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Revista Pensar! Nº 2 - abril de 2008. Editorial

Olá comunidade estudantil !!! .....Vamos Pensar! de novo??? Pois é, estamos chegando novamente e, desta vez, já não somos mais principiantes. Somos uma revista de grande circulação (é idealizar para atingir). A nossa proposta inicial se concretizou. Alcançamos todos os nossos alunos no ano de 2007 e os novos alunos, ingressantes de 2008. Isto nos faz um grande público. Somos 2096 alunos e 74 professores trocando experiências educacionais diariamente, sem contar o nosso corpo de apoio logístico, com 68 funcionários nas mais diversas atividades de bastidores para que tudo funcione bem para todos. Estamos felizes, pois da nossa primeira tiragem, não encontramos uma única revista jogada nas lixeiras ou descartada nas imediações da Escola. Isto demonstra que o nosso seleto e maduro grupo de alunos comprou a idéia, o que comprova que tivemos o insight ideal para conseguirmos a sinergia entre escola e alunos, tão necessária à continuidade do projeto. E assim, neste clima, agora vamos Pensar! Em novos vôos, temos colaboradores estreantes com assuntos super envolventes. Destacamos o artigo da profª. Adélia abordando um tema tão atual e contundente como é “a gravidez na adolescência”. Teremos ainda outros enfoques como a comemoração do mês da poesia com textos do prof. Jair e dos nossos alunos. Também, tem aí uma nova coluna: “Por trás da lousa”..... vocês vão delirar ao saber que professor também tem lá as suas fraquezas, falácias e porque não dizer, suas loucuras. Esse lado humano, enfim, vocês verão que “professor também é gente”...ashuahahahaha Muitos alunos também estarão em foco com seus textos. Aliás, os textos dos alunos Vitor, Jacqueline e Stephany, entre outros que foram publicados no primeiro número, consagraram a participação dos alunos na nossa revista. Foi esse empenho de professores, colaboradores e principalmente dos alunos que nos permitiu produzir um material rico, bem elaborado, e que fez com que todos se sentissem muito bem e reconhecidos. Como se pode ver, estamos aí novamente, de cara nova e com aquele pique descrito na 1ª edição, prontos para levar conhecimento e participação social, vislumbrando um horizonte mais amplo e com fôlego para abranger todos os ITBs e, quiçá, a comunidade estudantil regional muito em breve. O papo está ótimo, passaríamos páginas falando dos projetos, mas nos encontramos no próximo número, bem mais fortes, muito mais preparados e queira Deus, complementando esse sucesso inicial com muito mais sucesso. (Prof. Messias)

A Revista Pensar! é uma realização da equipe de professores, alunos e colaboradores do colégio ITB Prof. Munir José. Nosso objetivo é viabilizar um meio para disseminação de conhecimento, educação e cultura para a comunidade de estudantes da rede municipal de Barueri. Torne-se você também um colaborador da Revista Pensar! Envie suas matérias para nossos editores: Prof. Messias (Logística) Profa. Cris Rocha (L. Portuguesa) Prof. Zé Otavio (Química) artigos.pensar@gmail.com

Fachada do ITB Prof. Munir José


Nesta edição: Matéria de Capa

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Estação Ciência. Conheça o espaço dedicado pela USP ao fantástico mundo das Ciências. Acompanhe a visita que nosso primeiro grupo de alunos destaque fez à estação.

Por trás da lousa

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José Camaroto e Sandra Pires inauguram nossa seção de entrevistas com os professores do ITB.

As aventuras de Antonio Rojas

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Aprenda geopolítica acompanhando as aventuras desta personagem criada pelo prof. Carlos Eduardo.

Especial - Saúde e Sexualidade

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A gravidez na adolescência é apenas um dos tópicos sobre sexualidade que não podem ser ignorados. Confira as matérias das professoras Lilian e Adélia.

Colunas

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Nossos estudantes falam sobre pol í ti ca, econ omi a, cul tura, administração, logística, informática e muito mais...

Mural “Artexpressa”

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Inauguramos uma seção de poesia e expressão cultural da comunidade ITB. Confira as tirinhas e textos dos nossos alunos, além da poesia de Drummond e do Prof. Jair.

Olimpíadas de Química

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A aluna Stefany Rodrigues, do ADM2AM, é finalista nas Olimpíadas de Química de SP. Leia duas das redações que nossos alunos escreveram para a 1ª fase.

Passatempos Resolva os problemas de lógica e divirta-se com os jogos propostos pelos professores do ITB.

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urante os conselhos de classe do ano de 2007, os professores do ITB deram o apelido de “alunos destaque” para alguns dos estudantes que apresentaram desempenho acima da média nas áreas de conhecimento que trabalhamos em sala. Alguns alunos também foram considerados destaques por sua postura e por todo o seu empenho ao tentar superar dificuldades de aprendizado. Seja pela sua liderança positiva entre os colegas, ou pela sua disposição e pelo modo respeitoso como apresentavam as críticas e opiniões das classes para os professores e à coordenação, nossos alunos destaque merecem todo o reconhecimento. São eles que contribuem para a construção do nome de nossa escola, e que definem como o ITB Prof. Munir José será visto pelas empresas e pela comunidade no futuro. A Revista Pensar! será uma das formas de recompensar as atitudes de nossos alunos destaque. A partir desta edição, nossos estudantes nota 10 serão convidados a escrever matérias especiais para a revista. Os textos serão motivados por mini-excursões, que faremos a lugares que possam facilitar e tornar mais atrativo o aprendizado geral de todos os alunos do ITB. Em março, nossos cinco primeiros alunos destaque visitaram a Estação Ciência da USP. Acompanhados pelos professores Eliseu e Ricardo (Física), Ricardo (Geografia) e Zé Otavio (Química). Nossos alunos conheceram o maior centro de divulgação científica da Universidade de São Paulo (USP). Confira os textos abaixo e preste atenção nas assinaturas, para conhecer alguns dos alunos que servem de modelo para toda a comunidade do ITB!

Unindo o útil ao agradável Os jovens gostam de sair e se divertir, mas o lugar onde menos gostam de ir ou estar é na escola. Por que fugimos tanto dela? Por que não vemos a hora de chegar o final de semana ou as férias? Ou por que ficamos tensos em avaliações se o conteúdo foi bem explicado? O que fazemos na escola que a torna o pesadelo de “todos”? É aí que entra o “aprender”. A base do aprendizado que temos na escola é conhecida por todos como “GLS” (Giz, Lousa e Saliva). Desse modo deixa de ser ensino-aprendizado e passa a ser só ensino. Para recuperar o “aprendizado” temos que levar o “ensino” além da sala de aula e deixar de encará-lo como algo sem graça. Então como tornar o ensino mais atraente para os jovens? Como mostrar para você, estudante, as maravilhas de ver coisas novas e diferentes? E provar que você gosta de aprender? Como se comunicar com seu

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“nerd” interior de uma forma descontraída e divertida? A maneira pela qual esse “nerd” pode ser despertado é indo a lugares que o façam ter outro ponto de vista; que o façam perceber que o que se aprende na escola não é tão chato e sem utilidade e que é possível associar a vida de estudante ao seu dia-a-dia. Uma visita que fizemos à Estação Ciência nos mostrou que é possível gostar de aprender. Bastaram alguns minutos em ambiente propício para que todos conhecessem seu lado “nerd”. Pudemos ver temas relacionados a várias matérias e, mesmo não gostando muito de algumas, na Estação Ciência todos demonstraram interesse. Mesmo não sendo “Einsteins”, existe em nós a curiosidade, a vontade de falar algo novo... E isso acaba nos enriquecendo, pois a conversa também nos traz novos conhecimentos Os assuntos eram os mais diversos: matemática, física, química, geografia, biologia e outros.


Acompanhe a visita que nosso primeiro grupo de alunos destaque fez ao maior centro de divulgação de Ciências da USP

Por exemplo: nas aulas de química o professor fala sobre vários elementos, mas não temos idéia de como esses elementos são retirados da natureza e para que eles servem no dia-a-dia. Em nosso passeio vimos alguns elementos que estavam a mostra, e o mais interessante foi saber onde podemos usar cada um deles. Tinha até uma casinha mostrando os elementos que estão presentes nas nossas casas, por exemplo: o ouro, o ferro, o carbono, o alumínio, o flúor, o cobre e outros. Nas aulas de geografia o professor fala sobre uma tal de pangea, placas tectônicas, vulcões, tsunamis e terremotos, que, aliás, pudemos presenciar através de um simulador. Era como se estivéssemos dentro de um terremoto de verdade. O segredo dos espelhos: vários espelhos refletindo de um modo “diferentemente igual”. Apesar de todos obedecerem às leis da óptica (Física), pelo modo como estavam dispostos, mostravam “visões” diferentes. É engraçado saber que estamos aprendendo física quando nos olhamos no espelho! Transformações de energia: vimos na prática a energia mecânica sendo transformada em energia elétrica; apenas girando uma manivela foi possível assistir televisão e ouvir música Biologia: você pode saber qual era a sua aparência nos seus primeiros minutos de vida; pode conhecer a beleza da vida aquática – vários animais marinhos em exposição, vivos e empalhados; a vida da madeira - ninguém precisa ter boa memória para saber a idade de uma planta... Basta contar as camadas de suas cascas. Com certeza todo mundo já teve curiosidade de saber como eram os castelos medievais. Pois

