada!

seria uma aplicação do Princípio

suficientes, o importante é que

A explicação é a mesma, as

em uma das filas os carrinhos

impressões da criança se ba-

fiquem mais espaçados, como

seiam mais no tamanho do que

no desenho:

nas outras propriedades dos materiais, ou seja, o sentido da visão recebe muito mais crédi-

Agora peça para a criança contar quantos carrinhos há em cada fila: “um, dois, três, quatro, cinco, seis!”; e então pergunte, “qual das filas tem mais

carrinhos?”.

Na maior

parte das vezes, a criança apontará para a fila com carrinhos mais espaçados e dirá com toda a segurança: “Aqui tem mais”! Por incrível que pareça, uma criança de três anos sabe dizer os nomes dos números em seqüência, mas ela não está contando. Aqueles números ainda não têm significado para ela. Uma das filas tem mais carrinhos simplesmente porque é maior que a outra. O mesmo acontece em relação ao peso das coisas: Faça várias bolinhas de massinha com a criança e peça para que ela segure todas as bolinhas juntas, assim, com as duas mãos. Pergunte se está leve ou pesado. Depois peça para ela amassar todas aquelas boli-

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nhas juntas, fazendo uma

to que os outros sentidos, mais até do que a lógica, que será desenvolvida aos poucos durante o crescimento. Você entende que essa bola grande é formada com a mesma massinha que antes fazia todas as bolinhas pequenas, então o peso dela é igual ao das bolinhas iniciais, certo? Em química, essa idéia pode ilustrar um conceito importante, que chamamos de Princípio da Conservação de Massa. Vamos para um exemplo um pou-

da Conservação de Massa.

A explicação moderna desse princípio de conservação está ligada à constituição atômica de todas as substâncias. Nas transformações

químicas,

os

átomos de cada substância apenas se reorganizam, produzindo novas substâncias. Nenhum deles desaparece ou é criado. Assim, a massa que eles tinham no início do processo é igual à que apresentarão no final. Entendeu porque não se ensina química para crianças? (Zé Otavio, professor de química no ITB Prof. Munir José)

quinho mais complicado: Você sabe que as plantas verdes realizam um processo chamado fotossíntese. Basicamente, elas usam a luz do Sol como fonte de energia para produzir o gás oxigênio que respiramos e o açúcar, que armazenam na forma de amido. Para produzir essas

substâncias,

a

planta

consome água e gás carbônico do ambiente (através das raízes e folhas). Agora tente entender a lógica. Se o oxigênio e o açúcar são produzidos a par-

O destaque dessa edição vai para a aluna Joyce Tamires Sant’Anna, do IRD2BM, que foi a vencedora do concurso de música estudantil realizado em outubro pela Prefeitura de Barueri. A Joyce conquistou corações e ouvidos com sua música “Quero te amar” e é motivo de orgulho e aplauso no ITB Prof. Munir José!


Revista Pensar! nº 03