é, visitando a Estação Ciência você pode matar esta curiosidade, voltar a tempos remotos para descobrir o estilo de vida das pessoas daquela época. Pensa que acabou??? Engana-se, tem muito mais: No planetário, conhecemos as estrelas e constelações que vemos no céu “todas” as noites. Você sabe o porquê dos signos? Cada uma das doze constelações do zodíaco “reina” no céu durante um mês, por exemplo: quem nasce no mês de abril é do signo de touro porque, nesse mês, é a constelação de touro que está no céu. Ficou curioso? Então quebre a cabeça nos joguinhos de matemática, eles são ótimos para desenvolver o raciocínio lógico. Tente montar uma pirâmide de base quadrada com o dobro do volume de uma pirâmide de base triangular. Com certeza é de quebrar a cabeça. Preservação do meio ambiente também tem seu espaço. Em um painel você pode ver qual o consumo de água em várias atividades; o que chama a atenção é a forma como isso é mostrado: garrafas PET que se acendem quando você aperta o botão referente àquela atividade. É uma forma bem didática de conscientização. Bom, isso foi apenas um pequeno resumo do que pode ser encontrado na Estação Ciência, e como já foi dito, passeios como este podem tornar o aprendizado em algo divertido, fácil, “relax”. A sala de aula se tornará mais atrativa e descontraída, já que todos terão algo para acrescentar. Você se interessou? Então faça também essa visita. O endereço é: Rua Guaicurus, 1394 – Lapa – São Paulo/SP. Tel:(11)3673-7022. Mais informações no site: www.eciencia.usp.com.br (Márcia Santos -ADM 2DM-; Stefany P. Santos –LOG 2CM– e Jakeline P. Santos -IRD 2BM-)

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A Fantástica Estação Ciência Ao chegar, logo na entrada(Térreo), encontra-se um engenhoso mecanismo, parecido com o brinquedo da apresentação do programa Rá-Tim-Bum. Repara-se que ele foi milimetricamente calculado para que, por exemplo, uma bolinha que rola até o fim de um trilho, saia e pingue sempre no mesmo ponto de uma base emborrachada, caindo em uma cesta, da qual será transportada novamente ao início de todo caminho. Vocês que odeiam física podem começar a gostar. Pois, para construir este mecanismo foram usados vários conceitos que já conhecemos. Por exemplo, força, aceleração, velocidade, vetores, distância, tempo etc. Viu como usamos a física para fazer coisas extraordinárias? Após ficar alucinado com o brinquedo, observa-se, ao fundo do salão, algo verde que chama a atenção: É uma maquete que representa uma bacia hidrográfica. Nela temos rios primários, secundários, principais, divisor de águas e também os meandros, que nós já conhecemos. Agora preparem-se... a parte mais emocionante. É o simulador de terremotos! Antes de entrar no simulador devemos saber o que é um terremoto e é isso que nos explicam. Mas nós do ITB já sabemos o que é um terremoto! O tremor a ser sentido é de 5 a 5,5 pontos na escala Richter. Nesse momento vemos como é bom prestar atenção nas aulas de geografia. No 1º andar, um aquário com espécies que viviam no rio Tietê. Hoje é impossível encontra-los lá. E por quê? Resposta óbvia, o rio está poluído. Mas quem o poluiu? Nós, seres-humanos estúpidos e ignorantes, que sabemos da situação dos nossos rios e ainda assim continuamos a lançar tudo que não nos presta mais nas suas águas. Como um exemplo local, temos o rio Barueri-mirim, que não está em condições muito melhores que as do Tietê. No piso térreo espelhos curiosos nos atraem. Eles nos deixam gordos, magros, “cabeçudos”, pequenos, altos. Esses espelhos também foram construídos com base em conceitos da física e da química, que explicam por que conseguimos moldar os metais, deixando-os da forma que quisermos e fazendo-os refletir formas distorcidas. Neste caso, a teoria do “mar de elétrons” explica a maleabilidade dos metais. Você que costuma dormir nas aulas de química, ACORDE! Coisas super legais podem estar diretamente ligadas a ela. Ainda no mesmo salão, outros espelhos deixam a coisa ainda mais intrigante. Neles você olha e não consegue ver os seus própios olhos. Pronto. Lançado o desafio, quem puder que explique por que não conseguimos enxergar nossos olhos? Aluno ou professor, alguém deve solucionar esse mistério até o próximo número da revista. Por essas e outras, vocês devem ir até lá! (Juvenal Olavo dos Santos, aluno do ADM 2CM)

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Geografia na estação ciência Fomos à Estação Ciência e lá encontramos muitas curiosidades. Neste artigo escreverei mais sobre os pontos e curiosidades geográficas da estação. No que se refere aos tópicos que estudamos com o livro de Geografia, revimos a teoria dos capítulos 5, 6, 7 e 8 na prática!

Alunos Destaque Conheça agora os nomes dos alunos nota 10 do ITB Munir José. A lista foi montada com base nos resultados obtidos pelos alunos no ano de 2007. Aline Peres Boschetto Ana Laura Diniz Oliveira Arthur Batista Souza Beatriz Alves Cardoso Beatriz Barbosa Barros Bruno Teixeira Souza Barbosa Carol de Oliveira Leandro Mota

No capítulo 5 estudamos o tempo geológico, ou seja, os períodos e as eras, assim como as espécies encontradas neles, o que pudemos observar através dos fósseis de seres vivos à mostra na Estação. O capítulo 6 trata da estrutura da Terra. Lá, com desenhos no próprio chão especificando cada parte dessa estrutura e nos fornecendo dados mais aprofundados sobre as camadas da Terra, conseguimos dimensionar a estrutura de nosso planeta. Pudemos aprender na prática o que é um abalo sísmico. Em uma sala havia um simulador de terremotos que chegou a aproximadamente cinco graus e meio na escala Richter. No capítulo 7 estudamos a causa dos terremotos (movimentação das placas tectônicas) e, depois da teoria na escola, a Estação Ciência nos levou à prática, e isso foi o que mais me chamou a atenção. No capítulo 8 abordamos os agentes externos do relevo, e um deles é a água que, na forma de rios, é chamada de erosão fluvial. As etapas dessa erosão são a juventude, a maturidade e a velhice. Na juventude o rio realiza predominantemente o processo de desgaste, na maturidade o processo de transporte e um começo de acumulação de sedimentos, e por fim, na velhice, predomina o trabalho de deposição de sedimentos. Tudo isso nós observamos através de um relevo montado especialmente para a compreensão da erosão fluvial. Uma das curiosidades que mais me chamou a atenção na Estação Ciência foi sobre a lua. Existe uma teoria que diz que a lua se originou através de um meteoro que caiu sobre a Terra. Com os impactos dados sobre a superfície terrestre, pedaços foram arrancados e arremessados para o espaço. Um desses pedaços recebeu o nome de lua, o nosso satélite natural. Planetário: É uma parte da estação que fala sobre estrelas e sobre a nossa galáxia, quando entramos ficamos dentro de uma lona com o mesmo formato daquelas de circo. Essa lona é inflada com gás como se fosse um balão e, quando se apagam as luzes, só conseguimos enxergar as estrelas projetadas no teto. Nos sentimos mais próximos do céu. É uma das partes que mais recomendo a quem quiser conhecer a Estação. Esta visita à estação ciência foi muito legal e espero que a escola dê a outros alunos esta oportunidade que tivemos. (Willian dos Santos Rodrigues, aluno do LOG 2CM)

Cintia Martinelli Cláudio Machado Júnior Dalita Aparecida Alves Santos Eliane Cristina Lima da Silva Fernando de S. Tavares Cardoso Francielle Ap. da Silva Oliveira Francisca Liliane da Silva Gleicy Fernandes dos Santos Guilherme Buzzo Fernandes Isabella Cristina Gonçalves Jakeline Pereira dos Santos Jessica Mendes dos Santos Jessica Moura de Carvalho Joice Caroline de Souza Julyana Martins da Silva Juvenal Olavo Santos Neto Karen Linhares de Souza Karine Lima Batista Karla Carolina Oliveira Karoline Lima Karoline Rodrigues Ciardulo Keila Alves Amaral Larissa Domingues Luana de Jesus Soares Lucas dos Reis Santos Luciene Di Santi Martins Marcia Rodrigues Silva Pedro Henrique de Alcantara Silva Stefany Pereira dos Santos Stefany Rodrigues Saraiva Thais Aparecida da Silva Thalita Carregosa Pereira

Nossa lista será atualizada na edição número 5 da revista. Empenhe-se para que seu nome apareça nela! Página 7


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C

aro leitor, nesta edição você conhecerá melhor dois de seus professores. O critério de

escolha, desta vez, foi determinado pelos próprios colegas, na verdade pelos colaboradores da revista, mas sem dúvidas, a escolha expressa a opinião do corpo docente que não esconde a admiração que alimenta por eles. São notáveis por uma série de razões que vão além da sala de aula. A Professora Sandra anda de moto, tem 50 aulas semanais e (pasmem!) nunca carrega mais do que uma folhinha de sulfite para organizar todas as suas aulas, diferente de muitos de nós, professores, que estamos sempre confusos com todas as mãos ocupadas! Não dispensa um tranqüilo sorriso no rosto e não perde o bom humor e o equilíbrio, mesmo nas estressantes épocas de se fechar as médias! Trabalhou durante quatro anos com 5ª série e diz que foi lá que aprendeu a ter paciência e sensibilidade para sacar quando o aluno está “viajando” na aula. Sabe os horários de todos os professores do Belval e daqui do Munir José. Melhor do que isso: sempre deixa do jeitinho que a gente precisa! Conhecida entre os alunos como “Flor”, sem dúvidas a professora Sandra traz um colorido especial ao nosso Jardim Paulista. A Sandra diz que tem dois pecados pelos quais sabe que vai pagar e sem a menor culpa, são o da Gula e o da Preguiça. Costuma dizer também com bastante bom humor nos momentos de descontração na sala dos professores, geralmente quando alguém está um tanto quanto descontente com algo: “É tão gostoso reclamar!”, em seguida vem uma empolgante gargalhada que contagia seus colegas, até o reclamão! Mas será que essa mega-professora só tem habilidades? Pois é! Por incrível que pareça, a professora Sandra já teve lá os seus momentos de distração relatados num tom bem divertido: Imaginem vocês que a Flor, tão organizada, tão concentrada, tão sensata, um dia, ao terminar seu expediente de trabalho, depois de um período inteiro na companhia dos “anjinhos” da 5ª série foi para casa a pé e logicamente exausta. Somente quando chegou em casa lembrouse de que neste dia estava de carro! Sim, acreditem se quiser, esta mulher dos números que nunca esquece um sinal de mais ou de menos numa equação, que habitualmente decora o gabarito todo das avaliações, que conhece o horário de todos os seus colegas de trabalho, esqueceu um carro no estacionamento da escola! Para vocês verem que a 5ª série engrandece o espírito de qualquer professor e que ministrar aulas a esta turminha foi uma experiência inesquecível para a nossa Flor! Página 9


O

professor

Camarotto

é

formado

em

Educação Física, Biologia, Pedagogia e pósgraduado em Ecologia Marinha. É divulgador incondicional do Judô. Há trinta anos trabalha pelo esporte e utiliza seu contato com legiões de jovens para levá-los para este saudável estilo de vida. Já mudou a vida de muita gente que o tem como referência na vida e no tatame. Uma curiosidade: é casado com a Professora Helena de Espanhol...dona de belos olhos verdes! Sua marca registrada são as inesquecíveis piadinhas que ajudam e muito na hora de lembrar a resposta nas avaliações. Traz para o dia-a-dia da escola uma energia que só um atleta experiente como ele pode ter. Cuidado com o Camarotto! É faixa preta à beira do quarto Dan!!! Detentor de um ar jovial, extrovertido que não passa despercebido por nenhum colega ou pupilo, o professor Camarotto faz história no ITB e no Tatame: seja pelas divertidas aulas de biologia durante a semana, seja aos sábados pelas aulas de judô, fruto do projeto desenvolvido por ele há quase um ano. Também luta pela academia Yanagimori de Osasco há 37 anos e atua como diretor técnico da Academia Quatro Pilares de Itapevi há 1 ano.

Se não bastasse esta energia na educação e no esporte, nas horas vagas, ocupa seu tempo atuando como pesquisador de energias alternativas ecologicamente sustentáveis. Pois é, o professor Camarotto também está preocupado com a saúde do planeta. Este Espartano, por incrível que pareça, tem seus pontos-fracos...ou melhor...indícios de que realmente é de carne e osso! Confiram! A sua fraqueza é a gula! Ou melhor, não resiste à comidinha temperada de sua esposa, Helena. Apesar de saber que não pode exagerar na alimentação, vira e mexe provoca alguns excessos. Porém, não é nada fácil driblar Helena, sempre atenta aos exageros do maridão. Você quer ver o professor Camarotto irritado? Acenda um cigarro ou peça bebida alcoólica na sua presença. Ele não deixa por menos, reza um inflamado discurso e não sossega enquanto a pessoa não desaparecer com o cigarro e a bebida. Vive no pé do seu filho, que apesar de ter o exemplo do pai, sempre distante dos vícios e bem próximo das atividades físicas, tem o vício do cigarro, para desespero do Camarotto que não desiste nunca, todos os dias insiste com o filho sobre o perigo do tabagismo. Temos muito a aprender com o professor, pesquisador, atleta, marido e pai Camarotto. É um privilégio termos um profissional como ele aqui na nossa escola. Se você também gosta de esporte e leva uma vida saudável, bem longe dos vícios, apareça aqui no ITB Munir José aos sábados e participe de uma aula de judô com o professor Camarotto. Agora se você é meio preguiçoso (a), e se já andou experimentando bebida ou cigarro...não perca mais tempo, pare para conversar com o professor. Com certeza você vai aprender com ele como é bom fazer esporte e se manter bem distante dos vícios! Monstrinho (Camarotto) ou... Flor (Sandra), esperamos que tenham gostado e nos indiquem um outro docente que você queira ver aqui no Por trás da lousa! Abraços! Professora Cris Rocha.

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Primeiro no dia 13 de março e depois nos dias 10 e 11 de abril, a Equipe da Jovem Pan esteve no ITB Prof. Munir José com a sua “Campanha pela vida contra as drogas”. A coordenadora da campanha, Izilda Alves, conversou com nossos alunos sobre as complicações geradas pela proximidade entre o mundo das drogas e a escola. Foram apresentados vários relatos pessoais e nossos alunos também tiveram sua vez de participar com suas histórias e experiência de vida. A Participação dos estudantes foi muito elogiada pela Equipe da Jovem Pan e alguns dos relatos de nossos alunos foram publicados no site da rádio. Confira a história da Taís e muitas outras no endereço: http://jovempan.uol.com.br/jp/campanhas3/

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Revista Pensar nº 2

AS AVENTURAS DE ANTONIO ROJAS O que é? As Aventuras de Antonio Rojas é uma série de episódios vividos por um professor de geografia espanhol. A personagem fictícia foi criada em 2005 pelo professor da FIEB Carlos Eduardo para ilustrar suas aulas de geografia para os alunos da oitava série. O que é ficção? A personagem Antonio Rojas é fictícia, sua vida particular usa como exemplos a vida do próprio professor Carlos Eduardo. Os lugares citados nos episódios realmente existem, mas foram extraídos aleatoriamente de uma planta da cidade de Madrid, quando de uma visita feita pelo professor Carlos Eduardo em 1991 à Espanha. Nesse episódio que a Revista Pensar! está publicando, o Casal Thiago e Isabella são alunos da FIEB. O que não é ficção? Os fatos estudados são reais. Neste episódio você vai ficar sabendo um pouco mais sobre o movimento separatista que existe na Espanha. Os bascos que vivem no norte do país querem sua independência. Na Espanha atua um grupo terrorista, o ETA (Euskadi Ta Askatasuna – Pátria Basca e Liberdade), que pratica atentados terroristas. Neste episódio é contado um fato que realmente aconteceu: um atentado terrorista em Madrid no dia 02 de outubro de 2002, mas é lógico que a situação vivida é uma ficção. Características da personagem: Profissão: professor de geografia Time de coração: Real Madrid Hobby: jogar xadrez Gosto musical: É grande ad-

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(lê-se “Rôrras”)

mirador da música brasileira Situações marcadas em sua vida: A casa de seu avô materno foi bombardeada durante a Guerra Civil Espanhola o que o vitimou fatalmente. Em 1989 quando tinha 25 anos esteve em Berlim nas Manifestações que culminaram com a queda do Muro de Berlim. Escapou da morte em 11 de março de 2004 no atentado terrorista na estação de Atocha. Era amigo de um líder do grupo terrorista basco, ETA (obs: ele não sabia). As aventuras de Antonio Rojas Episódio: “Amigo suspeito” Tema didático abordado: Movimento separatista e terrorismo Autor: Prof. Carlos E. de Moraes Ilustrações: Letícia Henares Valentini (aluna da FIEB)

Parque de San Izidoro de Madri. 11:46 AM - Xeque Mate! O jovem Thiago Barreto Carreiro tinha acabado de ganhar a final do torneio de xadrez organizado pela administração do Parque San Izidoro. Thiago havia começado mal a partida, tinha cometido vários erros e a derrota era eminente. Porém, aproveitou uma falha de seu adversário que havia deixado o rei muito exposto e numa jogada perfeita deu um belo xeque mate. O adversário de Thiago Bar-

reto era o professor Antonio Rojas um assíduo freqüentador do Parque. Depois daquela partida nasceu uma grande amizade, Thiago apesar de quase dez anos mais jovem que Rojas era um jovem muito politizado e culto. Depois de quase dois meses de amizade, o professor resolveu convidar Thiago para ir a sua casa. - Thiago, gostaria que você fosse a minha casa. Eu e minha esposa, Roseli, gostaríamos muito de recebê-lo, assim aproveito para mostrar meus livros que tanto lhe falo. - Será um prazer Rojas. Posso levar minha namorada? - É claro! Recebemos vocês no sábado às 19 horas. A Calle Jacinto Camareco situa-se no tranqüilo bairro de Marquês de Vadillo, é ali, no número 106 que reside o professor Antonio Rojas e sua família. O bairro dispõe de uma estação de metrô pertencente à línea cinco que dá acesso a outros bairros, além de ficar próximo do Paseo de Las Acácias que serve de corredor até o centro da cidade. A tranqüilidade de Rojas só é quebrada quando surgem os torcedores do Atlético de Madrid que utilizam a estação do metrô para chegar ao Estádio Vicente Cauderon, situado próximo dali, logo depois de atravessarem a puente de Toledo que fica sob o rio Manzanares. A casa de Rojas é um confortável sobrado comprado em 1994, ano do casamento de Rojas com Roseli. Logo na entrada da casa, avistamos na parede uma obra que chama a atenção de qualquer visitante, é uma replica do quadro Guernica de Pablo Picasso. Guernica é uma pequena ci-


A revista que constrói conhecimentos

dade localizada no país basco, que foi covardemente bombardeada pela aviação nazista da Legião Condor. Aviões Heinkels-11 despejaram suas bombas sobre a cidadezinha no dia 26 de abril de 1937. No fim da jornada o resultado foi de 1654 mortos e 889 feridos, numa população não superior a sete mil habitantes. Esteticamente quem melhor captou esse sentimento foi Pablo Picasso. A violência e a indignação que causou o bombardeio fez com que o pintor se concentrasse por cinco meses numa grande tela, quase um mural. Antonio Rojas tem uma profunda admiração pelo povo basco e o quadro colocado na sala de sua casa é uma reverência à causa basca. Mas não foi só o covarde bombardeio nazista a Guernica que fez Rojas lembrar daquele fatídico ano de 1937. Durante a Guerra Civil Espanhola, a casa de seus avós maternos foi bombardeada por Heinkels-11, vitimando fatalmente seus avós.

Eram exatamente 19 horas quando soou a campainha da casa de Rojas. Eram Thiago e sua namorada. - Boa noite Rojas, essa é minha namorada Isabella Alonso. - Entrem, por favor. Disse Rojas. Depois do jantar o professor convidou o casal para ir até sua biblioteca. - Que livro é esse? Perguntou a Isabella. Rojas pegou o livro “Noites Cariocas”, escrito pelo jornalista brasileiro Nelson Mota, e comentou: - Trata-se de um livro que conta à história da bossa nova, um dos estilos musicais que mais admiro. Sou um profundo admirador da cultura brasileira, principalmente da música e do futebol. Aliás, qual é seu time de coração? Perguntou Rojas a Thiago. -Torço pelo Real Sociedad (respondeu Thiago). -Como pode um madrileño torcer por um time do País Basco? Indagou Roseli. O jovem desconversou e não respondeu. Depois daquela noite os dois casais encontraram -se algumas vezes, ora na casa de Rojas, ora aos domingos pela manhã no Parque San Izidoro, ou mesmo algumas vezes em restaurantes da cidade. O que sempre intrigou Rojas foi o fato de Thiago nunca tê-lo convidado para ir até sua casa, mas como o Rapaz era muito autêntico e sincero. Rojas não quis questionar.

O professor Antonio Rojas tinha acabado de lecionar sua última aula naquela manhã de sextafeira, dia 02 de outubro de 2002 e tinha que ir até o centro de Madrid para pagar uma conta no banco Santander. O professor dirigiu-se de metrô até o centro da cidade e, depois de pagar a conta, foi almoçar num aconchegante restaurante próximo à Plaza Mayor. Quando saiu do restaurante observou uma grande agitação na rua, várias viaturas da polícia passavam por ali com as sirenes ligadas. Rojas perguntou a um dos populares: - O que está acontecendo? - Parece que a polícia trocou tiros com membros do ETA (respondeu um dos populares). Rojas seguiu para a rua onde havia ocorrido a troca de tiros e observou dois corpos estirados no chão, cobertos com uma espécie de capa colocada pelos policiais. Rojas por um instinto pulou o cordão de isolamento e se aproximou dos corpos. Levantou a capa de um deles e sentiu seu corpo todo tremer, era seu amigo Thiago que estava morto. Levantou a capa do segundo corpo e observou que era o da jovem Isabella que também tinha morrido.

No dia seguinte leu no El País. A polícia descobriu ontem numa casa próxima à Plaza Mayor mais de 30 kg de explosivos. Depois de meses de investigação, descobriu que a casa estava alugada para o casal Thiago Barreto Carreiro e Isabella Alonso que também estavam sendo investigados. A polícia descobriu que o casal era ativista do “Comando Madrid” um dos mais temidos braços do ETA por causa da ferocidade de seus atentados. Quando a polícia deu voz de prisão, o casal reagiu atirando com uma sub-metralhadora e, na troca de tiros, morreram quando tentaram evadir-se do local. (Carlos Eduardo, graduado em Geografia, é professor de Geografia no ITB Prof. Munir José)

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Gravidez na adolescência “A gravidez na adolescência tem sérias implicações biológicas, familiares, emocionais e econômicas, além das jurídico-sociais, que atingem o indivíduo isoladamente e a sociedade como um todo, limitando ou mesmo adiando as possibilidades de desenvolvimento e engajamento dessas jovens na sociedade. Devido às repercussões sobre a mãe e sobre o concepto é considerada gestação de alto risco pela Organização Mundial da Saúde (OMS 1977, 1978), porém, atualmente postula-se que o risco seja mais social do que biológico”. (http://www.brazilpednews.org.br)

Na atualidade, já se tornou normal a existência de adolescentes grávidas nas escolas. Aliás, é normal encontrar muitas numa mesma sala de aula. O aumento dos índices de mães adolescentes já é alvo de discussão entre os profissionais da educação, da saúde e até mesmo entre os sociólogos e antropólogos que buscam respostas para tal desequilíbrio social. Muitas vezes, a aluna que engravida se vê obrigada a interromper seus estudos frente às novas responsabilidades que a maternidade impõe, levando em conta também as mudanças econômicas que a vinda de um bebê ocasiona no âmbito familiar. Esta interrupção pode levar ao abandono escolar definitivo, pois, a nova vida imposta à jovem mãe pode lhe condicionar a novos hábitos e costumes, em que a rotina escolar não se enquadra nem se motiva como objetivo de vida. A pergunta que não quer calar: Quais seriam os principais motivos que ocasionam um aumento constante nos índices de gravidez precoce nos dias de hoje? Várias seriam as respostas: Falta da presença e da orientação dos pais no dia-a-dia dos jovens; Uma permissividade exagerada (da família, da sociedade, da mídia etc.) e jovens que iniciam cada vez mais cedo sua vida sexual. Valorização da quantidade de parceiros(as) em detrimento da afetividade, do amor verdadeiro e do amadurecimento emocional em relação ao sexo; Inversão de valores: os jovens passaram a ter visão imediatista, ou seja, planejam tudo a curto prazo. O futuro é visto no máximo para o próximo final de semana, e a preocupação se restringe a que balada ir, que roupa/calçado usar, quem será o(a) "ficante da vez" etc. Projetos de vida a médio e longo prazos são simplesmente ignorados. Estudar? Me preparar para o mercado de trabalho? Como estará minha vida daqui a 5 anos? (“Perda de tempo pensar nessas coisas... o que importa é quantas “bocas” vou beijar na balada do sábado...”). "Erotização" da juventude: fotos do Orkut, nicks do msn, "modelitos da moda" etc.. E por aí vai... Em decorrência destes fatores surge a gravidez precoce, não planejada e, na grande maioria das vezes, indesejada. Neste momento tudo se transforma e os jovens pais perdem a oportunidade mais importante de suas vidas: de planejar o futuro sobre bases sólidas. A chegada de um filho, geralmente, os leva a dois caminhos: 1) Perda de liberdade, mudanças de prioridades e restrições diversas (o dinheiro agora é para a compra de fraldas e não mais para o curso de idiomas, o livro ou o passeio com os amigos.). 2) Abandono das responsabilidades de pai e mãe deixando esta incumbência para suas famílias. O bebê passa a ser “criado” pelos avós ou pelos tios, pois os pais retomam suas vidas como se nada tivesse mudado... reassumem a rotina interrompida entre a concepção, gravidez e parto. Esta segunda hipótese ocasionará o crescimento de uma criança carente de afeto dos pais... fazendo assim com que a história se repita: quem não tem afeto, compreensão e orientação em casa tende a buscar isto tudo fora de casa e é aí que mora o perigo! Surge o círculo vicioso, no qual bebês não planejados vão nascendo de pais cada vez mais jovens. A análise do comportamento, dos motivos, das conseqüências, e da problemática da adolescente-mãe e do adolescente-pai são elementos sociais que necessitam de pesquisas e estudos que possam contribuir na busca de soluções que possibilitem a permanência dos jovens no curso médio, técnico, no prosseguimento para o ensino superior e na conseqüente evolução sócio-econômica que alcançariam se o filho não surgisse tão cedo em suas vidas. Estudar todos esses fatores é muito importante, principalmente se for dada especial atenção às garotas, pois são elas as mais prejudicadas neste processo. Como você pode contribuir para que esta dura realidade possa ser mudada e para que os jovens passem a ser mais responsáveis pelos seus atos e tenham uma visão mais madura sobre seu próprio futuro? Pense nisso... Esta preocupação se faz cada vez mais necessária e deveria ser de todos: jovens, família, escola e comunidade.

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(Adélia Santos, graduada em Administração Geral, é professora das turmas de secretariado no ITB Prof. Munir José)


SEXO: EM CASA OU NA ESCOLA? Algumas reflexões acerca do papel da família e da escola no tratamento da sexualidade A sexualidade sempre esteve presente na vida do ser humano sob diversas formas, ora glorificada nas civilizações greco-romanas, ora mitificada em tribos africanas ou ora abafada na Época Vitoriana. Porém, o tema nunca esteve tão em evidência como está hoje, seja por intermédio dos meios de comunicação de massa ou simplesmente por meio das conversas entre pessoas das mais variadas classes sociais. Desde o século 19, o médico e psicanalista francês Sigmund Freud demonstrou que a sexualidade é um dos fatores que impulsionam a vida, tendo resguardado sua teoria aos estudiosos da área. Na atualidade, esse mesmo discurso já se transformou num assunto cotidiano quando a abrangência da mídia coloca o tema “na boca do povo” - literalmente. Ora, basta ligar a TV, e lá estão elas, seminuas e insinuando o seu corpo. São centenas de publicações, programas de rádio e TV e sítios na Internet, que lidam com a sexualidade, seja de forma obscura, pornográfica, erótica, educativa, enfim, o fato é que “sexo” está presente, e com força total no cotidiano da vida brasileira. Mas apesar dessa exposição, discutir este assunto ainda é um tabu. Vê-se mais discurso do que diálogo, o que tem intensificado dúvidas e até a divulgação de meias verdades ou informações erradas sobre o assunto. Os educadores já não podem mais fechar os olhos para a temática pois, assim que os abrirem, terão que encarar os alunos e as suas dúvidas. A vida sexual de crianças e adolescentes invade a sala de aula, está aí, e não pode ser negada, principalmente para o professor de Educação Física, cujo objeto de estudo - o movimento - está intima-

mente ligado ao corpo e suas representações - o local da manifestação da vida sexual. Em casa muitos jovens recebem uma educação com base em ameaças e preconceitos. Neste contexto, o sexo passa a ser visto como algo sujo, inacessível e promíscuo, quando na verdade tratase de algo peculiar ao ser humano. É mais comum observar o sexo sendo tratado do ponto de vista biológico ao se privilegiar assuntos cujo foco seja a contracepção, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis em detrimento do seu caráter social, que está diretamente ligado às representações e aos papéis sócio-sexuais que as pessoas vivenciam. O que muitos jovens querem saber nem sempre se traduz em métodos contraceptivos ou nas implicações de uma gravidez ou DST, mas sim se a primeira relação sexual causa algum tipo de dor, se é observada alguma alteração no corpo quando deixarem de ser “virgens” ou, ainda, como comentar com os pais o fato ocorrido. Esses são alguns dos tabus que, perpetuados geração a geração, têm dificultado que eles vivam plenamente a sua sexualidade – que é muito saudável, por sinal. O problema maior está na maneira com que as pessoas tratam o tema, na moralidade e na imagem que possam apresentar e, não somente, nas questões vinculadas à doença ou ao planejamento familiar. É importante que crianças e jovens desenvolvam-se sem sentimentos de culpa em relação à sexualidade e ao próprio corpo, pois sabemos que as manifestações da sexualidade estão presentes em todas as faixas etárias, desde um simples beijo afetuoso nos pais até relações sexuais com o colega ou namorado. A família que ama, que acolhe e que cuida é a mesma que reprime e pune as manifestações sexuais a partir de um discurso ameaçador e proibitivo, como por exemplo, “fazer sexo é pecado”, “a menina que transar sofrerá sérias modificações no corpo”, “sexo anal faz mal para a saúde” ou, ainda, “se masturbar é feio e dá pêlo nas mãos ou as deixa amarelas”, e por aí vai.

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Esses tipos de mensagens geralmente são passadas em diferentes expressões. Às vezes por meio de um olhar de reprovação, outras em falas como “não quero que você namore ou faça bobagem”, “se eu pegar você falando com aquele menino nem sei do que sou capaz”, “você ainda é virgem?”, ou ainda por meio de proibições, castigos e punições. O fato é que estas atitudes têm conduzido jovens a procurarem respostas para suas curiosidades em filmes pornográficos, conversas com amigos, revistas populares e outros materiais que podem passar uma imagem irreal do sexo, veiculando estereótipos de beleza, fantasias da primeira relação sexual e mesmo frustrações por não se enquadrarem em padrões estéticos. Não é à toa que meninos e meninas, impulsionados pela idéia do corpo perfeito, adotam hábitos de vida questionáveis, tais como bulimia, anorexia, vigorexia, uso de anabolizantes, drogas entre outros na busca por status e reconhecimento perante o sexo oposto. Diante disso, é impossível conceber a escola distante dessa situação. Afinal, a infância e a juventude são vividas por longos anos no espaço escolar. É lá que se confrontam valores e desejos e, portanto, é nesse ambiente que deve existir um tratamento planejado que entenda as expectativas dos alunos sem ferir a sua formação familiar, religiosa e moral. A escola deve atuar como parceira da família ao discutir assuntos como masturbação, primeira relação sexual, virgindade entre outros, que dificilmente crianças e jovens tratariam com os pais. Torna-se questionável o descaso por parte de alguns educadores - e neste grupo incluem-se não só profissionais da educação como também pais, amigos e toda uma sociedade – que tem contribuído significativamente para séculos de repressão, medo e inverdades. Com a preocupação de tratar a sexualidade na escola é que se implementou, nos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais), o tema transversal de Orientação Sexual, que coloca à escola, e não apenas à família, o papel de desenvolver uma ação crítica, reflexiva e educativa para a promoção da saúde de jovens e crianças. Acredita-se, com isso, no resgate de séculos de

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repressão e de falta de diálogo, visando re-construir uma sociedade mais igualitária, na qual homens e mulheres desempenhem seus papéis sócio-sexuais sem que sejam apontados ou discriminados por isso. Trazer discussões acerca da Orientação Sexual, implica refletir sobre o papel da escola na formação de cada um dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, ainda que conste que a sexualidade, muitas vezes não é adequadamente trabalhada no seio familiar. Todavia, os profissionais responsáveis por este trabalho devem encarálo como um desafio, muitas vezes de cunho pessoal, posto que ainda não temos no campo pedagógico disciplinas específicas sobre o tema da sexualidade para serem desenvolvidas nas salas de aula – mesmo tratando-se de um assunto tão urgente. Mais valerão os esforços dos profissionais da educação pela busca do conhecimento, do que simplesmente os valores pessoais, conceitos e preconceitos. É um assunto delicado e importante demais para ser abordado única e exclusivamente de forma esporádica ou apenas quando vier à tona, quando a discussão já não mais será preventiva mas, sim, a solução - e não queremos chegar à solução antes da prevenção, não é mesmo? Implica uma formação adequada pautada na reflexão de valores e atitudes da cultura em toda a sua forma de representação, pois somente assim poderemos viver plenamente nossa sexualidade. Porque o sexo é bom - e não confunda com transa - , faz parte dos humanos e nós, como humanos que somos, não podemos ignorar a nossa natureza. Bem-vindos ao sexo como ele realmente é! (Lilian D. Marques, graduada em Educação Física e mestranda em Educação: Currículo, é professora de Ed. Física no ITB Prof. Munir José - Com revisão e colaboração de Andressa Marques, jornalista e ex-aluna do ITB “Brasílio Flores de Azevedo”)

**************************************** Este artigo marca o início de uma série de discussões sobre a sexualidade. Faça a sua pergunta e nos ajude a escrever o assunto da nossa próxima edição!


A revista que constrói conhecimentos

Logística: Muito mais que um curso técnico Nos dias atuais, a logística é um fator importantíssimo na tomada de decisões empresariais porque ela nos proporciona o conforto de termos “quando, onde, e como queremos”, os produtos que desejamos. A logística nos dá a satisfação de podermos desfrutar de qualidade e baixo custo, pois é uma força motriz que traça os rumos mercadológicos. A logística age no Setor Primário da economia (agricultura, extrativismo e pecuária), busca as matérias-primas necessárias à confecção dos produtos.

Depois transfere a matéria-prima para o Segundo Setor (indústria), então, a Logística transforma as matériasprimas em produtos semi-acabados ou acabados, enviando-os em seguida ao terceiro setor (varejo, atacado e distribuidores). É assim que a logística nos proporciona o prazer e a satisfação de termos tudo o que queremos. Podemos afirmar: Sem logística... sem negócios!!!! (Willian dos Santos Rodrigues, aluno do LOG–2CM no ITB Prof. Munir José)

Grêmio Estudantil: A voz da juventude na escola O Grêmio Estudantil é a organização que representa os interesses dos alunos na escola. Ele permite que os estudantes discutam, criem e fortaleçam inúmeras possibilidades de ação no ambiente escolar e na comunidade. O Grêmio é também um importante espaço de aprendizagem, cidadania, convivência, responsabilidade e de luta por direitos. Por isso, é importante deixar claro que um de seus principais objetivos é contribuir para aumentar a participação dos alunos nas atividades de sua escola, organizando campeonatos, palestras, projetos e discussões, fazendo com que tenham voz ativa e participem – junto com pais, funcionários, professores, coordenadores e diretores – da programação e da construção das regras dentro da escola. O Grêmio Estudantil pode fazer muitas coisas, desde organizar festas nos finais de semana até exigir melhorias na qualidade do ensino. Tem o potencial de integrar mais os alunos entre si, com toda a escola e com a comunidade. Este órgão representativo dos alunos é uma das primeiras oportunidades que os jovens têm de participar da sociedade. Com ele, os alunos têm voz na administração da escola, apresentando suas idéias e opiniões. Mas, claro, tudo democraticamente e com respeito. No entanto toda participação exige responsabilidade! Um Grêmio Estudantil compromissado deve procurar defender os interesses dos alunos, firmando sempre que possível uma parceria com todas as pessoas que participam da escola. É importante trabalhar principalmente com os diretores, coordenadores e professores. Somente assim, o Grêmio atuará verdadeiramente em benefício da escola e da comunidade. Para formar o Grêmio são necessários cinco grandes passos, dos quais destacamos: 1º Passo: O grupo interessado em formar o Grêmio comunica a direção escolar, divulga a proposta na escola e convida os alunos interessados e os representantes de classe (se houver) para formar a COMISSÃO PRÓ-GRÊMIO. Este grupo elabora uma proposta de Estatuto que será discutida e aprovada pela

Assembléia Geral. 2º Passo: A Comissão Pró-Grêmio convoca todos os alunos da escola para participar da ASSEMBLÉIA GERAL. Nesta reunião, decide-se o nome do Grêmio, o período de campanhas das chapas, a data das eleições e aprova-se o seu Estatuto. Nessa reunião também se definem os membros da COMISSÃO ELEITORAL. Cumpre lembrar que estes procedimentos devem ser registrados em ata, pois além de serem documentos refletem a história da representação estudantil na unidade escolar. 3º Passo: Os alunos se reúnem e formam as CHAPAS que concorrerão na eleição. Eles devem apresentar suas idéias e propostas para o ano de gestão no Grêmio Estudantil. A Comissão Eleitoral promove debates entre as chapas, abertas a todos os alunos. 4º Passo: A Comissão Eleitoral organiza a ELEIÇÃO (o voto é secreto). A contagem é feita pelos representantes de classe, acompanhados de dois representantes de cada chapa e, eventualmente, dos coordenadores pedagógicos da escola. No final da apuração, a Comissão Pró-Grêmio deve fazer uma Ata de Eleição para divulgar os resultados. 5º Passo: A Comissão Pró-Grêmio envia uma cópia da Ata de Eleição e do Estatuto para Direção Escolar e organiza a cerimônia de POSSE DA DIRETORIA do Grêmio. Cabe lembrar que as eleições devem ser anuais e após instalado um Grêmio, no ano seguinte é ele quem organiza as eleições. Se você se preocupa com a sua escola e tem vontade de compor o Grêmio Estudantil, o que está esperando? Reúna seu grupo e busque informações em livros, internet, com professores, entre outras fontes, acerca de legislação, estatuto, modelos de ata, procedimentos para a instalação da comissão Pró-Grêmio, entre outras. Faça parte da história de sua escola e exerça a sua cidadania. (Colaboração da Profa. Lilian Marques. FONTE: Caderno Grêmio Estudantil do “Instituto Sou da Paz”, disponível em <http://www.mundojovem.pucrs.br/subsidiosgremio_estudantil-01.php> acessado em 05/04/2008)

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Março foi o mês da poesia e nada seria mais triste do que desperdiçar essa oportunidade. Lançamos essa coluna que, se bem aceita, será permanente. Com odes a todos os deuses e musas, fazem-se presentes a arte, a palavra e a vida. Pela voz do anônimo ou pela tinta do consagrado, aqui é seu espaço, sua ilha, sua casa. Lembre-se sempre, poesia, entre nós encontra abrigo e aqui é seu refúgio. Aflição incontida Do poema mal escrito e acabado, aflito um bocado, incontido aqui do lado Luta estranha

falido e desejado,

Estranha luta a luta humana.

fiz um canto de exaltação

Inconcebível, insana.

no canto do meu coração.

Incontrolável, assusta.

Pretensão de ser poeta

Essa procura desumana (Posto que imaterial) indefinida e irreal que a todos chama, a mim não engana.

Palavra

nunca tive, mas vive em mim a rima em festa olhando pela fresta e se manifesta

Felicidade, fim do teu reinado! Pois que és astuta e injusta.

em verso mal escrito,

Tu não estás no resultado.

aflito,

Imperceptivelmente, estás na busca. Não estás no início, nem no fim, nem no meio...

incontido falido,

Estás no caminho... "Se vens, por exemplo às quatro, desde as três começo a ser feliz..." (Prof. Jair)

inacabado (...) (Prof. Jair)

(Carlos Pascoal, MRD 2AN)

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O corpo Tirei o corpo do corpo e fiquei alí absorto e saboreei o conforto de ancorar num porto como se estivesse morto. Vi meu corpo tímido lá no chão caído Sem qualquer sentido. Soltei um gemido longo e decisivo como se estivesse vivo. Por mais que eu fizesse

Cadeia da Solidão No céu as nuvens formam um tempo nublado Contribuindo para me deixar mais desesperado Chuva a cair no telhado Onde está o Sol dourado? Lágrimas caem dos meus olhos, deixando o chão molhado Seu nome por mim é pronunciado Recordo-me de como era feliz ao seu lado Tudo isso agora é passado Pois por você eu fui deixado Do seu coração fui apagado E sei que fará o mesmo com o meu nome no seu corpo tatuado Percebo como fui tolo por não ter o meu amor revelado Com uma linda mulher fui abençoado Mas perdi a chance, e fui abandonado A tristeza agora domina meu coração alado Agora outro homem é dono do seu amor que por mim foi negado Nesse momento tenho que seguir o meu caminho já traçado Assim como ocorreu com você antes: amar e não ser amado E nessa solitária cadeia, para sempre ficar aprisionado... (Lucas, ADM 2BM)

e num gesto nobre

Conflitos

minha vida desse,

A vida insiste em mudar

minha alma não sobe, meu corpo não desce como não houvesse.

E o adolescente insiste até acertar

do meu corpo fujo para mim mentindo que ainda o uso e que parece limpo mas ele está sujo. (Prof. Jair)

Cidadezinha qualquer Casas entre bananeiras

Dança nas ondas e vaga no ar

mulheres entre laranjeiras

Insiste que o mundo não dá para explicar

pomar amor cantar.

Conversa com o vazio e dança com o luar e o mundo gira, gira sem parar

E assim no limbo

©carilho

Implica com tudo E tenta explicar

Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar.

Permite que a vida tire tudo do lugar

Um burro vai devagar.

Depois volta atrás e fica a pensar

Devagar... as janelas olham.

Deixando em nossas bocas Este “cheiro” salgado De adolescente folgado Que sobrevive sonhando acordado. (Keila Alves Amara, IRD 2BM)

(Renato Lima Meira, IRD 2CM)

Eta vida besta, meu Deus. De Alguma poesia (1930)

Carlos Drummond de Andrade

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Revista Pensar nº 2

Olimpíadas de Química SP-2008 A primeira fase das Olimpíadas de Química SP consiste na seleção das melhores redações escritas por alunos de 1ª e 2ª série do Ensino Médio sobre tema definido pela organização do evento. Neste ano, o tema foi “Computador - uma sofisticada combinação de produtos químicos”. Milhares de redações foram recebidas e corrigidas pelos professores da USP e, adivinhem... uma das redações selecionadas saiu de nosso colégio, da aluna Stefany R. Saraiva, do ADM 2AM. Na próxima edição da revista, nós publicaremos a redação da Stefany. Agora, confira duas das redações elaboradas por outros excelentes alunos do ITB. Você vai perceber que não nos falta informação e talento para a escrita de bons textos!

“0” ou “1”? Duas coisas muito comuns em nossa vida: a química e a computação. De certo ponto de vista, duas coisas totalmente opostas, mas que na verdade estão intimamente ligadas. Geralmente os jovens não gostam muito ou até odeiam a química, já o computador, desde que surgiu, se popularizou de uma forma extraordinária e tem um lugar guardado no coração dos jovens. Veja a forte ligação entre a química e a computação. Para começar, a química está em tudo (mas só descobrimos isso na 8ª série), já os computadores, hoje em dia, também estão em todos os lugares, mas a diferença é que desde pequenos podemos ver isso. A química também está nos computadores. Através dos avanços químicos, pudemos ter grandes avanços tecnológicos em tão pouco tempo. Mas por que os computadores são tão bem vistos e a química não? Porque as pessoas têm dificuldade de lidar com coisas que não são palpáveis ou práticas. Alguns bons exemplos: por que "ninguém" gosta de matemática? Porque é algo que as pessoas não enxergam como necessário. Uma pergunta comum entre os estudantes é: "pra que eu vou usar isso professor?"; ou a religião, muitas pessoas se afastam de uma religião, pois Deus não é palpável. Fica a critério de

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cada um acreditar ou não. É isso que acontece com a química, ela não é palpável, é isso que prejudica a sua imagem. Não podemos sequer ver os prótons, nêutrons e elétrons. Mesmo os nossos professores nunca afirmaram que eles existem, mas nos ensinam o que está nos livros.

Com o computador acontece diferente, pois é uma coisa bem real, por isso é tão "popular". Podemos vê-lo e sabemos para que serve, e ele serve exatamente para aquilo que queremos: coisas práticas. O computador "supre nossas necessidades". Mas algumas pessoas podem afirmar que gostam de química justamente porque ela não é prática, porque é algo que se torna um desafio para elas. Sendo assim, porque muitos não gostam de química? Como já dissemos, nosso primeiro contato com a química acontece muito tarde, quando nós já definimos do que gostamos e do que não

gostamos. E outro motivo é que a “má fama” da química é passada de “geração em geração”, nossos irmãos, primos e colegas dizem que essa matéria é chata e, por isso, quando a conhecemos, só de ouvir seu nome não gostamos. Talvez seja por isso que o computador conquistou seu espaço entre os jovens. Estamos familiarizados com ele, ele se tornou natural em nossas vidas. Por mais que tentemos descobrir por que as pessoas não gostam da química, ou porque gostam do computador, nunca poderemos afirmar com certeza, pois qualquer argumento que usarmos poderia ser rebatido por alguém que afirme que é justamente por isso que gosta de química ou não gosta de computadores. Mas uma coisa é certa: química, ou você gosta ou não gosta. Então qual é a ligação entre essas duas coisas? O ponto mais comum entre eles é justamente uma das principais coisas que se descobriram sobre os átomos: os elétrons. E depois dessa descoberta foram criados vários modelos atômicos, chegando ao que nós conhecemos. O computador, como vocês devem saber, tem a sua linguagem, os bits (0 e 1). Os bits nada mais são do que pulsos elétricos, a movimentação dos elétrons. A parte mais importante para o estudo da química são os elé-


A revista que constrói conhecimentos

Redações competidoras trons e a sua distribuição, que influencia na sua movimentação, gerando energia: o "0" e "1" da linguagem do computador! Na prática, a química e a computação nascem do estudo das mesmas coisas, é como se tivessem saído do mesmo lugar. Para que haja a movimentação, é necessário que um átomo se aproxime de outro, para que suas eletrosferas compartilhem elétrons. Um átomo sozinho não tem valor, o que realmente vale são suas ligações. Isso também vale para o computador e a química, pois sem química não há computador. Assim como os elementos foram distribuídos na tabela periódica de acordo com suas propriedades e funções, eles também foram distribuídos no computador de acordo com suas funções: o cobre, um condutor, está nos fios conectores e pentes de memória; o silício, um semicondutor, base dos circuitos integrados; e o carbono (base do plástico) presente no teclado, mouse etc. Além disso, estão presentes no computador uma variedade de outros elementos, por exemplo: o lítio é usado nas baterias; as cores das telas de LCD são feitas por uma mistura de gases; os pinos que são usados para conectar o processador à placa mãe são feitos de níquel e banhados a ouro; os minidissipadores são feitos de alumínio, e outros. Como vocês puderam ver, a química e a computação andam lado a lado, uma completa a outra, e como já dissemos, da química, ou você gosta ou não gosta; ou é "0" ou é "1". (Márcia Santos -ADM 2DM-; Stefany P. Santos –LOG 2CM– e Jakeline P. Santos -IRD 2BM-)

QUIMICOMPUTADOR O computador é uma revolução tecnológica que dependeu, depende e dependerá de revoluções químicas para que aconteça. O hardware de um computador se divide em dispositivos de entrada, de armazenamento, de processamento e de saída de informação. Os dispositivos de entrada, também conhecidos como periféricos de entrada, são o teclado e o mouse, utilizados para comunicar ao computador alguma tarefa que desejamos fazer. Para que essa comunicação aconteça, é necessário um processo químico. O teclado do computador é feito basicamente de plástico, que é produzido através da nafta, um resíduo da destilação do petróleo que, por sua vez, é o resultado da decomposição de matéria orgânica que sofreu intensa pressão durante certo período de tempo. Toda matéria orgânica é composta basicamente por carbono e hidrogênio, então, é correto afirmar que não apenas o teclado mas sim toda a carcaça do computador é feita desses dois elementos. Quando uma tecla é pressionada, ou seja, um caractere do teclado, que é representado por um código de oito cifras de zeros e uns, altera-se a capacidade de um condensador situado sobre ela. O teclado tem um microprocessador que percorre os condensadores várias vezes por segundo verificando se alguma mudança ocorreu e, caso ocorra, comunica ao microprocessador do computador através de um cabo de conexão. O mouse foi criado por Engelbert em 1957, e funciona como o teclado, também possui microprocessador e condensadores que ficam sobre as suas duas únicas “teclas”. Quando clicamos em algo, a tecla do mouse fecha um circuito e um pulso elétrico será interpretado como uma tarefa a ser realizada. A diferença entre o teclado e o

mouse é que o mouse trabalha sobre uma interface gráfica, o que não se pode dizer a respeito do teclado. O dispositivo de processamento é formado por um milhão de circuitos integrados em um suporte de silício, o chip. O microprocessador foi criado em 1972, pela empresa INTEL, e se comunica com os demais dispositivos do computador por meio de bus, micro cabo que conecta os dispositivos passando as informações de um para o outro por pulsos elétricos. Sem ele o computador não funciona, já que faz todos os comandos de operação da máquina, obedecendo a uma programação. A memória é dividida em RAM e ROM, a memória RAM é constituída por uma placa coberta com uma resina que lhe dá a cor esverdeada, com chips de silício distribuídos sobre ela, tendo em uma das bordas uma pequena dentição feita de cobre de onde saem filetes interligando os chips. A memória RAM precisa de alimentação elétrica e, por isso, quando desligamos o computador as informações ali armazenadas se perdem, o que chega a ser uma vantagem já que a memória se “auto limpa”. Para que as informações não se percam é preciso salvá-las em um dispositivo de armazenamento permanente como a memória ROM na qual são gravadas as informações do fabricante sobre a programação. As informações são medidas em bits. Cada bit contém um digito binário, e um conjunto de oito bits forma um byte, o computador mais potente ainda não lançado no mercado possui um disco rígido (HD) com capacidade de armazenar um petabyte de informações, que equivale a um milhão de gigabytes. O primeiro disco rígido, o RAMAC 350, foi criado pela IBM e tinha 60 centímetros de diâme-

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Olimpíadas de Química SP-2008 tro – contra 9 centímetros dos discos atuais – e apenas 5 megabytes de espaço, suficiente para armazenar uma música de cinco minutos. Os primeiros computadores eram pouco práticos e com pouca capacidade de armazenamento e processamento. Antes do RAMAC, o armazenamento era feito através de válvulas a vácuo, que foram substituías por transistores inventados pelos físicos norteamericanos Jhon Bardeen e Walter Brattain, em 1947. Os dispositivos de saída são os monitores e as impressoras. Para vermos uma imagem na tela, que pode ser feita de gálio ou ítrio, um microprocessador (controlador de vídeo) colocado numa placa de circuitos, denominada placa gráfica, organiza a informação numérica correspondente às imagens e as converte em pulsos elétricos que guiam o canhão de elétrons (tubo de raios catódicos) à face interna da tela. Com o choque, o fósforo que reveste a tela se ilumina formando as imagens. Os monitores de uma única cor utilizam fósforo verde, branco ou âmbar, já os coloridos agrupam em cada ponto da tela três tipos de fósforo - vermelho, verde, azul – que, ao serem iluminados com diversas intensidades, combinam-se para formar as demais cores. Para mover o feixe de forma que não ilumine sempre o mesmo ponto da tela, usa-se um anel defletor composto por potentes eletroímãs capazes de redirecionar o percurso do feixe de elétrons no interior do tubo. Um pouco complicado, sem dizer que o monitor também emite radiação X, não o suficiente para causar algum dano ao ser humano, seus níveis de radiação não chegam ao limite máximo de 0,0005 R/H (Roentgem por hora). A impressora recebe informação do microprocessador e a

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representa de forma legível sobre o papel, a impressora a laser, que é a mais utilizada, lança um fino feixe que, ao incidir sobre o espelho poligonal, sai desviado na direção conveniente a formar o caractere, o feixe incide em seguida sobre um tambor coberto de material fotocondutor com carga elétrica positiva, que remove cargas elétricas de determinados materiais pela incidência da luz. Os pontos do tambor em que o laser é direcionado com grande precisão perdem sua carga positiva, o que não acontece com os pontos dos caracteres. Em seguida é depositado um pó finíssimo que tem carga negativa. Essa mistura de carvão, resultado da queima de matéria orgânica e resina fica presa, já que é atraída pelos pontos positivos dos caracteres no tambor, até que é transferida para uma folha de papel que passa pelo rolo e está feita a impressão. Parece simples, mas não é. Todo esse processo exigiu muita química, principalmente na produção do laser, pois é o resultado de uma mistura de gases que inclui o Helio e o Neônio, sobre a qual foi aplicada uma descarga elétrica causando a emissão de fótons, menor porção possível de energia luminosa que possui uma mesma freqüência. O conjunto deles forma o laser, nada simples. A transmissão de dados é feita por cabos de fibra óptica, que são compostos por um conjunto de fibras de vidro e outros materiais, como o aço ou o polietileno. São necessários dois dispositivos, o transmissor é um foco luminoso que pode ser um laser ou um LED (diodo emissor de luz, dispositivo baseado em semicondutores como o arcenito de gálio que, ao receber uma corrente elétrica, desprende fótons), e o receptor é um fotodiodo baseado em semicondutores como o germânio que, ao ser iluminado, emite elé-

trons na proporção da quantidade de luz recebida, criando uma corrente elétrica. Um computador envia os dados na forma de pulso elétrico para o dispositivo transmissor. Os sinais viajam pela fibra óptica do cabo até um dispositivo receptor que amplifica os sinais à medida que eles vão enfraquecendo durante um percurso. O receptor detecta os sinais luminosos e os converte em bits elétricos para que possam ser interpretados pelo computador que recebe os dados. A química que ocorre na transmissão de dados não é tão complicada quanto aparenta, já que o pulso elétrico é apenas convertido em pulso luminoso e vice-versa. A fibra óptica, além de ser um bom condutor, emite os sinais com grande rapidez. O computador é uma invenção antiga, criada em 1944 pela equipe do professor Howard Aiken, e vem sendo aperfeiçoada desde então. É algo revolucionário que tornou nossas vidas práticas. Com isso, podemos concluir que o computador é pura química. Muitas vezes pensamos que a tecnologia presente nos computadores não faz parte do universo químico. Estamos errados. Nada que acontece no mundo é feito sem química. Só o fato de ligarmos o computador provoca várias reações químicas que ocorrem ao mesmo tempo sem nos darmos conta. A química tem grande influência na tecnologia avançada dos computadores. Sem ela o computador não passaria de um sonho impossível. (Maria Gislaine -ADM 2BM-)


A revista que constrói conhecimentos

Passatempos

Sudoku O objetivo do jogo é preencher todo

Desafio dos triângulos

o quadro com números de 1 a 9.

Quantos triângulos há no diagra-

Cada linha deve conter todos os

ma abaixo?

números de 1 a 9, sem repetições,

Agora é sua vez! Complete o quadro com os números faltantes.

e o mesmo vale para cada coluna e para cada quadrado maior. Veja os exemplos:

As respostas do desafio dos triângulos e do Sudoku estão no rodapé da página.

Jogo do Nim: Invente seu jogo e divirta-se com a matemática das coisas... É jogado com palitos de dente

Cada jogador tem direito a tirar

Variações do jogo:

ou de fósforos. Faça três fileiras

quantos palitos quiser, mas so-

Você pode substituir os palitos

com os palitos, uma embaixo da

mente de uma fileira de cada

por outros objetos, e pode inclusi-

outra. A primeira fileira deve ter

vez. Assim, pode-se tirar um úni-

ve inventar novas organizações

3 palitos, a segunda deve ter 5 e

co palito da fileira de 7, ou todos

iniciais para deixar o jogo mais

a última 7 palitos:

da fileira de 3, ou dois da fileira

interessante.

de 5 e assim vai. Depois de tirar

Experimente fazer uma fila com

seus palitos, o jogador passa a vez ao adversário.

20 moedas. Cada jogador pode tirar uma, duas ou três moedas

Quem ficar com o último palito,

por vez. Quem ficar com a última

perde o jogo!

moeda perde o jogo. (Jogos propostos pelos professores Nasael, Zé Otavio e Antonieta)

8 1 9 7 2 3 4 5 6 7 3 4 8 6 5 2 9 1 2 5 6 9 4 1 3 8 7 9 8 7 1 5 4 6 3 2 3 4 1 2 9 6 5 7 8 6 2 5 3 7 8 9 1 4 1 9 8 4 3 2 7 6 5 4 6 3 5 8 7 1 2 9 5 7 2 6 1 9 8 4 3

Página 23 Respostas: Há 25 triângulos na figura.


Revista Pensar nº 2

Estabilidade: Entendendo um pouco além do óbvio. Você sabe andar de bicicleta? Normalmente nós aprendemos a fazer isso com a ajuda de rodinhas instaladas na roda de trás da bicicleta. Por que será que fica mais fácil se equilibrar com as rodinhas? A resposta óbvia seria “porque temos dois pontos de apoio a mais, cabeção!”. Mas calma, tente ir um pouco além do óbvio... Pense em estabilidade. Essa é a característica das coisas que ficam do jeito que estão (estabilidade tem a ver com o verbo “estar”). Você entende que uma casa construída com concreto e tijolos é bem estável, certo? Mas e se ela for construída sobre um chão de areia fofa, essa estabilidade se mantém? Nesse caso, é bem capaz que a casa de concreto se esparrame com suas paredes e tijolos pelo chão de areia, como aconteceu com várias das ruínas de templos e castelos que visitamos hoje. Agora olhe além do óbvio. O templo não durou muito tempo do jeito que estava quando foi construído, mas permanece do jeito que está, em ruínas, há milhares de anos. Isso acontece porque uma casa demolida é mais estável do que a mesma casa em pé! A estabilidade é a característica das coisas que sobrevivem ao tempo, que permanecem por mais tempo da maneira como estão (estáveis). Sua bicicleta originalmente tem duas rodas, o que a torna instável, já que é difícil se equilibrar nela quando estamos aprendendo a pedalar. Repare que você e sua bicicleta se tornam mais estáveis quando caem. Você poderia ficar imóvel por horas esperando ajuda depois de cair no chão com sua companheira bicicleta. Aos poucos você aprenderá que é mais fácil se equilibrar sobre

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duas rodas quando estamos em movimento, mas, para ficar parados, precisamos de mais pontos de apoio embaixo da bicicleta, o que vem com as rodinhas. Imagine se, ao invés de duas rodinhas adicionais, tivéssemos milhares de pontos de apoio extra. Sua estabilidade aumentaria muito se todos esses pontos estivessem a uma mesma distância do centro do seu corpo. Você conseguiria cair se sua bicicleta estivesse apoiada sobre tantas rodinhas?

2 rodas

4 rodas

muitas rodas

Repare que, a medida que aumenta o número de pontos de apoio, sua sombra no chão vai ficando cada vez mais parecida com um círculo. Esse e outros vários exemplos nos levam a associar a idéia de estabilidade com o formato redondo (ou esférico, se preferir). Agora já nos afastamos bastante do óbvio. Pense em qual é o formato padrão de uma bolha de sabão... E se você assoprar por um canudinho triangular? Acredite, a bolha continuará saindo arredondada, independente do canudo que você usar. Já prestou atenção que nos bons filmes de guerra espacial, todos os planetas e estrelas também são arredondados? Longe do óbvio, isso deve fazer algum sentido! Dentro e fora da bolha de sabão existe ar. Isso quer dizer que, enquanto existe, a bolha de sabão está submetida à pressão desse ar sobre sua parede de sabão e água. No formato esférico, essa pressão será distribuída de maneira igual por todos os pedacinhos da bolha, fazendo com que ela

se torne mais estável, ou seja, permaneça como está por mais tempo. Se a bolha tivesse algum tipo de canto (como numa forma triangular ou quadrada), esse cantinho sofreria uma maior pressão do que o resto da bolha, pois receberia ar vindo com várias inclinações diferentes, o que não acontece com a forma esférica. Agora imagine o caso dos planetas. No espaço eles são constantemente bombardeados por meteoros e outros corpos. O que seria de um planeta que tivesse uma montanha enorme em um de seus lados? et

ro eo

m

Planeta esférico

planeta disforme

E ai? Consegue ver além do óbvio? (José Otavio, graduado em Química e mestrando em Ensino de Ciências, é professor de Química no ITB Prof. Munir José)

O ITB Prof. Munir José está muito orgulhoso de seus alunos. Nesta edição, o destaque vai para a Stefany R. Saraiva, do ADM 2AM, que se classificou para a final das Olimpíadas de Química SP 2008. Na foto, a Stefany aparece à esquerda, ao lado da Cristiane, Marina, “Kelly” e Mayara, que também participaram das Olimpíadas. Parabéns!


Revista Pensar! nº 02